Centenas de milhares de pessoas marcharam hoje no centro de Londres para exigir a realização de um referendo, uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia para aprovar o acordo final do divórcio, informou a televisão pública britânica BBC. A primeira-ministra Theresa May rejeita esta possibilidade.
Os organizadores da campanha Voto Popular estimaram o total de manifestantes em 700 mil pessoas. A Polícia Metropolitana da Grande Londres não apresentou estimativa.
A marcha foi liderada pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, que discursou na Praça do Parlamento, diante do Palácio de Westminster: "O que é realmente importante é que aqueles que dizem que uma votação popular é antidemocrática e antipatriótica percebam que de fato isto é exatamente o oposto da verdade."
Outra manifestação, muito menor, reuniu defensores da Brexit (saída britânica) em Harrogate, sob a liderança do ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido, o neofascista Nigel Farage, que afirmou: "Cerca de um terço das pessoas que votaram para ficar hoje diz que somos democratas. Penso que o governo deve ir em frente", afirmou.
"Esta é a nossa mensagem: vão em frente, cumpram as promessas que nos fizeram, disseram que se votássemos para sair sairíamos. Isso precisa acontecer", insistiu Farage, líder da campanha vitoriosa no plebiscito de 23 de junho de 2016.
Os manifestantes contra a Brexit se reuniram numa avenida diante do Hyde Park. Havia famílias jovens, pessoas enroladas na bandeira da UE. Cartazes diziam: "Brexit roubou meu futuro".
Muita gente marchou em grupos, funcionários do Serviço Nacional de Saúde (NHS), membros da comunidade LGBT, militantes do mesmo partido, diferentes setores da sociedade britânica que lutam para ter a palavra final quando o governador conservador negociar um acordo para a saída definitiva com os outros 27 países da UE.
A data marcada para o Reino Unido deixar a UE é 31 de março de 2019. Em 16 e 17 de outubro, a primeira-ministra Theresa May teve um encontro de cúpula com os líderes da Europa unida. Mais uma vez, não houve acordo.
O prazo está se esgotando e May chefia um governo frágil. A ala mais radical do Partido Conservador quer uma saída dura, que tire o país da UE, enquanto as grandes empresas, especialmente as multinacionais com fábricas no Reino Unido, e o centro financeiro de Londres querem manter acesso ao mercado único europeu.
A proposta de May, o chamado Acordo de Chequers, onde fica a casa de campo oficial da primeira-ministra, não apoio nem da UE nem dos partidários de uma ruptura total com o bloco europeu.
Sem acordo, a retirada será um choque econômico forte. O movimento de hoje reivindica o direito do eleitor de tomar a decisão final num referendo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 20 de outubro de 2018
quarta-feira, 29 de março de 2017
Joãozinho Podre apoia Trump e Brexit
De rebelde a ultradireitista, a trajetória de John Lydon, mais conhecido como Johnny Rotten (Joãozinho Podre), cantor e líder da banda punk britânica Sex Pistols, dos anos 1970s, segue a triste sina da classe operária na Europa. Com o fim do socialismo, volta-se para a extrema direita e a um nacionalismo narcisista e autoindulgente.
"A classe operária falou, sou um deles e estou com eles", declarou o autor de Anarchy in the UK, um dos sucessos da banda, que descrevia a monarquia constitucional britânica como um "regime fascista".
Em entrevista ao programa Bom Dia, Grã-Bretanha!, da televisão independente ITV, Johnny Rotten, hoje com 61 anos, elogiou Trump, dizendo que o presidente dos Estados Unidos não é racista e poderia ser seu amigo.
Depois de admitir que Trump é "um cara complicado", o ex-roqueiro acusou "a mídia esquerdista americana de tentar queimar o cara como racista, o que definitivamente não é verdade. Lydon também elogiou o ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, um dos principais articuladores do não à União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016.
"A classe operária falou, sou um deles e estou com eles", declarou o autor de Anarchy in the UK, um dos sucessos da banda, que descrevia a monarquia constitucional britânica como um "regime fascista".
Em entrevista ao programa Bom Dia, Grã-Bretanha!, da televisão independente ITV, Johnny Rotten, hoje com 61 anos, elogiou Trump, dizendo que o presidente dos Estados Unidos não é racista e poderia ser seu amigo.
Depois de admitir que Trump é "um cara complicado", o ex-roqueiro acusou "a mídia esquerdista americana de tentar queimar o cara como racista, o que definitivamente não é verdade. Lydon também elogiou o ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, um dos principais articuladores do não à União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Theresa May assume e nomeia ministros do governo britânico
Quase 26 anos depois da queda de Margaret Thatcher, o Reino Unido tem sua segunda primeira-ministra. Theresa May, ministra do Interior há seis anos, foi convidada hoje pela rainha Elizabeth II para formar o novo governo britânico.
O ex-ministro do Exterior Philip Hammond vai para as Finanças e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, líder da campanha para sair da União Europeia, será o ministro do Exterior, noticia o jornal britânico The Independent.
A nomeação de Johnson já é motivo de piada na Internet. Durante a campanha para a eleição da líder conservadora, May levantou dúvidas sobre as habilidades negociadoras do ex-prefeito e agora o indica para a equipe que vai discutir a saída da UE.
Outro eurocético, David Davis, será o encarregado das negociações com a UE e Liam Fox, também antieuropeu, será o ministro do Comércio Internacional. Ambos foram aprovados pelo neofascista Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) e grande vencedor do plebiscito de 23 de junho.
Antes de entrar na residência oficial da 10 Downing Street, no centro de Londres, a nova chefe de governo prometeu governar para todos os britânicos e não apenas para os privilegiados. É difícil de acreditar. O Partido Conservador sempre foi o partido do privilégio e do poder. Com o declínio econômico inevitável devido à saída da UE, de onde vai sair o dinheiro para investimentos sociais.
Na tradição de Margaret Thatcher, os conservadores trabalham há mais de 30 anos para reduzir a máquina do Estado. Isso implica cortes nos gastos sociais.
