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domingo, 22 de maio de 2011

Últimos soldados britânicos saem do Iraque

Oito anos depois da invasão liderada pelos Estados Unidos, os últimos soldados britânicos saíram hoje do Iraque. É o fim de uma guerra que nunca teve o apoio da população do Reino Unido e acabou com a carreira política do então primeiro-ministro Tony Blair.

O governo Blair foi acusado de manipular dossiês dos serviços secretos de Sua Majestade para alegar que o então ditador iraquiano Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa que o tornavam uma ameaça para o Oriente Médio.

Até hoje, ele insiste que tomou a decisão correta ao colaborar com a deposição de Saddam. Mas, mesmo no Reino Unido, tem muita gente favorável a processar Blair por crimes de guerra e mentir ao Parlamento Britânico.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Blair admite que guerra do Iraque foi ilegal

De volta ao inquérito sobre as causas do envolvimento do Reino Unido na invasão do Iraque, o ex-primeiro-ministro Tony Blair rejeitou hoje em Londres a alegação de subserviência em relação aos EUA, mas admitiu que sabia que a intervenção seria ilegal sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU.

Blair alegou que Saddam Hussein era uma ameaça para a região e o mundo, por isso tomou a decisão política de ir à guerra, na esperança de que sua assessoria jurídica mudasse de posição depois de discutir o assunto com o governo George W. Bush. Também disse que tinha se comprometido em 2002 a acompanhar a posição americana. 

Do lado de fora, manifestantes protestaram, exigindo que Blair seja processado por crimes de guerra.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Blair defende guerra e acusa Brown

Em entrevista à BBC sobre seu livro de memórias, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair defende a decisão de invadir o Iraque e acusa seu ministro das Finanças e successor, Gordon Brown, de ser “enlouquecedor” às vezes.

Blair, que governou o Reino Unido de 1997 a 2007, responsabilizou Brown pela derrota eleitoral de maio, acusando o Partido Trabalhista de abandonar os princípios do neotrabalhismo. 

É uma maneira de entrar na disputa pela liderança, já que um dos candidatos, o ex-ministro do Meio Ambiente Ed Miliband, apoiado por Brown, redigiu o programa de governo da última campanha. 

Resta ver se a interferência vai ajudar ou prejudicar seu candidato, o ex-ministro do Exterior David Miliband, irmão de Ed.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cameron vence último debate no Reino Unido

Depois de 13 anos de governos trabalhistas, o Partido Conservador aumentou ontem a chance de conseguir maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições da próxima quinta-feira, 6 de maio, o Reino Unido.


Seu líder, David Cameron, foi considerado vencedor do terceiro e último debate televisionado entre os três principais candidatos a primeiro-ministro britânico.


O tema de hoje era a economia. Mas o primeiro-ministro Gordon Brown cometeu uma gafe há dois dias. Chamou uma eleitora de "intolerante" com microfone aberto depois que ela reclamou da violência e da imigração estrangeira.

Esses temas de grande apelo para a classe média empobrecida pela crise e humilhada pelo desemprego na pior crise econômica do pós-guerra favorecem os conservadores.

É a primeira vez que o país realiza debates na TV entre os líderes dos três grandes partidos. Isso deu grande visibilidade a Nick Clegg, líder do Partido Liberal-Democrata, considerado vencedor do primeiro debate.

Com a vitória de Clegg, os liberais-democratas ultrapassaram os trabalhistas nas pesquisas de opinião e em algumas até os conservadores. O partido prepara-se para ter uma grande votação, mas ninguém acredita que possa eleger a maioria dos 650 deputados no sistema eleitoral britânico, de voto distrital num turno único.

Assim, nas últimas eleições, sob a liderança de Tony Blair, o Partido Trabalhista conseguiu maioria de 67 deputados com os votos de apenas 36% do eleitorado.

Nestas eleições, teme-se algo ainda pior. Os trabalhistas podem ficar em terceiro lugar no cômputo geral dos votos mas eleger o maior número de deputados. Isso lhes dá o direito de indicar seu líder para primeiro-ministro.

