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domingo, 2 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Agosto

REVOLUÇÃO DE JULHO

    Em 1830, o rei Carlos X abdica ao trono da França sob pressão da Revolução de Julho, que entrega a coroa ao Duque de Orleans, que se torna Luís Felipe III.

Neto de Luís XV, quinto filho do delfim Luís e de Maria Josefa da Saxônia, Carlos é irmão de Luís XVI, o rei guilhotinanado pela Revolução Francesa de 1789 em 21 de janeiro de 1793, e do restaurador da monarquia depois da revolução e das guerras napoleônicas, Luís XVIII.

Ele nasce em Versalhes em 9 de outubro de 1757 e passa a juventude na orgia. É nomeado Conde de Artois. Serve o Exército da França no cerco de Gibraltar, em 1782, mas nunca leva a carreira militar a sério. Com a revolução, foge do país em 1789 a conselho de Luís XVI.

Carlos X ascende ao trono em 16 de setembro de 1824 com a morte do irmão, Luís XVIII, que restaura a Dinastia de Bourbon depois da queda do imperador Napoleão Bonaparte, em 1815. É o último rei francês da Dinastia de Bourbon.

Os Bourbon querem voltar ao Antigo Regime. Não entendem as novas demandas democráticas da população após a Revolução de 1789. Durante o reinado de Carlos X, a aristocracia atacada pela revolução pode voltar a França e recebe indenização pelo confisco de suas terras.

A Revolução de Julho começa com um conflito em março de 1830 entre o rei e a Assembleia Nacional, que não aceita a nomeação de Augusto Polignac como primeiro-ministro. Com a rejeição do impopular Polignac, Carlos X dissolve a câmara, mas a oposição vence as eleições.

Em 25 de julho de 1830, o rei dissolve a nova Assembleia Nacional antes da primeira reunião, violando a Constituição, e censura a imprensa, deflagrando a Revolução de Julho e a queda de Carlos X.

HITLER ASSUME PODERES ABSOLUTOS

   Em 1934, com a morte do presidente Paul von Hindenburg, Adolf Hitler unifica os cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e se torna um ditador com o título de Führer (Guia)

A unificação dos cargos é confirmada por quase 90% dos eleitores em referendo em 19 de agosto. É o fim do que resta da democracia alemã.

O Führer funda o Terceiro Reich e promete ao povo alemão que o regime nazista vai durar mil anos, mas seu reino de terror dura menos de 11 anos, com o suicídio de Hitler, em 30 de abril de 1945, e a rendição da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em 8 de maio daquele ano.

ALERTA NUCLEAR

    Em 1939, uma carta escrita por Leó Szilárd em consulta com Albert Einstein, Edward Teller e Eugene Wigner alerta o presidente Franklin Delano Roosevelt para o risco de que a Alemanha Nazista desenvolva armas atômicas e incentiva os Estados Unidos a criar um programa nuclear.
Mais do que uma advertência, a carta de Einstein-Szilárd, como é conhecida, é um apelo à ação. Ressalta a possibilidade de que uma reação em cadeia de urânio crie uma arma arrasadora.

O presidente Roosevelt reage imediatamente. Manda investigar as descobertas científicas recentes e lança o ultrassecreto Projeto Manhattan sob a liderança de John Robert Oppenheimer. O primeiro teste nuclear é realizado em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945. Em 6 e 9 de agosto, os EUA jogam as bombas em Hiroxima e Nagasáki. O Japão se rende em 15 de agosto. É o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

IRAQUE TOMA O KUWAIT

    Em 1990, o Iraque do ditador Saddam Hussein invade o Kuwait e anexa o emirado, violando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, que proíbem a guerra de conquista. O emir e a família real do Kuwait fogem para a vizinha Arábia Saudita.

As monarquias petroleiras do Golfo Pérsico apoiam Saddam na Guerra Irã-Iraque (1980-88), apostando na derrota da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini no Irã. Apesar do apoio, o ditador iraquiano exige mais ajuda para compensar os prejuízos e reconstruir o país. Sem sucesso, apela para a força.

Em 6 de agosto, o Conselho de Segurança da ONU impõe sanções econômicas, proibindo o comércio com o Iraque. No dia 9, começa a Operação Escudo no Deserto. Por ordem do presidente George Herbert Walker Bush, os Estados Unidos enviam centenas de milhares de soldados para proteger a Arábia Saudita.

Ao tomar o Kuwait, Saddam assume o controle sobre 20% das reservas de petróleo conhecidas. Se ocupasse a Arábia Saudita, ficaria com 45%. 

Em 29 de novembro, o Conselho de Segurança da ONU aprova o uso da força se o Iraque não sair do Kuwait até 15 de janeiro de 1991. A União Soviética de Mikhail Gorbachev vota a favor e a China se abstém.

