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domingo, 18 de junho de 2023

Inteligência artificial aumenta risco de guerra por erro ou acidente

Um grande risco da inteligência artificial é que a guerra está cada vez mais mecanizada e automatizada. Outro dia um soldado russo se rendeu a um drone que o perseguia. Um ataque nuclear exige uma resposta rápida. Aí mora o perigo.

Depois do fim da Guerra Fria, houve em 1992 uma conferência sobre a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, de outubro de 1962, com a participação de russos, americanos e cubanos. Ficamos sabendo que Vassili Alexandrovich Arkhipov, um subcomandante de submarino, impediu um ataque com míssil nuclear contra navios dos EUA que o cercavam. 

Em 27 de outubro de 1962, o dia em que o ditador Nikita Kruschev concordou em retirar os mísseis e a crise acabou, um porta-aviões e 11 contratorpedeiros norte-americanos acossavam o submarino soviético B-59. Com baterias fracas e problemas no ar-condicionado, o submarino tinha superaquecimento e elevados níveis de gás carbônico. Precisava ir à tona. 

O ataque foi preparado. O comandante Valentin Grigoryevich Savitsky acreditava que a guerra havia começado. Queria disparar um torpedo nuclear. O míssil estava pronto para ser disparado. Houve uma discussão entre o comandante e os dois subcomandantes. A doutrina nuclear da União Soviética exigia o consentimento dos três altos oficiais a bordo.
Vassili Arkhipov já era considerado um herói pela atuação num vazamento no sistema de resfriamento do reator do submarino K-19 em julho de 1961 na costa sudeste da Groenlândia, quando toda a tripulação foi contaminada pela radiação. Todos os engenheiros de bordo morreram dentro de um mês. Em dois anos, outros 15 marinheiros morreram. 

O prestígio de Arkhipov foi decisivo. Ele convenceu o comandante Savitsky e o comissário político Ivan Semionovich Maslennikov a subir à superfície e aguardar as ordens de Moscou. Ao persuadir os outros a não atacar, Arkhipov livrou o mundo de uma guerra nuclear. 

Quando o submarino emergiu, um avião de guerra dos EUA disparou tiros de advertência várias, mas a intenção não era atingir o submarino. O K-59 entrou em contato com um contratorpedeiro norte-americano e depois recebeu ordens da frota soviética de voltar para a URSS. 

“Estivemos muito, muito mais perto [de uma guerra nuclear] do que soubemos na época”, reconheceu o Robert McNamara, secretário da Defesa na época da Crise dos Mísseis, ao saber da história. Para Arthur Schlesinger Jr., assessor do governo John Kennedy (1961-63) e historiador, “esse foi não apenas o momento mais perigoso da Guerra Fria. Foi o momento mais perigoso da história da humanidade.” 

Comecei a trabalhar com noticiário internacional em 1º de setembro de 1983, meu primeiro dia na Rádio Globo. A notícia era que a URSS havia derrubado um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air com um deputado dos EUA, Larry McDonald, vice-presidente da conservadora Sociedade John Birch, a bordo. 

Os senadores Jesse Helms e Steve Symms e o deputado Carroll Hubbard tinham reserva no mesmo voo, mas mudaram na última hora para um voo que saiu 15 minutos depois. Todos iam a uma cerimônia para celebrar os 30 anos do Tratado de Defesa Mútua entre EUA e Coreia do Sul. 

O Jumbo abatido ia de Nova York para Seul, na Coreia do Sul, via Anchorage, no Alasca. Suspeitava-se que a versão militar do Boeing, um avião-espião, às vezes ia no rastro de voos comerciais para enganar os radares inimigos. 

Quando o avião sobrevoava a Ilha Sakhalina, a defesa antiaérea soviética o tomou por um avião-espião, fez contato com Moscou e não conseguiu resposta. O piloto perguntou o que fazer. A resposta foi: “Na dúvida, siga o manual.” 

Um míssil ar-ar abateu o avião perto da Ilha Moneron. Todas as 269 pessoas a bordo morreram. 

Na época, o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da URSS declarou que era uma provocação dos EUA para testar as defesas e a preparação soviética para a guerra. Os EUA acusaram a URSS de obstruir a operação de busca. A URSS não cooperou com a investigação da Organização da Aviação Civil Internacional. As gravações de bordo só foram liberadas 10 anos mais tarde, depois da dissolução da URSS. 

Foi outro momento de grande tensão na chamada Segunda Guerra Fria, iniciada com a invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 24 de dezembro de 1979, após a détente, um degelo parcial na confrontação estratégica e capitalismo e comunismo com as visitas do presidente Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. 

O presidente linha-dura Ronald Reagan tomara posse em janeiro de 1981 e anunciara, em 23 de março de 1983, a Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como projeto Guerra nas Estrelas. A ideia era instalar no espaço um sistema de defesa antimísseis, que era proibido pelo Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, também conhecido pela sigla MAD (mutually assured destruction, destruição mutuamente assegurada), palavra que também significa louco em inglês. Era a garantia do equilíbrio do terror nuclear. 

Em 1º de novembro de 1983, os EUA começariam a instalar mísseis nucleares de curto e médio alcances na Europa Ocidental. 