Durante a campanha para o plebiscito, os defensores da Brexit (saída britânica) acenaram com a possibilidade de investir no Serviço Nacional de Saúde (SNS) os 350 milhões de libras enviados semanalmente para a UE. Na prática, com o dinheiro recebido da UE, o valor real da contribuição britânica cai para 150 milhões por semana.
Logo depois da vitória, os partidários da saída da UE deixaram claro que era uma falsa promessa. Aparentemente, eles não esperavam ganhar e não tinham feito o planejamento necessário para a transição.
A grande questão agora é como serão as relações econômicas entre o Reino Unido e a UE. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um economista ligado à Brexit disse que só há duas alternativas: ou o país continua fazendo parte do mercado comum europeu e assim precisa seguir todas as regras do bloco, inclusive a livre circulação de pessoas, contrariando a promessa de reassumir o controle sobre a imigração; ou adota uma política de livre comércio, abrindo totalmente seu mercado interno.
Nos dois casos, o eleitorado britânico foi enganado. Sair da Europa e continuar seguindo as regras do bloco significa se submeter a decisões das quais não vai participar e a aceitar a política europeia de imigração rejeitada no plebiscito. Já uma política de comércio totalmente livre vai agravar a situação de regiões e trabalhadores não competitivos na economia globalizada.
A análise dos resultados do plebiscito indica que a saída da UE ganhou nas regiões menos cosmopolitas, onde a economia está deprimida e há menos imigrantes.
O ex-ministro do Exterior Philip Hammond vai para as Finanças e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, líder da campanha para sair da União Europeia, será o ministro do Exterior, noticia o jornal britânico The Independent.
A nomeação de Johnson já é motivo de piada na Internet. Durante a campanha para a eleição da líder conservadora, May levantou dúvidas sobre as habilidades negociadoras do ex-prefeito e agora o indica para a equipe que vai discutir a saída da UE.
Outro eurocético, David Davis, será o encarregado das negociações com a UE e Liam Fox, também antieuropeu, será o ministro do Comércio Internacional. Ambos foram aprovados pelo neofascista Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) e grande vencedor do plebiscito de 23 de junho.
Antes de entrar na residência oficial da 10 Downing Street, no centro de Londres, a nova chefe de governo prometeu governar para todos os britânicos e não apenas para os privilegiados. É difícil de acreditar. O Partido Conservador sempre foi o partido do privilégio e do poder. Com o declínio econômico inevitável devido à saída da UE, de onde vai sair o dinheiro para investimentos sociais.
Na tradição de Margaret Thatcher, os conservadores trabalham há mais de 30 anos para reduzir a máquina do Estado. Isso implica cortes nos gastos sociais.
Durante a campanha para o plebiscito, os defensores da Brexit (saída britânica) acenaram com a possibilidade de investir no Serviço Nacional de Saúde (SNS) os 350 milhões de libras enviados semanalmente para a UE. Na prática, com o dinheiro recebido da UE, o valor real da contribuição britânica cai para 150 milhões por semana.
Logo depois da vitória, os partidários da saída da UE deixaram claro que era uma falsa promessa. Aparentemente, eles não esperavam ganhar e não tinham feito o planejamento necessário para a transição.
A grande questão agora é como serão as relações econômicas entre o Reino Unido e a UE. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um economista ligado à Brexit disse que só há duas alternativas: ou o país continua fazendo parte do mercado comum europeu e assim precisa seguir todas as regras do bloco, inclusive a livre circulação de pessoas, contrariando a promessa de reassumir o controle sobre a imigração; ou adota uma política de livre comércio, abrindo totalmente seu mercado interno.
Nos dois casos, o eleitorado britânico foi enganado. Sair da Europa e continuar seguindo as regras do bloco significa se submeter a decisões das quais não vai participar e a aceitar a política europeia de imigração rejeitada no plebiscito. Já uma política de comércio totalmente livre vai agravar a situação de regiões e trabalhadores não competitivos na economia globalizada.
A análise dos resultados do plebiscito indica que a saída da UE ganhou nas regiões menos cosmopolitas, onde a economia está deprimida e há menos imigrantes.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Theresa May será nova primeira-ministra britânica
Com a desistência da ministra da Energia, Andrea Leadsom, a ministra do Interior, Theresa May, é agora a única candidata à liderança do Partido Conservador e, em consequência, a futura primeira-ministra do Reino Unido. Será a segunda mulher a ocupar o cargo, depois de Margaret Thatcher (1979-90). Sua principal missão será negociar a saída do país da União Europeia.
O atual primeiro-ministro, David Cameron, derrotado no plebiscito sobre a UE, vai apresentar seu pedido de demissão à rainha Elizabeth II na quarta-feira, abrindo o caminho para Theresa May.
A escolha da chefe de governo retira uma incerteza que pesa sobre o país, mas as consequências políticas e econômicas da saída da UE ainda são imponderáveis. Além da queda nos investimentos e do produto interno bruto do Reino Unido, a Escócia ameaça convocar um novo plebiscito sobre a independência para deixar a Grã-Bretanha e ficar na UE.
May é eurocética, mas votou contra a saída da UE por lealdade a Cameron. Os principais defensores da Brexit (saída britânica) foram eliminados na disputa pela liderança conservadora.
O ex-prefeito de Londres Boris Johnson foi o primeiro a fugir da raia, seguido pelo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, que declarou missão cumprida depois de criar o caos e da ameaça de divisão do país.
Por fim, o ministro da Justiça, Michael Gove, acusado de dar uma facada nas costas de Johnson, foi derrotado na segunda votação interna da bancada do partido.
O atual primeiro-ministro, David Cameron, derrotado no plebiscito sobre a UE, vai apresentar seu pedido de demissão à rainha Elizabeth II na quarta-feira, abrindo o caminho para Theresa May.
A escolha da chefe de governo retira uma incerteza que pesa sobre o país, mas as consequências políticas e econômicas da saída da UE ainda são imponderáveis. Além da queda nos investimentos e do produto interno bruto do Reino Unido, a Escócia ameaça convocar um novo plebiscito sobre a independência para deixar a Grã-Bretanha e ficar na UE.
May é eurocética, mas votou contra a saída da UE por lealdade a Cameron. Os principais defensores da Brexit (saída britânica) foram eliminados na disputa pela liderança conservadora.