Como Saddam não recua, na madrugada de 16 para 17 de janeiro, uma aliança de 32 países liderada pelos EUA lança a Operação Tempestade no Deserto, começando a Guerra do Golfo com um bombardeio maciço.

A guerra aérea dura seis semanas. Neste período, o Iraque dispara mísseis contra a Arábia Saudita e Israel. Saddam aposta que a entrada de Israel na guerra leve os países muçulmanos a abandonar a aliança de mais de 30 países, mas os EUA contêm Israel.

Uma força aliada de 700 mil soldados inicia a operação terrestre em 24 de fevereiro. Quatro dias depois, Bush anuncia a vitória e o fim da guerra. Pelo menos 25 mil soldados e 100 mil civis iraquianos, e 250 soldados da aliança liderada pelos EUA morrem na Guerra do Golfo.

Em abril, o Conselho de Segurança da ONU aprova a Resolução 687, que proíbe o Iraque de exportar petróleo antes de entregar suas armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares). As sanções causam a morte de mais 1 milhão de iraquianos.

Algumas armas químicas e biológicas são confiscadas e desmontadas. Mesmo assim, as supostas armas de destruição em massa servem de pretexto para a invasão norte-americana de março de 2003, ordenada pelo presidente George Walker Bush, o filho, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que não têm qualquer relação com o Iraque. 

A invasão de 2003 depõe Saddam e resulta na sua morte. Até hoje, o Iraque vive em estado de guerra, depois de ser o berço da organização terrorista Estado Islâmico, que continua sendo uma ameaça onde tem uma oportunidade. Agora, por exemplo, durante a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, milícias xiitas atacam bases norte-americanas no Iraque.

JACKIE JOYNER GANHA SEGUNDO OURO NO HEPTATLO

    Em 1992, a atleta norte-americana Jacqueline Joyner Kersee se torna a primeira mulher a conquistar as medalhas de ouro do heptatlo em duas olimpíadas, Seul (1988) e Barcelona (1992). 

Jackie Joyner nasce pobre. Precisa superar a miséria e uma asma crônica para obter uma bolsa de estudos na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e conquistar o ouro. Na faculdade, destaca-se no atletismo e no basquete.

Em 1986, casa com Robert Kersee, treinador de atletismo na UCLA. No ano seguinte, ganha o heptatlo e o salto em distância no campeonato mundial de atletismo. Em 1988, repete a dose na Olimpíada de Seul, com recorde no heptatlo.

Depois de conquistar o segundo ouro em Barcelona, ela abandona a prova na Olimpíada de Atlanta, em 1996, com um estiramento muscular, mas consegue a medalha de bronze no salto em distância.

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sábado, 14 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Março

NASCIMENTO DE EINSTEIN

    Em 1879, nasce em Ulm, na região de Württemberg, na Alemanha, o físico Albert Einstein, uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade, que formula a Teoria Geral da Relatividade e ganha o Prêmio Nobel de Física em 1921 por descrever o efeito fotoelétrico. É considerado o maior cientista do século 20.

Mais tarde, Einstein conta que duas "maravilhas" o atraíram na infância. Aos 5 anos, ele conhece uma bússola e fica intrigado com as forças invisíveis que movem a agulha. Durante toda a vida, tem uma fascinação por forças invisíveis. Aos 12 anos, descobre um livro de geometria.

Nessa idade, Einstein é profundamente religioso. Compõe músicas que exaltam Deus e canta músicas sacras a caminho da escola. Quando lê livros científicos que questionam suas convicções religiosas, fica impressionado com o desafio à autoridade estabelecida.

No Ginásio Luitpold, o sistema educacional prussiano o incomoda e inibe sua criatividade. Um professor lhe diz que nunca será ninguém na vida. Uma influência importante é Max Talmud, um estudante de medicina que frequenta sua casa e vira um tutor informal, introduzindo Einstein no estudo de filosofia e matemática superior. Talmud lhe mostra uma coleção, Livros Populares sobre Ciência Física, de Aaron Bernstein.

As sucessivas falências do pai atrapalham sua educação. Em 1894, depois de perder um contrato para a eletrificação de Munique, Hermann Einstein se muda para Milão, na Itália. O jovem Einstein fica num pensionato. Sozinho e com medo de ser recrutado para o serviço militar obrigatório, ele foge e vai encontrar os pais em Milão seis meses depois.

Mesmo sem diploma de ensino médio, Einstein se candidata ao Instituto de Politécnica de Zurique. Pode ser admitido se passar num vestibular rigoroso. Obtém excelentes resultados em matemática e física, mas não passa em francês, química e biologia. Por causa do resultado excepcional em matemática, é aceito sob a condição de terminar primeiro o ensino secundário. Ele se forma em 1896 e renuncia à cidadania alemã. Em 1901, obtém a cidadania suíça.

