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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Vitória conservadora não tira incerteza sobre futuro do Reino Unido

O primeiro-ministro conservador Boris Johnson obteve uma grande vitória nas eleições de ontem para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro, mas o futuro do país é incerto e perigoso. O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte terá de se reinventar e pode perder a Escócia.

Triunfante, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou diante da residência oficial que o resultado deve encerrar o debate em torno da saída britânica do bloco europeu e que é hora de curar as feridas causadas pela profunda divisão do país nos últimos anos.

Johnson prometeu restaurar o passado de glória. Mas pode ser uma vitória de Pirro, um general que derrotou o Império Romano duas vezes, mas sofreu tantas perdas que declarou: “Mais uma vitória dessas e estou perdido.” Na terceira batalha, foi derrotado.

O desafio de Johnson é reacomodar o país que um dia comandou o maior império da história num mundo globalizado, definir seu futuro a partir de uma negociação com a União Europeia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará tudo para boicotar.

A Escócia já manifestou a intenção de convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à União Europeia. O país pode ficar reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

Reino Unido vota para romper impasse em torno da saída da UE

Três anos e cinco meses depois do plebiscito que aprovou um divórcio com a Europa, os eleitores britânicos vão às urnas para quarta vez em menos de cinco anos em busca de uma solução para a crise do sistema político do país.

A saída da União Europeia está marcada agora para 31 de janeiro depois de ter sido adiada três vezes porque a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico não aprovou o acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May com os sócios europeus nem propôs qualquer alternativa viável.

Apesar do frio e da chuva, a expectativa é de uma participação elevada mesmo que o voto não seja obrigatório. Estas são as eleições mais importantes em uma geração. Em jogo, o futuro do país que um dia liderou o maior império que o mundo jamais viu e hoje se encolhe para ficar reduzido provavelmente à pequena Inglaterra e ao País de Gales.

Se o Reino Unido sair mesma da União Europeia, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência e saia do reino para ficar na Europa.Meu comentário:

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Terrorista esfaqueia cinco pessoas e mata duas em Londres

Pelo menos cinco pessoas foram feridas a faca por volta das 14 horas de hoje pela hora local (11h em Brasília) na região da Ponte de Londres, no centro da capital do Reino Unido. Duas morreram. Cidadãos que estavam na ponte dominaram o agressor. 

A polícia do centro financeiro da cidade reagiu rapidamente e baleou o terrorista quando percebeu que ele poderia carregar explosivos junto ao corpo. Mas o colete para suicídio como homem-bomba era falso.

Uma testemunha ouvida pela rádio e televisão pública BBC contou que "estava num ônibus na Ponte de Londres quando o motorista freou bruscamente porque pessoas corriam na ponte. Vi que várias pessoas se batiam e percebi que era a polícia tentando controlar um homem grande barbudo. Eu estava com meu bebê e me escondi atrás da escada dos fundos. Em seguida, ouvi duas detonações e pensei que eram tiros."

Logo depois, ela viu "um homem caído no chão. Ele tinha uma veste sob um manto. Não sei se era um colete a prova de bala ou uma espécie de veste explosiva. (...) Houve pânico dentro do ônibus."

Tanto o primeiro-ministro Boris Johnson quanto o líder da oposição, Jeremy Corbyn agradeceram à reação rápida da Polícia Metropolitana da Grande Londres, um braço da Scotland Yard.

O país está em campanha para as eleições gerais de 12 de dezembro e o terrorismo dos extremistas muçulmanos é mais um tema candente para a campanha, que gira em torno da Brexit, a saída britânica da União Europeia.

No mundo inteiro, as autoridades esperam retaliações da organização terrorista Estado Islâmico pela morte de seu líder, Abu Baker al-Baghdadi, em 26 de outubro deste ano, numa operação militar dos Estados Unidos na Síria.

Mais tarde, a polícia identificou o terrorista como Usman Khan, que havia sido condenado por uma conspiração para explodir bombas em Londres e estava em liberdade condicional com tornozeleira.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Eleições britânicas tentam resolver impasse em relação à Europa

O Parlamento Britânico antecipa eleições para tentar romper o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. Será que vão resolver? Com o país e os partidos radicalmente divididos, há o risco de uma Câmara dos Comuns dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido.