O ex-prefeito de Londres Boris Johnson foi o primeiro a fugir da raia, seguido pelo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, que declarou missão cumprida depois de criar o caos e da ameaça de divisão do país.
Por fim, o ministro da Justiça, Michael Gove, acusado de dar uma facada nas costas de Johnson, foi derrotado na segunda votação interna da bancada do partido.
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segunda-feira, 4 de julho de 2016
Líder do Partido da Independência do Reino Unido renuncia
Mais um responsável pela catastrófica vitória da saída do Reino Unido da União Europeia sai de cena fugindo da responsabilidade pelo problema que criou. O líder do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, anunciou hoje sua renúncia.
"Meu objetivo na vida pública, a saída da UE, foi atingido", declarou hoje em Londres o líder neofascista. "Cumpri minha missão. Fiz a minha parte."
O único deputado do partido, Douglas Carswell, criticou a liderança de Farage: "Fomos longe demais e eu critiquei quando fomos longe demais... Não é só errado moralmente. É eleitoralmente desastroso."
"Este é um país decente e generoso", acrescentou Carswell. "As pessoas têm o direito legítimo de ter uma sensação de raiva com os políticos, mas a resposta não é jogar com o medo e a raiva das pessoas e, sim, prometer a esperança de algo melhor.""
Farage havia renunciado em maio de 2015, depois de não conseguir conquistar uma cadeira na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições gerais. Voltou atrás dias depois.
O principal líder da campanha pela saída da UE, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson surpreendeu o país e o mundo na semana passada ao anunciar que não será candidato à liderança do Partido Conservador. A favorita é a ministra do Interior, Theresa May. O ministro da Justiça, Michael Gove, que traiu Johnson, é outro forte candidato.
No Partido Trabalhista, o maior da oposição, o líder Jeremy Corbyn sofre grande pressão para renunciar depois de não ter mobilizado o eleitorado para manter o Reino Unido na Europa unida.
Em entrevista ao jornal francês Le Monde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, previu uma queda de 1,5% a 4,5% no produto interno bruto do Reino Unido até 2019.
"Meu objetivo na vida pública, a saída da UE, foi atingido", declarou hoje em Londres o líder neofascista. "Cumpri minha missão. Fiz a minha parte."
O único deputado do partido, Douglas Carswell, criticou a liderança de Farage: "Fomos longe demais e eu critiquei quando fomos longe demais... Não é só errado moralmente. É eleitoralmente desastroso."
"Este é um país decente e generoso", acrescentou Carswell. "As pessoas têm o direito legítimo de ter uma sensação de raiva com os políticos, mas a resposta não é jogar com o medo e a raiva das pessoas e, sim, prometer a esperança de algo melhor.""
Farage havia renunciado em maio de 2015, depois de não conseguir conquistar uma cadeira na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições gerais. Voltou atrás dias depois.
O principal líder da campanha pela saída da UE, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson surpreendeu o país e o mundo na semana passada ao anunciar que não será candidato à liderança do Partido Conservador. A favorita é a ministra do Interior, Theresa May. O ministro da Justiça, Michael Gove, que traiu Johnson, é outro forte candidato.
No Partido Trabalhista, o maior da oposição, o líder Jeremy Corbyn sofre grande pressão para renunciar depois de não ter mobilizado o eleitorado para manter o Reino Unido na Europa unida.
Em entrevista ao jornal francês Le Monde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, previu uma queda de 1,5% a 4,5% no produto interno bruto do Reino Unido até 2019.
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Reino Unido vota a favor de sair da União Europeia
Por 51,9% a 48,1%, com uma vantagem de mais de um milhão de votos, os eleitores britânicos aprovaram em plebiscito a saída do Reino Unido da União Europeia, anunciaram há pouco as televisões BBC, ITV e Sky. Foi uma decisão chocante para o bloco europeu, os mercados internacionais e a própria moeda britânica. A libra esterlina caiu 12,64% para a menor cotação em 31 anos, US$ 1,36.
Mais de 33 milhões de pessoas votaram, com 17,4 milhões optando pela saída da UE contra 16,1 milhões favoráveis à permanência. Desde o início da apuração, os partidários da saída da UE mostraram desempenho superior ao previsto nas pesquisas.
No Nordeste da Inglaterra, onde a apuração começou, em Newcastle, era esperada uma boa vitória dos europeístas. A vantagem foi estreita. Em Sunderland, a saída ganhou com quase dois terços dos votos.
Na Grande Londres, onde a permanência na UE venceu, uma chuva de verão reduziu o comparecimento às urnas, que no geral chegou a 72,2%, acima das eleições parlamentares do ano passado. No resto da Inglaterra, a saída ganhou decisivamente. Também venceu no País de Gales.
Em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido, com 63% de participação, a saída ganhou por pequena margem. Em Manchester, a terceira maior cidade e segundo maior centro cultural do país, tradicional reduto da esquerda, a vitória da permanência na UE foi pequena e a abstenção grande.
Isso revela o fracasso do Partido Trabalhista, sob a liderança de Jeremy Corbyn, da velha esquerda que vê a integração europeia como um projeto liberal capitalista, em mobilizar seu eleitorado para defender a Europa. Corbyn, que votou contra a adesão à Comunidade Europeia no plebiscito de 1975, se negou a fazer campanha ao lado do primeiro-ministro conservador David Cameron.
Os maiores sindicatos, com 6 milhões de associados, pediram o voto para ficar, mas a mobilização do eleitorado de direita e extrema direita foi muito maior. A esquerda fracassou em defender as conquistas e os direitos sociais garantidos pela UE. Se a Escócia declarar a independência, o que restar do Reino Unido será governado por ingleses conservadores.
A Escócia votou amplamente a favor da UE. A saída não ganhou em nenhum distrito eleitoral. A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, declarou que uma mudança constitucional desta natureza justificaria a convocação de um novo plebiscito para aprovar a independência e ficar na Europa.
Na Irlanda do Norte, onde o fico ganhou, o Sinn Féin, partido do movimento católico, republicano e nacionalista ligado ao extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), defende a realização de um plebiscito sobre a unificação da Irlanda.
