O presidente Donald Trump fez um acordo com o futuro presidente esquerdista do México, Andrés Manuel López Obrador, que toma posse em 1º de dezembro, para que os candidatos a asilo nos Estados Unidos esperem em território mexicano enquanto seus pedidos são processados, noticiou o jornal The Washington Post. Acabou assim a política de prender e soltar, em que os migrantes eram detidos e em seguidas soltos e aguardavam o resultado nos EUA.
No Twitter, seu meio de comunicação favorito, Trump escreveu no sábado à noite: "Os migrantes na fronteira sul não terão permissão para entrar nos EUA até que seus pedidos sejam aprovados individualmente pela Justiça. Não serão mais soltos nos EUA... Todos terão de esperar no México."
Cerca de 5 mil imigrantes da América Central, a maioria de Honduras, mas também de El Salvador e da Guatemala, chegaram em caravana à cidade de Tijuana, na fronteira com o estado americano da Califórnia. Como um juiz americano proibiu o governo de impedi-los de pedir asilo na fronteira, o presidente apelou para o México.
Trump fez mais uma ameaça: "Se por qualquer razão se tornar necessário, vamos fechar nossa fronteira sul. De jeito nenhum, depois de décadas de abuso, os EUA vão aceitar esta situação perigosa e custosa."
As novas regras impõem uma "barreira formidável", observou o Post, aos imigrantes centro-americanos que sonham em entrar nos EUA para fugir da violência e da miséria em seus países de origem.
"Por ora, concordamos com esta política de Permanecer no México", declarou Olga Sánchez Cordero, futura ministra do Interior do México, descrevendo-a como uma "solução de curto prazo. As soluções de médio e longo prazos são fazer com que as pessoas não migrem. México tem os braços abertos, mas imaginem uma caravana atrás da outra. Seria um problema para nós também."
Para o governo Trump, é uma maneira de desestimular novas caravanas. A solução vista pela futura ministra mexicana exige uma ajuda substancial ao combate à violência e ao desenvolvimento econômico da América Central que não está nos planos do presidente americano.
Trump prefere demonizar os imigrantes como se fosse uma horda de bandidos e malfeitoras, e não um bando de miseráveis em busca de paz e trabalho.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 24 de novembro de 2018
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Total de migrantes mortos no Mediterrâneo no ano chega a 3,8 mil
É um triste recorde. O total de migrantes e refugiados mortos em naufrágios no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa desde o início do ano chegou a 3,8 mil, anunciaram hoje as Nações Unidas. Pouco mais de dois meses antes do fim do ano, o total supera as 3.771 mortes registradas em 2015.
Ao apresentar os números, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados observou que o número de mortes aumentar, apesar da redução do número de refugiados e migrantes que tentam fazer a travessia rumo à Europa.
No ano passado, mais de um milhão tentaram entrar ilegalmente na União Europeia, enquanto neste ano foram cerca de 330 mil até agora. Em 2016, houve uma morte para cada 88 pessoas que conseguiram chegar no continente europeu.
"Na rota central do Mediterrâneo, entre a Líbia e a Itália, a taxa de mortalidade é ainda mais elevada, de uma morte para cada 47 que chegam à Europa", declarou o porta-voz do ACNUR, William Spindler. É a rota mais perigosa.
Ao apresentar os números, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados observou que o número de mortes aumentar, apesar da redução do número de refugiados e migrantes que tentam fazer a travessia rumo à Europa.
No ano passado, mais de um milhão tentaram entrar ilegalmente na União Europeia, enquanto neste ano foram cerca de 330 mil até agora. Em 2016, houve uma morte para cada 88 pessoas que conseguiram chegar no continente europeu.
