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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Trump joga Índia e Rússia nos braços da China

 Se o maior objetivo do presidente Donald Trump era isolar a China, o efeito foi exatamente o contrário. Ao declarar guerra comercial a praticamente todo o mundo, Trump provoca um realinhamento da política internacional e isola os Estados Unidos.

A reaproximação entre China, Índia e Rússia que se viu na reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada em 31 de agosto e 1º de setembro na cidade chinesa de Tianjin é exemplar. Deu ao ditador chinês, Xi Jinping, a oportunidade de posar como líder mundial, defensor do multilateralismo e da cooperação internacional.

Há duas décadas, os EUA cultivavam as relações com a Índia por ser rival histórica da China. Criaram até o conceito político de Indo-Pacífico para incluir a Índia numa aliança para contrabalançar o crescente poderio chinês. Trump joga fora esse esforço diplomático.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Índia e Paquistão se atacam com risco de guerra nuclear

Duas semanas depois de um ataque terrorista que matou 26 turistas indianos perto de Pahalgam, na região indiana da Caxemira, a Índia bombardeou o Paquistão na madrugada de hoje e alegou que os nove alvos fazem parte da infraestrutura do terrorismo. O Paquistão anunciou o abate de cinco aviões de guerra inimigos. A Índia não confirmou. Pelo menos 31 paquistaneses e 12 indianos foram mortos. Há risco de uma escalada entre os dois inimigos históricos, que são potências nucleares.

O bombardeio indiano atingiu cinco alvos na região paquistanesa da Caxemira e quatro na província do Punjab. Foi o maior ataque da Índia ao Paquistão desde a Guerra da Independência de Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental, em 1971. Nenhuma instalação militar foi alvejada. O ministro do Exterior indiano, Vikram Misri, declarou que "as ações foram comedidas, não escalatórias, proporcionais e responsáveis."

Em um pronunciamento emocionado à nação, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif denunciou a "violação da soberania do Paquistão" e anunciou ter autorizado as Forças Armadas a tomar as "ações correspondentes".

Um total de 125 aviões participaram da batalha aérea de mais de uma hora em que o Paquistão alega ter abatido cinco caças indianos. Cada esquadra aérea ficou de seu lado da fronteira ou linha de controle disparando mísseis contra o inimigo. Em 2019, um piloto indiano capturado em território paquistanês foi alvo de exposição pública.

A Índia acusa o serviço secreto militar do Paquistão de estar por trás dos grupos que lutam pela da Caxemira, de maioria muçulmana. É um conflito que vem desde que os países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947. Os dois países travaram quatro guerras, três em torno da Caxemira. Desde 1989, há um movimento armado na luta contra a Índia. Cerca de 50 mil pessoas foram mortas no conflito desde então.

domingo, 9 de junho de 2024

Ultradireita vence na Índia mas perde maioria absoluta

 O primeiro-ministro Narendra Modi, um ultranacionalista e fundamentalista hindu acusado de perseguir muçulmanos e de fomentar a violência política e religiosa, tomou posse hoje para um terceiro mandato consecutivo de cinco anos como chefe de governo da Índia. 

Mas, nas maiores eleições de história da humanidade, seu Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês) teve votação abaixo do esperado e perdeu a maioria absoluta na Lok Sabha, a Câmara dos Deputados do país, de 543 cadeiras.

Será primeira vez que Modi vai governar sem maioria absoluta desde que era primeiro-secretário (governador) do estado de Gujarat (2001-14). O lema da campanha era "conquistar mais de 400 cadeiras", bem acima de maioria de dois terços necessária para refomar a Constituição. Perdeu 63 deputados e ficou com 240.

Na maior democracia do mundo, com quase 1 bilhão de possíveis eleitores, a grande vitória foi da democracia. Modi conseguiu maioria com o apoio de partidos da Aliança Democrática Nacional. Mas a oposição renasceu. O Partido do Congresso, que conquistou a independência do Império Britânico e dominou a política indiana na maior parte da era pós-colonial, praticamente dobrou o tamanho da bancada.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

G-20 dá ênfase à economia em vez das questões de segurança

 Apesar do boicote dos ditadores da China e da Rússia, a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no fim de semana em Nova Déli confirma o status da Índia como uma grande potência mundial comprometida com um mundo multipolar e o multilateralismo, que rejeita a ideia de mundo bipolar dominado pelos Estados Unidos e a China.

