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domingo, 2 de agosto de 2026

Marrocos provoca Espanha e reaviva debate sobre imigração

Ao permitir a entrada ilegal em massa de dezenas de milhares de pessoas no território espanhol de Ceuta na semana passada, o governo do Marrocos deixou claro mais uma vez que não aceita o controle da Espanha sobre os dois últimos enclaves europeus na África, resquício do passado colonial e realimentou o debate sobre a imigração ilegal. 

A imensa maioria voltou para o Marrocos, mas pelo menos 72 pessoas morreram.

Ao ser no mínimo conivente com a entrada ilegal em massa realimentou um dos debates favoritos da extrema direita na Europa e nos Estados Unidos. O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, abriu recentemente um caminho para a regularização de imigrantes ilegais que estavam no país há mais de cinco meses no fim do ano passado, um anátema para os neofascistas.

Com várias eleições em futuro próximo, o debate só tende a esquentar. Ao mesmo tempo, fica evidente que o sonho europeu está vivo para milhões de africanos despossuídos, dispostos a arriscar a vida para chegar em países onde têm muito mais oportunidades, países aliás que precisam da mão de obra imigrante por causa da queda da natalidade.

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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Trump intervém militarmente na Califórnia

Num gesto sem precedentes nos últimos 60 anos, o presidente Donald Trump mandou a Guarda Nacional para a Califórnia e ordenou a mobilização de fuzileiros navais de uma base militar próxima por causa dos protestos em Los Angeles contra a ação da polícia de imigração. 

A última vez em que isto tinha acontecido sem o consentimento do governador estadual foi em 1965, quando o presidente Lyndon Johnson enviou a Guarda Nacional ao Alabama para proteger ativistas do movimento pelos direitos civis dos negros.

Tanto o governador Gavin Newsom quanto a prefeita de Los Angeles consideraram a intervenção desnecessária e acusaram Trump de semear o caos numa cidade e num estado governados pelo Partido Democrata, de oposição ao governo federal. Ambos afirmam que a polícia poderia controlar o problema.

Os protestos começaram na sexta-feira, quando a Polícia de Imigração e Alfândega (ICE) fez uma batida numa fábrica têxtil na área central de Los Angeles, a segunda maior cidade dos Estados Unidos, em busca de imigrantes ilegais para deportação. 

A situação se agravou no sábado, que a ICE fez uma operação na empresa Home Depot, que vende produtos para a casa e a construção civil em Paramount, uma cidade da Grande Los Angeles com grande número de estrangeiros ilegais. Houve os primeiros protestos violentos.

No domingo, Trump autorizou o envio de 2 mil soldados da Guarda Nacional para "restaurar a lei e a ordem", e proteger prédios e agentes federais. Poderia ter ligado para o governador, um possível candidato democrata à Casa Branca em 2028. Preferiu o confronto. Sugeriu que o czar das fronteiras, Tom Homan, deve prender Newson e enviou mais dois mil guardas nacionais para escalar a crise.

Hoje, a situação parecia mais tranquila, mas Trump mobilizou os fuzileiros navais, numa declaração de guerra à Califórnia.  A situação é tensa. A polícia tenta dispersar os manifestantes, que gritam que "é um protesto pacífico". Até agora, pelo menos três pessoas foram feridas e mais de 200 presas.

Nesta terça-feira, estão previstas manifestações contra o governo Trump em pelo menos 21 cidades de 16 estados e no Distrito de Colúmbia. No próximo sábado, o Dia Sem Rei, estão programados protestos em 1.800 cidades.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Presidência imperial de Trump tem queda de popularidade aos 100 dias

Depois de ganhar pela primeira vez no voto popular e voltar à Casa Branca com uma popularidade maior do que tinha no primeiro governo, apesar de uma condenação criminal, o presidente Donald Trump chega hoje aos 100 dias de governo com reprovação maior do que aprovação, em meio a uma guerra comercial que causa incerteza à economia, abusos na deportação de imigrantes e conflitos com os aliados, a Justiça, o jornalismo independente, as universidades, o meio ambiente e a burocracia estatal.

As últimas pesquisas dão a Trump entre 39% e 42% de aprovação. É a menor nesta altura do governo desde Dwight Eisenhower em 1950. O atual presidente assumiu com o apoio de 52%, mais do que teve nas urnas. No primeiro governo, nunca teve mais de 50%. Este declínio rápido da popularidade quando o presidente deveria estar em lua de mel com o eleitorado e o Congresso é resultado do autoritarismo, do amadorismo, da incompetência e da improvisação do segundo governo Trump.

Trump foi reeleito principalmente porque a maioria do eleitorado viu nele, por ser um bilionário, alguém capaz de fazer uma administração econômica melhor depois da maior inflação em 40 anos e da alta do custo de vida no governo Joe Biden. A imigração, as políticas identitárias e outras questões também pesaram, mas o que decidiu a eleição foi a economia. O governo anterior foi reprovado.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Extrema direita vence primeira eleição na Alemanha no pós-guerra

 Como era temido, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições no estado da Turíngia e em segundo lugar na Saxônia. Este resultado é consequência dos problemas da reintegração da antiga Alemanha Oriental, da Crise de Refugiados e da impopularidade do atual governo federal do país. É improvável que os neonazistas consigam formar governo. O chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz pediu aos outros partidos que não formem governo com a ultradireita.

