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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Trump recua diante da ameaça de recessão

 O tarifaço global do presidente Donald Trump durou menos de 24 horas. Diante da perda de mais de US$ 10 trilhões nas bolsas de valores e de uma grande venda de títulos de 10 anos da dívida pública dos Estados Unidos, Trump suspendeu por 90 dias as tarifas que chama de "recíprocas" com a desculpa de mais de 75 países querem negociar.


As bolsas tiveram forte alta, sem recuperar todas as perdas, mas a guerra comercial não acabou. A tarifa básica de 10% sobre todas as importações dos EUA está mantida, assim como a de 25% sobre aço, alumínio, automóveis e autopeças. E a alíquota para a China, que retaliou e não propôs negociação, subiu para 125%.

A China, maior detentora de títulos da dívida pública dos EUA, vendeu US$ 50 bilhões em bônus de 10 anos, mostrando que tem munição para a guerra comercial. Essa manobra foi decisiva para o recuo de Trump.

Uma briga entre Peter Navarro, o ideólogo do tarifaço, e o bilionário Elon Musk, que chamou Navarro de "verdadeiro imbecil", "mais burro do que um saco de tijolos", revela uma divisão interna no governo norte-americano.

É uma derrota humilhante, mas Trump vai cantar vitória. O estrago está feito. Para o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers, a guerra comercial de Trump é "a maior ferida auto-infligida desde a Segunda Guerra Mundial".

segunda-feira, 9 de março de 2020

Ameaça de recessão e guerra do petróleo derrubam bolsas pelo mundo

O medo de uma recessão mundial por causa da epidemia do novo coronavírus deflagra uma guerra nos preços do petróleo e derruba as bolsas de valores no mundo inteiro. Toda a Itália entra em quarentena para tentar parar a transmissão da doença. Nos Estados Unidos, quatro deputados, um senador e o novo chefe da Casa Civil vão para isolamento voluntário.

A principal causa do terremoto no mercado financeiro foi uma guerra de preços do petróleo. A China responde por 80 por cento das importações mundiais de petróleo e o consumo chinês caiu 28 por cento no mês passado. 

Na sexta-feira, a Rússia, segunda maior exportadora mundial, não aceitou uma proposta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP, de corte na produção de um milhão e meio de barris por dia para tentar sustentar o preço. 

Em resposta, a Arábia Saudita, maior exportadora mundial, decidiu aumentar a produção e baixar os preços. Resultado: os preços do petróleo chegaram a cair 30 por cento na Bolsa de Mercadorias de Londres e terminaram o dia em baixa de 24 por cento, com o barril um pouco acima de 30 dólares, na maior queda desde o início da Guerra do Golfo de 1991. 

No fundo, seria uma manobra da Rússia para inviabilizar a produção de óleo betuminoso, que fez os Estados Unidos voltarem a ser os maiores produtores mundiais de energia. Abaixo de 40 dólares por barril, o óleo de xisto dá prejuízo. A Arábia Saudita é aliada dos Estados Unidos, mas também compete com o óleo de xisto. Meu comentário:

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Vitória do kirchnerismo leva pânico ao mercado financeiro na Argentina

O peronismo mostrou sua força e é franco favorito para vencer as eleições de 27 de outubro na Argentina. Hoje foi um dia de pânico no mercado financeiro argentino. O peso caiu a 60 por dólar, recorde histórico de baixa, e o Índice Merval, da Bolsa de Valores da Buenos Aires, desabou em 38%. 

O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.

Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri. 

Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.

Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.

A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O presidente Macri atribuiu o pânico à falta de credibilidade do kirchnerismo no mercado financeiro internacional e prometeu lutar para dar a volta por cima em 27 de outubro para chegar ao segundo turno em 24 de novembro.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

EUA tiveram saldo de mais de 300 mil novos empregos em janeiro

Apesar da paralisação parcial do governo federal, os Estados Unidos abriram 304 mil postos de trabalho e mais do que fecharam em janeiro de 2019, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. O índice de desemprego, medido em outra pesquisa, subiu de 3,9% para 4%, num sinal de que mais gente está de volta ao mercado de trabalho.

O resultado superou amplamente a expectativa dos analistas do centro financeiro da Wall Street, que era de 165 vagas, mas houve uma revisão para baixo de 90 mil no dado de dezembro, que caiu para 222 mil empregos.

