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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Extrema direita vence eleição presidencial na Polônia

 Numa dura derrota para as reformas do primeiro-ministro Donald Tusk, o candidato de ultradireita Karol Nawrocki, um historiador de 42 anos do partido Lei e Justiça (PiS), venceu o segundo turno da eleição presidencial na Polônia com 50,89% dos votos, derrotando o prefeito liberal de Varsóvia, Rafal Trzaskowski.

Ex-boxeador, ex-hooligan, brigão, blefador, admirador de Donald Trump, que o recebeu na Casa Branca, Nawrocki conseguiu se livrar dos aspectos negativos de sua personalidade revelados pela campanha eleitoral. Sua vitória é uma revanche contra a coalizão liderada por Tusk, que tirou a extrema direita do poder nas eleições parlamentares de outubro de 2023 depois de 8 anos de governos do PiS.

O governo polonês é formado por quem tem maioria no Parlamento, mas o presidente pode vetar legislação. Se Donald Tusk, ex-presidente do Conselho Europeu (2014-19), que reúne os chefes de governo da União Europeia e o presidente da França, tinha problemas com o atual presidente, Andrezj Duda, a situação agora deve ficar muito pior.

Nawrocki é doutrinário e já avisou que fará tudo para bloquear o governo Tusk, que tenta reconstrui a democracia na Polônia depois dos governos do PiS, que atacaram a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, uma fórmula comum aos neofascistas como Trump, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, os ditadores da Rússia e da Turquia, e inclusive fascistas de esquerda como o venezuelano Hugo Chávez.

O novo chefe de Estado nasceu em Gdansk, cidade bombardeada pela Alemanha Nazista no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi diretor do museu da cidade sobre a guerra e presidente do Instituto da Memória Nacional, onde se dedicou a reescrever a história com base na visão do PiS. Seu trabalho sobre a atuação da União Soviética na Polônia depois da guerra e a obsessão em derrubar os monumento soviéticos o colocou na lista da inimigos da Rússia.

Durante a campanha, Nawrocki afirmou ter apenas um apartamento, "como a maioria dos poloneses", mas foi revelado que comprou um segundo de uma pessoa de idade e debilitada. Também foi acusado pelo site Onet de participar de uma gangue de tráfico de prostitutas para um hotel onde trabalhou em Sopot, um balneário no Mar Báltico. Ele negou tudo e ameaçou processar os responsáveis, que mantiveram as alegações.

Suas relações com o crime organizado também são notórias. Em 2018, Nawrocki publicou sob o pseudônimo de Tadeusz Batyr a biografia de Nikodem Skotarczak, um gângster da era comunista. Ele escreveu em redes sociais que Batyr havia lhe pedido conselhos. Na verdade, é uma pessoa só.

Outro escândalo foi a participação em 2009 de uma briga de cerca de 140 arruaceiros (hooligantes) de torcidas de futebol rivais. Vários foram condenados por crimes como agressão violenta, tráfico de armas e drogas, e inclusive de um assassinato. Nawrocki não negou sua participação no que descreveu como "um combate nobre e viril".

Praticamente desconhecido dos poloneses até o lançamento de sua candidatura, em 25 de novembro do ano passado, Nawrocki buscou o apoio de Trump, com quem tirou fotos na Casa Branca em 30 de abril. A extrema direita trumpista reforçou o apoio com a participação da secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, numa reunião da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) providencialmente organizada pelo trumpismo em 27 de maio em Rzeszow, no Sul da Polônia.

Crítico da União Europeia (UE), ele teve apoio no segundo turno de um extremista ainda mais à direita, Slawomir Mentzen, que fez oito exigências, entre elas vetar a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não aumentar impostos e não restringir o acesso dos poloneses a armas de fogo.

"Com Nawrocki, o governo será paralisado e isto pode levar com o tempo à queda da coalizão no poder", prevê a cientista política Anna Materska Sosnowska. Seria uma chance para a volta do PiS ao poder nas próximas eleições parlamentares. Assim, é uma derrota para as forças que tentam conter o avanço das forças antidemocráticas na Europa e no mundo.

Há dois aspectos importantes neste resultado.

