No fim de uma campanha dominada por temas como corrupção e violência, o ex-prefeito da capital Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), venceu por ampla margem a eleição presidencial de hoje no México, na terceira tentativa, indicam as projeções dos primeiros resultados oficiais.
Seus maiores adversários, Ricardo Anaya, do direitista Partido de Ação Nacional (PAN), e José Antônio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), reconheceram a derrota.
AMLO, como é conhecido popularmente, será o primeiro esquerdista a governar o México, a segunda maior economia da América Latina, depois do Brasil, com produto interno bruto de US$ 1,149 trilhão, o 15º do mundo em 2017, pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Uma contagem rápida feita pelo Instituto Nacional Eleitoral deu 53% para AMLO, 22% para Anaya e 16% para Meade, informou o jornal esquerdista La Jornada. Esses números se confirmaram. Foi a maior vitória numa eleição presidencial mexicana em 40 anos.
López Obrador promete acabar com a corrupção crônica, reduzir a violência endêmica, agravada pela guerra às drogas das últimas décadas, e combater a pobreza absoluta. Sua grande popularidade se deve à esperança de que possa atacar estes problemas com algum sucesso.
Os economistas o acusam de populismo e perguntam como vai financiar generosos programas sociais, como aumento das aposentadorias e pensões, bolsas de estudos para jovens e apoio ao pequeno produtor rural. Ele pretende usar o dinheiro economizado com o combate à corrupção, um sonho que muitos temem que não se materialize.
Desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogras, em 2006, 200 mil pessoas foram mortas. No ano passado, o índice de homicídios foi o maior desde que o governo federal mexicano iniciou a pesquisa, em 1997. Pelo número de assassinatos deste ano, o total de 2017 será superado. AMLO não fez nenhuma proposta concreta para a questão da violência.
"As eleições recentes na América Latina mostram a mesma demanda por mudança", comentou a ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla. "Os resultados não endossam ideologias, são demandas por mudanças, uma fadiga sentida pelo povo, que espera respostas que não vêm."
Para o historiador da esquerda mexicana Carlos Illades, professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), o maior problema é o excesso de expectativa gerado por uma campanha populista e salvacionista: "O problema é o que ele não for capaz de fazer. Há pessoas com uma expectativa enorme."
Além dos problemas internos, AMLO terá de convencer os investidores estrangeiros de que seu nacionalismo econômico não vai fechar a economia e enfrentar a hostilidade do presidente Donald Trump, que lançou sua campanha à Casa Branca acusando os mexicanos de serem traficantes, estupradores e assassinos, e insiste na construção de um muro na fronteira entre os dois países.
Como prefeito da Cidade do México, ele mostrou ser um esquerdista capaz de trabalhar com o setor privado. Agora, enviou um representante para a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
"Hoje AMLO é muito mais moderado, é um político centrista que vai governar com a comunidade empresarial com a mão direita e com os programas sociais na mão esquerda", declarou Antonio Sola, marqueteiro que o apresentou como um perigo para o México na eleição de 2006, vencida por Felipe Calderón, do PAN. "A grande diferença é que agora a emoção dominante no eleitorado é a fúria. A raiva é muito mais forte do que o medo."
O presidente eleito prometeu revisar os contratos no setor de petróleo assinados pelo governo atual e reverter reformas educacionais para introduzir avaliações de mérito dos professores. Aliado dos poderosos sindicatos do setor público, AMLO quer voltar atrás. Deste jeito, cedendo aos interesses dos setores de educação e energia, não vai transformar o México.
"Minha maior preocupação sobre energia e educação é a ambiguidade do caminho alternativo a frente", observou o cientista político Jesus Silva Herzog, professor da Escola de Administração Pública do Instituto de Tecnologia e Ensino Superior de Monterrey, na terceira maior região metropolitana do México.
A vitória de López Obrador representa sobretudo a falência dos partidos políticos tradicionais mexicanos. O Partido Revolucionário Institucional (PRI), herdeiro da Revolução Mexicana de 1910, governou o país de sua fundação, em 1929, até o ano 2000. Voltou ao poder com o atual presidente, o desmoralizado Enrique Peña Nieto (2012-18). Sai destas eleições mais fraco do que nunca.
O Partido da Revolução Democrática (PRD), foi criado por Cuauhtémoc Cárdenas, filho do fundador do PRI, numa dissidência do partido oficial, em 1989. AMLO usou-o para lançar sua candidatura em 2006. Com o crescimento do Morena, o PRD corre o risco de desaparecer.
Desde logo, o PAN se apresenta como a oposição de direita. Algumas pesquisas indicaram que a aliança Juntos Faremos História, liderada por AMLO, poderá ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso lhe daria condições de aplicar seu programa radical. As atenções agora se voltam para estas apurações.
Seu partido Morena venceu em seis dos nove estados onde havia eleição para governador: Chiapas, México, Morelos, Puebla, Tabasco, onde nasceu AMLO, e Veracruz. Pela primeira uma mulher, a cientista Claudia Sheinbaum, de 56 anos, foi eleita prefeita da Cidade do México, uma megalópole de 20 milhões de habitantes.
