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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ditador da Rússia ataca democracia liberal e o Ocidente

Em mais um desafio à democracia liberal e ao Ocidente, o ditador da Rússia, Vladimir Putin, afirma que o liberalismo está obsoleto por causa da reação negativa à globalização da economia e à imigração. Antes de viajar para a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, ele deu entrevista no Kremlin ao jornal inglês Financial Times.

Putin era um oficial do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética, em Dresden na Alemanha Oriental, quando começaram as manifestações que levaram à queda do Muro de Berlim e ao fim do comunismo. Anos depois, comentou que "o fim da URSS foi a maior tragédia geopolítica do século 20."

Depois de dirigir o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, ele chegou ao poder em 1999, primeiro como primeiro-ministro de Boris Yeltsin e depois como presidente. Desde então, tenta restaurar o poder imperial soviético. Provocar o ataque o Ocidente como nos tempos da Guerra Fria é uma forma de fingir que tem o poder do passado. Meu comentário:

quinta-feira, 1 de março de 2018

Putin ameaça os EUA em sua campanha eleitoral

A 17 dias da eleição presidencial na Rússia, em que é franco favorito, o protoditador Vladimir Putin aproveitou o Discurso sobre o Estado da União para ameaçar o Ocidente, advertindo que o país tem uma nova geração de armas nucleares capaz de furar quaisquer defesas.

"Os esforços para conter a Rússia fracassaram", vangloriou-se Putin num discurso de duas horas em que apresentou videoclipes das novas armas, inclusive drones submarinos, mísseis intercontinentais e um sistema hipersônico que "voa para o alvo como um meteorito".

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, afastado em seguida por motivo de saúde. Esta será sua quarta eleição presidencial. Depois de dois mandatos, de 2008 a 2012, ele trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Mas sempre mandou na Rússia.

O atual czar de todas as Rússias trabalhava no escritório da polícia política soviética, o KGB (Comitê de Defesa do Estado), em Dresden, na Alemanha Oriental, quando sentiu a força do poder popular, como revela este perfil da televisão pública britânica BBC.

Em 5 de novembro de 1989, quatro dias antes da abertura do Muro de Berlim, a multidão tomou as ruas de Dresden, atacou o Ministério de Segurança do Estado (Stasi), a polícia política da Alemanha Oriental. O escritório do KGB, do outro lado da rua, logo se tornou alvo.

Quando o ataque parecia inevitável, Putin avisou os manifestantes que seus homens estavam armados e reagiriam a bala. Ele ligou para a guarnição mais próxima do Exército Vermelho pedindo apoio.

"Não podemos fazer nada sem a autorização de Moscou", respondeu o oficial do outro lado da linha, e Moscou está em silêncio."

Essa frase assombrou Putin. Mais tarde, quando era vice-prefeito de São Petersburgo, declarou num debate público que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Antes de virar primeiro-ministro, ele foi chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB.

Sua obsessão desde que chegou ao poder é restaurar o poder imperial da Rússia czarista e da URSS. Putin acabou com as eleições diretas para governador das 85 unidades administrativas da Federação Russa, a pretexto de evitar o surgimento de movimentos nacionalistas como na Chechênia.

Sob Putin, o Kremlin voltou a intervir diretamente nos assuntos internos dos países que considera parte de sua esfera de influência. Isso inclui tanto das ex-repúblicas soviéticas, o antigo império interior soviético, chamado hoje na Rússia de "exterior próximo", quanto os países do antigo Bloco Soviético, como a Hungria e a Polônia, onde Putin apoia governos de ultradireita contrários à União Europeia e à democracia liberal.

Depois do liberalismo caótico da era Yeltsin, Putin aproveitou a bonança dos anos de petróleo caro para recuperar a economia e recolocar o Estado no centro de tudo. A prosperidade econômica lhe valeu popularidade. Com o fracasso de Yeltsin, os russos queriam um líder autoritário e linha dura.

A Rússia que ameaça o Ocidente é governada por um ex-oficial do KGB ressentido com a perda de poder e prestígio de seu império decadente. Com uma população de 145 milhões de habitantes e uma economia baseada em produtos primários, a Rússia só é superpotência hoje no plano militar.

Na sua visão estreita e autoritária do mundo, Putin considera as revoluções Rosa, na ex-república soviética da Geórgia, em 2003, e Laranja, na ex-república soviética da Ucrânia, em 2004, como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

Por isso, a Rússia atacou a Geórgia em agosto de 2008, aproveitando uma tentativa do presidente Mikheil Saakachvili de tentar retomar o controle de regiões controladas por rebeldes fantoches do Kremlin.