Foram apenas quatro votos a mais do que o mínimo necessário, de dois terços dos deputados. Por 438 a 20, a Câmara dos Comuns aprovou ontem a convocação de eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto foi para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

O objetivo do primeiro-ministro conservador Boris Johnson é conquistar um mandato popular para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Corre o risco de uma vitória dos adversários da Brexit, a saída britânica da União Europeia.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista. Uns têm medo de uma derrota fragorosa. Outros preferiam a realização de uma segunda consulta popular, de um referendo sobre a saída ou não da União Europeia, antes de novas eleições gerais.

Serão as terceiras eleições em três anos e as primeiras realizadas em dezembro desde 1923. Dezembro é o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove muito, às quatro da tarde é noite e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção é enorme, assim como a eleição de uma Câmara dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido. Meu comentário:
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Parlamento Britânico antecipa eleições para 12 de dezembro

Por 438 a 20, com quatro votos acima do mínimo necessário, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje a antecipação das eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto segue agora para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

A medida foi proposta pelo primeiro-ministro Boris Johnson para obter um mandato renovado para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Mas há o risco de que uma vitória dos adversários da saída acabe com a Brexit.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista, por temer uma derrota fragorosa e preferir realizar uma segunda consulta popular, um referendo para aprovar o acordo de saída da UE negociado por Johnson, antes das próximas eleições gerais.

Serão as primeiras eleições em dezembro desde 1923. É o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove, anoitece às 16 horas e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção elevada aumenta e os conservadores se beneficiam disso.

Enquanto o Partido Conservador virou um partido radical de direita nacionalista com foco na Brexit, o Partido Trabalhista também está dividido pela questão europeia. Seu líder, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda que promete estatizar serviços públicos privatizados, é o líder de oposição mais impopular da história recente do Reino Unido.

Johnson chegou ao poder ao ser eleito líder do Partido Conservador por seus 160 mil filiados, sem um mandato popular conquistado nas urnas em eleições gerais. Com ampla vantagem nas pesquisas de opinião, insiste em antecipar as eleições para tentar quebrar o impasse em torno da saída da UE.

Depois de expulsar 21 deputados conservadores que votaram contra a orientação do governo sobre a saída da UE, Johnson trouxe 10 rebeldes de volta para aprovar as eleições. Como o país está radicalmente dividido e fraturado pelas relações com a Europa, serão as eleições da Brexit.

Na média, as últimas pesquisas dão 36% aos conservadores, 25% aos trabalhistas, 18% aos liberais-democratas e 11% ao Partido da Brexit.

A grande preocupação do Partido Conservador é com o Partido da Brexit, o antigo Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), liderado pelo neofascista Nigel Farage, que foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu em maio deste ano, com 34% dos votos.

O Partido Liberal-Democrata, o terceiro maior do país, tem hoje apenas 19 deputados por causa do sistema eleitoral britânico, de voto distrital em turno único. Ganha o mais votado, sem necessidade de maioria, o que forçaria a realização de um segundo turno, como acontece na França. Também abre a possibilidade de ter ampla maioria no Parlamento sem ter a maioria absoluta no voto popular.

Na prática, isto cria quase um bipartidarismo em que conservadores e trabalhistas se revezam no poder e os partidos menores são marginalizados. Os liberais-democratas participaram do primeiro governo David Cameron, o primeiro e único governo de coalizão no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. O desgaste no poder de um governo dominado por outros pesou para reduzir sua bancada.

Hoje, o Partido Liberal-Democrata é o partido da permanência do Reino Unido na UE. Esta bandeira lhe valeu o segundo lugar nas eleições europeias, à frente de trabalhistas, verdes e conservadores. Ficar na Europa será o tema central de sua campanha.

Em 1997, quando o governo Tony Blair foi eleito, os trabalhistas fizeram uma aliança informal com os sociais-democratas para concentrar os votos no candidato com melhores chances dos dois partidos em cada distrito eleitoral do país. Foi a maneira de derrotar os conservadores depois de 18 anos de thatcherismo.

Agora, sob a liderança radical de Corbyn, inimigo jurado do neotrabalhismo de Blair, dificilmente haverá um acordo deste natureza, a não ser que o Partido Trabalhista abrace a defesa da permanência na UE. Depois de tanta hesitação de Corbyn, é improvável.