Foram as maiores eleições da história do México, com mais de 3,4 mil cargos em disputa e também a mais violenta, com pelo menos 145 assassinatos políticos, sendo 48 de candidatos ou pré-candidatos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 1 de julho de 2018
domingo, 24 de junho de 2018
López Obrador está perto da vitória com maioria no Congresso
A uma semana das eleições para 3 mil cargos, as maiores da história do México, o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Renovação Nacional (Morena) é o franco favorito para presidente.
AMLO aumentou para 23 pontos sua vantagem sobre o direitista Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN). A aliança que o apoia pode obter maioria absoluta na Câmara e no Senado.
Na média das pesquisas, López Obrador tem 49,6% das preferências do eleitorado, com 27% para Anaya e 20,4% para José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México desde sua fundação, em 1929, até o ano 2000 e voltou ao poder com o atual presidente Ernesto Peña Nieto.
Como no México não há segundo turno, o jornal espanhol El País dá a AMLO, como é conhecido popularmente, 95% de chance de conquistar a Presidência.
Em aliança com o Partido do Trabalho (PT) e o Partido do Encontro Social (PES), o Morena pode ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso daria a AMLO o direito de aplicar seu programa de reformas radicais.
Com 159 deputados do Morena, 51 do PT e 47 do PES, a aliança governista teria, na média das pesquisas, 258 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados. Por causa da imprecisão de pesquisas anteriores e do sistema eleitoral, a margem de erro é de mais ou menos 40 deputados.
Dos 500 deputados, 300 são eleitos por maioria relativa em distritos uninominais, o que leva as coalizões a apresentar um candidato único. Os outros 200 são eleitos pelo voto proporcional.
Pelo artigo 54 da Constituição do México, para evitar o poder exagerado que o PRI teve no passado, nenhum partido pode ter mais de 300 deputados na Câmara nem uma porcentagem de deputados oito pontos percentuais maior do que o percentual de votos.
Para o Senado, a aliança de esquerda tem 46% dos votos contra 33% do PAN e 21% do PRI.
AMLO aumentou para 23 pontos sua vantagem sobre o direitista Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN). A aliança que o apoia pode obter maioria absoluta na Câmara e no Senado.
Na média das pesquisas, López Obrador tem 49,6% das preferências do eleitorado, com 27% para Anaya e 20,4% para José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México desde sua fundação, em 1929, até o ano 2000 e voltou ao poder com o atual presidente Ernesto Peña Nieto.
Como no México não há segundo turno, o jornal espanhol El País dá a AMLO, como é conhecido popularmente, 95% de chance de conquistar a Presidência.
Em aliança com o Partido do Trabalho (PT) e o Partido do Encontro Social (PES), o Morena pode ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso daria a AMLO o direito de aplicar seu programa de reformas radicais.
Com 159 deputados do Morena, 51 do PT e 47 do PES, a aliança governista teria, na média das pesquisas, 258 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados. Por causa da imprecisão de pesquisas anteriores e do sistema eleitoral, a margem de erro é de mais ou menos 40 deputados.
Dos 500 deputados, 300 são eleitos por maioria relativa em distritos uninominais, o que leva as coalizões a apresentar um candidato único. Os outros 200 são eleitos pelo voto proporcional.
Pelo artigo 54 da Constituição do México, para evitar o poder exagerado que o PRI teve no passado, nenhum partido pode ter mais de 300 deputados na Câmara nem uma porcentagem de deputados oito pontos percentuais maior do que o percentual de votos.
Para o Senado, a aliança de esquerda tem 46% dos votos contra 33% do PAN e 21% do PRI.
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domingo, 3 de junho de 2018
López Obrador abre 20 pontos de vantagem no México
A campanha para a eleição presidencial de 1º de julho no México entra na reta final com o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador abrindo uma vantagem de 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Anaya. Como não há segundo turno, ele está praticamente eleito, pelos cálculos do jornal espanhol El País.
Líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), López Obrador ou AMLO, como é mais chamado, tem 48,2% das preferências na média das pesquisas. Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN) tem 27,5%, enquanto José Antonio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), é o terceiro, com 19,5%.
Pelo modelo matemático de El País, AMLO tem 92% de ser eleito presidente do México; Anaya, 7%; e Meade, 1%. Desde março, ele subiu sete pontos. Em quatro pesquisas recentes, superou os 50%.
Sua vantagem é tão grande que mesmo o mau desempenho nos dois debates realizados até agora abalou sua liderança. Não há razão para imaginar que o líder nas pesquisas possa desabar nas semanas que restam.
Meade teve seu melhor momento quando foi indicado pelo presidente Enrique Peña Nieto, mas o desgaste do PRI, que governou o México ininterruptamente de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e a impopularidade do atual presidente minaram sua candidatura.
No último debate, realizado há duas semanas em Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, Meade foi superior aos adversários. Isso acabou enfraquecendo Anaya, que começou bem o ano e se tornou o favorito do empresariado que teme o esquerdismo de López Obrador.
Se a eleição fosse apenas entre AMLO e Anaya, o eleitorado de Meade se dividiria em partes iguais, indica uma simulação da empresa de pesquisas Demotecnia. Parte do PRI prefere a vitória de López Obrador ao triunfo do PRI, com que disputa e eleitor de centro-direita.
