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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Biden propõe agenda progressista como não se via há décadas

 No primeiro discurso no Congresso como presidente dos Estados Unidos, um dia antes de completar 100 dias na Casa Branca, Joe Biden anunciou planos ambiciosos de US$ 6 trilhões de dólares, incluindo o Plano de Resgate sancionado em 11 e março para modernizar a infraestrutura, gerar empregos, preparar o país para a competição no século 21, realizar a transição para uma economia com menos carvão e petróleo, reduzir à metade a pobreza infantil, oferecer saúde e educação para quem não pode pagar. 

Com a agenda mais ambiciosa e um presidente democrata em décadas, é um verdadeiro enterro do neoliberalismo. O plano é financiar todos estes investimentos com aumentos de impostos para os ricos e as grandes empresas. Meu comentário:

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Trump propõe orçamento com grandes cortes em programa sociais

O governo Donald Trump apresentou hoje uma proposta orçamentária de US$ 4,8 bilhões para o ano fiscal que começa em 1º de novembro. Tem poucas chances de aprovação integral no Congresso, mas revela as intenções do presidente para um segundo mandato a ser disputado nas urnas em 3 de novembro. 

A mensagem é clara: reduz a rede de proteção social do governo federal dos Estados Unidos, A proposta corta programas de bolsas de estudos, habitação popular, alimentação, assistência médica e proteção ambiental. Aumenta os gastos com defesa, segurança nacional e patrulha.

Durante a campanha, Trump banca o herói da classe trabalhadora. Canta vantagem sobre um crescimento econômico e geração de empregos que começaram no início do governo Barack Obama (2009-17). Promete manter a cobertura de saúde para doenças preexistentes enquanto entra na Justiça para acabar com ela.

Ao receber governadores na Casa Branca, o presidente declarou que o orçamento vai fortalecer as Forças Armadas e o arsenal nuclear dos EUA e reduzir o déficit "a zero depois de um período não muito longo". Mais uma inverdade.

Com os cortes de impostos que privilegiaram os ricos e as grandes empresas, Trump aumentou o déficit fiscal dos EUA em US$ 300 bilhões para quase US$ 1 trilhão. Até 2024, a dívida pública deve aumentar em US$ 3,4 bilhões e aí acaba o segundo governo Trump, se ele for reeleito.

Na imaginação do governo atual, o equilíbrio fica em 2035. O Partido Republicano esqueceu a defesa do equilíbrio orçamentário que faz em governos do Partido Democrata. O déficit e a dívida serão heranças malditas para o sucessor.

Trump vai pedir à Câmara dos Representantes, responsável pela aprovação do orçamento, mais dinheiro para as Forças Armadas, a segurança interna e das fronteiras, mais dinheiro para os veteranos de guerra e para a Força Espacial, a mais nova arma do sistema de defesa americano, que será desmembrada da Força Aérea, apesar da oposição dos generais-brigadeiros.

O orçamento de defesa sobe para US$ 740,5 bilhões, dos quais US$ 705,4 bilhões vão para o Departamento da Defesa, 1,1% menos do que os US$ 713 do orçamento anterior. Os outros US$ 35 bilhões vão para projetos de segurança nacional desenvolvidos por outros departamentos e agências do governo americano.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: 144 milhões de pessoas de 130 povos diferentes

Nono país mais populoso do mundo, com 144 milhões de habitantes, a Rússia abriga 130 povos diferentes, com suas línguas, culturas e tradições próprias. 

A população diminuiu desde o fim da URSS, um componente do declínio econômico. O crescimento populacional é praticamente nulo (-0,02%). Cada mulher tem em média 1,6 filho; 79,5% das mulheres até 50 anos usam métodos anticoncepcionais.
Cerca de 80% são russos étnicos, 3,8% tártaros e 2% ucranianos. A média de idade é 38,8 anos.
A maioria da população se concentra na Rússia Europeia, especialmente na região fértil ao redor da capital, Moscou, segunda maior cidade da Europa, com 12 milhões de habitantes, atrás de Istambul, na Turquia.
Quase 75% dos russos vivem em cidades. As maiores são Moscou e São Petersburgo (5 milhões).

SAÚDE

A expectativa de vida é de 70 anos.
Os gastos com saúde equivalem a 6,2% do PIB. Em 2006, havia 4,3 médicos e 9,7 leitos hospitalares para cada mil habitantes.
Praticamente toda a população urbana e 92% nas zonas rurais têm acesso a água de boa qualidade. A Rússia, o Canadá e o Brasil estão entre os poucos países que não devem sofrer escassez de água no século 21.
Cerca de 70% dos russos vivem em habitações com tratamento de esgotos, 74% nas cidades e 59% no campo; 26,5% são obesos.
O alcoolismo é um problema sério. Um terço dos homens e um sexto das mulheres têm problemas com a bebida.
A incidência do HIV é estimada em 1%. Há 980 mil casos de infecção notificados de HIV/aids na Rússia.

EDUCAÇÃO

Os gastos com educação em 2008 foram de 4,1% do PIB. Cada russo estuda em média 14 anos.
Quase todos (99,7%) os russos são alfabetizados. 
A Rússia é o país que mais forma bacharéis na Europa, cerca de 1,405 milhão por ano, em cerca de 850 instituições de ensino superior. A Universidade de Moscou foi fundada em 1755.

IDIOMAS

Os 130 povos diferentes do país falam 100 línguas distintas. A única língua oficial nacional é o russo, mas as repúblicas e províncias podem oficializar também suas próprias línguas regionais.
Praticamente toda a população fala russo, seguido pelo tártaro com 5,3 milhões (3,7%) e o ucraniano com 1,8 milhão (1,25%).
O russo é uma das seis línguas oficias da ONU, ao lado do árabe, chinês, espanhol, francês e inglês.

RELIGIÃO

De acordo com a Academia de Ciências da Rússia, 79% da população seguem a Igreja Cristã Ortodoxa, mas só 15% a 20% frequentam regularmente a igreja. 
Os muçulmanos são 15 a 20 milhões (10% a 14%). 
Só 7% se declararam ateus.

POLÍTICA

A Rússia é uma república federativa com um parlamento bicameral formado pelo Conselho da Federação, uma espécie de Senado, com 178 cadeiras, e a Duma do Estado, a Câmara, com 450 deputados.
A Federação Russa é formada por 46 províncias, 21 repúblicas, 9 territórios, 5 regiões autônomas, 2 cidades federais e 1 província autônoma, num total de 84 unidades federativas.
O presidente é Vladimir Putin, homem-forte do país desde 2000, eleito em março de 2018 para um quarto mandato não consecutivo. Desde 2012, os mandatos são de seis anos. Uma de suas primeiras medidas, no ano 2000, foi acabar com as eleições para governador, a pretexto de combater tendências separatistas.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

López Obrador pode ter maioria no Congresso do México

O candidato populista de esquerda José Manuel López Obrador pode não apenas ser eleito presidente do México em 1º de julho. Pode conseguir maioria na Câmara e no Senado, indica uma pesquisa do instituto Consulta Mitofsky. Assim, se for eleito, poderá revogar as reformas de educação e energia feitas pelo atual governo, uma promessa de campanha.

A pouco mais de um mês da eleição, López Obrador lidera com uma vantagem média de dez pontos dependendo da pesquisa. Durante a campanha, ele prometeu auditar os contratos de petróleo e gás do atual governo, de Enrique Peña Nieto, reduzir o preço dos combustíveis e os gastos públicos. Tudo isso, inclusive a revogação das reformas nos setores de educação e energia, depende da aprovação do Congresso.

Se a coalização liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) conquistar maioria apenas na Câmara, ficará sob pressão dos grandes partidos de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e o Partido de Ação Nacional (PAN), que governou de 2000 a 2012.

Duas pesquisas recentes dão 60 das 128 cadeiras do Senado e uma pequena maioria 260 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados à aliança entre o Morena, o Partido Encontro Social e o Partido do Trabalho, que apoia a candidatura presidencial de AMLO, como é conhecido no México. A confirmação dessas previsões nas urnas facilitariam a aprovação de novas leis.

Os investidores estrangeiros temem mais a aprovação de leis restritivas do que as auditorias porque tem impacto em prazos mais longos. As classes empresariais apostam em Ricardo Anaya, ex-presidente da Câmara, candidato do PAN.

A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte imposta pelo presidente Donald Trump, além dos insultos aos imigrantes mexicanos desde o lançamento da campanha, favorecem a campanha de um candidato de esquerda no México. Quem quer que seja o vencedor, o Morena sairá fortalecido.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vantagem conservadora cai para nove pontos no Reino Unido

Depois da divulgação de um manifesto com forte guinada à esquerda, o Partido Trabalhista, o maior da oposição, reduziu para nove pontos percentuais a vantagem do Partido Conservador em pesquisas sobre as eleições parlamentares de 8 de junho no Reino Unido, informou hoje o jornal britânico The Independent.

De acordo com a pesquisa do instituto Survation, os conservadores da primeira-ministra Theresa May tem 43% das preferências do eleitorado contra 34% para os trabalhistas, liderados por Jeremy Corbyn, considerado um radical de esquerda.

No manifesto, além do aumento dos gastos sociais, Corbyn promete estatizar os correios, o sistema ferroviário, a rede de distribuição de energia elétrica e as empresas de água e esgotos.

Os trabalhistas cresceram por serem considerados mais confiáveis em educação e apoio a famílias com filhos pequenos, enquanto os conservadores são considerados melhores para administrar a economia e negociar a saída da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de junho de 2016.

A pesquisa ouviu  1.034 adultos em 19 e 20 de maio.

Outra pesquisa, do instituto YouGov, apresentou mais ou menos o mesmo resultado. Os conservadores tiveram o apoio de 44% e os trabalhistas conseguiram o melhor resultado até agora, 35%.

"Com os manifestos lançados oficialmente e o debate aberto entre os partidos nos meios de comunicação, é possível que isso tenha algum efeito sobre as intenções de voto", comentou o instituto Survation ao divulgar seus últimos números.

sábado, 27 de agosto de 2016

Japão promete ajuda de US$ 30 bilhões à África

Durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África, realizada em Nairóbi, no Quênia, o primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou hoje uma ajuda de US$ 30 bilhões do Japão ao continente, noticiou a agência Reuters.

Nos próximos três anos, essa quantia será investida em educação, saúde e infraestrutura. A nova ajuda se soma a US$ 32 bilhões prometidos pelo governo japonês em 2013, 67% dos quais já foram desembolsados.

O Japão concorre com a China, que nos últimos anos destinou muito mais dinheiro à África entre investimentos, empréstimos e ajuda direta.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Cátedra Ayrton Senna será instalada na Universidade de Ghent

Com patrocínio do Instituto Ayrton Senna, a Universidade de Ghent, na Bélgica, instala na próxima quarta-feira, 2 de março, a Cátedra Ayrton Senna, dedicada à avaliação e ao desenvolvimento de capacidades dos jovens.

Há 20 anos, o IAS, presidido por Viviane Senna, irmã do piloto, desenvolve projetos de educação integral, com atenção especial às crianças e uma preocupação não só com o aspecto cognitivo, mas também com os componentes sociais e emocionais.

Dois meses antes de sua morte, em maio de 1994, Senna falou com a irmã sobre o sonho de dar a todas as crianças brasileiras a oportunidade de desenvolver plenamente seu potencial como ele teve.

O instituto nasceu seis meses depois de sua morte. No Brasil, financia uma cátedra no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), a cargo do professor Ricardo Paes de Barros. Em Ghent, o titular será o psicólogo Filip De Fruyt, professor de Psicologia Diferencial e Avaliação de Personalidade, coautor de mais de 170 ensaios acadêmicos.

Suas pesquisas devem se concentrar na avaliação e no desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais em jovens e jovens adultos, examinando como a personalidade, a autoconfiança e as funções cognitivas podem ser avaliadas para aumentar o conhecimento sobre como esses fatores afetam a trajetória dos indivíduos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Einstein: "Educação deve ser um presente e não obrigação amarga"

Nos cem anos da Teoria Geral da Relatividade, uma revolução científica, as ideias do maior cientista do século 20 voltam a ser examinadas. O jornal espanhol El País investigou o que Albert Einstein disse sobre educação, que ele via como maneira prazerosa de desenvolver a criatividade e a individualidade.

 O cientista escolhido pela revista americana Time o Homem do Século 20 foi um aluno medíocre do
Albert Einstein: 1879-1955
Instituto de Politécnica de Zurique, na Suíça. Não estava interessado por ideias e métodos educacionais que julgava superados. Sonhava com uma educação criativa.

"A educação e, em geral, a busca da verdade e da beleza formam uma área onde podemos continuar sendo criança pela vida inteira", escreveu o gênio da física moderna.

Einstein criticou sobretudo a chamada decoreba, o estudo baseado apenas na memorização de conteúdos: "O ensino deve ser recebido como e melhor presente e não como uma obrigação amarga."

Nas Notas Autobiográficas, ele comenta as contradições entre seu método seletivo e as exigências acadêmicas: "Aprendi muito cedo a descobrir aquilo que podia conduzir às entranhas, prescindindo de uma multiplicidade de coisas que embaçam a mente e desviam a atenção do essencial. A regra era que para os exames se devia embutir todo aquele material na cabeça, querendo ou não."

Para Einstein, "é um grave erro crer que a ilusão de observar e buscar possam ser fomentadas a golpes de coação e do sentido do dever. Penso que mesmo o animal predador são poderia ser privado de sua voracidade se for obrigado a comer continuamente quando não tem fome."

A educação pela coação cria seres submissos e dependentes, "utiliza como fundamento o temor, a força e a autoridade. Este tratamento destrói os sentimentos sólidos, a confiança do aluno em si mesmo." Ele observou que "a maior insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente." Por outro lado, "quem nunca cometeu um erro é porque nunca arriscou nada diferente."

O uso da força "não desperta a produtividade porque não faz surgir os poderes psicológicos do aluno, já que para a instituição é mais fácil usar a força do que despertar a ambição individual", criticou o cientistas judeu alemão que fugiu do nazismo para os Estados Unidos.

"A escola deve estimular a inclinação da criança pela brincadeira e pelo desejo infantil de reconhecimento. Deve guiar a criança para os domínios que sejam benéficos para a sociedade. A educação se basearia assim numa atividade fecunda e de reconhecimento, e o professor seria uma espécie de artista em sua atividade", recomendou.

Em carta a seu filho, o genial cientista apontou o prazer como o segredo da educação: "Toque no piano principalmente o que você gosta, mesmo que a professora não te peça. É a melhor maneira de aprender, quando está fazendo algo com tal prazer que não te dás conta de que o tempo passa."