Ao se formar, em 1900, enfrenta uma crise. Como estuda vários temas por contra própria, falta a várias aulas, o que provoca a animosidade de professores como Heinrich Weber, a quem pede uma carta de recomendação com a qual não consegue nenhuma das posições acadêmicas a que se candidata. 

O pai de seu amigo Marcel Grossmann o indica para o escritório de patentes da Suíça, em Berna. Pouco antes de morrer, seu pai dá o consentimento para o casamento com Maric, uma cristã ortodoxa de origem sérvia a quem a família antes se opõe. Eles se casam em 6 de janeiro de 1903. 

Em 1905, que descreve como "ano milagroso", Einstein publica quatro ensaios nos Anais da Física, todos revolucionários. Em Um Ponto de Vista Heurístico sobre a Produção e a Transformação da Luz, ele aplica a Teoria Quântica à luz para explicar o efeito fotoelétrico. 

Em Sobre o Movimento de Pequenas Partículas Suspensas em Líquidos Estacionários Previstos pela Teoria Cinética-Molecular do Calor, apresenta a primeira prova experimental da existência de átomos.

Em Sobre a Eletrodinâmica de Corpos em Movimento, lança a teoria matemática da relatividade especial.

Em A Inércia de um Corpo Depende da Energia que Contém?, mostra que a Teoria da Relatividade leva à equação E = mc², em que E é energia, m massa e c uma constante equivalente à velocidade da luz no vácuo, 300.000 km/seg. A equação mostra que a transformação de massa em energia libera uma quantidade enorme de energia como nas armas nucleares. É a primeira explicação sobre a fonte de energia do Sol e das outras estrelas.

A princípio, as teorias de Einstein são ignoradas pela comunidade científica, mas atraem a atenção de um dos físicos mais famosos da época, Max Planck, criador da Teoria Quântica. Mas a Teoria da Relatividade tem lacunas. Não menciona gravidade nem aceleração. Em 1915, Einstein complementa a Teoria Geral da Relatividade.

Seu trabalho não é interrompido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Pacifista, ele é um dos quatro intelectuais alemães que assina um manifesto contra a guerra. Chama o nacionalismo de "sarampo da humanidade".

Einstein lança uma nova ciência, a cosmologia. Suas equações preveem que o Universo é dinâmico, se expande ou contrai. Em 1929, o astrônomo Edwin Hubble descobre que o Universo está em expansão.

Durante uma visita à Califórnia, em 1930, Einstein participa do lançamento do filme Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, e comenta: "O que mais admiro na sua arte é a universalidade. Você não diz uma palavra e ainda assim o mundo te entende." Chaplin respondeu: "Mas sua fama é ainda maior. O mundo te admira e, ao mesmo tempo, ninguém te entende."

Com a ascensão do nazismo, Einstein deixa a Alemanha em dezembro de 1932 e vai para os Estados Unidos, onde trabalha no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei. Abandona o pacifismo para defender a guerra contra Adolf Hitler.

No fim dos anos 1930, os físicos percebem que a equação E = mc² indica que é possível a fabricação de uma bomba atômica. Em julho de 1939, o físico Leo Szilard o convence a enviar uma carta ao presidente Franklin Roosevelt alertando para o risco de que a Alemanha Nazista faça a bomba atômica. Einstein assina a carta em 2 de agosto de 1939. Roosevelt a recebe em 11 de outubro. No dia 19, avisa Einstein que criou um Comitê do Urânio para estudar o assunto. Daí nasce o Projeto Manhattan.

Como Einstein era ligado a organizações pacifistas e socialistas, é excluído do projeto. O diretor ultrarreacionário do FBI (Federal Bureau of Investigation), John Edgar Hoover, recomenda que seja expulso dos EUA. Quando sabe da bomba de Hiroxima, forma o Comitê de Emergência de Cientistas Atômicos para tentar controlar o uso da bomba. Ele tem o apoio do diretor científico do Projeto Manhattan, John Robert Oppenheimer, que se opõe à fabricação da bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio.

Einstein
 ainda trabalha com outras ideias revolucionárias como a possibilidade de viajar no tempo e a existência de buracos negros. Morre em 18 de abril de 1955 em Princeton aos 76 anos.

MORTE DE MARX

    Em 1883, o sociólogo, economista e revolucionário alemão Karl Marx, pai do comunismo, morre em Londres aos 64 anos.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Ele estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Fridriech Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e complementaridade do yin yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

Manifesto Comunista é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões dos socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes autodeclarados marxistas, embora um rebelde como Marx dificilmente se enquadraria na disciplina partidária dos partidos comunistas.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, em 1991, este número diminuiu consideravelmente, mas a China, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, o segundo maior país do mundo em população, mantém o regime comunista como sistema político, embora hoje a economia seja capitalista, um capitalismo orientado pelo Estado..