Já são 100 meses, ou 8 anos e 4 meses, de expansão contínua do mercado de trabalho, em alta desde outubro de 2010. No ano passado, os EUA criaram 2,674 milhões de empregos. O índice de desemprego amplo, que inclui quem desistiu de procurar emprego ou trabalha em meio turno, subiu em janeiro de 7,6% para 8,1%.

A média dos salários registrou um avanço de 3,2% nos últimos 12 meses, um pouco abaixo dos 3,3%  de dezembro, mas perto do ritmo mais forte em uma década.

Este forte desempenho do mercado de trabalho é um novo desafio para o Conselho da Reserva Federal, a diretoria do banco central dos EUA, que manteve nesta semana inalterada a taxa básica de juros da maior economia do mundo e anunciou uma pausa nas altas.

A expectativa de alta dos juros abalou o mercado financeiro, que teve seu pior dezembro desde 1931, durante a Grande Depressão (1929-39) e provocou críticas do presidente Donald Trump. Mas janeiro foi dos melhores desde os anos 1980s.

"Um mercado de trabalho apertado e um crescimento salarial saudável sustentam o crescimento econômico. Os dados de hoje devem estimular os gastos dos consumidores e podem ajudar o mercado de ações", observou Kully Samra, vice-presidente da corretora americana Charles Schwab. "No entanto, uma série de dados positivos podem levar o Fed a suspender a pausa na alta de juros, o que provavelmente traria de volta a volatilidade e as quedas na bolsa."

Para o economista James Knightley, do banco holandês ING, os dados de hoje fortalecem o argumento pelo aumento nos juros: "Com os salários em alta e os trabalhadores sentindo-se seguros em seus empregos, o consumo deve continuar firme, acrescentando pressões inflacionárias à economia."

Isto exigiria novas altas de juros. "O presidente do Fed, Jerome Powell, falou em contracorrentes na economia e no mercado para justificar a pausa, mas, se tivermos boas notícias nas relações comerciais EUA-China, isto vai retirar parte do pessimismo global. Continuamos a acreditar que os fundamentos sólidos [da economia dos EUA] devem ser suficientes para convencer o Fed a elevar as taxas de juros no verão" no Hemisfério Norte.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Bolsa de Nova York sofre maior queda em pontos num dia

Na pior queda em pontos num dia, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações da Bolsa de Nova York, chegou a registrar baixa do mais de 1.500 pontos e terminou o dia com perdas de 1.175 pontos (4,6%). O índice amplo Standard & Poor's 500 caiu 4,1% e a bolsa Nasdaq, da empresas de alta tecnologia, recuou 3,8%.

Percentualmente, foi a maior queda do Dow Jones desde 8 de agosto de 2011 (5,6%), durante a crise da Zona do Euro, por medo de contágio da Espanha e da Itália. Também foi menos do que em 29 de setembro de 2008 (7%), no auge da crise deflagrada pela falência do bando de investimentos Lehman Brothers duas semanas antes.

O recorde negativo foi uma queda de 22,61% na Segunda-Feira Negra, 19 de outubro de 1987. No colapso da Bolsa de Nova York que deu início à Grande Depressão (1929-39), as perdas foram de 11% em 24 de outubro de 1929, 12,82% no dia 28 e 11,73% no dia 29 do mesmo mês.

Ao redor do mundo, as bolsas praticamente zeraram os ganhos deste ano. O Índice Dow Jones está em queda de 1,5% no ano e 8,5% abaixo do recorde de 26 de janeiro, perto dos 10%, que caracterizam o que os economistas chamam de uma "correção" nos preços das ações.

"É a primeira vez em algum tempo em que eu diria que o sentimento é de pânico para vender", comentou Tim Anderson, diretor-executivo da corretora TJM Investments, citado pelo jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York. As ações dos setores bancário, de energia e de alta tecnologia tiveram grandes perdas.

O índice dos grandes bancos perdeu 4,9% e o S&P 500 do setor de energia, 4,4%. O petróleo do tipo West Texas Intermediate, padrão do mercado americano, caiu 2% para US$ 64,15 por barril de 159 litros.

As dez maiores baixas foram da Chevron (-13,65%), DowDuPont (-10,27%), Exxon Mobil (-9,76%), Pfizer (-9,57%), UnitedHealth (-9,43%), Home Depot (-9,6%), Johnson & Johnson (-8,97%), 3M (-8,92%), Intel (-9,53%) e Caterpillar (-8,04%).