É uma vitória do nacionalismo retrógrado da ala mais direitista do Partido Conservador e de neofascistas como Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). Ele posa como o grande vencedor, lembrando que sonha com este "dia da independência" há décadas e exige a formação de um governo do grupo Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).
Farage fez três discursos desde a divulgação do resultado, enquanto o primeiro-ministro, o líder da oposição e mesmo os líderes da campanha conservadora pela saída continuam calado.
É uma vitória da extrema direita europeia, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, que sonha em convocar um plebiscito semelhante na França, e da ultradireita que avança na Áustria, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que considera a UE inimiga, e de um populista inconsequente como o americano Donald Trump.
O primeiro-ministro David Cameron, que convocou o plebiscito na tentativa de acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador e defendeu a permanência na UE, está desmoralizado. Entra para a história como um fracassado que destruiu o país.
Líder da campanha pela saída, o patético ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista e um bufão, está pronto a desafiar Cameron e assumir o controle do partido e do governo.
O euro também cai. O projeto europeu está abalado. A vitória dos ultranacionalistas britânicos vai encorajar a extrema direita a reivindicar plebiscitos em outros países da UE, um projeto social-democrata que foi a maior garantia da paz e da prosperidade na Europa em mais de meio século.
O Reino Unido não fez parte do núcleo fundador da Comunidade Econômica Europeia em 1957 (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo). Nos anos 1960s, por duas vezes, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou a associação britânica, que via como um cavalo de Troia dos Estados Unidos.
Há 43 anos, em 1973, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca entraram para a CEE, que passou a ter nove países-membros. Hoje, são 28 membros. A Albânia, Montenegro e a Sérvia negociam a adesão.
Agora, resta ao Reino Unido negociar um divórcio amigável com a UE. Por um lado, há o interesse de manter a segunda maior economia europeia no mercado comum. Por outro lado, a UE não deve fazer nada que estimule outros países a deixar o bloco, não vai querer dar a impressão de que há benefícios em deixar o maior mercado do mundo.
Mais de 33 milhões de pessoas votaram, com 17,4 milhões optando pela saída da UE contra 16,1 milhões favoráveis à permanência. Desde o início da apuração, os partidários da saída da UE mostraram desempenho superior ao previsto nas pesquisas.
No Nordeste da Inglaterra, onde a apuração começou, em Newcastle, era esperada uma boa vitória dos europeístas. A vantagem foi estreita. Em Sunderland, a saída ganhou com quase dois terços dos votos.
Na Grande Londres, onde a permanência na UE venceu, uma chuva de verão reduziu o comparecimento às urnas, que no geral chegou a 72,2%, acima das eleições parlamentares do ano passado. No resto da Inglaterra, a saída ganhou decisivamente. Também venceu no País de Gales.
Em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido, com 63% de participação, a saída ganhou por pequena margem. Em Manchester, a terceira maior cidade e segundo maior centro cultural do país, tradicional reduto da esquerda, a vitória da permanência na UE foi pequena e a abstenção grande.
Isso revela o fracasso do Partido Trabalhista, sob a liderança de Jeremy Corbyn, da velha esquerda que vê a integração europeia como um projeto liberal capitalista, em mobilizar seu eleitorado para defender a Europa. Corbyn, que votou contra a adesão à Comunidade Europeia no plebiscito de 1975, se negou a fazer campanha ao lado do primeiro-ministro conservador David Cameron.
Os maiores sindicatos, com 6 milhões de associados, pediram o voto para ficar, mas a mobilização do eleitorado de direita e extrema direita foi muito maior. A esquerda fracassou em defender as conquistas e os direitos sociais garantidos pela UE. Se a Escócia declarar a independência, o que restar do Reino Unido será governado por ingleses conservadores.
A Escócia votou amplamente a favor da UE. A saída não ganhou em nenhum distrito eleitoral. A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, declarou que uma mudança constitucional desta natureza justificaria a convocação de um novo plebiscito para aprovar a independência e ficar na Europa.
Na Irlanda do Norte, onde o fico ganhou, o Sinn Féin, partido do movimento católico, republicano e nacionalista ligado ao extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), defende a realização de um plebiscito sobre a unificação da Irlanda.
É uma vitória do nacionalismo retrógrado da ala mais direitista do Partido Conservador e de neofascistas como Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). Ele posa como o grande vencedor, lembrando que sonha com este "dia da independência" há décadas e exige a formação de um governo do grupo Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).
Farage fez três discursos desde a divulgação do resultado, enquanto o primeiro-ministro, o líder da oposição e mesmo os líderes da campanha conservadora pela saída continuam calado.
É uma vitória da extrema direita europeia, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, que sonha em convocar um plebiscito semelhante na França, e da ultradireita que avança na Áustria, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que considera a UE inimiga, e de um populista inconsequente como o americano Donald Trump.
O primeiro-ministro David Cameron, que convocou o plebiscito na tentativa de acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador e defendeu a permanência na UE, está desmoralizado. Entra para a história como um fracassado que destruiu o país.
Líder da campanha pela saída, o patético ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista e um bufão, está pronto a desafiar Cameron e assumir o controle do partido e do governo.
O euro também cai. O projeto europeu está abalado. A vitória dos ultranacionalistas britânicos vai encorajar a extrema direita a reivindicar plebiscitos em outros países da UE, um projeto social-democrata que foi a maior garantia da paz e da prosperidade na Europa em mais de meio século.
O Reino Unido não fez parte do núcleo fundador da Comunidade Econômica Europeia em 1957 (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo). Nos anos 1960s, por duas vezes, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou a associação britânica, que via como um cavalo de Troia dos Estados Unidos.
Há 43 anos, em 1973, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca entraram para a CEE, que passou a ter nove países-membros. Hoje, são 28 membros. A Albânia, Montenegro e a Sérvia negociam a adesão.
