Em mais uma derrota humilhante para o primeiro-ministro Boris Johnson, por 329 a 300, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou há pouco um projeto para proibir a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo e pediu uma prorrogação de três meses além da atual data prevista para a Brexit (saída britânica), 31 de outubro.
Na segunda votação, o projeto recebeu 327 a 199 votos. Agora, segue para a Câmara dos Lordes, onde aliados do governo apresentaram mais de 100 emendas para atrasar a tramitação da proposta, que Johnson chamou de "lei da rendição".
O primeiro-ministro alegou que precisa da opção de uma saída sem acordo para pressionar a UE a fazer mais concessões e revelou a intenção de convocar eleições gerais para 15 de outubro. Se vencer, poderá levar adiante seu plano de deixar o bloco europeu sem acordo. O Conselho Europeu, formado pelos líderes dos países da UE, examina a questão em 17 de outubro.
Para convocar eleições, Johnson precisa do apoio de dois terços da Câmara, que não tem. O Partido Liberal-Democrata, maior defensor da permanência na UE, não vai apoiar a antecipação das eleições, que o primeiro-ministro vai apresentar como um duelo entre o povo e o Parlamento Britânico.
O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda favorito para vencer as eleições, negou estar boicotando as negociações com a UE "porque não há negociações" em andamento. A UE se nega a renegociar o acordo feito com a ex-primeira-ministra Theresa May, rejeitado três vezes na Câmara dos Comuns.
Corbyn acusou Johnson de liderar "um governo sem mandato, sem planos e sem maioria" no Parlamento. Depois da derrota de ontem, quando a Câmara assumiu o controle da agenda legislativa, o primeiro-ministro expulsou 21 membros do Partido Conservador.
Sua aposta é mobilizar o eleitorado a favor da saída da UE. Com este objetivo, divide ainda mais o partido, abandonando a proposta de um conservadorismo inclusivo e aberto a todos para criar um partido sectário de ultradireita, e rachou o país.
Se o Reino Unido deixar a UE, a Escócia, onde 62% votaram para ficar, deve convocar um novo plebiscito sobre a independência para deixar o país e ficar no bloco europeu.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2019
terça-feira, 23 de julho de 2019
Comédia de erros levou bufão Boris Johnson ao poder no Reino Unido
A vitória de Boris Johnson na disputa pela liderança do Partido Conservador é mais uma desgraça para o Reino Unido. Ele promete tirar o país da União Europeia em 31 de outubro, com ou sem acordo. Sem acordo, será um desastre.
Nesta quarta-feira, o bobo da corte vai ao Palácio de Buckingham e deve ser encarregado pela rainha Elizabeth II de formar o próximo governo do Reino Unido. Pode ser o fim do país na sua forma atual, que existe desde 1922, quando a República da Irlanda se tornou independente.
Se o Reino Unido sair mesmo da União Europeia, a Escócia deve convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à Europa.
Depois de uma longa agonia que vem desde que o eleitorado votou por 52% a 48% a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, em 23 de junho de 2016, Johnson foi eleito líder do Partido Conservador para concluir o divórcio com a Europa. O resultado foi anunciado hoje.
O problema é que Boris Johnson é um palhaço e um bufão conhecido como desonesto, mentiroso, preguiçoso e racista. Seu único objetivo na vida é sua própria fama e fortuna. Nem um verdadeiro eurocético ele é.
Antes da campanha para o referendo, Johnson escreveu um texto a favor da permanência na União Europeia e outro a favor da saída. Como grande oportunista, na última hora, decidiu apoiar a saída na esperança de realizar seu maior sonho: virar primeiro-ministro do Reino Unido. Meu comentário:
Nesta quarta-feira, o bobo da corte vai ao Palácio de Buckingham e deve ser encarregado pela rainha Elizabeth II de formar o próximo governo do Reino Unido. Pode ser o fim do país na sua forma atual, que existe desde 1922, quando a República da Irlanda se tornou independente.
Se o Reino Unido sair mesmo da União Europeia, a Escócia deve convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à Europa.
Depois de uma longa agonia que vem desde que o eleitorado votou por 52% a 48% a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, em 23 de junho de 2016, Johnson foi eleito líder do Partido Conservador para concluir o divórcio com a Europa. O resultado foi anunciado hoje.
O problema é que Boris Johnson é um palhaço e um bufão conhecido como desonesto, mentiroso, preguiçoso e racista. Seu único objetivo na vida é sua própria fama e fortuna. Nem um verdadeiro eurocético ele é.
Antes da campanha para o referendo, Johnson escreveu um texto a favor da permanência na União Europeia e outro a favor da saída. Como grande oportunista, na última hora, decidiu apoiar a saída na esperança de realizar seu maior sonho: virar primeiro-ministro do Reino Unido. Meu comentário:
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Theresa May cai sob pressão do Partido Conservador
Sem apoio no Parlamento Britânico para aprovar o acordo que negociou para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), sob pressão da ala mais extremista do Partido Conservador, a primeira-ministra Theresa May anunciou hoje de manhã que deixa o cargo em 7 de junho.
Segunda mulher a ocupar o cargo, sai como uma das piores governantes da história do país. O favorito para sucedê-la na liderança do partido e do governo é o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior, Boris Johnson, um grande bufão da política britânica.
Por três vezes, a Câmara dos Comuns rejeitou o acordo fechado em novembro do ano passado por May com os outros 27 países-membros da UE. Também não houve maioria parlamentar para nenhuma das propostas alternativas, deixando o país no limbo. A saída da UE foi adiada duas vezes, até 31 de outubro.
Theresa May chorou ao se despedir diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico em 10 Downing Street. Ela era contra a saída da UE, aprovada em plebiscito por 52% a 48% em 23 de junho de 2016.
A primeira-ministra venceu os eurocéticos quando o primeiro-ministro derrotado, David Cameron, pediu demissão, por causa de uma regra não escrita da política britânica: quem mata o rei (ou a rainha) não ascende ao trono.
Johnson e outro ministro eurocético importante, Michael Gove, não tiveram o apoio do partido para substituir Cameron. Foram vistos como traidores.
May se tornou a segunda mulher eleita primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher (1979-90), numa votação interna pela liderança conservadora, sem vencer eleições gerais. Na expectativa de ganhar força para negociar a saída da UE, convocou eleições antecipadas para 8 de junho de 2017 e perdeu a maioria absoluta que o Partido Conservador tinha na Câmara dos Comuns.
A maior parte de seus quase três anos de governo foi consumida na tentativa frustrada de tirar o Reino Unido da UE. Menos de uma semana depois das eleições, houve ainda uma tragédia: o incêndio na Torre Grenfell, em Londres, um edifício de habitação popular onde 72 pessoas morreram, em 14 de junho de 2017.
No fim de dois anos de negociações, em novembro de 2018, o governo May fechou um acordo com a UE que estabelecia uma série de obrigações para o Reino Unido até 2065, como o pagamento de pensões a ex-funcionários. Os eurocéticos nunca aceitaram este acordo, nem a oposição trabalhista. Por mais que May tenha insistido, o acordo nunca teve chance de ser aprovado no Palácio de Westminster.
Depois de agradecer "com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", May apontou como sucessos de seu governo a redução do déficit público e do desemprego, e o aumento dos gastos com saúde mental. Mas admitiu que "é e sempre será matéria para profundo pesar não ter sido capaz de fazer a Brexit", a saída britânica da UE.
Sua última cartada foi "um novo acordo para a Brexit" de dez pontos anunciado na terça-feira. Enfureceu a bancada conservadora ao sugerir a realização de um referendo para aprovação do divórcio com a UE que permitiria superar a falta de consenso na Câmara dos Comuns.
Uma segunda consulta popular seria a saída mais democrática para resolver o impasse no Parlamento Britânico. Conta com o apoio da maioria da oposição trabalhista, embora seu líder, Jeremy Corbyn, hesite. Mas os deputados conservadores antieuropeus temem a anulação do resultado do plebiscito de 2016 e a manutenção do país na UE.
Corbyn parece mais interessado em eleições gerais antecipadas, em que seria o favorito para chefiar o futuro governo, do que numa segunda consulta popular para ficar na Europa. Mas os conservadores, que têm maioria na Câmara, não vão correr o risco de antecipar eleições em que seriam trucidados.
Nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem, a expectativa é de uma queda dos conservadores abaixo de 10%, enquanto o Partido de Brexit, do antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deve ganhar com mais de 30%, enquanto os trabalhistas ficam com 18% e os liberais-democratas com 16%, se as pesquisas estiverem corretas.
Até 31 de julho, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro escolhido sem o aval de eleições gerais. Ele será escolhido em 7 de julho, na disputa pela liderança do Partido Conservador. Sua principal tarefa será resolver a questão europeia, mas nada vai mudar além da chefia de governo.
Por ironia da história, May herdou a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa da primeira primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a principal líder do partido desde Winston Churchill.
