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domingo, 12 de abril de 2026

Extrema direita sofre ampla derrota na Hungria

Depois de 16 anos em que impôs um regime autoritário à Hungria, o primeiro-ministro neofascista Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo. O comparecimento às urnas foi recorde: 79% do eleitorado.

O futuro chefe de governo será Péter Magyar (foto), que há dois anos deixou o partido governo. Seu Partido Respeito e Liberdade (Tisza), terá maioria de dois terços para reformar a Constituição, restabelecer a democracia plena no país, dinamizar a economia, melhorar as relações com a União Europeia e entrar para a Zona do Euro.

Durante a campanha, Orbán teve o apoio do presidente Donald Trump e dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. O vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, foi a Budapeste na semana passada levar pessoalmente o apoio a Orbán. Todos viam no líder húngaro uma quinta coluna capaz de enfraquecer o bloco europeu.

Maior aliado de Putin na UE, Orbán bloqueava uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia. Seus representantes diplomáticos passavam à Rússia o que era discutido nas reuniões de ministros da UE. É um modelo para a extrema direita neofascista nos EUA, na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil.

Na política interna, Orbán seguiu a fórmula adotada por outros líderes autoritários como Vladimir Putin, Hugo Chávez na Venezuela, Recep Tayyip Erdogan na Turquia e os irmãos Kaczynski na Polônia: controlar o Poder Judiciário e os meios de comunicação, pedras fundamentais da democracia. 

Na democracia iliberal, os líderes chegam ao poder em eleições democráticas e usam os instrumentos da democracia para impor um regime iliberal, que alguns autores chamam de autoritarismo competitivo. Não chamam de neofascismo porque ainda pode ser derrotado pelo voto.

Viktor Orbán entra na política húngara ao fazer discursos em Budapeste nas revoluções que derrubaram o comunismo na Europa Oriental, em 1989. A Hungria é o primeiro país a abrir a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, permitindo que qualquer pessoas saísse do país. Tinha a economia mais aberta do Bloco Comunista.

Seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz) nasceu do movimento estudantil, da Aliança dos Jovens Democratas e pertenceu à Internacional Liberal. Sob sua liderança, tornou-se mais conservador, nacionalista a antieuropeu. Orbán foi primeiro-ministro de 1998 a 2002. Fez um governo moderado. 

Depois de oito anos como líder da oposição, volta em 2010, faz reformas antidemocráticas para se eternizar no poder. Censurou a imprensa, acabou com a independência do Judiciário e enfraqueceu a democracia multipardária. Aproveitou a Crise dos Refugiados para aprovar leis anti-imigração. Empobreceu e corrompeu a Hungria.

O advogado e deputado do Parlamento Europeu Péter Magyar, de 45 anos, deixou o Fidesz em fevereiro de 2024, em protesto contra o indulto a condenados por crimes sexuais. No mês seguinte, assumiu a liderança do até então praticamente desconhecido Tisza com uma proposta voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Então, de certa forma, também surfa na onda da antipolítica.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho de 2024, o Tisza ficou em segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, com cerca de 30% dos votos, a maior votação de um partido de oposição na Hungria desde 2006. Magyar se define como conservador nos costumes e politicamente, e liberal em economia, um europeu com uma visão crítica.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos do ditador Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC, eles formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e de ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição por se unir a uma estrangeira. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por soldados de Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, uma terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da Legião Estrangeira da França poucos minutos depois.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente e o comandante do Exército são cristãos, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe contra o rei Hussein e é alvo de um massacre no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A Guerra Civil Libanesa (1975-90) começa com combates entre guerrilheiros palestinos e milícias cristãs. 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, depois que Israel invade o país em 6 de junho para expulsar a OLP. Sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 mil pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixa quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

"Mestre do apocalipse" ganha o Prêmio Nobel de Literatura

 O escritor húngaro László Krasznahorkai ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2025 por "sua obra convincente e visionária que, no meio de um terror apocalíptico, reafirma o poder da arte", anunciou hoje em Estocolmo, na Suécia, o comitê responsável pela premiação. Ele só tem um livro publicado no Brasil, Sátántangó, o Tango de Satã.