Em 2011, quando, em plena Primavera Árabe, multidões protestaram contra as eleições parlamentares da Rússia, Putin viu a influência maligna do Ocidente, em especial da então secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Isso ajudaria a explicar, em parte, a campanha russa para sabotar a candidatura democrata na última eleição presidencial nos EUA.

Diante da nova revoltar popular na Ucrânia, Putin interveio militarmente e anexou a região da Crimeia em março de 2014. Em seguida, fomentou uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil que se arrasta até hoje.

A reação ocidental, com a imposição de sanções à Rússia, rebaixou as relações do Kremlin com os EUA e a Europa ao pior nível desde o fim da URSS e da Guerra Fria, em 1991. Bombardeiros russos voltaram a fazer voos provocadores no espaço aéreo de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. E a Rússia interveio decisivamente na guerra civil da Síria, a partir de setembro de 2015.

Com a modernização das Forças Armadas depois da vergonhosa derrota na Primeira Guerra da Chechência (1994-96), Putin não só ganhou a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que consolidou seu poder. Recolocou a indústria bélica da Rússia entre as maiores exportadoras de armas do mundo.

O único setor industrial em que a Rússia compete no mercado internacional é o de armas. Como ninguém vai testar em curto prazo a eficácia dos novos mísseis e drones, Putin pode marchar tranquilo para mais uma reeleição.

A investigação sobre um possível conluio do Kremlin com a candidatura do presidente Donald Trump para derrubar Hillary Clinton rendeu a maior propaganda que Putin poderia esperar. Os meios de comunicação dos EUA não param de falar em como a Rússia usou as redes sociais para manipular a democracia americana, apresentando Putin como o super-homem de seus sonhos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Rússia suspende cooperação nuclear com os EUA

Em sua guerrinha fria inconsequente contra o Ocidente, o presidente Vladimir Putin anulou por decreto um acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar excedentes de plutônio que não possam ser mais usados em armas nucleares.

Ao acusar os EUA de atitude "inamistosa", Putin indica que outros acordos de desarmamento e cooperação nuclear estão sob ameaça. Até mesmo o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro da história a eliminar armas atômicas, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente americano, Ronald Reagan, e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, corre risco de ser abandonado.

Aquele acordo eliminou os mísseis nucleares de curto e médio alcance das duas superpotências. Foi um marco do fim da Guerra Fria.

Putin subiu na vida como agente da polícia política soviética, o sinistro Comitê de Defesa do Estado (KGB) e considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Ele foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB, ainda o núcleo político do regime.

Desde que chegou ao poder no Kremlin, em 1999, Putin tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Faz isso ressuscitando a indústria bélica, intervindo política e militarmente nas outras ex-repúblicas soviéticas e, desde o ano passado, também na guerra civil da Síria.

Com a intervenção militar na Ucrânia e a anexação da Península da Crimeia, em 2014, Putin violou o acordo de 1994 que garantia a segurança do país em troca da entrega de todas as armas nucleares da antiga URSS à Rússia. Em resposta, os EUA e a União Europeia impuseram sanções econômicas à Rússia.

Sem sombra do poder econômico das superpotências de hoje, os EUA e a China, só resta ao protoditador do Kremlin fustigar as potências ocidentais. Suas bravatas servem mais para consumo interno, mas podem levar a incidentes que provoquem uma escalada.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Justiça britânica acusa Kremlin por morte de ex-agente em Londres

O governo da Rússia é responsável pela morte do ex-agente secreto Alexander Litvinenko em Londres em novembro de 2006, que provavelmente foi aprovada pessoalmente pelo presidente Vladimir Putin, concluiu o juiz Robert Owen, que presidiu o inquérito sobre o assassinato.

Owen está certo de que Litvinenko foi envenenado por um chá com o elemento radioativo Polônio-210 que tomou com dois agentes russos num hotel de luxo da capital do Reino Unido, onde estava asilado. Os suspeitos são Andrei Lugovoi, hoje deputado do Parlamento da Rússia, e Dimitri Kovtun.

O juiz vê uma "forte probabilidade" de que o crime tenha sido cometido pelo Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, onde Putin fez carreira.

Em Moscou, o governo russo negou qualquer responsabilidade. O porta-voz do Kremlin acusou o inquérito de ter sido "distorcido politicamente" e afastou qualquer chance de extraditar os suspeitos.

A viúva do ex-agente, Marina Litvinenko, elogiou o resultado da investigação e pediu ao governo britânico que adote sanções contra a Rússia e proíba a entrada de Putin no Reino Unido.

Durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro David Cameron disse que "foi um crime cometido pelo Estado russo", mas não anunciou nenhuma medida retaliatória.

No seu leito de morte, Litvinenko acusou Putin. O ex-agente era ligado ao oligarca Boris Berezovski, que se mudou para o Reino Unido depois de cair em desgraça com o homem-forte do Kremlin.

domingo, 25 de outubro de 2015

URSS temia ataque nuclear de surpresa em 1983

Com o discurso agressivo do presidente Ronald Reagan chamando a União Soviética de "império do mal" e a instalação de mísseis nucleares de curto alcance na Europa Ocidental, o Kremlin temia um ataque nuclear dos Estados Unidos durante manobras militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de novembro de 1983, revelam documentos sigilosos desclassificados neste mês pelo governo americano, revela o jornal The Washington Post.

"Em 1983, inadvertidamente, deixamos as relações com a URSS por um fio", concluiu o documento ultrassecreto agora liberado.

O mundo vivia o momento mais tenso da chamada Segunda Guerra Fria, iniciada com a invasão soviética no Afeganistão, em dezembro de 1979, depois de anos de distensão com as visitas do presidente Richard Nixon à China e à URSS em 1972.

A eleição do conservador Reagan para a Casa Branca em 1980 acirrou os ânimos. Reagan prometeu não ceder mais nem um centímetro de território ao comunismo. Invadiu a pequena ilha de Granada, no Mar do Caribe, e hostilizava Cuba e a Revolução Sandinista na Nicarágua.

Em 23 de março de 1983, o presidente americano anunciou o lançamento do programa Guerra nas Estrelas, um sistema de defesa para derrubar mísseis inimigos disparados contra os EUA. Isso era proibido pelo Tratado de Mísseis Antibalísticos, mais conhecido como MAD (loucura ou destruição mutuamente assegurada, em inglês) e daria uma vantagem importante aos EUA.

Desde os anos 1970s, os soviéticos temiam a superioridade americana em tecnologia de informação. Sabiam que não teriam recursos para competir numa nova fase da corrida armamentista.

Em 1º de setembro de 1983, um caça soviético derrubou um Boeing 747 da companhia sul-coreana Korean Air que ia para os EUA via polo norte com um deputado americano a bordo.

Dois meses depois, a OTAN começava a instalar os mísseis Pershing II. A operação Arco Hábil mobilizou tropas da aliança atlântica do Reino Unido à Turquia. As manobras militares da OTAN eram realizadas todos os anos, simulando uma guerra nuclear. Naquele ano, havia uma novidade: os aviões levariam mísseis ocos, sem ogivas nucleares.

O alarma na URSS era enorme e os EUA não perceberam, concluiu o documento O Temor de Guerra Soviético, de 109 páginas, de 15 de fevereiro de 1990, desclassificado neste mês a pedido do Arquivo de Segurança Nacional, uma organização não governamental ligada à Universidade George Washington.

A Força Aérea do Pacto de Varsóvia na Alemanha Oriental e na Polônia foi colocada em estado de alerta e realizou 36 voos de reconhecimento, enquanto os agentes secretos dos países do bloco soviético procuravam no mundo inteiro indícios de preparação para uma guerra atômica. De 4 a 10 de novembro, a URSS e aliados só realizaram voos de reconhecimento. Todos os aviões de combate estavam de prontidão.

Alguns detalhes da paranoia e da preparação soviética para a guerra total foram revelados pela defecção do agente duplo Oleg Gordievsky, um oficial do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, que fugiu para o Reino Unido em 1985.

Yuri Andropov, o diretor do KGB que seria dirigente supremo da URSS de 1982 a 1984, era um dos mais assustados. Em 1981, Andropov declarou numa conferência do KGB que o governo Reagan estava se preparando para uma guerra nuclear e poderia lançar um primeiro ataque.

Essas preocupações foram ampliadas por um sistema de análise de informações do serviço secreto soviético baseado num modelo de computação que media mudanças na "correlação de forças" entre as duas superpotências. Seu objetivo era avaliar quando "a deterioração do poder soviético poderia tentar os EUA a lançar um primeiro ataque".

O ideal, na visão dos estrategistas soviéticos, é que o país tivesse 70% do poderio americano ou pelo menos 60%. Todo mês o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista recebia relatórios desse computador.

Quando o poderio soviético declinou para 45%, por mais absurdo que pareça confiar num modelo matemático, os hierarcas do Kremlin tinham um elemento racional para comprovar o desequilíbrio estratégico. Em janeiro de 1983, quando Andropov chegou ao poder supremo, o KGB acrescentou um quinto nível de alerta máximo para "ataques inimigos de surpresa usando armas de destruição em massa em progresso".