A agressividade verbal do presidente Donald Trump e a resistência dos EUA na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) favorecem o candidato de esquerda,
Líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), López Obrador ou AMLO, como é mais chamado, tem 48,2% das preferências na média das pesquisas. Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN) tem 27,5%, enquanto José Antonio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), é o terceiro, com 19,5%.
Pelo modelo matemático de El País, AMLO tem 92% de ser eleito presidente do México; Anaya, 7%; e Meade, 1%. Desde março, ele subiu sete pontos. Em quatro pesquisas recentes, superou os 50%.
Sua vantagem é tão grande que mesmo o mau desempenho nos dois debates realizados até agora abalou sua liderança. Não há razão para imaginar que o líder nas pesquisas possa desabar nas semanas que restam.
Meade teve seu melhor momento quando foi indicado pelo presidente Enrique Peña Nieto, mas o desgaste do PRI, que governou o México ininterruptamente de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e a impopularidade do atual presidente minaram sua candidatura.
No último debate, realizado há duas semanas em Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, Meade foi superior aos adversários. Isso acabou enfraquecendo Anaya, que começou bem o ano e se tornou o favorito do empresariado que teme o esquerdismo de López Obrador.
Se a eleição fosse apenas entre AMLO e Anaya, o eleitorado de Meade se dividiria em partes iguais, indica uma simulação da empresa de pesquisas Demotecnia. Parte do PRI prefere a vitória de López Obrador ao triunfo do PRI, com que disputa e eleitor de centro-direita.
A agressividade verbal do presidente Donald Trump e a resistência dos EUA na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) favorecem o candidato de esquerda,
sexta-feira, 25 de maio de 2018
López Obrador pode ter maioria no Congresso do México
O candidato populista de esquerda José Manuel López Obrador pode não apenas ser eleito presidente do México em 1º de julho. Pode conseguir maioria na Câmara e no Senado, indica uma pesquisa do instituto Consulta Mitofsky. Assim, se for eleito, poderá revogar as reformas de educação e energia feitas pelo atual governo, uma promessa de campanha.
A pouco mais de um mês da eleição, López Obrador lidera com uma vantagem média de dez pontos dependendo da pesquisa. Durante a campanha, ele prometeu auditar os contratos de petróleo e gás do atual governo, de Enrique Peña Nieto, reduzir o preço dos combustíveis e os gastos públicos. Tudo isso, inclusive a revogação das reformas nos setores de educação e energia, depende da aprovação do Congresso.
Se a coalização liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) conquistar maioria apenas na Câmara, ficará sob pressão dos grandes partidos de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e o Partido de Ação Nacional (PAN), que governou de 2000 a 2012.
Duas pesquisas recentes dão 60 das 128 cadeiras do Senado e uma pequena maioria 260 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados à aliança entre o Morena, o Partido Encontro Social e o Partido do Trabalho, que apoia a candidatura presidencial de AMLO, como é conhecido no México. A confirmação dessas previsões nas urnas facilitariam a aprovação de novas leis.
Os investidores estrangeiros temem mais a aprovação de leis restritivas do que as auditorias porque tem impacto em prazos mais longos. As classes empresariais apostam em Ricardo Anaya, ex-presidente da Câmara, candidato do PAN.
A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte imposta pelo presidente Donald Trump, além dos insultos aos imigrantes mexicanos desde o lançamento da campanha, favorecem a campanha de um candidato de esquerda no México. Quem quer que seja o vencedor, o Morena sairá fortalecido.
A pouco mais de um mês da eleição, López Obrador lidera com uma vantagem média de dez pontos dependendo da pesquisa. Durante a campanha, ele prometeu auditar os contratos de petróleo e gás do atual governo, de Enrique Peña Nieto, reduzir o preço dos combustíveis e os gastos públicos. Tudo isso, inclusive a revogação das reformas nos setores de educação e energia, depende da aprovação do Congresso.
Se a coalização liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) conquistar maioria apenas na Câmara, ficará sob pressão dos grandes partidos de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e o Partido de Ação Nacional (PAN), que governou de 2000 a 2012.
Duas pesquisas recentes dão 60 das 128 cadeiras do Senado e uma pequena maioria 260 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados à aliança entre o Morena, o Partido Encontro Social e o Partido do Trabalho, que apoia a candidatura presidencial de AMLO, como é conhecido no México. A confirmação dessas previsões nas urnas facilitariam a aprovação de novas leis.
Os investidores estrangeiros temem mais a aprovação de leis restritivas do que as auditorias porque tem impacto em prazos mais longos. As classes empresariais apostam em Ricardo Anaya, ex-presidente da Câmara, candidato do PAN.
A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte imposta pelo presidente Donald Trump, além dos insultos aos imigrantes mexicanos desde o lançamento da campanha, favorecem a campanha de um candidato de esquerda no México. Quem quer que seja o vencedor, o Morena sairá fortalecido.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Presidente do México liberaliza leis sobre maconha
O presidente Enrique Peña Nieto propôs hoje a legalização de medicamentos baseados em maconha e o aumento da quantidade que os usuários da droga podem portar legalmente no México. Condenados por pequenos crimes de porte e uso de maconha serão libertados, informa a agência Reuters, citada pelo jornal digital The Huffington Post.
