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domingo, 26 de setembro de 2010

Velho trabalhismo ganha com Ed Miliband

Num duelo de irmãos, o ex-ministro do Meio Ambiente Ed Miliband venceu o ex-ministro do Exterior David Miliband, favorito da ala blairista, no duelo pela liderança do Partido Trabalhista do Reino Unido.

Ed Miliband teve 50,65% dos votos contra 49,35% recebidos pelos irmão David.

A vitória, com o apoio decisivo dos sindicatos, empurra os trabalhistas mais para a esquerda, tornando-o menos elegível na medida em que o afasta do eleitorado independente que votou nos partidos conservador e liberal-democrata, que no momento formam a coligação de governo.

domingo, 5 de outubro de 2008

Trabalhistas britânicos marcham para derrota

Sob a desastrosa liderança do primeiro-ministro Gordon Brown, o Partido Trabalhista pode perder 164 dos seus 349 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e entregar o poder ao Partido Conservador, indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal popular News of the World.

No ano passado, uma pesquisa feita com a mesma metodologia previa uma perda de 49 cadeiras. Desta vez, foram entrevistados 1.004 eleitores em 192 distritos onde hoje o deputado é trabalhista.

Como o sistema eleitoral britânico adota o voto distrital em turno único, ganha o candidato mais votado, às vezes com pouco mais de 30% dos votos. Nestes distritos, uma variação de 10% a 15% daria a vitória ao candidato conservador.

Brown cogitou convocar eleições antecipadas há um ano, pouco depois de suceder Tony Blair sem passar pelo julgamento das urnas. Desistiu da idéia porque as pesquisas não eram favoráveis. Desde então, só pioraram.

Depois de 11 anos no poder, o neotrabalhismo está desgastado e Brown não tem o charme de Blair. As eleições precisam ser realizadas até junho de 2010.

No Reino Unido, os mandatos dos deputados na Câmara dos Comuns são de cinco anos, mas o primeiro-ministro tem a prerrogativa de convocar eleições antecipadas a qualquer momento. Os primeiros-ministros tendem a realizar eleições até o quarto ano de governo, num momento que lhes pareça mais conveniente politicamente.

sábado, 8 de março de 2008

Dama de Ferro é hospitalizada no Reino Unido

A Baronesa Margaret Thatcher, primeira mulher a se tornar primeira-ministra do Reino Unido, foi internada para exames aos 82 anos. Seu estado de saúde é considerado estável.

Thatcher ganhou o apelido de Dama de Ferro da imprensa soviética por causa de um discurso anticomunista em 1976, quando era líder da oposição conservadora.

No poder, de 1979 a 1990, honrou a alcunha aplicando a linha dura contra sindicalistas para impor uma política econômica neoliberal destinada a fazer "recuar as fronteiras do Estado". Ela cortou impostos e gastos públicos, privatizou empresas estatais e exigiu uma dedução do dinheiro britânico dado à Comunidade Européia.

Sua política econômica aumentou o desemprego que a ajudara a se eleger em 4 de maio de 1979 de 1 para 3 milhões de trabalhadores. Thatcher enfrentou um ano de uma greve dos mineiros de carvão que prejudicou a geração de energia na Grã-Bretanha.

Também adotou a linha dura contra o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Uma greve de fome matou em 1981 o lendário Bobby Sands, um dos líderes do grupo terrorista que desafiou a determinação da Dama de Ferro.

Em 1984, um atentado do IRA contra um hotel em Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador quase a matou.

Antes disso, em 1982, Thatcher foi inflexível diante da invasão argentina às Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands. Depois de uma guerra curta em que quase mil pessoas foram mortas, os argentinos foram expulsos das ilhas do Sul do Oceano Atlântico.

A derrota nas Malvinas desmoralizou a junta militar argentina liderada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, um dos grandes delinqüentes da história recente do país, acelerando o fim da ditadura militar, que viria em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.

Só então, Thatcher obteve a segunda vitória eleitoral, em 1983, conquistando uma ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que permitiu a aplicação de seu programa radical de privatização. A economia britânica, sufocada por uma carga fiscal com alíquotas de até 89%, reagiu.

Hoje, o Reino Unido tem a quinta maior economia do mundo. Superou a França mas foi ultrapassado pela China.

Em agosto de 1990, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait e o anexou ao Iraque, Thatcher teria sido decisiva para convencer o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, a enviar tropas para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ela teria dito: "Não é hora de amolecer, George".

Durante a Operação Tempestade no Deserto, que expulsou os iraquianos do Kuwait, de 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 1991, ela tinha deixado a residência oficial de 10 Downing Street.

O thatcherismo sobreviveu ao governo Thatcher. Em outubro de 1990, por causa de sua tenaz oposição à maior integração européia e da proposta de introdução de um imposto predial e territorial baseado no número de moradores de uma propriedade imobiliária e não no seu valor, a Dama de Ferro foi derrubada por seu próprio partido.