Agora, resta ao Reino Unido negociar um divórcio amigável com a UE. Por um lado, há o interesse de manter a segunda maior economia europeia no mercado comum. Por outro lado, a UE não deve fazer nada que estimule outros países a deixar o bloco, não vai querer dar a impressão de que há benefícios em deixar o maior mercado do mundo.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Reino Unido muda questão do referendo sobre a União Europeia
Sob pressão da extrema direita de seu próprio Partido Conservador e do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), o primeiro-ministro David Cameron anunciou ontem a mudança da pergunta que será feita aos eleitores britânicos sobre a permanência ou não do país na União Europeia, a ser realizado até 2017.
Em vez de responderem sim ou não à pergunta: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?", os eleitores britânicos terão como opções: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?" ou "O Reino Unido deve deixar a UE?"
A mudança foi logo aplaudida pelo líder neofascista Nigel Farage, líder do UKIP.
Como a maioria do Reino Unido é eurocética, há grande chance da saída da UE ser aprovada. Isso seria devastador para o país. De centro do maior império que o mundo já viu, encolhe politicamente com sério risco de se tornar irrelevante.
Se o país sair da UE, provavelmente a Escócia vai declarar a independência para ficar na UE. Restarão a pequena Inglaterra e o País de Gales, que também pode não querer ser governado por nacionalistas conservadores ingleses.
A provável eleição do esquerdista radical Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista, dada como certa em 13 de setembro, também vai contribuir para a decadância. É uma volta ao velho trabalhismo dos anos 1980s, quando a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher dominava a política britânico, que parecia superado pelo neotrabalhismo de Tony Blair, chefe de governo de 1997 a 2007.
Por ser um país multinacional, o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte conseguiu escapar do nacionalismo extremado que gerou o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália.
Em vez de responderem sim ou não à pergunta: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?", os eleitores britânicos terão como opções: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?" ou "O Reino Unido deve deixar a UE?"
A mudança foi logo aplaudida pelo líder neofascista Nigel Farage, líder do UKIP.
Como a maioria do Reino Unido é eurocética, há grande chance da saída da UE ser aprovada. Isso seria devastador para o país. De centro do maior império que o mundo já viu, encolhe politicamente com sério risco de se tornar irrelevante.
Se o país sair da UE, provavelmente a Escócia vai declarar a independência para ficar na UE. Restarão a pequena Inglaterra e o País de Gales, que também pode não querer ser governado por nacionalistas conservadores ingleses.
A provável eleição do esquerdista radical Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista, dada como certa em 13 de setembro, também vai contribuir para a decadância. É uma volta ao velho trabalhismo dos anos 1980s, quando a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher dominava a política britânico, que parecia superado pelo neotrabalhismo de Tony Blair, chefe de governo de 1997 a 2007.
Por ser um país multinacional, o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte conseguiu escapar do nacionalismo extremado que gerou o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália.
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sexta-feira, 8 de maio de 2015
Líderes de partidos derrotados renunciam no Reino Unido
Depois da uma expressiva vitória do Partido Conservador, que elegeu 331 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, o líder da oposição, Ed Miliband, renunciou hoje de manhã à liderança do Partido Trabalhista. O ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg deixou a liderança do Partido Liberal-Democrata e o mesmo fez Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP).
No discurso da vitória, o primeiro-ministro David Cameron acenou com uma "Grã-Bretanha ainda maior", mas a realidade é outra. Sob pressão do UKIP e da ala eurocética do Partido Conservador, se fosse reeleito, Cameron prometeu convocar até 2017 um referendo sobre a saída do país da União Europeia. Se o sentimento antieuropeu insuflada pela imprensa sensacionalista ganhar, será desastroso para a economia do país, hoje a quinta maior do mundo.
Com a eleição de apenas 232 deputados, o Partido Trabalhista teve seu pior resultado desde 1987, na última eleição de Margaret Thatcher. O vice-líder do partido e ministro das Finanças do governo paralelo da oposição, Ed Balls, perdeu sua cadeira.
Miliband declarou ter feito o melhor possível nos últimos cinco anos, sem sucesso: "Chegou a hora de outra pessoa assumir a liderença deste partido", declarou, insistindo em que "o trabalhismo voltará".
A dúvida é qual trabalhismo, o neotrabalhismo de Tony Blair, que levou o partido para o centro ao aceitar a economia de mercado e abandonar as ambições socialistas - e ganhou três eleições consecutivas, ou o antigo trabalhismo apoiado nos sindicatos que Miliband tentou ressuscitar. Uma das bases do partido, de onde saíram alguns fundadores e o primeiro líder, a Escócia, desapareceu.
Muito abatido, o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg admitiu que o desempenho do PLD ficou "muito abaixo das piores expectativas", mas insistiu que ainda há espaço no país para ideias políticas liberais. Ele salvou sua cadeira.
Na extrema direita, depois de vencer as eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, Farage pretendia formar uma pequena bancada do UKIP. Só elegeu um deputado. Ele ameaçava abandonar a política se não conseguisse uma vaga no Parlamento Britânico. Com medo de um possível governo trabalhista, a direita concentrou o voto no Partido Conservador.
Outra novidade é a eleição de 187 mulheres, um terço da Câmara dos Comuns.
Além da inesperada vitória conservadora e do avanço feminino, o grande fenômeno dessas eleições foi o crescimento espetacular do Partido Nacional Escocês, sob a liderança de Nicola Sturgeon. Sete meses depois de perder por 55% a 45% o referendo sobre a independência, os nacionalistas elegeram 56 dos 59 deputados da Escócia no Parlamento de Westminster, que querem abandonar.
Se o primeiro-ministro mantiver a promessa e convocar o referendo sobre a UE, há uma grande chance de que os eurocéticos saudosos do passado de glória do Império Britânico votem a favor da retirada. Neste caso, é provável que a Escócia queira continuar sendo parte da Europa unida.
O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Durante o governo Cameron, o Reino Unido recuou de seu papel de potência mundial.
Quando o ditador Bachar Assad usou armas químicas na guerra civil da Síria apesar de uma ameaça de bombardeios dos Estados Unidos e aliados, havia a expectativa de que o Reino Unido o acompanhasse como um aliado fiel e incondicional desde que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1942. O Parlamento Britânico negou autorização a Cameron.