O manual mandava o piloto do avião de caça soviético Sukhoi Su-15 abater o avião inimigo. A diferença nos dois casos foi a intervenção humana de Arkhipov. Hoje, com a crescente automatização da guerra e o tempo escasso para tomar uma decisão, o risco é que fique a cargo da inteligência artificial, que provavelmente vai seguir o manual. O controle humano é fundamental.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Crise dos Mísseis deixou mundo à beira de uma guerra nuclear

Há exatamente 60 anos, um avião espião dos Estados Unidos fotografou obras para a instalação de mísseis nucleares da União Soviética em Cuba. Foi o momento mais tenso da Guerra Fria. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear.

Dois dias depois, as fotos e relatórios de inteligência foram entregues ao presidente John Kennedy, com o alerta de que os mísseis, com alcance de 2 mil a 4,5 mil quilômetros, dariam à URSS a capacidade de lançar um primeiro ataque contra quase todo o território.

Kennedy convocou um gabinete de guerra, que se dividiu entre as pombas, a favor de uma solução diplomática, e os falcões, defensores de uma invasão da ilha para depor o regime comunista de Fidel Castro e remover os mísseis.

Em 22 de outubro, Kennedy fez um pronunciamento à nação e anunciou um bloqueio aeronaval para interceptar qualquer navio que se aproximasse de Cuba e fazer uma revista para ver se não levava armas nucleares. 

Dois dias depois, o primeiro-ministro Nikita Kruschev descreveu a medida como pirataria, mas começaram negociações secretas que acabaram por desarmar a crise. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da Paz vai para ativistas de direitos humanos anti-Putin

 O advogado bielorrusso Ales Bialiatski, preso sem julgamento desde julho de 2021, a organização de defesa dos direitos humanos russa Memorial e o Centro de Liberdades Civis ucraniano vão dividir o Prêmio Nobel da Paz de 2022, anunciou hoje em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel, descrevendo-os como “três destacados campeões dos direitos humanos, democracia e a coexistência pacífica.” 

Todos são adversários do imperialismo da Rússia e do ditador Vladimir Putin, que completou 70 anos hoje, aniversário de 16 anos da morte da jornalista Anna Politkovoskaya, que denunciava os crimes de seu governo.

“Os laureados representam a sociedade civil em seus países”, declarou a presidente do comitê do Nobel, Berit Reiss Andersen. “Há muitos anos, promovem o direito de criticar o poder e protegem os direitos fundamentais dos cidadãos. Fazem um esforço excepcional para documentar crimes de guerra, abusos dos direitos humanos e abusos de poder. Juntos, demonstraram o significado da sociedade civil para a paz e a democracia.”

Em nota no Twitter, Kenneth Roth, ex-diretor-executivo da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), escreveu: “No 70º aniversário de Putin, o Prêmio Nobel da Paz é concedido a um grupo de defesa dos direitos humanos da Rússia que ele fechou, um grupo de defesa dos direitos humanos ucraniano que está documentando seus crimes de guerra e um ativista bielorrusso preso por seu aliado Lukachenko.” 

BIELORRÚSSIA

Bialiatski foi um dos pioneiros do movimento democrático que surgiu na Bielorrúsia nos anos 1980, com a glasnost, a abertura política promovida na União Soviética pelo líder comunista Mikhail Gorbachev.

Em 1996, ele fundou a organização não governamental Viasna (Primavera) para denunciar uma reforma constitucional que deu poderes ditatoriais ao presidente Alexander Lukachenko e reagir com protestos de rua. A ONG apoiou os manifestantes presos e suas famílias.

O laureado foi preso de 2011 a 2014 e de novo em julho de 2021, durante uma onda de manifestações contra mais uma reeleição fraudulenta de Lukachenko, em agosto 2020. Está preso até hoje, sem julgamento.

A abertura de Gorbachev também permitiu que ativistas dos direitos humanos criassem, em 1987, a ONG Memorial para documentar a história das vítimas do regime comunista soviético. O físico dissidente Andrei Sakharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1975 foi um dos fundadores.

MEMÓRIA

Com o colapso da URSS, no Natal de 1991, Memorial se tornou a maior organização de defesa dos direitos humanos da Rússia. Além das vítimas do comunismo, passou a compilar informações sobre as violações dos direitos humanos no país. Tornou-se a principal fonte de notícias sobre presos politicos detidos nas prisões russas e está na linha de frente da luta contra o militarismo e pelo Estado de Direito, justificou o comitê do Nobel.

Durante as Guerras da Chechênia, investigou os crimes cometidos. A chefe do escritório da Memorial na Chechênia, Natalia Estemirova, foi assassinada em 2009. Como parte da repressão da ditadura de Putin, a ONG foi declarada “agente estrangeiro” e, em 2021, foi fechada, mas os ativistas resistem.

“Ninguém planeja desistir”, afirmou o presidente da Memorial, Yan Rachinsky.

UCRÂNIA

Desde o início da invasão da Rússia pela Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, o Centro pelas Liberdades Civis identifica e documenta os crimes cometidos contra a população civil, em colaboração com investigações internacionais. Foi fundado em 2007 para promover a democracia na Ucrânia.

