Por 391a 242 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico rejeitou hoje pela segunda vez o acordo negociado pela primeira-ministra Theresa May com os outros 27 países-membros da União para a saída do Reino Unido.
Com apenas 17 dias até a data marcada para a Brexit, os deputados votam amanhã para decidir se aceitam uma retirada sem qualquer acordo. Se a saída dura for rejeitada, na quinta-feira, a Câmara vota um possível adiamento.
Outra opção é a realização de um segundo plebiscito, com a possibilidade de anular a decisão anterior e manter o país no bloco europeu, defendida pela oposição trabalhista. Seria o fim do Partido Conservador, que se vangloria de ter o partido que ficou mais tempo no poder na história da democracia. Mas o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, gostaria mesmo é de eleições antecipadas, nas quais seria o favorito.
A primeira-ministra ainda fez um apelo final: "Esta noite os deputados enfrentam uma decisão muito clara: ou apoiam o acordo e o Reino Unido abandona a UE sem acordo, ou se arriscam a uma saída sem acordo ou que não haja nenhuma Brexit."
O argumento surrado, repetido há meses por May, diminuiu a derrota, mas não foi capaz de evitá-la. Em janeiro, May perdera por 230 votos. Agora, foram 149.
Na análise do jornal britânico Financial Times, o maior diário econômico-financeiro da Europa, "Theresa May perdeu o controle sobre a Brexit". Cerca de 75 deputados conservadores votaram com a oposição para derrubar sua proposta. Alguns eurocéticos mudaram o voto a foram a favor da proposta por medo de que o adiamento acabe com a Brexit.
Depois dos últimos contatos com a UE, ela afirmou ter conseguido garantias legais para evitar que a salvaguarda para não reinstalar uma fronteira dura entre a Irlanda e a Irlanda do Norte comprometesse o país indefinidamente com uma união aduaneira com o bloco europeu.
Horas depois, o advogado-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, derrubou a promessa de May: "Os riscos legais não mudaram nada."
Diante do parecer jurídico, os cerca de 100 deputados eurocéticos liderados pelo ultraconservador Jacob Rees Mogg decidiram votar contra a primeira-ministra mais uma vez. Este é o grupo que defende uma ruptura total com a UE, numa ressaca imperial megalomaníaca que ignora a perda de importância política e econômica que isto acarretará.
Basta ver as exigências apresentadas pelo representante comercial dos Estados Unidos para futuras negociações com o Reino Unido para entender que, isolado, o país terá o poder de barganha do tamanho de sua desimportância internacional.
Em Bruxelas, um porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou: "Não há mais nada que possamos fazer." A Presidência da França reafirmou que um adiamento terá de ser aprovado por unanimidade pelos outros 27 países da EU e será "totalmente inaceitável sem uma estratégia alternativa confiável de parte do Reino Unido."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 12 de março de 2019
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