1. O governo tem uma pequena maioria no Parlamento, então não conseguiu derrubar os vetos do presidente e fazer as reformas prometidas para restaurar a democracia.

2. A Polônia, historicamente invadida e dominada por Alemanha e Rússia, faz da relação com os EUA um dos eixos centrais de sua política externa desde a queda do comunismo, em 1989. Como a extrema direita é anti-UE, o trumpismo pesou. Trump é inimigo da UE e o atual primeiro-ministro presidiu o Conselho Europeu. É a primeira eleição com vitória de aliado de Trump desde que ele voltou à Casa Branca em janeiro.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

UE amplia prazo para saída do Reino Unido até 31 de outubro

O Conselho Europeu, que reúne os líderes dos países da União Europeia, prorrogou até 31 de outubro de 2019 o prazo para o Reino Unido deixar o bloco. É uma "extensão flexível". A primeira-ministra Theresa May pressiona os deputados do Partido Conservador a aprovar o acordo que negociou com os sócios europeus para o país sair logo, sem realizar eleições para o Parlamento Europeu em maio.

De volta a Londres, May será alvo de novas pressões da ala mais extremista e eurocética do partido para renunciar ao cargo. A ala direitista do partido teme que o Reino Unido não saia da UE ou fique preso às regras do bloco, com que tem a metade de seu comércio exterior.

O único país que resistiu à prorrogação do prazo foi a França. O presidente Emmanuel Macron declarou que a hesitação do Reino Unido prejudica o esforço de "renascimento da Europa".

Para o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, que defendia um prazo de um ano, agora o Reino Unido tem tempo suficiente para aprovar o acordo negociado por May, realizar novas eleições ou "cancelar totalmente a Brexit". Tusk é um dos defensores da permanência do Reino Unido na UE.

O novo prazo também dá uma chance aos defensores de um segundo plebiscito para o eleitorado britânico decidir que tipo de divórcio quer ou até para manter o país na UE. A Brexit fica adiada, talvez até o Dia das Bruxas.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Reino Unido pede adiamento do prazo para sair da UE até 30 de junho

A primeira-ministra conservadora Theresa May pediu hoje uma prorrogação até 30 de junho do prazo para a retirada do Reino Unido da União Europeia (UE) se o Parlamento Britânico não aprovar o acordo de saída até 12 de abril, o prazo atual. O adiamento obrigaria o país a realizar em maio eleições para o Parlamento Europeu.

O pedido indica que May não tem esperança de conseguir aprovação para o acordo concluído em novembro de 2018 com os outros 27 países-membros do bloco europeu. A proposta foi rejeitada três vezes e todas as alternativas foram rejeitadas pela Câmara dos Comuns.

Desde 2 de abril, a primeira-ministra tenta um acordo com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. A manobra não é bem vista pela ala mais extremista e antieuropeia do Partido Conservador. O plebiscito de 23 de junho de 2016 foi convocado pelo então primeiro-ministro, David Cameron, na expectativa de pacificar o partido. Acabou provocando o atual caos na política britânica.

May vai usar a ameaça de eleições europeias e de um adiamento de longo prazo para tentar enquadrar seus radicais.

Ontem, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk sugeriu um adiamento por um ano, um prazo suficientemente longo para o Reino Unido decidir seu futuro. Tusk faz parte do grupo contrário à Brexit (saída britânica). Um prazo tão longo permitiria reverter o processo.

A questão será discutida na próxima reunião de cúpula da UE, em 10 de abril.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Reino Unido pede adiamento da saída da UE por três meses

A primeira-ministra Theresa May pediu hoje oficialmente o adiamento por três meses da saída do Reino Unido da União Europeia para que ocorra de "maneira ordenada". Acrescentou que não é de interesse do país nem do bloco europeu a participação britânica nas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio.

O Conselho Europeu, formado pelos líderes dos países da UE, começa a discutir o pedido em reunião de cúpula nesta quinta-feira e na sexta-feira. Sua aprovação exige unanimidade.

Como o presidente da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, deputado John Bercow, vetou uma terceira votação sobre o acordo negociado por May com a UE, a expectativa é que o problema não esteja resolvido em três meses. No caso de um adiamento por prazo maior, o Reino Unido teria de realizar eleições para o Parlamento Europeu.

