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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não foi resolvido.

O governo britânico apontou uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito, mas os protestantes da Irlanda do Norte continuam se negando a formar o governo de união nacional, que seria liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas. 

sábado, 26 de maio de 2018

Irlanda aprova o aborto por ampla margem

Um dos países mais católicos do mundo, a República da Irlanda, aprovou em plebiscito realizado ontem o fim da proibição constitucional de interromper intencionalmente a gravidez com 68% de votos a favor, de acordo com pesquisa de boca de urna publicada pelo jornal The Irish Times. No fim, o sim venceu com 66,4%.

"Parece que fizemos história", comemorou o primeiro-ministro Leo Varadkar, que fez campanha pelo sim, antes do fim da apuração. "É a culminância de uma revolução silenciosa que acontece na Irlanda há 10 ou 20 anos."

Varadkar prometeu que o Parlamento vai aprovar a lei do aborto até o fim do ano. A interrupção da gravidez será permitida até 12 semanas de gravidez.

Apesar da tradição católica, a Irlanda aprovara em 2015 o casamento gay, tornando-se o primeiro país a fazer isso através de consulta popular. Agora, cerca de 70% das mulheres e 65% dos homens aprovaram o aborto. Outra pesquisa previu uma vitória do sim com 69,4%.

Cerca de 3,5 milhões de irlandeses estavam aptos a votar. Até agora, quando queriam fazer um aborto, as irlandesas tinham de ir para a Grã-Bretanha ou a Irlanda do Norte.

A vitória do aborto é um sinal de modernização da Irlanda, um dos países mais prósperos da Europa depois da adesão à então Comunidade Econômica Européia, hoje União Europeia, em 1973. Com impostos baixos, atraiu várias empresas americanas de informática, transformando-se num polo de alta tecnologia.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Deputada trabalhista é baleada na campanha do referendo sobre UE

A deputada trabalhista Jo Cox, de 41 nos, está em situação crítica depois de ser baleada e esfaqueada em Birstall, perto da cidade de Leeds, quando fazia campanha para o Reino Unido continuar na União Europeia depois do referendo de 23 de junho de 2016. Os partidários de ficar na UE suspenderam a campanha.

Um homem de 52 anos, Tommy Mair, foi preso pela polícia do Condado de York do Oeste, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Ao atacar, ele teria dito "Primeiro, a Grã-Bretanha", nome de um grupo de extrema direita. O ultranacionalista Partido da Independência do Reino Unido negou qualquer ligação com o ataque.

O referendo foi prometido pelo primeiro-ministro David Cameron para tentar pacificar o Partido Conservador, dividido entre europeístas e eurocéticos desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. A campanha está dividindo o país e os partidos políticos.

Jo Cox foi eleita deputada em 2015, depois de trabalhar para a organização não governamental de combate à miséria Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome). É casada e tem dois filhos.

No momento, a pesquisa das pesquisas, uma média do resultado das sondagens da opinião pública, indica uma vantagem de 52% a 48% a favor dos partidários de deixar a UE.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Maior banco escocês ameaça ir para a Inglaterra

Se a Escócia votar pela independência no plebiscito convocado para 18 de setembro de 2014, o Royal Bank of Scotland vai mudar sua matriz para a Inglaterra. É mais uma tentativa de convencer os escoceses de que têm mais a perder com a separação. Várias empresas transferiram seu dinheiro para a Inglaterra nos últimos dias.

Ontem, os líderes dos três maiores partidos no Parlamento Britânico, o primeiro-ministro conservador David Cameron, o vice-primeiroministro liberal-democrata Nick Clegg e o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, foram à Escócia num apelo conjunto em apoio à campanha do não. O primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, líder da campanha do sim, ridicularizou a iniciativa como um gesto de desespero.

Desde o Ato de União de 1707, a Escócia faz parte do Reino Unido. O fundo azul da bandeira da Grã-Bretanha vem da Escócia. Pode ser a penúltima descolonização do Império Britânico. Restará o País de Gales, além de algumas ilhotas perdidas pelo mundo como as Malvinas, reivindicadas pela Argentina.

