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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos do ditador Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC, eles formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e de ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição por se unir a uma estrangeira. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por soldados de Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, uma terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da Legião Estrangeira da França poucos minutos depois.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente e o comandante do Exército são cristãos, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe contra o rei Hussein e é alvo de um massacre no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A Guerra Civil Libanesa (1975-90) começa com combates entre guerrilheiros palestinos e milícias cristãs. 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, depois que Israel invade o país em 6 de junho para expulsar a OLP. Sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 mil pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixa quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos do ditador Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC, eles formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, uma terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da França poucos minutos depois.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente e o comandante do Exército são cristãos, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe contra o rei Hussein e é  alvo de um massacre no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A Guerra Civil Libanesa (1975-90) começa com combates entre guerrilheiros palestinos e milícias cristãs. 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, depois que Israel invade o país em 6 de junho para expulsar a OLP. Sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 mil pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixa quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos de Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, um terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da França.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis das, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde tentam dar um golpe contra o rei Hussein e são massacrados no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos, o que leva à Guerra Civil Libanesa (1975-90). 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, que Israel invade em 6 de junho para atacar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Com a invasão israelense, sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 ml pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixou quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças. 

sábado, 11 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 11 de Dezembro

ABDICAÇÃO DE EDUARDO VIII
    Em 1936, depois de menos de um ano no trono, o rei Eduardo VIII, da Inglaterra, abdica para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana duas vezes divorciada, o que era proibido para um monarca do Reino Unido.

Eduardo nasceu em 1894. É o filho mas velho de George V, que ascende ao trono em 1910. Ele não se casa até 40 anos. Em 1934, se apaixona pela socialite norte-americana Wallis Simpson, mulher do empresário anglo-norte-americano Ernest Simpson. Ela casara com um piloto da Marinha dos Estados Unidos e se divorciara.

O rei George V morre em janeiro de 1936 sem discutir a questão com o herdeiro do trono. O novo rei é popular. Marca a coroação para maio de 1937. Em 27 de outubro de 1936, Wallis se divorcia do segundo marido, o que deflagra o escândalo.

A Igreja da Inglaterra e a maioria dos políticos britânicos não aceita o romance real. Uma exceção é o deputado Winston Churchill.

Na noite de 11 de dezembro de 1936, Eduardo VIII faz um pronunciamento pelo rádio anunciando que é "impossível carregar a pesada responsabilidade e exercer meus deveres como rei, como eu gostaria de fazer, sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo."

No dia seguinte, seu irmão mais moço, o Duque de York, é proclamado o rei George VI, pai da atual rainha, Elizabeth II.

RÚSSIA INVADE CHECHÊNIA
    Em 1994, o Exército da Rússia invade a república rebelde da Chechênia na maior ação militar do país desde a invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.

Com o colapso da URSS, em 1991, várias repúblicas declaram independência. Mas a Chechênia não é uma república soviética. Faz parte da Federação Russa. Então, sua independência não será tolerada. De maioria muçulmana, conquistada pela Rússia nos anos 1850, sempre foi rebelde.

Em agosto de 1991, Djokhar Dudaiev, ex-oficial da Força Aérea da URSS, derruba o regime comunista e instala um governo hostil a Moscou, provocando a reação da Rússia.

As forças russas enfrentam forte resistência em Grozny. Milhares de soldados russos morrem. Em agosto de 1996, os rebeldes chechenos retomam Grozny. A Rússia se retira em 1997.

Quando Vladimir Putin vira primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999, para se firmar no poder, inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) depois de ações terroristas de extremistas muçulmanos no vizinho Daguestão e uma série de atentados em Moscou em que há suspeita de envolvimento do serviço secreto russo. A ferro e fogo, a Rússia vence, com um total de mortes estimado entre 50 e 250 mil pessoas.

PROTOCOLO DE QUIOTO
    Em 1997, a Conferência das Partes (CoP) da Convenção Quadro sobre Mudança do Clima aprova o Protocolo de Quioto, no Japão, pelo qual 38 países desenvolvidos se comprometem a reduzir até 2012 as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5,2%, em média, em relação aos níveis de 1990.

Um dos principais negociadores em Quioto é o então vice-presidente dos Estados Unidos, Albert Gore Jr., mas o Senado do país nunca ratifica o protocolo. O argumento, que havia sido usado pelo presidente George Herbert Walker Bush durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), é que, ao não incluir a China e outros países em desenvolvimento, daria uma desvantagem competitiva para a economia norte-americana.