Cameron convocou o plebiscito para pacificar o partido e acabou dividindo o país. Se o Reino Unido sair da UE, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência, acabando com uma união que vem desde 1707.
Além de Johnson, há 23 candidatos à liderança do partido e do governo, entre eles o atual ministro do Exterior, Jeremy Hunt, e os deputados Graham Brady e Steve Barker. Como os conservadores estão decididos a eleger um líder a favor de deixar a UE, aumenta o risco de uma "saída dura", sem acordo com os sócios europeus, que poderia ser catastrófica para a economia britânica.
De acordo com estudo do Banco da Inglaterra, sem acordo com a UE, um mercado responsável pela metade do comércio exterior britânico, a economia do Reino Unido pode encolher mais de 10% em cinco anos.
A tendência é de radicalização: ou haverá uma saída dura ou não haverá saída alguma, previu o jornalista Jonathan Freedland, do jornal The Guardian.
Segunda mulher a ocupar o cargo, sai como uma das piores governantes da história do país. O favorito para sucedê-la na liderança do partido e do governo é o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior, Boris Johnson, um grande bufão da política britânica.
Por três vezes, a Câmara dos Comuns rejeitou o acordo fechado em novembro do ano passado por May com os outros 27 países-membros da UE. Também não houve maioria parlamentar para nenhuma das propostas alternativas, deixando o país no limbo. A saída da UE foi adiada duas vezes, até 31 de outubro.
Theresa May chorou ao se despedir diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico em 10 Downing Street. Ela era contra a saída da UE, aprovada em plebiscito por 52% a 48% em 23 de junho de 2016.
A primeira-ministra venceu os eurocéticos quando o primeiro-ministro derrotado, David Cameron, pediu demissão, por causa de uma regra não escrita da política britânica: quem mata o rei (ou a rainha) não ascende ao trono.
Johnson e outro ministro eurocético importante, Michael Gove, não tiveram o apoio do partido para substituir Cameron. Foram vistos como traidores.
May se tornou a segunda mulher eleita primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher (1979-90), numa votação interna pela liderança conservadora, sem vencer eleições gerais. Na expectativa de ganhar força para negociar a saída da UE, convocou eleições antecipadas para 8 de junho de 2017 e perdeu a maioria absoluta que o Partido Conservador tinha na Câmara dos Comuns.
A maior parte de seus quase três anos de governo foi consumida na tentativa frustrada de tirar o Reino Unido da UE. Menos de uma semana depois das eleições, houve ainda uma tragédia: o incêndio na Torre Grenfell, em Londres, um edifício de habitação popular onde 72 pessoas morreram, em 14 de junho de 2017.
No fim de dois anos de negociações, em novembro de 2018, o governo May fechou um acordo com a UE que estabelecia uma série de obrigações para o Reino Unido até 2065, como o pagamento de pensões a ex-funcionários. Os eurocéticos nunca aceitaram este acordo, nem a oposição trabalhista. Por mais que May tenha insistido, o acordo nunca teve chance de ser aprovado no Palácio de Westminster.
Depois de agradecer "com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", May apontou como sucessos de seu governo a redução do déficit público e do desemprego, e o aumento dos gastos com saúde mental. Mas admitiu que "é e sempre será matéria para profundo pesar não ter sido capaz de fazer a Brexit", a saída britânica da UE.
Sua última cartada foi "um novo acordo para a Brexit" de dez pontos anunciado na terça-feira. Enfureceu a bancada conservadora ao sugerir a realização de um referendo para aprovação do divórcio com a UE que permitiria superar a falta de consenso na Câmara dos Comuns.
Uma segunda consulta popular seria a saída mais democrática para resolver o impasse no Parlamento Britânico. Conta com o apoio da maioria da oposição trabalhista, embora seu líder, Jeremy Corbyn, hesite. Mas os deputados conservadores antieuropeus temem a anulação do resultado do plebiscito de 2016 e a manutenção do país na UE.
Corbyn parece mais interessado em eleições gerais antecipadas, em que seria o favorito para chefiar o futuro governo, do que numa segunda consulta popular para ficar na Europa. Mas os conservadores, que têm maioria na Câmara, não vão correr o risco de antecipar eleições em que seriam trucidados.
Nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem, a expectativa é de uma queda dos conservadores abaixo de 10%, enquanto o Partido de Brexit, do antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deve ganhar com mais de 30%, enquanto os trabalhistas ficam com 18% e os liberais-democratas com 16%, se as pesquisas estiverem corretas.
Até 31 de julho, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro escolhido sem o aval de eleições gerais. Ele será escolhido em 7 de julho, na disputa pela liderança do Partido Conservador. Sua principal tarefa será resolver a questão europeia, mas nada vai mudar além da chefia de governo.
Por ironia da história, May herdou a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa da primeira primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a principal líder do partido desde Winston Churchill.
Cameron convocou o plebiscito para pacificar o partido e acabou dividindo o país. Se o Reino Unido sair da UE, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência, acabando com uma união que vem desde 1707.
Além de Johnson, há 23 candidatos à liderança do partido e do governo, entre eles o atual ministro do Exterior, Jeremy Hunt, e os deputados Graham Brady e Steve Barker. Como os conservadores estão decididos a eleger um líder a favor de deixar a UE, aumenta o risco de uma "saída dura", sem acordo com os sócios europeus, que poderia ser catastrófica para a economia britânica.
De acordo com estudo do Banco da Inglaterra, sem acordo com a UE, um mercado responsável pela metade do comércio exterior britânico, a economia do Reino Unido pode encolher mais de 10% em cinco anos.
A tendência é de radicalização: ou haverá uma saída dura ou não haverá saída alguma, previu o jornalista Jonathan Freedland, do jornal The Guardian.
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sábado, 4 de maio de 2019
Conservadores e trabalhistas perdem eleições municipais no Reino Unido
Os dois maiores partidos do Reino Unido perderam vereadores nas eleições municipais de quinta-feira, 2 de maio de 2019, por causa da indefinição quanto à saída do país da União Europeia (UE). Os liberais-democratas e os verdes, a favor de continuar fazendo parte da Europa unida, foram os maiores vencedores.
A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.
Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.
O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.
Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).
Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.
"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.
Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.
Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.
Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.
A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.
Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.
O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.
Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).
Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.
"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.
Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.
Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.
Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
UE amplia prazo para saída do Reino Unido até 31 de outubro
O Conselho Europeu, que reúne os líderes dos países da União Europeia, prorrogou até 31 de outubro de 2019 o prazo para o Reino Unido deixar o bloco. É uma "extensão flexível". A primeira-ministra Theresa May pressiona os deputados do Partido Conservador a aprovar o acordo que negociou com os sócios europeus para o país sair logo, sem realizar eleições para o Parlamento Europeu em maio.
De volta a Londres, May será alvo de novas pressões da ala mais extremista e eurocética do partido para renunciar ao cargo. A ala direitista do partido teme que o Reino Unido não saia da UE ou fique preso às regras do bloco, com que tem a metade de seu comércio exterior.
O único país que resistiu à prorrogação do prazo foi a França. O presidente Emmanuel Macron declarou que a hesitação do Reino Unido prejudica o esforço de "renascimento da Europa".
Para o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, que defendia um prazo de um ano, agora o Reino Unido tem tempo suficiente para aprovar o acordo negociado por May, realizar novas eleições ou "cancelar totalmente a Brexit". Tusk é um dos defensores da permanência do Reino Unido na UE.
O novo prazo também dá uma chance aos defensores de um segundo plebiscito para o eleitorado britânico decidir que tipo de divórcio quer ou até para manter o país na UE. A Brexit fica adiada, talvez até o Dia das Bruxas.
De volta a Londres, May será alvo de novas pressões da ala mais extremista e eurocética do partido para renunciar ao cargo. A ala direitista do partido teme que o Reino Unido não saia da UE ou fique preso às regras do bloco, com que tem a metade de seu comércio exterior.
O único país que resistiu à prorrogação do prazo foi a França. O presidente Emmanuel Macron declarou que a hesitação do Reino Unido prejudica o esforço de "renascimento da Europa".
Para o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, que defendia um prazo de um ano, agora o Reino Unido tem tempo suficiente para aprovar o acordo negociado por May, realizar novas eleições ou "cancelar totalmente a Brexit". Tusk é um dos defensores da permanência do Reino Unido na UE.
O novo prazo também dá uma chance aos defensores de um segundo plebiscito para o eleitorado britânico decidir que tipo de divórcio quer ou até para manter o país na UE. A Brexit fica adiada, talvez até o Dia das Bruxas.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Reino Unido pede adiamento do prazo para sair da UE até 30 de junho
A primeira-ministra conservadora Theresa May pediu hoje uma prorrogação até 30 de junho do prazo para a retirada do Reino Unido da União Europeia (UE) se o Parlamento Britânico não aprovar o acordo de saída até 12 de abril, o prazo atual. O adiamento obrigaria o país a realizar em maio eleições para o Parlamento Europeu.