"László Krasznahorkai é um grande escritor épico na tradição da Europa Oriental de Franz Kafka a Thomas Bernhard, e é caracterizado pelo absurdismo e o excesso grotesco. Mas há mais cordas no seu arco, e ele também ao adotar um tom mais contemplativo, finamente calibrado", declarou o comitê. É mais conhecido no mundo anglo-saxão, onde recebeu o Booker Prize em 2015.

O autor premiado nasceu em 1954 em Gyula, na Hungria, perto da fronteira a Romênia na região da Transilvânia, terra do personagem de ficção Conde Drácula, inspirado pelo príncipe Vlad, o Impalador, que usou o terror na luta contra a expansão do Império Otomano no século 15. Filho de uma família vista como "burguesa", sofria preconceito das autoridades comunistas.

Com a abertura política da Era Gorbachev, em 1987, vai para Berlim. Depois da queda do Muro de Berlim, ele viaja pelo mundo inteiro. Nos anos 1990, faz várias viagens à Ásia e se fixa em Berlim. Fica um tempo em Trieste, na Itália para fugir da atmosfera neofascista criada pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.

Entre suas influências, estão os escritores Franz Kafka, Herman Melville, Nikolai Gogol e Samuel Beckett. Leu Kafka desde o infância. Talvez o mais influente desses autores seja Melville, autor de Moby Dick, a luta do homem com a natureza representada por uma baleia. A escritora norte-americana Susan Sontag o comparou a este "mestre do apocalipse".

Seus romances se caracterizam sobretudo pelos aspectos sombrios e obscuros. De acordo com o jornal francês Le Monde, o sentimento de um fim iminente rivaliza com a falta de esperança, a entropia e a vaidade dos messianismos teológico ou secular. Para Krasznahorkai, "o homem é um monstro."

Krasznoharkai escreve com frases longas. Seus monólogos às vezes se estendem por centenas de páginas como em Melancolia da Resistência. Seu compositor favorito é Johann Sebastian Bach. Ele gosta de jazz e rock, mas acredita que a música entrou em declínio depois do barroco.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos do ditador Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC, eles formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, uma terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da França poucos minutos depois.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente e o comandante do Exército são cristãos, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe contra o rei Hussein e é  alvo de um massacre no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A Guerra Civil Libanesa (1975-90) começa com combates entre guerrilheiros palestinos e milícias cristãs. 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, depois que Israel invade o país em 6 de junho para expulsar a OLP. Sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 mil pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixa quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos de Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, um terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da França.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis das, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde tentam dar um golpe contra o rei Hussein e são massacrados no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos, o que leva à Guerra Civil Libanesa (1975-90). 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, que Israel invade em 6 de junho para atacar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Com a invasão israelense, sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 ml pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixou quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças. 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Papa, Lula e Xi Jinping se empenham pela paz na Ucrânia

O papa Francisco revelou que está negociando a paz na Ucrânia. Francisco visitou a Hungria, governada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, um extremista de direita que talvez hoje seja o único aliado do ditador russo Vladimir Putin na União Europeia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez vários apelos por diálogo. Mas quem tem poder mesmo sobre Putin é a China.

Na semana passada, o ditador chinês, Xi Jinping, falou pela primeira vez desde o início da guerra, há um ano e dois meses, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Xi prometeu enviar uma missão de paz a Kiev para chegar ao que chamou de "uma solução negociada" para a "crise ucraniana".

