Em resposta à expulsão em massa de diplomatas russos suspeitos da espionagem de 25 países ocidentais e aliados, a Rússia anunciou hoje que vai mandar embora pelo menos 150 diplomatas estrangeiros, inclusive 60 americanos, e fechar em dois dias o consulado dos Estados Unidos em São Petersburgo.
A nova guerra de espiões é resultado do envenenamento, em 4 de março, no interior da Inglaterra, de um ex-agente duplo russo, Serguei Skripal, e sua filha por um agente nervoso, uma arma química proibida. O Reino Unido acusou o governo da Rússia e recebeu uma solidariedade sem precedentes dos aliados.
"Nossas medidas de retaliação serão recíprocas ou mais", declarou o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.
Hoje, o hospital onde Serguei Skripal e a filha estão hospitalizado revelou que Yulia melhorou, mas sua situação ainda é crítica. A polícia britânica, a Scotland Yard, descobriu que eles foram envenenados em casa. O agente tóxico foi detectado na maçaneta da porta, causando pânico na vizinhança.
Na segunda-feira, os EUA expulsaram 60 diplomatas russos e anunciaram o fechamento do consulado em Seattle, no estado de Washington, alegando estar perto de uma base de submarinos. Também há na cidade um polo de alta tecnologia com a Amazon e a Microsoft, e a fábrica da Boeing, que produz aviões civis e de guerra.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 29 de março de 2018
segunda-feira, 12 de março de 2018
Primeira-ministra britânica acusa Rússia de tentar matar agente duplo
Em discurso hoje à tarde na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a primeira-ministra Theresa May considerou "muito provável" que o governo da Rússia seja responsável pela tentativa de assassinato do ex-agente duplo Serguei Skripal. Ele e a filha foram encontrados inconscientes numa praça da cidade de Salisbury, na Inglaterra, em 4 de março, e continuam hospitalizados em estado grave.
"Não podemos tolerar uma tentativa descarada de assassinar civis inocentes em nosso solo", bradou May.
A Rússia nega qualquer participação no ataque, mas restam poucas dúvidas. O governo britânico exigiu explicações da Rússia até amanhã à noite junto à Organização para a Proscrição de Armas Químicas (OPAQ), já que a arma usada foi um agente nervoso proibido. Caso contrário, ameaça impor novas sanções.
Skripal passou nomes de agentes russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2004, foi condenado a 13 anos de prisão, mas saiu numa troca de espiões realizada com os Estados Unidos, em 2010.
May quer o apoio e a solidariedade dos países da Europa, dos quais o Reino Unido está se afastando ao sair da União Europeia. Ela prometeu medidas duras. Durante o debate, um deputado chegou a sugerir o confisco de bens e propriedades de aliados do presidente Vladimir Putin no país.
Com a Brexit (saída britânica da UE), o Reino Unido fica mais frágil. May sabe que as relações econômicas com a Rússia serão importantes quando o país sair do processo de integração europeia.
Em novembro de 2006, o ex-espião russo Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras até morrer depois de ser envenenado por ex-colegas com Polônio-210 num hotel de Londres. O principal acusado, Andrei Lugovoi, é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.
"Não podemos tolerar uma tentativa descarada de assassinar civis inocentes em nosso solo", bradou May.
A Rússia nega qualquer participação no ataque, mas restam poucas dúvidas. O governo britânico exigiu explicações da Rússia até amanhã à noite junto à Organização para a Proscrição de Armas Químicas (OPAQ), já que a arma usada foi um agente nervoso proibido. Caso contrário, ameaça impor novas sanções.
Skripal passou nomes de agentes russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2004, foi condenado a 13 anos de prisão, mas saiu numa troca de espiões realizada com os Estados Unidos, em 2010.
May quer o apoio e a solidariedade dos países da Europa, dos quais o Reino Unido está se afastando ao sair da União Europeia. Ela prometeu medidas duras. Durante o debate, um deputado chegou a sugerir o confisco de bens e propriedades de aliados do presidente Vladimir Putin no país.
Com a Brexit (saída britânica da UE), o Reino Unido fica mais frágil. May sabe que as relações econômicas com a Rússia serão importantes quando o país sair do processo de integração europeia.
Em novembro de 2006, o ex-espião russo Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras até morrer depois de ser envenenado por ex-colegas com Polônio-210 num hotel de Londres. O principal acusado, Andrei Lugovoi, é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.
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