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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

 IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai até a independência e a divisão do país em Índia e Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político da Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido e do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS, em 11 de março de 1985.

MAGIC JOHNSON VOLTA PARA JOGO DAS ESTRELAS

    Em 1992, o grande astro do basquete Magic Johnson volta às quadras para disputar o Jogo das Estrelas meses depois de revelar que tem o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids).

Earvin Magic Johnson nasce em Lansing, no estado de Michigan, em 14 de agosto de 1959, filho de um montador da General Motors e de uma zeladora de escola municipal. Seus pais jogaram basquete e assistiam aos jogos da NBA (Associação Nacional de Basquete dos EUA).

Aos 14 anos, ele ingressa numa escola que não é só para negros e seus colegas brancos não passam a bola nos jogos de basquete. É necessária uma intervenção do treinador George Fox, que escala Johnson como armador por causa da criatividade. No segundo ano, era um dos melhores times de estudantes de Michigan.

Aos 15 anos, Earvin ganha o apelido de Magic Johnson. Ele vai para a Universidade Estadual de Michigan para jogar na sua posição original. Sonha em ser comentarista, Assim, se concentra no curso de comunicação social.

Em 1978, Johnson estampa capa da revista Sports Illustrated, A Universidade Estadual de Michigan vai para a final do basquete universitário na temporada 1978-79 contra a Universidade de Indiana, liderada por Larry Bird, que vai para o Boston Celtics e trava um longo duelo com Magic Johnson. Michigan vence por 75-64. 

Aos 20 anos, ele entra no sorteio da NBA e vai para o Los Angeles Lakers. É um dos maiores e talvez o mais criativo armador da história do basquete. É cinco vezes campeão da NBA, três vezes escolhido o melhor jogador. três vezes escolhido o melhor jogador das finais e duas vezes o melhor do Jogo das Estrela.

Magic Johnson conquista uma medalha de ouro com o Time dos Sonhos na Olimpíada de Barcelona, em 1992. É o jogador com maior média de assistências por jogo da história da NBA.

Em 7 de novembro de 1991, numa notícia chocante, Johnson anuncia que testou positivo para o HIV e está abandonando o basquete. Volta para o jogo das estrelas e a olimpíada.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexa a ilha ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o ditador do breve período republicano da história da Inglaterra (1649-60). Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1º de julho 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher (1979-90), há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes dão status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizam ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo norte-irlandês à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só no ano passado o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo de união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo é chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travo a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda. Michelle O'Neill assume o cargo de primeira-ministra em 3 de fevereiro de 2024.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

 IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai até a independência e a divisão do país em Índia e Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político da Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido e do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS, em 11 de março de 1985.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexa a ilha ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o ditador do breve período republicano da história da Inglaterra (1649-60). Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1º de julho 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher (1979-90), há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes dão status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizaram ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo norte-irlandês à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só no ano passado o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo de união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo é chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travo a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda. Michelle O'Neill assume o cargo de primeira-ministra em 3 de fevereiro de 2024.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai de 1857 até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político de Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexou a ilha menor ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o líder do breve período republicano da história da Inglaterra. Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria, católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participavam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher, há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes deram status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizaram ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causou uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só recentemente o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo da união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo será chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travou a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não foi resolvido.

O governo britânico apontou uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito, mas os protestantes da Irlanda do Norte continuam se negando a formar o governo de união nacional, que seria liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Morre comandante do IRA que virou vice-primeiro-ministro

O ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA) e ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness, um dos principais negociadores do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa (1998), morreu hoje aos 66 anos.

McGuinness morreu em Londonderry, que o movimento nacionalista irlandês, católico e nacionalista liderado por ele chama de Derry, semanas depois de deixar a política por causa de uma doença rara chamada amiloidose, uma consequência do acúmulo anormal de proteína em órgãos e tecidos.

Ele era comandante do IRA em Londonderry em 30 de janeiro de 1972, quando o Exército Real britânico disparou contra uma manifestação de protesto de católicos em que temia a infiltração do IRA, matando 14 pessoas no Domingo Sangrento, num dos momentos mais difíceis da guerra civil na Irlanda do Norte.

Quando a República da Irlanda se tornou independente, em 1922, seis condados da província do Úlster, onde os protestantes favoráveis a permanecer no Reino Unido eram maioria, formaram a Irlanda do Norte, uma entidade que o IRA nunca reconheceu.