Esse regicídio até hoje dilacera o Partido Conservador britânico, que se considerava o mais bem-sucedido da História do Ocidente.

Sucessor de Thatcher, o moderado John Major completou seu mandato e conquistou mais um, em 1992, contrariando as pesquisas de opinião. Mas jamais conseguiu unir o partido, sendo fragorosamente derrotado por Tony Blair em 1º de maio de 1997.

Ao prometer durante a campanha não aumentar as alíquotas do imposto de renda, entre outras medidas copiadas da plataforma conservadora, Blair incorporou políticas da Dama de Ferro a seu Neotrabalhismo, além da eliminar a Cláusula 4 do estatuto do Partido Trabalhista, que falava em estatização dos meios de produção. Foi uma ruptura com o socialismo que ajudou a levar o partido de volta ao poder depois de 18 anos.

Com essas propostas, o Neotrabalhismo chegou a ser definido como "o thatcherismo com face humana", por causa dos investimentos em serviços públicos como educação, saúde e transportes, talvez a principal razão das três vitórias consecutivas de Blair, que cairia em 2007 devido à sua participação na invasão do Iraque.

Só agora, no governo Gordon Brown, depois de uma sucessão de líderes fracassados, sob a liderança do jovem David Cameron, os conservadores voltaram a estar na frente dos trabalhistas nas pesquisas de opinião. Daí até retomarem o poder vai uma grande distância.

Lady Thatcher ainda é a figura dominante do conservadorismo britânico, tendo inspirado líderes direitistas do mundo inteiro, de Ronald Reagan, nos EUA, a Václav Klaus, reeleito presidente da República Tcheca.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Derrota marca o triste adeus de Tony Blair

O Partido Trabalhista britânico deve sofrer sua pior derrota em 50 anos nas eleições municipais de hoje. Na Escócia, o Partido Nacionalista Escocês pode conquistar maioria no Parlamento e convocar um plebiscito sobre a independência. Só uma coisa é certa, além da derrota trabalhista: é o fim da carreira política de Tony Blair.

Ele é o primeiro-ministro trabalhista que ficou mais tempo no poder na Inglaterra. Preside a um período de crescimento contínuo sem precedentes na história do país. Conseguiu acabar com um conflito de mais de 800 anos com a vizinha Irlanda. Um historiador chegou a dizer que no plano interno talvez tenha sido o melhor governo em cem anos. Mas Anthony Charles Lynton Blair já está condenado pela História por participar da fracassada invasão do Iraque sob o comando dos Estados Unidos.

Em 1º de maio, no décimo aniversário de sua primeira vitória eleitoral, que acabou com 18 anos consecutivos de governos conservadores, o primeiro-ministro Tony Blair finalmente apoiou o ministro das Finanças, Gordon Brown, como seu sucessor na liderança do Partido Trabalhista e do governo, prometendo anunciar na próxima semana a data de sua saída.

Brown, o Chanceler de Ferro (no Reino Unido, o ministro das Finanças tem oficialmente o título de Chanceler do Erário), é responsável pelo mais longo período de crescimento contínuo da História da Inglaterra, que começou em 1992, ainda sob o governo conservador de John Major.

"Dentro de algumas semanas, não serei mais primeiro-ministro deste país", declarou Blair numa reunião do partido na Escócia. "Com certeza, um escocês será primeiro-ministro. É alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e que eu sempre disse que seria um grande primeiro-ministro".

Quando os dois foram eleitos deputados pela primeira vez, em 1983, dividiam o gabinete na Câmara dos Comuns e fizeram um pacto para um apoiar o outro na disputa pela liderança. Brown, mais velho e mais intelectualizado, acreditava ter a primazia.

Mas quando o líder trabalhista John Smith morreu de repente do coração, em maio de 1994, o chefe de propaganda do partido, Peter Mandelson, aliou-se a Blair, que lhe parecia mais jovem e mais televisivo para as campanhas eleitorais de hoje. Brown cedeu caminho para Blair, que derrotou os candidatos da esquerda do partido, o vice-primeiro-ministro John Prescott e a atual ministra do Exterior, Margaret Beckett.

Ao reformar o Partido Trabalhista, abolindo a Cláusula 4 do estatuto, que previa a estatização dos meios de produção, Blair trouxe o partido para o centro e aproximou-o do empresariado, especialmente dos que viam como contraproducente o antieuropeísmo crescente dos conservadores.

Com amplo apoio da classe média a quem prometeu não aumentar impostos mas resgatar a qualidade dos serviços públicos, levou os trabalhistas a uma entrada triunfal na residência oficial no nº 10 da Downing Street.

Dez anos depois, foi o primeiro chefe de governo a ser interrogado pela polícia no exercício do cargo, por causa do escândalo de concessão de títulos de nobreza a grandes financiadores dos partidos politicos.

Leia a íntegra em minha coluna no Baguete.