Como o ex-primeiro-ministro Tony Blair saiu do governo desmoralizado em 2007, depois de apoiar a invasão ilegal do Iraque por George W. Bush, em 2003, Cameron rompeu na prática a "relação especial" com os EUA. Se o Reino Unido deixar a UE, perderá a importante função de ponte entre EUA e Europa.
Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em que o país resistiu heroicamente aos bombardeios e à expansão da Alemanha nazista antes que a União Soviética e os EUA entrassem na guerra, o Reino Unido está deixando de ser uma potência mundial.
No discurso da vitória, o primeiro-ministro David Cameron acenou com uma "Grã-Bretanha ainda maior", mas a realidade é outra. Sob pressão do UKIP e da ala eurocética do Partido Conservador, se fosse reeleito, Cameron prometeu convocar até 2017 um referendo sobre a saída do país da União Europeia. Se o sentimento antieuropeu insuflada pela imprensa sensacionalista ganhar, será desastroso para a economia do país, hoje a quinta maior do mundo.
Com a eleição de apenas 232 deputados, o Partido Trabalhista teve seu pior resultado desde 1987, na última eleição de Margaret Thatcher. O vice-líder do partido e ministro das Finanças do governo paralelo da oposição, Ed Balls, perdeu sua cadeira.
Miliband declarou ter feito o melhor possível nos últimos cinco anos, sem sucesso: "Chegou a hora de outra pessoa assumir a liderença deste partido", declarou, insistindo em que "o trabalhismo voltará".
A dúvida é qual trabalhismo, o neotrabalhismo de Tony Blair, que levou o partido para o centro ao aceitar a economia de mercado e abandonar as ambições socialistas - e ganhou três eleições consecutivas, ou o antigo trabalhismo apoiado nos sindicatos que Miliband tentou ressuscitar. Uma das bases do partido, de onde saíram alguns fundadores e o primeiro líder, a Escócia, desapareceu.
Muito abatido, o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg admitiu que o desempenho do PLD ficou "muito abaixo das piores expectativas", mas insistiu que ainda há espaço no país para ideias políticas liberais. Ele salvou sua cadeira.
Na extrema direita, depois de vencer as eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, Farage pretendia formar uma pequena bancada do UKIP. Só elegeu um deputado. Ele ameaçava abandonar a política se não conseguisse uma vaga no Parlamento Britânico. Com medo de um possível governo trabalhista, a direita concentrou o voto no Partido Conservador.
Outra novidade é a eleição de 187 mulheres, um terço da Câmara dos Comuns.
Além da inesperada vitória conservadora e do avanço feminino, o grande fenômeno dessas eleições foi o crescimento espetacular do Partido Nacional Escocês, sob a liderança de Nicola Sturgeon. Sete meses depois de perder por 55% a 45% o referendo sobre a independência, os nacionalistas elegeram 56 dos 59 deputados da Escócia no Parlamento de Westminster, que querem abandonar.
Se o primeiro-ministro mantiver a promessa e convocar o referendo sobre a UE, há uma grande chance de que os eurocéticos saudosos do passado de glória do Império Britânico votem a favor da retirada. Neste caso, é provável que a Escócia queira continuar sendo parte da Europa unida.
O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Durante o governo Cameron, o Reino Unido recuou de seu papel de potência mundial.
Quando o ditador Bachar Assad usou armas químicas na guerra civil da Síria apesar de uma ameaça de bombardeios dos Estados Unidos e aliados, havia a expectativa de que o Reino Unido o acompanhasse como um aliado fiel e incondicional desde que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1942. O Parlamento Britânico negou autorização a Cameron.
Como o ex-primeiro-ministro Tony Blair saiu do governo desmoralizado em 2007, depois de apoiar a invasão ilegal do Iraque por George W. Bush, em 2003, Cameron rompeu na prática a "relação especial" com os EUA. Se o Reino Unido deixar a UE, perderá a importante função de ponte entre EUA e Europa.
Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em que o país resistiu heroicamente aos bombardeios e à expansão da Alemanha nazista antes que a União Soviética e os EUA entrassem na guerra, o Reino Unido está deixando de ser uma potência mundial.
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
Primeira debate na TV da campanha eleitoral britânica dá empate
Com líderes de sete partidos, o primeiro debate na televisão da campanha para as eleições parlamentares de 7 de maio de 2015 no Reino Unido, realizado ontem à noite, revela pelo número de participantes a mudança no panorama político do país. Mas os candidatos a primeiro-ministro ainda vêm dos partidos dominantes no pós-guerra e para os eleitores eles empataram, indica uma pesquisa publicada pelo jornal The Guardian.
Além do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal-Democrata; e do principal líder da oposição, Ed Miliband, do Partido Trabalhista; estavam na bancada Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP); Natalie Bennett, do Partido Verde; Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês; e Leanne Wood, do Plaid Cymru, o partido nacionalista do País de Gales.
Esta proliferação de partidos deixou o debate ainda mais tenso e caótico, a exemplo do que o Reino Unido pode esperar da próxima Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. De acordo com a pesquisa, 25% gostaram mais de Miliband e 24% de Cameron. Quando a pergunta foi sobre qual dos dois foi melhor, houve empate em 50%.
Todos atacaram Cameron e Clegg pelas políticas de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para enfrentar a crise financeira internacional.
O primeiro-ministro se defendeu dizendo que era preciso reduzir despesas e que a economia voltou a crescer. Com avanço de 2,8%, o Reino Unido teve acusou todos os outros candidatos de planejarem aumentos de impostos para financiar suas promessas.
À ultradireita, Farage atacou: "Todos os outros partidos aqui presentes são iguais. São todos a favor da União Europeia."
Em seguida, culpou a UE e o que chamou de "migração em massa" por todos os problemas do país, dizendo que 300 mil imigrantes entrou no Reino todos os anos, agravando os problemas habitacionais, educacionais e de saúde.
Sob pressão, até o líder trabalhista foi obrigado a propor limitações aos imigrantes de outros países da UE. Eles teriam de ficar mais de dois anos no país para ter direito a benefícios previdenciários. Farage denunciou o "turismo da saúde", que custaria dois bilhões de libras por ano ao país, alegando que qualquer portador do vírus da aids que se mudar para o Reino Unido terá tratamento garantido pelo Serviço Nacional de Saúde.