O fracasso do Protocolo de Quioto leva ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015, que incluiu todos os países do mundo, menos a Síria. Todos apresentam metas voluntárias de redução das emissões de gases carbônicos e não correm o risco de punições ou sanções se não cumprirem o prometido.

Na CoP, realizada em novembro de 2021, os países foram pressionados a apresentar metas mais ambiciosos. Se o que foi prometido até agora for cumprido, o que não está sendo, a expectativa dos cientistas é de um aumento de 2,7 graus centígrados na temperatura média da Terra até o fim do século em relação à era pré-industrial. A meta é conter o aquecimento global em 1,5 grau centígrado.

BERNIE MADOFF PRESO
    Em 2008, o bilionário norte-americano Bernard Madoff é preso sob a acusação de fraudar clientes com uma pirâmide financeira de US$ 65 bilhões que desaba com a crise deflagrada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers.

Ao contrário do que acontece no Brasil, não foi necessária sentença condenatória transitada em julgado para mantê-lo preso. Madoff morreu na cadeia em abril de 2021.

sábado, 23 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

 BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos de Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César, que desde 43 AC formam com Lépido o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956, uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura e é atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, um terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados. O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindicou a autoria dos atentados, que causaram a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis das, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, tentam dar um golpe contra o rei Hussein e são massacrados no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos, o que leva à Guerra Civil Libanesa (1975-90). 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, que Israel invade em 6 de junho para atacar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Com a invasão israelense, sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns. 

O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas apresentam sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 ml pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixou quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 morreram, inclusive 156 crianças.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Estado Islâmico reivindica autoria de atentado na Chechênia

Uma série de quatro ataques coordenados contra a polícia foi realizada hoje em Grozni, a capital da Chechênia, uma república da Federação Russa situada no Norte do Cáucaso. Pelo menos uma pessoa morreu e várias saíram feridas, noticiou o jornal russo The Moscow Times.

Houve poucas ações terroristas na Chechênia no ano passado, mas os alvos e as táticas utilizadas indicam que a região continua sendo alvo de ataques terroristas. O grupo jihadista Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos atentados de hoje.

A Chechênia é uma república de maioria muçulmana que se rebelou contra o governo central de Moscou depois do fim da União Soviética, em 1991. A Primeira Guerra da Chechênia durou de dezembro de 1994 a agosto de 1996 e terminou com uma humilhante derrota da Rússia.

Quando o atual ditador russo, Vladimir Putin, chegou ao poder em 1999, como primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, depois de atentados no vizinho Daguestão, iniciou a Segunda Guerra da Chechênia, que foi de agosto de 1999 a maio de 2000. Terminou com a vitória russa, mas a insurgência armada só acabou em 2009 e há resquícios até hoje.

domingo, 13 de maio de 2018

Terrorista de Paris era um jovem nascido na Chechênia

O terrorista morto ontem na capital da França depois de matar uma pessoa e ferir outras quatro a facadas foi identificado como Khamzat Asimov, de 20 anos, nascido na república da Chechênia, na Federação Russa, e naturalizado francês desde 2010. Ele não tinha antecedentes criminais, mas desde 2016 estava na lista da polícia de jovens radicalizados pelo extremismo muçulmano.

Os dois feridos que estavam em estado grave melhoraram. Não correm mais risco de vida.

A lista dos serviços secretos franceses inclui cerca de 10 mil suspeitos de islamismo radical, de manter contato com movimentos terroristas, torcedores de futebol violentos e membros de grupos de extrema direita e extrema esquerda.

Asimov entrou na lista quando morava em Estrasburgo, antes de se mudar para Paris com a mãe, por andar com uma turma de chechenos que pretendiam ir para a Síria lutar ao lado da organização terrorista Estado Islâmico, que reivindicou a responsabilidade pelo atentado, embora talvez tenha apenas inspirado a ação.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Putin ameaça os EUA em sua campanha eleitoral

A 17 dias da eleição presidencial na Rússia, em que é franco favorito, o protoditador Vladimir Putin aproveitou o Discurso sobre o Estado da União para ameaçar o Ocidente, advertindo que o país tem uma nova geração de armas nucleares capaz de furar quaisquer defesas.