Outro segredo fundamental é valorizar a experiência, colocando a prática antes da teoria: "As grandes personalidades não se formam com o que ouve ou se diz, mas através do trabalho e da atividade. Em consequência, o melhor método de educação é sempre aquele em que se exige do aluno a realização da tarefas concretas. Isto se aplica tanto às primeiras tentativas de escrever de uma criança como a uma tese acadêmica (...), a interpretar ou traduzir um texto ou à prática de um esporte", escreveu em Minhas Crenças (1939).

"Se um jovem treinou seus músculos e sua resistência física fazendo ginástica, mais tarde estará preparado para qualquer trabalho físico", argumentou. "Isto é análogo à mente. Não estava enganado quando disse que 'educação é o que sobra quando esquecemos tudo o que aprendemos na escola'."

O desenvolvimento da individualidade era visto por ele como um valor necessário à coletividade: "Deveriam se cultivar no indivíduo as qualidades para o bem comum. Isto não significa que ele se converta num simples instrumento da coletividade como uma abelha. O objetivo é formar indivíduos que atuem com independência e considerem como interesse vital o serviço à comunidade."

Na sua opinião, a fama e o dinheiro não podem ser as únicas medidas do sucesso na vida: "Temos de nos prevenir contra quem apresenta aos jovens o êxito como objetivo de vida. O valor de um homem deveria ser julgado em função do que ele dá e não do que recebe. A tarefa decisiva da educação é despertar estas forças psicológicas no jovem."

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Hillary Clinton propõe plano de US$ 350 bilhões para ensino superior

A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama dos Estados Unidos Hillary Clinton, principal aspirante à candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2016, apresentou ontem um plano de dez anos e US$ 350 bilhões para ajudar os estudantes a pagar a universidade e reduzir os juros do crédito educativo.

"Nenhuma família e nenhum estudante deve ter de tomar empréstimo para pagar a universidade", declarou Hillary ao anunciar o plano durante um evento da campanha eleitoral em Novo Hampshire, citado pelo sítio de notícias Politico.

O plano aproveita ideias de esquerda e de direita, a partir de um programa iniciado no governo de seu marido, Bill Clinton (1993-2001) e de propostas do governo Barack Obama em discussão no Congresso.

Como o dinheiro, equivalente a R$ 1,2 trilhão pelo câmbio de ontem, viria da redução de isenções de impostos para os ricos, é improvável que a proposta tenha qualquer apoio do Partido Republicano.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Moçambique cresce em ritmo de 6% ao ano

A economia de Moçambique avançou em ritmo de 6% ao ano no primeiro trimestre de 2015, abaixo da meta oficial de 7,5%, anunciou ontem o primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário em depoimento na Assembleia da República.

No primeiro dia de audiência no parlamento, o chefe do governo declarou que a inflação ficou em 2,4% ao ano em junho, abaixo da meta oficial, de 5,1%.

Rosário destacou a contratação de 1.963 pelo Sistema Nacional de Saúde, a construção de 387 salas de aula e 46 centros de saúde, a eletrificação de 92 escolas com energia solar e a geração de 119.403 empregos.

Nikkei compra FT por 844 milhões de libras

A companhia jornalística japonesa Nikkei, editora do jornal econômico Nihon Keizai Shimbun, vai comprar o Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa por 844 milhões de libras, cerca de US$ 1,32 bilhão. O grupo Pearson, atual dono do FT, vai se concentrar na área de educação profissional.

O FT, impresso na cor salmão, é um dos jornais mais importantes do mundo. Depois de 58 anos, o grupo Pearson decidiu vender o jornal. O grupo, com sede em Londres, obtém 60% de seu faturamento na América do Norte e três quartos de sua renda total vêm da educação.

Fundado em 1888 como London Financial Guide, um mês depois rebatizado como FT, o jornal é impresso desde 1893 na cor salmão para se diferenciar dos concorrentes. Em 1957, foi comprado pelo grupo Pearson.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Exército da Nigéria retoma cidade de Chibok

Com o apoio de um grupo local de vigilantes, o Exército da Nigéria retomou ontem a cidade de Chibok da milícia terrorista muçulmana Boko Haram, informou a televisão pública britânica BBC citando fontes militares. A área ao redor ainda é considerada perigosa pela presença dos jihadistas.

Chibok é um enclave cristão no Norte da Nigéria, predominantemente muçulmano. Foi lá que o grupo, cujo nome significa "não à educação ocidental", raptou cerca de 300 meninas em abril. Dezenas conseguiram fugir, mas pelo menos 219 ainda estão desaparecidas.

O governo nigeriano chegou a anunciar um cessar-fogo que incluiria a libertação das meninas. Foi desmentido pelo líder do grupo Abubakar Shekau, que declarou que elas se converteram ao islamismo e se casaram, o que pode configurar um crime de guerra.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Derrota humilhante traz de volta complexo de vira-lata

Como não sentir o complexo de vira-lata depois de levar 7-1 da Alemanha, que nem vinha jogando tão bem assim, fez jogo duro com Gana, EUA, Argélia e França, na semifinal da Copa organizada no Brasil para o país ser hexacampeão? 

A seleção revelou problemas corriqueiros da sociedade brasileira: arrogância, incompetência, amadorismo, autossuficiência, falta de planejamento e má gestão. Não é uma questão de "não amar o Brasil". É não se conformar com a burrice, a ignorância, o atraso e o subdesenvolvimento crônico que o país não consegue vencer.

Uma derrota por até três gols de diferença seria aceitável. Faz parte do jogo. É da vida. Seis, na campanha do hexa, foi demais. O Brasil tem de olhar para o resto do mundo, aprender com os próprios erros, e os erros e acertos dos outros. Onde foi a soberba do "estamos com a mão na taça"? Parafraseando o inimitável, insubstituível e inesquecível Mané Garrincha, esqueceram de combinar com os alemães.

Não dá para achar normal o país pentacampeão levar 7-1 em casa numa semifinal de Copa do Mundo no Brasil. É muita vira-latice. É hora de ser humilde, analisar os erros e trabalhar muito para dar a volta por cima.

A culpa não é só do Felipão, embora ele seja responsável pela convocação, a escalação e a tática suicida de jogar contra a Alemanha com apenas três no meio-campo. Deveria ter pedido demissão imediatamente. Toda a estrutura do futebol brasileiro precisa ser modernizada. Onde está a pressão da imprensa para derrubar José Maria Marin e Marco Polo del Nero da presidência da CBF? 

A sociedade brasileira como um todo tem muito a aprender com os erros da seleção.

O Brasil não foi competitivo em campo como não tem sido na economia. O crescimento previsto para este ano é de 1%. A inflação estourou o limite superior da meta, passou de 6,5%, talvez por efeito da Copa. A produção de automóveis deve cair 10% em 2014. É a desindustrialização em marcha. 

As questões centrais do atraso não estão sendo atacadas. A revolução educacional para vencer o subdesenvolvimento é muito citada como necessária nos setores público e privado. Na prática, somos regularmente derrotados e humilhados nas olimpíadas de educação. 

Os salários e as condições dos professores estão anos-luz atrás de uma vida digna dedicada à cultura e ao saber. As empresas não investem em educação. O conhecimento acadêmico não tem valor. Há livros didáticos com doutrinação ideológica a ponto de louvar Maximiliano Robespierre e o período do terror na Revolução Francesa.

Quando se fala em combate à corrupção, a desculpa é que em todo lugar é assim. É, mas o ex-presidente da França François Sarkozy foi detido para interrogatório e está sendo processado por escuta clandestina e obstrução de justiça. Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique foi condenado à prisão por fraude fiscal. O ex-prefeito de Nova Orleans, nos Estados Unidos, Ray Nagin foi condenado nesta semana a 10 anos por receber centenas de milhares de dólares de propina nas obras de reconstrução da cidade depois do furacão Katrina.

Aqui, o julgamento do Mensalão foi, como observou um ministro do Supremo Tribunal Federal, "um ponto fora da curva", uma exceção à regra. Não conseguimos prender nem os políticos que não podem sair do país porque há mandados internacionais de prisão contra eles. Não é o caso de se sentir como um vira-lata?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Coreia do Sul venceu subdesenvolvimento no século 20

A República da Coreia ocupa a metade sul, 45% do total, mas reivindica todo o território da Península Coreana e de suas 3,5 mil ilhas, dividido desde o fim da Segunda Guerra Mundial, depois de uma longa história de intervenções de seus poderosos vizinhos, a China, a Rússia e o Japão.

A Coreia do Norte, talvez a última ditadura stalinista, parou no tempo e no espaço. Vive em crise permanente desde o fim de sua aliada e patrocinadora União Soviética, em 1991.

Já a Coreia do Sul talvez tenha sido o único país do mundo a vencer o subdesenvolvimento no século 20. Entrou pobre. Era pobre até os anos 1960s. É hoje o 15º país mais rico do mundo. Suas indústrias de aço, naval, eletroeletrônica, automobilística estão entre as melhores do mundo.

Uma zona desmilitarizada de 4 quilômetros divide as duas Coreias mais ou menos ao longo do Paralelo 38º Norte.

GEOGRAFIA
Geologicamente, a Coreia do Sul é formada por rochas do período pré-cambriano, com 540 milhões de anos. Com 100 mil km2, é o 109º país do mundo em área.

É país montanhoso, sulcado por pequenos vales, com estreitas planícies costeiras. O pico mais alto é um vulcão extinto, o Monte Halla (1.950m), situado na ilha de Cheju.

A Coreia do Sul fica no Leste da Ásia. É cercada pela Coreia do Norte ao norte, pelo Mar do Japão a leste, pelo Mar da China Meridional ao sul e pelo Mar Amarelo a oeste.  O país se considera uma ponte entre a Ásia continental e o Japão, que na menor distância fica a 206 km da Coreia.

A pouca profundidade do Mar Amarelo e a costa recortada fazem com que Incheon, o porto de Seul, tenha uma das mares mais altas do mundo, com uma variação de 9 metros.

POPULAÇÃO
A população sul-coreana é estimada em 50 milhões de habitantes (o dobro da norte-coreana), sendo 97,1% coreanos, 2% japoneses, 0,1% chineses da etnia han e 0,1% americanos. A capital, Seul, tem 10 milhões de habitantes.

No início do século 20, a população era estimada em 5 milhões, com Seul como  maior cidade com 250 mil habitantes. Depois da ocupação japonesa, em 1910, era de 13.313.017. Em 1920, a população da Coreia era de 17 milhões, inclusive 400 mil japoneses. O último censo sob o domínio do Japão, em 1942, registrou 26,36 milhões, dizem James Hoare e Susan Pares no livro Korea: the classic introduction.

Com a divisão do país no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, dois terços dos coreanos ficaram no Sul. O Censo de 1949 contou mais de 20 milhões de sul-coreanos.

ECONOMIA
PIB: US$ 1,222 trilhão (15º do mundo, membro do G-20)
Renda per capita: US$ 25 mil
IDH: 12º do mundo
Desemprego: 3,8% (2012)

Com o país arrasado pela Guerra da Coreia, os EUA deram uma ajuda de US$ 2,1 bilhões de 1953 a 1960. A Coreia do Sul era um dos países mais pobres do mundo, mas o presidente Syngman Rhee estava mais preocupado com segurança do que desenvolvimento. O milagre começaria em seguida.

A Coreia do Sul cresceu em média 9,1% ao ano de 1961 a 1993, tornando-se um dos tigres asiáticos. Quando o milagre econômico sul-coreano ou “milagre econômico do Rio Han” começou, em 1961, a renda per capita do país, de US$ 87, era inferior à de Gana, na África; hoje, está em US$ 25 mil.

DESENVOLVIMENTO
Em 1962, o produto interno bruto foi de US$ 2,3 bilhões; hoje, é 500 vezes maior. Uma série de planos de desenvolvimento estimulou primeiro o setor têxtil e as manufaturas leves.

Nos anos 1970s, a ênfase passou para a indústrias pesada, ferro e aço, e química. Numa terceira etapa, o foco mudou para automóveis, eletroeletrônicos e informática. A indústria responde por 40% do PIB.

Desde 1986, a Coreia do Sul gera saldos comerciais expressivos. Em 2010, era o sexto maior exportador e o décimo maior importador mundial.

MARCAS
Hoje, importantes marcas coreanas, como Samsung, LG, Daewoo e Hyundai conquistaram o mundo e são sinônimos de excelência.  A Samsung, líder mundial em telefones celulares inteligentes, é hoje a maior empresa eletroeletr

AGRICULTURA
Menos de um quarto do solo é arável. A cultura mais importante é o arroz. Também é importante a produção de frutas e legumes, especialmente couves e repolhos.

O ginseng é um importante produto de exportação, apesar da pequena escala. Também são importantes a criação de gado bovino e de porcos, e a produção de laticínios, além da pesca, fontes de proteínas sobretudo para consumo interno.

SERVIÇOS
Cerca de 20% da mão de obra trabalham no setor de serviços, que responde por 57% do PIB. O turismo é uma atividade importante por causa das belezas naturais, dos templos budistas e atrações históricas.

A Coreia do Sul foi um dos poucos países ricos que conseguiram evitar a contração do PIB anual durante a Grande Recessão de 2008-9. Mas chegou a ter três trimestres consecutivos de recuo do PIB, o que caracteriza recessão.

DESACELERAÇÃO
Sob o impacto da crise internacional, o crescimento, elevado desde 1961, caiu para 2,3% em 2008 e 0,2% em 2009, no auge da crise.

Com um programa de estímulo com 75% dos recursos focados na transição para uma economia mais verde e mais sustentável, a expansão subiu para 6,2% em 2010, mas caiu para 3,6% em 2011, 2,1% em 2012 e 2,8% em 2013.

EDUCAÇÃO
A educação é o segredo do sucesso financeiro e social na Coreia do Sul. A competição é feroz. Os sul-coreanos disputam os primeiros lugares nas olimpíadas de ciências e de matemática.

O país praticamente universalizou o ensino médio: 99% dados sul-coreanos completaram o ensino médio. É uma educação abrangente, de altíssima qualidade. Cerca de 25% dos sul-coreanos tocam um instrumento musical.

A Coreia do Sul é pioneira na edição de livros-texto digitais, que começaram a ser distribuídos gratuitamente em todas as escolas primárias e secundárias do país em 2013.

HISTÓRIA
A ocupação da Península Coreana começou há 700 mil anos.

O mito fundador da sociedade coreana é a criação do reino de Chosun Antigo, no Norte da península, em 3 de outubro de 2333 antes de Cristo, por Tangun, que seria filho de Hwanung, príncipe de um reino celestial, com uma ursa transformada em mulher.