No ano passado, os ganhadores do Nobel da Paz foram os jornalistas russo Dimitri Muratov, editor-chefe do jornal Novaïa Gazeta, fechado depois do início da guerra na Ucrânia, e filipina Maria Ressa, pela luta pela liberdade de imprensa contra regimes autoritários.

O governo Putin descreveu na mídia oficial o prêmio como um instrumento a serviço de uma agressão de inimigos “russófobos”. Os mesmos meios de comunicação reportavam orgulhosamente indicações do ditador do Kremlin como candidato ao Nobel da Paz. Meu comentário: 


AMEAÇA NUCLEAR

A premiação acontece num momento de agravamento da Guerra da Ucrânia. Diante de sucessivas derrotas do Exército da Rússia no campo de batalha, Moscou forjou plebiscitos ilegais para anexar quatro províncias ucranianas que não domina totalmente. Putin voltou a ameaçar usar armas nucleares para defender o que afirma agora ser “território russo”.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu para o risco de um “armagedon nuclear”, dizendo que a ameaça de um conflito com armas atômicas é o maior desde a Crise dos Mísseis em Cuba, 60 anos atrás.

Foi muito criticado por reproduzir a ameaça de Putin e pela comparação com o momento mais tenso da Guerra Fria. 

Há um temor de que a Rússia use armas nucleares táticas. O historiador Timothy Snyder, professor da Universidade de Yale, não acredita nisso. Estas armas só seriam úteis se houvesse grande concentração de tropas de Ucrânia num local sem a presença de militar russos.

CRISE DOS MÍSSEIS

Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 fotografou silos e mísseis nucleares que a URSS estava instalando na ilha governada por Fidel Castro, que exilados cubanos haviam tentado invadir, com o apoio dos EUA, em abril de 1961. Cuba estava sob um duro boicote econômico de Washington, que dura até hoje, desde 7 de fevereiro de 1962.

Dois dias depois, as fotos e os relatórios de inteligência concluindo que os mísseis dariam aos soviéticos condições de realizar um primeiro ataque foram entregues ao presidente John Kennedy. 

Logo, Kennedy convocou um gabinete de guerra, o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional. Os partidários de uma abordagem diplomática ficaram conhecidos como pombas e os defensores de uma invasão de Cuba eram os falcões. O Estado-Maior Conjunto concluiu por unanimidade que a única solução era uma invasão de Cuba em grande escala para destruir os mísseis e depor Fidel.

Em 22 de outubro daquele ano, às 19h, Kennedy fez um pronunciamento na televisão revelando a ameaça ao povo norte-americano. Ele impôs um bloqueio aeronaval a Cuba, que chamou de “quarentena” para dourar a pílula. Exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis, e ameaçou interceptar e revistar qualquer navio com destino à ilha. Todo navio transportando armas teria de dar meia volta.

O líder soviético, Nikita Kruschev, advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.

Na China, o Diário do Povo, órgão oficial do regime comunista, alardeou que 650 milhões de chineses estavam ao lado de Cuba.

ATAQUE ABORTADO

Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de norte-americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. No momento mais tenso, um submarino soviético armado com mísseis nucleares de 15 quilotons foi cercado por navios de guerra dos EUA. 

Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.

Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.

Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão norte-americana.

A invasão quase ocorreu. Na noite de 26 de outubro, um jornalista e dublê de espião soviético estranhou que a cantina e a sala de imprensa do Congresso estivessem praticamente vazias. Um funcionário lhe disse: “Está todo o mundo indo para Cuba porque vai haver uma invasão.” O agente soviético avisou Moscou imediatamente.

ACORDO

Na manhã seguinte, às 9h, a Rádio Moscou anunciou que a URSS removeria os mísseis de Cuba em troca de retirada de mísseis norte-americanos de curto alcance baseados na Itália e na Turquia. Às 11h03, chegou à Casa Branca uma mensagem de Kruschev confirmando a proposta.

Kennedy concordou. Os mísseis baseados na Turquia eram obsoletos e seriam removidos de qualquer maneira. Serviram para livrar a cara de Kruschev, que cairia dois anos depois por outros motivos, pela luta interna pelo poder dentro da URSS. Os EUA prometeram não invadir a ilha.

Ao meio-dia, um míssil antiaéreo derrubou um avião norte-americano U-2 no espaço aéreo de Cuba. Os EUA hesitaram em concluir o acordo, mas o Kremlin os convenceu de que o alto comando não sabia do ataque. No dia seguinte, Kruschev disse ao filho Serguei que a ordem de abate partiu de “militares cubanos sob o comando de Raúl Castro”.

O bloqueio a Cuba dura até 20 de novembro. Para desarmar futuras crises, foi instalada uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin, o telefone vermelho. Aparentemente, neste momento, está mudo, mas os altos comandos militares estão em contato.

