A Câmara dos Comuns derrotou hoje todas as opções para a saída do Reino Unido da União Europeia, inclusive o recuo e a manutenção do país no bloco europeu, noticiou o jornal The Guardian. Mais uma vez, fica evidente que não há maioria para nada relativo à Brexit no Parlamento Britânico. Só uma nova consulta popular pode dar um rumo ao país.
Em um último gesto de desespero, a primeira-ministra Theresa May ofereceu sua renúncia para tentar convencer o Partido Conservador a aceitar sua proposta, mas o presidente da Câmara, deputado John Bercow, reiterou que não vai permitir uma terceira votação do acordo negociado por May com a UE se não houver mudanças significativas.
Além das restrições de Bercow, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, é contra o acordo de May. Alega que vai dividir o Reino Unido. Todas as propostas alternativas foram repelidas.
No resultado mais apertado, por 272 a 264 votos, os comuns rejeitaram uma proposta do veterano deputado e ex-ministro das Finanças conservador Kenneth Clarke, um europeísta, para que haja "uma união aduaneira ampla e permanente com a UE" em qualquer acordo para a saída.
Por 295 a 268, a Câmara votou contra uma proposta da ex-ministra do Exterior trabalhista Margaret Beckett pela convocação de um referendo para o eleitorado dar a aprovação final a qualquer acordo. O vice-líder trabalhista, Tom Watson, festejou a derrota alegando que esta posição, de uma segunda consulta popular, vem ganhando força.
O Partido Trabalhista propôs ainda uma união aduaneira e o alinhamento com o mercado único europeu, sugestão vencida por 307 a 237.
A saída sem nenhum acordo com os sócios europeus, defendida pela ala mais extremista e eurocética do Partido Conservador, perdeu por 400 a 160.
Outra opção, a participação britânica na Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e no Espaço Econômico Europeu, uma zona de livre comércio entre a UE e a EFTA sem união aduaneira, teve apenas 65 votos a favor e 377 contra.
O deputado conservador Nick Bowles propôs a saída da UE para honrar o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e a formação de "um novo mercado comum para o século 21". A proposta, chamada de Mercado Comum 2.0, perdeu por 283 a 188. O Reino Unido aceitaria a livre movimentação de trabalhadores de outros países europeus, mas poderia impor restrições unilaterais excepcionalmente.
Se não for possível chegar a um acordo com a UE capaz de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, o deputado Marcus Fysh e outros conservadores são a favor da negociação de um acordo de preferências comerciais com o bloco europeu. Uma ampla maioria foi contra: 422 a 283.
A deputada Joanna Charry, do Partido Nacional Escocês, defendeu a revogação do pedido de saída da UE. Foi derrotada por 293 a 184.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 27 de março de 2019
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Derrota marca o triste adeus de Tony Blair
O Partido Trabalhista britânico deve sofrer sua pior derrota em 50 anos nas eleições municipais de hoje. Na Escócia, o Partido Nacionalista Escocês pode conquistar maioria no Parlamento e convocar um plebiscito sobre a independência. Só uma coisa é certa, além da derrota trabalhista: é o fim da carreira política de Tony Blair.
Ele é o primeiro-ministro trabalhista que ficou mais tempo no poder na Inglaterra. Preside a um período de crescimento contínuo sem precedentes na história do país. Conseguiu acabar com um conflito de mais de 800 anos com a vizinha Irlanda. Um historiador chegou a dizer que no plano interno talvez tenha sido o melhor governo em cem anos. Mas Anthony Charles Lynton Blair já está condenado pela História por participar da fracassada invasão do Iraque sob o comando dos Estados Unidos.
Em 1º de maio, no décimo aniversário de sua primeira vitória eleitoral, que acabou com 18 anos consecutivos de governos conservadores, o primeiro-ministro Tony Blair finalmente apoiou o ministro das Finanças, Gordon Brown, como seu sucessor na liderança do Partido Trabalhista e do governo, prometendo anunciar na próxima semana a data de sua saída.
Brown, o Chanceler de Ferro (no Reino Unido, o ministro das Finanças tem oficialmente o título de Chanceler do Erário), é responsável pelo mais longo período de crescimento contínuo da História da Inglaterra, que começou em 1992, ainda sob o governo conservador de John Major.
"Dentro de algumas semanas, não serei mais primeiro-ministro deste país", declarou Blair numa reunião do partido na Escócia. "Com certeza, um escocês será primeiro-ministro. É alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e que eu sempre disse que seria um grande primeiro-ministro".
Quando os dois foram eleitos deputados pela primeira vez, em 1983, dividiam o gabinete na Câmara dos Comuns e fizeram um pacto para um apoiar o outro na disputa pela liderança. Brown, mais velho e mais intelectualizado, acreditava ter a primazia.