Se nenhum partido tiver maioria absoluta, o mais votado tem prioridade para tentar formar um governo de coalizão. Como na monarquia constitucional do Reino Unido o regime é parlamentarista, o novo governo precisa de maioria absoluta na Câmara dos Comuns.

Para os analistas, Brown desperdiçou sua última chance. Na condição de chefe de governo, é o alvo de todas as críticas pela crise econômica. Afinal, antes de ser primeiro-ministro, foi todo-poderoso ministro das Finanças de Blair, quando prometia acabar com os ciclos de euforia e depressão.

Agora que o país enfrenta déficits e dívida elevadas por conta da crise, é evidente que o governo deveria ter reduzido a dívida nos momentos de maior expansão do setor privado para ter maior capacidade de endividamento nos momentos difíceis. Tudo fica na conta de Brown.

Clegg culpou os "partidos tradicionais", que dominam a política britânica do pós-guerra.

Cameron promete cortar gastos e equilibrar as contas públicas. Põe toda a culpa pela crise em Brown. Isso o ajudou a passar a imagem de um líder novo, jovem e dinâmico confiável para conduzir a economia do país.

O Instituto de Estudos Fiscais divulgou um relatório acusando todos os partidos de mentirem para o eleitorado. Suas contas não fecham com as propostas de campanha.

A crise, a Grande Recessão de 2008-09, só acaba quando as dívidas contraírem forem pagas ou se tornarem pagáveis sem um esforço extra. Os tempos serão difíceis no Reino Unido e na Europa de modo geral.

Com a crise das dívidas públicas da Grécia e de outros paísea da Eurozona, o Reino Unido não só corre de contaminação por causa de déficits e dívida elevados. Perde mercado enquanto seus parceiros da União Europeia estiverem endividados.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Blair defende a invasão do Iraque

Sob pressão de um inquérito público sobre a invasão do Iraque ao lado dos Estados Unidos em 2003, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair defendeu a decisão de derrubar Saddam Hussein.

Em entrevista à televisão pública BBC que vai ao ar no domingo, 13 de dezembro de 2009, Blair argumentou que Saddam era uma "ameaça à região" do Oriente Médio.

Na próxima semana, o ex-primeiro-ministro será questionado sobre um dossiê de setembro de 2002 em que seu governo alegou que o Iraque poderia lançar um ataque com armas de destruição em 45 minutos, a partir da ordem de Saddam Hussein.

Esse dossiê foi colocado sob suspeita em reportagem da Radio 4, da BBC. O cientista do Ministério da Defesa que desacreditou a alegação do governo Blair acabou se suicidando.

A direção da BBC caiu no confronto com o governo, mas foi a reportagem que desmontou a farsa do argumento de que o Iraque teria armas químicas e biológicas.

Mesmo sem armas de destruição em massa, "eu ainda teria pensado que seria melhor derrubá-lo. Obviamente, eu teria de usar argumentos diferentes sobre a natureza da ameaça", declarou Blair.

"Não consigo imaginar que seria melhor com ele e os filhos", prosseguiu o ex-primeiro-ministro britânico. "Entendo e simpatizo com que foi contra a guerra por boas razões e continuam sendo até agora, mas cabia a mim tomar a decisão final".

O desenvolvimento de armas de destruição em massa e a ameaça à região teriam orientado a decisão de Blair.

Durante 12 anos, lembrou Blair, Saddam aceitava e expulsava inspetores das Nações Unidas encarregados de fiscalizar a desativação dos programas de mísseis de médio alcance e de armas de destruição em massa. "Já tinha usado armas de destruição em massa contra seu próprio povo, então obviamente o que passava pela minha cabeça era a ameaça para a região."

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Indústria britânica declina sob o trabalhismo

A participação da indústria na economia do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte caiu mais durante os governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown do que nos governos conservadores que os antecederam, de Margaret Thatcher e John Major, revelou o jornal londrino Financial Times.