BALÃO NAVEGÁVEL

    Em 1899, o oficial alemão Ferdinand von Zeppelin recebe a patente nos Estados Unidos para fabricar um "balão navegável". O primeiro dirigível zeppelin voa em 2 de julho de 1900.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Alemanha usa zeppelins para matar mais de 500 pessoas só no Reino Unido. Depois, os zeppelins realizam voos transatlânticos regulares. Vêm várias vezes ao Brasil.

A tragéda do Hindenburg, a maior aeronave já construída, em 6 de março de 1937, com a morte de 35 pessoas em Lakehurst, perto de Nova York, é o fim da era dos zeppelins.  

RETOMADA DE SEUL

    Em 1951, durante a Guerra da Coreia (1950-53), as forças das Nações Unidas, sob o comando dos Estados Unidos, reconquistam a capital da Coreia do Sul, tomada na ofensiva inicial da Coreia do Norte.

A Coreia é dominada pelo Japão de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogam a bomba atômica em Nagasáki, a União Soviética de Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA vencem o Japão e invadem o Sul da Coreia.

Com a divisão do mundo pela Guerra Fria, surgem a República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte, comunista, aliada da URSS e da República Popular da China, e a República da Coreia, a Coreia do Sul, capitalista, aliada dos EUA. Como os nomes oficiais indicam, os dois países reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana..

Em 25 de junho de 1950, o ditador norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, ordena a invasão do Sul, sob o pretexto de violação de seu território por soldados sul-coreanos, dando início à Guerra da Coreia. Na época, a URSS está boicotando a ONU em protesto porque a China Comunista não é admitida (só seria em 1971). 

Então, pela Resolução nº 83 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 27 de junho, os EUA e aliados conseguem um mandato válido até hoje autorizando o uso da força para reunificar a Coreia.

No mesmo dia, diante da ofensiva do Norte, o ditador Syngman Rhee, manda evacuar Seul e matar 100 mil supostos suspeitos de simpatizar com o regime comunista.

Em 28 de julho, o Sul dinamita pontes, mas não consegue barrar o avanço das forças do Norte, que conquistam Seul e chegam a ocupar 90% do território sul-coreano. A reconquista de Seul começa em setembro de 1950 a março de 1951.

Quando a guerra começa, o presidente Harry Truman manda a 7ª Frota dos EUA, a Frota do Pacífico, para o Estreito de Taiwan para impedir uma invasão de Taiwan pelo regime comunista de Mao Tsé-tung.

A China não quer uma Coreia com forças dos EUA junto à sua fronteira. Em 18 de outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rio Yalu e entra na guerra.

Há uma guerra entre EUA e China dentro da Guerra da Coreia. A China vence no sentido de que obtém seu objetivo político de evitar a presença militar norte-americana junto à sua fronteira, empurrando as forças dos EUA e aliados para baixo do paralelo 38º Norte.

Depois de mais dois anos de impasse no campo de batalha, a Guerra da Coreia chega ao fim em 27 de julho de 1953. Há um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. O ditador norte-coreano Kim Jong Un, neto do Grande Líder Kim Il Sung, está mobilizando o país para a guerra. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

PRESIDENTE GORBACHEV

    Em 1990, o Congresso dos Deputados do Povo elege Mikhail Gorbachev para presidente da União Soviética, cinco anos e três dias depois de ele se tornar o secretário-geral do Partido Comunista e iniciar a abertura política e a reforma econômica que acabaram com o regime e com a URSS, em dezembro de 1991.

No poder desde 1985, Gorbachev promove a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação econômica). Acaba com o poder absoluto do PC e convoca eleições parlamentares. Mas a burocracia do partido é refratária às reformas e a economia acelera o declínio.

Naquele ano, Gorbachev está sob ataque tanto da velha guarda comunista quanto da vanguarda reformista liderada por Boris Yeltsin, que é eleito na primeira eleição presidencial direta da história da Rússia, em 12 de junho de 1991, resiste ao golpe da linha-dura comunista contra Gorbachev, em agosto de 1991, e lidera o processo de dissolução da URSS, em dezembro do mesmo ano. 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 14 de Março

NASCIMENTO DE EINSTEIN

    Em 1879, nasce em Ulm, na região de Württemberg, na Alemanha, o físico Albert Einstein, uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade, que formula a Teoria Geral da Relatividade e ganha o Prêmio Nobel de Física em 1921 por descrever o efeito fotoelétrico. É considerado o maior cientista do século 20.