Durante uma hora de conversa que Zelensky descreveu como produtiva, Xi não falou em guerra, em linha com o discurso de Putin, que chama a guerra de "operação militar especial". Ontem, os Estados Unidos estimaram que pelo 20 mil soldados russos morreram na Ucrânia e outros 80 mil foram feridos. A Rússia admite muito menos mortes. Meu comentário:
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 9 de Novembro

NOITE DOS CRISTAIS

    Em 1938, numa amostra inicial do Holocausto, os nazistas lançam uma onda de terror atacando sinagogas, cemitérios, escolas, casas e lojas de judeus na Alemanha e na Áustria.

Cerca de 100 judeus são mortos, 7,5 mil lojas depredadas, centenas de sinagogas, túmulos, escolas e casas são vandalizadas. Dez mil judeus são presos e enviados a campos de concentração. Meses depois, são soltos com a promessa de deixar a Alemanha.

SARTRE DENUNCIA O COMUNISMO

    Em 1956, depois da brutal invasão soviética para esmagar uma revolta na Hungria, o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre denuncia o regime comunista, a União Soviética e a conivência do Partido Comunista Francês (PCF).

Sartre nasce em Paris em 1905 e se torna um expoente do existencialismo, uma corrente filosófica que não vê sentido na vida e considera que a existência precede a essência: "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que fazemos daquilo que fazem de nós.

Ao comentar o massacre da revolta húngara em entrevista à revista L'Express, Sartre declara: "Eu condeno totalmente a invasão soviética sem qualquer reserva. Sem imputar qualquer responsabilidade ao povo russo, eu insisto que o governo atual cometeu um crime... 

"E o crime, para mim, não é só a invasão de Budapeste por tanques, mas o fato de que foi tornada possível por 12 anos de terror e imbecilidade... É e será impossível restabelecer qualquer tipo de contato com os homens que lideram atualmente o PCF. Cada sentença que eles proferem, cada ação que tomam é a culminação de 30 anos de mentiras e esclerose."

QUEDA DO MURO DE BERLIM

    Em 1989, o regime comunista da Alemanha Oriental autoriza a sair do país simplesmente apresentando o passaporte num posto de fronteira e abre o Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha é ocupada e dividida entre os aliados: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Em 1949, os setores norte-americano, francês e britânico se unem para formar a Alemanha Ocidental. A parte soviética vira a Alemanha Oriental.

Diante da fuga em massa de alemães orientais para o Ocidente, na madrugada de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro e transforma o país numa prisão e num símbolo da divisão do mundo.

Com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, começa uma era de abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) que leva a uma onda de revoluções liberais nos países comunistas do Bloco Soviético, na Europa Oriental, em 1989.

Depois da Hungria, que abre a cortina de ferro em 2 de maio, e da Polônia, que realiza as primeiras eleições democráticas em junho, chega a vez da Alemanha Oriental. A queda do muro leva à reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Viagem aprofunda isolamento internacional de Bolsonaro

Delírio nas redes bolsonaristas: “Bolsonaro evitou a Terceira Guerra Mundial.” 

Seria uma piada, se não estivesse em jogo uma guerra prestes a explodir entre Rússia e Ucrânia. Ontem, houve 30 violações do cessar-fogo. Na média, eram três por dia na guerra entre o governo ucraniano e rebeldes apoiados pela Rússia no Leste da Ucrânia. 

Em realidade, a viagem feita sob medida para captar imagens para apresentar o presidente Jair Bolsonaro como estadista na campanha aprofundou ainda mais o isolamento internacional do presidente e de sua antipolítica externa. É uma resposta à viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi recebido como estadista na Espanha, na França, na Alemanha e no Parlamento Europeu. 

Quem vai a Moscou hoje, como o presidente da França, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Alemanha, Olaf Scholz, e do Reino Unido, Boris Johnson, faz um apelo ao ditador Vladimir Putin pela paz na Europa. 

Bolsonaro manifestou solidariedade à Rússia. É uma grande potência que ameaça um vizinho muito menor que prometeu proteger quando a Ucrânia abriu mão de sua parte do arsenal nuclear da União Soviética, em 1994.