Outros analistas atribuíram a forte baixa à negociação feita por algoritmos: "O interessante na ação de hoje foi causado provavelmente por modelos de computador que precisam equilibrar os riscos, observou Youssef Abbasi, estrategista do mercado global da corretora Jones Trading.

Quando o índice S&P 500 caiu abaixo dos 2.700 pontos, a venda se acelerou, notou Abbasi: "Aquilo inerentemente deu o tom de vender. Voltar a ficar em zero no ano criou um ponto de inflexão." Em determinado momento, o Dow Jones perdeu 800 pontos em 10 minutos, acumulando uma queda de quase 1.600 pontos no dia.

O entusiasmo por ações levou os investidores a investir US$ 102 bilhões em fundos de investimentos. Desde que o relatório de emprego de janeiro, divulgado na sexta-feira, revelou um ritmo forte de contratações e uma alta média dos salários em 2,9% em um ano, há uma expectativa de alta da inflação e aumentos nas taxas básicas de juros pelo Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA.

A reforma fiscal do governo Donald Trump também pesou negativamente. Com a expectativa de alta de US$ 1,5 trilhão na dívida pública dos EUA em dez anos, os juros dos títulos da dívida pública do Tesouro americano subiram e passaram a concorrer com o investimento em ações. Os juros estão no nível mais alto em quatro anos.

Sempre pronto a assumir a responsabilidade por qualquer sucesso, Trump não se manifestou sobre a forte queda no valor das empresas com ações negociadas em bolsa. O porta-voz Raj Shah, citado pelo jornal inglês Financial Times, declarou que "os mercados flutuam em curto prazo, penso que todos sabemos disso. Mas os fundamentos desta economia são muito fortes."

Apesar do caos dos últimos dias, alguns economistas entendem que "este é um recuo saudável", como Jason Draho, chefe de alocação tática de ativos na América do setor de gerenciamento de fortunas do banco suíço UBS. Seria uma pausa depois de um longo período de alta no mercado. Cria uma oportunidade para comprar ações de empresas promissoras que caíram com a venda generalizada.

Em São Paulo, o índice Bovespa recuou 2,6% e o dólar subiu para R$ 3,25.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ataque ao ônibus do Borussia Dortmund não foi terrorismo

A polícia da Alemanha prendeu o principal suspeito pelo ataque ao ônibus da equipe do Borussia a caminho de um jogo da Liga dos Campeões da Europa em 11 de abril, em Dortmund foi adiado. Sergej W., de 28 anos e origem russa, tentava lucrar com uma manobra no mercado financeiro.

Em 3 de abril de 2017, Sergej tomou empréstimo para financiar uma operação de venda a descoberto (short selling) de ações do clube, apostando na queda do preço para pagar depois com o mesmo número de ações mas com valor mais baixo, denunciam os procuradores alemães.

O acusado investiu 79 mil euros no mercado de opções, e poderia ter ganho até um milhão de euros se as ações do Borussia entrassem em colapso, estimou o secretário do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestifália, Ralf Jäger.

"Fiquei chocado", declarou Jäger, com "este tipo de motivo para realizar um ataque. Mostra mais uma vez do que as pessoas são capazes."

No primeiro momento, a suspeita era de extremistas islâmicos. Em 13 de novembro de 2015, o ataque  terrorista que deixou 130 mortos em Paris começou com explosões ao redor e na entrada do Estádio da França, na cidade-satélite de Saint-Denis, onde era disputada uma partida amistosa entre Alemanha e França. O presidente François Hollande assistia ao jogo e foi retirado às pressas pelo serviço secreto.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Reino Unido vota a favor de sair da União Europeia

Por 51,9% a 48,1%, com uma vantagem de mais de um milhão de votos, os eleitores britânicos aprovaram em plebiscito a saída do Reino Unido da União Europeia, anunciaram há pouco as televisões BBC, ITV e Sky. Foi uma decisão chocante para o bloco europeu, os mercados internacionais e a própria moeda britânica. A libra esterlina caiu 12,64% para a menor cotação em 31 anos, US$ 1,36.

Mais de 33 milhões de pessoas votaram, com 17,4 milhões optando pela saída da UE contra 16,1 milhões favoráveis à permanência. Desde o início da apuração, os partidários da saída da UE mostraram desempenho superior ao previsto nas pesquisas.