A Declaração de Nova Déli, Uma Terra, Uma Família, um Futuro, reflete as preocupações econômicas do Sul Global com o desenvolvimento, o combate à fome e à desigualdade social, o financiamento à transição para uma economia verde e a reforma das instituições internacionais para criar um mundo multipolar, em vez das questões geopolíticas e de segurança. Promete triplicar a geração de energia limpa até 2030.

Como os ditadores da China e da Rússia não foram, o Ocidente teve de ceder na linguagem sobre a guerra para garantir o sucesso da reunião, uma vitória da Índia. Com a ausência de seus maiores rivais, o presidente Joe Biden aproveitou para consolidar a parceria estratégica com a Índia, mas os países em desenvolvimento nunca tiveram uma voz tão forte no G-20.

O Brasil assume a presidência do G-20 em novembro e vai sediar a próxima reunião de cúpula de 12 a 14 de julho de 2024 no Rio de Janeiro. Deve manter a orientação adotada em Nova Déli. Em mais uma gafe internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ditador Vladimir Putin pode vir ao Brasil sem correr o risco de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois, recuou. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Pandemia revela fracasso de liderança em escala global

Incompetência política agrava crise que já matou mais de 715 mil pessoas

Diante da morte de 100 mil pessoas, número a se chegar neste fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro manifestou mais uma vez indiferença com a tragédia e descaso com as vítimas. 

Em transmissão ao vivo no Facebook, pediu a confirmação do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, e afirmou ter feito “o possível e o impossível” para salvar vidas. Uma confissão do fracasso. 

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Menos isolamento pode levar a 147 mil mortes nos EUA até 4 de agosto

Uma nova projeção da Universidade de Washington prevê 147 mil mortes nos Estados Unidos até 4 de agosto por causa do “aumento explosivo da mobilidade” com a suspensão de medidas de confinamento. 

Cerca de 54% dos americanos criticam a resposta do governo Donald Trump e 52% temem que o pior esteja por vir, indica uma pesquisa da rede de televisão americana CNN. 

Em depoimento à distância ao Congresso dos Estados Unidos, o Dr. Anthony Fauci, principal epidemiologista da força-tarefa da Casa Branca, adverte que o risco ainda é enorme, que reabrir a economia cedo demais pode gerar uma nova onda de contaminação e que não se deve pressupor que o vírus não ataca crianças.

No mundo inteiro, o total de casos está perto de 4,340 milhões, com 292.808 mortes e 1,602 milhão pacientes curados. 

Os Estados Unidos têm mais de 1,408 milhão de casos. Com 1.571 mortes em 24 horas, o total nos Estados Unidos passou de 83.400 mortes. 

No Brasil, foram mais 881 mortes num dia, elevando o total para 12.404 óbitos, e 9.258 novos casos. O total de casos confirmados chega a 177.602, superando a Alemanha, onde 7.738 pessoas morreram. Meu comentário:

terça-feira, 24 de março de 2020

EUA podem ser novo centro da pandemia do coronavírus, alerta OMS

A Organização Mundial da Saúde advertiu hoje que os Estados Unidos tem potencial para se tornar o novo foco principal da pandemia do novo coronavírus. O presidente Donald Trump segue brigando com a ciência. Quer reabrir o país até o Domingo de Páscoa, 12 de abril. O número de mortes volta a subir na Itália e é o maior num dia na Espanha. 
Aqui no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro faz um pronunciamento insano, contrariando todas as recomendações das autoridades de saúde. A Índia entra em quarenta. Um em cada três dos 7,7 bilhões de habitantes da Terra está em confinamento ou sob medidas de isolamento social. 

Já são 418 mil casos e 18 mil 615 mortes no mundo inteiro. Nas últimas 24 horas, 85 por cento dos casos novos foram registrados na Europa e nos Estados Unidos, sendo 40% nos Estados Unidos, alertou Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde. 

A OMS alertou que “estamos vendo uma grande aceleração do número de casos” no país. É um grande surto e está se intensificando.


Os Estados Unidos são o terceiro país com maior número de casos: 53 mil 740 infectados e 696 mortes. 55% dos casos e 60% dos novos casos são na região metropolitana de Nova York. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, recebeu 400 respiradores artificiais, mas afirmou que o estado precisa de 13 mil. 