"Na rota central do Mediterrâneo, entre a Líbia e a Itália, a taxa de mortalidade é ainda mais elevada, de uma morte para cada 47 que chegam à Europa", declarou o porta-voz do ACNUR, William Spindler. É a rota mais perigosa.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
França começa a desmantelar favelão de migrantes em Calais
O governo da França começou a desmantelar hoje o campo de migrantes de Calais, um favelão conhecido como a "selva", onde vivem de 6,4 a 8,1 mil pessoas, no que chamou de uma "operação humanitária", noticiou o jornal francês Le Monde.
A maioria vem do Afeganistão, do Sudão e da Eritreia, e sonha em entrar no Reino Unido. Na madrugada de hoje, os primeiros veículos começaram a retirar os migrantes. Ao todo, 2.318 foram removidos do campo, descrito como a maior favela da França.
Eles têm o direito de pedir asilo político à França. Se for negado, serão devolvidos a seus países de origem. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um afegão considerou seu país caótico onde não teria condições de levar uma vida normal.
A maioria vem do Afeganistão, do Sudão e da Eritreia, e sonha em entrar no Reino Unido. Na madrugada de hoje, os primeiros veículos começaram a retirar os migrantes. Ao todo, 2.318 foram removidos do campo, descrito como a maior favela da França.
Eles têm o direito de pedir asilo político à França. Se for negado, serão devolvidos a seus países de origem. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um afegão considerou seu país caótico onde não teria condições de levar uma vida normal.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Centenas de migrantes morrem em naufrágio na costa do Egito
Um barco sobrecarregado com 450 a 600 migrantes afundou ontem no Mar Mediterrâneo a 12 quilômetros do litoral do Egito. Centenas de pessoas morreram afogadas. A Guarda Costeira salvou 163 pessoas e recolheu 51 corpos. Quatro tripulantes foram presos sob a acusação de tráfico de seres humanos, noticiou a televisão pública britânica BBC.
Os imigrantes vinham da Síria, do Egito e de outros países africanos. Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para contar a onda de migrantes e refugiados que tentam entrar na Europa, a principal rota terrestre está bloqueada.
Assim, o Mediterrâneo voltou a ser principal toda da onda migratória. A Organização Internacional para Migrações estima que mais de 200 mil migrantes tentaram chegar à Europa pelo mar. Cerca de 3 mil morreram afogadas no primeiro semestre de 2016.
Os imigrantes vinham da Síria, do Egito e de outros países africanos. Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para contar a onda de migrantes e refugiados que tentam entrar na Europa, a principal rota terrestre está bloqueada.
Assim, o Mediterrâneo voltou a ser principal toda da onda migratória. A Organização Internacional para Migrações estima que mais de 200 mil migrantes tentaram chegar à Europa pelo mar. Cerca de 3 mil morreram afogadas no primeiro semestre de 2016.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Guarda costeira da Itália salva 6,5 mil migrantes no Mediterrâneo
Num dos dias mais agitados dos últimos, mais de 6,5 mil migrantes foram resgatados ontem perto da costa da Líbia, revelou a Guarda Costeira da Itália, citada pela AFP (Agência France Presse).
Foram 40 missões de resgate realizadas a cerca de 20 quilômetros do porto de Sabrata, na Líbia. No domingo, 1,1 mil náufragos haviam sido salvos.
A maioria dos migrantes vinha da África Ocidental e da região do Chifre da África, no Nordeste do continente, de países como a Nigéria, a Etiópia (os dois mais populosos da África) e Somália. Um bebê de cinco dias foi entregue aos cuidados da organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MsF).
Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para barrar o fluxo de migrantes das guerras no Oriente Médio, a onda de refugiados é maior hoje na Itália do que na Grécia.
Eles saem da Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, e tentam atravessar o Mar Mediterrâneo em embarcações precaríssimas. Os traficantes de seres humanos costumam avisar a Guarda Costeira e fugir.
Foram 40 missões de resgate realizadas a cerca de 20 quilômetros do porto de Sabrata, na Líbia. No domingo, 1,1 mil náufragos haviam sido salvos.
