Em discurso hoje à tarde na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a primeira-ministra Theresa May considerou "muito provável" que o governo da Rússia seja responsável pela tentativa de assassinato do ex-agente duplo Serguei Skripal. Ele e a filha foram encontrados inconscientes numa praça da cidade de Salisbury, na Inglaterra, em 4 de março, e continuam hospitalizados em estado grave.
"Não podemos tolerar uma tentativa descarada de assassinar civis inocentes em nosso solo", bradou May.
A Rússia nega qualquer participação no ataque, mas restam poucas dúvidas. O governo britânico exigiu explicações da Rússia até amanhã à noite junto à Organização para a Proscrição de Armas Químicas (OPAQ), já que a arma usada foi um agente nervoso proibido. Caso contrário, ameaça impor novas sanções.
Skripal passou nomes de agentes russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2004, foi condenado a 13 anos de prisão, mas saiu numa troca de espiões realizada com os Estados Unidos, em 2010.
May quer o apoio e a solidariedade dos países da Europa, dos quais o Reino Unido está se afastando ao sair da União Europeia. Ela prometeu medidas duras. Durante o debate, um deputado chegou a sugerir o confisco de bens e propriedades de aliados do presidente Vladimir Putin no país.
Com a Brexit (saída britânica da UE), o Reino Unido fica mais frágil. May sabe que as relações econômicas com a Rússia serão importantes quando o país sair do processo de integração europeia.
Em novembro de 2006, o ex-espião russo Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras até morrer depois de ser envenenado por ex-colegas com Polônio-210 num hotel de Londres. O principal acusado, Andrei Lugovoi, é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 12 de março de 2018
Primeira-ministra britânica acusa Rússia de tentar matar agente duplo
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Justiça britânica acusa Kremlin por morte de ex-agente em Londres
O governo da Rússia é responsável pela morte do ex-agente secreto Alexander Litvinenko em Londres em novembro de 2006, que provavelmente foi aprovada pessoalmente pelo presidente Vladimir Putin, concluiu o juiz Robert Owen, que presidiu o inquérito sobre o assassinato.
Owen está certo de que Litvinenko foi envenenado por um chá com o elemento radioativo Polônio-210 que tomou com dois agentes russos num hotel de luxo da capital do Reino Unido, onde estava asilado. Os suspeitos são Andrei Lugovoi, hoje deputado do Parlamento da Rússia, e Dimitri Kovtun.
O juiz vê uma "forte probabilidade" de que o crime tenha sido cometido pelo Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, onde Putin fez carreira.
Em Moscou, o governo russo negou qualquer responsabilidade. O porta-voz do Kremlin acusou o inquérito de ter sido "distorcido politicamente" e afastou qualquer chance de extraditar os suspeitos.
A viúva do ex-agente, Marina Litvinenko, elogiou o resultado da investigação e pediu ao governo britânico que adote sanções contra a Rússia e proíba a entrada de Putin no Reino Unido.
Durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro David Cameron disse que "foi um crime cometido pelo Estado russo", mas não anunciou nenhuma medida retaliatória.
No seu leito de morte, Litvinenko acusou Putin. O ex-agente era ligado ao oligarca Boris Berezovski, que se mudou para o Reino Unido depois de cair em desgraça com o homem-forte do Kremlin.
Owen está certo de que Litvinenko foi envenenado por um chá com o elemento radioativo Polônio-210 que tomou com dois agentes russos num hotel de luxo da capital do Reino Unido, onde estava asilado. Os suspeitos são Andrei Lugovoi, hoje deputado do Parlamento da Rússia, e Dimitri Kovtun.
O juiz vê uma "forte probabilidade" de que o crime tenha sido cometido pelo Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, onde Putin fez carreira.
Em Moscou, o governo russo negou qualquer responsabilidade. O porta-voz do Kremlin acusou o inquérito de ter sido "distorcido politicamente" e afastou qualquer chance de extraditar os suspeitos.
A viúva do ex-agente, Marina Litvinenko, elogiou o resultado da investigação e pediu ao governo britânico que adote sanções contra a Rússia e proíba a entrada de Putin no Reino Unido.
Durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro David Cameron disse que "foi um crime cometido pelo Estado russo", mas não anunciou nenhuma medida retaliatória.
No seu leito de morte, Litvinenko acusou Putin. O ex-agente era ligado ao oligarca Boris Berezovski, que se mudou para o Reino Unido depois de cair em desgraça com o homem-forte do Kremlin.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
Autoridade Nacional Palestina aceitar exumar Arafat
Diante de novos indícios de envenenamento, a Autoridade Nacional Palestina concordou hoje em exumar os restos mortais de seu líder histórico, Yasser Arafat, a pedido da viúva, Suha Arafat. Exames de objetos pessoais de Arafat mostraram níveis elevados de polônio-210, um elemento radioativo usado como arma por alguns serviços secretos com domínio da tecnologia nuclear.
Uma investigação de nove meses da televisão árabe especializada em notícias Al Jazira realimentou as teorias conspiratórias que culpam Israel pela doença fulminante que se abateu sobre Arafat em 12 de outubro de 2004 e o matou em 11 de novembro daquele ano num hospital militar de Paris. Mas os boletins médicos não apontam sintomas de envenenamento por radiação.
O porta-voz do Instituto de Radiologia de Lausanne, na Suíça, Darcy Christen, declarou uma certa surpresa com a reação à notícia, dizendo serem necessários exames complementares para confirmar qualquer suspeita, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
Em 2005, o mesmo jornal informou que Arafat teria sido envenenado durante o jantar, em 12 de outubro de 2004.
Uma investigação de nove meses da televisão árabe especializada em notícias Al Jazira realimentou as teorias conspiratórias que culpam Israel pela doença fulminante que se abateu sobre Arafat em 12 de outubro de 2004 e o matou em 11 de novembro daquele ano num hospital militar de Paris. Mas os boletins médicos não apontam sintomas de envenenamento por radiação.
O porta-voz do Instituto de Radiologia de Lausanne, na Suíça, Darcy Christen, declarou uma certa surpresa com a reação à notícia, dizendo serem necessários exames complementares para confirmar qualquer suspeita, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
Em 2005, o mesmo jornal informou que Arafat teria sido envenenado durante o jantar, em 12 de outubro de 2004.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Rússia não entrega suspeito da morte de Litvinenko
A Rússia vai rejeitar o pedido de extradição do ex-agente secreto Andrei Lugovoi, denunciado pela Procuradoria da Coroa do Reino Unido pela morte de outro ex-espião, Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com polônio-210, um elemento químico artificial radioativo, em novembro do ano passado. Ambos trabalharam para o KGB (Comitê de Defesa do Estado), a poderosa e temida polícia política da União Soviética, que virou o Birô de Segurança Federal (FSB, do inglês). O presidente Vladimir Putin era chefe do FSB antes de ser nomeado primeiro-ministro e presidente por Boris Yeltsin.
Em Londres, amigos de Litvinenko alegaram que a Justiça britânica deveria acusar diretamente o governo russo pelo assassinato. Eles argumentam que seria praticamente impossível conseguir e contrabandear polônio-210 sem o conhecimento das autoridades em Moscou.
Em Londres, amigos de Litvinenko alegaram que a Justiça britânica deveria acusar diretamente o governo russo pelo assassinato. Eles argumentam que seria praticamente impossível conseguir e contrabandear polônio-210 sem o conhecimento das autoridades em Moscou.
sábado, 2 de dezembro de 2006
Morte de ex-espião russo deixa pistas radioativas
O assassinato do ex-espião russo Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com Polônio-210, um elemento radioativo, como no tempo da Guerra Fria (1945-89), deixou uma trilha de contaminação que inclui 12 lugares em Londres, um avião que voou na rota para Moscou e duas pessoas.
Para a polícia britânica, estas pistas leverão ao assassino. Mas já há quem diga que o assassino ou o mandante do crime queriam mesmo que Litvinenko deixasse um rastro para saber por onde ele andava e talvez contaminar seus contatos.