Para falar da região, McGuinness sempre usou a expressão "no Norte da Irlanda". Fazia parte da guerra retórica que começou a acabar com a Declaração de Downing Street, de 1993, quando os governos do Reino Unido e da Irlanda chegaram a um acordo para iniciar o processo de paz.

Em 1994, o IRA declarou um cessar-fogo suspenso em 9 de fevereiro de 1996 diante da estagnação das negociações. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa foi assinado em 9 de abril de 1998, dividindo o poder entre as duas comunidades. A formação do governo ainda levou alguns anos.

Martin McGuinness foi escolhido pelo Sinn Féin, o partido político do IRA, para ser seu representante máximo no governo semiautônomo da Irlanda do Norte. De 8 de maio de 2007 a 9 de janeiro de 2017, o ex-comandante militar do IRA foi vice-primeiro-ministro.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Governo de união nacional da Irlanda do Norte entra em colapso

O vice-primeiro-ministro católico Martin MacGuinness, ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA), renunciou hoje ao cargo provocando o colapso do governo de união nacional na Irlanda do Norte, criado pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, em 1998. Sua decisão vai levar a uma nova eleição para a Assembleia provincial, noticiou o jornal inglês The Independent.

Pelo acordo para dividir o poder entre católicos favoráveis à unificação com a Irlanda e os protestantes defensores da união com o Reino Unido, a primera-ministra protestante Arlene Foster não pode continuar no cargo sem um vice representante da minoria católica.

Ela está no centro de um escândalo de corrupção que custou 400 milhões de libras aos cofres públicos. Esse dinheiro deveria ser usado num programa criado em 2012 para estimular o uso de fontes renováveis de energia e reduzir o consumo de carvão na Irlanda do Norte.

Como o resultado foi pífio, os empresários acabaram recebendo incentivo para queimar carvão. O caso ficou conhecido como dinheiro por cinzas.

O deputado Jonathan Bell rompeu o silêncio do Partido Unionista Democrático (DUP). Ele acusou Arlene Foster de alterar documentos oficiais para encobrir sua participação, mas ela nega qualquer responsabilidade e se recusa a renunciar.

Pequenos partidos apresentaram uma moção de desconfiança que não avançcou na Assembleia. No fim de semana, o presidente do Sinn Féin, o partido político do movimento católico, republicano e nacionalista irlandês, Gerry Adams, indicou que McGuinness poderia renunciar para forçar a queda de Foster.

Na carta de demissão, McGuinness apela a Foster para "sair a fim de garantir a credibilidade necessária para a investigação e o interesse público mais amplo."

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Reino Unido vota a favor de sair da União Europeia

Por 51,9% a 48,1%, com uma vantagem de mais de um milhão de votos, os eleitores britânicos aprovaram em plebiscito a saída do Reino Unido da União Europeia, anunciaram há pouco as televisões BBC, ITV e Sky. Foi uma decisão chocante para o bloco europeu, os mercados internacionais e a própria moeda britânica. A libra esterlina caiu 12,64% para a menor cotação em 31 anos, US$ 1,36.

Mais de 33 milhões de pessoas votaram, com 17,4 milhões optando pela saída da UE contra 16,1 milhões favoráveis à permanência. Desde o início da apuração, os partidários da saída da UE mostraram desempenho superior ao previsto nas pesquisas.

No Nordeste da Inglaterra, onde a apuração começou, em Newcastle, era esperada uma boa vitória dos europeístas. A vantagem foi estreita. Em Sunderland, a saída ganhou com quase dois terços dos votos.

Na Grande Londres, onde a permanência na UE venceu, uma chuva de verão reduziu o comparecimento às urnas, que no geral chegou a 72,2%, acima das eleições parlamentares do ano passado. No resto da Inglaterra, a saída ganhou decisivamente. Também venceu no País de Gales.

Em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido, com 63% de participação, a saída ganhou por pequena margem. Em Manchester, a terceira maior cidade e segundo maior centro cultural do país, tradicional reduto da esquerda, a vitória da permanência na UE foi pequena e a abstenção grande.

Isso revela o fracasso do Partido Trabalhista, sob a liderança de Jeremy Corbyn, da velha esquerda que vê a integração europeia como um projeto liberal capitalista, em mobilizar seu eleitorado para defender a Europa. Corbyn, que votou contra a adesão à Comunidade Europeia no plebiscito de 1975, se negou a fazer campanha ao lado do primeiro-ministro conservador David Cameron.