Desde que o presidente Felipe Calderón (2006-12), do direitista Partido de Ação Nacional (PAN) declarou guerra às máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, mais 165 mil pessoas foram mortas.
Enquanto alguns estados americanos (Alasca, Colorado, Oregon, Washington e Distrito de Colúmbia) legalizavam o uso recreativo da maconha, os mexicanos continuam se matando para traficar drogas para os EUA.
Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) era contra a liberalização das drogas. Cedeu à realidade.
"Nosso país sofreu os efeitos danosos do crime organizado ligado às drogas. Afortunadamente, um novo consenso global ganha força gradualmente para uma reforma no regime internacional de drogas", declarou o presidente na Cidade do México. "Em vez de incriminar os consumidores, vamos oferecer alternativas e oportunidades."
Em novembro de 2015, por 4 a 1, o Supremo Tribunal Federal do México decidiu que os cidadãos mexicanos têm o direito de cultivar e transportar maconha para uso pessoal e recreativo. A quantidade permitida era 5 gramas por adulto. Agora, o limite sobe para uma onça de 28 gramas.
A deputada Cristina Díaz, do PRI, apresentou um projeto de lei autorizando a importação de produtos medicinais a base de maconha. Deve ser aprovado em maio.
O Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, é a favor da legalização imediata do uso recreativo. O PRI e a coligação esquerdista Morena defenderam a convocação de um plebiscito, enquanto o PAN se limitou a propor um debate sobre o assunto.
Se a maconha for legalizada, a corretora de investimentos privados Privateer Holdings estima que o mercado mexicano movimentará US$ 1,7 bilhão por ano entre os usos medicinal e recreativo.
Desde que o presidente Felipe Calderón (2006-12), do direitista Partido de Ação Nacional (PAN) declarou guerra às máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, mais 165 mil pessoas foram mortas.
Enquanto alguns estados americanos (Alasca, Colorado, Oregon, Washington e Distrito de Colúmbia) legalizavam o uso recreativo da maconha, os mexicanos continuam se matando para traficar drogas para os EUA.
Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) era contra a liberalização das drogas. Cedeu à realidade.
"Nosso país sofreu os efeitos danosos do crime organizado ligado às drogas. Afortunadamente, um novo consenso global ganha força gradualmente para uma reforma no regime internacional de drogas", declarou o presidente na Cidade do México. "Em vez de incriminar os consumidores, vamos oferecer alternativas e oportunidades."
Em novembro de 2015, por 4 a 1, o Supremo Tribunal Federal do México decidiu que os cidadãos mexicanos têm o direito de cultivar e transportar maconha para uso pessoal e recreativo. A quantidade permitida era 5 gramas por adulto. Agora, o limite sobe para uma onça de 28 gramas.
A deputada Cristina Díaz, do PRI, apresentou um projeto de lei autorizando a importação de produtos medicinais a base de maconha. Deve ser aprovado em maio.
O Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, é a favor da legalização imediata do uso recreativo. O PRI e a coligação esquerdista Morena defenderam a convocação de um plebiscito, enquanto o PAN se limitou a propor um debate sobre o assunto.
Se a maconha for legalizada, a corretora de investimentos privados Privateer Holdings estima que o mercado mexicano movimentará US$ 1,7 bilhão por ano entre os usos medicinal e recreativo.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Partido do governo obtém vitória apertada no México
O Partido Revolucionário Institucional (PRI), do presidente Enrique Peña Nieto, que governou o México durante 71 anos do século 20, conquistou uma pequena maioria na Câmara dos Deputados nas eleições realizadas ontem.
Com mais de 90% dos votos apurados, o PRI vence com 29,1%. Deve eleger cerca de 200 deputados, menos do que os 207 das eleições de 2012. Em segundo lugar, com 20,9%, ficou o Partido de Ação Nacional (PAN), que quebrou o monopólio do PRI em 2000 e governou o país por dois mandatos de seis anos cada. Sua bancada deve ter cerca de 110 deputados.
O Partido da Revolução Democrática (PRD), uma dissidência de esquerda do PRI, foi o quarto mais votado, com 10,8% e 55 deputados, seguido pelo Movimento de Renovação Nacional (Morena), do ex-prefeito da capital e ex-candidato a presidente Andrés Manuel López Obrador, com 8,4%, o Partido Verde (7,1%), o Movimento Cidadão (6%) e a Nova Aliança (3,7%).
Em aliança com o Partido Verde e a Nova Aliança, o PRI deve manter uma pequena maioria na Câmara. A popularidade foi abalada pela criminalidade, a ação de gangues ligadas ao tráfico de drogas e as denúncias de corrupção, que incluem a compra de uma casa de US$ 7 milhões pela mulher do presidente.
Apesar das promessas de conter a violência, sete candidatos e nove militantes partidários foram assassinados durante a campanha. Em Oaxaca, professores em greve atacaram várias zonas eleitorais. Ao todo, dezenas de urnas foram incendiadas em regiões rebeladas do pobre Sudoeste do México. Cerca de 120 pessoas foram presas. No resto do país, as eleições foram relativamente calmas.