Em 8 de março de 1983, Reagan qualificou a URSS como o "império do mal". Os dirigentes soviéticos levaram a sério. No verão daquele ano no Hemisfério Norte, começaram a avisar a população sobre a localização de abrigos nucleares. Várias vezes por dia a rádio e a televisão alertavam para o risco de uma guerra nuclear.

Depois do abate do Jumbo sul-coreano e da instalação da mísseis da OTAN na Europa, no fim de 1983, o 4º Esquadrão da Força Aérea da URSS, estacionado na Polônia, recebeu ordens para tirar os mísseis nucleares do arsenal e instalá-los nos aviões bombardeiros.

A mobilização não foi total. Havia dúvidas do lado soviético, mas seus estrategistas estavam convencidos de que um ataque começaria sob o disfarce de treinamento militar.

Reagan, o grande provocador, só soube do temor soviético de uma guerra nuclear iminente em memorando da CIA (Agência Central de Inteligência) de junho de 1984.

Em 11 de março de 1985, com as mortes de Andropov e de seu sucessor, Konstantin Chernenko, Mikhail Gorbachev ascendia ao cargo de secretário-geral do PCUS. Com sua abertura democrática (glasnost) e reforma econômica (perestroika), a URSS se aproximou do Ocidente.

Gorbachev negociou com Reagan um tratado para remoção dos mísseis nucleares de curto e médio alcances da Europa, o primeiro reduzindo os arsenais nucleares das superpotências. Foi assinado na Casa Branca em 8 de dezembro de 1987.

A burocracia soviética se mostrou irreformável e a URSS acabou em 1991, depois do fracasso de um golpe da linha-dura contra Gorbachev. Agora, em sua tentativa de fazer uma guerrinha fria com o Ocidente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, outro ex-oficial do KGB, quer anular esse e outros acordos de desarmamento nuclear.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Kerry pede compromisso da Rússia com paz na Ucrânia

Durante visita a Kiev, o secretário de Estado americano, John Kerry, exigiu da Rússia um compromisso claro com a paz na ex-república soviética da Ucrânia: "A paz aqui depende da Rússia." O governo ucraniano está pedindo armas ao Ocidente para enfrentar o que denuncia como uma intervenção militar.

"Não podemos ignorar a presença de tanques e tropas russas que lideram os chamados rebeldes no campo de batalha", acusou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, dizendo que tudo o que está pedindo já foi aceito pela Rússia no acordo de paz firmado em Minsk em setembro de 2014.

Nos últimos dias, os separatistas apoiados pelo Kremlin lançaram nova ofensiva no Leste do país na guerra que já custou 5,4 mil vidas. Moscou nega qualquer interferência, mas há inúmeros relatos de ex-combatentes russos, inclusive vazados na Internet.

O presidente Vladimir Putin, que chegou ao poder com o apoio da máfia de São Petersburgo, depois de dirigir o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política soviética, usa as técnicas de desestabilização clássicas dos paramilitares do Ministério do Interior.

A ofensiva coincide com um forte declínio da economia da Rússia sob o peso das sanções dos EUA e da Europa contra a intervenção militar na Ucrânia e da queda nos preços do petróleo nos últimos meses. Putin vai à guerra para recuperar a popularidade e a legitimidade interna.

Se o Ocidente armar a Ucrânia, Putin reforçará o discurso oficial russo, que apresenta o atual Exército ucraniano como uma força mercenária a serviço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Se não fizer isso, a intervenção militar russa será um passeio banhado em sangue.

Um acordo de paz assinado em setembro passado em Minsk, a capital da Bielorrússia, foi claramente violado. Para o comandante militar dos EUA na Europa, general Philip Breedlove, a Rússia e os rebeldes apoiados pelo Kremlin aproveitaram a trégua de Natal para planejar a ofensiva em marcha.

O presidente da França, François Hollande, e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, chegou hoje a Kiev com uma proposta de paz que levam amanhã a Moscou.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Livro denuncia cleptocracia de Putin

Todas as grandes empresas que surgiram na Rússia pós-comunista receberam ajuda, influência política e dinheiro de ex-agentes secretos do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política e verdadeiro núcleo do poder na União Soviética, de onde saiu o atual homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, aliado do Brasil no grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes economistas emergentes.

Seu poder apoia sobre uma teia de negócios suspeitos, descreve a cientista política Karen Dawisha, professora da Universidade de Miami em Ohio, no livro A Cleptocracia de Putin: quem é dono da Rússia?, resenhado pelo jornal The Wall St. Journal.