Mais tarde, Einstein conta que duas "maravilhas" o atraíram na infância. Aos 5 anos, ele conhece uma bússola e fica intrigado com as forças invisíveis que movem a agulha. Durante toda a vida, tem uma fascinação por forças invisíveis. Aos 12 anos, descobre um livro de geometria.

Nessa idade, Einstein é profundamente religioso. Compõe músicas que exaltam Deus e canta músicas sacras a caminho da escola. Quando lê livros científicos que questionam suas convicções religiosas, fica impressionado com o desafio à autoridade estabelecida.

No Ginásio Luitpold, o sistema educacional prussiano o incomoda e inibia sua criatividade. Um professor lhe diz que nunca será ninguém na vida. Uma influência importante é Max Talmud, um estudante de medicina que sua casa e vira um tutor informal, introduzindo Einstein no estudo de filosofia e matemática superior. Talmud lhe mostra uma coleção, Livros Populares sobre Ciência Física, de Aaron Bernstein.

As sucessivas falências do pai atrapalham sua educação. Em 1894, depois de perder um contrato para a eletrificação de Munique, Hermann Einstein se muda para Milão, na Itália. O jovem Einstein fica num pensionato. Sozinho e com medo de ser recrutado para o serviço militar obrigatório, ele foge e vai encontrar os pais em Milão seis meses depois.

Mesmo sem diploma de ensino médio, Einstein se candidata ao Instituto de Politécnica de Zurique. Pode ser admitido se passar num vestibular rigoroso. Obtém excelentes resultados em matemática e física, mas não passa em francês, química e biologia. Por causa do resultado excepcional em matemática, é aceito sob a condição de terminar primeiro o ensino secundário. Ele se forma em 1896 e renuncia à cidadania alemã. Em 1901, obtém a cidadania suíça.

Ao se formar, em 1900, enfrenta uma crise. Como estuda vários temas por contra própria, falta a várias aulas, o que provoca a animosidade de professores como Heinrich Weber, a quem pede uma carta de recomendação com a qual não consegue nenhuma das posições acadêmicas a que se candidata. 

O pai de seu amigo Marcel Grossmann o indica para o escritório de patentes da Suíça, em Berna. Pouco antes de morrer, seu pai dá o consentimento para o casamento com Maric, uma cristã ortodoxa de origem sérvia a quem a família antes de opõe. Eles se casam em 6 de janeiro de 1903. 

Em 1905, que descreve como "ano milagroso", Einstein publica quatro ensaios nos Anais da Física, todos revolucionários. Em Um Ponto de Vista Heurístico sobre a Produção e a Transformação da Luz, ele aplica a Teoria Quântica à luz para explicar o efeito fotoelétrico. 

Em Sobre o Movimento de Pequenas Partículas Suspensas em Líquidos Estacionários Previstos pela Teoria Cinética-Molecular do Calor, apresenta a primeira prova experimental da existência de átomos.

Em Sobre a Eletrodinâmica de Corpos em Movimento, lança a teoria matemática da relatividade especial.

Em A Inércia de um Corpo Depende da Energia que Contém?, mostra que a Teoria da Relatividade leva à equação E = mc², em que E é energia, m massa e c uma constante equivalente à velocidade da luz no vácuo, 300.000 km/seg. A equação mostra que a transformação de massa em energia libera uma quantidade enorme de energia como nas armas nucleares. É a primeira explicação sobre a fonte de energia do Sol e das outras estrelas.

A princípio, as teorias de Einstein são ignoradas pela comunidade científica, mas atraem a atenção de um dos físicos mais famosos da época, Max Planck, criador da Teoria Quântica. Mas a Teoria da Relatividade tem lacunas. Não menciona gravidade nem aceleração. Em 1915, Einstein complementa a Teoria Geral da Relatividade.

Seu trabalho não é interrompido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Pacifista, ele é um dos quatro intelectuais alemães que assina um manifesto contra a guerra. Chama o nacionalismo de "sarampo da humanidade".

Einstein lança uma nova ciência, a cosmologia. Suas equações preveem que o Universo é dinâmico, se expande ou contrai. Em 1929, o astrônomo Edwin Hubble descobre que o Universo está em expansão.

Durante uma visita à Califórnia, em 1930, Einstein participa do lançamento do filme Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, e comenta: "O que mais admiro na sua arte é a universalidade. Você não diz uma palavra e ainda assim o mundo te entende." Chaplin respondeu: "Mas sua fama é ainda maior. O mundo te admira e, ao mesmo tempo, ninguém te entende."

Com a ascensão do nazismo, Einstein deixa a Alemanha em dezembro de 1932 e vai para os Estados Unidos, onde trabalha no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei. Abandona o pacifismo para defender a guerra contra Adolf Hitler.