Com mais de 90% dos votos apurados, o PRI vence com 29,1%. Deve eleger cerca de 200 deputados, menos do que os 207 das eleições de 2012. Em segundo lugar, com 20,9%, ficou o Partido de Ação Nacional (PAN), que quebrou o monopólio do PRI em 2000 e governou o país por dois mandatos de seis anos cada. Sua bancada deve ter cerca de 110 deputados.
O Partido da Revolução Democrática (PRD), uma dissidência de esquerda do PRI, foi o quarto mais votado, com 10,8% e 55 deputados, seguido pelo Movimento de Renovação Nacional (Morena), do ex-prefeito da capital e ex-candidato a presidente Andrés Manuel López Obrador, com 8,4%, o Partido Verde (7,1%), o Movimento Cidadão (6%) e a Nova Aliança (3,7%).
Em aliança com o Partido Verde e a Nova Aliança, o PRI deve manter uma pequena maioria na Câmara. A popularidade foi abalada pela criminalidade, a ação de gangues ligadas ao tráfico de drogas e as denúncias de corrupção, que incluem a compra de uma casa de US$ 7 milhões pela mulher do presidente.
Apesar das promessas de conter a violência, sete candidatos e nove militantes partidários foram assassinados durante a campanha. Em Oaxaca, professores em greve atacaram várias zonas eleitorais. Ao todo, dezenas de urnas foram incendiadas em regiões rebeladas do pobre Sudoeste do México. Cerca de 120 pessoas foram presas. No resto do país, as eleições foram relativamente calmas.
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sábado, 1 de dezembro de 2012
Enrique Peña Nieto assume Presidência do México
Enrique Peña Nieto está tomando posse neste momento na Presidência do México para um mandato de seis anos. Ele pertence ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país de 1929 a 2000, no que foi descrito pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa como a "ditadura perfeita".
O PRI volta ao poder depois de dois governos do direitista Partido de Ação Nacional (PAN), com Vicente Fox e Felipe Calderón, que deixa o cargo depois de fracassar numa violenta guerra contra as drogas que levou à morte cerca de 60 mil mexicanos. Mas o México está num momento econômico positivo, com taxa de crescimento para este ano estimada em 4%.
Com a recuperação dos Estados Unidos, a expectativa é que o México tenha um crescimento forte nos próximos. Até 2020, pode superar a China como maior fornecedor de produtos industrializados ao mercado americano.
Se o Brasil não melhor seu desempenho econômico medíocre, o México pode se tornar a maior economia da América Latina.
O PRI volta ao poder depois de dois governos do direitista Partido de Ação Nacional (PAN), com Vicente Fox e Felipe Calderón, que deixa o cargo depois de fracassar numa violenta guerra contra as drogas que levou à morte cerca de 60 mil mexicanos. Mas o México está num momento econômico positivo, com taxa de crescimento para este ano estimada em 4%.
Com a recuperação dos Estados Unidos, a expectativa é que o México tenha um crescimento forte nos próximos. Até 2020, pode superar a China como maior fornecedor de produtos industrializados ao mercado americano.
Se o Brasil não melhor seu desempenho econômico medíocre, o México pode se tornar a maior economia da América Latina.
domingo, 1 de julho de 2012
Enrique Peña Nieto é eleito presidente do México
O ex-governador Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), venceu a eleição presidencial realizada hoje no México com 39% a 42%, indicam pesquisas de boca de urna divulgada assim que foi encerrada a votação.
Em segundo lugar, ficou o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 30% a 34%, bem distante de Peña Nieto, muito além da margem de erro das pesquisas.
A candidata do governo, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota, do Partido de Ação Nacional (PAN), ficou em terceiro, com 18% a 22%. Ela sofreu com o desgaste do governo com a crise econômica internacional e a guerra contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón, que levou à morte de mais de 50 mil pessoas.
Como observa o jornal The New York Times, os mexicanos votaram com um olho no passado, na era do PRI.
Em segundo lugar, ficou o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 30% a 34%, bem distante de Peña Nieto, muito além da margem de erro das pesquisas.
A candidata do governo, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota, do Partido de Ação Nacional (PAN), ficou em terceiro, com 18% a 22%. Ela sofreu com o desgaste do governo com a crise econômica internacional e a guerra contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón, que levou à morte de mais de 50 mil pessoas.
Como observa o jornal The New York Times, os mexicanos votaram com um olho no passado, na era do PRI.
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Partido da ditadura deve voltar ao poder no México
O Partido Revolucionário Institucional deve reconquistar hoje a Presidência do México, que ocupou de 1929 a 2000, na longa ditadura civil que se seguiu à Revolução Mexicana (1910-20). Os mexicanos votam hoje numa eleição presidencial de turno único com favoritismo de Enrique Peña Nieto, do PRI, seguido de perto pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD).
Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.
Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.
Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.
Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.
Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.
Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.
Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.
Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.
Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.
Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
"Invasão do Iraque pelos EUA cria estado de guerra permanente no sistema internacional"
A invasão do Iraque pelos Estados Unidos em março de 2003 mostrou que “o estado de guerra será dominante no sistema internacional”, afirmou ontem o professor Pedro Cunca Bocayuva, do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ.