A conspiração para capturar bens e ativos, inclusive o dinheiro, do Estado soviético em colapso começa nos anos 1980s. Diante das reformas de Mikhail Gorbachev, em 23 de agosto de 1990, um ano antes do golpe que tentou derrubá-lo e acabou destruindo a URSS, o Comitê Central do Partido Comunista baixou decreto autorizando "medidas urgentes para organizar as atividades econômicas e comerciais do partido dentro e fora do país".

O decreto defendia "a necessidade de um canal autônomo para chegar ao caixa do partido... com o objetivo final de criar uma estrutura econômica invisível".

Putin foi oficial do KGB de 1975 a 1991, mas não há indícios de seu envolvimento com atividades ilegais naquela época, só depois, quando ele começou a trabalhar em São Petersburgo, conhecida como o "paraíso dos gângsteres". Quando chefiou o Comitê de Relações Exteriores da cidade, que dava autorizações para importar e exportar, desapareceram US$ 100 milhões de exportações de matérias-primas.

Dawisha faz a mais minuciosa investigação divulgada até hoje sobre a corrupção na Rússia, sua história e origens. Vai além de O Homem sem Face, de Masha Gessen, outra crítica feroz ao líder que sonha em restaurar pelo menos parte do poder imperial soviético e da Rússia czaristas, como se vê na mal dissimulada intervenção militar na Ucrânia.

Desde que chegou ao poder, em 1999, Putin criou "um regime que tenta controlar as empresas privatizadas, restringir a democracia e resgatar o status de superpotência da Rússia", argumenta a pesquisadora.

terça-feira, 18 de março de 2014

Crimeia tem direito à secessão mas não à moda Putin

Em princípio, os habitantes da Crimeia têm direito à autodeterminação. Afinal, o Quebec, no Canadá, e a Escócia, no Reino Unido, fizeram vários referendos e vão continuar tentando. O problema é como isso aconteceu na Ucrânia.

Não havia um movimento organizado de independência da Crimeia. Tropas russas sem insígnia tomaram o parlamento regional na madrugada de 27 de fevereiro de 2014. Em seguida, os deputados pró-russos realizaram uma sessão sem o quórum mínimo e elegeram Serguei Axionov, um empresário suspeito de realizar negócios ilícitos, como governador regional.

A partir daí, começaram os preparativos para o plebiscito. O novo governo ucraniano convocou eleições para 25 de maio, o que daria tempo suficiente para realizar uma campanha e fazer coincidir as votações, como aliás destacou a embaixadora dos EUA, Samantha Power, na sessão do Conselho de Segurança da ONU, que condenou o referendo por 13-1, mas foi vetada por Moscou.

Então, em primeiro lugar, sob intervenção militar, as condições eram inadequadas para uma consulta popular democrática. Apesar da maioria de russos étnicos (58% da Crimeia), que deveria ser suficiente para garantir a vitória, houve muitas outras irregularidades.

A Constituição da Ucrânia exige que todo o país vote mudanças territoriais. Putin alegou que o novo governo era ilegítimo, fruto de um golpe, para rejeitar todos os tratados assinados entre os dois países, inclusive o Memorando de Budapeste, em que a Ucrânia cedeu à Rússia todas as armas nucleares herdadas da União Soviética em troca de garantias de segurança

A cédula de votação dava duas alternativas: anexação à Rússia ou maior autonomia dentro da Ucrânia, com base na Constituição de 1992, já revogada. Não havia alternativa de manter o status quo e continuar sendo uma república autônoma da Ucrânia.

Na campanha eleitoral, a Rússia e sua mídia estatal apresentaram a votação com um duelo entre a Rússia e os nazifascistas ucranianos do grupo radical Setor de Direita, que foi ativo nas barricadas da Praça da Independência, mas não participa do governo, aliás dominado por partidários da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, de fortuna suspeita.

A TV estatal russa chegou a noticiar que 675 mil ucranianos tinham fugido do país para escapar de supostos massacres cometidos pelo novo governo. Um repórter de jornal ocidental foi até a fronteira. Encontrou funcionários sonolentos em meio à rotina.

Aí veio a votação, apenas 10 dias depois da convocação do referendo, sem qualquer supervisão internacional. Houve inúmeras denúncias de fraude, desde cédulas pré-marcadas até votações maiores do que o número total de eleitores, como em Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro, onde o sim teve 123% como nas eleições da extinta URSS.