"Os esforços para conter a Rússia fracassaram", vangloriou-se Putin num discurso de duas horas em que apresentou videoclipes das novas armas, inclusive drones submarinos, mísseis intercontinentais e um sistema hipersônico que "voa para o alvo como um meteorito".

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, afastado em seguida por motivo de saúde. Esta será sua quarta eleição presidencial. Depois de dois mandatos, de 2008 a 2012, ele trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Mas sempre mandou na Rússia.

O atual czar de todas as Rússias trabalhava no escritório da polícia política soviética, o KGB (Comitê de Defesa do Estado), em Dresden, na Alemanha Oriental, quando sentiu a força do poder popular, como revela este perfil da televisão pública britânica BBC.

Em 5 de novembro de 1989, quatro dias antes da abertura do Muro de Berlim, a multidão tomou as ruas de Dresden, atacou o Ministério de Segurança do Estado (Stasi), a polícia política da Alemanha Oriental. O escritório do KGB, do outro lado da rua, logo se tornou alvo.

Quando o ataque parecia inevitável, Putin avisou os manifestantes que seus homens estavam armados e reagiriam a bala. Ele ligou para a guarnição mais próxima do Exército Vermelho pedindo apoio.

"Não podemos fazer nada sem a autorização de Moscou", respondeu o oficial do outro lado da linha, e Moscou está em silêncio."

Essa frase assombrou Putin. Mais tarde, quando era vice-prefeito de São Petersburgo, declarou num debate público que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Antes de virar primeiro-ministro, ele foi chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB.

Sua obsessão desde que chegou ao poder é restaurar o poder imperial da Rússia czarista e da URSS. Putin acabou com as eleições diretas para governador das 85 unidades administrativas da Federação Russa, a pretexto de evitar o surgimento de movimentos nacionalistas como na Chechênia.

Sob Putin, o Kremlin voltou a intervir diretamente nos assuntos internos dos países que considera parte de sua esfera de influência. Isso inclui tanto das ex-repúblicas soviéticas, o antigo império interior soviético, chamado hoje na Rússia de "exterior próximo", quanto os países do antigo Bloco Soviético, como a Hungria e a Polônia, onde Putin apoia governos de ultradireita contrários à União Europeia e à democracia liberal.

Depois do liberalismo caótico da era Yeltsin, Putin aproveitou a bonança dos anos de petróleo caro para recuperar a economia e recolocar o Estado no centro de tudo. A prosperidade econômica lhe valeu popularidade. Com o fracasso de Yeltsin, os russos queriam um líder autoritário e linha dura.

A Rússia que ameaça o Ocidente é governada por um ex-oficial do KGB ressentido com a perda de poder e prestígio de seu império decadente. Com uma população de 145 milhões de habitantes e uma economia baseada em produtos primários, a Rússia só é superpotência hoje no plano militar.

Na sua visão estreita e autoritária do mundo, Putin considera as revoluções Rosa, na ex-república soviética da Geórgia, em 2003, e Laranja, na ex-república soviética da Ucrânia, em 2004, como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

Por isso, a Rússia atacou a Geórgia em agosto de 2008, aproveitando uma tentativa do presidente Mikheil Saakachvili de tentar retomar o controle de regiões controladas por rebeldes fantoches do Kremlin.

Em 2011, quando, em plena Primavera Árabe, multidões protestaram contra as eleições parlamentares da Rússia, Putin viu a influência maligna do Ocidente, em especial da então secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Isso ajudaria a explicar, em parte, a campanha russa para sabotar a candidatura democrata na última eleição presidencial nos EUA.

Diante da nova revoltar popular na Ucrânia, Putin interveio militarmente e anexou a região da Crimeia em março de 2014. Em seguida, fomentou uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil que se arrasta até hoje.

A reação ocidental, com a imposição de sanções à Rússia, rebaixou as relações do Kremlin com os EUA e a Europa ao pior nível desde o fim da URSS e da Guerra Fria, em 1991. Bombardeiros russos voltaram a fazer voos provocadores no espaço aéreo de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. E a Rússia interveio decisivamente na guerra civil da Síria, a partir de setembro de 2015.

Com a modernização das Forças Armadas depois da vergonhosa derrota na Primeira Guerra da Chechência (1994-96), Putin não só ganhou a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que consolidou seu poder. Recolocou a indústria bélica da Rússia entre as maiores exportadoras de armas do mundo.