O governo britânico adverte que uma Escócia independente não será beneficiada por uma união monetária para continuar usando a libra esterlina como moeda. O movimento nacionalista garante que o petróleo do Mar do Norte será suficiente para dar aos escoceses um nível de vida melhor do que eles têm hoje pertencendo à União.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Mais de 90% dos jornais britânicos são lidos em papel

Uma pesquisa feita junto aos 12 diários de circulação nacional do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte indica que a leitura de jornais por meios eletrônicos ainda é muitíssimo menor do que a de exemplares impressos.

Nos últimos quatro anos, só um jornal, o esquerdista The Guardian, observou um aumento no tempo total gasto por seus leitores domésticos em papel ou via Internet. De modo geral, houve uma queda de 4% ao ano em média no tempo dedicado à leitura de jornais, apontam os dados do estudo da City University, de Londres.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Escócia convoca plebiscito sobre independência

O primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, anunciou hoje que o plebiscito sobre a independência do país será realizado em 18 de setembro de 2014, o que dá um ano e meio para um amplo debate sobre a permanência no Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.

A Escócia está oficialmente unida à Inglaterra e ao País de Gales pelo Ato de União, de 1707, que a incorporou ao Império Britânico. Sua independência teria o significado de uma "última descolonização".

Embora o Partido Nacionalista Escocês, liderado por Salmond, seja o mais votado na Escócia, apenas 30% a 40% da população são favoráveis a uma independência total. A maioria prefere a autonomia conquistada no governo Tony Blair.

Tudo pode mudar com a crescente aversão dos conservadores à União Europeia e a promessa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de realizar um plebiscito até 2017 para decidir se o Reino Unido vai continuar sendo parte da União Europeia.

Sem a UE, a maior parte das vantagens econômicas de ser parte do Reino Unido, como a participação no mercado único europeu, se evaporariam.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Cartas revelam gênio do outro descobridor da evolução

A Teoria da Evolução das Espécies, do naturalista inglês Charles Darwin, é uma das bases da visão da ciência, mas ele não descobriu sozinho os segredos da natureza e do mundo animal. Agora, as cartas trocadas por Darwin e Alfred Russel Wallace revelam novos detalhes desta fecunda parceria científica, informa a revista Nature.

Desde quinta-feira, as Cartas de Wallace estão à disposição no sítio do Museu de História Natural do Reino Unido, em Londres. Elas contam a história de um naufrágio, em 1852, em que Wallace sobreviveu numa embarcação precária que estava a 1,1 mil quilômetros de terra firme.

Alguns anos depois, em 1858, Darwin e Wallace chegaram ao conceito de seleção natural, a sobrevivência do mais forte, mais apto e mais adaptável às alteracões do meio ambiente, base da teoria exposta no livro A Origem das Espécies, de 1859.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Princesa tira medalha de ouro da Grã-Bretanha

LONDRES - A Grã-Bretanha acaba de ganhar a medalha de prata na competição de hipismo por equipe da Olimpíada de Londres. Poderia ter chegado ao ouro, se não fossem os erros cometidos pela princesa Zara Philips, filha da princesa Anne e neta da rainha Elizabeth II.

Depois de derrubar uma barreira e perder pontos por estourar o tempo, um tanto constrangida, Zara lamentou "pela equipe". Mas o excelente desempenho de suas colegas levou a Grã-Bretanha ao segundo lugar, atrás da campeã Alemanha.

Zara e sua mãe foram as únicas pessoas da família real britânica a participar dos Jogos Olímpicos até hoje.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Argentina faz guerrinha diplomática pelas Malvinas

Trinta anos depois da invasão ordenada pelo ditador Leopoldo Fortunato Galtieri, a Argentina lembrou hoje a Guerra das Malvinas (Falklands, para os ingleses) em meio a uma ofensiva diplomática da presidente Cristina Kirchner para negociar com o Reino Unido a soberania das ilhas.

A guerra acabou com uma ditadura militar sanguinária (1976-83) acusada pela morte e o desaparecimento de 30 mil pessoas. Apesar de ter sido travada sob o comando de militares assassinos que torturaram seus próprios soldados no campo de batalha, deixou uma cicatriz profunda no orgulho argentino.