Na carta ao presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, May pediu que a UE confirme as mudanças acertadas na renegociação do acordo para que possa apresentar sua proposta como diferentes das duas anteriores, rejeitadas no Palácio de Westminster. Mas são pequenos detalhes que, na opinião do presidente da Câmara, não representam uma mudança substancial.

May admite que este processo não será concluído até 29 de março, a data inicialmente prevista para a Brexit (saída britânica).

O principal negociador da UE, o ex-ministro francês Michel Barnier, declarou que para aprovar o adiamento o bloco europeu quer um plano claro do que o Reino Unido pretende fazer para resolver o impasse.

A saída da UE terá um forte impacto econômico negativo para o país. Só as empresas financeiras devem transferir US$ 1 trilhão de Londres, hoje o principal centro financeiro da Europa, para o continente.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Trump ameaça com tarifaço de 25% sobre carros para pressionar México

Para pressionar o Canadá e o México na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), os Estados Unidos ameaçam aumentar para 25% a tarifa de importação de veículos. Hoje, a taxa é de 2,5%. O governo Donald Trump quer abolir as tarifas no comércio de veículos leves.

Como no caso da sobretaxação das importações de aço e alumínio, para evitar problemas com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo Trump pode invocar a segurança nacional para justificar o tarifaço. As ações das empresas da Europa que exportam automóveis para os EUA caíram 1%.

A renegociação do Nafta começou há pouco mais de nove meses e deve continuar em 2019, admitiu nesta semana o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

Os EUA também querem que o México aumente o conteúdo de componentes americanos nos veículos fabricados no país. Outra exigência americana é que o Nafta seja renegociado a cada cinco anos.

No passado, o México ameaçou retaliar reduzindo a importação de produtos agropecuários dos EUA. Em 2017, os mexicanos compraram quase US$ 19 bilhões dos EUA em milho, soja e laticínios. Com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, de 1962, no auge da Guerra Fria, o presidente dos EUA pode restringir importações que possam "prejudicar a segurança nacional".

É difícil imaginar qualquer ameaça à segurança nacional dos EUA vinda de carros importados do México. "Não passa de uma piada", comentou William Reinsch, negociador comercial no governo Bill Clinton (1993-2001).

Uma das razões do Nafta foi promover o desenvolvimento e gerar empregos no México para reduzir a imigração ilegal e criar uma economia mais integrada na América do Norte.

Trump tem uma visão mercantilista do comércio internacional e quer levar vantagem em tudo. Sua estratégia é negociar acordos bilaterais ou com poucos parceiros para conseguir impor suas exigências. Pressionou a Coreia do Sul quando o país estava sob ameaça da Coreia do Norte. Como disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ex-primeiro-ministro da Polônia, "com aliados assim, quem precisa de inimigos?"

Em 2017, os EUA importaram carros no valor de US$ 192 bilhões. As maiores exportadores foram México, Canadá, Japão e Alemanha. Um tarifaço vai atingir as empresas americanas com fábricas no México e no Canadá.

"É um dia ruim para o consumidor americano", declarou John Bozzella, diretor-geral da Global Automakers, que representa vários fabricantes estrangeiros. "Ninguém estava pedindo esta proteção. Este caminho leva inevitavelmente a menos opções e maiores preços para carros e caminhões nos EUA."

A estratégia de negociação comercial de Trump está sendo criticada dentro do próprio Partido Republicano. Os senadores republicanos entendem que o presidente está perdendo a guerra comercial que deflagrou com a China. A revolta é contra a desistência do presidente de banir do mercado americano a companhia chinesa de alta tecnologia ZTE.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

EUA e UE rejeitam a independência da Catalunha

O governo dos Estados Unidos declarou nesta sexta-feira que "a Catalunha é uma parte integral da Espanha". Rejeitou assim a declaração de independência aprovada hoje pelo Parlament, informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. 

Horas antes, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o governo espanhol é o único interlocutor da União Europeia no país, ignorando os pedidos de mediação feitos pelo governador catalão, Carles Puigdemont.

Em breve comunicado, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, foi clara e direta: "A Catalunha é uma parte integral da Espanha e os Estados Unidos apoiam as medidas constitucionais do governo espanhol para manter a Espanha forte e unida."