O único setor industrial em que a Rússia compete no mercado internacional é o de armas. Como ninguém vai testar em curto prazo a eficácia dos novos mísseis e drones, Putin pode marchar tranquilo para mais uma reeleição.

A investigação sobre um possível conluio do Kremlin com a candidatura do presidente Donald Trump para derrubar Hillary Clinton rendeu a maior propaganda que Putin poderia esperar. Os meios de comunicação dos EUA não param de falar em como a Rússia usou as redes sociais para manipular a democracia americana, apresentando Putin como o super-homem de seus sonhos.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ditador da Chechênia manda atirar para matar agentes russos

Num desafio ao Kremlin, Ramzan Kadirov, o ditador da república da Chechênia, uma das 85 unidades da Federação Russa, autorizou há dois dias as forças de segurança locais a "atirar para matar" agentes que realizem operações na Chechênia sem seu consentimento, revelou hoje a Rádio Europa Livre.

Suas declarações foram divulgadas dois dias depois que a polícia da região vizinha de Stavropol matou um checheno.

As tensões entre o líder checheno e o governo Vladimir Putin aumentaram desde o assassinato do líder da oposição Boris Nemtsov, em Moscou, a 50 metros das muralhas do Kremlin, em 27 de janeiro de 2015.

Durante as investigações, a polícia russa prendeu dois agentes chechenos de Kadirov, que chegaram a confessar o crime e depois recuaram. O líder checheno chegou a atribuir a morte a muçulmanos indignados com o apoio de Nemtsov aos jornalistas franceses mortos no ataque terrorista contra o jornal humorístico Charlie Hebdo.

Ramzan Kadirov é filho de Akhmad Kadirov, um senhor da guerra que terminou sendo cooptado por Moscou e governou a Chechênia de 5 de outubro de 2003 a 9 de maio de 2004, depois da Segunda Guerra da Chechênia. Akhmad oi assassinado por extremistas muçulmanos durante a parada militar para festejar o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial. Mantém com Moscou a mesma relação dúbia do pai.

O líder checheno tem seu exército privado, Kadirovtsy, fez fortuna com o petróleo da Chechência e é acusado de graves violações dos direitos humanos.

terça-feira, 17 de março de 2015

Navalny: morte de Nemtsov seria impossível sem aval do Kremlin

Três semanas depois da morte do amigo e aliado, o principal líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, se recusa a aceitar a versão oficial de que foi uma conspiração de muçulmanos chechenos descontentes com o apoio de Boris Nemtsov aos jornalistas do Charlie Hebdo: "Excluo totalmente a possibilidade de que este assassinato tenha sido cometido sem a autorização do poder."

Em entrevista ao jornal francês Le Monde, Navalny acrescentou: "Tendo estado eu mesmo sob a vigilância do Serviço Federal de Segurança [antigo KGB], como estava Boris Nemtsov, é impossível que não tenham visto o assassino nem a preparação do assassinato." O presidente russo, Vladimir Putin, foi diretor do SFS antes de chegar ao Kremlin.

Mesmo sem uma ordem direta do Kremlin, Navalny está convencido de que deve ter havido uma sugestão de alguém do círculo íntimo do poder na Rússia para o senhor da guerra e presidente da república da Chechênia, Ramzan Kadirov: "Esperamos sua ajuda contra a quinta coluna."

Navalny lembrou uma cerimônia realizada num estádio em Grozni, a capital chechena, em 28 de dezembro de 2014. Kadirov exortou 20 mil homens em armas a "tomar iniciativas" e a "seguir as ordens de Putin".

segunda-feira, 9 de março de 2015

Aliado de Nemtsov rejeita versão oficial culpando chechenos

Um aliado do líder oposicionista russo Boris Nemtsov, assassinado em 27 de fevereiro de 2015 a 50 metros das muralhas do Kremlin, rejeita a versão oficial culpando dois islamitas chechenos supostamente descontentes com o apoio da vítima ao jornal francês Charlie Hebdo, atacado por terroristas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015.

"É uma versão útil ao Kremlin" porque desvia a atenção da responsabilidade do governo e "tira [o presidente] Vladimir Putin da linha de tiro", afirmou Ilia Yachin, cofundador, com Nemtsov, do movimento Solidarnost (Solidariedade) e do Partido Republicano da Rússia, citado pelo jornal liberal inglês The Guardian.

