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terça-feira, 28 de março de 2023

Netanyahu adia reforma judiciária sob intensa pressão popular

 Sob uma pressão popular sem precedentes, com 600 mil manifestantes protestando em Telavive e Jerusalém, greve geral e revolta dos militares e do setor de alta tecnologia, dois pilares do Estado de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recuou e adiou a votação de uma reforma do Poder Judiciário que ameaça a democracia no país.

Está em jogo o futuro de Israel, se será o país moderno, democrático e secularista sonhado por seus fundadores ou dominado por um ultranacionalismo religioso. Netanyahu não desistiu. Tenta ganhar tempo.

A Corte Suprema do México suspendeu liminarmente uma reforma do governo que reduzia os poderes e o orçamento do Instituto Nacional Eleitoral. A decisão final deve sair antes das eleições de 2024.

O Partido Nacional Escocês, que luta pela independência, elegeu um novo líder, Humza Yousaf, de origem indo-paquistanesa. Ele será automaticamente primeiro-ministro da Escócia.

O príncipe Harry e o cantor Elton John foram ontem à Corte Real de Justiça, no centro de Londres. Eles movem um processo contra a empresa que publica o jornal sensacionalista The Daily Mail, que acusam de "atividade criminosa abominável e graves violações de privacidade", inclusive instalar equipamentos de escutas em casas e carros das vítimas, grampear telefones e pagar à polícia em troca de informações. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

May deve formar governo britânico com unionistas da Irlanda do Norte

Com a perda do deputado do aristocrático bairro londrino de Kensington, considerada uma das cadeiras mais seguras para os conservadores no Reino Unido, o partido perdeu a maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Serão apenas 318 conservadores entre os 650 deputados eleitos. A primeira-ministra Theresa May deve se aliar ao Partido Unionista Democrático (DUP) da Irlanda do Norte para ter maioria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Os trabalhistas conquistaram 262 cadeiras. Mesmo assim, o resultado é uma derrota para Theresa May. Ela convocou eleições antecipadas para ampliar sua maioria, que era de apenas cinco deputados, e assim ter um mandato forte para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Fragilizada, sob pressão para pedir demissão, antes de ir ao Palácio de Buckingham pedir permissão à rainha Elizabeth II para formar um novo governo, May anunciou a recondução aos cargos dos ministros das Finanças, Philip Hammond; do Exterior, Boris Johnson; do Interior, Amber Rudd; das negociações com a UE, David Davis; e da Defesa, Michael Fallon.

As negociações da Brexit (British exit = saída britânica, do inglês) começam daqui a dez dias. May insinuou que o resultado aumenta a responsabilidade dos outros partidos nas negociações. Na prática, complica a estratégia da primeira-ministra de sair do mercado comum europeu.

O líder trabalhista, Jeremy Corbin, também deixou claro que não pretende deixar a liderança do partido: "Qualquer que seja o resultado final, nossa campanha positiva mudou a política para melhor", gabou-se Corbyn. O partido saiu melhor do que esperado. Ganhou 30 cadeiras. A expectativa era de um fracasso total por causa de sua liderança radical.

A terceira força no Palácio de Westminster é o Partido Nacional Escocês, que perdeu 21 deputados, mas manteve 35. Está mais interessado na independência da Escócia, especialmente se o Reino Unido deixar mesmo a UE.

Só um partido defendeu a realização de um novo referendo sobre a Europa. O Partido Liberal-Democrata não conseguiu atrair o voto dos 48% que preferiam ficar na UE. Ganhou quatro cadeiras e terá 12 deputados.

Os unionistas democráticos da Irlanda do Norte, defensores da manutenção da província do Ulster no Reino Unido, elegeram dez deputados. Com os 318 conservadores, tem uma maioria apertada de 328 cadeiras, duas a mais do que a maioria absoluta.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Conservadores vencem eleição mas podem perder maioria absoluta

O Partido Conservador conquistou a maior parte das cadeiras na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, mas a manobra de primeira-ministra Theresa May fracassou: ao convocar eleições antecipadas, ela pretendia ampliar sua maioria e se fortalecer para as negociações de saída do Reino Unido da União Europeia. Pode perder a maioria absoluta e ser obrigada a fazer uma coligação.