A maior suspeita recai sobre o Serviço Federal de Segurança (FSB, do inglês) da Rússia, sucessor do antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da extinta União Soviética. O presidente Vladimir Putin dirigia o FSB antes de ser indicado primeiro-ministro e depois presidente por Boris Yeltsin, em 1999.
Naquele ano, houve uma série de atentados contra edifícios de apartamentos em Moscou atribuídos a terroristas chechenos. Os rebeldes chechenos liderados por Chamil Bassaiev tinham atacado em agosto a república vizinha da Inguchétia.
Os atentados de Moscou serviram de pretexto para uma nova e violenta guerra na Chechência. Desta vez, a Rússia ganhou, com uma política de terra arrasada. Putin, o homem-forte que vinha para restaurar o poder imperial russo, foi eleito presidente em março de 2000.
Litvinenko, que foram designado guarda-costas do bilionário Boris Berezovski, inimigo de Putin, disse que na verdade recebeu ordens para matá-lo. Em livro, acusou o serviço secreto russo pelos atentados de Moscou e fugiu para a Inglaterra.
No dia 1º de novembro, Litvinenko tinha um encontro com um contato que prometia lhe passar informações incriminando o governo russo pela morte, em outubro, da jornalista Anna Politkovskaya.
O assassino teria errado na dose, que não matou rapidamente, provocando uma agonia de 23 dias em que o caso foi exposto ao mundo, ou teria mesmo a intenção de rastrear as atividades do ex-espião assassinado.
Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko acusou o presidente Putin por sua morte.
Além da viúva de Litvinenko pelo menos um amigo do espião, o acadêmico italiano Mario Scaramella, foi contaminado pelo polônio-210, um material fácil de contrabandear porque é difícil detectá-lo, a não ser que se esteja procurando especificamente por ele.
O ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar (1991-91) também foi contaminado, durante uma viagem à Irlanda.
Analistas suspeitam que estes ataques faça parte do pesado jogo político para as próximas eleições parlamentares e presidenciais na Rússia.
Para a polícia britânica, estas pistas leverão ao assassino. Mas já há quem diga que o assassino ou o mandante do crime queriam mesmo que Litvinenko deixasse um rastro para saber por onde ele andava e talvez contaminar seus contatos.
A maior suspeita recai sobre o Serviço Federal de Segurança (FSB, do inglês) da Rússia, sucessor do antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da extinta União Soviética. O presidente Vladimir Putin dirigia o FSB antes de ser indicado primeiro-ministro e depois presidente por Boris Yeltsin, em 1999.
Naquele ano, houve uma série de atentados contra edifícios de apartamentos em Moscou atribuídos a terroristas chechenos. Os rebeldes chechenos liderados por Chamil Bassaiev tinham atacado em agosto a república vizinha da Inguchétia.
Os atentados de Moscou serviram de pretexto para uma nova e violenta guerra na Chechência. Desta vez, a Rússia ganhou, com uma política de terra arrasada. Putin, o homem-forte que vinha para restaurar o poder imperial russo, foi eleito presidente em março de 2000.
Litvinenko, que foram designado guarda-costas do bilionário Boris Berezovski, inimigo de Putin, disse que na verdade recebeu ordens para matá-lo. Em livro, acusou o serviço secreto russo pelos atentados de Moscou e fugiu para a Inglaterra.
No dia 1º de novembro, Litvinenko tinha um encontro com um contato que prometia lhe passar informações incriminando o governo russo pela morte, em outubro, da jornalista Anna Politkovskaya.
O assassino teria errado na dose, que não matou rapidamente, provocando uma agonia de 23 dias em que o caso foi exposto ao mundo, ou teria mesmo a intenção de rastrear as atividades do ex-espião assassinado.
Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko acusou o presidente Putin por sua morte.
Além da viúva de Litvinenko pelo menos um amigo do espião, o acadêmico italiano Mario Scaramella, foi contaminado pelo polônio-210, um material fácil de contrabandear porque é difícil detectá-lo, a não ser que se esteja procurando especificamente por ele.
O ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar (1991-91) também foi contaminado, durante uma viagem à Irlanda.
Analistas suspeitam que estes ataques faça parte do pesado jogo político para as próximas eleições parlamentares e presidenciais na Rússia.
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