No sábado, o Serviço Federal de Segurança (SFS), o serviço secreto da Rússia, herdeiro do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, prendeu dois chechenos, Anzor Gubachev e Zaur Dudaev, e acusou este último de ter disparado os quatro tiros que mataram Nemtsov. Dois dias depois, o oposicionista denunciaria Putin como responsável pela guerra na Ucrânia e a crise econômica russa numa manifestação transformada em funeral de protesto.

Dudaiev era um agente da polícia secreta do senhor da guerra Ramzan Kadirov, convertido em presidente da República da Chechênia, uma das unidades administrativas da Federação Russa, depois que Putin não conseguiu derrotá-lo.

O homem-forte do Kremlin marcou sua chegada ao poder como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, em 1999, iniciando a Segunda Guerra da Chechênia depois de ações guerrilheiras no Norte do Cáucaso e de atentados em Moscou atribuídos a terroristas chechenos sem a apresentação de provas consistentes. Os atentados foram atribuídos a agentes secretos russos. Putin era diretor-geral do SFS antes de chegar ao poder central. A guerra matou um total estimado em 50 a 80 mil pessoas.

Kadirov apressou-se hoje em apoiar a versão oficial do Kremlin: o principal assassinato político da Rússia na era Putin seria apenas mais uma vingança contra as caricaturas do profeta Maomé publicadas em jornais do Ocidente.

O homem-forte checheno será condecorado pelo Kremlin com a Ordem de Honra pelos "serviços prestados à pátria", assim como o ex-agente e ex-deputado Andrei Lugovoi, denunciado no Reino Unido por matar outro ex-agente russo, Alexander Litivinenko, envenenado com polônio radioativo em novembro de 2006.

"Zaur era um genuíno patriota da Rússia. Era subcomandante de um batalhão, um dos soldados mais corajosos e destemidos do regimento", escreveu o homem-forte da Chechênia numa rede social da Internet. "Todos os que conheceram Zaur confirmam que ele era profundamente religioso e, como todos os muçulmanos, ficou chocado com as atividades do Charlie e os comentários em apoio à publicação das caricaturas."

Os partidários do líder morto não acreditam nisso. "Nossos piores temores estão se confirmando", lamenta Ilia Yachin. "O atirador será culpado e os mandantes do assassinato de Nemtson ficarão livres."

sábado, 31 de maio de 2014

Líder checheno nega ter enviado soldados à Ucrânia

O presidente da república autônoma da Chechênia, Ramzan Kadirov, negou hoje ter enviado soldados ao Leste da Ucrânia, onde rebeldes separatistas apoiados pelo Kremlin luta para se anexar à Federação Russa. Mas admitiu que eles podem ter ido por conta própria e alegou não poder impedir isso.

Para o líder rebelde da cidade ucraniana de Donetsk, eles são "voluntários russos". Kadirov declarou que enviaria soldados, se o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o pedisse.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Atentado contra trólebus mata mais 14 em Volgogrado

O segundo atentado terrorista suicida em dois dias contra a cidade de Volgogrado, no Sul da Rússia, matou pelo menos 14 pessoas hoje elevando o total de mortos para 31. Aumenta a ameaça dos extremistas muçulmanos de sabotar a Olimpíada de Inverno de Sóchi, que começa em 7 de fevereiro de 2014, observa a televisão americana CNN.

As autoridades russas disseram que as duas bombas eram da mesma natureza. Ontem, o alvo foi a estação ferroviária da cidade, antes conhecida como Stalingrado, cenário da batalha mais importante da Segunda Guerra Mundial. O presidente Vladimir Putin prometeu um combate implacável aos jihadistas.

Putin foi nomeado primeiro-ministro da Rússia pelo então presidente Boris Yeltsin, em 1999. Seu primeiro desafio foi a rebelião no Norte do Cáucaso, principalmente na república da Chechênia, que derrotara o Exército da Rússia na Primeira Guerra da Chechênia (1994-96) e foi esmagada na Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que continua desde então com ações de menor intensidade, especialmente terroristas.