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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 9 de Novembro

NOITE DOS CRISTAIS

    Em 1938, numa amostra inicial do Holocausto, os nazistas lançam uma onda de terror atacando sinagogas, cemitérios, escolas, casas e lojas de judeus na Alemanha e na Áustria.

Cerca de 100 judeus são mortos, 7,5 mil lojas depredadas, centenas de sinagogas, túmulos, escolas e casas são vandalizadas. Dez mil judeus são presos e enviados a campos de concentração. Meses depois, são soltos com a promessa de deixar a Alemanha.

SARTRE DENUNCIA O COMUNISMO

    Em 1956, depois da brutal invasão soviética para esmagar uma revolta na Hungria, o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre denuncia o regime comunista, a União Soviética e a conivência do Partido Comunista Francês (PCF).

Sartre nasce em Paris em 1905 e se torna um expoente do existencialismo, uma corrente filosófica que não vê sentido na vida e considera que a existência precede a essência: "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que fazemos daquilo que fazem de nós.

Ao comentar o massacre da revolta húngara em entrevista à revista L'Express, Sartre declara: "Eu condeno totalmente a invasão soviética sem qualquer reserva. Sem imputar qualquer responsabilidade ao povo russo, eu insisto que o governo atual cometeu um crime... E o crime, para mim, não é só a invasão de Budapeste por tanques, mas o fato de que foi tornada possível por 12 anos de terror e imbecilidade... É e será impossível restabelecer qualquer tipo de contato com os homens que lideram atualmente o PCF. Cada sentença que eles proferem, cada ação que tomam é a culminação de 30 anos de mentiras e esclerose."

QUEDA DO MURO DE BERLIM

    Em 1989, o regime comunista da Alemanha Oriental autoriza a sair do país simplesmente apresentando o passaporte num posto de fronteira e abre o Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria. 

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha é ocupada e dividida entre os aliados: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Em 1949, os setores norte-americano, francês e britânico se unem para formar a Alemanha Ocidental. A parte soviética vira a Alemanha Oriental.

Diante da fuga em massa de alemães orientais para o Ocidente, na madrugada de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro e transforma o país numa prisão e num símbolo da divisão do mundo.

Com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, começa uma era de abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) que leva a uma onda de revoluções liberais nos países comunistas do Bloco Soviético, na Europa Oriental, em 1989.

Depois da Hungria, que abre a cortina de ferro em 2 de maio, e da Polônia, que realiza as primeiras eleições democráticas em junho, chega a vez da Alemanha Oriental. A queda do muro leva à reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990.

sábado, 23 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos de Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César, que desde 43 AC formam com Lépido o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956, uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura e é atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, um terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados. O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindicou a autoria dos atentados, que causaram a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis das, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, tentam dar um golpe contra o rei Hussein e são massacrados no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos, o que leva à Guerra Civil Libanesa (1975-90). 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, que Israel invade em 6 de junho para atacar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Com a invasão israelense, sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns. 

O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas apresentam sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 ml pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixou quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 morreram, inclusive 156 crianças.

domingo, 19 de julho de 2020

UE não chega a acordo sobre plano de recuperação

Apesar de enfrentar a pior crise econômica de sua história, os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo neste fim de semana sobre um plano de recuperação. A Alemanha e a França propuseram a mobilização de 750 bilhões de euros, cerca de R$ 4,615 trilhões, sendo 500 bilhões em ajuda direta e 250 bilhões em empréstimos. 

Quatro países ricos, os quatro frugais (Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia), resistem a dar ajuda sem contrapartida e os dois governos de extrema direita (Hungria e Polônia) rejeitam a exigência de respeitar as regras do Estado de Direito. As negociações continuam nesta segunda-feira.