O pedido indica que May não tem esperança de conseguir aprovação para o acordo concluído em novembro de 2018 com os outros 27 países-membros do bloco europeu. A proposta foi rejeitada três vezes e todas as alternativas foram rejeitadas pela Câmara dos Comuns.
Desde 2 de abril, a primeira-ministra tenta um acordo com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. A manobra não é bem vista pela ala mais extremista e antieuropeia do Partido Conservador. O plebiscito de 23 de junho de 2016 foi convocado pelo então primeiro-ministro, David Cameron, na expectativa de pacificar o partido. Acabou provocando o atual caos na política britânica.
May vai usar a ameaça de eleições europeias e de um adiamento de longo prazo para tentar enquadrar seus radicais.
Ontem, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk sugeriu um adiamento por um ano, um prazo suficientemente longo para o Reino Unido decidir seu futuro. Tusk faz parte do grupo contrário à Brexit (saída britânica). Um prazo tão longo permitiria reverter o processo.
A questão será discutida na próxima reunião de cúpula da UE, em 10 de abril.
O pedido indica que May não tem esperança de conseguir aprovação para o acordo concluído em novembro de 2018 com os outros 27 países-membros do bloco europeu. A proposta foi rejeitada três vezes e todas as alternativas foram rejeitadas pela Câmara dos Comuns.
Desde 2 de abril, a primeira-ministra tenta um acordo com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. A manobra não é bem vista pela ala mais extremista e antieuropeia do Partido Conservador. O plebiscito de 23 de junho de 2016 foi convocado pelo então primeiro-ministro, David Cameron, na expectativa de pacificar o partido. Acabou provocando o atual caos na política britânica.
May vai usar a ameaça de eleições europeias e de um adiamento de longo prazo para tentar enquadrar seus radicais.
Ontem, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk sugeriu um adiamento por um ano, um prazo suficientemente longo para o Reino Unido decidir seu futuro. Tusk faz parte do grupo contrário à Brexit (saída britânica). Um prazo tão longo permitiria reverter o processo.
A questão será discutida na próxima reunião de cúpula da UE, em 10 de abril.
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quinta-feira, 4 de abril de 2019
Parlamento Britânico aprova pedido de adiamento da saída da UE
Por apenas um voto, 313 a 312, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico decidiu ontem pedir uma prorrogação do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia para evitar uma retirada sem acordo, noticiou a televisão pública BBC.
A UE resiste a ampliar o prazo de saída sem que o Parlamento Britânico aprove o acordo do divórcio concluído em novembro de 2018, depois de longas negociações do governo da primeira-ministra Theresa May com os outros 27 sócios da UE.
A proposta apresentada pela deputada trabalhista Yvette Cooper e do conservador Oliver Letwin enfrentou a objeção da ala mais extremista do Partido Conservador e do governo May. Falta agora a aprovação da Câmara dos Lordes.
No primeiro pedido de adiamento, a UE concordou que o novo prazo de saída seria 22 de maio, se a Câmara aprovasse o acordo negociado com May. Caso contrário, a saída terá de ser em 12 de abril, o que praticamente inviabiliza qualquer acordo. Seria uma saída dura, capaz de causar sérios prejuízos a ambas as partes.
Se pedir uma prorrogação além de 22 de maio, o Reino Unido terá de realizar eleições para o Parlamento Europeu, para desespero dos eurocéticos.
A UE resiste a ampliar o prazo de saída sem que o Parlamento Britânico aprove o acordo do divórcio concluído em novembro de 2018, depois de longas negociações do governo da primeira-ministra Theresa May com os outros 27 sócios da UE.
A proposta apresentada pela deputada trabalhista Yvette Cooper e do conservador Oliver Letwin enfrentou a objeção da ala mais extremista do Partido Conservador e do governo May. Falta agora a aprovação da Câmara dos Lordes.
No primeiro pedido de adiamento, a UE concordou que o novo prazo de saída seria 22 de maio, se a Câmara aprovasse o acordo negociado com May. Caso contrário, a saída terá de ser em 12 de abril, o que praticamente inviabiliza qualquer acordo. Seria uma saída dura, capaz de causar sérios prejuízos a ambas as partes.
Se pedir uma prorrogação além de 22 de maio, o Reino Unido terá de realizar eleições para o Parlamento Europeu, para desespero dos eurocéticos.
sexta-feira, 29 de março de 2019
Parlamento Britânico rejeita acordo com a UE pela terceira vez
Por 344 a 286 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou pela terceira vez o acordo fechado em novembro de 2018 pela primeira-ministra Theresa May com os outros 27 países da União Europeia.
O líder da oposição, o deputado trabalhista Jeremy Corbyn, pediu a renúncia imediata do governo conservador e a convocação de eleições antecipadas nas quais seria o favorito.
Hoje era o dia em que o Reino Unido deveria sair da UE, de acordo com o pedido original. Sem acordo, o novo prazo dado pelos sócios europeus é 12 de abril. Nos últimos dias, a Câmara rejeitou oito propostas alternativas, jogando o país em sua pior crise política desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
No fim de semana passado, um milhão de pessoas marcharam pelo centro de Londres para exigir a realização de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica). Seria desastroso para o Partido Conservador, que talvez se dividisse definitivamente.
May tenta o impossível: manter a unidade do partido, o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e o acordo com a UE. Ela ofereceu sua renúncia para tentar convencer a ala mais extremista e eurocética do partido, sem sucesso.
A consulta popular foi convocada pelo então primeiro-ministro David Cameron numa tentativa de pacificar de uma vez por todas o Partido Conservador e acabar com a guerra civil interna em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em novembro de 1990. Com a vitória da Brexit, ele pediu demissão e jogou o país no caos.
O líder da oposição, o deputado trabalhista Jeremy Corbyn, pediu a renúncia imediata do governo conservador e a convocação de eleições antecipadas nas quais seria o favorito.
Hoje era o dia em que o Reino Unido deveria sair da UE, de acordo com o pedido original. Sem acordo, o novo prazo dado pelos sócios europeus é 12 de abril. Nos últimos dias, a Câmara rejeitou oito propostas alternativas, jogando o país em sua pior crise política desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
No fim de semana passado, um milhão de pessoas marcharam pelo centro de Londres para exigir a realização de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica). Seria desastroso para o Partido Conservador, que talvez se dividisse definitivamente.
May tenta o impossível: manter a unidade do partido, o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e o acordo com a UE. Ela ofereceu sua renúncia para tentar convencer a ala mais extremista e eurocética do partido, sem sucesso.
A consulta popular foi convocada pelo então primeiro-ministro David Cameron numa tentativa de pacificar de uma vez por todas o Partido Conservador e acabar com a guerra civil interna em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em novembro de 1990. Com a vitória da Brexit, ele pediu demissão e jogou o país no caos.
quarta-feira, 27 de março de 2019
Parlamento Britânico rejeita todas propostas para saída da UE
A Câmara dos Comuns derrotou hoje todas as opções para a saída do Reino Unido da União Europeia, inclusive o recuo e a manutenção do país no bloco europeu, noticiou o jornal The Guardian. Mais uma vez, fica evidente que não há maioria para nada relativo à Brexit no Parlamento Britânico. Só uma nova consulta popular pode dar um rumo ao país.
Em um último gesto de desespero, a primeira-ministra Theresa May ofereceu sua renúncia para tentar convencer o Partido Conservador a aceitar sua proposta, mas o presidente da Câmara, deputado John Bercow, reiterou que não vai permitir uma terceira votação do acordo negociado por May com a UE se não houver mudanças significativas.
Além das restrições de Bercow, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, é contra o acordo de May. Alega que vai dividir o Reino Unido. Todas as propostas alternativas foram repelidas.
No resultado mais apertado, por 272 a 264 votos, os comuns rejeitaram uma proposta do veterano deputado e ex-ministro das Finanças conservador Kenneth Clarke, um europeísta, para que haja "uma união aduaneira ampla e permanente com a UE" em qualquer acordo para a saída.
Por 295 a 268, a Câmara votou contra uma proposta da ex-ministra do Exterior trabalhista Margaret Beckett pela convocação de um referendo para o eleitorado dar a aprovação final a qualquer acordo. O vice-líder trabalhista, Tom Watson, festejou a derrota alegando que esta posição, de uma segunda consulta popular, vem ganhando força.
O Partido Trabalhista propôs ainda uma união aduaneira e o alinhamento com o mercado único europeu, sugestão vencida por 307 a 237.
A saída sem nenhum acordo com os sócios europeus, defendida pela ala mais extremista e eurocética do Partido Conservador, perdeu por 400 a 160.
Outra opção, a participação britânica na Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e no Espaço Econômico Europeu, uma zona de livre comércio entre a UE e a EFTA sem união aduaneira, teve apenas 65 votos a favor e 377 contra.