A líder escocesa Nicola Sturgeon e Miliband aproveitaram o tema da imigração para criticar Cameron por prometer convocar, se for reeleito, um plebiscito sobre a associação à UE, descrito como um enorme risco para a economia, os empregos e o bem-estar social dos britânicos.
De sua parte, Farage argumentou que "este país precisa governar a si mesmo" e declarou que a única garantia de que vai haver uma consultar popular será a eleição de uma grande bancada de seu partido xenófobo e neofascista.
Cameron fuzilou Farage com o olhar, acusando-o de contribuir para uma vitória trabalhista ao roubar votos dos conservadores à direita. Com Miliband no poder, não vai haver plebiscito para sair da Europa.
Neste caso, se o Reino Unido deixar o bloco europeu, a líder do Partido Nacional Escocês disse que, além da independência, vai lutar para que a Escócia permaneça na UE. Da mesma forma, Leanne Wood, do partido nacionalista galês, defendeu o modelo social-democrata europeu, temendo perder ajuda e benefícios sociais se o Reino Unido deixar a UE.
O grande defensor da integração europeia foi Clegg. O líder liberal-democrata lembrou que são mais de 500 milhões de pessoas que produzem uma riqueza de mais de US$ 18 trilhões por ano.
A candidata verde, Natalie Bennett, tentou convencer o eleitor de que o voto em seu partido não será inútil. No sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital em turno único, há uma forte tendência para o voto útil nos grandes partidos. Os pequenos têm pouca chance e sempre formam bancadas proporcionalmente menores do que sua votação.
Em 7 de maio, os eleitores britânicos vão escolher deputados em 650 distritos. A maioria absoluta seria de 326 cadeiras, mas o partido republicano e nacionalista irlandês Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), tem hoje cinco deputados que não tomaram posse porque se recusam a jurar lealdade à coroa britânica. Deve manter a bancada, o que reduz o total de deputados empossados para 645 e a maioria para 323 cadeiras.
Pelas atuais pesquisas, conservadores e trabalhistas teriam em torno de 260 a 290 deputados cada. Cabe ao líder da maior bancada a primeira tentativa de formar um governo.
O primeiro-ministro tem os liberais-democratas como parceiros naturais, mas estes podem perder muitas cadeiras pelo desgaste de ser governo sem chefiar o governo. Talvez não baste para ter maioria absoluta. Pode ser necessário atrair os partidos unionistas da Irlanda do Norte, que apoiaram o governo John Major (1992-97).
Historicamente o Partido Trabalhista sem dependeu dos deputados da Escócia para ter maioria na Câmara dos Comuns. Os trabalhistas ganharam o plebiscito sobre a independência da Escócia no ano passado, mas o Partido Nacional Escocês deve ganhar as eleições para o Parlamento de Westminster, do qual gostaria de se livrar.
Se Miliband precisar do apoio dos nacionalistas da Escócia e do País de Gales, terá de prometer mais autonomia a estas nações que, com a Inglaterra, formam a Grã-Bretanha desde 1707.
O mais provável no momento é uma vitória conservadora. David Cameron continuaria como primeiro-ministro. Mas a parada está indefinida.
Além do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal-Democrata; e do principal líder da oposição, Ed Miliband, do Partido Trabalhista; estavam na bancada Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP); Natalie Bennett, do Partido Verde; Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês; e Leanne Wood, do Plaid Cymru, o partido nacionalista do País de Gales.
Esta proliferação de partidos deixou o debate ainda mais tenso e caótico, a exemplo do que o Reino Unido pode esperar da próxima Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. De acordo com a pesquisa, 25% gostaram mais de Miliband e 24% de Cameron. Quando a pergunta foi sobre qual dos dois foi melhor, houve empate em 50%.
Todos atacaram Cameron e Clegg pelas políticas de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para enfrentar a crise financeira internacional.
O primeiro-ministro se defendeu dizendo que era preciso reduzir despesas e que a economia voltou a crescer. Com avanço de 2,8%, o Reino Unido teve acusou todos os outros candidatos de planejarem aumentos de impostos para financiar suas promessas.
À ultradireita, Farage atacou: "Todos os outros partidos aqui presentes são iguais. São todos a favor da União Europeia."
Em seguida, culpou a UE e o que chamou de "migração em massa" por todos os problemas do país, dizendo que 300 mil imigrantes entrou no Reino todos os anos, agravando os problemas habitacionais, educacionais e de saúde.
Sob pressão, até o líder trabalhista foi obrigado a propor limitações aos imigrantes de outros países da UE. Eles teriam de ficar mais de dois anos no país para ter direito a benefícios previdenciários. Farage denunciou o "turismo da saúde", que custaria dois bilhões de libras por ano ao país, alegando que qualquer portador do vírus da aids que se mudar para o Reino Unido terá tratamento garantido pelo Serviço Nacional de Saúde.
A líder escocesa Nicola Sturgeon e Miliband aproveitaram o tema da imigração para criticar Cameron por prometer convocar, se for reeleito, um plebiscito sobre a associação à UE, descrito como um enorme risco para a economia, os empregos e o bem-estar social dos britânicos.
De sua parte, Farage argumentou que "este país precisa governar a si mesmo" e declarou que a única garantia de que vai haver uma consultar popular será a eleição de uma grande bancada de seu partido xenófobo e neofascista.
Cameron fuzilou Farage com o olhar, acusando-o de contribuir para uma vitória trabalhista ao roubar votos dos conservadores à direita. Com Miliband no poder, não vai haver plebiscito para sair da Europa.
Neste caso, se o Reino Unido deixar o bloco europeu, a líder do Partido Nacional Escocês disse que, além da independência, vai lutar para que a Escócia permaneça na UE. Da mesma forma, Leanne Wood, do partido nacionalista galês, defendeu o modelo social-democrata europeu, temendo perder ajuda e benefícios sociais se o Reino Unido deixar a UE.
O grande defensor da integração europeia foi Clegg. O líder liberal-democrata lembrou que são mais de 500 milhões de pessoas que produzem uma riqueza de mais de US$ 18 trilhões por ano.