Na segunda-feira, a Academia Real de Ciência da Suécia anuncia o vencedor do Prêmio Nobel de Economia.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Mundo vive nova era de instabilidade estratégica e nuclear

Risco de guerra nuclear é o maior desde o fim da Guerra Fria

As hostilidades entre os Estados Unidos e a China aumentam enquanto caducam os tratados de desarmamento e controle de armas que puseram fim à confrontação estratégica entre os EUA e a União Soviética, que estruturou as relações internacionais na segunda metade do século 20.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia visita Cuba

O secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patruchev, esteve ontem em Havana, onde se encontra com o presidente Miguel Díaz Canel Bermúdez e o ministro do Interior de Cuba, Julio Cesar Gandarilla Bermejo, noticiou a agência russa Tass.

A visita é mais um sinal da estratégia russa de diversificar suas relações diplomáticas e fomentar uma rivalidade com o Ocidente. Durante o encontro, os dois países assinaram um memorando de entendimento para manter um diálogo permanente sobre questões como terrorismo, criminalidade e comércio de armas.

Em julho, o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, estiveram na ilha, onde se encontrou com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parilla, para discutir o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países, que eram aliados no tempo da União Soviética.

Sob pressão dos Estados Unidos por estatizar propriedades de americanos em Cuba, o ditador Fidel Castro se aproximou da União Soviética. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Fidel pediu proteção a Moscou.

O momento mais crítico da Guerra Fria foi a Crise dos Mísseis em Cuba. Em 14 de outubro de 1962, um avião-espião dos EUA fotografou mísseis nucleares que estavam sendo instalados na ilha. Durante duas semanas, as duas superpotências estiveram mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

Com a abertura promovida pelo líder soviético Mikhail Gorbachev a partir de março de 1985, o Kremlin se afastou do regime comunista cubano, que rejeitou as reformas liberalizantes. O fim da ajuda e do petróleo subsidiado da URSS provocou uma grave crise econômica em Cuba, o "período especial", marcado por um duro racionamento.

O alívio veio em 1999, com a ascensão ao poder de Hugo Chávez na Venezuela, que voltou a fornecer petróleo barato à ilha em troca de ajuda para manter a segurança interna e do trabalho de médicos cubanos. Com o virtual colapso da economia venezuelana e o fim da reaproximação com os EUA promovida pelo presidente Barack Obama, a ditadura Cuba tenta diversificar as parcerias para sobreviver.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

China e Rússia cooperam no desenvolvimento de sistema de defesa antimísseis

A rivalidade crescente com os Estados Unidos fortalece a cooperação militar e o alinhamento entre a China e a Rússia. O mundo precisa de novos acordos de desarmamento e controle de armas.

Para conter os EUA na Ásia e na Europa, as duas grandes potências autoritárias e antidemocráticas devem ampliar as manobras militares conjuntas nos próximos meses. Já cooperam em questões de segurança interna como a criação de uma Internet fechada e censurada e a repressão às manifestações de protesto em Moscou e Hong Kong.

Em 3 de outubro, o ditador Vladimir Putin revelou que a Rússia está colaborando com a China para criar um sistema de defesa antimísseis com alerta antecipada. A colaboração em projetos desta importância estratégica mostra o elevado grau de cooperação.

Os sistemas de alerta antecipada são formados por estações de radar de longo alcance e constelações de satélites. Têm um papel central nas estratégicas de dissuasão nuclear ao advertir para um ataque logo depois que os mísseis inimigos são disparados, dando tempo para preparar uma resposta e atacar o míssil inimigo antes que seja tarde demais. 

Até hoje, só os Estados Unidos e a Rússia conseguiram criar grandes redes de proteção deste tipo, que são extremamente caras. Meu comentário:

sábado, 13 de janeiro de 2018

Falso alarme de míssil causa pânico no Havaí

A ameaça nuclear da Coreia do Norte amedrontou hoje a população do Havaí, um arquipélago do Oceano Pacífico que é um estado dos Estados Unidos. Um alerta de ataque de míssil apareceu nos telefones celulares dos moradores das ilhas paradisíacas e só foi desmentido mais de meia hora depois.  O governador David Ige atribuiu o incidente a um erro de um funcionário que "apertou o botão errado" e prometeu investigar o caso.

O alerta dizia, em letras maiúsculas: "AMEAÇA DE MÍSSIL BALÍSTICO NO HAVAÍ. PROCURE ABRIGO IMEDIATAMENTE. ISTO NÃO É UM TESTE." Por 38 minutos, as pessoas procuraram abrigo desesperadamente.

O presidente Donald Trump, que passa os fins de semana jogando golfe em seu clube de campo em Mar-a-Lago, na Flórida, ainda não se manifestou. O Departamento da Defesa ainda estuda a situação.

Em 7 de dezembro de 1941, um ataque inesperado da Força Aérea do Japão contra a Frota Americana estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, levou os EUA a entrarem na Segunda Guerra Mundial. Com 2.335 mortes, foi o segundo pior ataque ao território americano depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Hoje, os moradores do Havaí temeram estar na linha de frente de uma guerra nuclear. Em princípio, um míssil balístico intercontinental norte-coreano levaria 15 minutos para atingir o Havaí. Daí o pânico.

domingo, 3 de setembro de 2017

EUA ameaçam Coreia do Norte com retaliação maciça

Ao reagir ao sexto teste nuclear da Coreia do Norte, que afirma ter feito uma bomba de hidrogênio, o presidente Donald Trump ameaçou responder com uma "retaliação maciça" caso os Estados Unidos e seus aliados sejam atacados, e acusou o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, de "apaziguamento", noticiou o jornal The New York Times.