Na Turíngia, um pequeno estado de apenas 2 milhões de habitantes, a extrema direita conquistou 32,8% dos votos, batendo a União Democrata-Cristã (CDU), o maior partido de oposição da direita conservadora, que teve 23,6%

Na Saxônia, a AfD (30,6%) ficou logo atrás da CDU (31,9%). Em ambos estados, a Aliança Sarah Wagennecht (BSW) ficou em terceiro lugar, com 15,8% na Turíngia e 11,8% na Saxônia. É um partido nacionalista e populista de extrema esquerda, eurocético e socialmente conservador, mas a favor do Estado do bem-estar social. A CDU terá problemas para formar governo com a BSW porque discordam em quase tudo, da questão social ao apoio à Ucrânia.

O comparecimento às urnas, de 74% na média dos dois estados, é um sinal que os alemães do Leste queriam punir o governo federal.

A coalizão de governo, chamada de sinal de trânsito, vermelho do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), amarelo do Partido Democrático Liberal (FDP) e Os Verdes, foi fragorosamente derrotada. Os três partidos do governo vivem brigando entre si. Raramente chegam a consensos. Scholz é um líder fraco. Deve cair nas próximas eleições gerais, daqui a um ano.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Biden alerta para ameaças à democracia e à liberdade

Num Discurso sobre o Estado da União agressivo, em tom de campanha, o presidente Joe Biden apresentou ontem à noite no Congresso as propostas da luta pela reeleição em 5 de novembro. O foco principal foi na economia e nas ameaças à democracia e à liberdade nos Estados Unidos e no mundo.

Biden começou pela guerra da Rússia contra a Ucrânia e aproveitou para fazer o primeiro de mais de dez ataques ao ex-presidente Donald Trump, seu adversário em novembro, acusando-o de se curvar ao ditador russo, Vladimir Putin. A bancada trumpista resiste a aprovar uma ajuda de US$ 61 bilhões ao governo ucraniano.

No dia em que a Suécia se tornou o 32º país-membro, Biden proclamou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está mais forte do que nunca. "Se os EUA abandonarem a Ucrânia, a Europa estará ameaçada", previu o presidente norte-americano. Se alguém aqui nesta câmara acredita que Putin vai parar na Ucrânia, eu garanto que não vai."

O presidente defendeu o direito ao aborto, um tema que favorece o Partido Democrata desde que a Suprema Corte com maioria conservadora, inclusive três juízes nomeados por Trump, revogaram a decisão que garantia o direito constitucional ao aborto.

Ao falar da economia, atribuiu os problemas à pandemia e destacou os dados positivos sobre crescimento, emprego, salários e inflação. O problema é que o custo de vida aumentou. Os preços sobem menos, não recuaram e a alta dos juros para combater a inflação encareceu o crédito.

A economia e a idade, 81 anos, são as maiores vulnerabilidades de Biden. No momento, as pesquisas favorecem Trump, uma desgraça para a humanidade. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Biden destaca melhora na economia e pede trégua à oposição

Presidente dos Estados Unidos falou como candidato à reeleição 

Ao prestar contas ao Congresso no seu segundo Discurso sobre o Estado da União, o presidente Joe Biden chamou a atenção para a recuperação da economia, com o ganho de 517 mil vagas de emprego criadas no mês passado, 12 milhões desde o início do governo, e a queda no desemprego para 3,4%, o menor desde 1959, e pediu à oposição, que agora tem maioria na Câmara dos Representantes, que trabalhe com o governo como fez nos últimos dois anos e não faça obstrução sistemática às ações do Executiva.

Em uma hora e 13 minutos, Biden se concentrou nas questões internas. Só dedicou cinco minutos a questões internacionais, quando acusou o ditador russo Vladimir Putin pela invasão da Ucrânia e propôs competição sem conflito a China, mas advertiu que os Estados Unidos estarão atentos e tomarão medidas contra qualquer ameaça, sem citar o balão-espião chinês abatido pela Força Aérea. 

O aquecimento global foi citado brevemente para dizer que "fizemos o maior investimento para controlar a mudança do clima". Cuba, Nicarágua, Venezuela e Haiti foram mencionados por causa da imigração, uma questão doméstica.

Como todos os presidentes nas últimas três décadas, Joe Biden afirmou que o Estado da União é forte. Mas o que está em jogo é o estado de sua reeleição. Durante a campanha, Biden prometeu não se recandidatar. Mudou de ideia e repetiu várias vezes a frase: "Temos de terminar o trabalho."

Só três presidentes no pós-guerra tinham avaliação pior do que Biden nesta altura do mandato. Dois – Jimmy Carter e Donald Trump – não se reelegeram. Ronald Reagan deu a volta por cima. Em estados-chaves para vitória em 2024, dois terços do eleitorado não querem a reeleição. Pesquisas recentes indicam que nem mesmo a maioria dos democratas querem mais quatro anos para Biden na Casa Branca. 

A aprovação do presidente está abaixo de 50% desde agosto de 2021, antes do discurso em 42%. Biden tentou nesta noite vender suas conquistas. Só 36% dos norte-americanos veem avanços importantes no governo atual. Entre os independentes, que decidem as eleições, dois terços entendem que Biden fez muito pouco ou praticamente nada. 

Em sua estratégia de convencer pelo menos parte do Partido Republicano a trabalhar com o Executivo, Biden cumprimentou o novo presidente da Câmara, deputado Kevin McCarthy, e fez uma piada: “Não quero arruinar sua reputação, mas quero trabalhar com você.” 

Também saudou o líder do Partido Democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, o primeiro afro-americano líder de um partido no Congresso, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e a ex-presidente da Câmara, Nanci Pelosi.

Biden citou "o progresso e a resiliência" como as grandes características do país, "sempre indo à frente sem nunca desistir". Falou nos 12 milhões de novos empregos "por causa de vocês". Muitos representam a recuperação pós-pandemia.