A maioria dos migrantes vinha da África Ocidental e da região do Chifre da África, no Nordeste do continente, de países como a Nigéria, a Etiópia (os dois mais populosos da África) e Somália. Um bebê de cinco dias foi entregue aos cuidados da organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MsF).
Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para barrar o fluxo de migrantes das guerras no Oriente Médio, a onda de refugiados é maior hoje na Itália do que na Grécia.
Eles saem da Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, e tentam atravessar o Mar Mediterrâneo em embarcações precaríssimas. Os traficantes de seres humanos costumam avisar a Guarda Costeira e fugir.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Mais de 10 mil migrantes morreram no Mediterrâneo desde 2014
Desde 2014, mais de 10 mil migrantes morreram em naufrágios no Mar Mediterrâneo quando tentavam chegar à União Europeia, declarou ontem em Genebra, na Suíça, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
Foram 3,5 mil mortes em 2014, 3.771 em 2015 e 2.814 desde o início de 2016, revelou o porta-voz da ONU, classificando esses números como "horríveis". Desde sábado, não foi registrado nenhum naufrágio.
Mais de 200 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa neste ano pelo mar, na Grécia, Chipre ou Espanha. A maioria dos refugiados vem das guerras civis na Síria, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.
Foram 3,5 mil mortes em 2014, 3.771 em 2015 e 2.814 desde o início de 2016, revelou o porta-voz da ONU, classificando esses números como "horríveis". Desde sábado, não foi registrado nenhum naufrágio.
Mais de 200 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa neste ano pelo mar, na Grécia, Chipre ou Espanha. A maioria dos refugiados vem das guerras civis na Síria, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Prefeita de Paris anuncia criação de campo de refugiados
Quem visitou Paris recentemente notou o grande número de refugiados pedindo ajuda e dormindo nas ruas da capital da França. Hoje a prefeita socialista Anne Hidalgo anunciou a criação de um centro para acolher refugiados "dentro de um mês a um mês e meio".
O campo de refugiados, explicou a prefeita, vai "abrigar pessoas que chegam sem recursos". A Prefeitura está "examinando diferentes locais para que, sem maior atraso, o mais rapidamente possível, possamos colocá-los à disposição".
Pelo menos 880 migrantes morreram afogados no mar Mediterrâneo na semana passada, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
O campo de refugiados, explicou a prefeita, vai "abrigar pessoas que chegam sem recursos". A Prefeitura está "examinando diferentes locais para que, sem maior atraso, o mais rapidamente possível, possamos colocá-los à disposição".
Pelo menos 880 migrantes morreram afogados no mar Mediterrâneo na semana passada, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
880 migrantes morreram na semana passada no Mediterrâneo
Pelo menos 880 migrantes morreram afogados na semana passada no Mar Mediterrâneo, anunciou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. O governo da Itália afirmou ter salvo ao menos 14 mil migrantes.
A agência da ONU chegou a este número depois de interrogar sobreviventes que saíram da Líbia tentando chegar à Itália, noticiou a televisão francesa.
"Os traficantes estão enchendo barcos que ma; têm condições de enfrentar o mar e em muitos casos não servem para enfrentar a travessia. Tão logo saem do porto, chamam os navios de resgate para resgatá-los", informou o porta-voz do ACNUR, Wiliam Spindler.
A maioria dos que saem da Líbia são migrantes econômicos da África e não refugiados das guerras no Oriente Médio, declarou o ministro do Exterior da Itália em entrevista à televisão americana CNN.
O total de mortos aumentou em 2016. Desde 1º de janeiro deste ano, houve pelo menos 2.510 mortes, superando os 1.855 do mesmo período no ano passado
A agência da ONU chegou a este número depois de interrogar sobreviventes que saíram da Líbia tentando chegar à Itália, noticiou a televisão francesa.