A candidata verde, Natalie Bennett, tentou convencer o eleitor de que o voto em seu partido não será inútil. No sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital em turno único, há uma forte tendência para o voto útil nos grandes partidos. Os pequenos têm pouca chance e sempre formam bancadas proporcionalmente menores do que sua votação.
Em 7 de maio, os eleitores britânicos vão escolher deputados em 650 distritos. A maioria absoluta seria de 326 cadeiras, mas o partido republicano e nacionalista irlandês Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), tem hoje cinco deputados que não tomaram posse porque se recusam a jurar lealdade à coroa britânica. Deve manter a bancada, o que reduz o total de deputados empossados para 645 e a maioria para 323 cadeiras.
Pelas atuais pesquisas, conservadores e trabalhistas teriam em torno de 260 a 290 deputados cada. Cabe ao líder da maior bancada a primeira tentativa de formar um governo.
O primeiro-ministro tem os liberais-democratas como parceiros naturais, mas estes podem perder muitas cadeiras pelo desgaste de ser governo sem chefiar o governo. Talvez não baste para ter maioria absoluta. Pode ser necessário atrair os partidos unionistas da Irlanda do Norte, que apoiaram o governo John Major (1992-97).
Historicamente o Partido Trabalhista sem dependeu dos deputados da Escócia para ter maioria na Câmara dos Comuns. Os trabalhistas ganharam o plebiscito sobre a independência da Escócia no ano passado, mas o Partido Nacional Escocês deve ganhar as eleições para o Parlamento de Westminster, do qual gostaria de se livrar.
Se Miliband precisar do apoio dos nacionalistas da Escócia e do País de Gales, terá de prometer mais autonomia a estas nações que, com a Inglaterra, formam a Grã-Bretanha desde 1707.
O mais provável no momento é uma vitória conservadora. David Cameron continuaria como primeiro-ministro. Mas a parada está indefinida.
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terça-feira, 31 de março de 2015
Reino Unido fará eleições mais imprevisíveis da história recente
A pedido do primeiro-ministro conservador David Cameron, a rainha Elizabeth II dissolveu ontem a Câmara dos Comuns e convocou para 7 de maio de 2015 as eleições gerais mais imprevisíveis da história do Reino Unido depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
O bipartidarismo clássico do modelo de Westminster está em xeque. Como o país adota o sistema de voto distrital em turno único, um candidato pode se eleger com pouco mais de 30% dos votos. Margaret Thatcher e Tony Blair nunca obtiveram maioria absoluta de votos, mas tinham maiorias de mais de cem deputados na Câmara dos Comuns.
Nas últimas eleições, em 2010, o líder conservador Cameron conseguiu derrotar o Partido Trabalhista do então primeiro-ministro Gordon Brown, mas não conseguiu maioria absoluta no Parlamento. Governou em aliança com o Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg.
Esse terceiro partido historicamente sempre foi prejudicado pelo sistema eleitoral britânico, que favorece o voto útil. O líder do terceiro partido não tem chance de ser primeiro-ministro. Seu percentual de deputados na Câmara é sempre muito inferior ao percentual de votos. Com o desgaste de governar sem ter a chefia do governo, os liberais-democratas devem perder espaço.
Há novos atores em jogo na política britânica. O Partido da Independência do Reino Unido, de ultradireita, favorável a sair da União Europeia, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu no ano passado. Sob a liderança de Nigel Farage, este partido fundado em 1993 e até há pouco marginal vai tomar votos à direita dos conservadores.
Por outro lado, o Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, que não é considerado muito confiável nas pesquisas de opinião depende da bancada da Escócia para ter maioria no Parlamento de Westminster. O Partido Nacional Escocês perdeu o plebiscito sobre a independência no ano passado, mas, sob a nova liderança de Nicola Sturgeon, deve tomar cadeiras dos trabalhistas, que defenderam a União.
E o Partido Verde, que sempre obtém melhores resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, também são uma força importante na nova situação política no Reino Unido, sob a liderança de Natalie Bennett.
Assim, em vez de três partidos maiores, serão seis a embaralhar a política britânica na disputa pelas 650 cadeiras da Câmara dos Comuns do Parlamento de Westminster, que se orgulha de ser o mais antigo ainda em atividade.
O bipartidarismo clássico do modelo de Westminster está em xeque. Como o país adota o sistema de voto distrital em turno único, um candidato pode se eleger com pouco mais de 30% dos votos. Margaret Thatcher e Tony Blair nunca obtiveram maioria absoluta de votos, mas tinham maiorias de mais de cem deputados na Câmara dos Comuns.
Nas últimas eleições, em 2010, o líder conservador Cameron conseguiu derrotar o Partido Trabalhista do então primeiro-ministro Gordon Brown, mas não conseguiu maioria absoluta no Parlamento. Governou em aliança com o Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg.
Esse terceiro partido historicamente sempre foi prejudicado pelo sistema eleitoral britânico, que favorece o voto útil. O líder do terceiro partido não tem chance de ser primeiro-ministro. Seu percentual de deputados na Câmara é sempre muito inferior ao percentual de votos. Com o desgaste de governar sem ter a chefia do governo, os liberais-democratas devem perder espaço.
Há novos atores em jogo na política britânica. O Partido da Independência do Reino Unido, de ultradireita, favorável a sair da União Europeia, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu no ano passado. Sob a liderança de Nigel Farage, este partido fundado em 1993 e até há pouco marginal vai tomar votos à direita dos conservadores.
Por outro lado, o Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, que não é considerado muito confiável nas pesquisas de opinião depende da bancada da Escócia para ter maioria no Parlamento de Westminster. O Partido Nacional Escocês perdeu o plebiscito sobre a independência no ano passado, mas, sob a nova liderança de Nicola Sturgeon, deve tomar cadeiras dos trabalhistas, que defenderam a União.
E o Partido Verde, que sempre obtém melhores resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, também são uma força importante na nova situação política no Reino Unido, sob a liderança de Natalie Bennett.
Assim, em vez de três partidos maiores, serão seis a embaralhar a política britânica na disputa pelas 650 cadeiras da Câmara dos Comuns do Parlamento de Westminster, que se orgulha de ser o mais antigo ainda em atividade.
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