A ursa e uma tigresa, querendo virar mulheres, pediram ajuda aos deuses. Só a ursa seguiu rigorosamente as instruções: comer um ramo de artemísia e 20 dentes de alho.

As modernas interpretações do mito sugerem que Tangun foi herói local ou um estranho vindo do exterior que dominou os povos do Norte da Península Coreana. O culto aos ursos indica uma influência cultural da Sibéria, onde havia ritos semelhantes.

As mais antigas evidências arqueológicas indicam a presença de agricultores seminômades em toda a península por volta de 1500 AC.

É provável que a maioria dos coreanos descenda de migrantes vindos da Ásia Central que chegaram à Manchúria entre 1000-800 AC e de lá teriam descido para a Península Coreana.

A capital de Chosun era Liaoning. Por volta de 400 AC, foi transferida para Pyongyang, a atual capital da Coreia do Norte. No Sul da península, o reino de Jin surgiu por volta de 300 AC.

TRÊS REINOS
Uma invasão chinesa durante a dinastia Han em 108 AC destruiu o reino de Chosun Antigo, dando início ao período dos Três Reinos, unificados em 676 DC, depois que Sila subjugou Paekje em 660 e Koguryo em 668.

Durante o período dos três reinos, o budismo, o confucionismo, a escrita ideogrâmica e vários outros elementos da cultura chinesa chegaram à Coreia, onde foram adotados com adaptações.

O reino de Sila usou a estrutura de governo confucionista sem desmantelar totalmente o sistema antigo. O confucionismo coexistiu com a aristocracia tribal e uma classe guerreira. O budismo coreano incorporou as divindades locais.

Por volta de 890, o reino de Sila estava à beira do colapso. Com a ascensão de Koguryo e Paekche, esses Três Reinos Tardios brigam entre si e são palco de revoltas domésticas. Surgem cidades amuralhadas controladas por nobres locais relutantes em ceder o poder.

PERÍODO KORYO
Numa dessas rebeliões, um militar chamado Wang Kon foi proclamado rei Taejo, do Novo Koguryo, que ele rebatizou como Koryo, com capital em Songak, hoje Kaesong, na Coreia do Norte. Em 934, Wang Kon tomou Paekche Tardio e, no ano seguinte, Sila, dando ao rei o mais alto cargo e casando com uma mulher do clã real local para legitimar seu governo.

O Período Koryo (918-1392) foi o primeiro em que a península foi unificada sob o mesmo governo. Alguns autores comparam seu esplendor com o da Dinastia Sung, que dominava a China na época.

A fabricação de papel e a imprensa de tipos móveis, que os coreanos alegam ter inventado em 1234, foram desenvolvidas na Coreia no período Koryo muito antes da Europa, onde a imprensa seria inventada por Gutenberg em 1455.

Mas a corte vivia em luta permanente com nobres poderosos, sob ameaça de ataques de piratas do Japão e do Império Chinês. Com a chegada da horda mongol liderada por Gêngis Khan à China, no início do século 13, a Coreia foi ocupada e envolvida numa fracassada tentativa mongol de invadir o Japão.

DINASTIA YI
O reino de Koryo acabou na transição do domínio mongol para a Dinastia Ming, na China, quando um dos generais, Yi Song Eye, enviado pelos mongóis para combater os chineses, abandonou a campanha, recuou suas forças para o Sul do Rio Yalu, derrubou o rei e instalou a Dinastia Yi (1392-1910), a mais longa da História da Coreia.

A Dinastia Yi ou Dinastia Chosun (nome pelo qual a Coreia era conhecida até 1897) é vista como uma era de continuidade, uma era de esplêndido isolamento em que o “reino eremita” era feliz, até que a intervenção estrangeira acabou com sua tranquilidade.

REFORMAS
O rei Yi Taejo, como ficou conhecido pela História, construiu uma nova capital junto ao Rio Han, Seul, capital da Coreia unificada de 1394 a 1945. Até 1900, a cidade se parecia com a antiga Seul de Yii Taejo. Ainda hoje restam palácios, templos, santuários, muros e portões.

Houve uma reforma agrária para distribuir terras públicas a servidores do Estado, o que ajudou a minar o poder da antiga aristocracia. Uma reforma administrativa reforçou o confucionismo e o modelo do funcionalismo público chinês, baseado em exames e meritocracia.

ELITE
Como o neoconfucionismo era a base do sistema, o estudo de textos de Confúcio e seus intérpretes era a chave para passar. Logo, a elite começou a dominar o acesso ao serviço público. O poder dos mosteiros budistas foi reduzido. Assim como a Igreja Católica na Europa, tinham muita terra e muita riqueza.

A sociedade coreana tinha uma classe dominante, yangban. O povo era formado por agricultores, artesãos e mercado. Entre eles, havia uma classe média de médicos, intérpretes, militares e funcionários públicos.

Na metade do século 15, surgiu o alfabeto coreano, rangul, gerando com o uso uma reação à literatura chinesa para resgatar formas nativas da Coreia como a poesia sijo.

GUERRA DE IMJIN
Em 1592, o Japão invadiu a península para atacar a China e iniciou a Guerra de Imjin, que durou seis anos.  Os japoneses tomaram Seul e Pyongyang, mas sofreram várias derrotas no mar.

Após uma breve trégua em 1596, houve uma segunda invasão japonesa em 1597. Com um impasse no campo de batalha, os japoneses se retiraram em 1598. Nessa guerra, foram usados os chamados navios-tarturuga, com uma cobertura metálica no tombadilho, o que os tornou os primeiros navios do mundo com cobertura metálica.

A paz com o Japão foi restabelecida em 1606, quando o xogunato Tokugawa consolidava seu poder e iniciava uma era de isolamento internacional que servia os interesses da Coreia de se manter distante do vizinho guerreiro.

A guerra com o Japão enfraqueceu a Dinastia Ming na China, levando à conquista de Beijim pelos manchus da Dinastia Qing, que governaram o país de 1644 até o fim do Império Chinês, em 1911.

CATOLICISMO
O catolicismo chegou à Coreia no século 16, quando os jesuítas estavam ligados à corte chinesa em Beijim. No fim do século 18, começou a ser perseguido como uma influência indesejável que se opunha ao confucionismo.

No fim do século 19, a Coreia firmou acordos com o Império Britânico, a França e a Alemanha para tentar se proteger de seus vizinhos poderosos, sem sucesso.

Em 1882, a China invadiu Seul a pretexto de proteger cidadãos japoneses com base num tratado assinado com o Japão em 1871 e dominou a Coreia até 1894.

GUERRA SINO-JAPONESA
Na visão do nacionalismo japonês, “a Coreia é uma adaga apontada para o coração do Japão”. O domínio chinês sobre a Coreia era uma grande ameaça a seus interesses. Em julho de 1894, sem uma declaração formal de guerra, o Japão atacou a frota chinesa.

Era o início da Guerra Sino–Japonesa (1894-95), que marca o fim de séculos de hegemonia da China no Leste da Ásia. No fim da guerra, o Japão toma Taiwan, começando a construir um império e mantém o controle sobre a Coreia.

Uma série de reformas políticas sob o pretexto de modernizar a administração da Coreia serviu na prática para consolidar o domínio japonês. Em outubro de 1895, a rainha, que liderava a oposição aos japoneses, foi assassinada. Houve revoltas, duramente reprimidas pelo Japão. O rei se refugiou na Embaixada da Rússia, aumentando o sentimento antijaponês.

GUERRA DO PACÍFICO
A consolidação das possessões da Rússia na Sibéria e o Leste da Ásia aumentou a tensão com o Japão na região da Mandchúria, especialmente depois do fim da Guerra dos Boxers, na China, em 1900.

Como a Rússia se negou a ceder suas posições na Mandchúria depois de um acordo anglo-japonês de 1902, o Japão decidiu atacar antes da conclusão da Ferrovia Transiberiana. Em 8 de fevereiro de 1904, começa a Guerra do Pacífico.

A primeira grande guerra do sangrento século 20 vai até 5 de setembro de 1905. Era a primeira derrota de um exército branco europeu para não europeus desde que o Império Otomano cercara e fora repelido de Viena em 1684.

ANEXAÇÃO
Uma das consequência da guerra russo-japonesa foi o Tratado de Proteção Japão-Coreia, de 17 de novembro de 1905, que consolidava a dominação japonesa e foi causa de suicídio de vários altos funcionários coreanos.

Com a dissolução do Exército da Coreia, em 1907, vários ex-militares organizaram ataques contra as forças de ocupação. Em 1908, houve 1.451 incidentes envolvendo 70 mil pessoas.

O Tratado de Anexação acabou, em 29 de agosto de 1910, com a independência da Coreia. O governo e todas as organizações políticas foram dissolvidas. Em novembro de 1910, o Japão anunciou o fim da resistência.

OCUPAÇÃO
A ocupação japonesa não fez qualquer concessão à cultura ou à tradição de independência da Coreia. Estava imbuída de um direito divino devido ao mito de que a família imperial do Japão tem origem divina.

De 1910 a 1919, o Japão consolidou o controle criando uma poderosa máquina burocrática dirigida por um governador-geral, sempre militar. Ao todo, sete governadores-gerais japoneses mandaram na Coreia até 1945. Para se proteger, criaram uma grande força policial. Nos anos 1930s, havia um policial japonês para cada 400 coreanos.

Em janeiro de 1919, depois do fim da Primeira Guerra Mundial, os coreanos tentaram articular um movimento pela independência baseada no conceito de  autodeterminação dos povos defendido pelos Estados Unidos na Conferência de Paz de Versalhes. Foi rápida e duramente reprimido pelos japoneses.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Com a ocupação da Mandchúria em 1931 e da criação do Estado-fantoche japonês de Manchukuo, e do Leste da China pelo Japão em 1937, iniciando na prática a Segunda Guerra Mundial na Ásia, a situação coreana piorou ainda mais.

A economia do país foi voltada para o esforço de guerra japonês. Os estudantes foram pressionados a se alistar como voluntários e os coreanos em geral a participar de rituais xintoístas como prova de lealdade ao imperador do Japão. Todos os jornais em coreano foram fechados.

Quando a guerra acabou, os coreanos foram libertados do imperialismo japonês por exércitos estrangeiros. Stalin declarou guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, quando os americanos jogaram a segunda bomba atômica, em Nagasake, A União Soviética logo ocupou algumas ilhas disputadas com o Japão e o Norte da Península Coreana.

DIVISÃO
A divisão da Coreia foi mais fruto da tensão crescente entre os EUA e a URSS no início da Guerra Fria do que de qualquer preocupação das superpotências com a península. Foi decidida na Conferência de Potsdam, na Alemanha, em julho e agosto de 1945, anulando a promessa de independência da Coreia feita na Declaração do Cairo, em 1943.

Em 14 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou duas resoluções pedindo a independência da Coreia, a retirada das forças de ocupação e a realização de eleições livres. Mas as eleições de 10 de maio de 1948 foram realizadas somente no Sul.

Em 15 de agosto de 1948, três anos depois do fim da guerra, a República da Coreia se tornou independente sob a presidência de Syngman Rhee, reivindicando a soberania sobre toda a península. Em 9 de setembro de 1948, nasce a República Popular Democrática da Coreia, também com ambições de governar o país inteiro, sob a liderança do camarada Kim Il Sung, hoje presidente eterno.

Antes do fim da guerra, os conservadores eram maioria no Sul, predominantemente agrícola, enquanto a mineração e a indústria se concentravam no Norte. De 1945 a 1948, houve uma grande migração para o sul do paralelo 38º N. Até o início da Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, cerca de 750 mil pessoas fugiram para a Coreia do Sul.

AUTORITARISMO
A Coreia do Sul nasceu com um Estado forte e autoritário, com grande poder da polícia e da burocracia. Diante da tensão crescente com o Norte comunista , a oposição era considerada traição.

Em 1949, o partido comunista e todas as outras organizações esquerdistas foram proibidas. No início de 1950, 30 mil supostos comunistas estavam presos e outros 300 mil esquerdistas inscritos em programas de reeducação.

A URSS retirou suas forças da Coreia em 1948 e os EUA em 1949, deixando a Coreia do Sul desprotegida.

GUERRA DA COREIA
Como os EUA não intervieram na China para evitar a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949, criou-se uma expectativa de que não se meteriam na Coreia.

Em abril de 1950, o ditador soviético Josef Stalin autorizou Kim Il Sung a invadir o Sul, se Mao concordasse em enviar reforços em caso de necessidade. Kim encontrou Mao em maio de 1950. O líder comunista chinês temia a intervenção americana, mas concordou. A China dependia da ajuda econômica e militar soviética e Mao precisava se mostrar um aliado confiável.

Em 25 de junho de 1950, uma invasão de forças do Norte, que acusou o Sul de atacar primeiro, marcou o início da Guerra da Coreia. Seul caiu três dias depois. As forças norte-coreanas tomaram quase toda a Coreia do Sul. OS EUA decidiram reagir para proteger o Japão e conter a expansão do comunismo na Ásia depois da vitória da revolução chinesa.

AVAL DA ONU
Como a URSS estava boicotando o Conselho de Segurança da ONU em protesto contra a não admissão da China comunista (Taiwan ocupava a cadeira da China na ONU), os EUA conseguiram aprovar uma resolução autorizando o uso da força para reunificar a Península Coreana. Até hoje, os cerca de 28,5 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul têm esse mandato.

Os EUA contribuíram com 88% dos 341 mil soldados da força internacional, composta por 16 países (da América do Sul, só a Colômbia). Seul foi retomada em 25 de setembro de 1950.

Uma contra-ofensiva não só expulsou os invasores norte-coreanos. Em 30 de setembro, o general Douglas MacArthur, comandante militar americano, recebeu autorização do secretário da Defesa dos EUA, George Marshall, para ir além do paralelo 38º N. Suas forças chegaram perto do Rio Yalu, junto à fronteira com a China, que interveio na Guerra da Coreia.

INTERVENÇÃO CHINESA
Em 19 de outubro de 1950, o Exército da China cruzou o Rio Yalu para impedir a reunificação da Península Coreana e um possível alastramento da guerra para território chinês, já que um dos objetivos declarados pelo general MacArthur era combater o comunismo.

A intervenção chinesa forçou os americanos a recuarem para baixo do paralelo 38º N. Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra entre a China os EUA, que a China venceu ao atingir seu objetivo político de empurrar americanos e aliados para o Sul do paralelo 38º N, restaurando o status quo anterior à guerra.

Em 11 de abril de 1951, o presidente Harry Truman demitiu o general MacArthur. Ele invadira o Norte na expectativa de que a China não interviria. Quis tomar para si a decisão de usar armas nucleares e ameaçou arrasar a China, se ela não se rendesse.