O neoconservadorismo político e o neoliberalismo econômico de Thatcher nos anos 80 geralmente é acusado pelo declínio da indústria manufatureira do país. Na Era Thatcher, de maio de 1979 a novembro de 1990, a participação da indústria do produto interno bruto britânico caiu de 25,8% para 22,8%.

Quando Tony Blair derrotou John Major (1990-97), acabando com 18 anos de conservadorismo no poder, o setor manufatureiro ainda respondia por mais de 20% do PIB. No fim de 2007, antes do agravamento da crise econômica global, sua participação tinha caído para 12,7%.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Presidente da Europa decepciona

Depois de rejeitar o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair por ter se aliado incondicionalmente ao então presidente americano George W. Bush na invasão do Iraque, em 2003, os líderes da União Europeia indicaram na quinta-feira, 19 de novembro de 2009, o inexpressivo primeiro-ministro da Bélgica, Herman van Rompuy, para a presidência executiva do bloco, criada pelo Tratado de Lisboa, por um período de dois anos e meio.

O novo tratado constitutivo da UE entrou em vigor em 1º de novembro para substituir o fracassado projeto de uma Constituição da Europa, que na verdade era outro tratado. Seus autores não tinham o poder constituinte delegado pelo voto dos cidadãos.

Se a proposta era nomear um Sr. Europa, um líder de prestígio que pudesse falar em nome do continente, o resultado é medíocre. Mostra a debilidade da integração europeia. No continente que inventou o nacionalismo, o nacionalismo recusa-se a ceder em nome da união.

A supercomissária de Relações Exteriores da UE será a atual comissária de Comércio do bloco, a baronesa britânica Catherine Ashton. Em princípio, tem muito menos peso político do que o atual ocupante do posto, o ex-ministro do Exterior espanhol Javier Solana.

Sem coesão, sem ideias e sem inspiração, a Europa dos 27 perde consistência política.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Brown resiste a pressão após derrota eleitoral

Diante de uma enorme pressão para renunciar, em meio a um escândalo de corrupção de gastos de deputados, depois da demissão de vários ministros e de uma derrota esmagadora do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais desta quinta, o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou uma reforma ministrerial e prometeu permanecer no cargo "até concluir o trabalho".

É uma indicação de que pretende ficar pelo menos até as próximas eleições gerais, que precisam ser convocadas até junho de 2010. Os analistas apostam que cai antes.

Brown herdou há dois a chefia do governo e a liderança do partido de Tony Blair sem se submeter ao julgamento das urnas para ter legitimidade. Ameaçou convocar eleições, mas recuou e desde então vem caindo nas pesquisas de opinião.

No momento, ele tenta ganhar tempo para que as políticas de combate à crise econômica deem resultado. Quem ainda o apoia defende o primeiro-ministro como a pessoa mais capacitada para enfrentar a recessão mundial. Brown foi ministro das Finanças durante os 10 anos do governo Blair, mas uma de suas promessas foi acabar com os ciclos de euforia e depressão.

Para o eleitorado britânico, ele é pelo menos cúmplice da desregulamentação que aprofundou a crise.

Nesta quinta-feira, nas eleições locais, o Partido Conservador obteve 38% dos votos, os liberais-democratas 28% e os trabalhistas apenas 23%. No sábado, saem os resultados das eleições para o Parlamento Europeu.

Outra derrota vai aumentar a revolta da bancada contra Brown. Os deputados trabalhistas devem se reunir segunda-feira na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico para analisar a questão.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Harold Pinter morre aos 78 anos

O escritor britânico Harold Pinter, um dos mais influentes dramaturgos da sua geração, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2005, morreu de câncer na garganta na quarta-feira, 25 de dezembro de 2008. A notícia foi divulgada por sua atual mulher, Lady Antonia Fraser.

"Pinter restaurou os elementos básicos do teatro: um espaço fechado e um diálogo imprevisível onde as pessoas estão à mercê umas das outras", justificou na época o Comitê do Nobel.