Com o caos em torno da UE, o Partido Nacional Escocês tenta ampliar seu domínio sobre a política da Escócia para preparar um novo plebiscito sobre a independência. Se o Reino Unido sair mesmo da UE, a Escócia deve declarar a independência e se reintegrar à Europa.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

UE prorroga o prazo para saída do Reino Unido até 31 de outubro

A União Europeia aceitou hoje uma "extensão flexível" do prazo de saída do Reino Unido do bloco europeu, que passa de 31 de outubro de 2019 para 31 de janeiro de 2020 e pode ser antecipado se o Parlamento Britânico aprovar o acordo negociado pelo primeiro-ministro conservador Boris Johnson com os sócios europeus.

Johnson sofreu mais uma derrota na Câmara dos Comuns hoje ao tentar antecipar as próximas eleições gerais britânicas para 12 de dezembro. A proposta recebeu 299 votos favoráveis. Com a abstenção da oposição trabalhista, ficou muito abaixo dos dois terços ou 434 votos necessários para aprovar a dissolução do Parlamento e convocar novas eleições.

Uma vitória eleitoral daria a Johnson o mandato para negociar o divórcio com a UE nos seus termos. Hoje, seu governo tem minoria na Câmara. Ele foi eleito líder do Partido Conservador com os votos dos filiados ao partido, cerca de 160 mil pessoas. Sonha em conquistar um mandato nas urnas.

A oposição trabalhista se nega a aceitar uma saída da UE sem acordo, uma saída dura, como queria Johnson, que chegou a dizer que sairia em 31 de outubro, preferindo cair "morto dentro de uma vala" a pedir a prorrogação do prazo.

O Partido Trabalhista, liderado pelo esquerdista radical Jeremy Corbyn, deve propor uma emenda exigindo que o Reino Unido mantenha a união aduaneira com a UE, o maior mercado, que respondeu no ano passado por 44% das exportações e 55% das exportações britânicas.

Com a união aduaneira, o Reino Unido manteria o acesso ao mercado comum europeu, mas perderia o direito de decidir suas regras. A ala mais radical dos brexiteiros quer total liberdade para fazer acordos comerciais com outros países.

Outros deputados devem propor que o texto final do acordo seja submetido a uma segunda consulta popular, a um referendo. A alternativa seria a permanência do país na UE.

Os partidários da saída afirmam que seria uma traição da vontade popular manifestada no plebiscito de 23 de junho de 2016. Mas a realidade é que a maioria dos eleitores não sabia exatamente em que estava votando.

Além das promessas genéricas de retomar o controle das leis, das fronteiras, da imigração e do comércio internacional, havia o compromisso de investir 350 milhões de libras, quase R$ 1,8 bilhão, a mais por semana no Serviço Nacional de Saúde, uma grande mentira.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Suprema Corte declara ilegal suspensão do Parlamento Britânico

Por unanimidade, os 11 ministros da Suprema Corte do Reino Unido decidiram hoje que a decisão do primeiro-ministro conservador Boris Johnson de suspender as atividades do Parlamento Britânico é "ilegal, nula e sem efeito", noticiou o jornal The Guardian. Em discurso na convenção anual do Partido Trabalhista, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, cobrou uma renúncia imediata de Johnson.

O primeiro-ministro britânico abandonou a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e voltou a Londres. Antes de partir, discordou da decisão do tribunal e insinuou que pode tentar repetir a manobra de outra forma. Também alegou que o recurso à Justiça foi uma ação dos querem "frustrar a Brexit", a saída britânica da União Europeia, hoje prevista para 31 de outubro.

Corbyn prometeu negociar um acordo com a UE em três depois das próximas eleições, a serem realizadas em novembro e dezembro, que os trabalhistas esperam vencer. O novo acordo seria então submetido a um referendo em que haveria a opção de revogar o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 para manter no país no bloco europeu.

Agora, o Parlamento deve reabrir para acompanhar as próximas semanas, em que Johnson deve tentar retirar o país da UE de qualquer maneira.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Parlamento Britânico proíbe saída da UE sem acordo

Em mais uma derrota humilhante para o primeiro-ministro Boris Johnson, por 329 a 300, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou há pouco um projeto para proibir a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo e pediu uma prorrogação de três meses além da atual data prevista para a Brexit (saída britânica), 31 de outubro. 

Na segunda votação, o projeto recebeu 327 a 199 votos. Agora, segue para a Câmara dos Lordes, onde aliados do governo apresentaram mais de 100 emendas para atrasar a tramitação da proposta, que Johnson chamou de "lei da rendição".