No fim dos anos 1930, os físicos percebem que a equação E = mc² indica que é possível a fabricação de uma bomba atômica. Em julho de 1939, o físico Leo Szilard o convence a enviar uma carta ao presidente Franklin Roosevelt alertando para o risco de que a Alemanha Nazista faça a bomba atômica. Einstein assina a carta em 2 de agosto. Roosevelt a recebe em 11 de outubro. No dia 19, avisa Einstein que criou um Comitê do Urânio para estudar o assunto. Daí nasce o Projeto Manhattan.

Como Einstein era ligado a organizações pacifistas e socialistas, é excluído do projeto. O diretor ultrarreacionário do FBI (Federal Bureau of Investigation), John Edgar Hoover, recomenda que seja expulso dos EUA. Quando sabe da bomba de Hiroxima, forma o Comitê de Emergência de Cientistas Atômicos para tentar controlar o uso da bomba. Ele apoio o diretor científico do Projeto Manhattan, John Robert Oppenheimer, que se opõe à fabricação da bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio.

Ele ainda trabalha com outras ideias revolucionárias como a possibilidade de viajar no tempo e a existência de buracos negros. Morre em 18 de abril de 1955 em Princeton aos 76 anos.

MORTE DE MARX

    Em 1883, o sociólogo, economista e revolucionário alemão Karl Marx, pai do comunismo, morre em Londres aos 64 anos.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Ele estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Fridriech Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e complementaridade do yin yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

O Manifesto Comunista é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões dos socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes marxistas.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, em 1991, este número diminuiu consideravelmente, mas a China, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, o segundo maior país do mundo em população, mantém o regime comunista.

BALÃO NAVEGÁVEL

    Em 1899, o oficial alemão Ferdinand von Zeppelin recebe a patente nos Estados Unidos para fabricar um "balão navegável". O primeiro dirigível zeppelin voa em 2 de julho de 1900.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Alemanha usou zeppelins para matar mais de 500 pessoas só no Reino Unido. Depois, os zeppelins realizam voos transatlânticos regulares. Vêm várias vezes ao Brasil.

A tragéda do Hindenburg, a maior aeronave já construída, em 6 de março de 1937, com a morte de 35 pessoas em Lakehurst, perto de Nova York, é o fim da era dos zeppelins.  

RETOMADA DE SEUL

    Em 1951, durante a Guerra da Coreia (1950-53), as forças das Nações Unidas, sob o comando dos Estados Unidos, reconquistam a capital da Coreia do Sul, tomada na ofensiva inicial da Coreia do Norte.

A Coreia é dominada pelo Japão de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogam a bomba atômica em Nagasáki, a União Soviética de Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA vencem o Japão e invadem o Sul da Coreia.

Com a divisão do mundo pela Guerra Fria, surgem a República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte, comunista, aliada da URSS e da República Popular da China, e a República da Coreia, a Coreia do Sul, capitalista, aliada dos EUA. Como os nomes oficiais indicam, os dois países reivindicam a soberania sobre toda a Coreia.

Em 25 de junho de 1950, o ditador norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, ordena a invasão do Sul, sob o pretexto de violação de seu território por soldados sul-coreanos, dando início à Guerra da Coreia. Na época, a URSS está boicotando a ONU em protesto porque a China Comunista não é admitida (só seria em 1971). 

Então, pela Resolução nº 83 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 27 de junho, os EUA e aliados conseguem um mandato válido até hoje autorizando o uso da força para reunificar a Coreia.

No mesmo dia, diante da ofensiva do Norte, o ditador Syngman Rhee, manda evacuar Seul e matar 100 mil supostos suspeitos de simpatizar com o regime comunista.

Em 28 de julho, o Sul dinamita pontes, mas não consegue barrar o avanço das forças do Norte, que conquistam Seul e chegam a ocupar 90% do território sul-coreano. A reconquista de Seul começa em setembro de 1950 a março de 1951.

Quando a guerra começa, o presidente Harry Truman manda a 7ª Frota dos EUA, a Frota do Pacífico, para o Estreito de Taiwan para impedir uma invasão de Taiwan pelo regime comunista de Mao Tsé-tung.

A China não quer uma Coreia com forças dos EUA junto à sua fronteira. Em 18 de outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rio Yalu e entra na guerra.

Há uma guerra entre EUA e China dentro da Guerra da Coreia. A China vence no sentido de que obtém seu objetivo político de evitar a presença militar norte-americana junto à sua fronteira, empurrando as forças dos EUA e aliados para baixo do paralelo 38º Norte.