Em entrevista coletiva na Casa Branca, o secretário de Estado, James Mattis, afirmou que "não estamos buscando aniquilar totalmente um país, no caso a Coreia do Norte, mas temos muitas opções." Na realidade, não tem.

Os EUA sabem que um ataque preventivo contra as instalações nucleares norte-coreanas provocaria uma reação devastadora da Coreia do Norte capaz de arrasar Seul, a capital da Coreia do Sul, deflagrando uma guerra com estimativa de mais de 1 milhão de mortos.

Depois do anúncio de que a Coreia do Norte desenvolveu mísseis nucleares balísticos anticontinentais, Trump ameaçou no mês passado com "fogo e fúria". Diante de uma pausa nos testes nucleares e de mísseis, o presidente boquirroto chegou a afirmar que o ditador Kim Jong Un havia mudado de atitude e passado a respeitá-lo.

Quando a Coreia do Norte disparou um míssil que sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacífico, Trump reclamou da falta de cooperação da China e de uma suposta passividade da Coreia do Sul: "A Coreia do Sul está descobrindo, como eu disse, que sua conversa de apaziguamento não vai funcionar, eles só entendem uma coisa."

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Trump adverte Coreia do Norte: armas estão "carregadas e engatilhadas"

Em sua escalada verbal com a ditadura comunista da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump afirmou hoje de manhã no Twitter que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão prontas para a guerra e à tarde esperar que os norte-coreanos entendam a gravidade da advertência.

"As soluções militares estão totalmente preparadas, carregadas e engatilhadas, se a Coreia do Norte agir insensatamente", disparou Trump no Twitter ao amanhecer. "Espero que Kim Jong Un encontre outro caminho.

Durante entrevista no seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, Trump visou diretamente o ditador Kim Jong Un: "Este cara não vai escapar depois do que está fazendo. Se fizer uma ameaça clara ou qualquer ação contra a ilha de Guam, território dos EUA, ele vai lamentar e lamentar rapidamente."

Apesar da retórica inflamada do presidente, os militares americanos não dão sinais de que estejam se preparando para uma guerra. Trump tenta ganhar no grito. Com um discurso inflamado, acredita estar agindo mais com firmeza do que seus antecessores, que não conseguiram parar o programa nuclear militar norte-coreano.

Desde 2006, a Coreia do Norte fez cinco testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. Os últimos, de mísseis de longo alcance, indicariam capacidade de atingir o território continental dos EUA. Isso provocou o tiroteio verbal de Trump.

Uma guerra não interessa a ninguém. Para a ditadura stalinista de Pionguiangue, seria uma derrota certa e o fim. Numa simulação feita pelo Departamento da Defesa dos EUA em 1994 a pedido do então presidente, Bill Clinton, a estimativa seria de mais de um milhão de mortes.

Só com o arsenal convencional, o regime comunista norte-coreano tem condições de arrasar Seul, a capital da Coreia do Sul, uma cidade de 10 milhões de habitantes. Mesmo em caso de vitória, o custo de reconstrução e de reunificação da Coreia seria tremendo para o Sul abalando o extraordinário desenvolvimento econômico das últimas décadas e o atual nível de riqueza.

Para a China, além do risco de uma guerra nuclear em sua fronteira, poderia haver uma onda de refugiados norte-coreanos e a reunificação da Península Coreana sob o controle da Coreia do Sul, onde há 28 mil soldados americanos, uma presença militar que vem desde a Guerra da Coreia (1950-53).

Os EUA lutaram a Guerra da Coreia com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a União Soviética boicotava por causa da exclusão da China comunista, para reunificar o país. Quando as tropas americanas e aliados cruzaram o paralelo 38º Norte, o Exército Popular de Libertação da China atravessou o rio Yalu e entrou na guerra.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra entre os EUA e a China, vencida pela China, que conseguiu empurrar os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restaurando o status quo anterior à guerra, iniciada quando o avô de Kim Jong Un, o Grande Líder Kim Il Sung, invadiu o Sul.

Desde então, não houve mais guerras entre os EUA e a China. Com a ascensão da China a superpotência, seria uma guerra hoje de consequências catastróficas, tema de A Armadilha de Tucídides, último livro do professor Graham Allison, da Universidade de Harvard, autor do clássico The Essence of Decision, sobre a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Trump declara não ter sido suficientemente duro com a Coreia do Norte

Depois de ameaçar reagir às provocações da Coreia do Norte com "fogo e fúria" e uma força "jamais vistos", o presidente Donald Trump declarou hoje que "talvez não tenha sido suficientemente duro" com o ditador Kim Jong Un e o regime comunista de Pionguiangue, noticiou o jornal The New York Times.

Apesar das críticas de estar entrando na guerra verbal da ditadura stalinista norte-coreana, Trump se recusou a recuar para uma postura mais moderada. "Francamente, as pessoas estão questionando aquela declaração. Foi dura demais? Talvez não tenha sido suficientemente dura."