Quando invadiu as Malvinas, em 2 de abril de 1982, Galtieri não acreditava que a Grã-Bretanha iria à guerra "por umas ilhotas". Também contava com o apoio dos Estados Unidos, depois de fazer a guerra suja para o governo Ronald Reagan na América Central quando o presidente americano estava proibido pelo Congresso de ajudar as ditaduras da Guatemala, Honduras e El Salvador, e os contrarrevolucionários da Nicarágua.

A ditadura argentina treinava exércitos e rebeldes para a luta contra o comunismo na
América Central. Como comandante do Exército, Galtieri assumiu um papel de destaque nessas guerras sujas.

 Para dar um golpe dentro do golpe, derrubar o general Roberto Eduardo Viola e assumir a Presidência da Argentina, o general Galtieri teria oferecido a ocupação das ilhas como um presente à Marinha, a mais poderosa das três armas do país vizinho. Ou talvez quisesse apenas desviar a atenção da opinião pública da ruína econômica e da tragédia social.

As grandes potências não costumam se curvar diante de agressões de países menores. Deixariam de ser grandes potências se fizessem isso. A então primeira-ministra Margaret Thatcher enviou logo uma força-tarefa que retomou as Malvinas, as Ilhas Sanduíche e as Geórgias do Sul em 14 de junho de 1982, no fim de uma guerra em que morreram 649 argentinos e 258 britânicos.

Muitos argentinos, recrutados à força, sob o risco de pena de morte por deserção, sem treinamento, roupas adequadas ao frio polar e comida, se entregaram aos britânicos. Era esse o Exército poderoso que matava seu povo pelas costas, mas botou meninos despreparados para defender o país numa aventura inconsequente e irresponsável.

Havia uma negociação em curso, nos moldes da devolução de Hong Kong à China, acertada em 1984 e concretizada em 1997. Diante dos crimes da ditadura militar que tomou o poder na Argentina em 1976, a negociação foi abandonada. Era politicamente impossível fazer concessões para aquelas juntas militares ensandecidas.

Isso não impediu que Thatcher recusasse os pedidos de extradição do capitão Alfredo Astiz. Como Anjo da Morte da ditadura militar, ele matara pelas costas uma adolescente sueco-argentina e, em outra ocasião, duas freiras francesas. Na verdadeira guerra, nomeado comandante militar das Ilhas Geórgias do Sul, Astiz se rendeu sem disparar um tiro. Agora foi finalmente condenado pelos crimes da ditadura.

Até hoje, os veteranos das Malvinas acampam no centro de Buenos Aires para cobrar as promessas jamais cumpridas. Galtieri caiu dias depois do fim da guerra, como principal responsável por uma derrota humilhante.

O Brasil adotou uma posição de neutralidade durante o conflito. Apoiava e apoia e reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas, mas rejeita o uso da força. Esta é hoje a posição comum da América do Sul.

Como representante do Brasil em Londres e porta-voz da Argentina, o embaixador e ex-ministro do Planejamento Roberto Campos teria aconselhado Thatcher a reassentar os cerca de 1,2 mil kelpers que moravam nas ilhas antes da invasão no Norte da Escócia, numa região de clima semelhante ao das Malvinas. Mas não era um problema econômico. Era - e ainda é - uma questão de soberania.

Por isso, a atual ofensiva diplomática de Cristina Kirchner é meramente retórica. Não é acusando o Reino Unido de militarizar o Atlântico Sul que a Argentina vai recuperar as Malvinas. Se empresas britânicas encontrarem petróleo nas ilhas, a discussão fará sentido.

No momento, é mais uma jogada de esperteza política da presidente argentina, que enfrenta uma séria crise econômica, com desabastecimento por causa das políticas protecionistas, tentativas desesperadas de manter um saldo comercial positivo para se autofinanciar.