Depois de dois anos de um impasse no campo de batalha, um armistício foi assinado em 27 de julho de 1953 pondo fim às hostilidades. Até hoje não houve um acordo de paz na última fronteira quente da Guerra Fria, que a Coreia do Norte insiste em negociar com os EUA, alegando que o regime sul-coreano é um fantoche de Washington.

MORTES
De acordo com o Departamento da Defesa dos EUA, 44.692 americanos, 551.498 sul-coreanos, cerca de 400 mil chineses e 290 mil norte-coreanos morreram na Guerra da Coreia. O total de mortos ficaria em torno de 1,25 milhão, sem considerar massacres como o de 100 mil civis suspeitos de simpatizar com o comunismo na Coreia do Sul e de pelo menos 500 mil civis executados pela Coreia do Norte. Isso elevaria o total para cerca de 2,5 milhões.

Depois da guerra, cerca de 100 mil norte-coreanos foram executados pelo regime, afirma Stephane Courtois em O Livro Negro do Comunismo. O historiador americano Rudolph Rummel estima em mais de um milhão as mortes em campos de concentração e de trabalhos forçados entre 1945 e 1987. De 24,5 milhões de norte-coreanos, entre 240 mil e 3,5 milhões teriam morrido de fome desde o fim da URSS, em 1991.

DITADURA
Eleito indiretamente pela Assembleia Nacional em 1948 como primeiro presidente da Coreia do Sul, Syngman Rhee tinha presidido um governo coreano formado no exílio em Xangai, na China, em 1919. Era doutor pela Universidade de Princeton, nos EUA, algo muito valorizado na Coreia.

A guerra fortaleceu suas tendências autoritárias. Seu governo aprovou uma Lei de Segurança Nacional, perseguiu comunistas e foi acusado de vários massacres. Quando perdeu apoio da Assembleia Nacional, em 1952, ordenou prisões em massa de oposicionistas e conseguiu aprovar uma emenda pela eleição presidencial direta, que ganhou com 74% dos votos.

Em 1960, aos 84 anos, Rhee foi reeleito mais uma vez, agora com 90% dos votos. Uma onda de protestos estudantis contra a fraude eleitoral chamada de Revolução de Abril obrigou-o a renunciar em 26 de abril de 1960 depois de um massacre no porto de Masan. Rhee fugiu para o exílio no Havaí, onde morreu em 1965. O período democrático foi curto.

GOLPES
Em 16 de maio de 1961, um golpe militar levou ao poder o general Park Chung Hee e colocou o país sob lei marcial. Seus 18 anos de governo foram marcados por protestos e repressão.

Depois do expurgo do líder oposicionista Kim Young Sam da Assembleia Nacional, em 1979, houve nova onda de protestos violentos. Park foi assassinado pelo diretor da KCIA (Agência Central de Inteligência da Coreia), Kim Jae Kyu. Pela Constituição, assumiu a presidência o primeiro-ministro Choi Kyu Hah

O comandante do Exército, Chun Doo Hwan, assumiu o controle da investigação sobre o assassinato de Park. Ele deu um golpe em dezembro de 1979. Em abril de 1980, virou diretor-geral da KCIA e reprimiu duramente uma revolta na cidade de Kwangju. Pelo menos 140 pessoas foram mortas. Em 1º de setembro de 1980, virou ditador da Coreia do Sul.

Seu governo foi marcado por um escândalo financeiro que derrubou meio ministério e por uma tentativa de assassinato cometida pelo serviço secreto da Coreia do Norte em 1983 na Birmânia. Dezessete sul-coreanos da comitiva presidencial, inclusive vários ministros, e quatro birmaneses foram mortos.

DEMOCRATIZAÇÃO
Nova onda de protestos em que estudantes enfrentaram a polícia vestida com uma farda que lembrava o Império do Mal dos filmes da série Guerra nas Estrelas levou finalmente à democratização da Coreia do Sul.

Em dezembro de 1987, foi eleito o general Roh Tae Woo. Sua posse, em fevereiro de 1988, foi a primeira transição de governo democrática da História da Coreia do Sul.

Chun foi condenado à morte em 1996 pelo Massacre de Kwangju, mas sua pena foi comutada para prisão perpétua. Ele entregou todos os seus bens e viveu durante anos num mosteiro budista.

PRESIDENTE CIVIL
O primeiro presidente civil em mais de 30 anos foi Kim Young Sam, um dos principais adversários dos governos militares, tomou posse em fevereiro de 1993 com a determinação reduzir a influência das Forças Armadas.

Kim afastou milhares de militares, burocratas e empresários ligados ao antigo regime, libertou milhares de presos políticos e lançou uma grande campanha contra a corrupção.

No governo Kim Young Sam, seus dois antecessores, Chun Doo Hwan e Roh Tae Woo, foram presos e processados por corrupção, pelo golpe de 1979 e pelo Massacre de Kwangju.

Chun foi condenado à pena de morte, comutada em prisão perpétua, e Roh pegou 22 anos e meio, reduzidos para 17 anos. Nove altos executivos de grandes conglomeradores (chaebol) também foram condenados por pagar propinas. Roh chegou a acumular uma fortuna de US$ 650 milhões.

CRISE ASIÁTICA
Com a persistência da corrupção, até o filho de Kim foi preso por suborno e evasão fiscal. A crise asiática de 1997, quando a Coreia do Sul tinha apenas US$ 30 bilhões em reservas e suas empresas estavam altamente endividadas, derrubou por um momento o milagre econômico sul-coreano.

Com o país falido, em dezembro de 1997, foi eleito presidente o eterno candidato da oposição, Kim Dae Jung, que chegara a ser condenado à morte nos governos militares.

Kim Dae Jung se decidou primeiro a combater a crise financeira e sanear os bancos sul-coreanos, e depois à aproximação com a Coreia do Norte.

APROXIMAÇÃO
Sua política do “brilho do sol” permitiu reencontros de famílias separadas desde a Guerra da Coreia. De 13 a 15 de junho de 2000, ele se encontrou com o então líder norte-coreano,  Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula das duas Coreias.

Sem poder se candidatar à reeleição, Kim Dae Jung entregue o poder em 2003 a Roh Moo Hyun, um advogado defensor dos direitos humanos que logo foi envolvido num escândalo financeiro sobre o financiamento de campanhas eleitorais.

Roh chegou a ser afastado num processo de impeachment, em março de 2004. Voltou dois meses depois, quando o Supremo Tribunal anulou o impeachment.

Em 19 de dezembro de 2007, o prefeito conservador de Seul, Lee Myung Bak, do Grande Partido Nacional, bateu o candidato de Roh. O ex-presidente, investigado por corrupção, cometeu suicídio pulando em um abismo em maio de 2009.

Um dos homens mais ricos da Coreia, Lee nasceu no Japão durante a guerra. Sua família naufragou na volta, em 1946, e ficou na miséria. Ele trabalhou até como lixeiro para financiar seus estudos e foi preso em 1964 por protestar contra o reatamento de relações com o Japão, antes de entrar para a Hyundai, onde fez carreira até se tornar diretor-presidente.

TENSÃO
No poder, adotou uma política mais dura em relação à Coreia do Norte, que fez seus primeiros testes nucleares em 2006 e 2009 (e um terceiro em 2013).

Em março de 2010, um torpedo do Norte afundou um navio da Marinha da Coreia do Sul, matando 46 marinheiros.

Em novembro de 2010, a artilharia norte-coreana bombardeou a ilha de Yeongpyeong, matando pelo menos dois civis e dois militares. Lee pediu desculpas por não ter evitado o ataque e prometeu responder a novos ataques com a força.

MULHER NO PODER
Com um novo nome, Partido da Nova Fronteira, os conservadores derrotaram os liberais e mantiveram o poder em dezembro de 2012, com a eleição de Park Geun Hye, filha do ditador Park Chung Hee, pai do milagre econômico sul-coreano, assassinado em 1979.

É a primeira mulher a governar a Coreia do Sul. Enfrenta, do outro lado do paralelo 38º N Kim Jong Un, neto do fundador da Coreia do Norte, o Grande Líder Kim Il Sung.

AMEAÇAS
Para se firmar como líder da ditadura comunista da Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo, Kim Jong Un fez testes de mísseis e, em fevereiro de 2013, o terceiro teste nuclear do país, que teria hoje de duas a seis bombas atômicas.

Diante de manobras militares conjuntas realizadas anualmente pelos EUA e a Coreia do Sul, em março de 2013, o regime stalinista norte-coreano ameaçou atacar os EUA e seus aliados, inclusive a Coreia do Sul e o Japão.

CHANTAGEM NUCLEAR
Desde que perdeu o patrocinador com o fim da URSS em 1991, a Coreia do Norte enfrenta sérios problemas de falta de comida e de energia. Faz uma chantagem nuclear com os EUA, ameaçando fazer a bomba atômica se não receber grandes ajudas em energia e alimentos.

Em 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter foi a Pyongyang e negociou pessoalmente com o veterano líder Kim Il Sung, veterano da Segunda Guerra Mundial, pouco antes de sua morte. Um acordo foi fechado pelo então presidente Bill Clinton para que a Coreia do Norte desarmasse seu programa nuclear.

Até hoje, o regime comunista norte-coreano violou 34 acordos e fez três testes nucleares, enquanto acredita-se que milhões de pessoas tenham morrido de fome.

IMPASSE
Este impasse permanente se mantém na Península Coreana porque a ninguém interessa aparentemente o colapso da Coreia do Norte. Para o regime comunista chinês, maior aliado e fiador, “a Coreia do Norte é a nossa Alemanha Oriental”. Como depois da queda do Muro de Berlim, a Alemanha Oriental acabou e também a URSS, o regime chinês não quer ser o único comunista no Leste da Ásia.

A China também sabe que o colapso da Coreia do Norte criaria forte instabilidade na região, prejudicando a economia.

A Coreia do Sul, observando o que aconteceu na reunificação da Alemanha, quando a Alemanha Ocidental era a terceira maior economia do mundo e enfrentou sérias dificuldades para integrar o Leste, teme os elevados custos de reabsorver uma Coreia do Norte em colapso. Gostaria que o Norte realizasse reformas econômicas no estilo chinês para se recuperar antes de uma possível reunificação.

Os EUA lutam contra a proliferação nuclear e o medo de que o Japão, onde os americanos jogaram duas bombas atômicas, resolva fazer armas nucleares para se preparar para enfrentar a ameaça da Coreia do Norte e uma China cada vez mais poderosa e assertiva.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os primeiros registros de imigrantes coreanos no Brasil datam de 1918. Mais coreanos chegaram nos anos 1950s, fugindo da Guerra da Coreia. A onda migratória mais forte começa em 23 de fevereiro de 1963.

Atualmente, estima-se em 50 mil o total de coreanos e descendentes no Brasil. Cerca de 92% se concentram no estado de São Paulo; 90% moram e trabalham na capital paulista. Cerca de 80% trabalham em lojas e confecções de moda feminina, especialmente no bairro do Bom Retiro.

RELIGIÃO
No Censo de 2007, quase a metade da população não declarou professor nenhuma religião; 29,2% se apresentaram como católicos (18,3% protestantes e 10,9% católicos) e 22,8% como budistas. Mas há uma grande espiritualidade na cultura coreana.

A liberdade religiosa é garantida pela Constituição, que não estabelece religião oficial. Houve conflitos entre budistas e confucionistas no início da Dinastia Yi, no fim do século 14, por causa do declínio do budismo, e entre confucionistas e cristãos nos séculos 18 e 19.

CULTURA
A cultura da Coreia foi fortemente influenciada pela China a partir da introdução do budismo, em 372, do confucionismo e do alfabeto chinês. A cultura chinesa trouxe a pintura em aquarela e nanquim, a cerâmica, a porcelana, a caligrafia, a literatura e as artes cênicas, como a dança e o teatro.

Com a industrialização, a urbanização e a globalização, é forte agora a influência da cultura popular ocidental.

ARQUITETURA
A arquitetura tradicional, também de origem chinesa, busca a harmonia com a natureza. O país tem nove sítios declarados patrimônio histórico da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

A arquitetura ocidental chegou no fim do século 19. Com a ocupação japonesa de 1910-45, vários prédios foram erguidos pelo invasor e depois derrubados por causa da revolta contra o Japão.

CULINÁRIA
A cozinha tradicional coreana se baseia no arroz, nas massas, no tofu, nos peixes e nas carnes. Toda refeição é acompanhada de arroz pequenos pratos como os banchan e por uma conserva de repolho fermentado apimentada chamada kimche.

A carne de cachorro é muito popular na Coreia. Pode ser apreciada em vários restaurantes.

ESPORTE
A arte marcial Tae Kwondo foi transformada numa espécie de esporte nacional pela ditadura militar dos anos 1950s e 1960s como uma maneira de afirmar a identidade nacional da Coreia do Sul. Desde 2000, é um esporte olímpico.

A Coreia do Sul organizou a Olimpíada de Seul, em 1988, e dividiu a Copa do Mundo de 2002 com o Japão.

O ex-jogador de basquete americano Dennis Rodman é o mais novo amigo de infância do ditador norte-coreano Kim Jong Un. Foi duas vezes visitá-lo em Pyongyang em 2013.

FUTEBOL
O futebol é o esporte mais popular; 41% dos sul-coreanos se declaram fãs. O beisebol ocupa o segundo lugar, com 25% das preferências.

A seleção sul-coreana vai a todas as Copas do Mundo desde 1986. Em 2002, tornou-se a primeira equipe da Ásia a chegar a uma semifinal, quando foi eliminada pela Alemanha. Acabou em quarto lugar, com uma ajuda dos juízes que anularam gols legítimos dos adversários nos jogos contra a Espanha e a Itália.

Em 2010, a Coreia do Sul foi eliminada pelo Uruguai nas oitavas de final.


Na Olimpíada de Londres, em 2012, a Coreia do Sul ficou com a medalha de bronze no futebol.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Suíça: um país muito rico, neutro e paraíso fiscal

A Confederação Suíça é uma república federativa formada por 26 cantões, situada na Europa Central, cercada pela Alemanha ao norte, a Áustria e Liechtenstein a leste, a Itália ao sul e a França a oeste.

A Suíça tem uma área de 41.285 quilômetros quadrados. É pouco menor do que o estado do Rio de Janeiro. Cerca de 70% do território são cobertos por montanhas nevadas das cordilheiras dos Alpes e de Jura, que atraem milhões de turistas para suas estações de esqui.

