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sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Trump desiste da questão sobre cidadania no Censo dos EUA

Num recuo, depois de perder na Suprema Corte e insistir no assunto, o presidente Donald Trump anunciou ontem que desistiu de incluir uma pergunta sobre nacionalidade no Censo de 2020 nos Estados Unidos. Ele determinou que os dados sobre cidadania sejam compilados com base nos documentos e registros do governo federal.

Ao rejeitar a inclusão da pergunta "você é cidadão?", o presidente da Suprema Corte, ministro John Roberts, declarou que o presidente pode fazer isso, mas precisa justificar. A justificativa inicial era que o Departamento da Justiça precisava dos dados para aplicar a Lei do Direito de Voto.

O verdadeiro objetivo ao compilar esses dados é eliminar quem não tem cidadania americana do cálculo da população para o fim de redesenhar os distritos eleitorais, um antigo sonho do Partido Republicano.

Os imigrantes ilegais costumam viver em grandes cidades e em bairros onde a maioria vota no Partido Democrata. A lei manda contar toda a população.

Trump já está em campanha para a reeleição em 2020. A demonização dos imigrantes é um elemento central do discurso do presidente para mobilizar seu eleitorado. Assim, os imigrantes intimidados tendem a não responder ao Censo.

Se parte da população não é contada, será sub-representada nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara dos Representantes, em Washington. É isto que o presidente e seu partido querem.