Ao participar do debate Estratégias de Promoção da Democracia, realizado na quarta-feira-feira, 31 de janeiro, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro, ele observou que a Guerra do Iraque trocou a legitimidade pela solução de força. “É a ONU contra um sistema hobbesiano, em que os interesses nacionais prevalecem”, analisou Cunca Bocayuva.
“Na democracia, há sempre uma tensão entre os limites legais e as tentativas de ampliação de direitos. Cabe à política a regulação das relações entre as forças.”
Para garantir os Jogos Pan-Americanos deste ano, por exemplo, “o Rio será militarizado”, constata o professor.
“As organizações não-governamentais trabalham com um novo paradigma: democracia x autocracia; ampliações x restrições, globalização x democracia, unilateralismo x multilateralismo”, disse Bocayuva, colocando algumas questões: “O excesso de demandas impede a eficácia? Há, como diz a visão conservadora, uma hipertrofia do Estado?”
Tanto as democracias quanto o socialismo real foram questionados nas revoluções de 1968, que produziram uma ruptura, lembra o professor.
Ele adverte que “a democracia revela e amplia conflitos, aumenta o poder tecnocrático e corporativo, criando um enorme risco de desqualificação da política e da crise dos partidos”. E observa que “o populismo não exclusivo”, não é apenas mais um sintoma do subdesenvolvimento político da América Latina, citando como líderes populistas os presidentes dos Estados Unidos, George Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, e o ex-primeiro-ministro italiano.
Então nem sempre democracia rima com estabilidade. A Itália viveu crises gigantescas e sucessivas que derrubaram mais de 50 governos desde 1945. Nos EUA, a democracia está associada aos direitos civis. Na Europa, ao bem-estar social, à proteção social garantida pelo Estado. Na América Latina, completa Cunca Bocayuva, “o crescimento legitima a democracia e a autocracia. A legitimidade vem da capacidade de se modernizar”. O mesmo vale para a China.
Outra questão “é o colapso da democracia venezuelana, que na verdade era uma oligarquia. Fracassado seu golpe, Hugo Chávez entrou democraticamente, o que mostra que a democracia pode produzir o autoritarismo.”
Ao participar do debate Estratégias de Promoção da Democracia, realizado na quarta-feira-feira, 31 de janeiro, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro, ele observou que a Guerra do Iraque trocou a legitimidade pela solução de força. “É a ONU contra um sistema hobbesiano, em que os interesses nacionais prevalecem”, analisou Cunca Bocayuva.
“Na democracia, há sempre uma tensão entre os limites legais e as tentativas de ampliação de direitos. Cabe à política a regulação das relações entre as forças.”
Para garantir os Jogos Pan-Americanos deste ano, por exemplo, “o Rio será militarizado”, constata o professor.
“As organizações não-governamentais trabalham com um novo paradigma: democracia x autocracia; ampliações x restrições, globalização x democracia, unilateralismo x multilateralismo”, disse Bocayuva, colocando algumas questões: “O excesso de demandas impede a eficácia? Há, como diz a visão conservadora, uma hipertrofia do Estado?”
Tanto as democracias quanto o socialismo real foram questionados nas revoluções de 1968, que produziram uma ruptura, lembra o professor.
Ele adverte que “a democracia revela e amplia conflitos, aumenta o poder tecnocrático e corporativo, criando um enorme risco de desqualificação da política e da crise dos partidos”. E observa que “o populismo não exclusivo”, não é apenas mais um sintoma do subdesenvolvimento político da América Latina, citando como líderes populistas os presidentes dos Estados Unidos, George Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, e o ex-primeiro-ministro italiano.
Então nem sempre democracia rima com estabilidade. A Itália viveu crises gigantescas e sucessivas que derrubaram mais de 50 governos desde 1945. Nos EUA, a democracia está associada aos direitos civis. Na Europa, ao bem-estar social, à proteção social garantida pelo Estado. Na América Latina, completa Cunca Bocayuva, “o crescimento legitima a democracia e a autocracia. A legitimidade vem da capacidade de se modernizar”. O mesmo vale para a China.
Outra questão “é o colapso da democracia venezuelana, que na verdade era uma oligarquia. Fracassado seu golpe, Hugo Chávez entrou democraticamente, o que mostra que a democracia pode produzir o autoritarismo.”
domingo, 2 de julho de 2006
México escolhe presidente em eleição indefinida
O México escolhe hoje um novo presidente em eleições disputadíssimas.
As pesquisas de opinião indicam um equilíbrio entre o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o ex-ministro Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Ambos estão com cerca de 36% das preferências, bem à frente de Roberto Madrazo, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que teve o monopólio de poder no México de 1929 a 2000.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num só turno, ganha o mais votado, mesmo que não obtenha mais da metade dos votos válidos.
Para o jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, será um referendo entre os defensores de reformas econômicas liberalizantes, representados por Calderón, e a nova tendência esquerdista na América Latina, que reivindica um papel mais ativo para o Estado no desenvolvimento econômico e social, encarnada por López Obrador.
Como a maior parte da América Latina, o México está radicalmente dividido em torno dos resultados de duas décadas de liberalização econômica, privatização e investimento estrangeiro.