"Dois anos atrás, a covid fechou lojas, empresas e escolas. Hoje a covid não domina mais nossas vidas e a democracia está firme e forte. Estamos redigindo um novo capítulo numa história de possibilidades. Nos últimos dois anos, mostramos que democratas e republicanos podem trabalhar juntos, construindo pontes, recuperando a infraestrutura. Sancionei 300 projetos bipartidários. Se trabalhamos juntos no Congresso passado, não há razão para não fazer o mesmo no atual Congresso", reforçando a mensagem de combater a polarização política.

Dentro do xadrez político norte-americano, Biden tentou seduzir parte da oposição republicana, que tende a complicar sua vida. Mas o público-alvo maior é o eleitorado, que está farto da guerra política e quer soluções práticas. Biden falou principalmente para o eleitorado branco sem curso superior, tradicionalmente a favor do Partido Democrata, que foi conquistado pelo nacionalismo econômico do presidente Donald Trump (2017-21).

Quando falou das cidades desindustrializadas e da "perda de orgulho" da classe média norte-americana, Biden citou o pai, que dizia: "Um emprego é muito mais do que um cheque no fim do mês." É motivo de segurança e autoconfiança. O desemprego de negros e latinos é o menor da história.

O sonho de Biden é que "os EUA podem liderar a produção industrial do mundo". A maioria dos economistas duvida, por causa dos custos de produção. "A inflação é um fenômeno global por causa da pandemia e da agressão de Putin na Ucrânia. A inflação está caindo há seis meses. Nos últimos dois anos, 10 milhões de norte-americanos abriram novas empresas. Cada vez que alguém cria uma empresa é uma esperança", congratulou-se Biden. 

Se não lançou a candidatura, Biden usou um tom de campanha. "Os chips [de computador] foram inventados nos EUA. Fazíamos 40%; hoje, fazemos 10%. Hoje os automóveis têm 3 mil chips. E agora os EUA não conseguem fabricar automóveis por falta de chips", o que aconteceu durante a pandemia. 

"Isto não pode se repetir", acrescentou o presidente reforçando o caráter nacionalista e protecionista da política econômica. "As cadeias de suprimento para os EUA devem começar nos EUA. Esperamos US$ 300 bilhões de investimento na indústria nos próximos anos. Precisamos da melhor infraestrutura do mundo. Éramos número um, hoje somos 13º. Estamos fazendo o maior investimento em infraestrutura desde que o presidente Dwight Eisenhower construiu as autoestradas" para que os mísseis nucleares pudessem trafegar em alta velocidade. (...) Vamos instalar Internet de alta velocidade. E estamos apenas começando. E tudo o que precisamos para obras de infraestrutura será feito com produtos norte-americanos."  

Outro tema foi os preços dos medicamentos nos EUA, os mais caros do mundo. "Big Pharma cobra US$ 45 por mês por insulina, que custa US$ 10 para produzir. Baixamos para US$ 35." Biden prometeu vetar medidas que aumentem o preço dos medicamentos. Como o Partido Republicano é mais ligado ao grande capital, era um recado para a oposição.

A desigualdade exige a mudança no sistema de impostos, que não é justo, criticou Biden: "Sou capitalista, mas cada um tem de pagar sua parte. Empresas que ganham US$ 40 bilhões não pagam impostos federais. Empresas que ganham mais de US$ 1 bilhão tem de pagar pelo menos 15% de imposto de renda. Nenhum bilionário deve pagar numa alíquota menor do que uma professora ou um bombeiro."

As empresas de petróleo, que ganharam US$ 200 bilhões com a guerra e a alta nos preços, e nem investiram na produção local, pode ser alvo de um imposto especial.

Os republicanos reagiram ruidosamente quando o presidente falou num projeto da oposição para cortar o financiamento da seguridade social e do Medicare, o programa de saúde para os idosos. A extremista Marjorie Taylor Greene o chamou de "mentiroso". Biden pede trégua à oposição, mas mina sua proposta econômica.

"Então, Medicare está seguro. Quero cortar o déficit mais US$ 2 trilhões sem cortar na saúde nem na seguridade social", alegou Biden. Também falou em direitos do consumidor diante de companhias aéreas, de oferecer assistência de saúde em casa para idosos, moradia acessível, aumento para os professores, dignidade para os trabalhadores, combate ao fentanil, a droga que mata 70 mil norte-americanos por ano, a proibição de armas de guerra, reforma da imigração, reforma das políciais, Lei de Igualdade para a comunidade LGBTQIAP+ e em manter o cuidado com a covid, embora vá suspender em breve a emergência de saúde pública.

Foi aplaudido ao prometer vetar qualquer projeto para proibir o aborto em lei federal.

O mundo ficou para o fim: "A invasão de Putin é um teste para os EUA e o mundo. No ano passado, disse aqui: vamos nos erguer para defender a democracia. Um ano depois, temos a resposta. Nós conseguimos. Criamos uma coalizão global, apoiamos a Ucrânia. Vamos ficar com vocês o tempo que for necessário. Antes de eu chegar ao poder, a China estava crescendo e os EUA diminuindo. Vamos investir em inovações para liderar em áreas em que a China pretende ser dominante. Estamos na melhor posição para competir. Estou pronto para competir com a China, mas não se enganem", numa referência indireta ao episódio do balão. 

No fim Biden, anunciou um plano para reduzir as mortes de câncer em 50% nos próximos 25 anos, "uma prova de que ainda podemos fazer grandes coisas." Ele lembrou o programa do governo George W. Bush no combate à aids, especialmente na África. 