Pelas projeções da pesquisa de boca de urna da televisão pública britânica BBC e dos canais privados ITV e Sky News, os conservadores terão 314 deputados na Câmara dos Comuns, de 650 cadeiras. Os trabalhistas devem ganhar 34 cadeiras, subindo para 266. O Partido Nacional Escocês deve ter 34 deputados, 22 a menos, e o Partido Liberal-Democrata, 14 deputados.

O resultado final deve ser conhecido na madrugada de amanhã pelo horário de Brasília.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Sadiq Khan é eleito primeiro prefeito muçulmano de Londres

O advogado Sadiq Khan, de 45 anos, foi eleito primeiro prefeito muçulmano da capital do Reino Unido e de um grande país do Ocidente, anunciou há pouco o Partido Trabalhista britânico. Ele derrotou o judeu conservador Zac Goldsmith e vai substituir o também conservador Boris Johnson.

No fim da contagem, Khan obteve 1.310.143 votos contra 994.614 votos para Goldsmith, acabando com um controle de oito anos do Partido Conservador sobre o governo municipal de Londres. O atual prefeito, Boris Johnson, sai para se dedicar à campanha para o país deixar a Uniao Europeia no referendo convocado para 23 de junho.

Filho de uma família paquistanesa, Sadiq Khan nasceu em Tooting, o bairro de Londres que representa na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Seu pai era motorista de ônibus e a mãe costureira. Eram oito irmãos e uma irmã. A família dividia um apartamento público de três quartos num conjunto habitacional de subúrbio.

Sadiq frequentou escolas públicas, estudou direito e trabalhava defensor dos direitos humanos. A família manda dinheiro para parentes no Paquistão porque "vivemos neste país maravilhoso", disse Khan na campanha.

No discurso da vitória, o novo prefeito afirmou ter uma "ambição ardente" de que cada cidadão de Londres tenha as mesmas oportunidades que ele teve: "A oportunidade não só de sobreviver, mas de prosperar. A oportunidade de acreditar num futuro melhor para você e sua família."

Vereador de Tooting a partir de 1994, ele se elegeu para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 2005. Foi ministro das Comunidades e dos Transportes no governo Gordon Brown.

Em 2013, Khan revelou a intenção se candidatar a prefeito. No ano passado, ganhou a eleição prévia do partido. É considerado um social-democrata da ala moderada do partido.

Na emoção da vitória, fez uma homenagem ao pai, o imigrante paquistanês Amanullah Khan: "Ele estaria tão orgulhoso de que a cidade que escolheu para ser sua casa agora escolheu um de seus filhos para ser prefeito."

Com 40% de seus habitantes nascidos no exterior, Londres é considerada hoje a cidade mais cosmopolita do mundo inteiro. Cerca de 12% dos londrinos são muçulmanos.

Se obteve uma grande vitória na capital nas eleições municipais de hoje, na Escócia, o Partido Trabalhista caiu para terceiro lugar, atrás do Partido Nacional Escocês e do Partido Conservador. Desde o plebiscito sobre a independência da Escócia, em 2014, o partido nacionalista, de centro-esquerda, tomou parte do eleitorado trabalhista.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Conservadores estão perto da maioria no Reino Unido, diz pesquisa

O Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, venceu as eleições gerais no Reino Unido e deve eleger 316 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, dez a menos do que a maioria absoluta, indica uma pesquisa de boca de urna divulgada há pouco pela televisão pública britânica BBC.

Pela mesma pesquisa, a oposição trabalhista conquistou 239 cadeiras, 19 a menos do que tem hoje, uma derrota de seu líder, Ed Miliband, que chegou a ser apontado como favorito para formar um governo de coalizão, mas é considerado inapto para governar o país pela maioria dos eleitores.