Marxista radical, ele foi um dos maiores críticos da participação do Reino Unido na invasão do Iraque. O prêmio lhe deu a oportunidade de denunciar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.

"O invasão do Iraque foi um ato de banditismo, um ato flagrante de terrorismo de Estado, demonstrando absoluto desprezo pelo conceito de direito internacional", declarou Pinter em sua aula como ganhador do Nobel. "Quantas pessoas é preciso matar antes de poder ser enquadrado por assassinato em massa ou como criminoso de guerra: 100 mil?"

domingo, 5 de outubro de 2008

Trabalhistas britânicos marcham para derrota

Sob a desastrosa liderança do primeiro-ministro Gordon Brown, o Partido Trabalhista pode perder 164 dos seus 349 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e entregar o poder ao Partido Conservador, indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal popular News of the World.

No ano passado, uma pesquisa feita com a mesma metodologia previa uma perda de 49 cadeiras. Desta vez, foram entrevistados 1.004 eleitores em 192 distritos onde hoje o deputado é trabalhista.

Como o sistema eleitoral britânico adota o voto distrital em turno único, ganha o candidato mais votado, às vezes com pouco mais de 30% dos votos. Nestes distritos, uma variação de 10% a 15% daria a vitória ao candidato conservador.

Brown cogitou convocar eleições antecipadas há um ano, pouco depois de suceder Tony Blair sem passar pelo julgamento das urnas. Desistiu da idéia porque as pesquisas não eram favoráveis. Desde então, só pioraram.

Depois de 11 anos no poder, o neotrabalhismo está desgastado e Brown não tem o charme de Blair. As eleições precisam ser realizadas até junho de 2010.

No Reino Unido, os mandatos dos deputados na Câmara dos Comuns são de cinco anos, mas o primeiro-ministro tem a prerrogativa de convocar eleições antecipadas a qualquer momento. Os primeiros-ministros tendem a realizar eleições até o quarto ano de governo, num momento que lhes pareça mais conveniente politicamente.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Trabalhistas sofrem pior derrota em 40 anos

O Partido Trabalhista britânico sofreu sua maior derrota eleitoral em 40 anos nas eleições municipais realizadas na quinta-feira no interior e hoje em Londres. Perdeu 331 vereadores, colocando em questão a liderança do primeiro-ministro Gordon Brown e sua capacidade de levar o partido à vitória nas eleições gerais, que ele pode convocar quando quiser até 2010.

Na contagem geral dos votos, o Partido Conservador teve 44%, o Partido Liberal-Democrata ficou em segundo com 25% e os trabalhistas tiveram apenas 24%.

Brown era ministro das Finanças do Reino Unido no governo Tony Blair. Herdou a liderança do partido e a chefia do governo sem se submeter a eleições, quando Blair saiu, em junho de 2007, desgastado pelo apoio incondicional aos Estados Unidos na Guerra do Iraque.

Como todo-poderoso ministro da economia, Brown conquistou fama por levado o país a seu mais longo período de crescimento. Mas é criticado pela maneira como enfrenta a atual crise financeira e imobiliária, que levou à falência um banco britânico, o Northern Rock,

Esse descontentamento foi refletido nas urnas.

sábado, 8 de março de 2008

Dama de Ferro é hospitalizada no Reino Unido

A Baronesa Margaret Thatcher, primeira mulher a se tornar primeira-ministra do Reino Unido, foi internada para exames aos 82 anos. Seu estado de saúde é considerado estável.

Thatcher ganhou o apelido de Dama de Ferro da imprensa soviética por causa de um discurso anticomunista em 1976, quando era líder da oposição conservadora.

No poder, de 1979 a 1990, honrou a alcunha aplicando a linha dura contra sindicalistas para impor uma política econômica neoliberal destinada a fazer "recuar as fronteiras do Estado". Ela cortou impostos e gastos públicos, privatizou empresas estatais e exigiu uma dedução do dinheiro britânico dado à Comunidade Européia.