No Nordeste da Inglaterra, onde a apuração começou, em Newcastle, era esperada uma boa vitória dos europeístas. A vantagem foi estreita. Em Sunderland, a saída ganhou com quase dois terços dos votos.

Na Grande Londres, onde a permanência na UE venceu, uma chuva de verão reduziu o comparecimento às urnas, que no geral chegou a 72,2%, acima das eleições parlamentares do ano passado. No resto da Inglaterra, a saída ganhou decisivamente. Também venceu no País de Gales.

Em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido, com 63% de participação, a saída ganhou por pequena margem. Em Manchester, a terceira maior cidade e segundo maior centro cultural do país, tradicional reduto da esquerda, a vitória da permanência na UE foi pequena e a abstenção grande.

Isso revela o fracasso do Partido Trabalhista, sob a liderança de Jeremy Corbyn, da velha esquerda que vê a integração europeia como um projeto liberal capitalista, em mobilizar seu eleitorado para defender a Europa. Corbyn, que votou contra a adesão à Comunidade Europeia no plebiscito de 1975, se negou a fazer campanha ao lado do primeiro-ministro conservador David Cameron.

Os maiores sindicatos, com 6 milhões de associados, pediram o voto para ficar, mas a mobilização do eleitorado de direita e extrema direita foi muito maior. A esquerda fracassou em defender as conquistas e os direitos sociais garantidos pela UE. Se a Escócia declarar a independência, o que restar do Reino Unido será governado por ingleses conservadores.

A Escócia votou amplamente a favor da UE. A saída não ganhou em nenhum distrito eleitoral. A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, declarou que uma mudança constitucional desta natureza justificaria a convocação de um novo plebiscito para aprovar a independência e ficar na Europa.

Na Irlanda do Norte, onde o fico ganhou, o Sinn Féin, partido do movimento católico, republicano e nacionalista ligado ao extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), defende a realização de um plebiscito sobre a unificação da Irlanda.

É uma vitória do nacionalismo retrógrado da ala mais direitista do Partido Conservador e de neofascistas como Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). Ele posa como o grande vencedor, lembrando que sonha com este "dia da independência" há décadas e exige a formação de um governo do grupo Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).

Farage fez três discursos desde a divulgação do resultado, enquanto o primeiro-ministro, o líder da oposição e mesmo os líderes da campanha conservadora pela saída continuam calado.

É uma vitória da extrema direita europeia, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, que sonha em convocar um plebiscito semelhante na França, e da ultradireita que avança na Áustria, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que considera a UE inimiga, e de um populista inconsequente como o americano Donald Trump.

O primeiro-ministro David Cameron, que convocou o plebiscito na tentativa de acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador e defendeu a permanência na UE, está desmoralizado. Entra para a história como um fracassado que destruiu o país.

Líder da campanha pela saída, o patético ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista e um bufão, está pronto a desafiar Cameron e assumir o controle do partido e do governo.

O euro também cai. O projeto europeu está abalado. A vitória dos ultranacionalistas britânicos vai encorajar a extrema direita a reivindicar plebiscitos em outros países da UE, um projeto social-democrata que foi a maior garantia da paz e da prosperidade na Europa em mais de meio século.

O Reino Unido não fez parte do núcleo fundador da Comunidade Econômica Europeia em 1957 (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo). Nos anos 1960s, por duas vezes, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou a associação britânica, que via como um cavalo de Troia dos Estados Unidos.

Há 43 anos, em 1973, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca entraram para a CEE, que passou a ter nove países-membros. Hoje, são 28 membros. A Albânia, Montenegro e a Sérvia negociam a adesão.

Agora, resta ao Reino Unido negociar um divórcio amigável com a UE. Por um lado, há o interesse de manter a segunda maior economia europeia no mercado comum. Por outro lado, a UE não deve fazer nada que estimule outros países a deixar o bloco, não vai querer dar a impressão de que há benefícios em deixar o maior mercado do mundo.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Apple tem primeira queda no faturamento desde 2003

Com a primeira queda de vendas do iPhone desde seu lancamento, em 2007, a empresa de informática Apple anunciou hoje sua primeira queda de faturamento num balanço trimestral desde 2006. As ações da companhia caíram 8% na negociação eletrônica depois do fechamento do mercado.

No primeiro trimestre de 2016, a Apple vendeu 51,2 milhões de iPhones, 10 milhões a menos do que um ano antes. Como os telefones inteligentes representam hoje 70% do faturamento da empresa, ele caiu de US$ 58 bilhões para US$ 50,6 bilhões, abaixo da previsão dos analistas do centro financeiro de Wall Street, de US$ 52 bilhões.