"O que nos permite fazer tudo isso é nossa democracia", atacando o extremismo e o golpismo de Trump, que tem vários adeptos no Congresso. "Nos últimos anos, nossa democracia foi atacada em 6 de janeiro de 2021. Não há lugar para violência política nos EUA. A democracia não é uma questão partidária. Estamos num momento crucial que vai decidir o curso desta nação nas próximas décadas. Precisamos nos ver como companheiros. Somos a única nação criada em torno de uma ideia. (...) Porque a alma desta nação é forte...o Estado da União é forte. Nunca fui tão otimista. Só precisamos nos lembrar quem somos, os EUA."

Foi um discurso de candidato. Resta anunciar oficialmente a disputa pela reeleição, o que o presidente promete fazer ainda neste mês. Como o ex-presidente Trump lançou sua candidatura, há o risco de uma repetição da eleição presidencial de 2020. Não é o que eleitorado quer, um presidente octagenário e um ex-presidente com quase 80 anos concorrendo à Casa Branca. Mas Biden apresentou suas realizações.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 28 de Setembro

 CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia, invade a Inglaterra, iniciando uma nova era na história do país depois de vencer o rei Haroldo II na Batalha de Hastings, em 14 de outubro, com a ajuda de arqueiros e cavalaria, armas de guerra decisivas na Idade Média.

Guilherme era filho bastardo de Roberto I, Duque da Normandia. Como não tinha outros filhos, o duque o nomeou sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais nobre da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupou o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregue a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo saxões, é um fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência foi a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson venceu os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

LEI DO VENTRE LIVRE

    Em 1871, o Senado aprova e entra em vigor no Brasil a Lei do Ventre Livre, que dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir desta data dentro do movimento pela libertação da escravatura.

Mais de 5 milhões de africanos são trazidos para o Brasil como escravos desde o século 16. Com a Revolução Industrial, em 1807, o Reino Unido abole a escravidão porque a indústria precisa de consumidores e começa a pressionar outros países a fazer o mesmo.

O Brasil proíbe o tráfico de escravos em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. No mesmo ano, o deputado cearense Silva Guimarães apresenta um projeto para libertar as crianças filhas de escravos, mas a proposta é rejeitada.

Em 1866, o Visconde de São Vicente propõe cinco projetos que o Conselho de Estado unifica as propostas no que seria a base da Lei do Ventre Livre, mas a Guerra do Paraguai (1864-70) atrasa a tramitação. O projeto volta em 1871. Também é chamado de Lei Rio Branco, por ter sido aprovada sob o primeiro-ministro José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco, o mais importante ministro das Relações Exteriores do Brasil.

FIDEL DEIXA CUBANOS SAÍREM

    Em 1965, o ditador Fidel Castro anuncia que todos os cubanos quiserem sair do país são livres para fazer isso. deflagrando uma onda migratória em que centenas de milhares migram de Cuba para a Flórida.

A revolução toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, depois de anos de luta contra a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos Estados Unidos, que apoiam a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos em abril de 1961.

Na Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, os EUA reagem à tentativa da União Soviética de instalar mísseis nucleares na ilha. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Em troca da retirada dos mísseis, os EUA fazem um acordo tácito para não invadir Cuba.

DEGELO DO ÁRTICO

    Em 2018, o navio de carga Venta Maersk chega a São Petersburgo, na Rússia Europeia, mais de um mês depois de sair de Vladivostok, no extremo leste do país, viajando por uma rota aberta no Polo Norte pelo degelo do Oceano Ártico.

Antes da redução da calota polar ártica pelo aquecimento global, a viagem era feita contornando o Sudeste Asiático, e atravessando o Oceano Índico para cruzar o Canal de Suez e o Mar Mediterrâneo até chegar ao Oceano Atlântico. 

terça-feira, 21 de abril de 2020

Pandemia passa de 2,5 milhões de casos confirmados

O total de casos confirmados da pandemia do novo coronavírus passa de 2 milhões 550 mil, com 177 mil mortes e 688 mil pacientes curados, mortalidade de 6,94 por cento. Com mais 2.660 mortes em 24 horas, os Estados Unidos chegam a mais de 45 mil mortes em 816 mil casos, mortalidade de 5,53 por cento.

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) prevê uma segunda onda de contaminação no próximo inverno no Hemisfério Norte. Um estudo científico alerta que a cloroquina, apresentada como panaceia pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, tem um índice de mortalidade superior ao de quem não tomou a droga.

Na busca desesperada por notícias que desviem a atenção do seu fracasso no combate à pandemia, o presidente americano ameaça proibir a imigração para os EUA durante dois meses, ignorando que uma grande porcentagem dos médicos e enfermeiros na linha de frente de luta contra o coronavírus são estrangeiros. Mais uma manobra demagógica e populista para agradar aos eleitores mais extremistas do Partido Republicano. 

Trump lançou sua campanha chamando os imigrantes mexicanos de assassinos, traficantes e estupradores – e vai usar o ódio a estrangeiros na campanha de reeleição. Como a covid-19 surgiu na China, a pandemia aumentou o número de ataques racistas a cidadãos de origem asiática, principalmente os chineses. Meu comentário:

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Pelosi rasga discurso mentiroso de Trump

Em tom de campanha eleitoral, o presidente Donald Trump fez ontem o Discurso sobre o Estado da União apresentando seu governo como o melhor da história dos Estados Unidos. Mas mentiu e exagerou como de costume. 

No final, a presidente da Câmara dos Representantes, a deputada democrata Nancy Pelosi, rasgou o discurso enquanto o presidente era aplaudido. Ao chegar, ele recusou o aperto de mão de Pelosi.

Para os padrões de Trump, foi um discurso moderado, lido no teleprompter. Ele tentou se apresentar como um conciliador que governa para todos, mas o tom foi nitidamente partidário e autolaudatório.