Trinta anos depois do fim de duas tragédias argentinas, a Guerra das Malvinas e a ditadura militar, o país ainda não se livrou de sua crise política permanente, de sua crise de governabilidade.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mais um ministro britânico renuncia

Mais um ministro britânico pediu demissão nesta quinta-feira, aumentando a pressão para que o primeiro-ministro Gordon Brown renuncie ao cargo de chefe de governo do Reino Unido e convoque eleições gerais antecipadas.

A carta-renúncia do ministro do Trabalho e das Pensões, James Purnell está na capa da edição desta sexta-feira, 5 de junho de 2009, do jornal The Times, sob a manchete: "Querido Gordon, eu desisto!"

Até o jornal de esquerda The Guardian, que tradicionalmente apóia o Partido Trabalhista, publicou editorial pedindo que o primeiro-ministro vá embora por "falta de idéias, planos e projetos".

Com a derrota praticamente certa nas eleições de hoje para os governos municipais e o Parlamento Europeu, a pressão pode se tornar insuportável. Com o Partido Trabalhista desprestigiado, os conservadores lideram as pesquisas de opinião com ampla vantagem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Inflação britânica cai para 3,1% ao ano

Em outro sinal da queda do consumo e do agravamento da crise, o governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte revelou hoje que a taxa anual de inflação no varejo caiu de 4,1% para 3,1%, a maior queda de um mês para outro desde 1992.

Agora à noite, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, admitiu que estão se esgotando os instrumentos à disposição do banco. O principal instrumento, a taxa básica de juros, caiu de 5,5% para 1,5% ao ano desde setembro.

O próximo passo será tomar medidas "não-convencionais", como, por exemplo, imprimir dinheiro, aumentar a quantidade de moeda em circulação.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Os canhões silenciaram-se há 90 anos

Amanhã, faz 90 anos do fim da Primeira Guerra Mundial, o conflito que marca o fim da inocência, da guerra como um ato heróico. É a guerra industrial. Milhões de soldados são enviados de trem às frentes de combate. Os bombardeios de artilharia são intensos.

Foi uma guerra de trincheiras e bombardeio com poucos avanços na frente ocidental, entre Alemanha e Norte da França e Bélgica. Começou quando o estudante radical sérvio Gravilo Princip matou o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo, na época parte da Sérvia, em 28 de junho de 1914.

A Sérvia era aliada da França, da Grã-Bretanha e da Rússia, a Tríplice Entente. O Império Austro-Húngaro, do Império Alemão e da Itália, na Tríplice Aliança, que depois receberia a adesão do Império Otomano.

A guerra começa um mês depois. Durou mais de quatro anos. Cerca de 20 milhões de pessoas morreram. Mais 10 milhões morreriam da gripe espanhola, uma conseqüência da Grande Guerra.

Em 1917, ano em que os EUA entram na guerra, tornando-se uma potência mundial, é também o ano da Revolução Russa, outra conseqüência da Primeira Guerra Mundial. A desmoralização do Exército czarista e as privações domésticas armaram o cenário para a revolução. Entram em cena as superpotências que dominaram a História na segunda metade do século 20.

O Brasil entrou na guerra, em 1917, ao lado dos EUA.

Por fim, “a guerra para acabar com todas as guerras”, como dizia a propaganda do governo Woodrow Wilson para justificar a intervenção americana, terminou com a paz para acabar com todas as pazes. A Paz de Verselhas (1919) impôs humilhações à Alemanha que fomentaram a ascensão do nazismo.

Os canhões foram silenciados às 11h de 11 de novembro de 1918. Era o fim da primeira parte da grande guerra civil européia, que continuaria de 1939 a 1945. O continente que era o centro da cultura e da civilização se autodestruiu em duas guerras mundiais e se reinventou como Comunidade Européia para acabar com a guerra entre a França e a Alemanha, e resolver pacificamente os conflitos entre seus países-membros.

domingo, 5 de outubro de 2008

Trabalhistas britânicos marcham para derrota

Sob a desastrosa liderança do primeiro-ministro Gordon Brown, o Partido Trabalhista pode perder 164 dos seus 349 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e entregar o poder ao Partido Conservador, indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal popular News of the World.