Na reunião de cúpula de emergência realizada em Bruxelas, na Bélgica, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, porta-voz dos quatro frugais, sugeriu uma redução da ajuda direta, sem contrapartida, a 350 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,153 trilhões, e mais 350 bilhões em empréstimos. Quer também condicionar o desembolso a reformas nos países mais atingidos pela doença do coronavírus de 2019: Itália e Espanha.

A Alemanha, a Espanha, a França e a Itália querem um mínimo de 400 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,461 trilhões, em ajuda direta. Houve um avanço. Quando a proposta foi feita pela chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em maio, Rutte e o primeiro-ministro austríaco, Sebastian Kurz, rejeitaram toda ajuda direta.

Merkel e Macron defendem que a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, tome empréstimos de 500 bilhões de euros coletivamente, em nome dos 27 países-membros. Desta maneira, conseguiriam juros muito mais baixos do que seriam obtidos pelos países em maiores dificuldades econômicas, como Espanha, Itália e Grécia.

Enquanto os líderes da Alemanha e da França estão extremamente frustrados com os quatro frugais, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, adverte que está em jogo o futuro da UE.

Já o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orbán acusou seu colega holandês de odiar a Hungria. Ele exige que qualquer suspensão dos desembolsos por desrespeito ao Estado de Direito precise de  unanimidade. Assim, os governos de extrema direita da Hungria e da Polônia, que atacam a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, poderiam vetar a sanção.

A Hungria e Polônia podem querer barganhar uma ajuda maior, disse ao jornal inglês Financial Times um diplomata que participou das negociações.

Um acordo "não será construído sacrificando as ambições da Europa", desabafou o presidente Macron. "Não por uma questão de princípios, mas porque estamos enfrentando uma crise de saúde, econômica e social sem precedentes, porque nossos países precisam e porque a unidade da Europa precisa."

Se a União das Comunidades Europeias não for capaz de dar uma resposta conjunta num momento destes, para que serve a UE? Corre o risco de virar apenas uma zona de livre comércio. Deixaria de ser uma comunidade.

Para o jornal liberal alemão Süddeutsche Zeitung, "foi um dia de cólera entre governos e modelos europeus divergentes" e "uma tragédia porque mostra a impotência da Alemanha e da França", eixo central da UE, que mostraram uma "rara unidade" ao formular a proposta.

O problema acontece no momento de maior crise do projeto de integração da Europa. Além da pandemia do novo coronavírus, a UE está sob o impacto da saída do Reino Unido, a segunda maior economia do continente, num mundo em que os Estados Unidos de Donald Trump se afastam dos aliados europeus, sabotam a integração e acirram o conflito com a China, cada vez mais agressiva sob a ditadura de Xi Jinping.

Mais do que nunca, a Europa precisa de união para se apresentar como um modelo alternativo às superpotências que fomentam uma nova guerra fria.

domingo, 8 de abril de 2018

Primeiro-ministro antiliberal é reeleito na Hungria

Antiliberal, antieuropeu, antissemita e anti-imigrantes, Viktor Orban é o protótipo de líder do neopopulismo nacionalista que ressuscita o fantasma do fascismo na Europa Oriental pós-comunista. Acaba de ser reeleito para um terceiro mandado consecutivo de primeiro-ministro da Hungria. 

Com 93% dos votos apurados, a aliança de seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz), com o Partido Popular Democrata-Cristão (KDNP) deve eleger mais de 133 dos 199 deputados da Assembleia Nacional, garantindo a maioria de dois terços necessárias para mudar a Constituição. 

No discurso da vitória, Orban afirmou que o resultado dava aos húngaros "a oportunidade de se defender e de defender a Hungria". Os inimigos? Estrangeiros, muçulmanos, a burocracia de Bruxelas, o liberalismo ocidental e o bilionário húngaro naturalizado americano George Soros.

O Fidesz nasceu em 1988, fundado por jovens estudantes na época da abertura dos regimes comunistas da Europa Oriental promovida pelo líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev. A Hungria tinha o regime mais liberal e a economia mais aberta do Bloco Soviético. Foi o país que abriu a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, meses antes da queda do Muro de Berlim.