Trump destacou os sucessos da economia, seu principal tema na campanha, mas omitiu que o país cresce sem parar desde 2009, no início do governo Barack Obama, e que o mercado de trabalho está em expansão desde 2010, atribuindo-se todas as glórias.

A contribuição de Trump para incentivar a economia foi o corte de impostos, que beneficiou principalmente os mais ricos e aumentou o déficit orçamentário para cerca de US$ 1 trilhão, deixando a conta para as futuras gerações. O dinheiro extra injetado na economia explica os recordes nas bolsas de valores.

O presidente não mentiu quando disse que as taxas de desemprego entre negros e latino-americanos são as menores da história. Mas afirmou que está protegendo quem tem doenças preexistentes nas reformas do sistema de saúde. Na prática, está na Justiça tentando derrubar a reforma de Obama e a garantia sobre doenças preexistentes.

A segurança nacional e a imigração, temas importantes na campanha, também foram exploradas. Trump mentiu mais uma vez ao dizer que quando chegou ao poder a organização terrorista Estado Islâmico controlava um grande território. Já estava acuado, em pleno recuo.

Dois inimigos dos EUA, o líder do Estado Islâmico, Abubaker al-Baghdadi, e o chefe da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, general Kassem Suleimani, foram mortos em ações militares americanas em seu governo, destacou Trump. Foi um dos poucos momentos em que foi aplaudido por republicanos e democratas. Mas um relatório do Departamento da Defesa conclui que a capacidade operacional do Estado Islâmico não diminuiu.

A diplomacia americana não vai tão bem assim. Trump destacou os acordos comerciais com a China e os países da América do Norte, mas a guerra comercial com os chineses prejudicou o crescimento dos EUA e da economia mundial. O novo acordo de livre comércio da América do Norte pouco mudou. A alegação de que vai gerar 100 mil empregos não tem fundamento. É mais uma mentira.

Sob seu governo, declarou o presidente, o direito de portar armas será garantido, assim como a "liberdade religiosa", inclusive o direito de rezar em escolas públicas, antiga reivindicação do eleitorado cristão conservador. Na prática, é uma violação do secularismo do Estado, base da liberdade religiosa.

O aquecimento global, que o governo Trump nega ser causado pelo homem, não foi mencionado, mas, sim, que os EUA são hoje os maiores produtores mundiais de petróleo e gás. Ele omitiu que isto acontece desde 2012, quando Obama estava na Casa Branca.

Na plateia, foram homenageados o radialista ultraconservador Rush Limbaugh, que está com câncer de pulmão avançado, condecorado com a Medalha da Liberdade, veteranos de guerra, os pais de soldados mortos em combate e o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por 52 países como presidente interino do país.

Ao justificar o gesto de rasgar o discurso, a presidente da Câmara descreveu o texto como um "manifesto de inverdades" e sua atitude como "cortês, considerando a alternativa".

Hoje a bancada republicana no Senado deve absolver Trump no julgamento do processo de impeachment das acusações de abuso de poder ao pressionar o presidente da Ucrânia a investigar o filho do ex-vice-presidente Joe Biden e de obstruir as investigações da Câmara sobre o caso.

Apesar do impeachment, a popularidade do presidente aumentou. Na última pesquisa, 49% dos americanos aprovaram sua administração. Com a economia crescendo em ritmo de 2,1% ao ano e o desemprego em 3,5%, Trump tem grandes chances de se reeleger em 3 de novembro.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Trump faz ataque racista contra deputadas da esquerda democrata

Em mais um de seus tuítes raivosos, o presidente Donald Trump mandou quatro deputadas federais da ala mais à esquerda da oposição democrata "voltem aos lugares totalmente quebrados e infestados pelo crime de onde vieram e ajudem a melhorar a situação". 

Três nasceram nos Estados Unidos e a outra é uma refugiada da Somália que vive no país desde a adolescência e recebeu a cidadania americana. Mais uma vez, o presidente está sendo acusado de racismo, noticia o jornal inglês The Guardian.

Trump não citou os nomes das quatro deputadas. Falou no esquadrão, como é chamado o grupo formado pelas jovens radicais eleitas em novembro do ano passado, quando o Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes com aumento da presença feminina. É esquadrão por causa de sua combatividade.

Alexandria Ocasio Cortez, filha de porto-riquenhos, foi eleita por Nova York; Ayanna Pressley, de origem africano, por Massachusetts; Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, por Michigan; e Ilhan Omar, a somaliana naturalizada americana, por Minnesota.

"O país de onde eu veio e ao qual jurei lealdade é os EUA", respondeu AOC, como é conhecida a deputada mais jovem e mais popular da nova Câmara. Tlaib declarou que Trump "precisa ser impedido" num processo de impeachment.

Omar descreveu Trump como "o pior, mais corrupto e mais inepto presidente que já vimos", enquanto Pressley foi direta: "Isto parece com racismo. Nós parecemos a democracia."

Em campanha para disputar mais uma vez a candidatura democrata à Casa Branca, o senador Bernie Sanders não perdeu a oportunidade para atacar Trump: "Quando eu chamo o presidente de racista, é disto que estou falando."

O presidente voltou ao Twitter para contra-atacar: "Tão triste ver os democratas ficaram ao lado de pessoas que falam tão mal do nosso país e que, além do mais, odeiam Israel com uma paixão verdadeira e sem limites. Quando confrontados, eles chamam seus adversários, inclusive Pelosi, de racista."