O país vive seu mais longo período de estabilidade econômica desde os anos 60 e a expansão do comércio exterior depois que aderiu ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), em 1994, o transformou numa das 10 maiores economias do mundo. Mas este desenvolvimento recente agravou as tensões sociais criando uma nova casta de milionários enquanto a maioria dos mexicanos não se beneficiou deste progresso.
No domingo passado, num comício em Cuernavaca, o candidato esquerdista López Obrador prometeu governar para os deserdados pela globalização: “Tudo que a globalização tem feito é nos tornar mais pobres”. Ele disse que pretende lançar um programa de renda mínima para idosos a partir de 70 anos.
A mensagem de Calderón no Estádio Azteca, na Cidade do México, era oposta. O candidato da direita pedia a 100 mil pessoas que lembrassem o “filme de horror” do passado, quando o excesso de gastos públicos levou ao endividamento, inflação e colapso financeiro. Seu argumento é simples: o México precisa de empregos e isto exige investimentos nacionais e estrangeiros.
Assim a eleição mexicana se transforma em mais uma batalha em torno do papel do Estado na promoção do desenvolvimento e da redução da pobreza na América Latina. O Peru acaba de eleger o moderado Alan García, rejeitando o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo caudilho que preside a Venezuela, Hugo Chávez.
Enquanto Brasil, Chile e Colômbia têm governos moderados que procuram se beneficiar das oportunidades oferecidas pelo processo de globalização econômica, raciocina o Journal, Venezuela, Bolívia e Argentina adotaram políticas populistas e de controles de preços.
A eleição é de especial interesse nos EUA não só porque os dois países são aliados no Nafta. Cerca de 400 mil mexicanos entram ilegalmente nos EUA todos os anos em busca de uma vida melhor.
DA REVOLUÇÃO À LIBERALIZAÇÃO
O México moderno é produto da Revolução de 1910-17, liderada por heróis nacionais como Emiliano Zapata e Pancho Villa, que redistribuiu a terra, protegeu a indústria nacional e criou uma mentalidade paternalista em que o governo é visto como principal fonte de favores e riqueza.
Em 1929, o presidente Lázaro Cárdenas institucionalizou a revolução criando o PRI, que teria o monopólio do poder até 2000. O mesmo Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938.
No pós-guerra, o México cresceu rapidamente até a metade dos anos 70. Foi o primeiro país a quebrar na crise das dívidas externas da América Latina dos anos 80. A partir de 1986, iniciou um processo de liberalização de sua economia. Quando o Muro de Berlim caiu, o México era uma das economias emergentes que mais recebiam investimentos externos diretos.
A adesão ao Nafta em 1994 consolidava a abertura econômica e a reinserção internacional do país. Mas a concorrência dos países asiáticos, sobretudo da China, a burocracia, a corrupção e o baixo nível educacional pesaram. Desde 2000, no governo Fox, a economia cresceu em média apenas 1,8% ao ano, caindo do oitavo para o 14º lugares entre os países mais ricos do mundo.
Quando o banco de investimentos fala nas potências econômicas emergentes que estarão ao lado dos EUA, da Europa e do Japão lá pelo ano 2050, usa a expressão BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). O México está fora.
Uma das grandes arenas do debate ideológico no México é o petróleo. Embora seja o quinto maior produtor mundial, atrás da Arábia Saudita, da Rússia, dos EUA e do Irã, o México não produz gasolina ou gás natural em quantidades suficientes para atender ao consumo interno. Sem investimentos privados, teme-se que a produção decline na próxima década.
Calderón, que foi ministro da Energia, defende maior presença do setor privado, enquanto López Obrador resiste a qualquer tentativa de privatização. Promete administrar melhor a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para economizar US$ 1 bilhão. Isto ajudaria a financiar os subsídios de US$ 2,4 bilhões por ano para gasolina, eletricidade e gás natural. Mas rejeita o capital estrangeiro: “Não vamos trair a nação”.
López Obrador, de 52 anos, conquistou popularidade organizando protestos de massa nos anos 80 e como prefeito da capital (1996-2005). Calderón, de 43 anos, filho de uma família católica conservadora, estudou na Universidade de Harvard, a mais prestigiada dos EUA.
Quem quer que seja eleito enfrentará a mesma dificuldade do atual presidente Vicente Fox. Não terá maioria no Congresso, que continuará sob o domínio do PRI, embora seu candidato a presidente não tenha a menor chance. Fox não conseguiu aprovar seus projetos e as reformas se estagnaram.
Calderón promete passar por cima das diferenças partidárias. López Obrador confia na mobilização popular para pressionar deputados e senadores.
As pesquisas de opinião indicam um equilíbrio entre o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o ex-ministro Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Ambos estão com cerca de 36% das preferências, bem à frente de Roberto Madrazo, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que teve o monopólio de poder no México de 1929 a 2000.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num só turno, ganha o mais votado, mesmo que não obtenha mais da metade dos votos válidos.
Para o jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, será um referendo entre os defensores de reformas econômicas liberalizantes, representados por Calderón, e a nova tendência esquerdista na América Latina, que reivindica um papel mais ativo para o Estado no desenvolvimento econômico e social, encarnada por López Obrador.