"Os traficantes estão enchendo barcos que ma; têm condições de enfrentar o mar e em muitos casos não servem para enfrentar a travessia. Tão logo saem do porto, chamam os navios de resgate para resgatá-los", informou o porta-voz do ACNUR, Wiliam Spindler.
A maioria dos que saem da Líbia são migrantes econômicos da África e não refugiados das guerras no Oriente Médio, declarou o ministro do Exterior da Itália em entrevista à televisão americana CNN.
O total de mortos aumentou em 2016. Desde 1º de janeiro deste ano, houve pelo menos 2.510 mortes, superando os 1.855 do mesmo período no ano passado
domingo, 18 de outubro de 2015
Milhares de imigrantes entram na Eslovênia
Cerca de 4 mil imigrantes cruzaram ontem a fronteira da Croácia com a Eslovênia depois que a Hungria fechou a sua, informou a televisão pública britânica BBC, citando como fonte o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
A Eslovênia prometeu limitar o ingresso a um máximo de 2,5 mil refugiados por dia, mas a Croácia pediu que aceite o dobro desse número. Ambas são ex-repúblicas da extinta Iugoslávia.
O primeiro-ministro esloveno, Miro Cerar, disse que só vai receber migrantes enquanto a Alemanha e a Áustria mantiverem suas fronteiras abertas para recebê-los em caráter definitivo. A Hungria fechou a fronteira há dois dias, na noite de sexta-feira, alegando razões de segurança.
A Eslovênia prometeu limitar o ingresso a um máximo de 2,5 mil refugiados por dia, mas a Croácia pediu que aceite o dobro desse número. Ambas são ex-repúblicas da extinta Iugoslávia.
O primeiro-ministro esloveno, Miro Cerar, disse que só vai receber migrantes enquanto a Alemanha e a Áustria mantiverem suas fronteiras abertas para recebê-los em caráter definitivo. A Hungria fechou a fronteira há dois dias, na noite de sexta-feira, alegando razões de segurança.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
"Europa esqueceu o que significa estar em guerra"
Diante das imagens de migrantes e refugiados mortos, tratados como animais ou presos em verdadeiros campos de concentração na Hungria, o cientista político macedônio Goran Boldioski, diretor da Fundação Sociedade Aberta em Budapeste, afirmou: "Os europeus esqueceram o que significa estar em guerra."
Ao participar hoje de mesa redonda sobre A crise dos refugiados na Europa, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro, Boldioski declarou que "a Europa Oriental esqueceu seu passado", lembrando da revolta anticomunista de 1956, quando cerca de 200 mil pessoas fugiram da Hungria.
Desde ontem, o governo direitista húngaro está prendendo imigrantes que tentam forçar a entrada no país e até mesmo danificar a cerca de arame laminado. Hoje, a polícia usou gás lacrimogênio e jatos d'água. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, condenou a ação policial.
"Não houve uma liberalização dos corações e mentes", acrescentou o diretor da Fundação Sociedade Aberta, do multibilionário húngaro-americano George Soros, que promove a democracia liberal. "O primeiro-ministro Viktor Orban adapta-se ao que o povo quer. De 1989 a 1995, foi liberal; agora, chefia um dos governos mais conservadores da UE."
Mesmo na era da Internet, a maioria da população se informa pela televisão, disse Boldioski: "Um memorando do governo húngaro para a mídia estatal orientou os meios de comunicação a não mostrar crianças e mulheres necessitadas. O foco é nos traficantes de pessoas. Além do sensacionalismo, governos autoritários tentam forjar a mensagem."
Tambem não é uma crise europeia. De abril de 2011 a junho de 2015, o número de pessoas que fugiram da guerra civil na Síria chegou a 1,9 milhão na Turquia, 1,1 milhão no Líbano, 629 mil na Jordânia, 98.783 na Alemanha e 64.885 na Suécia. Ao acolher 26 mil refugiados, se fosse um país europeu, o Brasil ficaria em terceiro lugar: "O Brasil recebeu mais refugiados da Síria do que da Colômbia", constatou o professor Roberto Fendt, do Cebri.