Os maiores sindicatos, com 6 milhões de associados, pediram o voto para ficar, mas a mobilização do eleitorado de direita e extrema direita foi muito maior. A esquerda fracassou em defender as conquistas e os direitos sociais garantidos pela UE. Se a Escócia declarar a independência, o que restar do Reino Unido será governado por ingleses conservadores.

A Escócia votou amplamente a favor da UE. A saída não ganhou em nenhum distrito eleitoral. A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, declarou que uma mudança constitucional desta natureza justificaria a convocação de um novo plebiscito para aprovar a independência e ficar na Europa.

Na Irlanda do Norte, onde o fico ganhou, o Sinn Féin, partido do movimento católico, republicano e nacionalista ligado ao extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), defende a realização de um plebiscito sobre a unificação da Irlanda.

É uma vitória do nacionalismo retrógrado da ala mais direitista do Partido Conservador e de neofascistas como Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). Ele posa como o grande vencedor, lembrando que sonha com este "dia da independência" há décadas e exige a formação de um governo do grupo Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).

Farage fez três discursos desde a divulgação do resultado, enquanto o primeiro-ministro, o líder da oposição e mesmo os líderes da campanha conservadora pela saída continuam calado.

É uma vitória da extrema direita europeia, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, que sonha em convocar um plebiscito semelhante na França, e da ultradireita que avança na Áustria, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que considera a UE inimiga, e de um populista inconsequente como o americano Donald Trump.

O primeiro-ministro David Cameron, que convocou o plebiscito na tentativa de acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador e defendeu a permanência na UE, está desmoralizado. Entra para a história como um fracassado que destruiu o país.

Líder da campanha pela saída, o patético ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista e um bufão, está pronto a desafiar Cameron e assumir o controle do partido e do governo.

O euro também cai. O projeto europeu está abalado. A vitória dos ultranacionalistas britânicos vai encorajar a extrema direita a reivindicar plebiscitos em outros países da UE, um projeto social-democrata que foi a maior garantia da paz e da prosperidade na Europa em mais de meio século.

O Reino Unido não fez parte do núcleo fundador da Comunidade Econômica Europeia em 1957 (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo). Nos anos 1960s, por duas vezes, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou a associação britânica, que via como um cavalo de Troia dos Estados Unidos.

Há 43 anos, em 1973, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca entraram para a CEE, que passou a ter nove países-membros. Hoje, são 28 membros. A Albânia, Montenegro e a Sérvia negociam a adesão.

Agora, resta ao Reino Unido negociar um divórcio amigável com a UE. Por um lado, há o interesse de manter a segunda maior economia europeia no mercado comum. Por outro lado, a UE não deve fazer nada que estimule outros países a deixar o bloco, não vai querer dar a impressão de que há benefícios em deixar o maior mercado do mundo.

domingo, 4 de maio de 2014

Líder histórico do Sinn Féin é solto na Irlanda do Norte

O líder histórico do Sinn Féin, partido político ligado do Exército Republicano Irlandês (IRA), Gerry Adams, foi libertado hoje na Irlanda do Norte. Ele tinha sido preso há quatro dias e interrogado sobre o sequestro, assassinato e ocultação de cadáver de uma mulher acusada na época de ser informante do governo britânico, em 1972, no auge da guerra civil norte-irlandesa.

Adams foi eleito várias vezes para o Parlamento Britânico. Nunca assumiu a cadeira por se negar a jurar lealdade à rainha da Inglaterra. Antes do processo de paz que levou ao Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998, sua voz era proibida nas rádios e televisões do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

Com a pacificação, o presidente do Sinn Féin virou deputado do Parlamento da Irlanda. Mesmo que ele não seja processado por esse caso de 1972, sua carreira política no Sul está liquidada.

Gerry Adams foi denunciado por dois ex-guerrilheiros do IRA num projeto para registrar a história da guerra civil na Irlanda do Norte (1969-98), que matou mais de 3,5 mil pessoas, realizado pela Universidade de Boston, uma das principais colônias irlandesas nos Estados Unidos. Anos depois do acordo de paz, o IRA, que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, entregou as armas e foi desmobilizado

Havia um compromisso de que os depoimentos só seriam revelados depois da morte dos que concordaram em contar sua história, mas a Polícia da Irlanda do Norte recorreu à Justiça dos EUA com base na Lei de Liberdade de Informação e ganhou.

A decisão de processar Adams ou não cabe agora ao Ministério Público da Irlanda do Norte, que hoje tem um governo semiautônomo de união, com a divisão do poder entre católicos e protestantes.