Sua política econômica aumentou o desemprego que a ajudara a se eleger em 4 de maio de 1979 de 1 para 3 milhões de trabalhadores. Thatcher enfrentou um ano de uma greve dos mineiros de carvão que prejudicou a geração de energia na Grã-Bretanha.

Também adotou a linha dura contra o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Uma greve de fome matou em 1981 o lendário Bobby Sands, um dos líderes do grupo terrorista que desafiou a determinação da Dama de Ferro.

Em 1984, um atentado do IRA contra um hotel em Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador quase a matou.

Antes disso, em 1982, Thatcher foi inflexível diante da invasão argentina às Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands. Depois de uma guerra curta em que quase mil pessoas foram mortas, os argentinos foram expulsos das ilhas do Sul do Oceano Atlântico.

A derrota nas Malvinas desmoralizou a junta militar argentina liderada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, um dos grandes delinqüentes da história recente do país, acelerando o fim da ditadura militar, que viria em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.

Só então, Thatcher obteve a segunda vitória eleitoral, em 1983, conquistando uma ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que permitiu a aplicação de seu programa radical de privatização. A economia britânica, sufocada por uma carga fiscal com alíquotas de até 89%, reagiu.

Hoje, o Reino Unido tem a quinta maior economia do mundo. Superou a França mas foi ultrapassado pela China.

Em agosto de 1990, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait e o anexou ao Iraque, Thatcher teria sido decisiva para convencer o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, a enviar tropas para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ela teria dito: "Não é hora de amolecer, George".

Durante a Operação Tempestade no Deserto, que expulsou os iraquianos do Kuwait, de 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 1991, ela tinha deixado a residência oficial de 10 Downing Street.

O thatcherismo sobreviveu ao governo Thatcher. Em outubro de 1990, por causa de sua tenaz oposição à maior integração européia e da proposta de introdução de um imposto predial e territorial baseado no número de moradores de uma propriedade imobiliária e não no seu valor, a Dama de Ferro foi derrubada por seu próprio partido.

Esse regicídio até hoje dilacera o Partido Conservador britânico, que se considerava o mais bem-sucedido da História do Ocidente.

Sucessor de Thatcher, o moderado John Major completou seu mandato e conquistou mais um, em 1992, contrariando as pesquisas de opinião. Mas jamais conseguiu unir o partido, sendo fragorosamente derrotado por Tony Blair em 1º de maio de 1997.

Ao prometer durante a campanha não aumentar as alíquotas do imposto de renda, entre outras medidas copiadas da plataforma conservadora, Blair incorporou políticas da Dama de Ferro a seu Neotrabalhismo, além da eliminar a Cláusula 4 do estatuto do Partido Trabalhista, que falava em estatização dos meios de produção. Foi uma ruptura com o socialismo que ajudou a levar o partido de volta ao poder depois de 18 anos.

Com essas propostas, o Neotrabalhismo chegou a ser definido como "o thatcherismo com face humana", por causa dos investimentos em serviços públicos como educação, saúde e transportes, talvez a principal razão das três vitórias consecutivas de Blair, que cairia em 2007 devido à sua participação na invasão do Iraque.

Só agora, no governo Gordon Brown, depois de uma sucessão de líderes fracassados, sob a liderança do jovem David Cameron, os conservadores voltaram a estar na frente dos trabalhistas nas pesquisas de opinião. Daí até retomarem o poder vai uma grande distância.

Lady Thatcher ainda é a figura dominante do conservadorismo britânico, tendo inspirado líderes direitistas do mundo inteiro, de Ronald Reagan, nos EUA, a Václav Klaus, reeleito presidente da República Tcheca.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Reino Unido deve usar seis vezes mais energia renovável

O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte será alertado na próxima semana pela União Européia de que terá de aumentar em seis vezes seu uso de energias renováveis até 2020 para cumprir a meta de cortes na emissão de gases que agravam o efeito estufa negociada no fim do governo Tony Blair (1997-2007).

Blair desafiou os líderes empresariais e seus próprios ministros, em março de 2007, apoiando um plano para colocar a Europa no combate ao aquecimento do planeta.