Com contas protegidas por sigilo bancário desde 1934, a Suíça é um paraíso fiscal e um dos maiores centros financeiros do mundo, acusado de lavar dinheiro sujo e proteger os depósitos de corruptos poderosos, mafiosos e terroristas. Mas isto está mudando.

O país é famoso por seus bancos, chocolates, queijos, relógios e montanhas nevadas. O ponto mais alto é o Pico Dufour, de 4.634 metros.

Depois de quase 200 anos de neutralidade, respeitada em duas guerras mundiais, a Suíça entrou em 2002 para a ONU.

A cidade de Genebra, na Suíça, onde ficava a Liga das Nações, precursora da ONU, é a cidade que mais abriga instituições do Sistema Nações Unidas depois de Nova York, inclusive a Comissão de Desarmamento, o Conselho de Direitos Humanos e a Organização Mundial do Comércio (OMC). A Cruz Vermelha Internacional também tem sede em Genebra.

Por causa de seu rigor e precisão, a Suíça tem fama de ser um país que funciona como um relógio suíço, e da prontidão militar que faz de todo cidadão suíço um reservista do Exército dos 20 aos 45 anos, um de seus maiores escritores, Friedrich Dürrenmatt, a descreveu como “uma prisão onde todos os presos são também carcereiros”.

Tendo sobrevivido às piores guerras da História da Humanidade, a Suíça enfrenta agora o desafio da globalização, que ameaça o excepcionalismo suíço.

Se um dia o país entrar para a União Europeia, o que parece inevitável, suas comunidades alemã, francesa e italiana podem querer se reintegrar aos países de origem. Até hoje, os suíços resistem à adoção da complexa legislação da UE, o que os obrigaria a abrir mão do excepcionalismo.

POPULAÇÃO
A Suíça tem 8 milhões de habitantes, sendo 65% de origem germânica, 20% franceses, 10% italianos e 1% romanches. A expectativa de vida é de 82,28 anos, a oitava maior do mundo.

A taxa de crescimento populacional é de 0,85% ao ano. A taxa de fertilidade é de 1,53 filho por mulher, a 187ª do mundo; 82% das mulheres usam métodos anticoncepcionais. A mortalidade infantil é de 3,8 para cada mil nascimentos.

A maior cidade é Zurique, com 1,143 milhão de habitantes, seguida de Genebra (915 mil) e da capital, Berna (356 mil), incluindo as regiões metropolitanas.

Os suíços têm fama de serem “alemães de sangue frio”, pacifistas, perfeccionistas e implacáveis.

SAÚDE
Em 2011, os gastos com saúde representaram 10,9% do produto interno bruto, 15º do mundo. Há 4 médicos e 5 leitos hospitalares para cada mil habitantes.

A incidência de aids foi estimada em 0,4% em 2009.

Cerca de 17,5% dos adultos eram obesos em 2008.

EDUCAÇÃO
Em 2009, os gastos com saúde foram de 5,4% do PIB, 61º do mundo. O índice de alfabetização é de 100%. Cada suíço estuda em média durante 16 anos.

A maioria das escolas é pública. O ensino privado é submetido a um rigoroso controle de qualidade imposto pelo governo.

O país tem 12 universidades e outras 60 instituições de ensino superior. As mais importantes do país são as universidades da Basileia (1460), Berna (1528), Lausane (1537), Genebra (1559) e Zurique (1833), e os Institutos Federais de Tecnologia da Basileia (1853) e de Zurique (1855).

PESTALOZZI
Um dos grandes educadores suíços foi o professor Johann Heinrich Pestalozzi. Seus métodos são usados até hoje no ensino fundamental em todo o mundo.

O Método Pestalozzi sustenta que a educação deve partir do que é familiar para o estudante para daí chegar ao novo, ao desconhecido, incorporando as artes e a resposta emocional dos alunos para permitir o desenvolvimento gradual e integral da criança.

Influenciado pelas ideias do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o Pai da Democracia, Pestalozzi abandou o estudo de teologia para “voltar à natureza” em 1769. Ele trabalhou na agricultura e recebeu em casa crianças pobres para fiar e tecer enquanto aprendiam a se tornar autossuficientes.

Seus empreendimentos fracassaram, mas Pestalozzi  tinha aprendido muito. Ele aplicou seus ensinamentos com sucesso ao dirigir escolas no início do século 19.

PIAGET
No século 20, a maior contribuição da Suíça à pedagogia e à educação veio Jean Piaget. Ele foi pioneiro no estudo sistemático sobre como as crianças adquirem conhecimentos. É considerado o maior nome da psicologia do desenvolvimento do século.

Piaget começou pela zoologia e depois passou para a psicologia. Em Zurique, estudou sob a orientação do psicanalista Carl Gustav Jung. Em 1929, tornou-se professor de psicologia infantil na Universidade de Genebra. Em 1955, criou o Centro de Epistemologia Genética de Genebra, onde realizou experiências com psicologia experimental e sociologia.

Cada criança, acreditava Piaget, cria e recria constantemente seu modelo da realidade, crescendo mentalmente quando incorpora conceitos simples em elaborações mais complexas. Ele dividiu esse desenvolvimento em quatro etapas.

DESENVOLVIMENTO
Até dois anos de idade, na fase sensório-motora, a criança descobre os sentidos e tenta transformar suas ações em experiências prazerosas. Aprende que é um ser separado do mundo que a cerca e que os objetos ao redor têm existência permanente.

Na segunda fase, que Piaget chama de pré-operacional, de 2 a 6 ou 7 anos, a criança aprende a representar os objetos por palavras e a manipular as palavras assim como aprendeu a manipular objetos. A criança consegue internalizar elementos do meio ambiente e se relacionar com eles através do pensamento e da linguagem.

LÓGICA
Na terceira fase, de 6 ou 7 a 11 ou 12 anos, a criança entra na fase operacional, iniciando o período de educação formal. A criança começa a desenvolver processos lógicos para classificar e distinguir seres e objetos por suas similaridades e diferenças. Domina os conceitos aritméticos básicos e adquire a noção de tempo.

De 12 anos até se tornar adulto, o jovem aprende a organizar suas ideias em proposições mais complexas, a dominar o pensamento lógico, permitindo a realização de experiências mentais mais flexíveis. Aprende a trabalhar com ideias abstratas, a formular hipóteses e a avaliar as implicações de seus pensamentos e dos outros.

IDIOMAS
A Suíça tem quatro línguas oficiais: alemão (74%), francês (21%), italiano (8%) e romanche (1%), um idioma antigo semelhante ao latim. O inglês é amplamente falado.

RELIGIÃO
Importante centro da Reforma Protestante, a Suíça divide-se religiosamente hoje em 42% católicos, 35% protestantes, 4% muçulmanos e 1,8% cristãos ortodoxos. Cerca de 15% declaram não ter religião.

Em novembro de 2009, um referendo proibiu com 57,7% de apoio a construção no país de novos minaretes, as torres das mesquitas de onde os clérigos muçulmanos chamam os fiéis para rezar. Os quatro já existentes foram mantidos.

POLÍTICA
A Suíça é oficialmente uma confederação, mas, sob vários aspectos, parece uma república federativa formada por 26 cantões, equivalentes aos estados no Brasil.

O direito de voto é universal a partir dos 18 anos.

A Assembleia Federal é bicameral, formada por um Conselho de Estado com 46 cadeiras, duas por cantão e uma para cada um dos seis cantões menores; e um Conselho Nacional de 200 deputados eleitos pelo sistema proporcional para mandatos de quatro anos.

Cabe ao parlamento eleger o Conselho Federal ou governo por períodos de quatro anos. Entre os membros desse conselho de governo ou ministério, a Assembleia Federal elege o presidente e o vice-presidente por períodos de um ano sem direito à reeleição.

COALIZÃO
Desde a Segunda Guerra Mundial, a Suíça tem a tradição de formar governos de união nacional de todos os grandes partidos.

Em 2007, o Partido Popular Suíço (SVP) tornou o primeiro partido de oposição em mais de 50 anos. Voltou ao governo com a nomeação de Ueli Maurer para o Conselho Federal.

Desde janeiro de 2014, o presidente é o liberal Didier Bulkhalter e a vice-presidente, Simonetta Sommaruga, do Partido Social-Democrata.

ECONOMIA
Com produto interno bruto de US$ 651 bilhões em 2012, de acordo com o Banco Mundial, a Suíça é o 20º país mais rico do mundo. É uma economia de mercado moderna e desenvolvida, com desemprego baixo (2,9%), uma força de trabalho altamente qualificada e a 6ª maior renda média por habitante do mundo, de US$ 81.375 mil por ano.

A taxa de pobreza é de 7,9%. Em 2009, os 10% mais ricos consumiam 19% da renda nacional, em constraste com 7,5% para os 10% mais pobres. A carga fiscal equivale a 33,6% do PIB. A dívida pública estava em 2011 em 52,4%.

Os serviços, com destaque para o setor financeiro, são responsáveis por 70,6% do PIB, a indústria por 28% e a agricultura, fortemente subsidiada, por 1,4%. A indústria se concentra em setores de alta tecnologia como relógios, instrumentos de precisão, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos.

COMÉRCIO EXTERIOR
As exportações foram de US$ 333,4 bilhões em 2012, com destaque para maquinaria, produtos químicos, relógios e produtos agrícolas. Seus maiores compradores foram Alemanha (19,8%), EUA (11,1%), Itália (7,2%), França (7,1%) e Reino Unido (5,4%).

As importações atingiram US$ 287,7 bilhões em 2012, com destaque para máquinas, veículos, produtos químicos, metais, têxteis e produtos agrícolas. Os principais vendedores foram Alemanha (29,7%), Itália (10,2%), França (8,4%),  China (5,6%), EUA (5,6%) e Áustria (4,2%).

O saldo comercial foi de US$ 66,5 bilhões.

ENERGIA
A Suíça importa 84% da eletricidade que consome. As usinas movidas a combustíveis fósseis geram 2,5% da capacidade instaladas; a energia nuclear, 16,6%; e hidrelétricas, 69,2%.

O país não produz petróleo nem gás natural. Em 2011, importou em média 258,2 mil barris por dia.

TRANSPORTES
A Suíça tem 63 aeroportos, 40 com pistas asfaltadas, 71.454 km de rodovias, 4.876 km de ferrovias e 1.292 km de hidrovias em lagos e rios navegáveis.

A Marinha Mercante tem 38 navios.

TELECOMUNICAÇÕES
A infraestrutura de telecomunicações é excepcional. Como quase tudo na Suíça, tem um alto padrão de excelência.

Em 2011, a Suíça tinha 4,613 milhões de linhas de telefonia fixa e 10,122 milhões de telefones celulares ativos.

A empresa estatal Swiss Broadcasting Corporation têm 18 estações de rádio e sete redes nacionais de televisão, três transmitindo em alemão, duas em francês e duas em italiano.

Em 2009, a Suíça tinha 6,152 milhões de usuários de Internet.

ESTABILIDADE
A economia suíça se beneficia de seu setor financeiro por causa da longa estabilidade política e econômica, de uma infraestrutura excepcional, de um sistema jurídico eficiente e de impostos baixos para empresas.

Como é um país pequeno, o sucesso econômico depende dos vizinhos da União Europeia, que compram mais da metade das exportações da Suíça. A crise mundial agravada pela falência do banco Lehman Brothers, em 2008, causou uma recessão.

RECUPERAÇÃO
O franco suíço tornou-se um refúgio seguro em meio à crise, mas sua valorização prejudicou a recuperação do país.  A Suíça cresceu 3% em 2010, mas sofreu com a crise das dívidas públicas dos países da periferia da Zona do Euro, avançando apenas 1,9% em 2011 e 0,8% em 2012.

Também está sob pressão dos EUA, da Alemanha e da França para afrouxar o sigilo bancário nos casos de suspeita de fraude fiscal. Já admite fazer isso quando os países interessados apresentarem provas.

PRÉ-HISTÓRIA
A presença humana na região onde fica a Suíça tem mais de 250 mil anos, indica a existência de artefatos de pedra lascada. Há 70 mil anos, durante a Era Glacial, o país estava coberto de neve.

Os primeiros assentamentos humanos, do Homem de Neanderthal, tem pelo menos 50 mil anos. O Homo sapiens chegou há 14 mil anos. Depois do degelo, por volta de 5000 antes de Cristo, culturas neolíticas se estabeleceram na região.

Os helvécios, um povo de origem celta, a ocuparam por volta de 800 AC. Pesquisas arqueológicas na área do Lago Neuchâtel revelaram que eles eram avançados na produção de joias de ouro, uma das especializações da Suíça.

HISTÓRIA
Com a pressão migratória de tribos germânicas, os helvécios foram para o Sul, sendo barrados pelos romanos. Sob o comando de Caio Júlio César, um dos maiores generais de todos os tempos, os romanos venceram a Batalha de Bibracte e tomam a região em 58 AC.

A atual Suíça foi anexada oficialmente ao Império Romano pelo imperador Augusto em 15 AC. Esse domínio vai até o fim do século 4 depois de Cristo.

As invasões bárbaras começam por volta de 260 DC. Em 400 DC, a Suíça Romana tinha se desintegrado. Durante o período romano, foram fundadas muitas cidades, inclusive Genebra, Lausane e Zurique.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, o país foi invadido por alamanos, burgúndios e francos. Os alamanos e burgúndios fizeram no século 8 uma aliança com os francos liderados por Carlos Magno.

Depois de sua morte, o Tratado de Verdun dividiu o Sacro Império Romano-Germânico entre seus três netos, em 843. A Suíça foi rachada entre a Suábia e a Borgonha Transjurana. Em 1033, o país recuperou sua unidade dentro do Sacro Império Romano-Germânico.

INDEPENDÊNCIA
Em 1º de agosto 1291, três cantões – Schuwyz, Unterwalden e Uri – unem-se na Liga Perpétua, de defesa comum, mantendo cada um sua autonomia. É a data nacional, que festeja a independência, mas essa comemoração só começou em 1874. A Confederação Helvética ou Suíça tinha inicialmente cerca de 200 cidades.

Em 15 de novembro de 1315, um exército de camponeses de pés descalços da Liga Perpétua derrotou a Áustria, com seus cavaleiros de armadura, na Batalha de Morgarten. Um tratado de paz entre o Waldstätte (Cantões da Floresta) e o império dos Habsburgo foi assinado três anos depois.

GULHERME TELL
O grande herói da independência da Suíça, Guilherme Tell, é uma figura mitológica. Sua existência é colocada em dúvida. Tell foi personagem de uma série dos primórdios da televisão brasileira. Lutava contra o burgomestre Hermann Gessler, um governador tirânico nomeado pelo Império Austríaco.