O lucro líquido baixou de US$ 13,6 bilhões para US$ 10,5 bilhões. Nos últimos dias, várias grandes empresas de alta tecnologia - Twitter, Microsoft, Netflix, Alphabet, Intel e IBM decepcionaram o mercado. O Facebook, que divulga seus resultados nesta quarta-feira, pode ser uma exceção.

A queda nas vendas do iPhone é atribuída a uma saturação do mercado de telefones inteligentes, à desaceleração da China e ao fato de que o modelo iPhone 6S não trouxe grandes inovações. A versão econômica e pequena, o iPhone SE, não está vendendo bem, nem os relógios da Apple.

O iPad manteve a trajetória de queda. Suas vendas caíram 19% e as dos computadores Mac 12%. Outros produtos de menos peso, o relógio, iPod e a Apple TV, em conjunto, geraram uma renda de US$ 6 bilhões, um aumento de 30%.

A expectativa é como será o iPhone 7. Ele pode ter uma nova entrada para fones de ouvido, ser a prova d'água e de poeira e uma tecla mestra totalmente redesenhada.

"A indústria está numa trégua entre a explosão dos aparelhos portáteis e o que virá a seguir, no setor automotivo, na casa conectada, em aplicações industriais e para a saúde da Internet das coisas", observou Geoff Blaber, vice-presidente para a América da empresa da análise do mercado de telecomunicações CCS Insight. "A pressão aumenta sobre a Apple para revelar sua próxima grande fonte de crescimento."

Maior empresa privada do mundo em valor de mercado, a Apple planeja investir US$ 250 bilhões até o fim de março de 2018.

domingo, 30 de agosto de 2015

China prende 197 acusados de espalhar rumores via Internet

O regime comunista da China deteve 197 pessoas sob a acusação de espalhar rumores e informações falsas na Internet sobre a crise recente do mercado financeiro e as explosões no porto de Tianjin, revelou a agência oficial de notícias Nova China.

Entre os presos, há um jornalista e funcionários das bolsas de valores.

As ações chinesas caíram 40% nos últimos meses e 8,5% num dia na semana passada, deflagrando uma queda generalizada nas bolsas de valores do mundo inteiro.

Em 12 de agosto, uma série de explosões em armazéns do cais do porto de Tianjin matou 150 pessoas, num dos piores acidentes industriais da história da China.

O governo chinês exerce um controle rigoroso das informações divulgadas na rede mundial de computadores e processa regulamente quem considera suspeito.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bolsas reagem no mundo inteiro mas caem na China e no Japão

NOVA YORK - A Bolsa de Valores de Nova York abriu em alta hoje e no momento registra alta superior a 2%, depois que o banco central da China anunciou um corte de meio ponto percentual na taxa básica de juros e na exigência de reserva dos bancos.

O mercado reagiu no mundo inteiro depois das fortes quedas de ontem, mas a Bolsa de Xangai perdeu mais 7,6% hoje e a Bolsa de Tóquio, 4%. Ao meio-dia pelo horário de Brasília, a Bolsa de São Paulo subia 2,15%.

As bolsas da Europa também fecharam em alta, de 4,5% em Frankfurt, 5,3% em Paris e 3% em Londres. O dólar cai no mundo inteiro, especialmente nos mercados emergentes. No Brasil, a baixa é de 0,59%, com o real cotado a R$ 3,51.

Na opinião dos analistas, houve uma reação exagerada ontem, em parte porque não se sabe a situação real da economia. Para o regime comunista chinês, a instabilidade econômica traz o risco de uma crise política, com contestações ao poder absoluto do partido.

Oficialmente a taxa de crescimento da China está em 7% ao ano, a meta oficial, mas a série de medidas que o governo vem tomando indica temor de uma forte desaceleração do crescimento.

Hoje, o Banco Popular da China anunciou o quinto corte nas taxas básicas de juros desde novembro. A taxa para empréstimos de um ano aos bancos ficou 4,6% ao ano e a taxa que o banco central paga pelos depósitos bancários compulsórios em 1,75%.

Ao cortar os juros e reduzir o percentual que os bancos são obrigados a depositar no Banco Popular da China como reserva, as autoridades chineses mostraram a intenção de fazer tudo o que for possível para evitar a estagnação e uma possível recessão.