O primeiro-ministro alegou que precisa da opção de uma saída sem acordo para pressionar a UE a fazer mais concessões e revelou a intenção de convocar eleições gerais para 15 de outubro. Se vencer, poderá levar adiante seu plano de deixar o bloco europeu sem acordo. O Conselho Europeu, formado pelos líderes dos países da UE, examina a questão em 17 de outubro.

Para convocar eleições, Johnson precisa do apoio de dois terços da Câmara, que não tem. O Partido Liberal-Democrata, maior defensor da permanência na UE, não vai apoiar a antecipação das eleições, que o primeiro-ministro vai apresentar como um duelo entre o povo e o Parlamento Britânico.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda favorito para vencer as eleições, negou estar boicotando as negociações com a UE "porque não há negociações" em andamento. A UE se nega a renegociar o acordo feito com a ex-primeira-ministra Theresa May, rejeitado três vezes na Câmara dos Comuns.

Corbyn acusou Johnson de liderar "um governo sem mandato, sem planos e sem maioria" no Parlamento. Depois da derrota de ontem, quando a Câmara assumiu o controle da agenda legislativa, o primeiro-ministro expulsou 21 membros do Partido Conservador.

Sua aposta é mobilizar o eleitorado a favor da saída da UE. Com este objetivo, divide ainda mais o partido, abandonando a proposta de um conservadorismo inclusivo e aberto a todos para criar um partido sectário de ultradireita, e rachou o país.

Se o Reino Unido deixar a UE, a Escócia, onde 62% votaram para ficar, deve convocar um novo plebiscito sobre a independência para deixar o país e ficar no bloco europeu.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Primeiro-ministro Boris Johnson perde maioria no Parlamento Britânico

O primeiro-ministro Boris Johnson perde a maioria de um deputado que tinha na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, sofre uma fragorosa derrota e deve convocar eleições antecipadas para outubro.

Três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída da União Europeia, o Reino Unido afunda no caos. O Parlamento Britânico não consegue chegar a um consenso mínimo nem sobre a saída, quanto mais sobre a futura relação com a União Europeia, o maior mercado para os produtos britânicos.

Autoritário, arrogante e palhaço, o primeiro-ministro está determinado a sair do bloco europeu em 31 de outubro, com ou sem acordo. 

Os estudos indicam que sem acordo seria catastrófico para a economia do país, capaz de perder 10% do produto interno bruto em 5 anos, de acordo com o Banco da Inglaterra. Meu comentário:

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Primeiro-ministro suspende Parlamento Britânico e é acusado de golpe

A rainha Elizabeth II aceitou hoje um pedido do primeiro-ministro Boris Johnson para suspender as atividades do Parlamento Britânico por cinco semanas, a partir de 10 de setembro. Tenta evitar que a Câmara dos Comuns impeça a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo. Como a rainha tem um cargo meramente cerimonial e não pode fazer política, não poderia se opor. A oposição denunciou a manobra como golpe.

De acordo com a medida, o Parlamento Britânico deve ser reaberto em 14 de outubro com a Fala do Trono, quando a rainha apresenta os planos do governo para a próxima sessão anual. O debate parlamentar sobre o discurso da rainha, escrito pelo primeiro-ministro, dura cinco dias.

Johnson está determinado a tirar o país da UE em 31 de outubro. Uma saída sem acordo será desastrosa para a economia e ameaça deflagrar uma campanha por um novo plebiscito sobre a independência da Escócia.

O líder da oposição, o deputado trabalhista Jeremy Corbyn, deve apresentar uma moção de desconfiança à Câmara dos Comuns, com a proposta de que Johnson seja afastado se perder. Neste caso, Corbyn seria nomeado primeiro-ministro interino até a realização de novas eleições gerais.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Oposição britânica defende segunda consulta popular sobre saída da UE

Depois de muita hesitação, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, finalmente abraçou a proposta de convocação de uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Talvez seja tarde demais.

Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador e à chefia do governo britânico realizaram ontem o primeiro debate ao vivo na televisão. Ambos são a favor da Brexit, a saída britânica. O favorito é o ex-ministro do Exterior e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que promete retirar o país da União Europeia com ou sem acordo, em 31 de outubro. Seu adversário, o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, o desafiou a renunciar se não cumprir a promessa.