Depois de mais dois anos de impasse no campo de batalha, a Guerra da Coreia chega ao fim em 27 de julho de 1953. Há um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. O ditador norte-coreano Kim Jong Un, neto do Grande Líder Kim Il Sung, está mobilizando o país para a guerra. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

PRESIDENTE GORBACHEV

    Em 1990, o Congresso dos Deputados do Povo elege Mikhail Gorbachev para presidente da União Soviética, cinco anos e três dias depois de ele se tornar o secretário-geral do Partido Comunista e iniciar a abertura política e a reforma econômica que acabaram com o regime e com a URSS, em dezembro de 1991.

No poder desde 1985, Gorbachev promove a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação econômica). Acaba com o poder absoluto do PC e convoca eleições parlamentares. Mas a burocracia do partido é refratária às reformas e a economia acelera o declínio.

Naquele ano, Gorbachev estava sob ataque tanto da velha guarda comunista quanto da vanguarda reformista liderada por Boris Yeltsin, que é eleito na primeira eleição presidencial direta da história da Rússia, em 12 de junho de 1991, resiste ao golpe da linha-dura comunista contra Gorbachev, em agosto de 1991, e lidera o processo de dissolução da URSS, em dezembro do mesmo ano.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Pesquisas sobre buracos negros dão Nobel de Física a astrofísicos

Estruturas de grande força gravitacional engolem tudo o que chega muito perto

O britânico Roger Penrose, o alemão Reinhard Genzel e a americana Andrea Ghez ganharam hoje o Prêmio Nobel de Física de 2020 por estudos sobre buracos negros, estruturas maciças com uma força gravitacional tão grande que absorvem tudo o que chega perto, inclusive a luz.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ondas gravitacionais dão o Prêmio Nobel de Física a americanos

Os pesquisadores Rainer Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um alemão naturalizado americano, e os americanos Kip Thorne e Barry Barish, do Instituto de Tecnologia da California (Caltech), ganharam hoje o Prêmio Nobel da Física de 2017 por criarem um instrumento capaz de detectar as ondas gravitacionais, "uma descoberta que abalou no mundo", nas palavras da Academia de Ciências da Suécia.

Com seu trabalho, eles comprovaram uma conclusão da Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein, em 1916, de que toda massa em aceleração no espaço produz ondulações que se irradiam na velocidade da luz. Como ninguém conseguia detectar essas ondas gravitacionais, o próprio Einstein chegou a duvidar de sua existência.

Para comprovar a existência das ondas gravitacionais, os três físicos fizeram um projeto de 40 anos financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, com a participação de cientistas de 15 países, inclusive do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade Estadual Paulista (Unep), do Brasil.

Esse trabalho levou à construção de dois detectores idênticos instalados a uma distância de 2.880 quilômetros. Um fica em Hanford, no estado de Washington, no Noroeste dos EUA, e o outro em Livingston, na Lousiana, no Sudeste do país.

Em 14 de setembro de 2015, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (LIGO), de US$ 1,1 bilhão, captou uma distorção causada por ondas gravitacionais geradas pelo choque de dois buracos negros num lugar distante do Universo situado a um bilhão de anos-luz da Terra. O anúncio oficial foi feito em 11 de fevereiro de 2016.

A colisão de dois buracos negros liberou mais energia do que todas as estrelas do universo juntas. Quando a onda gravitacional chegou à Terra um bilhão de anos depois era milhares de vezes menor do que o núcleo de um átomo. Mesmo assim, foi percebido pelo observatório.

"O sinal era extremamente fraco quando chegou à Terra, mas foi uma revolução promissora na astrofísica", declarou o Comitê do Nobel. "As ondas gravitacionais são uma maneira inteiramente nova de observar os acontecimentos mais violentos do espaço sideral e testar os limites do nosso conhecimento."

Weiss ficará com a metade do prêmio, de US$ 1,1 milhão (R$ 3,478 milhões). Seus dois colegas dividirão o resto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cientistas descobrem ondas gravitacionais descritas por Einstein

A colisão de dois buracos negros, um com 29 vezes a massa do Sol e outro com 39 vezes a massa do Sol, formou um buraco negro com 62 vezes a massa do Sol. A massa restante foi convertida em ondas gravitacionais detectadas por cientistas aqui na Terra, anunciaram hoje cientistas nos Estados Unidos.

"É a primeira vez que um sistema desses foi observado, um buraco negro binário em fusão, é a confirmação de que esses sistema existem no Universo", declarou David Reitze, diretor-executivo do LIGO, sigla em inglês para o Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferômetro a Laser.

Em sua Teoria da Relatividade, o físico alemão Albert Einstein, o cientista mais importante do século 20, previu há cem anos a existência de ondas gravitacionais. Hoje suas ideias foram comprovadas por uma fusão de buracos negros ocorrida há um bilhão de anos.