Assim, o povo da Crimeia tem direito à secessão, sim, mas não nos termos impostos pelo homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, que fez carreira dentro da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado) e usa seus métodos até hoje. Em seu discurso hoje diante do Parlamento da Rússia, Putin destacou "o resultado extremamente convincente", oficialmente com 96,7% de votos sim, no pior estilo das eleições soviéticas.

sábado, 28 de novembro de 2009

Rússia atribui acidente de trem a atentado terrorista

A Rússia afirma que o acidente com o trem Moscou-São Petersburgo que matou 39 pessoas foi causado pela explosão de uma bomba.

O Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do temido KGB (Comitê de Defesa do Estado)a temida polícia política da União Soviética, informou ao presidente Dimitri Medvedev que a bomba tinha o poder explosivo equivalente a sete quilos de TNT (trinitrotolueno).

Fiz duas vezes esta viagem nos anos 90, quando era estudante de pós-graduação em Londres. Havia algumas figuras sinistras a bordo. Uma colega americana pediu cobertura para ir ao banheiro durante a noite. Não poderia fazer nada contra bandidos armados.Mas fui.

Hoje o trem é moderno e luxuoso.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ativista russa morre na Chechenia

LONDRES - A jornalista e ativistas dos direitos humanos Natalia Estemirova foi sequestrada, morta com dois tiros e jogada numa estrada em Grozny, a capital da republica russa da Chechenia, que continua sendo um dos lugares mais perigosos do mundo, sobretudo para jornalistas e defensores dos direitos humanos.

Ela era amiga de Anna Politkovskaya, assassinada em 2006 no elevador do prédio onde morava, em Moscou, num crime não resolvido até hoje, com sérias suspeitas recaindo sobre o governo Vladimir Putin, um ex-chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor da temida polícia política soviética KGB (Comite de Defesa do Estado).

Agora, o maior suspeito é o governo checheno, presidido por Ramzan Kadyrov, um senhor da guerra convertido em aliado do Kremlin.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Kremlin anuncia guerra na Inguchétia

O governo da Rússia declarou que a república da Inguchétia, parte da Federação Russa e vizinha da Chechênia, na região do Cáucaso, é uma "zona de operações antiterroristas".

Em editorial, o jornal francês Le Monde acusa o presidente Vladimir Putin de "brincar com fogo".

Putin era primeiro-ministro da Rússia em 1999, quando iniciou a segunda Guerra da Chechênia depois de ações dos rebeldes na Inguchétia e de uma série de atentados em Moscou atribuídos a terroristas chechenos, embora haja fortes suspeitas de participação dos serviços secretos russos. Antes de ser nomeado primeiro-ministro, Putin dirigia o Serviço Federal de Segurança, o antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política da União Soviética.

No final de 1999, Yeltsin renunciou, passando a presidência a Putin. Com a popularidade conquistada graças à guerra, Putin foi eleito presidente em 2000 e arrasou a Chechênia, onde dezenas, talvez centenas, de milhares de pessoas foram mortas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Putin troca primeiro-ministro da Rússia

O presidente Vladimir Putin seguiu ontem o exemplo de seu antecessor, Boris Yeltsin, indicando um político desconhecido, Viktor Zubkov, para primeiro-ministro, em substituição a Mikhail Fradkov.

Yeltsin fez o mesmo com Putin em 1999. Deu-lhe a condução da segunda guerra na Chechênia e renunciou no final do ano, entregando-lhe a presidência, o que facilitou a primeira vitória eleitoral de Putin, na eleição presidencial de março de 2000. Reeleito em 2004, ele não pode ser novamente candidato, a não ser em caso de reforma constitucional. Mas quer manter a tradição russa de que o Kremlin indica o novo líder.

Putin era diretor do Birô Federal de Segurança, sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política da União Soviética. Zubkov sai do Serviço Federal de Controle de Atividades Financeiras, o que por si só representa uma ameaça aos oligarcas ou "barões ladrões" que fizeram fortuna com as privatizações da transição do comunismo para o capitalismo.

Moscou é hoje a cidade com mais milionários do mundo, fora os que fugiram do país temendo o autoritarismo de Putin, como Boris Berezovski, acusado de usar a MSI e o Corinthians para lavar dinheiro.

Com um burocrata cinzento como Zubkov como candidato em potencial, a imprensa alemã especula se Putin não estaria armando um esquema para conquistar um terceiro mandato. Energia não falta a esse ex-agente secreto elativamente jovem e atlético.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Russo acusa britânicos pela morte de ex-espião

O ex-agente secreto russo denunciado à Justiça do Reino Unido pelo assassinato de seu ex-colega Alexander Litvinenko contra-atacou hoje.