Em consequência deste conflito, houve violentas ações terroristas contra o Teatro Dubrovk, em Moscou, de 23 a 26 de outubro de 2002, com pelo menos 170 mortes; uma escola primária em Beslã, na Ossétia do Norte, em 2004, de 1º a 3 de setembro de 2004, com 334 mortes; e contra duas estações do metrô de Moscou, em 29 de março de 2010, com 40 mortos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Suspeito do ataque a Boston recebe 30 acusações

Um júri federal dos Estados Unidos aceitou hoje a denúncia com 30 acusações contra Djokhar Tsarnaev, o suspeito sobrevivente do atentado à Maratona de Boston em 15 de abril de 2013, inclusive por uso de armas de destruição e quatro mortes, três na chegada da corrida e um guarda do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Dezessete dessas acusações podem ser punidas com prisão perpétua ou a morte. O outro suspeito, Tamerlan Tsarnaev, irmão mais velho de Djokhar, considerado o idealizador da ação terrorista, morreu no cerco policial.

Ambos eram de família da Chechênia, uma república muçulmana da Federação Russa situado no Norte do Cáucaso que foi alvo de duas guerras brutais do governo central desde os anos 1990s, onde Tamerlan teria sido seduzido por pregadores extremistas muçulmanos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CIA queria terrorista de Boston na lista de suspeitos

A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, pediu há mais de um ano à principal agência antiterrorista do país que incluísse na lista de suspeitos de um dos acusados pelo ataque à Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013.

O pedido foi feito em 2011 depois que autoridades da Rússia entraram em contato para advertir que Tamerlan Tsarnaev estava se tornando cada vez mais um islamita radical e que planejava viajar ao exterior. Ele esteve durante seis meses nas repúblicas muçulmanas russa do Daguestão e da Chechênia. Não se sabe se entrou em contato com grupos radicais.

Antes do pedido da CIA, o FBI, a polícia federal americana, tinha encerrado um inquérito preliminar sobre Tamerlan aberto depois de um pedido de informações das autoridades russas.

"Havia preocupação de que ele tivesse algum tipo de ligação com o terrorismo. Fizemos tudo o que era legalmente possível com as poucas informações que tínhamos. Não encontramos nenhum indício de ilegalidade", admitiu o porta-voz do FBI, Paul Bresson, citado pelo jornal The Washington Post.

Cenário de duas guerras brutais, a Chechênia é um território proibido, especialmente para jornalistas e ativistas dos direitos humanos.

Tamerlan morreu em confronto com a polícia dos EUA na noite de quinta para sexta-feira da semana passada. Seu irmão Djokhar Tsarnaev foi preso, mas está gravamente ferido. Não consegue falar. Responde aos interrogadores por escrito.

terça-feira, 6 de março de 2012

Urna na Chechênia tinha 107% de votos

No pior estilo da extinta União Soviética, em uma seção eleitoral da república russa da Geórgia, a participação de 107%. Havia 7% votos a mais do que o total de eleitoral inscritos. Só um era contra o primeiro-ministro Vladimir Putin, que volta à Presidência da Rússa depois de passar a cadeira por um mandato para seu pau-mandado Dimitri Medvedev, informa o jornal The New York Times.

O primeiro-ministro, presidente e virtual ditador terá de enfrentar uma luta pela legitimidade. Hoje houve uma grande manifestação de protesto em Moscou contra as inúmeras fraudes como a da Chechênia, arrasada por Putin numa guerra brutal.

A capital russa foi oficialmente o único lugar onde o primeiro-ministro teve menos da metade dos votos.

Stalin dizia que "o importante não é a eleição, é o resultado". Putin segue a mesma filosofia política.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Preso suspeito pela morte de Anna Politkovskaya

Cinco anos depois do assassinato da jornalista e defensora dos direitos humanos Anna Politkovskaya, o ex-coronel Dimitri Pavlyuchenkov foi preso ontem como suspeito de organizar o crime, informa a revista alemã Der Spiegel.

No primeiro julgamento, Pvlyuchenkov foi testemunha de acusação. Agora, os investigadores acreditam que ele recebeu dinheiro para contratar os assassinos da jornalista, uma crítica feroz das políticas do Kremlin, especialmente na guerra civil na república da Chechênia.

A polícia ainda não esclareceu quem seria o mandante do crime.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rebelde checheno reivindica ataque a aeroporto

O líder rebelde checheno Doku Umarov reivindicou a autoria do atentado que matou 36 pessoas no mês passado no principal aeroporto de Moscou e da Rússia.

Em vídeo colocado no sítio de Internet dos rebeldes muçulmanos do Norte do Cáucaso, Umarov afirma ter ordenado pessoalmente o ataque. Uma foto do homem-bomba foi apresentada como prova de sua responsabilidade.