O deputado conservador Nick Bowles propôs a saída da UE para honrar o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e a formação de "um novo mercado comum para o século 21". A proposta, chamada de Mercado Comum 2.0, perdeu por 283 a 188. O Reino Unido aceitaria a livre movimentação de trabalhadores de outros países europeus, mas poderia impor restrições unilaterais excepcionalmente.
Se não for possível chegar a um acordo com a UE capaz de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, o deputado Marcus Fysh e outros conservadores são a favor da negociação de um acordo de preferências comerciais com o bloco europeu. Uma ampla maioria foi contra: 422 a 283.
A deputada Joanna Charry, do Partido Nacional Escocês, defendeu a revogação do pedido de saída da UE. Foi derrotada por 293 a 184.
Em um último gesto de desespero, a primeira-ministra Theresa May ofereceu sua renúncia para tentar convencer o Partido Conservador a aceitar sua proposta, mas o presidente da Câmara, deputado John Bercow, reiterou que não vai permitir uma terceira votação do acordo negociado por May com a UE se não houver mudanças significativas.
Além das restrições de Bercow, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, é contra o acordo de May. Alega que vai dividir o Reino Unido. Todas as propostas alternativas foram repelidas.
No resultado mais apertado, por 272 a 264 votos, os comuns rejeitaram uma proposta do veterano deputado e ex-ministro das Finanças conservador Kenneth Clarke, um europeísta, para que haja "uma união aduaneira ampla e permanente com a UE" em qualquer acordo para a saída.
Por 295 a 268, a Câmara votou contra uma proposta da ex-ministra do Exterior trabalhista Margaret Beckett pela convocação de um referendo para o eleitorado dar a aprovação final a qualquer acordo. O vice-líder trabalhista, Tom Watson, festejou a derrota alegando que esta posição, de uma segunda consulta popular, vem ganhando força.
O Partido Trabalhista propôs ainda uma união aduaneira e o alinhamento com o mercado único europeu, sugestão vencida por 307 a 237.
A saída sem nenhum acordo com os sócios europeus, defendida pela ala mais extremista e eurocética do Partido Conservador, perdeu por 400 a 160.
Outra opção, a participação britânica na Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e no Espaço Econômico Europeu, uma zona de livre comércio entre a UE e a EFTA sem união aduaneira, teve apenas 65 votos a favor e 377 contra.
O deputado conservador Nick Bowles propôs a saída da UE para honrar o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e a formação de "um novo mercado comum para o século 21". A proposta, chamada de Mercado Comum 2.0, perdeu por 283 a 188. O Reino Unido aceitaria a livre movimentação de trabalhadores de outros países europeus, mas poderia impor restrições unilaterais excepcionalmente.
Se não for possível chegar a um acordo com a UE capaz de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, o deputado Marcus Fysh e outros conservadores são a favor da negociação de um acordo de preferências comerciais com o bloco europeu. Uma ampla maioria foi contra: 422 a 283.
A deputada Joanna Charry, do Partido Nacional Escocês, defendeu a revogação do pedido de saída da UE. Foi derrotada por 293 a 184.
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May promete pedir demissão para aprovar acordo com a UE
Em reunião da bancada do Partido Conservador, a primeira-ministra britânica , Theresa May, ofereceu sua renúncia para obter a aprovação do acordo negociado com os outros 27 países da União Europeia para a saída do Reino Unido do bloco europeu, noticiou o jornal inglês Financial Times. A ala extremista do partido teria assim controle sobre as futuras negociações comerciais com a UE.
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico assumiu o controle sobre as negociações, em mais uma derrota para o governo, mas a primeira-ministra pretende reapresentar sua proposta para uma terceira votação nas próximas 48 horas.
Enquanto isso, os deputados examinam alternativas como a convocação de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica) e acordos como os da Noruega e do Canadá.
Cerca de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas do centro de Londres no fim de semana para exigir uma nova consulta popular capaz de anular o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016. Um abaixo-assinado recolheu 6 milhões de assinaturas. O Partido Conservador resiste. Seria uma votação capaz de dividir o partido definitivamente.
Depois da segunda derrota do acordo negociado com a UE, May pediu ao bloco europeu um adiamento da saída, inicialmente marcada para 29 de março. A Europa concordou em prorrogar o prazo até 22 de maio, se o acordo for aprovado pelo Parlamento Britânico. Caso contrário, o Reino Unido teria de sair até 12 de abril.
Uma saída sem acordo seria ainda mais desastrosa para a economia britânica. Pelos cálculos do Banco da Inglaterra, o produto interno bruto do país poderia cair mais de 10% em cinco anos.
May também estaria cogitando dividir o acordo em dois e colocar apenas uma parte em votação.
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico assumiu o controle sobre as negociações, em mais uma derrota para o governo, mas a primeira-ministra pretende reapresentar sua proposta para uma terceira votação nas próximas 48 horas.
Enquanto isso, os deputados examinam alternativas como a convocação de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica) e acordos como os da Noruega e do Canadá.
Cerca de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas do centro de Londres no fim de semana para exigir uma nova consulta popular capaz de anular o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016. Um abaixo-assinado recolheu 6 milhões de assinaturas. O Partido Conservador resiste. Seria uma votação capaz de dividir o partido definitivamente.
Depois da segunda derrota do acordo negociado com a UE, May pediu ao bloco europeu um adiamento da saída, inicialmente marcada para 29 de março. A Europa concordou em prorrogar o prazo até 22 de maio, se o acordo for aprovado pelo Parlamento Britânico. Caso contrário, o Reino Unido teria de sair até 12 de abril.
Uma saída sem acordo seria ainda mais desastrosa para a economia britânica. Pelos cálculos do Banco da Inglaterra, o produto interno bruto do país poderia cair mais de 10% em cinco anos.
May também estaria cogitando dividir o acordo em dois e colocar apenas uma parte em votação.
quinta-feira, 21 de março de 2019
UE adia Brexit se Reino Unido aprovar acordo
Os líderes dos outros 27 países da União Europeia estão disposto a aceitar um adiamento de apenas dois meses na saída do país do bloco europeu se o Parlamento Britânico aprovar o acordo negociado com a primeira-ministra Theresa May na próxima semana, noticiou hoje o jornal britânico Financial Times.
A data marcada para a Brexit (saída britânica) é 29 de março. Como a Câmara dos Comuns rejeitou duas vezes o acordo acertado por May com os sócios europeus, a primeira-ministra britânica pediu ontem oficialmente um adiamento até 30 de junho.
O documento preparado pela Comissão Europeia deixa claro que "não há prorrogação possível" além de 22 de maio, se o Reino Unido não quiser realizar eleições para o Parlamento Europeu naquele mês.
"O Conselho Europeu se compromete a aceitar, antes de 29 de março de 2019, uma prorrogação até 22 de maio, desde que o acordo de retirada seja aprovado pela Câmara dos Comuns na próxima semana", diz o projeto de resolução.
Se o acordo não for aprovado, o Reino Unido terá de sair da UE em 12 de abril, neste caso, com uma ruptura total com o bloco europeu, com que tem cerca da metade de seu comércio exterior.
A data marcada para a Brexit (saída britânica) é 29 de março. Como a Câmara dos Comuns rejeitou duas vezes o acordo acertado por May com os sócios europeus, a primeira-ministra britânica pediu ontem oficialmente um adiamento até 30 de junho.
O documento preparado pela Comissão Europeia deixa claro que "não há prorrogação possível" além de 22 de maio, se o Reino Unido não quiser realizar eleições para o Parlamento Europeu naquele mês.
"O Conselho Europeu se compromete a aceitar, antes de 29 de março de 2019, uma prorrogação até 22 de maio, desde que o acordo de retirada seja aprovado pela Câmara dos Comuns na próxima semana", diz o projeto de resolução.
Se o acordo não for aprovado, o Reino Unido terá de sair da UE em 12 de abril, neste caso, com uma ruptura total com o bloco europeu, com que tem cerca da metade de seu comércio exterior.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Reino Unido pede adiamento da saída da UE por três meses
A primeira-ministra Theresa May pediu hoje oficialmente o adiamento por três meses da saída do Reino Unido da União Europeia para que ocorra de "maneira ordenada". Acrescentou que não é de interesse do país nem do bloco europeu a participação britânica nas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio.
O Conselho Europeu, formado pelos líderes dos países da UE, começa a discutir o pedido em reunião de cúpula nesta quinta-feira e na sexta-feira. Sua aprovação exige unanimidade.
Como o presidente da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, deputado John Bercow, vetou uma terceira votação sobre o acordo negociado por May com a UE, a expectativa é que o problema não esteja resolvido em três meses. No caso de um adiamento por prazo maior, o Reino Unido teria de realizar eleições para o Parlamento Europeu.
Na carta ao presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, May pediu que a UE confirme as mudanças acertadas na renegociação do acordo para que possa apresentar sua proposta como diferentes das duas anteriores, rejeitadas no Palácio de Westminster. Mas são pequenos detalhes que, na opinião do presidente da Câmara, não representam uma mudança substancial.