Em entrevista coletiva em Moscou, Andrei Lugovoi acusou o serviço secreto britânico MI6 pela morte de Litvinenko, que sofreu uma longa agonia de mais de três semanas, morrendo em 24 de novembro num hospital de Londres, depois de ser envenenado com o elemento radioativo polônio-210 em 1º de novembro. Ambos trabalharam para o Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política da extinta União Soviética.

A Rússia nega-se a extraditar Lugovoi, como quer a Justiça britânica.

"O papel principal nesta história sombria foi desempenhado pelos serviços secretos britânicos, seus agentes, Boris Berezovski e Litvinenko", afirmou Lugovoi. Berezovski, um dos magnatas da Rússia pós-soviética, tornou-se inimigo político do presidente Vladimir Putin e foi morar em Londres. Litvinenko dizia ser sido designado para matar Berezovski. Acabou trabalhando para o magnata.

A morte de Litvinenko teve todas as características das guerras de espiões da Guerra Fria. Foi atraído para uma cilada por relações pessoais e assassinado com um elemento raro e indetectável normalmente em aeroportos porque ninguém investiga sua presença na bagagem de passageiros civis.

Só a Rússia teria condições de contrabandear polônio radioativo, um elemento artificial, que não existe na natureza e é frabricado pelo homem.

Lugovoi alegou que Litvinenko estava trabalhando para o serviço secreto britânico, que teria tentado contratar o próprio Lugovoi como espião na Rússia.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Rússia não entrega suspeito da morte de Litvinenko

A Rússia vai rejeitar o pedido de extradição do ex-agente secreto Andrei Lugovoi, denunciado pela Procuradoria da Coroa do Reino Unido pela morte de outro ex-espião, Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com polônio-210, um elemento químico artificial radioativo, em novembro do ano passado. Ambos trabalharam para o KGB (Comitê de Defesa do Estado), a poderosa e temida polícia política da União Soviética, que virou o Birô de Segurança Federal (FSB, do inglês). O presidente Vladimir Putin era chefe do FSB antes de ser nomeado primeiro-ministro e presidente por Boris Yeltsin.

Em Londres, amigos de Litvinenko alegaram que a Justiça britânica deveria acusar diretamente o governo russo pelo assassinato. Eles argumentam que seria praticamente impossível conseguir e contrabandear polônio-210 sem o conhecimento das autoridades em Moscou.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Morte de ex-espião russo deixa pistas radioativas

O assassinato do ex-espião russo Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com Polônio-210, um elemento radioativo, como no tempo da Guerra Fria (1945-89), deixou uma trilha de contaminação que inclui 12 lugares em Londres, um avião que voou na rota para Moscou e duas pessoas.

Para a polícia britânica, estas pistas leverão ao assassino. Mas já há quem diga que o assassino ou o mandante do crime queriam mesmo que Litvinenko deixasse um rastro para saber por onde ele andava e talvez contaminar seus contatos.

A maior suspeita recai sobre o Serviço Federal de Segurança (FSB, do inglês) da Rússia, sucessor do antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da extinta União Soviética. O presidente Vladimir Putin dirigia o FSB antes de ser indicado primeiro-ministro e depois presidente por Boris Yeltsin, em 1999.

Naquele ano, houve uma série de atentados contra edifícios de apartamentos em Moscou atribuídos a terroristas chechenos. Os rebeldes chechenos liderados por Chamil Bassaiev tinham atacado em agosto a república vizinha da Inguchétia.

Os atentados de Moscou serviram de pretexto para uma nova e violenta guerra na Chechência. Desta vez, a Rússia ganhou, com uma política de terra arrasada. Putin, o homem-forte que vinha para restaurar o poder imperial russo, foi eleito presidente em março de 2000.

Litvinenko, que foram designado guarda-costas do bilionário Boris Berezovski, inimigo de Putin, disse que na verdade recebeu ordens para matá-lo. Em livro, acusou o serviço secreto russo pelos atentados de Moscou e fugiu para a Inglaterra.

No dia 1º de novembro, Litvinenko tinha um encontro com um contato que prometia lhe passar informações incriminando o governo russo pela morte, em outubro, da jornalista Anna Politkovskaya.

O assassino teria errado na dose, que não matou rapidamente, provocando uma agonia de 23 dias em que o caso foi exposto ao mundo, ou teria mesmo a intenção de rastrear as atividades do ex-espião assassinado.

Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko acusou o presidente Putin por sua morte.

Além da viúva de Litvinenko pelo menos um amigo do espião, o acadêmico italiano Mario Scaramella, foi contaminado pelo polônio-210, um material fácil de contrabandear porque é difícil detectá-lo, a não ser que se esteja procurando especificamente por ele.

O ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar (1991-91) também foi contaminado, durante uma viagem à Irlanda.