Conta a lenda que um chapéu com as cores da Áustria foi pendurado num poste em Altdorf. Todo suíço, ao passar por lá, era obrigado a fazer uma reverência. Como Guilherme Tell e o filho se negassem, foram presos.

Como punição, Tell deveria flechar com sua besta, uma espécie de arco medieval, uma maçã colocada sobre a cabeça de seu filho. Em 18 de novembro de 1307, o filho foi atado a uma árvore e teve a maçã colocada na cabeça. Tell recuou 50 passos e atirou.

A flecha certeira atingiu a maçã sem ferir o menino. Ao festejar o sucesso, Tell teria deixado cair uma segunda flecha. Gessler quis saber por que ele tinha duas flechas? “Seria para atravessar o seu coração, se a primeira flecha matasse meu filho.”

A lenda só começou a ser propagada por volta de 1470 em baladas medievais. Outra versão indica que Tell teria sido um personagem menor da guerra contra a Áustria. Em 1570, Aegidius Tschudi, um historiador católico conservador, fundiu as duas histórias, criando o mito.

Cerca de 60% dos suíços acreditam que Guilherme Tell realmente existiu, o que não é verdade. O compositor italiano Gioachino Rossini criou uma ópera em sua homenagem.

EXPANSÃO
Em 1332, Lucerna foi o primeiro cantão a aderir à confederação depois de criada. Zurique revoltou-se contra os Habsburgo da Áustria em 1335, mas só entrou para a confederação em 1351, uma adesão importante porque a cidade tinha 12 mil habitantes na época.

Foi um período conturbado pela primeira epidemia de peste bubônica a atingir a Europa, a partir de 1348. A peste reduziu a população suíça em 25%, afetando a produção agrícola.

O cantão de Berna, a capital, adere em 1353. Entre 1368 e 1388, com mais cinco cantões, a Liga Perpétua repele novo ataque austríaco. Nos anos 1480s, entraram os cantões de Friburgo e Soleura. Um acordo como cantão de Grisões amplia a confederação.

Em 22 de setembro de 1499, o Sacro Império Romano-Germânico reconhece a independência do país.  Depois da Guerra dos Suabos, em 1501, a Basileia e Schaffhausen foram integradas e, em 1513, o Apenzell, ampliando a confederação para 13 estados-membros.

A independência formal só viria no Tratado da Vestfália, assinado no fim da Guerra dos Trinta Anos, em 24 de outubro de 1648.

CONCÍLIO DA BASILEIA
A segunda maior cidade suíça na época, Basileia, se tornou um centro cultural por ser sede do Concílio da Basileia (1431-49).

Em 1460, fundou uma universidade que atraiu o grande filósofo holandês Desidério Erasmo, o Erasmo de Roterdã, considerado o maior intelectual do Renascimento no Norte da Europa. Seu humanismo cristão teria grande influência na Suíça.

REFORMA DA IGREJA
Um dos principais discípulos de Erasmo foi Ulrich Zuinglio, um importante teólogo e líder da Reforma Protestante na Suíça.

Em 1519, Ulrich Zuinglio, vigário da Catedral de Zurique, revoltou-se contra a Igreja Católica e iniciou a Reforma Protestante na Suíça. Como o monge alemão Martinho Lutero, que iniciou a Reforma ao pregar suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, Zuinglio criticava os escândalos o Vaticano e sugeria a volta à Bíblia como única norma da fé.

Enquanto Lutero defendia a separação entre política e religião, Zuinglio entendia que tanto a Igreja quanto o Estado deveriam ser submetidos à lei de Cristo. Em 1525, a Câmara de Zurique adotou suas mudanças:
• uma cerimônia simples de comunhão substituiu a missa rezada em latim;
• a Bíblia foi traduzida para o alemão;
• o clero passou a poder se casar;
• as terras de propriedade da Igreja foram confiscadas e sua jurisdição drasticamente limitada; e
• as imagens foram retiradas das igrejas e destruídas.

A Reforma da Igreja era um fenômeno urbano e burguês. Houve resistência no campo, onde os anabatistas se recusavam a prestar serviço militar e jurar lealdade ao país. Foram duramente reprimidos por causa disso até o século 18.

O modelo de Zurique foi adotado por outras cidades e cantões, mas alguns permaneceram católicos. Isso levou às duas Guerras de Kappel, em 1529 e 1531, quando Zuinglio, capelão das forças da Zurique protestante, foi morto, em 11 de outubro de 1531.

ZUINGLIANISMO
Para seus biógrafos, Zuinglio buscava a salvação de seu povo, enquanto Lutero estava mais preocupado com a própria salvação.

Zuinglio acreditava que a bondade natural do homem permite que cada um chegue sozinho a Deus, sem intermediários. O pecado original é uma espécie de vício hereditário que não merece a condenação eterna nem diminui a força do homem como um ser ético e moral.

CALVINO
Com a morte de Zuinglio, a Reforma estava ameaçada na Suíça quando apareceu o intelectual e teólogo João Calvino, um huguenote francês refugiado que introduz o protestantismo em Genebra, francófona e católica.

O calvinismo, termo rejeitado por Calvino, nascido na Suíça, teve forte influência neste país, na Holanda, na Inglaterra, na África do Sul, na Escócia e nos Estados Unidos.

Calvino queria reformar não só a Igreja, mas os seres humanos. Ele tenta pregar suas ideias na França e na Itália, sem sucesso. Numa carta, compara sua situação à dos judeus no Egito na Bíblia. Em 1536, ele foi para Genebra, onde o reformador Guilherme Farel insistiu que ficasse.

MANUAL DA FÉ
No mesmo ano, foi publicado o livro A Instituição da Religião Cristã, a grande obra de Calvino, é uma espécie de manual de instruções para cristãos. Foi apresentado como “um resumo quase completo da piedade, abrangendo tudo o que é necessário conhecer quanto à doutrina da salvação; obra seleta e à altura de todos os estudiosos da vida piedosa”.

Nas Ordenações de 1541, Calvino propôs a reorganizar a Igreja em quatro corpos: pastores, doutores, anciãos (para chamar a atenção dos que erram) e diáconos, que se ocupam de pobres e doentes. Era proibido mendigar.

Os nomes de batismo foram regulamentados. Precisavam ser nomes da Bíblia, mas alguns são proibidos como Jesus, Salvador e Evangelista.

LINHA DURA
Com a linha dura imposta por Calvino, os hereges eram levados ao Consistório. Uma mulher foi acusada de rezar o Pai Nosso em latim e dizer que a Virgem Maria era sua defensora. Mulheres pegas dançando foram para a cadeia. Um homem que colocou cartazes na rua contra Calvino, Jacques Gruet, foi preso, torturado e executado em nome de Deus.

Em 1542, uma nova epidemia de peste bubônica atinge Genebra. Na época, essas desgraças eram consideradas um castigo divino. Jacques, filho de Calvino, morreu pouco depois de nascer.

Ao defender sua linha dura, que inspirou o adjetivo calvinista, o teólogo comentou em 1553, depois da decapitação de Michel Servet: “Quem sustenta que é errado punir hereges e blasfemos” entende que “nos tornamos cúmplices de seus crimes (…). Não se trata aqui da autoridade do homem, é Deus que fala (…). Portanto, se Ele exigir de nós algo de tão extrema gravidade para que mostremos que lhe pagamos a honra devida, estabelecendo seu serviço acima de toda consideração humana, que não poupamos parentes, nem de qualquer sangue, e esquecemos toda a humanidade quando o assunto é o combate pela Sua glória”. Ossama ben Laden assinaria embaixo.

CALVINISMO
A palavra pela primeira vez numa carta do pastor luterano Joachim Westphail, de Hamburgo, em 1552. Sua doutrina foi uma das bases de A ética protestante e o espírito do capitalismo, livro do sociólogo alemão Max Weber.

Os cinco pontos principais são:
1.     Depravação total do homem, corrupção total ou incapacidade total: todo ser humano é contaminado pelo pecado original e tende a levar uma vida pecaminosa. É incapaz de ser verdadeiramente bom. É escravo do pecado, rebelde e hostil em relação a Deus, cego espiritualmente, incapaz de se salvar sem a intervenção direta de Deus.
2.     Eleição incondicional: é a escolha feita por Deus a quem será concedida a salvação, que não se baseia no simples mérito ou fé dos escolhidos. É uma decisão divina incondicional, irrevogável e insondável. Deus dá a fé a quem escolheu para a salvação.
3.     Expiação limitada: a “redenção particular” significa que a obra redentora de Jesus Cristo se destina apenas àqueles que receberam a graça divina da salvação. A expiação é limitada porque a salvação é só para alguns.
4.     Graça irresistível: a influência salvadora do Espírito Santo é irresistível. Quando Deus quer salvar alguém, o indivíduo não tem como resistir. Terá de passar a vida eternal ao lado de Deus.
5.     Preservação dos santos: a “segurança interna” garante que os escolhidos por Deus não podem cair em desgraça e perder a salvação. Se uma pessoa cai em apostasia ou não mostra sinais de arrependimento genuíno, não fazia parte dos eleitos.

NEUTRALIDADE
Os cantões ficaram neutros durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), que opôs católicos e protestantes. A Paz da Vestfália reconheceu a neutralidade suíça.

Durante as guerras de Luís XIV, da França, a neutralidade transformou-se num princípio básico da Confederação Suíça, um pequeno país da Europa Central cercado de vizinhos poderosos.

Essa neutralidade contribuiu para a paz, a estabilidade e a prosperidade. Atraiu para a Suíça refugiados como alguns dos huguenotes expulsos da França em 1685.

Os franceses e italianos introduziram a fabricação de relógios em Genebra no século 16. No fim do século 18, mil suíços tinham se especializado nisso.

Como os vizinhos viviam em guerra e precisavam de um lugar seguro para depositar seu dinheiro, os bancos suíços, inicialmente de Genebra, se tornaram o centro de uma rede financeira europeia.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Essa entrada de dinheiro e a vantagem de não ter sustentar um exército permanente levaram vários cantões a parar de cobrar impostos de seus cidadãos. Assim, havia capital em abundância para financiar a industrialização.

A topografia impedia a formação de grandes empresas agrícolas. Como a agricultura era incapaz de sustentar a população, o país não tinha colônias nem fazia expedições marítimas, também havia mão de obra abundante para a indústria.

RELÓGIOS
Em 1785, cerca de 20 mil pessoas trabalhavam em fábricas de Genebra que produziam 85 mil relógios por anos. Na região de Neuchâtel, eram feitos mais 50 mil relógios. Os suíços também se especializaram em caixas de som e brinquedos mecânicos que usavam mecanismos semelhantes.

No fim do século 18, 25% dos suíços trabalhavam na indústria, principalmente na fabricação de produtos têxteis e relógios.

MÁQUINAS
A produção de máquinas na Suíça começou em 1801. Quando o imperador Napoleão Bonaparte decretou o Bloqueio Continental em sua guerra contra a Grã-Bretanha, em 1806, sem poder importar da Inglaterra, a Suíça aumentou a produção nacional.

Em 1814, as máquinas haviam substituído completamente a produção manual na indústria têxtil.

ALIMENTOS
Os suíços dizem que os lanches rápidos não foram uma invenção do século 20. Em 1838, o alemão Carl Heirich Theodor Knorr criou a empresa Knorr para vender caldo de carne em cubos e sopa em pacote. O suíço Julius Maggi entrou no negócio em 1872.

Henri Nestlé inventou as fórmulas para bebês com leite em pó, açúcar e farinha em 1866. Sua fábrica com Vevey se tornou uma grande empresa multinacional a partir da fusão com a Anglo Swiss Condensed Milk Co.

Hoje a Nestlé é dona da Knorr e da Maggi, e é uma das empresas transnacionais que se orgulha de vender seus produtos em quase todos os países do mundo.

INDÚSTRIA QUÍMICA
A primeira fábrica de produtos químicos foi fundada por Daniel Frey em Aarau em 1804, mas o desenvolvimento do setor toma força 50 anos depois.

Em 1859, Alexandre Clavel, Louis Durand e Etienne Marnas se mudaram da França para a Basileia para produzir tintas sintéticas. Em 1884, a empresa passa a se chamar CIBA (Chesmiche Industrie in Basel).

Dois ex-empregados da CIBA, o químico Alfred Kern e o gerente Edouard Sandoz, fundaram a Kern & Sandoz em 1886. A Ciba-Geigy e a Sandoz se fundiram nos anos 1990s para criar a empresa Novartis. Fritz Hoffmann-La Roche fundou outra indústria farmacêutica importante, em 1896.

ILUMINISMO
O século 18 também é chamado de Época das Luzes por causa do desenvolvimento da filosofia política com base no racionalismo, que leva ao liberalismo e à democracia.

Um dos grandes pensadores da época, ao lado de Jean-Baptiste Voltaire e O Barão de Montesquieu, foi Jean-Jacques Rousseau, nascido em Genebra em 1712. Rousseau é considerado o “pai da democracia” pelas ideias expostas no livro O Contrato Social.

É de Rousseau o argumento de que “todo homem nasce livre, mas vive acorrentado por toda parte”. Na sua visão, todo homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe.

 Rousseau é assim o pai do estruturalismo político. É preciso destruir a estrutura social opressiva para libertar o homem de sua escravidão e construir uma nova sociedade mais justa e igualitária.

REVOLUÇÃO FRANCESA
Apesar da prosperidade, a Confederação Suíça não estava preparada para a instabilidade deflagrada pela Revolução Francesa inspirada por Voltaire, Rousseau e Montesquieu.

Não havia governo central. Cada um dos 13 cantões tinha seu próprio exército. Os cantões rurais suspeitavam das cidades. Os cantões menores invejavam os maiores. Apelos à reforma do sistema oligárquico eram reprimidos.

GUERRAS NAPOLEÔNICAS
A Revolução Francesa de 1789 deflagra uma série de revoltas camponesas.

Em 5 de março de 1798, em meio a uma guerra contra a Áustria, o Exército de Napoleão invade e toma a Suíça. Em 12 de abril, foi proclamada a República Helvética, “una e indivisível”, no modelo do Estado centralizado imposto à França pelos revolucionários.

REPÚBLICA HELVÉTICA
A República Helvética durou apenas cinco anos (1798-1803) e sobreviveu a quatro tentativas de golpe de Estado. Depois de um período crítico de agitação e revolta, a França mandou reforços, mas Napoleão acabou cedendo.

Na Ata de Mediação, de 1803, aboliu o Estado centralizado estabelecendo um equilíbrio entre a nova e a velha ordem.