Depois da derrota nas eleições de 1994, Orban assumiu a liderança do partido e o levou para uma linha mais conservadora, nacionalista e populista. No último comício, na sexta-feira passada, o tema central foi o fantasma do estrangeiros: "A imigração é como uma ferrugem que lenta mas seguramente vai consumir a Hungria."

Nos últimos anos, ele não aceitou receber uma parcela dos refugiados que entraram na União Europeia proporcional à população. É contra o aprofundamento da integração europeia e se aproximar do ditador da Rússia, Vladimir Putin, que tentou fazer um acordo comercial bilateral para romper com as regras da UE.

Em segundo lugar, com 20% dos votos, ficou o partido nacionalista Jobbik, que marchou para o centro e formaria governo com o Partido Socialista, que teve 12%, e o partido verde, quarto colocado com 7%, se Orban não tivesse maioria.

O governo ganhou nas zonas rurais e nas pequenas cidades, enquanto as oposições conquistaram a maioria das cadeiras da capital, Budapeste.

Tanto o líder do Jobbik, Gabor Vona, quanto o socialista, Gyula Molnar, renunciaram. "O objetivo do Jobbik, ganhar as eleições e forçar uma mudança no governo, não foi atingido. A Fidesz ganhou. Ganhou de novo", lamentou Vona. "Nós nos consideramos responsáveis pelo que aconteceu e entendemos a decisão dos eleitores", declarou Molnar.

A vitória de Orban é uma derrota para a sociedade civil, grupos de defesa dos direitos humanos, a luta contra a corrupção e os meios de comunicação independentes. O primeiro-ministro promete "acertar as contas morais, políticas e legais" com seus adversários.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Estupro é aceito por 27% dos europeus em certas condições

Se a vítima estava bêbada, usava roupas provocantes e não disse não claramente, cerca de 27% dos habitantes da União Europeia consideram que manter relações sexuais é "justificável ou aceitável", indica uma pesquisa realizada pelo instituto TNS a pedido da Comissão Europeia nos 28 países-membros do bloco, noticiou a televisão francesa.

A pesquisa foi realizada de 4 a 13 de junho e divulgada ontem. A Romênia e a Hungria são os países onde proporcionalmente mais entrevistados consideraram o estupro "aceitável", enquanto na Suíça e na Espanha houve maior rejeição.

Os entrevistados responderam a várias perguntas. A central era: "As pessoas pensam que manter relações sexuais sem consentimento pode ser justificado com certas situações. Você pensa que isso se aplica às circunstâncias seguintes?"

Outras questões sondaram a percepção sobre violência sexual, assédio sexual e violência ligada ao sexo. Pelo menos 70% consideraram a violência e o assédio sexuais contra mulheres comuns em seus países. Um terço disseram que os homens também são vítimas de violência sexual.

Na França, a cada ano, em média 223 mil mulheres sofrem violência conjugal, 84 mil são violentadas, vítimas de tentativa de estupro ou de agressão sexual. Um número de telefone para ligações de emergência por violência social recebe 50 mil chamadas por ano.

domingo, 2 de outubro de 2016

Governo da Hungria perde referendo contra política de refugiados da UE

Numa derrota para o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orban, o não à política da União Europeia de distribuir refugiados de acordo com a população de seus países-membros venceu um referendo realizado hoje na Hungria, mas a consulta popular não valeu por causa da abstenção.

Orban, que migrou do liberalismo para a ultradireita ao sabor dos ventos da opinião pública, tenta sabotar as políticas da UE ao mesmo tempo em que reaproxima a Hungria da Rússia. Desta vez, fracassou.

O índice de comparecimento às urnas foi de 45% e os votos válidos somaram apenas 42%. Para o referendo ser válido, a metade dos votos terá de ser válida.