O impacto da onda de migrantes é maior em países pequenos como a Hungria e a Eslováquia, que fecharam suas fronteiras. "A Hungria está em segundo lugar no número de pedidos de asilo por habitante", observou a cientista política húngara Petra Reszketõ, do Instituto Budapeste. "O governo é contra a imigração. Nacionalista, ergueu uma cerca na fronteira sul com a Sérvia. Separou e criou zonas fechadas para os migrantes." Hoje usou até bombas de gás.
Na Eslováquia, um país de apenas 5,4 milhões de habitantes, 60% da população sentem-se ameaçados, por isso o governo só quer aceitar cristãos, e os estereótipos criados pelos meios de comunicação deslegitimam os refugiados, comentou a cientista política eslovaca Radka Vicenová.
"Eles não tinham problemas com os refugiados da Iugoslávia. Agora, são em grande número e de uma cultura diferente", analisou Vicenová. "No fim de semana, houve uma grande manifestação de protesto na capital. Há uma sensação de que os refugiados vêm para tomar nossa terra."
Tanto Hungria quanto Eslováquia são países pobres, com baixo nível de produtividade, onde a maioria da população entende que os governos deveriam ajudar seus próprios cidadãos a melhorar de vida antes de aceitar migrantes. "Há um risco social. Falta solidariedade, há uma framentação", notou Petra Reszketõ.
Com o envelhecimento da população, a Europa precisa de cerca de 2 milhões de migrantes econômicos por ano para preencher novas vagas no mercado de trabalho e aliviar o peso sobre a Previdência Social. Mas neste momento de crise econômica e desemprego, há uma ascensão de partidos de extrema direita que ameaça o próprio projeto de integração da União Europeia.
Além da crise nos países da periferia da Zona do Euro, agora restrita à Grécia, há protestos contra a migração interna na Europa, especialmente no Reino Unido, onde a crise dos refugiados deve pesar no referendo sobre a permanência do país na UE, previsto para 2017. Há problemas de integração. A própria chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, que abriu a Alemanha aos migrantes, há dois anos declarou que "o multiculturalismo está morto".
Com múltiplas crises, a Europa se debate entre coordenação ou mutualização, que implicaria na distribuição dos refugiados entre os países-membros com base no tamanho de cada população. Seria uma oportunidade para criar finalmente a política externa e de segurança comum prevista no Tratado de Maastricht, de 1991.
Ao participar hoje de mesa redonda sobre A crise dos refugiados na Europa, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro, Boldioski declarou que "a Europa Oriental esqueceu seu passado", lembrando da revolta anticomunista de 1956, quando cerca de 200 mil pessoas fugiram da Hungria.
Desde ontem, o governo direitista húngaro está prendendo imigrantes que tentam forçar a entrada no país e até mesmo danificar a cerca de arame laminado. Hoje, a polícia usou gás lacrimogênio e jatos d'água. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, condenou a ação policial.
"Não houve uma liberalização dos corações e mentes", acrescentou o diretor da Fundação Sociedade Aberta, do multibilionário húngaro-americano George Soros, que promove a democracia liberal. "O primeiro-ministro Viktor Orban adapta-se ao que o povo quer. De 1989 a 1995, foi liberal; agora, chefia um dos governos mais conservadores da UE."
Mesmo na era da Internet, a maioria da população se informa pela televisão, disse Boldioski: "Um memorando do governo húngaro para a mídia estatal orientou os meios de comunicação a não mostrar crianças e mulheres necessitadas. O foco é nos traficantes de pessoas. Além do sensacionalismo, governos autoritários tentam forjar a mensagem."