A seguir, o presidente dos Estados Unidos se justificou: "Eles estão fazendo isso com nosso país há anos, há muitos anos, e é hora de alguém se levantar pelo povo deste país e pelos povos de outros países. Então, talvez aquela declaração não tenha sido suficientemente dura."

Trump advertiu: "É bom a Coreia do Norte andar na linha, se não vai ter problemas como poucos países tiveram até hoje." Há dois dias, ele falou em "fogo e fúria", quando foi revelado que o programa nuclear norte-coreano conseguiu miniaturizar uma bomba atômica num tamanho que permite instalá-la num míssil e assim atingir um alvo distante como o território dos EUA.

Em resposta, a ditadura comunista de Pionguiangue anunciou a preparação de um ataque contra a ilha de Guam, uma possessão americana no Ocidente Pacífico onde os EUA bem uma base aérea e uma base naval.

Com tantas provocações e esta escalada retórica, sempre há o risco de um disparo acidental deflagrar um conflito armado, mas a guerra não interessa a ninguém. Seria o fim do regime comunista da Coreia do Norte e sua elite dirigente.

Se forem usadas armas nucleares, o total de mortos é estimado em mais de um milhão. A Coreia do Sul seria arrasada. Os EUA poderiam entrar em conflito com a China, que não quer uma guerra nuclear no seu quintal nem uma onda de refugiados ou uma Coreia unificada com tropas americanas junto à sua fronteira.

A Coreia do Sul, por sua vez, também não quer assumir o ônus da reunificação com o Norte miserável, tendo em vista o que aconteceu com a muito mais rica Alemanha. O governo de Seul prefere uma reforma econômica gradual que prepare o regime comunista para uma reunificação no futuro.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Trump afirma que arsenal nuclear dos EUA nunca foi tão poderoso

Um dia depois de ameaçar reagir com "fogo e fúria" e uma força "jamais vista" às provocações da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump advertiu a ditadura comunista de Pionguiangue de que o arsenal nuclear dos Estados Unidos nunca foi tão poderoso.

"Jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", vangloriou-se o presidente americano, no que parece ser um recado à China. "Minha primeira ordem como presidente foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear. É hoje mais poderoso e mais forte do que nunca antes", gabou-se Trump no Twitter.

É mais uma mentira do presidente narcisista. A modernização do arsenal nuclear dos EUA em andamento é um projeto de US$ 1 trilhão do governo Barack Obama. Não seria realizável em seis meses de governo e está longe de terminar.

"Espero que nunca tenhamos de usar esse poderio, mas jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", acrescentou o presidente em outro tuíte.

Ontem, depois que o jornal The Washington Post revelou que o regime stalinista norte-coreano já tem capacidade de instalar uma bomba atômica na cabeça de um míssil de longo alcance, Trump interrompeu as férias em seu clube de golfe em Bedminster, em Nova Jérsei. Ele alertou o ditador Kim Jong Un de que suas ameaças foram "além do normal" e seriam respondidas com "fogo e fúria, e francamente com uma força como o mundo jamais viu".

Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou atacar a ilha de Guam, no Oceano Pacífico, onde os EUA têm duas bases militares. Desde 2006, a ditadura de Pionguiangue fez seis testes nucleares. Só neste ano, mais de dez testes de mísseis balísticos.

Hoje fez 72 anos do segundo e último ataque nuclear da história, dos EUA contra a cidade de Nagasaki, no Japão, onde pelo menos 60 mil pessoas morreram na hora.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Trump ameaça responder à Coreia do Norte com "fogo e fúria"

Diante da notícia de que a Coreia do Norte já tem capacidade de fabricar um míssil nuclear de longo alcance capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ameaçou reagir a um ataque com "fogo e fúria, francamente, com uma força como o mundo nunca viu antes", noticiou o jornal The Washington Post.

Isso significa que Trump está pronto a travar uma guerra nuclear com o ditador norte-coreano Kim Jong Un, como sugere a capa desta semana da revista inglesa The Economist.

"É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças", disparou Trump num clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, onde está em férias. O presidente americano advertiu que as ameaças do regime comunista de Pionguiangue foram "além do normal".

Hoje, a ditadura norte-coreana ameaçou atacar a base militar americana na ilha de Guam, no Oceano Pacífico, como uma ação preventiva se houver sinais de preparação militar dos EUA.

O senador John McCain, veterano da Guerra do Vietnã, considerado um dos falcões do Partido Republicano no Congresso, criticou Trump: "Os grandes líderes que eu vi não ameaçam, a não ser que estejam prontos para agir, e eu não tenho certeza de que o presidente Trump esteja pronto para agir", afirmou McCain em entrevista a uma rádio da cidade de Phoenix, no estado do Arizona, que ele representa no Senado.

Para o senador democrata Benjamin Cardin, o ultimato de Trump "não ajuda e mostra mais uma vez que ele não tem temperamento nem capacidade de julgamento" para lidar com uma crise grave. "Não podemos entrar no mesmo jogo de provocações e declarações tempestuosas sobre uma guerra nuclear como a Coreia do Norte."