Ao comentar a declaração de independência, o atual presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro da Polônia Donald Tusk foi lacônico: "Para a UE, nada mudou. A Espanha continua sendo nosso único interlocutor. Ele pediu ao governo espanhol que "use a força do argumento e não o argumento da força".

Portugal também não reconheceu a independência da Catalunha e repudiou a "quebra da ordem constitucional". O primeiro-ministro português, António Costa, manifestou "total solidariedade" com a defesa da unidade da Espanha, na esperança de que se abram canais de diálogo para cumprimento da Constituição espanhola, ou seja, sem chance para a independência da Catalunha.

O governo espanhol determinou a intervenção na província, com a suspensão da autonomia regional da Catalunha, e convocou eleições regionais antecipadas para 21 de dezembro.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Reino Unido deflagra processo de divórcio da UE em 29 de março

O Reino Unido vai recorrer ao artigo 50 do Tratado de Lisboa em 29 de março de 2017, dando início ao processo de separação da União Europeia aprovado no plebiscito de 23 de junho de 2016, anunciou hoje um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May.

As negociações devem durar dois anos e levar à saída do Reino Unido do mercado comum europeu. Para continuar tendo acesso ao maior mercado consumidor do mundo, o país teria de aceitar a livre circulação de bens, mercadorias e pessoas. Uma das principais motivações dos eleitores que votaram para sair da UE foi acabar com a imigração.

O aviso foi entregue hoje de manhã pelo embaixador britânico na UE, Tim Barrow, no gabinete do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ex-primeiro-ministro da Polônia. A partir do dia 29, o bloco europeu terá um mês e meio para os outros 27 países-membros acertarem sua posição negociadora.

A expectativa agora é em torno do discurso em que May deve apresentar à Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sua visão sobre as negociações do divórcio com a Europa.

As previsões econômicas mais pessimistas não se confirmaram. A economia britânica foi a que mais cresceu no Grupo dos Sete (maiores potências industriais, menos a China) e a libra se recuperou no fim de 2016. Hoje vale US$ 1,20 e 1,14 euros.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump repudia o internacionalismo liberal dos EUA no pós-guerra

O mundo acordou hoje para uma nova realidade com ares de pesadelo. O presidente eleito Donald Trump foi o primeiro candidato de um grande partido à Presidência dos Estados Unidos a rejeitar o internacionalismo liberal, a ordem política e econômica construída pelos americanos desde a vitória na Segunda Guerra Mundial, reforçada pela derrota do comunismo da União Soviética durante a Guerra Fria, mas abalada pelas consequências negativas do processo de globalização da economia.

Durante a campanha, o magnata imobiliário criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar da América do Norte e da Europa criada em 1949 para se opor ao expansionismo soviético. Trump cobrou maior participação financeira dos aliados na defesa comum e ameaçou não defendê-los, abrindo um flanco para o neoimperialismo da Rússia de Vladimir Putin.

A OTAN é uma das bases da política externa americana. Sua regra básica é que um ataque contra um é um ataque contra todos. Como lembrou a candidata derrotada, Hillary Clinton, essa cláusula só foi usada uma vez.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a OTAN foi a base da força internacional de intervenção no Afeganistão para perseguir a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo ataque, e a milícia extremista muçulmana dos Talibã (Estudantes), que a acolhia.

Com a intervenção militar da Rússia nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia, países como a Polônia, que fazia parte do Bloco Soviético, e as ex-repúblicas soviéticas da região báltica, Estônia, Letônia e Lituânia, temem a agressividade da Rússia e dependem da OTAN, e em última análise dos EUA, para sua segurança. A vitória de Trump foi saudada pela Duma do Estado, a câmara dos deputados da Rússia.

Quando ameaçou retirar as tropas americanas da Ásia e sugeriu que cada país tenha suas próprias armas atômicas, deu carta branca à crescente agressividade da China na região e atingiu outro ponto crucial da política externa americana do pós-guerra: a não proliferação nuclear.

Se os EUA não estiverem prontos para defender aliados como o Japão e a Coreia do Sul das armas nucleares da Coreia do Norte, só lhes restará fabricar suas próprias bombas atômicas.