Como a maior parte da América Latina, o México está radicalmente dividido em torno dos resultados de duas décadas de liberalização econômica, privatização e investimento estrangeiro.
O país vive seu mais longo período de estabilidade econômica desde os anos 60 e a expansão do comércio exterior depois que aderiu ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), em 1994, o transformou numa das 10 maiores economias do mundo. Mas este desenvolvimento recente agravou as tensões sociais criando uma nova casta de milionários enquanto a maioria dos mexicanos não se beneficiou deste progresso.
No domingo passado, num comício em Cuernavaca, o candidato esquerdista López Obrador prometeu governar para os deserdados pela globalização: “Tudo que a globalização tem feito é nos tornar mais pobres”. Ele disse que pretende lançar um programa de renda mínima para idosos a partir de 70 anos.
A mensagem de Calderón no Estádio Azteca, na Cidade do México, era oposta. O candidato da direita pedia a 100 mil pessoas que lembrassem o “filme de horror” do passado, quando o excesso de gastos públicos levou ao endividamento, inflação e colapso financeiro. Seu argumento é simples: o México precisa de empregos e isto exige investimentos nacionais e estrangeiros.
Assim a eleição mexicana se transforma em mais uma batalha em torno do papel do Estado na promoção do desenvolvimento e da redução da pobreza na América Latina. O Peru acaba de eleger o moderado Alan García, rejeitando o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo caudilho que preside a Venezuela, Hugo Chávez.
Enquanto Brasil, Chile e Colômbia têm governos moderados que procuram se beneficiar das oportunidades oferecidas pelo processo de globalização econômica, raciocina o Journal, Venezuela, Bolívia e Argentina adotaram políticas populistas e de controles de preços.
A eleição é de especial interesse nos EUA não só porque os dois países são aliados no Nafta. Cerca de 400 mil mexicanos entram ilegalmente nos EUA todos os anos em busca de uma vida melhor.
DA REVOLUÇÃO À LIBERALIZAÇÃO
O México moderno é produto da Revolução de 1910-17, liderada por heróis nacionais como Emiliano Zapata e Pancho Villa, que redistribuiu a terra, protegeu a indústria nacional e criou uma mentalidade paternalista em que o governo é visto como principal fonte de favores e riqueza.
Em 1929, o presidente Lázaro Cárdenas institucionalizou a revolução criando o PRI, que teria o monopólio do poder até 2000. O mesmo Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938.
No pós-guerra, o México cresceu rapidamente até a metade dos anos 70. Foi o primeiro país a quebrar na crise das dívidas externas da América Latina dos anos 80. A partir de 1986, iniciou um processo de liberalização de sua economia. Quando o Muro de Berlim caiu, o México era uma das economias emergentes que mais recebiam investimentos externos diretos.
A adesão ao Nafta em 1994 consolidava a abertura econômica e a reinserção internacional do país. Mas a concorrência dos países asiáticos, sobretudo da China, a burocracia, a corrupção e o baixo nível educacional pesaram. Desde 2000, no governo Fox, a economia cresceu em média apenas 1,8% ao ano, caindo do oitavo para o 14º lugares entre os países mais ricos do mundo.
Quando o banco de investimentos fala nas potências econômicas emergentes que estarão ao lado dos EUA, da Europa e do Japão lá pelo ano 2050, usa a expressão BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). O México está fora.
Uma das grandes arenas do debate ideológico no México é o petróleo. Embora seja o quinto maior produtor mundial, atrás da Arábia Saudita, da Rússia, dos EUA e do Irã, o México não produz gasolina ou gás natural em quantidades suficientes para atender ao consumo interno. Sem investimentos privados, teme-se que a produção decline na próxima década.
Calderón, que foi ministro da Energia, defende maior presença do setor privado, enquanto López Obrador resiste a qualquer tentativa de privatização. Promete administrar melhor a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para economizar US$ 1 bilhão. Isto ajudaria a financiar os subsídios de US$ 2,4 bilhões por ano para gasolina, eletricidade e gás natural. Mas rejeita o capital estrangeiro: “Não vamos trair a nação”.
López Obrador, de 52 anos, conquistou popularidade organizando protestos de massa nos anos 80 e como prefeito da capital (1996-2005). Calderón, de 43 anos, filho de uma família católica conservadora, estudou na Universidade de Harvard, a mais prestigiada dos EUA.
Quem quer que seja eleito enfrentará a mesma dificuldade do atual presidente Vicente Fox. Não terá maioria no Congresso, que continuará sob o domínio do PRI, embora seu candidato a presidente não tenha a menor chance. Fox não conseguiu aprovar seus projetos e as reformas se estagnaram.
Calderón promete passar por cima das diferenças partidárias. López Obrador confia na mobilização popular para pressionar deputados e senadores.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
López Obrador não será chavista
Se o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador for eleito presidente em 6 de julho, não adotará políticas radicais na linha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A previsão foi feita pela embaixadora mexicana no Brasil, Cecilia Soto González, em palestra proferida ontem no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.
Com um partido fraco e sem maioria no Congresso e amarrado por compromissos internacionais como o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), ele não terá margem de manobra para ousar muito.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
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