Os católicos são republicanos e nacionalistas irlandeses. Querem integrar o Norte à República da Irlanda e unificar a ilha. Os protestantes querem manter a união com o Reino Unido. É um conflito que vem desde que os reis da Inglaterra começaram a intervir na Irlanda, no século 12.

A Irlanda do Norte surgiu em 1922, quando a República da Irlanda se tornou independente. O IRA e o movimento nacionalista mais radical nunca aceitaram a divisão do que chamam de "uma ilha pequena". Jamais se referem aos seis condados da província do Úlster como Irlanda do Norte. Para o Sinn Féin, é o "Norte da Irlanda".

Ao sair da prisão, o presidente do Sinn Féin declarou: "O passado é o passado. O IRA acabou."

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Exército britânico deixa Irlanda do Norte

O Exército Real britânico encerrou à zero hora desta quinta-feira sua intervenção na Irlanda do Norte, iniciada em 1969 para tentar conter, sem sucesso, a violência sectária entre católicos e protestantes.

A intervenção não pacificou a província do Úlster. Ao contrário, ajudou a fomentar uma guerra civil que matou cerca de 3,3 mil pessoas. Neste período, mais de 300 mil soldados britânicos serviram na Irlanda do Norte; 763 foram mortos.

O conflito só acabou com a decisão do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, de entregar as armas em 2005 e a formação de um governo de união nacional reunindo os ex-inimigos do Sinn Féin, partido político ligado ao IRA, e o Partido Unionista Democrático, liderado pelo reverendo Ian Paisley, há dois meses.

Agora, a segurança ficará totalmente a cargo da Polícia da Irlanda do Norte, formada por católicos e protestantes.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte

Sem aperto de mãos, os quase ex-arquiinimigos Partido Unionista Democrático (PUD), protestante, e Sinn Féin, católico e ligado ao agora desarmado Exército Republicano Irlandês (IRA), acabam de formar um novo governo semi-autônomo da Irlanda do Norte, rompendo com anos de impasse. A decisão do IRA de entregar as armas, anunciada em 2005, foi decisiva.

O primeiro-ministro será o reverendo protestante Ian Paisley e seu vice, com poderes iguais, Martin McGuinness, ex-comandante militar do IRA.

A posse do goveno formado pelos ex-inimigos mais radicais marca o fim de 800 anos de conflito entre Inglaterra e Irlanda, e de uma guerra civil em que mais de 3,6 mil pessoas morreram desde 1969.

O acordo de paz foi firmado em 9 de abril de 1998. Para evitar o domínio da maioria protestante, favorável à união com a Grã-Bretanha no Reino Unido, sobre a minoria católica e republicana, a favor da unificação da Irlanda, há um poder de veto para quem conseguir 40% dos votos na Assembléia da Irlanda do Norte.

Desde então, diversas tentativas de formar um governo semi-autônomo de união fracassaram porque os protestantes insistiam no total desarmamento do IRA, finalmente anunciado em 2005, depois que o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos secou o financiamento que o grupo recebia de americanos de origem irlandesa.

Outro fator importante para a paz foi a integração européia, que promoveu o desenvolvimento da Irlanda, hoje o país com a maior renda per capita na União Européia depois de Luxemburgo, e a tornou uma aliada da Grã-Bretanha, ajudando-a a superar os ressentimentos históricos até evidentes na Irlanda do Norte.

O filme Ventos de Liberdade, de Ken Loach, que está em cartaz, conta a história da divisão do movimento nacionalista irlandês diante da proposta de paz oferecida pelos britânicos quando da independência da Irlanda em 1921. Desta vez, a História se repete.

Para a linha dura do IRA, entregar as armas antes do fim do domínio britânico e da unificação da irlanda equivalia a uma rendição. Felizmente agora os dois lados entenderam que a democracia é a melhor maneira de atingir seus objetivos políticos.

Os nacionalistas irlandeses continuam sonhando com a reunificação de sua pequena ilha. Mas sabem que isso só será possível quando seus antigos inimigos tiveram confiança de que não serão discriminados numa Irlanda unida.

A paz na Irlanda traz esperança de solução de outros conflitos. Um editorial do jornal libanês Daily Star argumenta que, se a paz é possível na Irlanda do Norte, é possível também no Oriente Médio.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte

Num acordo surpreendente, o líder do Partido Unionista Democrático (PUD), reverendo protestante Ian Paisley, e o presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, anunciaram hoje a formação de um governo na Irlanda do Norte, a partir de 8 de maio.