Trump ainda elogiou Putin durante a campanha como um homem-forte, revelando uma paixão nem tão discreta por líderes fortes e ditatoriais. Ele também representa um renascimento do autoritarismo americano.

Ao defender princípios como "primeiro, os EUA", Trump manifesta tendências nacionalistas, xenofóbicas e isolacionistas. Em campanhas anteriores, o pré-candidato republicano Pat Buchanan defendeu a mesma ideia, sem sucesso.

Hoje de manhã, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, afirmou que "nenhum país isolado pode ser grande", numa referência ao slogan do republicano: "Tornar a América grande de novo", como se os EUA não fossem a maior potência econômica e militar do planeta.

Na economia, o bilionário ameaçou semear o caos ao propor a renegociação dos acordos comerciais dos EUA para combater um déficit comercial que disse rondar os US$ 800 bilhões por ano, quando em realidade foram US$ 531 bilhões em 2015. Trump atribui o déficit à incompetência dos negociadores dos EUA e não ao consumismo exacerbado dos americanos.

A ordem econômica pós-1945 se baseia num tripé construído pelos EUA: o Fundo Monetário Internacional (FMI), que socorre países com crise no balanço de pagamentos para que não abandonem o comércio internacional; o Banco Mundial, que financia o desenvolvimento; e a Organização Mundial do Comércio (OMC), que hoje reúne mais de 150 países.

O sistema multilateral de comércio é um dos alicerces da ordem econômica internacional liberal. Durante décadas, foi usado pelos EUA para abrir mercados para seus produtos industriais e serviços. Para as empresas transnacionais, é fundamental porque cria uma série de regras a serem seguidos por todos os países-membros.

Caso a OMC seja progressivamente esvaziada e substituída por acordos bilaterais ou multilaterais com poucos países, há o risco de criação de um inferno regulatório para as empresas, que teriam de se adaptar a regras diferentes em cada mercado. Trump teria de enfrentar os interesses de empresas americanas muito poderosas. É altamente improvável.

A retórica do candidato na campanha não vai definir sua ação como presidente, observou o ex-embaixador brasileiro em Washington Rubens Barbosa, hoje diretor de relações internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Há limitações constitucionais sobre o que um presidente pode fazer, além das restrições de ordem econômica. Mas o dano às relações internacionais é grande.

Um dos legados do governo Barack Obama seria a Parceria Transpacífica, um acordo comercial de 12 países para criar regras comuns que inclui o Japão, mas não a China. A intenção de Obama era criar um ordenamento liberal para evitar que a China imponha suas próprias normas.

Trump bombardeou a Parceria Transpacífica, quer renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com o México e o Canadá, ameaça impor fortes sobretaxas a importações da China e abandonar o Acordo do Clima negociado em Paris para combater o aquecimento global.

Oito anos depois da vitória da esperança com a eleição de Obama, venceu o discurso do medo, da desconfiança, da discórdia e das teorias conspiratórias. A partir de janeiro, Trump terá de mostrar a que veio, esmiuçando as políticas que pretende adotar para "tornar a América grande de novo".

O primeiro presidente da era das celebridades e dos reality shows terá de abandonar a retórica fácil das soluções simplistas e enfrentar o declínio relativo da maior superpotência que o mundo já viu sobre os escombros de um sistema político arrasado por suas táticas de campanha baseadas na mentira, na desqualificação e no atropelo dos rivais.

Depois da vitória da Brexit (saída britânica) da União Europeia no plebiscito de 23 de junho, o triunfo de Trump é a segunda rejeição à globalização econômica no mundo anglo-saxão, que prega o liberalismo econômico e tenta vender a ideia para o resto do mundo há mais de 200 anos.

Bem-vindos ao admirável mundo novo de Donald Trump! Talvez não seja admirável.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

UE e Canadá assinam acordo de liberalização comercial

Depois de duas semanas de psicodrama, superada a resistência da região belga da Valônia, o Canadá e a União Europeia assinaram ontem um acordo que vai eliminar 98% das tarifas de importação no comércio bilateral.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker, descreveram o Acordo Comercial e Econômico Amplo como "o acordo comercial mais amplo, ambicioso e progressista já negociado tanto pelo Canadá quanto pela UE."