Na próxima semana, a Comissão Européia, órgão executivo da UE, vai anunciar as metas que cada país-membro deve cumprir para atingir o objetivo conjunto de liderar o corte de emissões. Em parte, isso pode ser feito limpando a matriz energética com o maior uso de fontes renováveis, da chamada energia verde.

Hoje, apenas 2% da energia consumida no Reino Unido vêm de fontes renováveis. Esse percentual terá de crescer para 13%-14%. No acordo firmado por Blair e o então presidente da França Jacques Chirac, outro político em fim de mandato, propõe que a UE tenha 20% de sua energia produzida por fontes renováveis.

O atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, já antecipou que não aceitará metas muito rígidas, capazes de atrapalhar seus planos de recuperação econômica.

Pelos dados do jornal inglês Financial Times, a Suécia teria de produzir 50% de sua energia de fontes renováveis; a Alemanha, 18%, e a França, mais de 20%.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Oposição britânica dobra vantagem sobre Brown

Seis meses depois de substituir Tony Blair e de realizar o sonho de toda uma vida política sem passar pelo teste das urnas, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, luta para se legitimar como chefe de governo do Reino Unido.

A última pesquisa do instituto YouGov, divulgada neste domindo pelo jornal TheSunday Times dá 43% das preferências ao Partido Conservador, liderado pelo jovem David Cameron, contra 33% para o Partido Trabalhista, dobrando a vantagem para 10 pontos percentuais. Sob a nova liderança de Nick Clegg, o Partido Liberal-Democrata ficou com 14%.

Como Brown não precisa convocar eleições antes de 2010, Camerou pediu calma aos conservadores mais excitados com a perspectiva concreta de uma volta ao poder depois de 11 anos de blairismo: "Ainda temos uma montanha a escalar. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas está claro que estamos prontos para governar", declarou o líder conservador neste domingo à TV BBC.

Outra má notícia para Brown: o secretário de Pensões e Trabalho, Peter Hain, terá de se defender da acusação de não declarar uma doação para campanha de 103 mil libras, cerca de R$ 380 mil.

Pior ainda: cerca de 25% acreditam que a Grã-Bretanha cairá em recessão em 2008.

Definitivamente, a lua-de-mel de Brown acabou. Em 2008, ele terá sua última chance de se legitimar.

Leia mais no The Sunday Times, que atribui o avanço conservador ao aumento do custo de vida.

domingo, 18 de novembro de 2007

Popularidade de Gordon Brown desaba

A aprovação ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, caiu de 59% no mês passado para apenas 33%, indicando que o Partido Trabalhista teria grande dificuldade de permanecer no poder, se convocasse eleições antecipadas como pensou em fazer.

Em pesquisa do instituto YouGov, a oposição conservadora leva uma vantagem de seis pontos percentuais, com 41% preferências, contra 35% para os trabalhistas.

Brown assumiu o poder em junho, sem eleições, substituindo Tony Blair, desgastado por seu apoio incondicional aos Estados Unidos na Guerra do Iraque, como líder do partido e do governo. Cogitou em antecipar as eleições, que só precisam ser realizadas em 2010, para ganhar legitimidade.

Seu governo foi abalado pela crise no mercado de crédito hipotecário, por enchentes e um novo surto de febre aftosa, além de rumores de conflitos internos entre ministros. O jovem líder da oposição, David Cameron, ainda o acusa de roubar idéias do Partido Conservador, como a reforma para reduzir o imposto sobre herança.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Brown reafirma importância da relação com EUA

No seu primeiro grande discurso sobre política externa desde que se tornou primeiro-ministro britânico, Gordon Brown reafirmou a importância das relações do Reino Unido com os Estados Unidos. Tenta recuperar o terreno perdido para a França e a Alemanha por sua insistência em se mostrar distante do presidente George Walker Bush.