May admite que este processo não será concluído até 29 de março, a data inicialmente prevista para a Brexit (saída britânica).
O principal negociador da UE, o ex-ministro francês Michel Barnier, declarou que para aprovar o adiamento o bloco europeu quer um plano claro do que o Reino Unido pretende fazer para resolver o impasse.
A saída da UE terá um forte impacto econômico negativo para o país. Só as empresas financeiras devem transferir US$ 1 trilhão de Londres, hoje o principal centro financeiro da Europa, para o continente.
O Conselho Europeu, formado pelos líderes dos países da UE, começa a discutir o pedido em reunião de cúpula nesta quinta-feira e na sexta-feira. Sua aprovação exige unanimidade.
Como o presidente da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, deputado John Bercow, vetou uma terceira votação sobre o acordo negociado por May com a UE, a expectativa é que o problema não esteja resolvido em três meses. No caso de um adiamento por prazo maior, o Reino Unido teria de realizar eleições para o Parlamento Europeu.
Na carta ao presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, May pediu que a UE confirme as mudanças acertadas na renegociação do acordo para que possa apresentar sua proposta como diferentes das duas anteriores, rejeitadas no Palácio de Westminster. Mas são pequenos detalhes que, na opinião do presidente da Câmara, não representam uma mudança substancial.
May admite que este processo não será concluído até 29 de março, a data inicialmente prevista para a Brexit (saída britânica).
O principal negociador da UE, o ex-ministro francês Michel Barnier, declarou que para aprovar o adiamento o bloco europeu quer um plano claro do que o Reino Unido pretende fazer para resolver o impasse.
A saída da UE terá um forte impacto econômico negativo para o país. Só as empresas financeiras devem transferir US$ 1 trilhão de Londres, hoje o principal centro financeiro da Europa, para o continente.
segunda-feira, 18 de março de 2019
Presidente da Câmara dos Comuns rejeita terceira votação de acordo com UE
Em novo golpe às pretensões da primeira-ministra Theresa May, o presidente da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, deputado John Bercow, declarou hoje que o governo não pode colocar em votação pela terceira vez a mesma proposta de acordo com a União Europeia derrotada duas vezes, noticiou hoje o jornal inglês The Independent.
Bercow citou regras que estariam em vigor desde a Conspiração da Pólvora, em 1605, torpedeando a estratégia da primeira-ministra. Ele alega que a proposta só pode ser apresentada se houver "mudanças substanciais", mas a UE se nega a renegociar o acordo.
May tenta pressionar a ala mais extremista e eurocética do Partido Conservador a aprovar o acordo para evitar um longo adiamento, capaz de enfraquecer a Brexit (saída britânica, do inglês).
Os conservadores eurocéticos ficaram furiosos. Há algum tempo, suspeitam que o presidente da Câmara trabalha para evitar a saída do país da UE. Eles só admitem votar a favor do acordo se a primeira-ministra renunciar à liderança do partido, o que poderia lhes dar a chefia do governo e assim a chance de controlar as negociações sobre as relações futuras com a Europa.
As dificuldades para chegar a uma maioria no Parlamento em torno do acordo de saída deve obrigar o governo britânico a pedir um adiamento da data de saída além de 30 de junho. A data prevista inicialmente era 29 de março.
Na semana passada, a Câmara rejeitou no dia 12 o acordo revisado com a UE. No dia 13, votou contra uma saída dura, sem qualquer acordo com a UE, o que seria um duro golpe na economia. No dia 14, aprovou o adiamento da Brexit.
Nesta quarta-feira, dia 20, Theresa May vai a Bruxelas requerer oficialmente o adiamento. Se a prorrogação do prazo for além de três meses, o Reino Unido terá de participar das eleições para o Parlamento Europeu no fim de maio.
Bercow citou regras que estariam em vigor desde a Conspiração da Pólvora, em 1605, torpedeando a estratégia da primeira-ministra. Ele alega que a proposta só pode ser apresentada se houver "mudanças substanciais", mas a UE se nega a renegociar o acordo.
May tenta pressionar a ala mais extremista e eurocética do Partido Conservador a aprovar o acordo para evitar um longo adiamento, capaz de enfraquecer a Brexit (saída britânica, do inglês).
Os conservadores eurocéticos ficaram furiosos. Há algum tempo, suspeitam que o presidente da Câmara trabalha para evitar a saída do país da UE. Eles só admitem votar a favor do acordo se a primeira-ministra renunciar à liderança do partido, o que poderia lhes dar a chefia do governo e assim a chance de controlar as negociações sobre as relações futuras com a Europa.
As dificuldades para chegar a uma maioria no Parlamento em torno do acordo de saída deve obrigar o governo britânico a pedir um adiamento da data de saída além de 30 de junho. A data prevista inicialmente era 29 de março.
Na semana passada, a Câmara rejeitou no dia 12 o acordo revisado com a UE. No dia 13, votou contra uma saída dura, sem qualquer acordo com a UE, o que seria um duro golpe na economia. No dia 14, aprovou o adiamento da Brexit.
Nesta quarta-feira, dia 20, Theresa May vai a Bruxelas requerer oficialmente o adiamento. Se a prorrogação do prazo for além de três meses, o Reino Unido terá de participar das eleições para o Parlamento Europeu no fim de maio.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Parlamento Britânico veta saída da UE sem acordo
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico vota nesta quinta-feira um adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março. Hoje, em novo capítulo do drama, por 312 a 308, os deputados rejeitaram uma saída dura, sem acordo com os outros 27 países-membros do bloco europeu, em qualquer circunstância.
Se a ruptura total defendida pela ala mais à direita e antieuropeia do Partido Conservador está descartada, sem acordo, não haverá Brexit. A saída da UE está prorrogada indefinidamente, dependendo da concordância dos outros 27, insatisfeitos com a hesitação britânica e a incerteza que provoca em toda a Europa.
O Parlamento Britânico não consegue formar uma maioria para aprovar qualquer projeto de saída da UE. A melhor saída seria uma nova consulta popular para o eleitorado decidir se aprova o acordo negociado com a UE ou anula o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.
Quando votaram para sair da UE, os eleitores ouviram promessas que não se materializaram, como um grande aumento do orçamento para o Serviço Nacional de Saúde (NHS) e acordos comerciais livres de amarras o resto do mundo.
A economia britânica era das mais que cresciam entre os países ricos. Hoje está perto da estagnação. Então, a saída mais democrática seria submeter o acordo final do divórcio da Europa a um referendo.
Totalmente dividido, o Partido Conservador, que realizou o plebiscito, não admite convocar uma segunda consulta popular. Na oposição, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou semanas atrás apoio a um novo plebiscito. Mas sua relação com a Europa é ambígua.
Como esquerdista radical, Corbyn sempre considerou a UE um clube capitalista. Na campanha para o plebiscito de 2016, ele não alinhou claramente os trabalhistas aos defensores de ficar na UE. O partido se dividiu e várias regiões industriais decadentes que historicamente apoiam o Partido Trabalhista votaram para sair do bloco europeu.
Depois da segunda derrota do acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com a UE, o líder da oposição está mais interessado na queda do governo e na antecipação das eleições. No momento, Corbyn e os trabalhistas são favoritos.
A ala mais extremista do Partido Conservador tentou derrubar May com um desafio à sua liderança. Perdeu, mas está em revolta permanente contra o governo para defender a saída a qualquer preço. O risco de divisão do partido que mais tempo ficou no poder na democracia no mundo inteiro é enorme. Se não houver Brexit (do inglês, saída britânica), a ruptura será inevitável.
Depois de uma derrota 391 a 242 em 12 de março, May pretende reapresentar seu acordo com a UE pela terceira vez para votação pelos deputados. Tenta pressionar os extremistas do partido a aderir. O adiamento sem prazo traz o risco de que a saída não aconteça.
Se a ruptura total defendida pela ala mais à direita e antieuropeia do Partido Conservador está descartada, sem acordo, não haverá Brexit. A saída da UE está prorrogada indefinidamente, dependendo da concordância dos outros 27, insatisfeitos com a hesitação britânica e a incerteza que provoca em toda a Europa.
O Parlamento Britânico não consegue formar uma maioria para aprovar qualquer projeto de saída da UE. A melhor saída seria uma nova consulta popular para o eleitorado decidir se aprova o acordo negociado com a UE ou anula o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.
Quando votaram para sair da UE, os eleitores ouviram promessas que não se materializaram, como um grande aumento do orçamento para o Serviço Nacional de Saúde (NHS) e acordos comerciais livres de amarras o resto do mundo.
A economia britânica era das mais que cresciam entre os países ricos. Hoje está perto da estagnação. Então, a saída mais democrática seria submeter o acordo final do divórcio da Europa a um referendo.
Totalmente dividido, o Partido Conservador, que realizou o plebiscito, não admite convocar uma segunda consulta popular. Na oposição, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou semanas atrás apoio a um novo plebiscito. Mas sua relação com a Europa é ambígua.