A negociação durou sete anos. Foi a primeira da UE com um país industrializado. Já serve de modelo para um possível acordo UE-Reino Unido depois da Brexit, a saída britânica do bloco europeu, aprovada em plebiscito em 23 de junho de 2016. As negociações com os Estados Unidos para formar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos estão estagnadas.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Grupo do Euro concorda em emprestar 86 bilhões de euros à Grécia

Depois de 16 horas de reunião, os ministros das Finanças do Grupo do Euro aprovaram na manhã de hoje um novo empréstimo de 86 bilhões de euros (R$ 296 bilhões) à Grécia em troca de um plano de reformas para equilibrar as contas públicas do país. 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras declarou que o risco de saída da Grécia da união monetária europeia pertenceu ao passado.

Durante as tensas negociações do fim de semana, a Alemanha chegou a propor que a Grécia deixasse o euro durante cinco anos, até renegociar a dívida pública e equilibrar as receitas e despesas do governo.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos vários países. Deve haver resistência na Alemanha, na Finlândia e na Holanda, que pareciam dispostos a aceitar a saída da Grécia da Zona do Euro.

A palavra decisiva de conciliação teria partido do ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, atual presidente do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia.

sábado, 30 de agosto de 2014

Líder polonês vai presidir Conselho Europeu

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, foi eleito hoje novo presidente executivo da União Europeia, em substituição ao ex-primeiro-ministro belga Herman van Rompuy, noticiou o jornal francês Le Monde.

A ministra do Exterior da Itália, Federica Mogherini, será a nova supercomissária para relações exteriores, no lugar da britânica Catherine Ashton. Essa indicação deixa clara a intenção dos líderes nacionais europeus de esvaziar a política externa e de segurança comum criada em 1991 pelo Tratado de Maastricht. A política externa continua sendo prerrogativa dos governos nacionais.

Uma pergunta histórica atribuída ao então secretário de Estado americano Henry Kissinger é: "Para que número eu ligo quando eu quiser falar com a Europa?"

Com os dois novos eleitos, o presidente da Comissão Europeia e o líder do país que ocupa a presidência rotativa da UE, seriam quatro, além dos líderes dos países mais importantes: Alemanha, França, Reino Unido e Itália. A pergunta continua sem resposta.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Governo ganha eleições sem maioria na Polônia

Com quase 40% dos votos, a Plataforma Cívica, do primeiro-ministro Donald Tusk, venceu as eleições legislativas deste domingo na Polônia, derrotando o partido conservador Lei e Justiça, do ex-primeiro-ministro Jaroslav Kaczynski, que recebeu 30% da votação, anunciou a televisão estatal polonesa.

É a primeira vez que o partido do governo é reeleito na Polônia desde a queda do comunismo e a democratização do país, em 1989. Mas Tusk terá de fazer uma coalizão para governar com maioria.

Em terceiro lugar, com 10%, veio o Movimento Palikot, um partido antirreligioso a favor da legalização da maconha que saiu do nada e agora tem uma oportunidade de participar do governo. "O terceiro lugar é uma grande esperança, mas não podemos deixar de sonhar", declarou seu fundador, Janusz Palikot.

Com um discurso populista e nacionalista inflamado tendo como alvos os inimigos históricos, a Alemanha e a Rússia,  um pedido de fim das privatizações, a defesa de uma postura mais combativa nas negociações da União Europeia e de impostos mais altos para os ricos, Kaczynski arregimentou votos, mas atemorizou os investidores.

A Polônia foi o único país da União Europeia que escapou da Grande Recessão de 2008-9.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Oposição liberal ganha eleições na Polônia

Sob a liderança do liberal Donald Tusk, com 43,7% dos votos, a Plataforma Cidadã derrotou o partido Lei e Justiça, que teve 30,4%, derrubando o governo do primeiro-ministro conservador Jaroslaw Kaczynski, enquanto a Democracia de Esquerda, do ex-presidente Alexander Kwasnievski, ficou com 13,3%.

Tusk prometeu retirar as tropas polonesas do Iraque em 2008.

O governo Kaczinski era adversário da União Européia. Sua derrota deve estar sendo festejada em Bruxelas.