O PUD é o mais radical dos grandes partidos católicos, e por isso ganhou as últimas eleições. Foi contra o chamado Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de 1998.

Já o SF é o partido político do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte e a unificação da Irlanda. O IRA entregou as armas em 2005 mas Paisley se recusava a formar governo com o SF. Agora, anuncia que vai testar na prática o compromisso de seus ex-inimigos com a democracia.

É mais um sinal da consolidação da paz na Irlanda do Norte.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Radicais vencem eleições na Irlanda do Norte

Dois partidos radicais ganharam as eleições de ontem e hoje na Irlanda do Norte, dificultando a formação de um governo de união entre protestantes e católicos para que o Reino Unido transfira mais uma vez o poder para a província.

Entre os protestantes, que são maioria entre os 2 milhões de norte-irlandeses, venceu o Partido Unionista Democrático, do reverendo Ian Paisley. O problema é que ele se nega a negociar com o Sinn Féin, partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim do domínio britânico sobre a província do Úlster.

Com 30% dos votos, o PUD conquistou 36 cadeiras na Assembléia da Irlanda do Norte, contra 28 para o SF, que teve 26% da votação, e 18 para os Unionistas do Úlster, que assinaram o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa pela comunidade protestante. O Partido Trabalhista e Social-Democrata, católico moderado, cujo ex-líder, John foi o grande articulador das negociações entre o movimento republicado e o governo de Londres que levaram ao primeiro cessar-fogo do IRA em 1994 e ao processo de paz, elegeu apenas 16 deputados. Partidos menores, quase todos moderados, ficaram com 10 cadeiras.

Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 9 de abril de 1998, não sendo possível formar um governo de união nacional, a Irlanda do Norte continua sendo governada diretamente por Londres. Um dos principais líderes do Sinn Féin, Martin McGuinness, sugeriu que, se Paisley se negar a formar governo com seu partido, os governos do Reino Unido e da Irlanda assumam a administração da Irlanda do Norte.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Reino Unido e Irlanda convocam eleições na Irlanda do Norte

Os primeiros-ministros britânico, Tony Blair, e irlandês, Bertie Ahern, convocaram hoje para 7 de março eleições para a Assembléia da Irlanda do Norte, numa tentativa de recriar o governo semi-autônomo, dissolvido em 2002 por falta de acordo entre os principais partidos católicos e protestantes.

Pelo Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, assinado em 1998 para pôr fim a uma guerra civil que matou mais de 3,3 mil em 30 anos, a minoria tem poder para vetar decisões da assembléia e do governo norte-irlandeses se reunir 40% dos votos. É um mecanismo criado para impedir a dominação total de uma comunidade, garantindo os direitos da minoria.

Isto provocou sucessivas crises e colapsos do governo. A decisão do Sinn Féin - partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês, principal grupo católico na luta contra a dominação britânica sobre a Irlanda do Norte - de aderir ao acordo que cria a Polícia da Irlanda do Norte, aprovada no domingo passado, recria as condições para reinstaurar o governo semi-autônomo.

Se isto acontecer, a Irlanda do Norte deixa de ser governada de Londres, um dos argumentos usados por Gerry Adams, presidente do SF, para convencer a linha dura a participar de uma polícia recentemente acusada de violência e arbitrariedade contra católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, adversários dos protestantes que defendem a manutenção do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Sinn Féin aprova polícia da Irlanda do Norte

O Sinn Féin, partido político ligado ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pela unificação da Irlanda, aprovou ontem sua adesão ao acordo que cria a Polícia da Irlanda do Norte. Mesmo sem reconhecer a legitimidade da Irlanda do Norte, que considera um enclave britânico, o presidente do SF, Gerry Adams, apresentou-o como um ato importante para "acabar com a presença britânica na Irlanda".

Este acordo pode levar à reabertura da Assembléia e do governo semi-autônomo da Irlanda do Norte, paralisados desde 2002 pela falta de acordo entre os partidos protestantes (pró-Reino Unido) e católicos (republicanos e nacionalistas irlandeses).

A luta do IRA contra a discriminação da minoria católica provocou uma guerra civil que matou mais de 3,3 mil pessoas de 1969 a 1998, quando foi assinado o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa. Um dos pontos do acordo foi a criação da nova polícia, que substituiu o Royal Ulster Constabulary (Polícia Real do Ulster), eliminando o adjetivo real, que lembra a vinculação da província do Ulster à coroa britânica.