Tambem não é uma crise europeia. De abril de 2011 a junho de 2015, o número de pessoas que fugiram da guerra civil na Síria chegou a 1,9 milhão na Turquia, 1,1 milhão no Líbano, 629 mil na Jordânia, 98.783 na Alemanha e 64.885 na Suécia. Ao acolher 26 mil refugiados, se fosse um país europeu, o Brasil ficaria em terceiro lugar: "O Brasil recebeu mais refugiados da Síria do que da Colômbia", constatou o professor Roberto Fendt, do Cebri.
O impacto da onda de migrantes é maior em países pequenos como a Hungria e a Eslováquia, que fecharam suas fronteiras. "A Hungria está em segundo lugar no número de pedidos de asilo por habitante", observou a cientista política húngara Petra Reszketõ, do Instituto Budapeste. "O governo é contra a imigração. Nacionalista, ergueu uma cerca na fronteira sul com a Sérvia. Separou e criou zonas fechadas para os migrantes." Hoje usou até bombas de gás.
Na Eslováquia, um país de apenas 5,4 milhões de habitantes, 60% da população sentem-se ameaçados, por isso o governo só quer aceitar cristãos, e os estereótipos criados pelos meios de comunicação deslegitimam os refugiados, comentou a cientista política eslovaca Radka Vicenová.
"Eles não tinham problemas com os refugiados da Iugoslávia. Agora, são em grande número e de uma cultura diferente", analisou Vicenová. "No fim de semana, houve uma grande manifestação de protesto na capital. Há uma sensação de que os refugiados vêm para tomar nossa terra."
Tanto Hungria quanto Eslováquia são países pobres, com baixo nível de produtividade, onde a maioria da população entende que os governos deveriam ajudar seus próprios cidadãos a melhorar de vida antes de aceitar migrantes. "Há um risco social. Falta solidariedade, há uma framentação", notou Petra Reszketõ.
Com o envelhecimento da população, a Europa precisa de cerca de 2 milhões de migrantes econômicos por ano para preencher novas vagas no mercado de trabalho e aliviar o peso sobre a Previdência Social. Mas neste momento de crise econômica e desemprego, há uma ascensão de partidos de extrema direita que ameaça o próprio projeto de integração da União Europeia.
Além da crise nos países da periferia da Zona do Euro, agora restrita à Grécia, há protestos contra a migração interna na Europa, especialmente no Reino Unido, onde a crise dos refugiados deve pesar no referendo sobre a permanência do país na UE, previsto para 2017. Há problemas de integração. A própria chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, que abriu a Alemanha aos migrantes, há dois anos declarou que "o multiculturalismo está morto".
Com múltiplas crises, a Europa se debate entre coordenação ou mutualização, que implicaria na distribuição dos refugiados entre os países-membros com base no tamanho de cada população. Seria uma oportunidade para criar finalmente a política externa e de segurança comum prevista no Tratado de Maastricht, de 1991.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Áustria e Eslováquia seguem Alemanha e controlam fronteiras
Depois da Alemanha, a Áustria e a Eslováquia decidiram reintroduzir temporariamente o controle de suas fronteiras dentro da União Europeia (UE) numa tentativa de controlar e conter o fluxo de migrantes e refugiados das guerras e da miséria na África e no Oriente Médio.
A pretexto de "organizar a entrada" dos migrantes, desde ontem, a Alemanha passou a controlar as fronteiras, abertas com base no Tratado de Schengen, que acabou com o controle de passaportes em 26 países da Europa.
O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, justificou a medida com base em necessidade de segurança. Depois de uma conversa telefônica entre a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, a comissão, órgão executivo da UE, divulgou nota esclarecendo que a medida pode ser adotada com base no Tratado de Schengen em situações excepcionais como a atual crise migratória.
A pretexto de "organizar a entrada" dos migrantes, desde ontem, a Alemanha passou a controlar as fronteiras, abertas com base no Tratado de Schengen, que acabou com o controle de passaportes em 26 países da Europa.