"A estratégia é bem clara", disse um alto funcionário do governo Trump, "aumentar a pressão econômica e o isolamento diplomático para que os norte-coreanos caiam na realidade e reduzam a ameaça para que possamos ter um diálogo significativo. No momento, não há nada que a Coreia do Norte esteja fazendo que sugira que eles queiram manter um diálogo sério conosco."

domingo, 25 de outubro de 2015

URSS temia ataque nuclear de surpresa em 1983

Com o discurso agressivo do presidente Ronald Reagan chamando a União Soviética de "império do mal" e a instalação de mísseis nucleares de curto alcance na Europa Ocidental, o Kremlin temia um ataque nuclear dos Estados Unidos durante manobras militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de novembro de 1983, revelam documentos sigilosos desclassificados neste mês pelo governo americano, revela o jornal The Washington Post.

"Em 1983, inadvertidamente, deixamos as relações com a URSS por um fio", concluiu o documento ultrassecreto agora liberado.

O mundo vivia o momento mais tenso da chamada Segunda Guerra Fria, iniciada com a invasão soviética no Afeganistão, em dezembro de 1979, depois de anos de distensão com as visitas do presidente Richard Nixon à China e à URSS em 1972.

A eleição do conservador Reagan para a Casa Branca em 1980 acirrou os ânimos. Reagan prometeu não ceder mais nem um centímetro de território ao comunismo. Invadiu a pequena ilha de Granada, no Mar do Caribe, e hostilizava Cuba e a Revolução Sandinista na Nicarágua.

Em 23 de março de 1983, o presidente americano anunciou o lançamento do programa Guerra nas Estrelas, um sistema de defesa para derrubar mísseis inimigos disparados contra os EUA. Isso era proibido pelo Tratado de Mísseis Antibalísticos, mais conhecido como MAD (loucura ou destruição mutuamente assegurada, em inglês) e daria uma vantagem importante aos EUA.

Desde os anos 1970s, os soviéticos temiam a superioridade americana em tecnologia de informação. Sabiam que não teriam recursos para competir numa nova fase da corrida armamentista.

Em 1º de setembro de 1983, um caça soviético derrubou um Boeing 747 da companhia sul-coreana Korean Air que ia para os EUA via polo norte com um deputado americano a bordo.

Dois meses depois, a OTAN começava a instalar os mísseis Pershing II. A operação Arco Hábil mobilizou tropas da aliança atlântica do Reino Unido à Turquia. As manobras militares da OTAN eram realizadas todos os anos, simulando uma guerra nuclear. Naquele ano, havia uma novidade: os aviões levariam mísseis ocos, sem ogivas nucleares.

O alarma na URSS era enorme e os EUA não perceberam, concluiu o documento O Temor de Guerra Soviético, de 109 páginas, de 15 de fevereiro de 1990, desclassificado neste mês a pedido do Arquivo de Segurança Nacional, uma organização não governamental ligada à Universidade George Washington.

A Força Aérea do Pacto de Varsóvia na Alemanha Oriental e na Polônia foi colocada em estado de alerta e realizou 36 voos de reconhecimento, enquanto os agentes secretos dos países do bloco soviético procuravam no mundo inteiro indícios de preparação para uma guerra atômica. De 4 a 10 de novembro, a URSS e aliados só realizaram voos de reconhecimento. Todos os aviões de combate estavam de prontidão.

Alguns detalhes da paranoia e da preparação soviética para a guerra total foram revelados pela defecção do agente duplo Oleg Gordievsky, um oficial do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, que fugiu para o Reino Unido em 1985.

Yuri Andropov, o diretor do KGB que seria dirigente supremo da URSS de 1982 a 1984, era um dos mais assustados. Em 1981, Andropov declarou numa conferência do KGB que o governo Reagan estava se preparando para uma guerra nuclear e poderia lançar um primeiro ataque.

Essas preocupações foram ampliadas por um sistema de análise de informações do serviço secreto soviético baseado num modelo de computação que media mudanças na "correlação de forças" entre as duas superpotências. Seu objetivo era avaliar quando "a deterioração do poder soviético poderia tentar os EUA a lançar um primeiro ataque".

O ideal, na visão dos estrategistas soviéticos, é que o país tivesse 70% do poderio americano ou pelo menos 60%. Todo mês o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista recebia relatórios desse computador.

Quando o poderio soviético declinou para 45%, por mais absurdo que pareça confiar num modelo matemático, os hierarcas do Kremlin tinham um elemento racional para comprovar o desequilíbrio estratégico. Em janeiro de 1983, quando Andropov chegou ao poder supremo, o KGB acrescentou um quinto nível de alerta máximo para "ataques inimigos de surpresa usando armas de destruição em massa em progresso".

Em 8 de março de 1983, Reagan qualificou a URSS como o "império do mal". Os dirigentes soviéticos levaram a sério. No verão daquele ano no Hemisfério Norte, começaram a avisar a população sobre a localização de abrigos nucleares. Várias vezes por dia a rádio e a televisão alertavam para o risco de uma guerra nuclear.

Depois do abate do Jumbo sul-coreano e da instalação da mísseis da OTAN na Europa, no fim de 1983, o 4º Esquadrão da Força Aérea da URSS, estacionado na Polônia, recebeu ordens para tirar os mísseis nucleares do arsenal e instalá-los nos aviões bombardeiros.