RESTAURAÇÃO
Com a derrota final de Napoleão, em 1815, o Congresso de Viena restaurou as monarquias, restabeleceu a ordem internacional na Europa pós-napoleônica, reconheceu a neutralidade perpétua da Suíça, respeitada nas duas guerras mundiais do século 20.

Inicia-se na Europa um período dominado pelo conservadorismo, uma ressaca das revoluções e guerras napoleônicas que levaria a novas revoluções. Com mais seis cantões e um total de 22, a Suíça fica com as fronteiras que tem hoje.

REGENERAÇÃO LIBERAL
Sob o impacto da Revolução Francesa de 1830, há uma regeneração do movimento liberal na Suíça para exigir democracia e igualdade.

Dentro de um ano, 12 cantões aprovam reformas constitucionais para acabar com o domínio da aristocracia sobre o governo e com a censura à imprensa. O número de jornais e revistas políticas passa de 29 em 1830 para 54 em 1834. São fundadas as universidades de Zurique (1833) e Berna (1834).

O papa Gregório XVI reagiu, não especificamente contra as reformas suíças, condenando em 1832 a cultura moderna, o liberalismo, a democracia e a “ciência impudente”.

Em 1833, o médico liberal Paul Troxler propôs a criação de uma federação nos moldes dos EUA. Como só dez cantões apoiaram, a sugestão foi rejeitada. Mas a tensão entre conservadores e liberais se manteve.

GUERRA CIVIL
Quando liberais radicais fecharam os conventos em Aargau, em 1841, Lucerna virou conservadora e entregou suas escolas à Ordem dos Jesuítas, criada pela Igreja Católica no movimento da Contrarreforma.

A polarização religiosa levou os cantões católicos a formar uma liga de defesa separatista chamada Sonderbud. Em julho de 1847, a Dieta, representando a maioria dos cantões liberais declarou Sonderbud incompatível com o pacto federalista e exigiu sua dissolução imediata.

Numa guerra civil de 25 dias iniciada em 3 de novembro de 1847, a confederação prevaleceu. Como o comandante do Exército Federal, general Guilherme Henrique Dufour, recomendou moderação às tropas, o conflito terminou com 86 mortos e cerca de 500 feridos. Ele seria um dos fundadores da Cruz Vermelha.

NOVA CONSTITUIÇÃO
Em 1848, uma nova Constituição Federal cuja estrutura básica permanece intacta criou um parlamento bicameral no modelo americano, um governo federal e um tribunal federal.

O novo Estado pôde então criar uma política externa comum, um sistema alfandegário, moedas, pesos e medidas comuns, além de proteger os direitos e liberdades civis. Berna foi escolhida como capital.

VÍTIMAS DE GUERRA
Quando chegou à cidade de Solferino, na Itália, em 24 de junho de 1859, o empresário suíço Jean-Henri Dunant foi testemunha da Batalha de Solferino, na Guerra Austro-Sardenha, em que o Segundo Império Francês apoiou o Reino da Sardenha contra o Império Austro-Húngaro.

Naquela batalha decisiva da guerra pela unificação da Itália, 40 mil soldados foram mortos ou feridos. Chocado pela falta de atendimento médico, ele abandonou sua viagem, que visava a pedir à França melhores condições para fazer negócios na Argélia, e resolveu atender os feridos.

Em 1862, Dunant publicou um livro chamado Uma Memória de Solferino e o enviou a vários líderes políticos e militares da Europa, propondo a formação de sociedades voluntárias de ajuda de emergência.

CRUZ VERMELHA
O advogado suíço Gustave Moynier, presidente da Sociedade de Genebra para o Bem-Estar Público, recebeu o livro em 1863 e começou as articulações. Numa conferência realizada de 26 a 29 de outubro do mesmo ano, nasceu o Comitê Internacional para Socorro aos Feridos.

O símbolo adotado foi uma cruz vermelha, que marca ambulâncias e outros veículos de socorro a feridos para evitar que sejam alvo de ataques. A Cruz Vermelha Internacional, uma organização internacional humanitária de caráter privado, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1917, 1944 e 1963.

Como a cruz é um símbolo cristão repudiado pelos muçulmanos desde as Cruzadas para libertar a Terra Santa na Idade Média, o Crescente Vermelho passou a ser usado em países muçulmanos a partir de uma guerra entre o Império Otomano e a Rússia, em 1877-78. Em 1929, foi adotado oficialmente.

CONVENÇÕES DE GENEBRA
Um ano depois da fundação da Cruz Vermelha, a Suíça convidou todos os países europeus, os EUA, o Brasil e o México para uma conferência internacional. Em 22 de agosto de 1864, representantes de 12 países assinaram a Convenção de Genebra “para melhorar a condições dos feridos em campos de batalha”.

Novas Convenções de Genebra foram aprovadas para proteger as vítimas da guerra no mar (1907), os prisioneiros de guerra (1929) e os civis em tempo de guerra (1949).

DEMOCRATIZAÇÃO
Uma reforma constitucional no cantão de Zurique introduziu, em 1865, as emendas de iniciativa popular, que precisavam ser apoiadas por pelo menos 10 mil eleitores.

Em 1869, uma ampla revisão constitucional tornou obrigatória em Zurique a realização de referendos todas as alterações da Constituição e de todas as leis, a eleição direta dos membros do governo cantonal e criou um imposto de renda progressivo, ou seja, quem ganhava mais pagava mais.

Outros cantões seguiram o exemplo de Zurique. Lucerna deu à população o direito de pedir a realização de plebiscitos.

GUERRA CULTURAL
O liberalismo desafiava o poder e os privilégios do clero e da nobreza, exigindo liberdade, igualdade e justiça social. O racionalismo sustentava que a verdade só poderia ser comprovada através de pesquisa científica, questionando os dogmas da Igreja. E o materialismo negava a teoria de que o espírito sobrevive à morte do corpo.

Numa ofensiva contra o liberalismo, em 1854, o papa Pio IX defendeu a “imaculada concepção de Maria”, sem impressionar muito os suíços. Na Suíça, um movimento chamado Guerra Cultural queria limitar a influência da Igreja Católica.

Quando o Concílio Vaticano I, em 1871, decretou a “infalibilidade do papa”, mais de 400 mil católicos abandonaram a Igreja de Roma na Alemanha, na Holanda e na Suíça. Como o bispo de Lachat começou a afastar os padres que questionavam o dogma, os governos cantonais o demitiram o bispo e 97 padres; 84 foram expulsos da Suíça.

CONSTITUIÇÃO DE 1874
Outra ampla revisão constitucional foi realizada em 1874, a ponto de ser considerada uma nova Constituição:
• O governo federal ganhou supremacia sobre os cantões.
• Os referendos foram introduzidos a nível federal.
• Os cidadãos que se mudassem para outro cantão teriam plenos direitos depois de 3 meses.

A revisão foi aprovada por 63% dos votos.

VOTO FEMININO
A primeira federação de mulheres foi criada em 1885 em Aarau, seguida por Zurique em 1894. A primeira petição pelo direito de voto das mulheres foi apresentada em 1886. O primeiro congresso suíço pelos interesses da mulher foi realizada em 1897 em Genebra.

Mas o voto feminino teve de esperar. Em 1959, 67% dos homens disseram não. Só 31% votaram a favor. Isso impediu a Suíça de entrar para o Conselho da Europa e de assinar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, em 1962.

Em 1971, finalmente, por 66% a 34%, as mulheres conquistaram o direito de votar e ser eleitas, ganhando 11% das cadeiras no parlamento federal.

Só em 1985, um referendo constitucional deu direitos iguais às mulheres por 60% a 40%. A reforma do Código Civil dando à mulher direitos iguais ao homem dentro da família foi aprovada, também em 1985, por 54,7%  a 45,3%.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
A Suíça ficou neutra, mas sofreu com a tensão entre suas comunidades alemã, francesa e italiana, que simpatizavam com Alemanha, França ou Itália. Parte do Exército, os trabalhadores foram convocados para defender as fronteiras, muitos sem salário nem remuneração porque o país não tem um exército permanente. Em tese, são todos milicianos.

A economia se beneficiou, com as indústrias metalúrgica, química, de instrumentos de precisão e de madeira, e os produtores agrícolas vendendo para ambos os lados em guerra.

LÊNIN EXILADO
Durante a guerra, Vladimir Ilich Uliánov, mais conhecido como Lênin, se refugiou na Suíça em 5 de setembro de 1914, depois de ser brevemente detido na Áustria. Na Conferência de Zimmerwald, em 1915, Lênin defendeu a transformação de “uma guerra imperialista numa guerra de classes”. Foi vencido pelos pacifistas.

Na primavera de 1916, em Zurique, Lênin escreveu seu livro mais importante sobre relações internacionais, Imperialismo: o estágio mais alto do capitalismo, em que defende a teoria do elo mais fraco.

Ao contrário do que previra o pai do comunismo, Karl Marx, Lênin argumentou que o sistema capitalista não ia começar a se romper no centro, nos países ricos e desenvolvidos, mas, sim, nos elos mais fracos. A tese foi usada para justificar a revolução bolchevique na Rússia, um país atrasado economicamente.

Em carta ao poeta romeno Valeriu Marcu, em 1917, Lênin resumiu sua visão da guerra: “É um dono de escravos, a Alemanha, lutando contra outro dono de escravos, a Inglaterra”.

GREVE GERAL
Mas alguns setores não se beneficiaram. A tensão social explodiu no fim da guerra. Em novembro de 1918, o mês do armistício na Primeira Guerra Mundial, houve uma greve nacional iniciada em Zurique. O governo federal, temendo uma revolução comunista como a da Rússia, mobilizou o Exército, especialmente nas zonas rurais.

Três dias depois, os líderes grevistas capitularam. Vários foram presos. Como o conflito aconteceu no momento em que o surto de gripe espanhola virava uma pandemia, muitos soldados morreram da doença. Isso causou um ressentimento de décadas dos agricultores em relação aos trabalhadores urbanos.

REFORMA TRABALHISTA
Algumas reivindicações dos grevistas foram atendidas. A jornada de trabalho foi limitada a 48 horas por semana. Aumentou o auxílio aos desempregados. O sistema eleitoral mudou para o voto proporcional em 1919.

Imediatamente, os liberais perderam o poder, que mantinham desde 1848. Em 1929, foi eleito pela primeira vez um deputado de partido camponês.

GRANDE DEPRESSÃO
A Grande Depressão (1929-39) abalou fortemente a economia da Suíça, com a crise financeira a a forte queda nas exportações.

O pior ano da crise doméstica foi 1936, quando o desemprego chegou ao pico e o governo desvalorizou o franco suíço em 30%. No ano seguinte, trabalhadores e empresas metalúrgicas chegaram a um acordo em meio à crescente ameaça do nazismo.

Quando Adolf Hitler chegou ao poder em 1933, como na Alemanha, só os social-democratas foram contra, mas inicialmente esse repúdio fora visto como uma retomada da luta de classes que marcara o pós-guerra. A ameaça real uniu o país.

LIGA DAS NAÇÕES
Depois da Primeira Guerra Mundial, a Conferência de Paz de Versalhes criou em 1919 a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações.

A Suíça entrou para a Liga, que foi instalada no Palácio das Nações, em Genebra, hoje a principal sede da ONU na Europa. Como país neutro, não participaria das ações militares conjuntas.

Quando a Liga das Nações censurou o Japão por invadir a Mandchúria, em 1931, o governo imperial japonês abandonou a organização. Quando a Itália fascista invadiu a Etiópia, em 1935, a Liga condenou-a, mas não tomou nenhuma medida prática. A Suíça foi um dos primeiros países a reconhecer a conquista africana de Benito Mussolini e a ditadura do generalíssimo Francisco Franco na Espanha.

Sem conseguir evitar uma nova guerra mundial, a Liga das Nações seria substituída pela ONU, a partir de 1945.

PARAÍSO FISCAL
O sigilo bancário é um princípio legal pelo qual os bancos são proibidos de passar às autoridades informações sobre seus clientes, com a exceção de casos especiais, por ordem judicial. Existe em “paraísos fiscais” como a Suíça, Cingapura, Costa Rica, Líbano, Luxemburgo, Uruguai e várias ilhas.

Na Suíça, o sigilo bancário foi instituído pela Lei Bancária de 1934, quando o nazismo na vizinha Alemanha começava a assombar o mundo. Com US$ 2,2 trilhões em ativos, o país é o maior paraíso fiscal.

LAVANDERIA
Durante décadas, a Suíça foi acusada de ser um instrumento do crime organizado, da economia subterrânea e de ditadores da pior espécie, como Joseph Mobutu, do Zaire, hoje República Democrática do Congo, inclusive pelos próprios suíços.

O sociólogo, ex-deputado e ativista socialista Jean Ziegler escreveu, em 1990, o livro A Suíça lava mais branco, denunciando a lavagem de dinheiro sujo no país.

Como no submundo, o dinheiro de terroristas, ditadores, corruptos e do crime organizado se mistura, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, os EUA passaram a lutar contra o que o jornal The Wall Street Journal, porta-voz informal do centro financeiro de Nova York, defendia antes como “privacidade financeira”.

PARAÍSOS FISCAIS
Depois da Grande Recessão de 2008-9, uma das medidas aprovadas pelo Grupo dos Vinte (19 países mais ricos do mundo e a UE) foi o fim dos paraísos fiscais.

Se não colaborassem com a Justiça dos EUA, os bancos suíços não poderiam se instalar no país. Mais de dez bancos suíços são investigados sob a acusação de ajudar contribuintes a fraudar o imposto de renda americano. Aceitaram passar as informações desde que houvesse provas de fraude fiscal.

 Sob pressão internacional, especialmente dos EUA, a Suíça assinou a Convenção Multilateral sobre Assistência Administrativa Mútua em Questões Fiscais, negociada no âmbito da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que entrou em vigor em 2010.

Em 2013, o Parlamento suíço aprovou a legislação que muitos apontam como o fim do sigilo bancário.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Quando a Alemanha anexou a Áustria, em 13 de março de 1938, o cerco à Suíça começava a se fechar. O país reafirmou sua absoluta neutralidade, temendo uma invasão nazista. A maior preocupação foi garantir a sobrevivência nacional.

No início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Suíça mobilizou 850 mil pessoas de uma população de 4 milhões na época para fazer a defesa nacional, inclusive se refugiando nas montanhas para contra-atacar numa guerra de guerrilhas.

Com a queda da França, em 22 de junho de 1940, o cerco se fechou. A Suíça temia ser o próximo alvo da expansão nazista. Em 25 de junho de 1940, o chanceler federal suíço, Marcel Pilat-Golz, fez uma declaração aceitando a nova ordem europeia dominada pela Alemanha nazista.