No ano passado, uma pesquisa feita com a mesma metodologia previa uma perda de 49 cadeiras. Desta vez, foram entrevistados 1.004 eleitores em 192 distritos onde hoje o deputado é trabalhista.

Como o sistema eleitoral britânico adota o voto distrital em turno único, ganha o candidato mais votado, às vezes com pouco mais de 30% dos votos. Nestes distritos, uma variação de 10% a 15% daria a vitória ao candidato conservador.

Brown cogitou convocar eleições antecipadas há um ano, pouco depois de suceder Tony Blair sem passar pelo julgamento das urnas. Desistiu da idéia porque as pesquisas não eram favoráveis. Desde então, só pioraram.

Depois de 11 anos no poder, o neotrabalhismo está desgastado e Brown não tem o charme de Blair. As eleições precisam ser realizadas até junho de 2010.

No Reino Unido, os mandatos dos deputados na Câmara dos Comuns são de cinco anos, mas o primeiro-ministro tem a prerrogativa de convocar eleições antecipadas a qualquer momento. Os primeiros-ministros tendem a realizar eleições até o quarto ano de governo, num momento que lhes pareça mais conveniente politicamente.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Rússia fecha escritórios do Conselho Britânico

Na sua guerrinha fria com o Reino Unido desde o assassinato em Londres do ex-espião russo naturalizado britânico Alexander Litvinenko, em novembro de 2006, a Rússia fechou todos os escritórios no país do Conselho Britânico, um órgão de promoção cultural da Grã-Bretanha.

O ministro do Exterior britânico, David Miliband, acusou a Rússia de ressuscitar os métodos da Guerra Fria, a grande confrontação entre capitalismo e comunismo que marcou a história da segunda metade do século 20, considerando a atitude russa "repreensível".

Em Moscou, o governo russo alegou que "tentativas de politizar o tema de parte dos britânicos, de distorcer os fatos e de usar uma retórica negativa não ajudam a melhorar as relações bilaterais.

Litvinenko, ligado a líderes da oposição russa como o megaempresário Boris Berezovski, foi envenenado em Londres pelo elemento radioativo Polônio-210 e agonizou durante três semanas.

O principal acusado pela polícia britânica pelo assassinato, Andrei Lugovoi, outro ex-agente russo, foi eleito deputado federal da Duma do Estado (Câmara) em dezembro do ano passado. Goza, agora de imunidade parlamentar. Mas é claro que o Kremlin nunca pensou em extraditá-lo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Britânicos enviam 1 bilhão de torpedos por semana

O número de mensagens de texto que os britânicos mandam por celular hoje em uma semana equivale ao total enviado em 1999, revela a Mobile Data Association (MDA), a Associação de Dados por Celular.

Em setembro de 2007, foram enviadas 4,825 bilhões de mensagens, 25% a mais do que em setembro de 2006. São, em média, 4 mil torpedos por segundo ou 70 por pessoa a cada mês. A hora do pico é entre 22h30 e 23h.

A primeira mensagem de texto de um celular britânico foi enviada em 1992.

domingo, 21 de outubro de 2007

Rebeldes curdos matam 12 soldados turcos

Em um choque que aumenta a tensão na fronteira norte do Iraque, guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) atacaram soldados da Turquia. Pelo menos 12 soldados e 23 rebeldes foram mortos, informou o Exército turco.

Na semana passada, o Parlamento da Turquia autorizou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan a invadir o Norte do Iraque para atacar bases do PKK, que luta desde 1984 pelo independência do Curdistão. O governo dos Estados Unidos pediu moderação aos turcos, temendo que um ataque desestabilize o Curdistão iraquiano, única região estável do Iraque.

Com mais de 40 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo que não tem um Estado Nacional. Vivem na Turquia, no Irã, no Iraque e na Síria. No fim da Primeiro Guerra Mundial, em que os curdos lutaram ao lado da França, da Grã-Bretanha e da Rússia contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e da Áustria-Hungria, eles receberam a promessa de que teriam seu país.

Mas, ao redesenhar o mapa político do Oriente Médio no pós-guerra, o então subsecretário para o Oriente Médio do governo britânico, Winston Churchill, enterrou a promessa de criar o Curdistão ao juntar a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às províncias de Bagdá e Bássora para criar um Iraque suficientemente forte para conter o Irã.