A mobilização não foi total. Havia dúvidas do lado soviético, mas seus estrategistas estavam convencidos de que um ataque começaria sob o disfarce de treinamento militar.

Reagan, o grande provocador, só soube do temor soviético de uma guerra nuclear iminente em memorando da CIA (Agência Central de Inteligência) de junho de 1984.

Em 11 de março de 1985, com as mortes de Andropov e de seu sucessor, Konstantin Chernenko, Mikhail Gorbachev ascendia ao cargo de secretário-geral do PCUS. Com sua abertura democrática (glasnost) e reforma econômica (perestroika), a URSS se aproximou do Ocidente.

Gorbachev negociou com Reagan um tratado para remoção dos mísseis nucleares de curto e médio alcances da Europa, o primeiro reduzindo os arsenais nucleares das superpotências. Foi assinado na Casa Branca em 8 de dezembro de 1987.

A burocracia soviética se mostrou irreformável e a URSS acabou em 1991, depois do fracasso de um golpe da linha-dura contra Gorbachev. Agora, em sua tentativa de fazer uma guerrinha fria com o Ocidente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, outro ex-oficial do KGB, quer anular esse e outros acordos de desarmamento nuclear.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bomba atômica inibe guerra entre grandes potências

No aniversário dos 70 anos da explosão da bomba atômica em Hiroxima, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, prometeu hoje reiniciar os esforços para abolir as armas nucleares. Mas paradoxalmente a ameaça de destruição total, o equilíbrio do terror nuclear, ajudou a impedir novas guerras mundiais.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, não houve guerras entre grandes potências. Em 9 de agosto, os Estados Unidos jogaram a segunda bomba atômica, na cidade de Nagasaque. Seis dias depois, o Japão se rendeu.

Durante quatro anos, os EUA detiveram o monopólio do poderio nuclear. Em 1949, no começo da chamada Guerra Fria, a União Soviética explodiu a sua primeira arma atômica, dando início à corrida armamentista nuclear. O Reino Unido, a França e a China também fizeram a bomba antes do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, dificultar o acesso de outros países à mais poderosa de todas as armas.

O momento mais quente da Guerra Fria foi a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando o governo John Kennedy descobriu a presença dos mísseis e obrigou a URSS a retirá-los em troca de um compromisso implícito de não invadir a ilha comunista, situada a 144 quilômetros da Flórida.

Nos anos seguintes, a URSS recuperou o atraso no desenvolvimento de mísseis nucleares balísticos intercontinentais. O mundo vivia sob o equilíbrio do terror nuclear, a certeza de que uma guerra mundial seria arrasadora e não teria vencedores.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev a secretário-geral do Partido Comunista, em 1985, começaram as negociações com o presidente americano Ronald Reagan para acabar com a Guerra Fria.

Se a guerra é, como definiu o estrategista alemão Carl von Clausewitz, a continuação da política por outros meios, a guerra nuclear não serve para atingir objetivos políticos. A destruição seria total. Ao vencedor, restaria uma terra arrasada - e não apenas em território inimigo. Não restaria nada a conquistar. Seria a destruição mutuamente assegurada, em inglês mad, que significa louco.

Assim, as armas nucleares até agora ajudaram a evitar a guerra. Por mais condenável que seja perante o julgamento da história, o bombardeio de Hiroxima e Nagasaque forçou a rendição do Japão, evitando o elevadíssimo custo em vidas que seria necessário para invadir as quatro principais ilhas do arquipélago japonês. A Batalha de Iwo Jima custara as vidas de 20 mil japoneses e 6,8 mil fuzileiros navais dos EUA.

Desde que fizeram bombas atômicas, nos anos 1970s, a Índia e o Paquistão não entraram mais em guerra, embora se enfrentam em choques esporádicos na cordilheira do Himalaia. Quando acabou o regime segregacionista do apartheid, a África do Sul democrática abriu mão das armas nucleares.

Em 1989, o Brasil e a Argentina assinaram um acordo nuclear renunciando ao uso militar da energia atômica. Os dois países abriram suas instalações nucleares a inspeções mútuas e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Mas a ameaça de guerra nuclear voltou - e não só no Oriente Médio, onde o programa nuclear do Irã pode deflagrar uma corrida armamentista, e na Península Coreana, onde a Coreia do Norte já fez três testes nucleares.

Ao intervir militarmente na Ucrânia, o protoditador russo Vladimir Putin reiniciou o conflito com o Ocidente. Como no tempo da Guerra Fria, aviões bombardeiros estratégicos da Rússia voltam a sobrevoar ameaçadoramente a Europa Ocidental, as frotas de guerra russas fazem manobras conjuntas, inclusive com a China, e o governo Putin revigora a indústria bélica, inclusive as armas atômicas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Fidel alerta para guerra mundial nuclear

Em seu primeiro discurso público em quatro anos, na Universidade de Havana, com uniforme militar, o ex-ditador cubano Fidel Castro denunciou um possível ataque nuclear dos EUA para impedir o Irã de fazer a bomba atômica, "apesar do impacto que isso teria no preço do petróleo e na luta contra a recessão".

Na sua visão delirante, será o início de uma guerra mundial nuclear e "resta muito pouco tempo para evitá-la".