Uma fortaleza no centro dos Alpes, o Reduto, tinha munição, equipamento médico, alimentos, água, usinas hidrelétricas e fábricas para suprir o Exército da Suíça se as cidades do país fossem ocupadas, enquanto a propaganda oficial preparava o país para a “defesa espiritual” da Suíça, de sua independência e democracia, diante da ameaça de Adolf Hitler.

BANCOS
A Alemanha vendia à Suíça matérias-primas como carvão e aço em troca de créditos, máquinas instrumentos, instrumentos de precisão e até mesmo armas antiaéreas. As estradas de ferro através dos Alpes eram fundamentais para o eixo Alemanha-Itália, mas foi o sistema bancário que ofereceu vantagens aos nazistas por estar num país neutro.

Os bancos suíços compraram ou guardaram o ouro roubado pelos nazistas dos bancos centrais dos países europeus tomados pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial e até mesmo das vítimas do Holocausto.

Em 1943, o Banco Nacional da Suíça sabia que a Alemanha estava saqueando os bancos centrais dos países ocupados. Mesmo assim, aceitou ouro fundido em grandes quantidades até 1944 e em menores quantidades até o fim da guerra, em 1945, num total estimado em 1,2126 bilhão de francos suíços, dinheiro que Hitler usou no esforço final de guerra.

Também comprou 2,2439 bilhões em ouro dos EUA, mas o ouro dos nazistas tinha sido roubado dos bancos centrais de países ocupados, especialmente da Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

REFUGIADOS
Durante a guerra, a Suíça recebeu cerca de 300 mil refugiados. Houve resistência da sociedade suíça, temerosa de mudanças significativas na composição étnica de seu pequeno país.

Mais de 20 mil judeus foram barrados. Não se sabe quantos morreram em campos de concentração.

Desde os anos 1990s, o Partido Popular da Suíça (SVP), de extrema direita, intensificou a propaganda antieuropeia e contra estrangeiros.

CRÍTICAS
O papel da Suíça durante a guerra foi muito criticado por causa da política de refugiados, por comprar ouro, obras de arte e outros ativos roubados pelos nazistas em países ocupados, e até mesmo por contribuir para prolongar a guerra ao fornecer bens, serviços e empréstimos à Alemanha nazista até o fim.

Só em fevereiro de 2001 e janeiro de 2005 os bancos suíços divulgaram listas das “contas dormentes”, a maioria de vítimas da guerra e do nazismo que confiaram suas economias ao sistema financeiro da Suíça. Desde então, organizações judaicas e de vítimas do Holocausto conseguiram indenizações de 2 bilhões de francos suíços.

Por outro lado, a “defesa espiritual” da nacionalidade fez da Suíça uma das poucas bases da resistência intelectual antinazista. A Rádio Pública Nacional fez companha contra a propaganda nazista durante toda a guerra.

SOCIEDADE ABERTA
Com a integração dos social-democratas ao governo dentro da união nacional forjada durante a guerra, aumentaram a estabilidade política e a seguridade social.

Depois das revoluções jovens de 1968, a sociedade suíça ampliou a liberdade individual, abrindo mão da rígida moral religiosa que era norma no mundo ocidental.

As mulheres conquistaram o direito de voto em 1971 e direitos plenamente iguais em 1985. A primeira mulher a governar a Suíça foi Ruth Dreifuss, em 1999.

Em 2004, os homens ganharam direito a licença-paternidade. Desde 2005, a Suíça reconhece a união civil de casais do mesmo sexo.

RELAÇÕES EXTERIORES
Em 1992, a Suíça pediu associação à União Europeia, mas desistiu quando uma proposta de adesão ao Espaço Econômico Europeu, que inclui a UE e outros países do continente, foi rejeitada em referendo, em dezembro de 1992.

Em 10 de setembro de 2002, contrariando a tendência histórica de zelar pela independência relutando em participar de organizações internacionais, a Suíça entrou para a ONU.

Com 55%, outro referendo aprovou em 2005 a adesão ao Tratado de Schengen, que aboliu o controle interno de passaportes na maioria dos países continentais da UE.

A Suíça também é membro e sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, da qual o brasileiro Roberto Azevedo é o atual diretor-geral, e do Banco de Compensações Internacionais (BIS), considerado o banco central dos bancos centrais, que fica na Basileia.

Seu desafio atual é como sobreviver e manter seu excepcionalismo quando inevitavelmente o país for integrado à UE.

CULTURA
Este pequeno país relativamente isolado, encravado nos Alpes, deu uma considerável contribuição à história da arte, da ciência, da filosofia e da religião.

A Suíça ganhou mais prêmios Nobel por habitante e registrou mais patentes por habitantes do que qualquer outro país. Ao todo, 113 ganhadores do Nobel tinham relação com a Suíça e organizações sediadas no país ganharam 9 vezes.

Alguns talentos, como o pai da arquitetura moderna, Charles Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier, que foi para a França, e o pintor Paul Klee, que foi para a Alemanha, tiveram de sair do país para crescer.

ARQUITETURA
Com uma história tão rica e sem guerras destruidoras, a Suíça guarda belos exemplos da arquitetura românica nas catedrais da Basileia, de Genebra, Lausane e Sion. O estilo gótico está nas catedrais de Zug e Zurique. O barroco, nas igrejas de Einsiedein.

Durante o Renascimento, vários mestres suíços trabalharam na Itália. Antonio del Ponte construiu prisões perto do Palácio dos Doges e a Ponte Rialto, em Veneza; Antonio Contino fez a Ponte dos Suspiros; Domenico Fontana, o Palácio Real, o Palácio de Latrão e a fachada da Igreja de São João de Latrão, em Nápoles.

No século 20, além de Le Corbusier, Mario Botta projetou o Museu de Arte Moderna de São Francisco da Califórnia. Jacques Herzog e Pierre de Meuron transformaram uma antiga usina da era da máquina a vapor, em Londres, na Tate Modern, o maior museu de arte moderna do mundo.

LITERATURA
Por causa da sua longa tradição de paz e neutralidade, muitos intelectuais se refugiaram lá durante as inúmeras guerras europeias, caso do poeta inglês George Byron, do filósofo francês Jean-Baptiste Voltaire, do escritor irlandês James Joyce, talvez o maior escritor do século 20, dos escritores alemães Hermann Hesse e Thomas Mann, do austríaco Stefan George e do italiano Ignazio Silone.

A Montanha Mágica, de Thomas Mann, fala da cidade suíça de Davos, onde se realiza o Fórum Econômico Mundial e havia uma clínica para tuberculosos.

“Na Suíça, a literatura só é possível como produto de exportação”, dizia Friedrich Dürrenmatt, o mais importante escritor do país no século 20.

O livro suíço mais vendido até hoje é de longe Heidi: a menina dos Alpes, de Johanna Spyri, publicado em 1879, com mais de 50 milhões de cópias em mais de 50 línguas. Já foi transformado em radioteatro e filmado mais de uma dúzia de vezes.

ARTES PLÁSTICAS
Além de Paul Klee, o mais impressionante e original pintor suíço, destaca-se o escultor e pintor expressionista Alberto Giacometti, influenciado pelo surrealismo, dadaísmo, o cubismo e pela arte etrusca.

O movimento de arte Dada, do início do século 20, nasceu no Cabaret Voltaire, em Zurique.

MÚSICA
A música sacra era a mais importante na Suíça e foi duramente controlada depois da Reforma Protestante. Da música tradicional, ficaram o folclore, as danças camponesas, os instrumentos de sopro.

Na música clássica, destacam-se Nokter Balbulus, monge de St. Gallen, que compôs por volta de 860; Heinrich Loris, no século 16; Arthur Honegger e Frank Martin, no século 20.

O país tem nove escolas de jazz e realiza oito festivais do gênero por ano. Um dos mais badalados é o Festival de Montreux, onde vários artistas brasileiros se apresentaram.

CINEMA
A Suíça tem uma pequena indústria nacional de cinema caracterizada pela alta qualidade dos atores e da fotografia. O mais famoso cineasta suíço é o franco-suíço Jean-Luc Godard, que nasceu em Paris de pai suíço.

Godard começou como crítico de cinema na revista francesa Cahiers du Cinema, a melhor do mundo no gênero. Tornou-se o maior nome da Nouvelle Vague (Nova Onda, em francês), que inspirou o Cinema Novo no Brasil. Era amigo de Glauber Rocha.

Entre seus melhores filmes estão Acossado (1960), com Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg; Viver a Vida (1962); O Demônio das 11 Horas (1965); Duas ou Três Coisas que Sei Dela (1966); A Chinesa (1967); e Week End à Francesa (1968).

Pravda (1969) trata da invasão soviética à Tcheco-Eslováquia. Vento do Oriente, com roteiro do líder da revolução de maio de 1968, Daniel Cohn-Bendit, Dani o Vermelho, desmistifica os filmes de faroeste. Até a Vitória foca a guerrilha palestina. Prénom: Carmen (1983) e Je Vous Salue Marie (1984) causaram mais polêmica do que fizeram sucesso como filmes.

PSIQUIATRIA
O suíço Carl Gustav Jung foi o criador da psicologia analítica, uma dissidência da escola psicanalítica do austríaco Sigmund Freud. Ele criou os conceitos de personalidade extrovertida e introvertida, e do inconsciente coletivo. Talvez seja o psicoterapeuta mais importante da História depois de Freud.

Na busca para entender a alma humana, Jung recorreu à filosofia oriental e ocidental, à alquimia, à astrologia, à sociologia, à literatura e às artes. Seu interesse pelo ocultismo lhe deu a fama de místico.

O inconsciente coletivo seria uma camada mais profunda da mente humana, onde estariam armazenados as imagens e símbolos, os arquétipos e os mitos. Seria um repositório de toda a cultura e história da humanidade a que se tem acesso parcial ao longo da vida, mas que permite compreender e explicar fenômenos inusitados que estariam além do inconsciente pessoal, trabalhado por Freud.

CULINÁRIA
O prato nacional é o fondue neuchâteloise, conhecido no resto do mundo como fondue suíça, uma mistura dos queijos suíços Gruyère e Emmentaler fundidos no vinho branco com um cálice de Kirsch, aguardente de cereja e temperos como noz moscada e pimenta do reino em pó. Come-se pescando o queijo fundido com cubos de pão dormido semitorrado. Acompanha um bom vinho tinto.

A raclette é um prato de queijo da região de Raclete, no cantão de Valais, levado ao forno ou às brasas para derreter e comido acompanhado de batatas cozidas, picles e carnes conservadas (embutidos) como presunto cru, lombo de porco defumado, salame e copa.

O chocolate é fabricado na Suíça desde o século 18. Ganhou reputação a partir do fim do século 19. Os suíços são os maiores consumidores mundiais de chocolate.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os suíços foram os primeiros imigrantes europeus a se estabelecer no Brasil, depois dos portugueses. O primeiro grupo chegou ao Brasil em 1819 e se instalou na cidade de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro.

Outro grupo foi para a Colônia Dona Francisca, hoje Joinville, em Santa Catarina. Também houve migrações para São Paulo e para o Espírito Santo. Como eles eram confundidos com alemães, não há números confiáveis.

Claudia Andujar, Clóvis Bornay, Heloísa Perissé, Juliana Knust e Ricardo Boechat têm origem suíça.

No comércio bilateral, o Brasil importava principalmente fármacos (36%), máquinas (24%), outros produtos químicos (23%) e instrumentos de precisão (9%), num total de US$ 915 milhões em 2005.

A Suíça importava principalmente produtos agrícolas (52%), metáis (21%), produtos químicos (9%) e aviões (7%), num total de US$ 510 milhões em 2005, pelos dados do sítio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

ESPORTE
Com tantas montanhas com neves eternas, a Suíça faz dos esportes de inverno e do alpinismo especialidades do país. A Associação Olímpica Suíça reúne cerca de 3,5 milhões de pessoas e 25 mil organizações voltadas para o esporte.

Em 1928 e 1948, a Suíça sediou as Olimpíadas de Inverno em Saint Moritz. Além do hóquei sobre patins, do esqui e do alpinismo, os suíços jogam golfe, tênis, basquete e praticam natação, voo a vela e parapente. A Suíça foi vice-campeã mundial de hóquei em 2013, na Suécia.

Desde 1915, Lausane sedia o Comitê Olímpico Internacional.

A tenista suíça Martina Hingis ganhou cinco torneios do Grand Slam (faltou só o Aberto da França) e  foi número um do mundo. Roger Federer ganhou 17 títulos de simples do Grand Slam, o que o torna o maior tenista da História.

Clay Regazzoni competiu na Fórmula 1 de 1970 a 1980 e ganhou cinco grandes prêmios. Sua melhor classificação no campeonato foi vice em 1974, três pontos à frente do campeão Emerson Fittipaldi. Ele entrou na corrida em vantagem, bastando apenas chegar na frente do brasileiro para ser campeão.

FUTEBOL
O futebol é um dos esportes favoritos dos suíços. A seleção nacional disputou sete Copas do Mundo. Chega ao Brasil pela primeira vez como cabeça de chave depois de se classificar invicta, com 24 pontos, 7 vitórias e 3 empates, 17 gols a favor e 6 contra.

A Suíça organizou a Copa de 1954, vencida pela Alemanha Ocidental, que derrotou a favorita Hungria por 3-2, e a Euro 2008, vencida pela Espanha, que bateu a Alemanha na final por 1-0.

Na Olimpíada de Paris, em 1924, a Suíça chegou à final, perdendo por 3-0 para o Uruguai.

Em 1934, 1938 e 1954, a Suíça chegou às quartas de finais da Copa do Mundo, sendo eliminada respectivamente pela vice-campeã Tcheco-Eslováquia (3-1), a vice-campeã Hungria (2-0) e a Áustria (7-5). Em 1950, 1962, 1966, 1994 e 2010, a Suíça foi eliminada na primeira fase.

Em 2010, foi a única seleção a vencer a campeã Espanha, uma vitória de 1-0 na estreia. O gol sofrido na derrota de 1-0 para o Chile acabou com um recorde de 559 minutos sem levar gol numa Copa do Mundo. Mas ao empatar em 0-0 com Honduras, a Suíça mais uma vez caiu na primeira fase.

Brasil e Suíça jogaram 8 vezes, com 3 vitórias do Brasil, 3 empates e 2 vitórias da Suíça, a mais recente por 1-0 em 14 de agosto de 2013, com gol contra de Daniel Alves.


A única partida oficial foi a primeira, disputada em 28 de junho de 1950, no Pacaembu, na primeira Copa realizada no Brasil. Diante de 42 mil torcedores, houve empate em 2-2, com gols de Alfredo e Baltazar para o Brasil e Jacques Fatton para os suíços.