Analistas suspeitam que estes ataques faça parte do pesado jogo político para as próximas eleições parlamentares e presidenciais na Rússia.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Ex-espião russo acusou Putin por sua morte

Em declaração divulgada após sua morte, o ex-agente secreto russo Alexander Litvinenko acusou o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ele foi envenenado em 1 de novembro no estilo da Guerra Fria, durante encontro num restaurante japonês de Londres com um contato que lhe prometeu informações incriminando o governo russo pelo assassinato, em outubro, da jornalista Anna Politkovskaya, crítica feroz da atuação das Forças Armadas da Rússia na república rebelde da Chechênia.

A substância usada ainda não foi identificada. A polícia britânica investiga a presença de radioatividade no corpo do ex-espião. Foi encontrada grande quantidade de radiação alfa. O material radioativo era Polônio-210.

No final da nota, depois de agradecer aos britânicos pelas mensagens de apoio e de se declarar orgulhoso por ter se tornado cidadão do Reino Unido, Litvinenko dirigiu-se ao dirigente russo. Antes de se tornar primeiro-ministro e presidente, Putin chefiava o Escritório Federal de Segurança (FSB, do inglês), sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política da extinta União Soviética.

"Você pode ter sucesso em me silenciar mas este silêncio vem com um preço", denunciou Litvinenko. "Você mostrou ser bárbaro e inescrupuloso como seus críticos mais hostis alegam.

"Você mostrou não ter respeito pela vida, pela liberdade e por qualquer valor civilizado. Você se mostrou indigno do cargo que ocupa, indigno da confiança de homens e mulheres civilizados.

"Você pode ter sucesso em silenciar um homem mas o grito de protesto vai reverberar ao redor do mundo, Sr. Putin, em seus ouvidos pelo resto da vida.

"Que Deus o perdoe pelo que tem feito, não apenas para mim mas para a Rússia amada e seu povo."

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Ex-espião russo morre no estilo da Guerra Fria

Um ex-agente secreto da Rússia crítico do presidente Vladimir Putin morreu hoje à noite num hospital de Londres três semanas depois de ser envenenado. O crime teve todas as características dos assassinatos de espiões durante a Guerra Fria, a confrontação entre Estados Unidos e União Soviética que marcou a segunda metade do século 20.

Nesta quinta-feira, a situação de Alexander Litvinenko deteriorou-se, sem que os médicos do University College Hospital conseguissem descobrir a causa de sua doença.

Ele acreditava ter sido envenenado num encontro num restaurante japonês com uma pessoa que alegava ter informações ligando o governo Putin ao assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, no mês passado. Anna era uma das maiores críticas das violações de direitos humanos cometidos pelos russos na república rebelde da Chechênia, que luta pela independência desde 1991.

Seus sintomas - desidratação, problemas cardíacos e queda de cabelo - levaram os médicos a suspeitar de que o veneno foi o metal pesado tálio. Mas esta hipótese não foi confirmada pelos exames nem a de qualquer material radioativo. Um dos médicos, Amit Nathwani, admite que a causa da morte talvez nunca seja conhecida.

Litvinenko, de 43 anos, virou inimigo do governo russo desde que acusou o Kremlin de ser responsável por uma série de atentados contra edifícios residenciais que mataram centenas de pessoas em Moscou em 1999. Eles foram atribuídos a terroristas chechenos. Serviram de pretexto para desencadear a segunda Guerra da Chechênia, decisiva para a eleição de Putin como sucessor de Boris Yeltsin, em março de 2000. Yeltsin renunciou em 31 de dezembro de 1999, Putin assumiu o poder e foi confirmado nas urnas meses depois.

Putin era diretor do Escritório de Segurança Federal (FSB, do inglês) da Rússia, que sucedeu ao KGB (Comitê de Defesa do Estado), a temida polícia política da extinta União Soviética. Este assassinato teve todas as características dos crimes do KGB. O governo russo negou qualquer participação.

Para o porta-voz do KGB, a solução do crime deve ser procurada entre as conexões de Litvinenko com o submundo de Londres. O ex-espião assassinado deixou a Rússia em 2000 alegando estar sendo ameaçado de morte. Era associado ao megaempresário Boris Berezovsky, um dos chamados 'barões ladrões' que ficaram bilionários com as privatizações depois da queda do comunismo.

Berezovski também caiu em desgraça, assim como Mikhail Khodorkovsky, que era o homem mais rico da Rússia, dono da empresa de petróleo Yukos, e hoje está na cadeia, condenado a nove anos de prisão por fraude e evasão fiscal. Ambos financiaram campanhas de candidatos de oposição.