Mas quando o líder trabalhista John Smith morreu de repente do coração, em maio de 1994, o chefe de propaganda do partido, Peter Mandelson, aliou-se a Blair, que lhe parecia mais jovem e mais televisivo para as campanhas eleitorais de hoje. Brown cedeu caminho para Blair, que derrotou os candidatos da esquerda do partido, o vice-primeiro-ministro John Prescott e a atual ministra do Exterior, Margaret Beckett.
Ao reformar o Partido Trabalhista, abolindo a Cláusula 4 do estatuto, que previa a estatização dos meios de produção, Blair trouxe o partido para o centro e aproximou-o do empresariado, especialmente dos que viam como contraproducente o antieuropeísmo crescente dos conservadores.
Com amplo apoio da classe média a quem prometeu não aumentar impostos mas resgatar a qualidade dos serviços públicos, levou os trabalhistas a uma entrada triunfal na residência oficial no nº 10 da Downing Street.
Dez anos depois, foi o primeiro chefe de governo a ser interrogado pela polícia no exercício do cargo, por causa do escândalo de concessão de títulos de nobreza a grandes financiadores dos partidos politicos.
Leia a íntegra em minha coluna no Baguete.
Ele é o primeiro-ministro trabalhista que ficou mais tempo no poder na Inglaterra. Preside a um período de crescimento contínuo sem precedentes na história do país. Conseguiu acabar com um conflito de mais de 800 anos com a vizinha Irlanda. Um historiador chegou a dizer que no plano interno talvez tenha sido o melhor governo em cem anos. Mas Anthony Charles Lynton Blair já está condenado pela História por participar da fracassada invasão do Iraque sob o comando dos Estados Unidos.
Em 1º de maio, no décimo aniversário de sua primeira vitória eleitoral, que acabou com 18 anos consecutivos de governos conservadores, o primeiro-ministro Tony Blair finalmente apoiou o ministro das Finanças, Gordon Brown, como seu sucessor na liderança do Partido Trabalhista e do governo, prometendo anunciar na próxima semana a data de sua saída.
Brown, o Chanceler de Ferro (no Reino Unido, o ministro das Finanças tem oficialmente o título de Chanceler do Erário), é responsável pelo mais longo período de crescimento contínuo da História da Inglaterra, que começou em 1992, ainda sob o governo conservador de John Major.
"Dentro de algumas semanas, não serei mais primeiro-ministro deste país", declarou Blair numa reunião do partido na Escócia. "Com certeza, um escocês será primeiro-ministro. É alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e que eu sempre disse que seria um grande primeiro-ministro".
Quando os dois foram eleitos deputados pela primeira vez, em 1983, dividiam o gabinete na Câmara dos Comuns e fizeram um pacto para um apoiar o outro na disputa pela liderança. Brown, mais velho e mais intelectualizado, acreditava ter a primazia.
Mas quando o líder trabalhista John Smith morreu de repente do coração, em maio de 1994, o chefe de propaganda do partido, Peter Mandelson, aliou-se a Blair, que lhe parecia mais jovem e mais televisivo para as campanhas eleitorais de hoje. Brown cedeu caminho para Blair, que derrotou os candidatos da esquerda do partido, o vice-primeiro-ministro John Prescott e a atual ministra do Exterior, Margaret Beckett.
Ao reformar o Partido Trabalhista, abolindo a Cláusula 4 do estatuto, que previa a estatização dos meios de produção, Blair trouxe o partido para o centro e aproximou-o do empresariado, especialmente dos que viam como contraproducente o antieuropeísmo crescente dos conservadores.
Com amplo apoio da classe média a quem prometeu não aumentar impostos mas resgatar a qualidade dos serviços públicos, levou os trabalhistas a uma entrada triunfal na residência oficial no nº 10 da Downing Street.
Dez anos depois, foi o primeiro chefe de governo a ser interrogado pela polícia no exercício do cargo, por causa do escândalo de concessão de títulos de nobreza a grandes financiadores dos partidos politicos.
Leia a íntegra em minha coluna no Baguete.
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quarta-feira, 28 de março de 2007
Reino Unido congela relações com o Irã
A ministra do Exterior britânica, Margaret Beckett, anunciou hoje o congelamento total das relações com o Irã, a não ser para negociar a libertação dos 15 marinheiros e fuzileiros navais do Reino Unido presos no fim de semana pela Guarda Revolucionária iraniana quando patrulhavam o Golfo Pérsico.
O Irã os acusa de terem invadido suas águas territoriais.
O Irã os acusa de terem invadido suas águas territoriais.
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