Brown sabe que só realizou seu maior sonho porque seu antecessor, Tony Blair, queimou-se com o eleitorado britânico ao apoiar Bush incondicionalmente na guerra do Iraque. Quando se encontrou com o presidente americano, fez questão se parecer frio e distante.

O problema é que os dois países da União Européia que lideraram a oposição à invasão do Iraque, França e Alemanha, são hoje governados por líderes interessados em melhorar as relações com os EUA.

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, é fria e pragmática, mas não esconde o interesse em restabelecer os laços que uniram os dois países no pós-guerra.

Já o novo presidente francês, Nicolas Sarkozy, nunca dissimulou sua admiração pelos EUA, pelo vigor de sua economia. Quer ancorar a França solidamente na aliança transatlântica, inclusive voltando a integrar a estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, de onde o general Charles de Gaulle tirou a França nos anos 60.

Brown, que cometeu uma sério de erros desde que assumiu a chefia do governo, sentiu o risco de isolamento: "Longe de mim qualquer antiamericanismo. Todos sabem de minha admiração pelos EUA. É bom que a França, a Alemanha e a União Européia tenham boas relações com os EUA. É bom para a Europa e para o mundo."

O primeiro-ministro propôs ainda novas sanções econômicas para pressionar o regime fundamentalista do Irã a não fabricar armas atômicas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Blair ganha US$ 500 mil por fala de 20 minutos

Ao receber mais de US$ 500 mil por uma fala de apenas 20 minutos, na China, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair tornou-se o palestrante mais bem pago do mundo, superando o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Os britânicos não quiseram mais o chefe de governo que levou o Reino Unido à guerra do Iraque. Mas a empresa imobiliária Dongguan Guangda gastou US$ 505 mil, incluindo os impostos, para que Blair falasse a um grupo de 600 funcionários do Partido Comunista, empresários e executivos de bancos de investimentos.

US$ 500 mil era a renda média anual de sua mulher, Cherie Blair, uma advogada de grande sucesso, quando o casal mudou-se para a residência oficial do primeiro-ministro britânico, em 10 Downing Street, em 1997. Comentava-se na época que Cherie ganhava mais do que o marido.

Agora, além de ser o palestrante mais bem pago do planeta, Blair ainda deve ganhar US$ 10 milhões por sua autobriografia.

Na viagem à China, Blair falou ainda na Câmara de Comércio de Hong Kong e numa conferência para dirigentes empresariais realizada pela revista americana Business Week em Beijim. Ele contou que seu filho menor, de 7 anos, está aprendendo chinês na escola.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sarkozy emenda relações França-EUA

Em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, o novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi recebido com grande intimidade ontem na Casa Branca pelo presidente George Walker Bush e prometeu restaurar as relações com Washington, abaladas pela oposição francesa à invasão do Iraque e ao antiamericano de seu antecessor, Jacques Chirac, que gostaria de usar a União Européia como um contra peso ao poderio americano.

É um nítido contraste com a frieza do novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em relação a Bush. Brown sabe que Tony Blair caiu por sua participação na guerra. Como ainda precisa passar pelo teste das urnas, faz pose de durão para o eleitorado. Já Sarkozy joga todo o seu chamar para se aproximar dos EUA, afirmando que a França quer e precisa ter influência no pensamento político americano.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Bush admitiu que Blair ficasse fora da guerra

Na última hora, diante de um informe da Embaixada dos Estados Unidos em Londres de que o governo Tony Blair poderia cair, o presidente George Walker Bush disse ao primeiro-ministro britânico que o Reino Unido poderia não participar da invasão do Iraque. Blair declinou, alegando que seria patético, revela um novo livro sobre seu governo.

Bush recebeu o informe poucos antes da votação sobre a guerra na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Ficou tão preocupado que ligou pessoalmente para Blair dando-lhe a possibilidade de não ir à guerra.

Nove dias antes da votação decisiva, 139 deputados trabalhistas rebeldes ameaçavam negar a autorização para o Reino Unido entrar na Guerra do Iraque. Para surpresa da então assessora de Segurança Nacional e hoje secretária de Estado, Condoleezza Rice, Bush lhe disse que os britânicos poderiam não participar da invasão e assumir um papel menos controvertido depois.