O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, justificou a medida com base em necessidade de segurança. Depois de uma conversa telefônica entre a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, a comissão, órgão executivo da UE, divulgou nota esclarecendo que a medida pode ser adotada com base no Tratado de Schengen em situações excepcionais como a atual crise migratória.
domingo, 6 de setembro de 2015
Alemanha recebe 13 mil migrantes em dois dias
Cerca de 7 mil migrantes chegaram à Alemanha no sábado e outros 6 mil no domingo, anunciou a polícia federal do país. O governo federal alemão vai gastar mais 6 bilhões de euros (R$ 25,7 bilhões) em 2015 para acolher os 800 mil imigrantes que devem entrar no país.
Depois de uma reunião de cinco horas em Berlim, a coalizão liderada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel concordou em tomar uma séria de medidas. Os governos estaduais e municipais da Alemanha vão receber mais 3 bilhões de euros, e o governo federal outros 3 bilhões para financiar os benefícios sociais concedidos a quem conseguir asilo político.
Maior país e maior economia da União Europeia, a Alemanha vai aceitar a maior cota de imigrantes e refugiados. Só em agosto, 100 mil candidatos chegarão ao país.
O governo alemão ampliou a lista dos países considerados seguros, incluindo a Albânia, o Kossovo e Montenegro. Isso significa que seus cidadãos não terão direito a asilo. A Bósnia-Herzegovina, a Macedônia e a Sérvia já faziam parte da lista.
No domingo, a Áustria ameaçou fechar sua fronteira mais uma vez para impedir os imigrantes e refugiados que entram na UE pela Hungria de chegar à Alemanha.
Ao mesmo tempo, as agências humanitárias da Nações Unidas advertiram que estão à beira da falência, sem condições de atender aos milhões de refugiados da África e do Oriente Médio. Boa parte procura asilo na Europa.
"Estamos quebrados", admitiu o alto comissário da ONU para refugiados, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, citado pelo jornal inglês The Guardian.
Depois de uma reunião de cinco horas em Berlim, a coalizão liderada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel concordou em tomar uma séria de medidas. Os governos estaduais e municipais da Alemanha vão receber mais 3 bilhões de euros, e o governo federal outros 3 bilhões para financiar os benefícios sociais concedidos a quem conseguir asilo político.
Maior país e maior economia da União Europeia, a Alemanha vai aceitar a maior cota de imigrantes e refugiados. Só em agosto, 100 mil candidatos chegarão ao país.
O governo alemão ampliou a lista dos países considerados seguros, incluindo a Albânia, o Kossovo e Montenegro. Isso significa que seus cidadãos não terão direito a asilo. A Bósnia-Herzegovina, a Macedônia e a Sérvia já faziam parte da lista.
No domingo, a Áustria ameaçou fechar sua fronteira mais uma vez para impedir os imigrantes e refugiados que entram na UE pela Hungria de chegar à Alemanha.
Ao mesmo tempo, as agências humanitárias da Nações Unidas advertiram que estão à beira da falência, sem condições de atender aos milhões de refugiados da África e do Oriente Médio. Boa parte procura asilo na Europa.
"Estamos quebrados", admitiu o alto comissário da ONU para refugiados, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, citado pelo jornal inglês The Guardian.
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domingo, 23 de agosto de 2015
Guarda Costeira da Itália salva 4,4 mil migrantes
Com a apoio de outros países europeus, a Guarda Costeira da Itália salvou hoje 4,4 mil migrantes que estavam à deriva em barcos precários no Mar Mediterrâneo, noticiou a agência Reuters.
Um navio da Noruega e outro da Irlanda participaram da Operação Triton da União Europeia. A Europa enfrenta uma crise migratória com a fuga em massa de países em guerra como Síria, Iraque, Somàlia, Nigéria e Afeganistão.