O novo líder conservador será conhecido em 23 de julho, depois de uma eleição direta com a participação de todos os cerca de 160 mil filiados ao partido, que estão votando pelo correio. No dia seguinte, deve ser eleito primeiro-ministro. Imediatamente, a oposição trabalhista deve propor um voto de desconfiança que não tem chance de dar certo.

Até 31 de outubro, não haverá tempo para renegociar o acordo com a Europa. De qualquer maneira, os outros líderes europeus avisaram que a renegociação não será reaberta.

Johnson é um bufão, um palhaço. É considerado pelo jornal Financial Times o candidato a primeiro-ministro mais despreparado das últimas décadas. As relações com os sócios europeus são péssimas. Uma saída dura da União Europeia será catastrófica para a economia britânica, com sério risco de divisão do país com a independência da Escócia. Meu comentário:

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Theresa May cai sob pressão do Partido Conservador

Sem apoio no Parlamento Britânico para aprovar o acordo que negociou para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), sob pressão da ala mais extremista do Partido Conservador, a primeira-ministra Theresa May anunciou hoje de manhã que deixa o cargo em 7 de junho.

Segunda mulher a ocupar o cargo, sai como uma das piores governantes da história do país. O favorito para sucedê-la na liderança do partido e do governo é o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior, Boris Johnson, um grande bufão da política britânica.

Por três vezes, a Câmara dos Comuns rejeitou o acordo fechado em novembro do ano passado por May com os outros 27 países-membros da UE. Também não houve maioria parlamentar para nenhuma das propostas alternativas, deixando o país no limbo. A saída da UE foi adiada duas vezes, até 31 de outubro.

Theresa May chorou ao se despedir diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico em 10 Downing Street. Ela era contra a saída da UE, aprovada em plebiscito por 52% a 48% em 23 de junho de 2016.

A primeira-ministra venceu os eurocéticos quando o primeiro-ministro derrotado, David Cameron, pediu demissão, por causa de uma regra não escrita da política britânica: quem mata o rei (ou a rainha) não ascende ao trono.

Johnson e outro ministro eurocético importante, Michael Gove, não tiveram o apoio do partido para substituir Cameron. Foram vistos como traidores.

May se tornou a segunda mulher eleita primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher (1979-90), numa votação interna pela liderança conservadora, sem vencer eleições gerais. Na expectativa de ganhar força para negociar a saída da UE, convocou eleições antecipadas para 8 de junho de 2017 e perdeu a maioria absoluta que o Partido Conservador tinha na Câmara dos Comuns.

A maior parte de seus quase três anos de governo foi consumida na tentativa frustrada de tirar o Reino Unido da UE. Menos de uma semana depois das eleições, houve ainda uma tragédia: o incêndio na Torre Grenfell, em Londres, um edifício de habitação popular onde 72 pessoas morreram, em 14 de junho de 2017.

No fim de dois anos de negociações, em novembro de 2018, o governo May fechou um acordo com a UE que estabelecia uma série de obrigações para o Reino Unido até 2065, como o pagamento de pensões a ex-funcionários. Os eurocéticos nunca aceitaram este acordo, nem a oposição trabalhista. Por mais que May tenha insistido, o acordo nunca teve chance de ser aprovado no Palácio de Westminster.

Depois de agradecer "com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", May apontou como sucessos de seu governo a redução do déficit público e do desemprego, e o aumento dos gastos com saúde mental. Mas admitiu que "é e sempre será matéria para profundo pesar não ter sido capaz de fazer a Brexit", a saída britânica da UE.

Sua última cartada foi "um novo acordo para a Brexit" de dez pontos anunciado na terça-feira. Enfureceu a bancada conservadora ao sugerir a realização de um referendo para aprovação do divórcio com a UE que permitiria superar a falta de consenso na Câmara dos Comuns.

Uma segunda consulta popular seria a saída mais democrática para resolver o impasse no Parlamento Britânico. Conta com o apoio da maioria da oposição trabalhista, embora seu líder, Jeremy Corbyn, hesite. Mas os deputados conservadores antieuropeus temem a anulação do resultado do plebiscito de 2016 e a manutenção do país na UE.