Os diplomatas americanos ouviram de muitos deputados britânicos que não poderiam aprovar a guerra sem o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde Bush e Blair não conseguir maioria para dar um caráter legal à invasão, nos termos da Carta da ONU

No livro Blair Unbound, de Anthony Seldon, Peter Snowdon e Daniel Collings, dá o seguinte depoimento: "Lembro-me de estar no Salão Oval [da Casa Branca]. O presidente disse: 'Não podemos deixar que o governo britânico caia por causa da decisão de ir à guerra. Tenho de dizer a Tony que ele não precisa fazer isso'."

Rice sugeriu que ela ligasse para David Manning, principal assessor de Blair para política externa. Bush achou que não havia tempo. Resolveu falar pessoalmente com o primeiro-ministro britânico.

- Quero lhe dizer que minha última opção é a queda de seu governo. Não quero que isso aconteça sob quaisquer circunstâncias - disse Bush no telefone.

- Você sabe, George, qualquer que seja sua decisão, estarei com você - respondeu Blair.

A assessores, o primeiro-ministro confidenciou que recuar àquela altura seria "patético".

O livro diz ainda que o então secretário de Estado americano, Colin Powell, e o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, tentaram convencer Blair a persuadir Bush a desistir da guerra. "No final, Blair sempre apoiava o presidente", conta Powell.

Leia mais no jornal inglês The Independent.

domingo, 14 de outubro de 2007

Oposição britânica tem maior apoio em 15 anos

O Partido Conservador britânico festeja hoje sua melhor pesquisa eleitoral dos últimos 15 anos. Depois de uma lua-de-mel de 100 dias em que o novo primeiro-ministro Gordon Brown chegou a ter uma confortável vantagem de 11 pontos percentuais, o recuo em convocar eleições antecipadas e uma ofensiva política conservadora reverteram a situação.

Uma pesquisa divulgada hoje no jornal conservador The Sunday Telegraph dá 43% das preferências aos conservadores contra 36% para os trabalhistas e 14% para o Partido Liberal-Democrata.

Além de não convocar eleições para legitimar seu mandato, Brown está sendo acusado de roubar propostas de cortes de impostos anunciadas pela oposição.

O jovem líder conservador, David Cameron, que já estava sendo atacado pela ala mais direitista do partido, renovou suas credenciais ao atacar a União Européia, acusada pelos conservadores de querer de transformar num superestado nacional que acabaria com a soberania nacional do Reino Unido.

Cameron está cobrando a realização de um plebiscito sobre o projeto de Constituição da Europa, uma promessa do ex-primeiro-ministro Tony Blair retirada depois que a França e a Holanda votaram contra a constituição em 2005.

Blair tornou-se o mais bem-sucedido líder trabalhista britânico da História ao vencer as últimas três eleições nacionais no Reino Unido. Em 1997, conquistou uma ampla vitória, acabando com 18 anos de conservadorismo iniciado por três vitórias conservadoras sob a liderança de Margaret Thatcher (1979-1990).

Seu apoio incondicional ao presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, na guerra do Iraque, extremamente impopular na Grã-Bretanha, levou a uma perda de cerca de 100 cadeiras na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições de 2005. Foi uma vitória com gosto de derrota.

Desde então, aumentou a pressão pela renúncia de Blair, que deixou a liderança do governo e da chefia do partido em junho.

Pelo sistema eleitoral britânico, o novo líder do partido majoritário ascendeu ao cargo de primeiro-ministro sem necessidade de novas eleições. Brown é mais duro, menos carismático e menos midiático do que Blair. Por isso, perdeu a disputa pela liderança do partido em 1994.

Assim, só agora conseguiu realizar o sonho de sua vida: governar a Grã-Bretanha. Precisa agora reafirmar sua liderança e tentar recuperar a iniciativa política, que, de acordo com as pesquisas, passou para a oposição.