A questão curda está viva até hoje. Na Turquia, há um conflito permanente entre o Exército nacionalista e grupos radicais como o PKK.

No Iraque, os curdos foram os maiores aliados dos EUA na invasão do Iraque. Os xiitas sempre duvidiram das reais intenções do governo Bush. E os sunitas foram os grandes perdedores porque eram o núcleo do poder desde que o que hoje é o Iraque passou para o domínio do Império Otomano, em 1638.

Por isso, o Norte do Iraque é a região mais tranqüila do país.

Quanto à Turquia, ao que tudo indica se dá o direito de atacar se de lá partirem ações armadas contra seu território. Uma incursão mais firme e decidida certamente mereceria o repúdio da União Européia, complicando as negociações de acesso da Turquia. Seria mais um pretexto para quem é contra o ingresso dos turcos na casa comum européia.

Para os EUA, a Turquia é um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e um país-chave no relacionamento com o mundo islâmico. É uma arena importante para vencer o debate de idéias entre o iluminismo liberal e os fundamentalistas muçulmanos.

sábado, 28 de julho de 2007

Brown reafirma aliança com EUA

As relações entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos permanecem sólidas, afirmou o novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, antes de embarcar a Washington para seu primeiro encontro com o presidente George Walker Bush desde que sucedeu Tony Blair na chefia do governo do Reino Unido.

Os dois líderes vão discutir terrorismo, a guerra no Iraque, a ameaça nuclear do Irã, p aquecimento global e a estagnação das negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Médico indiano preso na Austrália é acusado de terrorismo na Grã-Bretanha

O Dr. Mohammed Hanif, um médico indiano de 27 anos preso na Austrália, foi acusado pelas tentativas de explosão de carros-bomba na Grã-Bretanha no mês passado. É suspeito de ser um contato da rede Al Caeda.

Hanif foi detido em 2 de julho no aeroporto de Brisbane.

A acusação formal, de dar apoio a uma organização terrorista, prevê uma pena de até 15 anos de cadeia. Ele estaria envolvidos nas tentativas de detonar carros cheios de explosivos em Haymarket e na Park Lane, no centro de Londres, e no Aeroporto de Glasgow, na Escócia.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Gordon Brown já é primeiro-ministro britânico

Depois de dez anos de espera e de uma luta surda pelo poder com primeiro-ministro que sai, Tony Blair, Gordon Brown assumiu hoje a chefia do governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Depois de pedir autorização oficial à rainha Elizabeth II para formar o próximo Governo de Sua Majestade, entrou na residência oficial de 10e Downing Street prometendo "trabalhar pela mudança".

Não foi uma entrada triunfal como a de Blair chegou em 2 de maio de 1997, com o povo nas ruas festejando a derrota dos conservadores. Com apenas 43 anos, levava o Partido Trabalhista à vitória depois de 18 anos de thatcherismo. Era o mais jovem primeiro-ministro britânico desde Lorde Liverpool, em 1812, na época das guerras napoleônicas.

Blair deixa como legado uma economia estável e em crescimento sustentado, graças ao ex-ministro das Finanças e agora primeiro-ministro Gordon Brown, uma certa recuperação dos serviços públicos e a paz na Irlanda do Norte, acabando com um conflito de 800 anos entre Inglaterra e Irlanda.

Em 11 de setembro de 2001, percebendo a importância dos atentados terroristas contra Nova Iorque e Washington, tratou de consolidar a "relação especial" com os Estados Unidos, dando apoio incondicional ao presidente George W. Bush. Sua "herança maldita" será a guerra no Iraque, causa de sua queda prematura.

Na sua terceira vitória eleitoral consecutiva, algo inédito para um líder trabalhista britânico, Blair perdeu mais de 100 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico por causa da rejeição da opinião pública à intervenção no Iraque. Desde então, sua queda está anunciada. Ele teve o direito de marcar a data.