A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara, tenta controlar o ímpeto das deputadas mais radicais, que Trump usa como fantasmas para apresentar o Partido Democrata como radical de esquerda e socialista. Ela denunciou o tuitaço como "comentários xenofóbicos para dividir a nação". Ele queria explorar o conflito interno da oposição. Acabou provocando a união dos democratas.

"Sua linguagem desagradável e as coisas que dizem sobre os EUA não podem passar sem um desafio. Se o Partido Democrata quer continuar a desculpar este comportamento vergonhoso, então vamos nos ver nas urnas em 2020", arrematou o presidente.

Trump entrou na política acusando o presidente Barack Obama de não ter nascido nos EUA. Lançou sua candidatura à Casa Branca, em junho de 2016, chamando os mexicanos de assassinos, traficantes, ladrões e estupradores.

Ao discutir a reforma da imigração com deputados e senadores democratas, perguntou "por que temos de receber gente de países que são buracos de merda?", como Nigéria e Haiti, e "por que não recebemos mais gente da Noruega?"

Quando os neonazistas marcharam em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, na manifestação União da Direita, para impedir a remoção da estátua do comandante militar do Sul escravocrata na Guerra Civil (1861-65), Trump afirmou que "havia gente boa dos dois lados".

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ditador da Rússia ataca democracia liberal e o Ocidente

Em mais um desafio à democracia liberal e ao Ocidente, o ditador da Rússia, Vladimir Putin, afirma que o liberalismo está obsoleto por causa da reação negativa à globalização da economia e à imigração. Antes de viajar para a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, ele deu entrevista no Kremlin ao jornal inglês Financial Times.

Putin era um oficial do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética, em Dresden na Alemanha Oriental, quando começaram as manifestações que levaram à queda do Muro de Berlim e ao fim do comunismo. Anos depois, comentou que "o fim da URSS foi a maior tragédia geopolítica do século 20."

Depois de dirigir o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, ele chegou ao poder em 1999, primeiro como primeiro-ministro de Boris Yeltsin e depois como presidente. Desde então, tenta restaurar o poder imperial soviético. Provocar o ataque o Ocidente como nos tempos da Guerra Fria é uma forma de fingir que tem o poder do passado. Meu comentário:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Espanha convoca eleições antecipadas para 28 de abril

Dois dias depois de sua proposta de orçamento ser rejeitada pelo Parlamento da Espanha, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez convocou hoje eleições gerais antecipadas par 28 de abril, noticiou o jornal espanhol El País.

Nas duas últimas eleições, o resultado foi um Parlamento fragmentado pelo surgimento de novos partidos em consequência da Grande Recessão (2008-14), Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita.

Acabou com o duopólio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do conservador Partido Popular (PP), que se alternavam no poder desde 1982 com maioria no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras.

Nas eleições regionais na Andaluzia, em 2 de dezembro de 2018, pela primeira vez desde o fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, em 1975, a ultradireita voltou a um parlamento regional. O partido Vox ficou em quinto lugar, mas foi o fiel da balança para a formação de um governo de direita. O mesmo pode acontecer a nível nacional.

A ascensão da extrema direita, a exemplo do que acontece na maioria dos países da Europa, é atribuída, no caso da Espanha, à crise econômica, à onda de imigração da África e do Oriente Médio, e ao movimento pela independência da Catalunha.

O movimento nacionalista catalão apoiou Sánchez para derrubar, através de uma moção de desconfiança no Congresso. em junho de 2018, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, que adotara uma política intransigente, de linha dura contra os separatistas.

Sánchez, autor da moção de desconfiança, formou um governo de minoria sem convocar eleições. Dependia do apoio de outros partidos, inclusive do movimento nacionalista catalão.

Agora, quando começam no Tribunal Supremo da Espanha os processos contra os líderes separatistas, os partidos catalães votaram contra a proposta orçamentária dos socialistas para derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições.

As pesquisas colocam o PSOE em primeiro lugar, com 24% das preferências do eleitorado, mas é mais provável a formação de um governo conservador com PP (21%), Cidadãos (18%) e Vox (11%).
Eles somam 50% contra 39% da esquerda.

Unidos Podemos (UP), o partido formado pela fusão do Podemos com a Esquerda Unida, possível parceiro dos socialistas num governo de esquerda, está com 15%.

Um governo de direita deve manter a linha dura contra o movimento pela independência da Catalunha, levando a questão para a Justiça, onde seus líderes são acusados de traição. A esquerda buscaria um diálogo.

sábado, 24 de novembro de 2018

Trump faz acordo para candidatos a asilo nos EUA esperarem no México

O presidente Donald Trump fez um acordo com o futuro presidente esquerdista do México, Andrés Manuel López Obrador, que toma posse em 1º de dezembro, para que os candidatos a asilo nos Estados Unidos esperem em território mexicano enquanto seus pedidos são processados, noticiou o jornal The Washington Post. Acabou assim a política de prender e soltar, em que os migrantes eram detidos e em seguidas soltos e aguardavam o resultado nos EUA.

No Twitter, seu meio de comunicação favorito, Trump escreveu no sábado à noite: "Os migrantes na fronteira sul não terão permissão para entrar nos EUA até que seus pedidos sejam aprovados individualmente pela Justiça. Não serão mais soltos nos EUA... Todos terão de esperar no México."

Cerca de 5 mil imigrantes da América Central, a maioria de Honduras, mas também de El Salvador e da Guatemala, chegaram em caravana à cidade de Tijuana, na fronteira com o estado americano da Califórnia. Como um juiz americano proibiu o governo de impedi-los de pedir asilo na fronteira, o presidente apelou para o México.

Trump fez mais uma ameaça: "Se por qualquer razão se tornar necessário, vamos fechar nossa fronteira sul. De jeito nenhum, depois de décadas de abuso, os EUA vão aceitar esta situação perigosa e custosa."