Corbyn parece mais interessado em eleições gerais antecipadas, em que seria o favorito para chefiar o futuro governo, do que numa segunda consulta popular para ficar na Europa. Mas os conservadores, que têm maioria na Câmara, não vão correr o risco de antecipar eleições em que seriam trucidados.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem, a expectativa é de uma queda dos conservadores abaixo de 10%, enquanto o Partido de Brexit, do antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deve ganhar com mais de 30%, enquanto os trabalhistas ficam com 18% e os liberais-democratas com 16%, se as pesquisas estiverem corretas.

Até 31 de julho, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro escolhido sem o aval de eleições gerais. Ele será escolhido em 7 de julho, na disputa pela liderança do Partido Conservador. Sua principal tarefa será resolver a questão europeia, mas nada vai mudar além da chefia de governo.

Por ironia da história, May herdou a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa da primeira primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a principal líder do partido desde Winston Churchill.

Cameron convocou o plebiscito para pacificar o partido e acabou dividindo o país. Se o Reino Unido sair da UE, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência, acabando com uma união que vem desde 1707.

Além de Johnson, há 23 candidatos à liderança do partido e do governo, entre eles o atual ministro do Exterior, Jeremy Hunt, e os deputados Graham Brady e Steve Barker. Como os conservadores estão decididos a eleger um líder a favor de deixar a UE, aumenta o risco de uma "saída dura", sem acordo com os sócios europeus, que poderia ser catastrófica para a economia britânica.

De acordo com estudo do Banco da Inglaterra, sem acordo com a UE, um mercado responsável pela metade do comércio exterior britânico, a economia do Reino Unido pode encolher mais de 10% em cinco anos.

A tendência é de radicalização: ou haverá uma saída dura ou não haverá saída alguma, previu o jornalista Jonathan Freedland, do jornal The Guardian.

sábado, 4 de maio de 2019

Conservadores e trabalhistas perdem eleições municipais no Reino Unido

Os dois maiores partidos do Reino Unido perderam vereadores nas eleições municipais de quinta-feira, 2 de maio de 2019, por causa da indefinição quanto à saída do país da União Europeia (UE). Os liberais-democratas e os verdes, a favor de continuar fazendo parte da Europa unida, foram os maiores vencedores.

A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.

Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.

O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.

Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).

Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.

"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.

Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.

Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.

Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Assange é condenado a 50 semanas de prisão por violar termos da fiança

Um tribunal do Reino Unido condenou hoje o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, especializado em vazar segredos empresariais e de Estado, a 50 semanas de prisão por violar os termos de sua liberdade mediante fiança, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Assange refugiou-se em 2012 na Embaixada do Equador do Londres para evitar uma extradição para a Suécia, onde era suspeito de crimes sexuais. Ele acreditava que tudo não passava de uma manobra para enviá-lo para os Estados Unidos, onde agora é acusado de piratear computadores para roubar documentos sigilosos.

No mês passado, o Equador autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusando-o de violar os termos de seu asilo político. A juíza Deborah Taylor entendeu que o australiano se colocou "deliberadamente fora do alcance" das autoridades do Reino Unido e desde 2012 vinha "explorando sua posição privilegiada para burlar a lei e propagandear internacionalmente seu desdém pela lei deste país".

Suas ações, acrescentou a juíza, foram "uma tentativa deliberada de se evadir da ação da Justiça ou retardá-la". Em carta, Assange pediu desculpas, alegando que se encontrava em "circunstâncias terríveis".

Do lado de fora do tribunal, manifestantes pediam sua libertação.

Na próxima semana, Assange vai participar através de vídeo de uma audiência sobre o processo de extradição para os EUA. O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda, repudia a extradição.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Reino Unido pede adiamento do prazo para sair da UE até 30 de junho

A primeira-ministra conservadora Theresa May pediu hoje uma prorrogação até 30 de junho do prazo para a retirada do Reino Unido da União Europeia (UE) se o Parlamento Britânico não aprovar o acordo de saída até 12 de abril, o prazo atual. O adiamento obrigaria o país a realizar em maio eleições para o Parlamento Europeu.

O pedido indica que May não tem esperança de conseguir aprovação para o acordo concluído em novembro de 2018 com os outros 27 países-membros do bloco europeu. A proposta foi rejeitada três vezes e todas as alternativas foram rejeitadas pela Câmara dos Comuns.