A terceira maior bancada no Palácio de Westminster será do Partido Nacional Escocês, que luta pela independência da Escócia. Os nacionalistas escoceses se encaminham para eleger 58 dos 59 deputados escoceses no parlamento do qual querem se livrar.

A maior derrota foi do Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, parceiro menor da coalizão governante, que sofreu o desgaste de estar no governo sem mandar nele. Deve perder 47 deputados e ter sua bancada reduzida para apenas 10. É o suficiente para garantir uma nova maioria a Cameron, se os números da pesquisa se confirmarem.

Em princípio, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns seria de 326 deputados. Mas os deputados do partido nacionalista e republicano irlandês Sinn Féin não assumem as cadeiras que conquistam na Irlanda do Norte por se negarem a jurar lealdade ao Reino Unido. Assim, a maioria cai para 323 deputados.

O ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os males do país e quer sair da União Europeia, mais votado nas eleições do ano passado para o Parlamento Europeu, terá apenas dois deputados. Sua votação poderia ter dado a maioria absoluta aos conservadores.

O Partido Verde deve eleger dois deputados e o partido nacionalista galês Plaid Cymru quatro deputados, no País de Gales.

Reino Unido vota em eleições que podem desmanchar o país

As urnas estão abertas nesta quinta-feira, 7 de maio de 2015, de 7h (3h em Brasília) às 22h (18h em Brasília) para as eleições dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. 

Cerca de 45 milhões de eleitores estão aptos a votar em 50 mil seções eleitorais. Nas eleições anteriores, em 2010, 65% compareceram às urnasMais do que o próximo governo, está em jogo o futuro do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.

Se for reeleito, o primeiro-ministro conservador David Cameron promete convocar até 2017 um referendo sobre a permanência na União Europeia. Sair do bloco europeu pode ser desastroso para o país que é hoje a quinta maior economia do mundo e provavelmente levaria à independência da Escócia.

Com 34% nas preferências, é improvável que o Partido Conservador consiga formar o próximo governo sozinho e nem mesmo com a ajuda do Partido Liberal-Democrata, liderado pelo vice-primeiro-ministro Nick Clegg parceiro menor na coalizão, que deve ficar com 9% dos votos. O PLD paga o preço de ser governo sem mandar de fato.

Os conservadores perderam votos à direita para o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os problemas do país e quer sair da UE. Cameron fez campanha em cima da recuperação econômica. O Reino Unido foi o país rico que mais cresceu em 2014, 2,8%, mas o ritmo caiu para 0,2% no último trimestre, e a retomada desigual favorece os ricos. Elitistas, os conservadores são vistos como distantes da realidade do cidadão comum.

Popular entre ingleses brancos desempregados e a classe média empobrecida pela crise, o UKIP, torna o Partido Conservador ainda mais eurocético ao roubar-lhe o eleitorado menos educado, alimentando o antieuropeísmo que pode levar o reino a deixar a UE. Tem 12% das preferências.

O outro candidato a liderar o próximo governo é o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband. Com 33% nas pesquisas, os trabalhistas não conseguirão formar o próximo governo sozinhos, em parte por causa do avanço do Partido Nacional Escocês (PNE).

Depois de perderem o referendo sobre a independência da Escócia em 2014 por 55% a 45%, os nacionalistas se encaminham para eleger todos os deputados escoceses do Parlamento Britânico, do qual querem se separar. Na Câmara dos Comuns recém dissolvida, a oposição trabalhista tinha 40 dos 59 deputados da Escócia.

Isso significa que numa Câmara sem maioria absoluta, o PNE e sua nova líder, Nicola Sturgeon, a grande estrela desta campanha eleitoral, podem ter um papel decisivo na formação de um governo trabalhista. Seu principal objetivo declarado é derrotar os conservadores.

Na reta final da campanha, Miliband prometeu não fazer qualquer acordo capaz de comprometer a unidade do Reino Unido. Aos nacionalistas escoceses, naturalmente, só interessa barganhar concessões que aumentem a autonomia rumo à independência.

Assim, ganham conservadores ou trabalhistas, estas eleições ajudam o movimento nacionalista escocês, que terá uma representação no Palácio de Westminster proporcionalmente como maior do que sua votação.