As novas regras impõem uma "barreira formidável", observou o Post, aos imigrantes centro-americanos que sonham em entrar nos EUA para fugir da violência e da miséria em seus países de origem.

"Por ora, concordamos com esta política de Permanecer no México", declarou Olga Sánchez Cordero, futura ministra do Interior do México, descrevendo-a como uma "solução de curto prazo. As soluções de médio e longo prazos são fazer com que as pessoas não migrem. México tem os braços abertos, mas imaginem uma caravana atrás da outra. Seria um problema para nós também."

Para o governo Trump, é uma maneira de desestimular novas caravanas. A solução vista pela futura ministra mexicana exige uma ajuda substancial ao combate à violência e ao desenvolvimento econômico da América Central que não está nos planos do presidente americano.

Trump prefere demonizar os imigrantes como se fosse uma horda de bandidos e malfeitoras, e não um bando de miseráveis em busca de paz e trabalho.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Trump ameaça enviar 15 mil soldados à fronteira com o México

Com medo de perder a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de 6 de novembro, o presidente Donald Trump usa a imigração ilegal como tema central da campanha. Diante do avanço de uma caravana com 7 mil centro-americanos, o presidente prometeu hoje enviar 15 mil soldados do Exército para a fronteira dos Estados Unidos com o México, noticiou o jornal The Washington Post.

"Vamos ter entre 10 e 15 mil soldados, além da Patrulha de Fronteiras e da Agência de Alfândega e Imigração (ICE)", afirmou Trump em comício na Flórida, dois dias depois de anunciar o envio de 5,2 mil. "Ninguém vai entrar. Não vamos deixar estas pessoas entrarem."

A maioria dos imigrantes foge da violência e da miséria de Honduras. Eles viajam a pé em grupos ou caravanas para não serem alvos fáceis de bandidos. Vão levar semanas para chegar aos EUA, mas aí as eleições terão passado. Trump acusa a oposição democrata de querer abrir as fronteiras do país e alega haver bandidos e terroristas muçulmanos na caravana sem apresentar nenhuma prova disso.

Ontem, o general responsável pela operação revelou que 5.239 soldados do Exército rumam para a fronteira para se somar a 2.092 membros da Guarda Nacional que já estão lá. Se o total de militares do Exército chegar a 15 mil, será o equivalente ao número de tropas que os EUA mantêm hoje no Afeganistão e mais de três vezes o tamanho da força que está no Iraque.

Os críticos de Trump descrevem a medida como uma manobra eleitoreira. Nos EUA, o voto não é obrigatório. O Partido Democrata, de oposição, está mobilizado por causa da impopularidade do presidente, aprovado por apenas 36% dos americanos.

Trump tenta fazer destas eleições intermediárias, de meio de mandato, as "eleições da caravana". Também insistiu hoje numa proposta inviável, de retirar o direito à cidadania americana de bebês que nascerem nos EUA de pais que não tenham direito legal a residir no país.

Este direito à cidadania é garantido pela Emenda nº 14 à Constituição dos EUA, de 1868, que só pode ser alterada por 2/3 das duas casas do Congresso e a ratificação por 75% dos estados da União. Trump e aliados alegam que não se aplica a imigrantes ilegais.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Trump ameaça cortar ajuda a Guatemala, Honduras e El Salvador

O presidente Donald Trump ameaçou hoje cortar ou suspender boa parte da ajuda dos Estados Unidos a Guatemala, Honduras e El Salvador, se esses países da América Central não contiverem a onda migratória. Uma caravana de cerca de 5 mil pessoas entrou no México no fim de semana e segue a pé por terra rumo à fronteira americana.

Impotentes diante da situação de violência, as máfias do tráfico de drogas e a miséria de seus países, estas repúblicas centro-americanas enfrentarão sérias crises internas tanto pela falta do dinheiro como pela forte reação negativa interna.

Trump quer fazer de sua política anti-imigração um dos temas centrais da campanha para as eleições intermediárias de 6 de novembro, quando o Partido Democrata pode retomar o controle da Câmara dos Representantes, o que prejudicaria sensivelmente seus planos de governo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

México rejeita dinheiro dos EUA para repatriar centro-americanos

O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, não vai aceitar a ajuda de US$ 20 milhões feita pelos Estados Unidos para mandar de volta os emigrantes da América Central, declarou hoje a futura ministra do Interior, Olga Sánchez Cordero.

A questão pode se tornar um ponto de atrito entre os Governos Donald Trump e López Obrador, que assume em 1º de dezembro. Eleito com mais da metade dos votos com uma plataforma de esquerda, AMLO, como é mais conhecido, colaborou com os Estados Unidos na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

É improvável que López Obrador suspenda os programas de controle da imigração ilegal da Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Em carta a Trump, defendeu o aumento da ajuda ao desenvolvimento desses países da América Central para meio de conter a imigração.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Suprema Corte recusa ação de Trump contra DACA

Em mais uma derrota na Justiça do presidente Donald Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos se recusou a examinar uma apelação do governo para anular uma decisão de um tribunal inferior que impede o fim do programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), criado por seu antecessor, Barack Obama.

Foi mais um duro golpe para o governo Trump, que considera a DACA inconstitucional. O programa permite a imigrantes que entraram no país ilegalmente quando eram menores de idade estudar e trabalhar nos EUA e os protege contra a ameaça de deportação.

Ao anunciar a intenção de acabar com o programa, Trump deu a data-limite de 5 de março para o Congresso aprovar uma lei para substituir a DACA.