Umarov também assumiu a autoria dos ataques que mataram 40 pessoas no metrô de Moscou em 29 de março de 2010.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Duas explosões matam pelo menos 38 em Moscou

Duas terroristas suicidas mataram pelo menos 38 pessoas hoje no metro de Moscou. Elas podem fazer parte do grupo chamado de Viúvas Negras, as mulheres dos chechenos mortos nas guerras com a Rússia.

A primeira explosão foi pouco antes das 8h na estação Lubyanka, onde 24 pessoas morreram, e a segunda às 9h37min na estação Park Kultury, onde outras 14 pessoas morreram, na hora de maior movimento de passageiros.

Lubyanka é a estação que leva ao Serviço Federal de Informações, sucessor do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política da União Soviética. A estação Park Cultury serve o Parque Gorki, famoso ponto de encontro de espiões durante a Guerra Fria.

O governo da Rússia culpa rebeldes muçulmanos do Norte do Cáucaso que lutam pela independência da Chechênia, mas o ministro do Exterior, Sergei Lavrov, falou que os atentados podem ter sido planejados no Afeganistão.

De qualquer maneira, foram atentados cometidos por fundamentalistas muçulmanos que levam conflitos da periferia da Federação Russa para sua capital.

Numa reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional da Rússia que começou com um minuto de silêncio, o diretor do serviço de segurança, Alexander Bortnikov, fez um relato dos atentados, atribuindo-os a duas mulheres do Norte do Cáucaso. O presidente Dimitri Medvedev prometeu levar a luta contra o terrorismo até o fim.

Já o primeiro-ministro Vladimir Putin interrompeu uma viagem à Sibéria. Em pronunciamento público, jurou "aniquilar" os terroristas.

O patriarca da Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia pediu solidariedade diante do mal. Em nome da comunidade muçulmana, o Supremo Múfti do país pediu desculpas a todos os russos, enquanto o presidente checheno, Ramzan Kadirov, se associou à linguagem de Putin, jurando acabar com os terroristas.

Mais tarde, quando as estações do metrô foram reabertas, os passageiros deixaram flores em homenagem aos mortos. Putin visitou feridos no hospital e Medvedev foi pessoalmente colocar flores na estação Lubyanka.

Logo depois da fracassada tentativa de golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, várias repúblicas soviéticas proclamaram a independência. Entre elas, surgiu a declaração de independência da Chechênia, uma república da Federação Russa.

A Chechênia é uma das 89 unidades administrativas da Rússia. O governo Boris Yeltsin primeiro ignorou e depois passou a acusar o governo checheno de cumplicidade e conivência com o crime organizado no Norte do Cáucaso.

Em 31 de dezembro de 1994, Yeltsin ordenou a invasão da Chechênia. Foram dois anos de guerra. O Exército da Rússia, herdeiro do Exército Vermelho, que derrotou 85% das tropas nazistas na Segunda Guerra Mundial, perdeu a Primeira Guerra da Chechênia. Pelo menos 40 mil pessoas morreram.

A partir de 1997, a Chechênia viveu um breve período de autonomia sob a liderança de Aslan Maskhadov.

Depois das ações do senhor da guerra Shamil Bassaiev no Daguestão, em agosto de 1999, e de uma série de atentados terroristas em Moscou em setembro de 1999, o então recém-nomeado primeiro-ministro Vladimir Putin, ex-diretor do Serviço Federal de Segurança, de reafirmar sua liderança.

Em outubro de 1999, Putin lançou a Segunda Guerra da Chechênia. Seu sonho sempre foi restaurar o poder imperial da era soviética. Tinha uma oportunidade.

Com uma política de terra arrasada, retomou Grozny em alguns meses. No fim da guerra, a capital chechena mais parecia uma cidade-fantasma. Mais 30 mil pessoas morreram. A Chechênia nunca foi pacificada.

Desde então, houve vários atentados terroristas atribuídos a grupos armados muçulmanos do Norte do Cáucaso. Em 2002, um ataque a um teatro em Moscou terminou com mais de cem mortes por causa do gás usado pela polícia para deter os terroristas.

O pior de todos os incidentes foi o ataque a uma escola primária da cidade de Beslã, na Ossétia do Norte. Mais de 330 pessoas foram mortas, na maioria crianças, quando as forças de segurança da Rússia atacaram a escola, completamente minada por bombas instaladas pelo comando terrorista.

Em novembro passado, houve um ataque contra o trem Moscou-São Petersburgo, o mais importante do país.