Como o Reino Unido adota o voto distrital em turno único, historicamente sempre houve uma tendência ao voto útil nos dois grandes partidos. Desta vez, além do UKIP e do PNE, o Partido Verde e o partido nacionalista galês Plaid Cymru ajudam a atrapalhar a eleição de uma maioria absoluta. Mas, por causa do voto distrital, os pequenos partidos terão representação muito inferior às que teriam com o voto proporcional.

A primeira grande dúvida hoje é que governo sairá das eleições. A segunda é se conseguirá manter a unidade de um dos países mais importantes dos últimos séculos, que construiu o maior de todos os impérios e legou à humanidade o habeas corpus, a primeira Constituição, a Magna Carta, o júri popular, a língua inglesa, o parlamentarismo e a Revolução Industrial.

terça-feira, 31 de março de 2015

Reino Unido fará eleições mais imprevisíveis da história recente

A pedido do primeiro-ministro conservador David Cameron, a rainha Elizabeth II dissolveu ontem a Câmara dos Comuns e convocou para 7 de maio de 2015 as eleições gerais mais imprevisíveis da história do Reino Unido depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

O bipartidarismo clássico do modelo de Westminster está em xeque. Como o país adota o sistema de voto distrital em turno único, um candidato pode se eleger com pouco mais de 30% dos votos. Margaret Thatcher e Tony Blair nunca obtiveram maioria absoluta de votos, mas tinham maiorias de mais de cem deputados na Câmara dos Comuns.

Nas últimas eleições, em 2010, o líder conservador Cameron conseguiu derrotar o Partido Trabalhista do então primeiro-ministro Gordon Brown, mas não conseguiu maioria absoluta no Parlamento. Governou em aliança com o Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg.

Esse terceiro partido historicamente sempre foi prejudicado pelo sistema eleitoral britânico, que favorece o voto útil. O líder do terceiro partido não tem chance de ser primeiro-ministro. Seu percentual de deputados na Câmara é sempre muito inferior ao percentual de votos. Com o desgaste de governar sem ter a chefia do governo, os liberais-democratas devem perder espaço.

Há novos atores em jogo na política britânica. O Partido da Independência do Reino Unido, de ultradireita, favorável a sair da União Europeia, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu no ano passado. Sob a liderança de Nigel Farage, este partido fundado em 1993 e até há pouco marginal vai tomar votos à direita dos conservadores.

Por outro lado, o Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, que não é considerado muito confiável nas pesquisas de opinião depende da bancada da Escócia para ter maioria no Parlamento de Westminster. O Partido Nacional Escocês perdeu o plebiscito sobre a independência no ano passado, mas, sob a nova liderança de Nicola Sturgeon, deve tomar cadeiras dos trabalhistas, que defenderam a União.

E o Partido Verde, que sempre obtém melhores resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, também são uma força importante na nova situação política no Reino Unido, sob a liderança de Natalie Bennett.

Assim, em vez de três partidos maiores, serão seis a embaralhar a política britânica na disputa pelas 650 cadeiras da Câmara dos Comuns do Parlamento de Westminster, que se orgulha de ser o mais antigo ainda em atividade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Primeiro-ministro da Escócia renuncia ao cargo

Depois da derrota no plebiscito sobre a independência, o primeiro-ministro Alex Salmond acaba de anunciar a renúncia à chefia de governo e à liderança do Partido Nacional Escocês. Por 55% a 45%, os escoceses decidiram continuar sendo parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

"Meu tempo como líder chegou ao fim, mas o sonho da Escócia não deve morrer nunca", resignou-se Salmond, não sem antes cobrar a transferência de poderes prometida pelos líderes dos três grandes partidos britânicos na reta final da campanha do plebiscito.

No início da manhã de hoje, ao celebrar a vitória, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu entregar mais poderes ao governo semiautônomo da Escócia. As reformas prometidas devem introduzir o federalismo no sistema de governo britânico, redistribuindo poderes entre as diferentes regiões do país.