Como esquerdista radical, Corbyn sempre considerou a UE um clube capitalista. Na campanha para o plebiscito de 2016, ele não alinhou claramente os trabalhistas aos defensores de ficar na UE. O partido se dividiu e várias regiões industriais decadentes que historicamente apoiam o Partido Trabalhista votaram para sair do bloco europeu.
Depois da segunda derrota do acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com a UE, o líder da oposição está mais interessado na queda do governo e na antecipação das eleições. No momento, Corbyn e os trabalhistas são favoritos.
A ala mais extremista do Partido Conservador tentou derrubar May com um desafio à sua liderança. Perdeu, mas está em revolta permanente contra o governo para defender a saída a qualquer preço. O risco de divisão do partido que mais tempo ficou no poder na democracia no mundo inteiro é enorme. Se não houver Brexit (do inglês, saída britânica), a ruptura será inevitável.
Depois de uma derrota 391 a 242 em 12 de março, May pretende reapresentar seu acordo com a UE pela terceira vez para votação pelos deputados. Tenta pressionar os extremistas do partido a aderir. O adiamento sem prazo traz o risco de que a saída não aconteça.
terça-feira, 12 de março de 2019
Parlamento Britânico rejeita de novo acordo para sair da UE
Por 391a 242 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou hoje pela segunda vez o acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com os outros 27 países-membros da União para a saída do Reino Unido.
Com apenas 17 dias até a data marcada para a Brexit, os deputados votam amanhã para decidir se aceitam uma retirada sem qualquer acordo. Se a saída dura for rejeitada, na quinta-feira, a Câmara vota um possível adiamento.
Outra opção é a realização de um segundo plebiscito, com a possibilidade de anular a decisão anterior e manter o país no bloco europeu, defendida pela oposição trabalhista. Seria o fim do Partido Conservador, que se vangloria de ter o partido que ficou mais tempo no poder na história da democracia. Mas o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, gostaria mesmo é de eleições antecipadas, nas quais seria o favorito.
A primeira-ministra ainda fez um apelo final: "Esta noite os deputados enfrentam uma decisão muito clara: ou apoiam o acordo e o Reino Unido abandona a UE sem acordo, ou se arriscam a uma saída sem acordo ou que não haja nenhuma Brexit."
O argumento surrado, repetido há meses por May, diminuiu a derrota, mas não foi capaz de evitá-la. Em janeiro, May perdera por 230 votos. Agora, foram 149.
Na análise do jornal britânico Financial Times, o maior diário econômico-financeiro da Europa, "Theresa May perdeu o controle sobre a Brexit". Cerca de 75 deputados conservadores votaram com a oposição para derrubar sua proposta. Alguns eurocéticos mudaram o voto a foram a favor da proposta por medo de que o adiamento acabe com a Brexit.
Depois dos últimos contatos com a UE, ela afirmou ter conseguido garantias legais para evitar que a salvaguarda para não reinstalar uma fronteira dura entre a Irlanda e a Irlanda do Norte comprometesse o país indefinidamente com uma união aduaneira com o bloco europeu.
Horas depois, o advogado-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, derrubou a promessa de May: "Os riscos legais não mudaram nada."
Diante do parecer jurídico, os cerca de 100 deputados eurocéticos liderados pelo ultraconservador Jacob Rees Mogg decidiram votar contra a primeira-ministra mais uma vez. Este é o grupo que defende uma ruptura total com a UE, numa ressaca imperial megalomaníaca que ignora a perda de importância política e econômica que isto acarretará.
Basta ver as exigências apresentadas pelo representante comercial dos Estados Unidos para futuras negociações com o Reino Unido para entender que, isolado, o país terá o poder de barganha do tamanho de sua desimportância internacional.
Em Bruxelas, um porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou: "Não há mais nada que possamos fazer." A Presidência da França reafirmou que um adiamento terá de ser aprovado por unanimidade pelos outros 27 países da EU e será "totalmente inaceitável sem uma estratégia alternativa confiável de parte do Reino Unido."
Com apenas 17 dias até a data marcada para a Brexit, os deputados votam amanhã para decidir se aceitam uma retirada sem qualquer acordo. Se a saída dura for rejeitada, na quinta-feira, a Câmara vota um possível adiamento.
Outra opção é a realização de um segundo plebiscito, com a possibilidade de anular a decisão anterior e manter o país no bloco europeu, defendida pela oposição trabalhista. Seria o fim do Partido Conservador, que se vangloria de ter o partido que ficou mais tempo no poder na história da democracia. Mas o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, gostaria mesmo é de eleições antecipadas, nas quais seria o favorito.
A primeira-ministra ainda fez um apelo final: "Esta noite os deputados enfrentam uma decisão muito clara: ou apoiam o acordo e o Reino Unido abandona a UE sem acordo, ou se arriscam a uma saída sem acordo ou que não haja nenhuma Brexit."
O argumento surrado, repetido há meses por May, diminuiu a derrota, mas não foi capaz de evitá-la. Em janeiro, May perdera por 230 votos. Agora, foram 149.
Na análise do jornal britânico Financial Times, o maior diário econômico-financeiro da Europa, "Theresa May perdeu o controle sobre a Brexit". Cerca de 75 deputados conservadores votaram com a oposição para derrubar sua proposta. Alguns eurocéticos mudaram o voto a foram a favor da proposta por medo de que o adiamento acabe com a Brexit.
Depois dos últimos contatos com a UE, ela afirmou ter conseguido garantias legais para evitar que a salvaguarda para não reinstalar uma fronteira dura entre a Irlanda e a Irlanda do Norte comprometesse o país indefinidamente com uma união aduaneira com o bloco europeu.
Horas depois, o advogado-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, derrubou a promessa de May: "Os riscos legais não mudaram nada."
Diante do parecer jurídico, os cerca de 100 deputados eurocéticos liderados pelo ultraconservador Jacob Rees Mogg decidiram votar contra a primeira-ministra mais uma vez. Este é o grupo que defende uma ruptura total com a UE, numa ressaca imperial megalomaníaca que ignora a perda de importância política e econômica que isto acarretará.
Basta ver as exigências apresentadas pelo representante comercial dos Estados Unidos para futuras negociações com o Reino Unido para entender que, isolado, o país terá o poder de barganha do tamanho de sua desimportância internacional.
Em Bruxelas, um porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou: "Não há mais nada que possamos fazer." A Presidência da França reafirmou que um adiamento terá de ser aprovado por unanimidade pelos outros 27 países da EU e será "totalmente inaceitável sem uma estratégia alternativa confiável de parte do Reino Unido."
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Alemanha concorda com adiamento da saída do Reino Unido da UE
A Alemanha aceita o adiamento da saída britânica (Brexit) da União Europeia, se o Reino Unido pedir, anunciou hoje a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel. O presidente Emmanuel Macron declarou anteriormente que só vai concordar se houve um "objetivo claro".
Diante do impasse na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sobre os termos do divórcio da UE, é provável que o Reino Unido não deixe o bloco europeu na data prevista, o próximo dia 29 de março. Os outros 27 países-membros devem aceitar a prorrogação do prazo, mas exigir do governo britânico um plano sobre o que pretende fazer com o tempo extra.
O tempo pode ser usado para renegociar o acordo rejeitado pelo Parlamento Britânico, a negociação de um novo acordo, a realização de eleições ou de um segundo plebiscito sobre a Brexit.
Ontem, a primeira-ministra Theresa May revelou que a Câmara dos Comuns deverá votar sobre a extensão do prazo ou uma saída sem acordo com os sócios europeus se não houver um novo acordo até 12 de março.
Nesta semana, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, anunciou que o Partido Trabalhista passou a defender uma segunda consulta popular para romper o impasse.
Diante do impasse na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sobre os termos do divórcio da UE, é provável que o Reino Unido não deixe o bloco europeu na data prevista, o próximo dia 29 de março. Os outros 27 países-membros devem aceitar a prorrogação do prazo, mas exigir do governo britânico um plano sobre o que pretende fazer com o tempo extra.
O tempo pode ser usado para renegociar o acordo rejeitado pelo Parlamento Britânico, a negociação de um novo acordo, a realização de eleições ou de um segundo plebiscito sobre a Brexit.
Ontem, a primeira-ministra Theresa May revelou que a Câmara dos Comuns deverá votar sobre a extensão do prazo ou uma saída sem acordo com os sócios europeus se não houver um novo acordo até 12 de março.
Nesta semana, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, anunciou que o Partido Trabalhista passou a defender uma segunda consulta popular para romper o impasse.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Partido Trabalhista apoia segundo plebiscito sobre saída britânica da UE
Em uma mudança de posição depois que vários deputados abandonaram o partido, o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou hoje o apoio à realização de uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março, "para evitar uma Brexit conservadora", noticiou o jornal Financial Times.
Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, um plebiscito aprovou a Brexit (saída britânica), mas o eleitorado não sabia quais seriam os termos do divórcio. Como a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou o acordo negociado pela atual primeira-ministra, Theresa May, com os outros 27 países da UE, há uma crise potencialmente devastadora para a economia do país.
Vários membros do governo paralelo da oposição temem uma reação negativa do eleitorado do Partido Trabalhista que votou pela saída, especialmente em regiões desindustrializadas do Norte da Inglaterra.
É difícil que a proposta de um segundo plebiscito seja aprovada na Câmara dos Comuns, onde o governo May tem uma pequena maioria. O argumento a favor é que os eleitores não sabiam em que estavam votando e foram enganados por uma campanha de mentiras e notícias falsas dos eurocéticos.
A primeira ministra marcou para 12 de março uma nova votação no Parlamento. Se o acordo negociado com a UE for rejeitado mais uma vez, como tudo indica, as alternativas seriam uma "saída dura", sem qualquer acordo, ou um adiamento.
May alega que um adiamento não mudaria nada substancialmente, só daria mais tempo, mas a UE não está disposta a renegociar o que foi acertado.
Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, um plebiscito aprovou a Brexit (saída britânica), mas o eleitorado não sabia quais seriam os termos do divórcio. Como a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou o acordo negociado pela atual primeira-ministra, Theresa May, com os outros 27 países da UE, há uma crise potencialmente devastadora para a economia do país.
Vários membros do governo paralelo da oposição temem uma reação negativa do eleitorado do Partido Trabalhista que votou pela saída, especialmente em regiões desindustrializadas do Norte da Inglaterra.
É difícil que a proposta de um segundo plebiscito seja aprovada na Câmara dos Comuns, onde o governo May tem uma pequena maioria. O argumento a favor é que os eleitores não sabiam em que estavam votando e foram enganados por uma campanha de mentiras e notícias falsas dos eurocéticos.
A primeira ministra marcou para 12 de março uma nova votação no Parlamento. Se o acordo negociado com a UE for rejeitado mais uma vez, como tudo indica, as alternativas seriam uma "saída dura", sem qualquer acordo, ou um adiamento.
May alega que um adiamento não mudaria nada substancialmente, só daria mais tempo, mas a UE não está disposta a renegociar o que foi acertado.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Theresa May sobrevive a voto de desconfiança no Parlamento Britânico
Um dia depois de sofrer uma esmagadora derrota por 230 votos com a rejeição de seu acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra Theresa May conseguiu uma vitória apertada mas suficiente para se manter na chefia do governo.
Por 325 a 306, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico repudiou uma moção de desconfiança apresentada pelo líder da oposição trabalhista, deputado Jeremy Corbyn. May tem agora até segunda-feira para apresentar ao plano alternativo para sair da UE.
Muitos deputados do Partido Conservador que ontem votaram contra o acordo negociado com a UE hoje apoiaram a chefe de governo. Com a divisão do partido em torna da Brexit (saída britânica), os conservadores seriam trucidados nas urnas e o líder do Partido Trabalhista, um radical de esquerda. provavelmente seria eleito primeiro-ministro. Nenhum conservador quer enfrentar as urnas agora.
Nos próximos dias, a primeira-ministra sobrevivente irá consultar os partidos para discutir um acordo capaz de ser aprovado pelo Parlamento. Há uma forte possibilidade de que o prazo de saída, 29 de março, seja prorrogado, mas a UE deixou claro que não fará grandes concessões além do que foi acertado com o governo May e rejeitado pela Câmara dos Comuns.
Com a derrota de sua moção de desconfiança, Corbyn está sob pressão para apoiar um referendo sobre um segundo plebiscito para que o eleitorado resolva o que o Parlamento não consegue decidir, com a possibilidade de rejeição da Brexit e a permanência do Reino Unido na UE.
A ala mais direitista e radical do Partido Conservador não admite esta hipótese, mas é minoria. A maioria da Câmara dos Comuns é contra a chamada saída dura, sem acordo com a UE, que seria catastrófica para a economia do país. Se esta hipótese for descartada, restarão as alternativas de um acordo ou da permanência na UE.
Por 325 a 306, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico repudiou uma moção de desconfiança apresentada pelo líder da oposição trabalhista, deputado Jeremy Corbyn. May tem agora até segunda-feira para apresentar ao plano alternativo para sair da UE.
Muitos deputados do Partido Conservador que ontem votaram contra o acordo negociado com a UE hoje apoiaram a chefe de governo. Com a divisão do partido em torna da Brexit (saída britânica), os conservadores seriam trucidados nas urnas e o líder do Partido Trabalhista, um radical de esquerda. provavelmente seria eleito primeiro-ministro. Nenhum conservador quer enfrentar as urnas agora.
Nos próximos dias, a primeira-ministra sobrevivente irá consultar os partidos para discutir um acordo capaz de ser aprovado pelo Parlamento. Há uma forte possibilidade de que o prazo de saída, 29 de março, seja prorrogado, mas a UE deixou claro que não fará grandes concessões além do que foi acertado com o governo May e rejeitado pela Câmara dos Comuns.
Com a derrota de sua moção de desconfiança, Corbyn está sob pressão para apoiar um referendo sobre um segundo plebiscito para que o eleitorado resolva o que o Parlamento não consegue decidir, com a possibilidade de rejeição da Brexit e a permanência do Reino Unido na UE.
A ala mais direitista e radical do Partido Conservador não admite esta hipótese, mas é minoria. A maioria da Câmara dos Comuns é contra a chamada saída dura, sem acordo com a UE, que seria catastrófica para a economia do país. Se esta hipótese for descartada, restarão as alternativas de um acordo ou da permanência na UE.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Parlamento Britânico rejeita acordo para sair da UE por ampla margem
Por 432 a 202, com 230 votos de diferença, na maior derrota de um governo no Parlamento Britânico, a Câmara dos Comuns rejeitou hoje o acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May para a saída do Reino Unido da União Europeia. Sob ameaça de uma moção de desconfiança da oposição trabalhista, May precisa superar este desafio e apresentar um novo plano de ação até segunda-feira.
Apesar de mais do esperada, a derrota esmagadora joga o Reino Unido numa de suas piores crises pós-Segunda Guerra Mundial. Se a Inglaterra é "navio que Deus na mancha ancorou", como disse o poeta Castro Alves, hoje é um navio sem rumo.
A moção de desconfiança apresentada pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, não deve derrubar o governo. O Partido Conservador está totalmente destroçado pela divisão interna em torno da Brexit (saída britânica). Seria trucidado em eleições antecipadas. Seus deputados não vão cometer suicídio político.
Corbyn está mais interessado em derrubar o governo, na esperança de vencer as próximas eleições e se tornar primeiro-ministro, do que na questão europeia, que vai definir o futuro do país.
O mercado aposta numa prorrogação do prazo prevista para a saída, 29 de março, para abrir espaço para mais negociações. Não está preocupado com a margem da derrota do governo, mas, sim, no futuro. É improvável que a UE faça as concessões necessárias para mudar uma diferença de votos tão grande.
Uma minoria de cerca de 100 deputados da ala mais direitista do Partido Conservador apoia a chamada saída dura, sem acordo com a UE. Seria um pesadelo para o mercado. Geraria uma grande quantidade de ações judiciais e uma ruptura com o mercado comum europeu, que compra quase a metade das exportações britânicas.
O Banco da Inglaterra previu uma queda de 10% no produto interno bruto em cinco anos, em caso de uma saída sem acordo. A recessão seria imediata.
Diante do impasse, talvez a única saída possível seja a convocação de uma nova consulta popular para referendar um acordo ou desistir da Brexit, mantendo o país na UE. Há um movimento popular por uma segunda votação popular. Tende a ganhar força com a indefinição no Parlamento Britânico.
A maioria da Câmara é contra uma saída dura e a maioria do eleitorado e dos deputados trabalhistas são a favor de uma segunda consulta popular. Quando sua moção de desconfiança for derrotada, talvez Corbyn volte à realidade e se dê conta de que a saída ou não da UE é muito mais importante do que sua ambição pessoal de ser primeiro-ministro britânico.
Apesar de mais do esperada, a derrota esmagadora joga o Reino Unido numa de suas piores crises pós-Segunda Guerra Mundial. Se a Inglaterra é "navio que Deus na mancha ancorou", como disse o poeta Castro Alves, hoje é um navio sem rumo.
A moção de desconfiança apresentada pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, não deve derrubar o governo. O Partido Conservador está totalmente destroçado pela divisão interna em torno da Brexit (saída britânica). Seria trucidado em eleições antecipadas. Seus deputados não vão cometer suicídio político.
Corbyn está mais interessado em derrubar o governo, na esperança de vencer as próximas eleições e se tornar primeiro-ministro, do que na questão europeia, que vai definir o futuro do país.