Brown, preterido na disputa pela liderança do partido depois da morte de John Smith, em 1994, é mais sizudo e mais carruncudo, menos midiático. Sorri pouco. Fala pouco. É frio e calculista. Como ministro das Finanças de Blair, foi um excelente gestor do mais longo período de expansão da história econômica da Grã-Bretanha. Agora, é a sua vez.

A exemplo da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90), Blair adotou um estilo de governo quase presidencialista, centralizado nele. Sempre tomou decisões com um pequeno grupo do qual participavam assessores sem mandato eletivo, como seu diretor de comunicações, Alastair Campbell, a "face antipática" do governo Blair.

Campbell era tão influente que caiu depois do suicídio de um cientista do Ministério da Defesa que dissera em sigilo à BBC que a alegação de que Saddam Hussein poderia contra-atacar com armas de destruição em massa em 45 minutos era uma fabricada pelo governo. Nenhum cientista previra essa possibilidade.

Se era responsável, em primeiro lugar, o primeiro-ministro sabia e concordou com a mentira apresentada ao Parlamento e à opinião pública; em segundo lugar, Campbell tinha poder demais. Desde o início, o governo Blair notabilizou-se por manipular as notícias, dando um 'efeito especial' (spin), a tal ponto que no dia 11 de setembro de 2001 uma assessora do Ministério do Meio Ambiente, Transportes e Cidades sugeriu que era "um bom dia para divulgarmos notícias que quisermos enterrar", debaixo das Torres Gêmeas do World Trade Center, com quase mil cadáveres. Pegou mal.

No fim, o governo Blair foi vítima do seu próprio veneno.

Gordon Brown prometeu governar com todo o gabinete e o Parlamento, fortalecer as instituições e fazer um governo menos personalista. Blair virou uma celebridade midiática internacional ao chamar Lady Diana, a Princesa de Gales, de "princesa do povo", no dia de sua morte. Teria sido uma idéia de Campbell. Brown sabe que não tem a mesma naturalidade e desenvoltura diante das câmeras.

Sintomaticamente, o último encontro de Blair como primeiro-ministro foi com o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, um astro de Hollywood. Os repórteres brincaram que Blair poderia dizer "Hasta la vista, baby!" (Até a vista, baby!), uma das frases do Exterminador do Futuro, papel que celebrizou Arnie no cinema, mas não "I'll be back!" (Eu voltarei!)

Sua carreira de deputado do Parlamento Britânico também chegou ao fim. Blair renunciou ao mandato para se dedicar à função de enviado especial do Quarteto (EUA, Nações Unidas, União Européia e Rússia) para negociar a paz no Oriente Médio.

Já há comentaristas árabes protestando, por causa da participação de Blair na ocupação do Iraque. Mas se houvesse um mínimo de concordância no Oriente Médio, a paz não estaria tão distante.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Reino Unido e Irlanda convocam eleições na Irlanda do Norte

Os primeiros-ministros britânico, Tony Blair, e irlandês, Bertie Ahern, convocaram hoje para 7 de março eleições para a Assembléia da Irlanda do Norte, numa tentativa de recriar o governo semi-autônomo, dissolvido em 2002 por falta de acordo entre os principais partidos católicos e protestantes.

Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 1998 para pôr fim a uma guerra civil que matou mais de 3,3 mil em 30 anos, a minoria tem poder para vetar decisões da assembléia e do governo norte-irlandeses se reunir 40% dos votos. É um mecanismo criado para impedir a dominação total de uma comunidade, garantindo os direitos da minoria.

Isto provocou sucessivas crises e colapsos do governo. A decisão do Sinn Féin - partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês, principal grupo católico na luta contra a dominação britânica sobre a Irlanda do Norte - de aderir ao acordo que cria a Polícia da Irlanda do Norte, aprovada no domingo passado, recria as condições para reinstaurar o governo semi-autônomo.

Se isto acontecer, a Irlanda do Norte deixa de ser governada de Londres, um dos argumentos usados por Gerry Adams, presidente do SF, para convencer a linha dura a participar de uma polícia recentemente acusada de violência e arbitrariedade contra católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, adversários dos protestantes que defendem a manutenção do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.