O apelo do Departamento da Justiça é incomum porque o caso ainda não foi examinado pelo Tribunal Federal de Recursos da 9ª Região, a primeira corte revisora da decisão da primeira instância. A decisão da Suprema Corte não significa que o supremo tribunal dos EUA não julgue o caso depois da tramitação por instâncias inferiores. O TFR-9 deve tomar sua decisão em junho ou julho.

A reação da Casa Branca foi reafirmar que o programa é "claramente ilegal" e beneficia os "imigrantes ilegais em massa": "A decisão unilateral do juiz de primeira instância de reimpor um programa que o Congresso tinha explícita e repetidamente rejeitado é uma usurpação da autoridade legislativa", protestou o porta-voz adjunto, Raj Shah.

Em troca de dar uma chance de legalização para cerca de 800 mil imigrantes ilegais que entraram nos EUA quando menores, o governo Trump exige US$ 20 bilhões para erguer um muro na fronteira com o México, o fim da loteria de imigração e do direito de imigração de parentes que não pertençam à família nuclear dos imigrantes.

Cerca de 20 mil beneficiários da DACA perderam seus benefícios por não terem pedido uma renovação por dois anos de seu direito de permanência nos EUA. Eles temiam ser deportados. Outros 100 mil deixaram o país.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

África e América Central reagem à declaração racista de Trump

O presidente Donald Trump negou ter chamado Haiti, El Salvador e os países da África de "buracos de merda", confirmada ontem pela Casa Branca. Durante negociações com líderes do Congresso sofre imigração, Trump disse ainda querer mais imigrantes da Noruega. A indignação foi generalizada, prejudicando ainda mais a autoridade dos Estados Unidos no mundo.

"A Comissão da União Africana está francamente alarmada com as declarações do presidente dos EUA quando se referiu a migrantes de países africanos e outros em termos depreciativos", reagiu a porta-voz da UA, Ebba Kalondo. "Considerando a realidade histórica de quantos africanos chegaram aos EUA durante o tráfico de escravos no Oceano Atlântico, isso vai contra todos os comportamentos e práticas aceitáveis."

Na África do Sul, a subsecretária-geral do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela reagiu: "Nosso país não é um buraco de merda, nem o Haiti ou qualquer outro país em sofrimento."

Um apresentador da TV sul-africana SABC escreveu no Twitter: "Bom dia do maior e mais bonito buraco de merda do mundo." O Senegal cobrou explicações do embaixador americano. No Quênia, um cartunista publicou um "mapa da África da Casa Branca" em que os nomes de todas regiões vinham acompanhados dos palavrões do presidente sem limites.

Em Genebra, o porta-voz das Nações Unidas para direitos humanos, Rupert Colville, foi menos diplomático do que de costume: "Não há outra palavra a usar a não ser racismo. Você não pode desprezar países e um continente inteiro como 'buracos de merda' onde a população não é branca."

No Haiti, Harold Isaac publicou fotos de praias maravilhosas com águas verdes com o seguinte texto: "Ei, presidente buraco de merda. Veja como parece meu buraco de merda." O embaixador americano no Panamá abandonou o cargo em protesto.

Em Miami, a imigrante haitiana e ativista social Farah Larrieux lembrou a visita que o candidato Trump fez ao Pequeno Haiti, um dos bairros mais pobres da cidade, prometeu ser "o maior campeão na defesa dos haitiano-americanos. No cargo, Trump chegou a dizer que "todos os haitianos têm aids".

Um antigo desafeto de Trump, o ex-presidente mexicano Vicente Fox atacou diretamente: "Sua boca é o buraco de merda mais sujo do mundo."

O governo da Noruega ofereceu ajuda a imigrantes noruegueses e descendentes que emigraram para os EUA, se quiserem sair do país.

Para os EUA, envolvidos numa disputa geopolítica com a China sobre influência na África, foi um tiro que sai pela culatra.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Trump chama Haiti, El Salvador e a África de "buracos de merda"

Durante um encontro com líderes do Congresso nesta quinta-feira para discutir a reforma do sistema de imigração, mais uma vez, Donald Trump atropelou as normas de conduta esperadas de um presidente dos Estados Unidos e deu uma tirada racista, chamando Haiti, El Salvador e países da África de "buracos de merda", revelou o jornal The Washington Post.

"Por que queremos todas essas pessoas de países que são buracos de merda vindo para cá?", perguntou Trump, frustrado com a negociação com os deputados sobre imigrantes do Haiti, de El Salvador. Jovens imigrantes ilegais desses países são protegidos pelo programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA) por terem entrado no país quando eram menores de idade.

Em seguida, o presidente sem limites atacou Haiti, o país mais pobre da América, governado pela ditadura brutal da família Duvalier de 1957 a 1986, apoiada pelos EUA, centro de um terremoto devastador em 2010 que matou 200 mil pessoas e arrasado com frequência pelos furacões do Oceano Atlântico.

"Por que precisamos de mais haitianos? Expulsem", propôs o presidente americano. Trump sugeriu que os EUA deveriam trazer mais gente da Noruega, numa lógica claramente racista.

A assessoria de imprensa da Presidência dos EUA justificou a declaração, em nota à televisão americana CNN, alegando que agradaria ao eleitorado de Trump: "O comentário do presidente sobre buracos de merda está sendo recebido de maneira muito diferente dentro e fora da Casa Branca. Embora isso possa enraivecer Washington, vai repercutir na sua base, como os ataques a jogadores da NFL (National Football League) que se ajoelham durante a execução do hino nacional."

Os craques do futebol americano são quase todos negros e protestaram contra a violência policial e a morte de negros inocentes. Trump mandou demitir "aqueles filhos da puta".