O mercado aposta numa prorrogação do prazo prevista para a saída, 29 de março, para abrir espaço para mais negociações. Não está preocupado com a margem da derrota do governo, mas, sim, no futuro. É improvável que a UE faça as concessões necessárias para mudar uma diferença de votos tão grande.
Uma minoria de cerca de 100 deputados da ala mais direitista do Partido Conservador apoia a chamada saída dura, sem acordo com a UE. Seria um pesadelo para o mercado. Geraria uma grande quantidade de ações judiciais e uma ruptura com o mercado comum europeu, que compra quase a metade das exportações britânicas.
O Banco da Inglaterra previu uma queda de 10% no produto interno bruto em cinco anos, em caso de uma saída sem acordo. A recessão seria imediata.
Diante do impasse, talvez a única saída possível seja a convocação de uma nova consulta popular para referendar um acordo ou desistir da Brexit, mantendo o país na UE. Há um movimento popular por uma segunda votação popular. Tende a ganhar força com a indefinição no Parlamento Britânico.
A maioria da Câmara é contra uma saída dura e a maioria do eleitorado e dos deputados trabalhistas são a favor de uma segunda consulta popular. Quando sua moção de desconfiança for derrotada, talvez Corbyn volte à realidade e se dê conta de que a saída ou não da UE é muito mais importante do que sua ambição pessoal de ser primeiro-ministro britânico.
Parlamento Britânico deve rejeitar hoje acordo para sair da UE
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico vota hoje para decidir se aprova ou não o acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com os outros países da União Europeia para a retirada do Reino Unido em 29 de março. A maior dúvida é sobre o tamanho da derrota a ser sofrida pelo governo britânico.
"O acordo honra o voto no plebiscito ao traduzir a instrução do povo num plano detalhado e prático para construir um futuro melhor para o país", alegou May, numa última tentativa de salvar sua proposta. "Ninguém apresentou uma alternativa melhor."
Entre os pontos controversos, está a manutenção da fronteira aberta entre a Irlanda e a Irlanda do Norte para evitar abalos ao processo de paz na região. Os partidários da saída da UE temem que a união aduaneira mantenha o Reino Unido preso ao sistema regulatório europeu, impedindo o país de assinar acordos comerciais com outros países.
A votação, marcada para hoje às 19 h em Londres (17h em Brasília), deveria ter sido realizada em dezembro. Foi adiada diante da certeza do fracasso.
Uma derrota praticamente certa deixará o país num limbo jurídico e constitucional, sem uma saída fácil para o caos em que se transformou a Brexit, a saída britânica da UE. Deve ser a maior derrota de um governo do Reino Unido no Parlamento Britânico desde a Segunda Guerra Mundial.
Com a alta da libra em relação ao dólar nos últimos dias, o mercado financeiro indicou que espera uma prorrogação do prazo de saída. Na segunda-feira, a moeda britânica subiu pelo quarto dia seguido, fechando em US$ 1,28.
Tanto o acordo negociado por May quanto uma saída dura deve causar sérios prejuízos à economia britânica, que será superada pela Índia em 2019 e cairá para sexta maior do mundo. Só do centro financeiro de Londres, que pretende manter a primazia na Europa, saíram US$ 1 trilhão. Várias empresas transnacionais, como as fabricantes de automóveis japonesas, devem transferir parte da produção para o continente europeu.
Qualquer que seja o resultado, a primeira-ministra deve insistir em sua tarefa de cumprir a decisão tomada pelo eleitorado, por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, de deixar o bloco europeu. O Partido Trabalhista deve propor uma moção de desconfiança, mas é improvável que tenha a maioria necessária para derrubar o governo e provocar novas eleições em que seria favorito.
Uma derrota por margem estreita, de menos de 70 votos, na Câmara dos Comuns, de 650 deputados, pode convencer May a negociar alguns ajustes com a UE e buscar a vitória numa segunda votação. Se perder, ela deve apresentar uma nova estratégia ao Parlamento até a próxima segunda-feira.
Se perder por 70 a 100 votos, o desafio da primeira-ministra será mais complicado. Uma derrota por mais de 100 votos seria o fim do acordo negociado com a UE. Como o Reino Unido não tem uma Constituição escrita, não há regras previstas sobre como agir.
A maioria da Câmara dos Comuns é contra a chamada saída dura, sem qualquer acordo, defendida por cerca de 100 deputados da ala mais à direita do Partido Conservador. Esta opção preocupa as grandes empresas. Acarretaria uma onda de processos e ações judiciais para cobrar compromissos assumidos pelo Reino Unido como membro da UE, prejudicando as relações com o mercado para onde vão cerca de 50% de suas exportações.
Neste caso, uma possibilidade seria uma relação como a da Noruega, que participa do mercado comum sem ser membro do bloco. Outra seria uma segunda consulta popular, um referendo sobre o acordo negociado com a UE, hipótese descartada em princípio pela primeira-ministra, mas defendida cada vez mais por um movimento popular e pela maior parte do Partido Trabalhista, embora o líder da oposição, Jeremy Corbyn, esteja mais interessado em derrubar o governo.
Em discurso na segunda-feira em Stoke-on-Trent, onde 69% votaram a favor da saída, May declarou que a alternativa a seu acordo é permanecer na UE. Outra opção seria prorrogar por alguns meses a data de saída para uma nova chance ao Parlamento Britânico de chegar a um acordo sobre a Brexit.
"O acordo honra o voto no plebiscito ao traduzir a instrução do povo num plano detalhado e prático para construir um futuro melhor para o país", alegou May, numa última tentativa de salvar sua proposta. "Ninguém apresentou uma alternativa melhor."
Entre os pontos controversos, está a manutenção da fronteira aberta entre a Irlanda e a Irlanda do Norte para evitar abalos ao processo de paz na região. Os partidários da saída da UE temem que a união aduaneira mantenha o Reino Unido preso ao sistema regulatório europeu, impedindo o país de assinar acordos comerciais com outros países.
A votação, marcada para hoje às 19 h em Londres (17h em Brasília), deveria ter sido realizada em dezembro. Foi adiada diante da certeza do fracasso.
Uma derrota praticamente certa deixará o país num limbo jurídico e constitucional, sem uma saída fácil para o caos em que se transformou a Brexit, a saída britânica da UE. Deve ser a maior derrota de um governo do Reino Unido no Parlamento Britânico desde a Segunda Guerra Mundial.
Com a alta da libra em relação ao dólar nos últimos dias, o mercado financeiro indicou que espera uma prorrogação do prazo de saída. Na segunda-feira, a moeda britânica subiu pelo quarto dia seguido, fechando em US$ 1,28.
Tanto o acordo negociado por May quanto uma saída dura deve causar sérios prejuízos à economia britânica, que será superada pela Índia em 2019 e cairá para sexta maior do mundo. Só do centro financeiro de Londres, que pretende manter a primazia na Europa, saíram US$ 1 trilhão. Várias empresas transnacionais, como as fabricantes de automóveis japonesas, devem transferir parte da produção para o continente europeu.
Qualquer que seja o resultado, a primeira-ministra deve insistir em sua tarefa de cumprir a decisão tomada pelo eleitorado, por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, de deixar o bloco europeu. O Partido Trabalhista deve propor uma moção de desconfiança, mas é improvável que tenha a maioria necessária para derrubar o governo e provocar novas eleições em que seria favorito.
Uma derrota por margem estreita, de menos de 70 votos, na Câmara dos Comuns, de 650 deputados, pode convencer May a negociar alguns ajustes com a UE e buscar a vitória numa segunda votação. Se perder, ela deve apresentar uma nova estratégia ao Parlamento até a próxima segunda-feira.
Se perder por 70 a 100 votos, o desafio da primeira-ministra será mais complicado. Uma derrota por mais de 100 votos seria o fim do acordo negociado com a UE. Como o Reino Unido não tem uma Constituição escrita, não há regras previstas sobre como agir.
A maioria da Câmara dos Comuns é contra a chamada saída dura, sem qualquer acordo, defendida por cerca de 100 deputados da ala mais à direita do Partido Conservador. Esta opção preocupa as grandes empresas. Acarretaria uma onda de processos e ações judiciais para cobrar compromissos assumidos pelo Reino Unido como membro da UE, prejudicando as relações com o mercado para onde vão cerca de 50% de suas exportações.
Neste caso, uma possibilidade seria uma relação como a da Noruega, que participa do mercado comum sem ser membro do bloco. Outra seria uma segunda consulta popular, um referendo sobre o acordo negociado com a UE, hipótese descartada em princípio pela primeira-ministra, mas defendida cada vez mais por um movimento popular e pela maior parte do Partido Trabalhista, embora o líder da oposição, Jeremy Corbyn, esteja mais interessado em derrubar o governo.
Em discurso na segunda-feira em Stoke-on-Trent, onde 69% votaram a favor da saída, May declarou que a alternativa a seu acordo é permanecer na UE. Outra opção seria prorrogar por alguns meses a data de saída para uma nova chance ao Parlamento Britânico de chegar a um acordo sobre a Brexit.
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