Desde 2 de abril, a primeira-ministra tenta um acordo com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. A manobra não é bem vista pela ala mais extremista e antieuropeia do Partido Conservador. O plebiscito de 23 de junho de 2016 foi convocado pelo então primeiro-ministro, David Cameron, na expectativa de pacificar o partido. Acabou provocando o atual caos na política britânica.

May vai usar a ameaça de eleições europeias e de um adiamento de longo prazo para tentar enquadrar seus radicais.

Ontem, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk sugeriu um adiamento por um ano, um prazo suficientemente longo para o Reino Unido decidir seu futuro. Tusk faz parte do grupo contrário à Brexit (saída britânica). Um prazo tão longo permitiria reverter o processo.

A questão será discutida na próxima reunião de cúpula da UE, em 10 de abril.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Parlamento Britânico rejeita acordo com a UE pela terceira vez

Por 344 a 286 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou pela terceira vez o acordo fechado em novembro de 2018 pela primeira-ministra Theresa May com os outros 27 países da União Europeia. 

O líder da oposição, o deputado trabalhista Jeremy Corbyn, pediu a renúncia imediata do governo conservador e a convocação de eleições antecipadas nas quais seria o favorito.

Hoje era o dia em que o Reino Unido deveria sair da UE, de acordo com o pedido original. Sem acordo, o novo prazo dado pelos sócios europeus é 12 de abril. Nos últimos dias, a Câmara rejeitou oito propostas alternativas, jogando o país em sua pior crise política desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

No fim de semana passado, um milhão de pessoas marcharam pelo centro de Londres para exigir a realização de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica). Seria desastroso para o Partido Conservador, que talvez se dividisse definitivamente.

May tenta o impossível: manter a unidade do partido, o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 e o acordo com a UE. Ela ofereceu sua renúncia para tentar convencer a ala mais extremista e eurocética do partido, sem sucesso.

A consulta popular foi convocada pelo então primeiro-ministro David Cameron numa tentativa de pacificar de uma vez por todas o Partido Conservador e acabar com a guerra civil interna em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em novembro de 1990. Com a vitória da Brexit, ele pediu demissão e jogou o país no caos.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Parlamento Britânico veta saída da UE sem acordo

A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico vota nesta quinta-feira um adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março. Hoje, em novo capítulo do drama, por 312 a 308, os deputados rejeitaram uma saída dura, sem acordo com os outros 27 países-membros do bloco europeu, em qualquer circunstância.

Se a ruptura total defendida pela ala mais à direita e antieuropeia do Partido Conservador está descartada, sem acordo, não haverá Brexit. A saída da UE está prorrogada indefinidamente, dependendo da concordância dos outros 27, insatisfeitos com a hesitação britânica e a incerteza que provoca em toda a Europa.

O Parlamento Britânico não consegue formar uma maioria para aprovar qualquer projeto de saída da UE. A melhor saída seria uma nova consulta popular para o eleitorado decidir se aprova o acordo negociado com a UE ou anula o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.

Quando votaram para sair da UE, os eleitores ouviram promessas que não se materializaram, como um grande aumento do orçamento para o Serviço Nacional de Saúde (NHS) e acordos comerciais livres de amarras o resto do mundo.

A economia britânica era das mais que cresciam entre os países ricos. Hoje está perto da estagnação. Então, a saída mais democrática seria submeter o acordo final do divórcio da Europa a um referendo.

Totalmente dividido, o Partido Conservador, que realizou o plebiscito, não admite convocar uma segunda consulta popular. Na oposição, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou semanas atrás apoio a um novo plebiscito. Mas sua relação com a Europa é ambígua.

Como esquerdista radical, Corbyn sempre considerou a UE um clube capitalista. Na campanha para o plebiscito de 2016, ele não alinhou claramente os trabalhistas aos defensores de ficar na UE. O partido se dividiu e várias regiões industriais decadentes que historicamente apoiam o Partido Trabalhista votaram para sair do bloco europeu.

Depois da segunda derrota do acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com a UE, o líder da oposição está mais interessado na queda do governo e na antecipação das eleições. No momento, Corbyn e os trabalhistas são favoritos.

A ala mais extremista do Partido Conservador tentou derrubar May com um desafio à sua liderança. Perdeu, mas está em revolta permanente contra o governo para defender a saída a qualquer preço. O risco de divisão do partido que mais tempo ficou no poder na democracia no mundo inteiro é enorme. Se não houver Brexit (do inglês, saída britânica), a ruptura será inevitável.