Einstein argumentou que o tempo e o espaço não era imutáveis como se acreditava desde que as teorias de Isaac Newton lançaram as bases da Física moderna, inclusive a Lei da Gravitação Universal.

O LIGO tem duas instalações nos estados de Washington e da Lousiana. Sua descoberta abre uma nova janela para o universo, uma nova maneira de observar o espaço.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Einstein: "Educação deve ser um presente e não obrigação amarga"

Nos cem anos da Teoria Geral da Relatividade, uma revolução científica, as ideias do maior cientista do século 20 voltam a ser examinadas. O jornal espanhol El País investigou o que Albert Einstein disse sobre educação, que ele via como maneira prazerosa de desenvolver a criatividade e a individualidade.

 O cientista escolhido pela revista americana Time o Homem do Século 20 foi um aluno medíocre do
Albert Einstein: 1879-1955
Instituto de Politécnica de Zurique, na Suíça. Não estava interessado por ideias e métodos educacionais que julgava superados. Sonhava com uma educação criativa.

"A educação e, em geral, a busca da verdade e da beleza formam uma área onde podemos continuar sendo criança pela vida inteira", escreveu o gênio da física moderna.

Einstein criticou sobretudo a chamada decoreba, o estudo baseado apenas na memorização de conteúdos: "O ensino deve ser recebido como e melhor presente e não como uma obrigação amarga."

Nas Notas Autobiográficas, ele comenta as contradições entre seu método seletivo e as exigências acadêmicas: "Aprendi muito cedo a descobrir aquilo que podia conduzir às entranhas, prescindindo de uma multiplicidade de coisas que embaçam a mente e desviam a atenção do essencial. A regra era que para os exames se devia embutir todo aquele material na cabeça, querendo ou não."

Para Einstein, "é um grave erro crer que a ilusão de observar e buscar possam ser fomentadas a golpes de coação e do sentido do dever. Penso que mesmo o animal predador são poderia ser privado de sua voracidade se for obrigado a comer continuamente quando não tem fome."

A educação pela coação cria seres submissos e dependentes, "utiliza como fundamento o temor, a força e a autoridade. Este tratamento destrói os sentimentos sólidos, a confiança do aluno em si mesmo." Ele observou que "a maior insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente." Por outro lado, "quem nunca cometeu um erro é porque nunca arriscou nada diferente."

O uso da força "não desperta a produtividade porque não faz surgir os poderes psicológicos do aluno, já que para a instituição é mais fácil usar a força do que despertar a ambição individual", criticou o cientistas judeu alemão que fugiu do nazismo para os Estados Unidos.

"A escola deve estimular a inclinação da criança pela brincadeira e pelo desejo infantil de reconhecimento. Deve guiar a criança para os domínios que sejam benéficos para a sociedade. A educação se basearia assim numa atividade fecunda e de reconhecimento, e o professor seria uma espécie de artista em sua atividade", recomendou.

Em carta a seu filho, o genial cientista apontou o prazer como o segredo da educação: "Toque no piano principalmente o que você gosta, mesmo que a professora não te peça. É a melhor maneira de aprender, quando está fazendo algo com tal prazer que não te dás conta de que o tempo passa."

Outro segredo fundamental é valorizar a experiência, colocando a prática antes da teoria: "As grandes personalidades não se formam com o que ouve ou se diz, mas através do trabalho e da atividade. Em consequência, o melhor método de educação é sempre aquele em que se exige do aluno a realização da tarefas concretas. Isto se aplica tanto às primeiras tentativas de escrever de uma criança como a uma tese acadêmica (...), a interpretar ou traduzir um texto ou à prática de um esporte", escreveu em Minhas Crenças (1939).

"Se um jovem treinou seus músculos e sua resistência física fazendo ginástica, mais tarde estará preparado para qualquer trabalho físico", argumentou. "Isto é análogo à mente. Não estava enganado quando disse que 'educação é o que sobra quando esquecemos tudo o que aprendemos na escola'."

O desenvolvimento da individualidade era visto por ele como um valor necessário à coletividade: "Deveriam se cultivar no indivíduo as qualidades para o bem comum. Isto não significa que ele se converta num simples instrumento da coletividade como uma abelha. O objetivo é formar indivíduos que atuem com independência e considerem como interesse vital o serviço à comunidade."

Na sua opinião, a fama e o dinheiro não podem ser as únicas medidas do sucesso na vida: "Temos de nos prevenir contra quem apresenta aos jovens o êxito como objetivo de vida. O valor de um homem deveria ser julgado em função do que ele dá e não do que recebe. A tarefa decisiva da educação é despertar estas forças psicológicas no jovem."