Um navio da Noruega e outro da Irlanda participaram da Operação Triton da União Europeia. A Europa enfrenta uma crise migratória com a fuga em massa de países em guerra como Síria, Iraque, Somàlia, Nigéria e Afeganistão.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Reino Unido vai prender imigrantes ilegais
A nova Lei de Imigração do Reino Unido a ser proposta pelo primeiro-ministro David Cameron vai endurecer a vida para os imigrantes ilegais. Quem trabalhar poderá ser preso, expulso do país e ter de devolver o dinheiro dos salários recebidos.
O projeto deve ser apresentado na Fala do Trono, o discurso preparado pelo primeiro-ministro que a rainha Elizabeth II lê na abertura da sessão do Parlamento Britânico anunciando as prioridades do governo para o ano legislativo.
Com a crise econômica e a ascensão na Europa de uma ultradireita nacionalista representada no país pelo Partido da Independência do Reino Unido, a favor da saída da União Europeia, os governos conservadores estão abraçando a luta anti-imigração. Para não perder votos para a extrema direita, acabam assumindo suas bandeiras. Afinal, imigrante não vota e estrangeiro é sempre um bom bode expiatório.
Mas um continente que envelhece rapidamente como a Europa precisa de imigrantes. Eles costumam ser jovens empreendedores e arrojando em busca de um lugar para reconstruir suas vidas. São uma força econômica positiva.
O projeto deve ser apresentado na Fala do Trono, o discurso preparado pelo primeiro-ministro que a rainha Elizabeth II lê na abertura da sessão do Parlamento Britânico anunciando as prioridades do governo para o ano legislativo.
Com a crise econômica e a ascensão na Europa de uma ultradireita nacionalista representada no país pelo Partido da Independência do Reino Unido, a favor da saída da União Europeia, os governos conservadores estão abraçando a luta anti-imigração. Para não perder votos para a extrema direita, acabam assumindo suas bandeiras. Afinal, imigrante não vota e estrangeiro é sempre um bom bode expiatório.
Mas um continente que envelhece rapidamente como a Europa precisa de imigrantes. Eles costumam ser jovens empreendedores e arrojando em busca de um lugar para reconstruir suas vidas. São uma força econômica positiva.
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sábado, 25 de outubro de 2014
Rússia detém 6.830 migrantes em Moscou
A polícia de Moscou prendeu 6.830 estrangeiros nas últimas 24 horas para verificar se sua presença na Rússia é legal, informou a agência de notícias Itar-Tass, citando com fonte a assessoria de imprensa da polícia.
A detenção em massa faz parte de uma grande operação que está sendo realizada de 23 de outubro a 2 de novembro de 2014 pela polícia, os serviços secretos e de migração para expulsar os imigrantes ilegais.
É um endurecimento do regime cada vez mais ditatorial do presidente Vladimir Putin diante da virtual intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e, em consequência, do maior atrito da Rússia com a Europa e os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria e o desaparecimento da União Soviética, em 1991.
Em resposta às sanções internacionais impostas pelo Ocidente, há um cerco à oposição interna, às organizações não governamentais e a empresas de mídia com participação estrangeira.
Curiosamente, Putin virou ídolo da extrema direita neofascista europeia e da esquerda latino-americana, neste caso por seu antiamericanismo.
A detenção em massa faz parte de uma grande operação que está sendo realizada de 23 de outubro a 2 de novembro de 2014 pela polícia, os serviços secretos e de migração para expulsar os imigrantes ilegais.
É um endurecimento do regime cada vez mais ditatorial do presidente Vladimir Putin diante da virtual intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e, em consequência, do maior atrito da Rússia com a Europa e os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria e o desaparecimento da União Soviética, em 1991.
Em resposta às sanções internacionais impostas pelo Ocidente, há um cerco à oposição interna, às organizações não governamentais e a empresas de mídia com participação estrangeira.
Curiosamente, Putin virou ídolo da extrema direita neofascista europeia e da esquerda latino-americana, neste caso por seu antiamericanismo.
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