Por um momento, sua capacidade foi colocada em dúvida. O mercado financeiro ainda tem um peso relativamente pequeno na economia da China, a segunda maior do mundo, com produto interno bruto de US$ 10 trilhões. Mas, como o governo estimulou os poupadores a aplicar em bolsas de valores, há o risco de uma reação negativa.

Nas últimas semanas, a Bolsa de Xangai caiu cerca de 40%.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Bolsa de Nova York teme sofrer maior queda num dia

NOVA YORK - Sob o peso de uma queda de 8,49% em Xangai, na China, a Bolsa de Nova York perdeu mais de mil pontos na abertura dos negócios de hoje, com queda de cerca de 6%. A expectativa é que tenha a maior queda em pontos num dia.

Analistas de mercado ouvidos nas televisões Bloomberg e CNN consideram a perda exagerada. Afinal, a China não está em recessão. Na sexta-feira, anunciou uma queda na produção industrial.

Agora há pouco, a queda do Índice Dow Jones baixou para pouco mais de 800 pontos ou 5%, mas os economistas temem a maior queda em pontos num dia. O índice nunca caiu mais de 800 pontos. O recorde foi 777 em 29 de setembro de 2009.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Banco central chinês intervém para conter queda do iuane em 2%

O Banco Popular da China entrou hoje no mercado de câmbio para manter a desvalorização da moeda dentro do limite de 2% adotado pelas autoridades monetárias do país. 

No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.

Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.

Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.

A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.

Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.

A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bolsa de Valores de Londres atinge nível recorde após 15 anos

O principal índice da Bolsa de Valores de hoje fechou hoje no nível recorde de 6.949,63 pontos, 15 anos depois do recorde anterior, de 6.930,2 pontos, registrado no fim de 1999, durante a alta das empresas de Internet. A bolha especulativa das empresas ponto.com estouraria em maio de 2000.

A alta atual, de 0,5%, deve ser examinada com cautela, advertem os analistas de mercado. É atribuída ao grande programa de estímulo anunciado no mês passado pelo Banco Central Europeu para aumentar a quantidade de moeda em circulação na Zona do Euro, o que foi feito nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Sem grandes oportunidades de investimentos por causa da economia quase estagnada, o dinheiro vai para o mercado financeiro.

Outra observação importante é que o desempenho da Bolsa de Londres não reflete a situação da economia britânica. Mais de 75% do faturamento das empresas que compõe o índice FTSE 100 vêm do exterior. A forte queda nos preços do petróleo ajuda a estimular a economia, mas reduz a cotação das companhias de petróleo. E as eleições parlamentares de maio são as mais imprevisíveis da história do Reino Unido em décadas.

domingo, 30 de novembro de 2014

Suíços votam não em três referendos

Os eleitores da Suíça rejeitaram três propostas submetidas a referendo neste domingo, 30 de novembro de 2014. Por 74%, foram contra limitar o número de imigrantes a 0,2% da população do país.

Em outra consulta popular, 77% descartaram um plano para manter 20% das reservas da Suíça em ouro. Isso obrigaria o banco central do país a comprar grandes quantidades de ouro, elevando o preço internacional.

Por 59%, o eleitorado suíço derrotou uma iniciativa para acabar com isenções de impostos para estrangeiros, uma das atrações do centro financeiro do país.

domingo, 15 de setembro de 2013

Larry Summers retirada candidatura à presidência do Fed

O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Lawrence Summers retirou sua candidatura à Presidência da Reserva Federal (Fed), o banco central do país, informaram há pouco os jornais The New York Times, The Washington Post e The Wall St. Journal.

Summers estava sob pressão por causa das medidas desregulamentadoras do mercado financeiro, especialmente dos contratos de derivativos, tomadas como chefe do Tesouro no segundo governo Bill Clinton, de 1999 a 2001, consideradas parcialmente responsáveis pela crise financeira de 2008, que ainda não terminou.

Pelo menos três dos 12 senadores do Partido Democrata na Comissão de Bancos do Senado lhe negaram apoio. Em entrevistas nos últimos anos, Summers reconheceu o erro.

A favorita agora é Janet Yellen, vice-presidente do Fed.

terça-feira, 5 de março de 2013

Bolsa de Nova York abre acima do recorde de fechamento

A Bolsa de Valores de Nova York iniciou suas operações hoje acima dos 14.164 pontos, recorde atingido no fechamento de 7 de outubro de 2007, antes do agravamento da crise financeira internacional.