Depois de uma derrota 391 a 242 em 12 de março, May pretende reapresentar seu acordo com a UE pela terceira vez para votação pelos deputados. Tenta pressionar os extremistas do partido a aderir. O adiamento sem prazo traz o risco de que a saída não aconteça.

terça-feira, 12 de março de 2019

Parlamento Britânico rejeita de novo acordo para sair da UE

Por 391a 242 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou hoje pela segunda vez o acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com os outros 27 países-membros da União para a saída do Reino Unido. 

Com apenas 17 dias até a data marcada para a Brexit, os deputados votam amanhã para decidir se aceitam uma retirada sem qualquer acordo. Se a saída dura for rejeitada, na quinta-feira, a Câmara vota um possível adiamento.

Outra opção é a realização de um segundo plebiscito, com a possibilidade de anular a decisão anterior e manter o país no bloco europeu, defendida pela oposição trabalhista. Seria o fim do Partido Conservador, que se vangloria de ter o partido que ficou mais tempo no poder na história da democracia. Mas o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, gostaria mesmo é de eleições antecipadas, nas quais seria o favorito.

A primeira-ministra ainda fez um apelo final: "Esta noite os deputados enfrentam uma decisão muito clara: ou apoiam o acordo e o Reino Unido abandona a UE sem acordo, ou se arriscam a uma saída sem acordo ou que não haja nenhuma Brexit."

O argumento surrado, repetido há meses por May, diminuiu a derrota, mas não foi capaz de evitá-la. Em janeiro, May perdera por 230 votos. Agora, foram 149.

Na análise do jornal britânico Financial Times, o maior diário econômico-financeiro da Europa, "Theresa May perdeu o controle sobre a Brexit". Cerca de 75 deputados conservadores votaram com a oposição para derrubar sua proposta. Alguns eurocéticos mudaram o voto a foram a favor da proposta por medo de que o adiamento acabe com a Brexit.

Depois dos últimos contatos com a UE, ela afirmou ter conseguido garantias legais para evitar que a salvaguarda para não reinstalar uma fronteira dura entre a Irlanda e a Irlanda do Norte comprometesse o país indefinidamente com uma união aduaneira com o bloco europeu.

Horas depois, o advogado-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, derrubou a promessa de May: "Os riscos legais não mudaram nada."

Diante do parecer jurídico, os cerca de 100 deputados eurocéticos liderados pelo ultraconservador Jacob Rees Mogg decidiram votar contra a primeira-ministra mais uma vez. Este é o grupo que defende uma ruptura total com a UE, numa ressaca imperial megalomaníaca que ignora a perda de importância política e econômica que isto acarretará.

Basta ver as exigências apresentadas pelo representante comercial dos Estados Unidos para futuras negociações com o Reino Unido para entender que, isolado, o país terá o poder de barganha do tamanho de sua desimportância internacional.

Em Bruxelas, um porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou: "Não há mais nada que possamos fazer." A Presidência da França reafirmou que um adiamento terá de ser aprovado por unanimidade pelos outros 27 países da EU e será "totalmente inaceitável sem uma estratégia alternativa confiável de parte do Reino Unido."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Alemanha concorda com adiamento da saída do Reino Unido da UE

A Alemanha aceita o adiamento da saída britânica (Brexit) da União Europeia, se o Reino Unido pedir, anunciou hoje a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel. O presidente Emmanuel Macron declarou anteriormente que só vai concordar se houve um "objetivo claro".

Diante do impasse na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sobre os termos do divórcio da UE, é provável que o Reino Unido não deixe o bloco europeu na data prevista, o próximo dia 29 de março. Os outros 27 países-membros devem aceitar a prorrogação do prazo, mas exigir do governo britânico um plano sobre o que pretende fazer com o tempo extra.

O tempo pode ser usado para renegociar o acordo rejeitado pelo Parlamento Britânico, a negociação de um novo acordo, a realização de eleições ou de um segundo plebiscito sobre a Brexit.

Ontem, a primeira-ministra Theresa May revelou que a Câmara dos Comuns deverá votar sobre a extensão do prazo ou uma saída sem acordo com os sócios europeus se não houver um novo acordo até 12 de março.

Nesta semana, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, anunciou que o Partido Trabalhista passou a defender uma segunda consulta popular para romper o impasse.