Com a Grande Recessão, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 ações mais importantes, perdeu 54% até março de 2009. Desde então, o preço das principais ações dobrou.

No momento, a alta é de 0,98%. O índice está em 14.225 pontos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Índice Dow Jones fecha acima de 14 mil

O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Valores de Nova York, fechou acima dos 14 mil pontos hoje pela primeira vez desde outubro de 2007, antes do início da Grande Recessão (2008-9), por causa de dados considerados positivos na indústria e no mercado de trabalho.

Apesar do aumento na taxa de desemprego de 7,8% para 7,9%, os analistas notaram uma recuperação do mercado de trabalho em setores vitais para a recuperação como comércio varejista e construção civil.

Nas últimas quatro semanas, os investidores aplicaram US$ 12,7 bilhões no mercado de ações dos Estados Unidos, que receberam o maior fluxo de capital desde 1996.

"Há uma grande quantidade de dinheiro procurando um lar. Os investidores decidiram sair do mercado de bônus e comprar ações", analisa o economista Edward Simmons, sócio da empresa High Partner, de Portland, no estado do Maine.

Já o diretor de investimentos da corretora North Star Investment Management Corporation, Eric Kuby, observa que "todos os dados parecem indicar uma melhoria lenta mas firme da economia".

Hoje o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações, subiu 149,21 pontos ou 1,08% para 14.009,79 pontos. O índice amplo S&P 500, que avalia 500 empresas, avançou 15,06 pontos ou 1,01% para 1.513,17 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, cresceu 36,97 pontos ou 1,18% para 3.179,1 pontos, informa a agência de notícias Reuters.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Irlanda aprova pacto fiscal da Eurozona em referendo

A Irlanda aprovou ontem em referendo o pacto fiscal adotado por 25 dos 27 países da União Europeia para combater a crise das dívidas públicas.

O acordo, referendado por 60,3% dos eleitores que foram às urnas, introduz a chamada "regra de ouro", que obriga todos os países a manter o equilíbrio das contas públicas e estabelece punições automáticas para os que estourarem o limite de 3% do produto interno bruto para o déficit orçamentário.

Fortemente abalada pela crise financeira internacional de 2008-9, a Irlanda sofreu com o estouro de bolhas especulativas nos seus mercados imobiliário e financeiro. Para salvar os bancos, o governo arcou com um déficit de 32% do produto interno bruto e foi obrigado a pedir ajuda da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Recebeu 67,5 bilhões de euros (R$ 170 bilhões).

Por uma norma constitucional, a Irlanda submete todos os tratados e acordos da UE a consultas populares.

terça-feira, 15 de maio de 2012

EUA investigam crime em perda do banco J P Morgan

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal sobre o prejuízo de US$ 2 bilhões sofrido pelo banco J P Morgan Chase, o maior do país, no mercado de derivativos. Para o presidente Barack Obama, o caso reforça a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação do setor financeiro.

Numa reunião anual de acionistas do banco realizada hoje em Tampa, na Flórida, os sócios da empresa decidiram separar as funções de presidente e diretor-geral. Ao abrir o encontro, o atual diretor-presidente, Jamie Damon, admitiu que a perda é resultado de erros internos do J P Morgan Chase.

Dimon afirmou que o banco apoio a "intenção" da chamada Regra Volcker, batizada com o nome do ex-presidente do banco central americano Paul Volcker, que proíbe operações especulativas de alto risco com capital próprio.

"Acreditamos numa regulamentação forte, simples e boa", disse Dimon, citado pelo jornal The Washington Post. "Não é simplesmente uma questão de mais ou menos".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Microimposto sobre Wall St. renderia US$ 350 bilhões

Um imposto sobre transações financeiras com a baixíssima alíquota de 0,03% como proposto pelo Partido Democrata seria capaz de levantar US$ 350 bilhões em nove anos, informa o jornal de internet The Huffington Post.

A Alemanha e a França estão propondo a adoção de um imposto semelhante para refrear a especulação financeira e arrecadar recursos para o fundo de estabilização financeira da Europa. O Reino Unido resiste, alegando que reduziria a competitividade do centro financeiro de Londres diante de Nova York, Tóquio, Hong Kong e Xangai.

A solução seria a adoção do imposto no mundo inteiro, através de um acordo internacional.