Cuomo quer testar os pacientes curados para ver se criaram anticorpos. Assim, poderia voltar a trabalhar sem risco de se contaminar de novo. Meu comentário:

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Paquistão reage ao fim da autonomia da Caxemira

O Conselho de Segurança Nacional do Paquistão decidiu hoje expulsar o embaixador da Índia, suspender todo o comércio bilateral e revisar os acordos bilaterais. E a resposta inicial à decisão do governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi de acabar com o estado de Jamu e Caxemira, que foi dividido em duas unidades federativas rebaixadas a territórios, passando para a administração direta do governo central em Nova Déli.

Desde que os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, o Paquistão reivindica a soberania sobre a Caxemira. O primeiro-ministro Imran promete recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça. 

Ao revogar o artigo 370 da Constituição da Índia, que dava autonomia regional à Caxemira, o governo Modi tira da região o direito de fazer suas próprias leis e permite que indianos não residentes possam comprar propriedades, se candidatar a empregos e bolsas de estudos na Caxemira. Isto pode mudar a composição demográfica do que era o único estado da Índia de maioria muçulmana. 

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, denunciou a manobra como uma tentativa de fazer uma “purificação étnica”. A China, que domina 20% da Caxemira, também protestou. O Ministério do Exterior da Índia alegou que é uma questão interna da Índia. Meu comentário:

Índia aprova divisão de Jamu e Caxemira em dois territórios

A Lok Sabha, a Câmara dos Deputados da Índia, aprovou ontem a divisão do estado de Jamu e Caxemira em dois territórios federais, rebaixando-os e colocando-os sob administração direta do governo central. O Senado havia aprovado o projeto na véspera.

Depois de uma vitória esmagadora nas eleições de abril e maio passados, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) decidiram levar adiante o antigo projeto de integrar totalmente a região da Caxemira na união federal da Índia.

Na segunda-feira, o governo indiano havia revogado a autonomia regional do estado de Jamu e Caxemira, sob protestos do vizinho Paquistão, que reivindica a soberania sobre a região, onde a maioria da população é muçulmana.

Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira, objeto de três guerras entre os inimigos históricos, em 1947, 1965 e 1999. Na separação, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as áreas de maioria muçulmana, o Paquistão.

Na Caxemira, apesar da maioria muçulmana, o último governador imperial, marajá Hari Singh, optou por aderir à Índia, gerando esta guerra sem fim entre dois vizinhos que hoje têm armas nucleares. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito, mas a Índia não admite a possibilidade de ceder parte de seu território.

Antes do anúncio, Modi enviou 35 mil policiais militares a Jamu e Caxemira. Vários líderes políticos locais foram colocados em prisão domiciliar. Muita gente hoje na região defende a independência da Caxemira para sair do fogo cruzado deste conflito indo-paquistanês. A situação é tensa e o Paquistão vai reagir.

Desde 1989, uma facção do movimento muçulmano para tirar a Caxemira da Índia aderiu à luta armada. O poderoso Serviço de Inteligência das Forças Armadas do Paquistão arma vários grupos armados extremistas numa guerra indireta com a Índia.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Índia revoga a autonomia da Caxemira e aumenta tensão com o Paquistão

O governo nacionalista hindu da Índia suprimiu ontem a autonomia do estado de Jamu e Caxemira, onde a população de maioria muçulmana gostaria de anexar a região, disputada desde a independência do Império Britânico, em 1947, com o vizinho Paquistão.

"A Constituição será aplicada integralmente em Jamu e Caxemira", anunciou o ministro do Interior, Amit Shah, privando o estado de fazer suas próprias leis. A medida foi tomada depois que a Índia mandou 35 mil policiais militares para a região, descrevendo este envio como uma "operação normal".

Ontem, para evitar uma reação, a Índia cortou a internet e os telefones em Jamu e Caxemira e colocou líderes políticos locais em prisão domiciliar.

A iniciativa do governo Narendra Modi indignou o Paquistão: "Como parte deste contencioso internacional, o Paquistão empregará todos os meios possíveis para ir contra este decisão ilegal", deplorou em nota o Ministério do Exterior paquistanês.

Centenas de pessoas protestaram em Lahore, a grande cidade do Leste do Paquistão. Desde 1947, Índia e Paquistão travaram quatro guerras, sendo três sobre a Caxemira, o principal motivo da discórdia.

Quando os dois países se tornaram independentes, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as regiões de maioria muçulmana, o Paquistão. Pelo menos 2 milhões de pessoas morreram e 10 milhões emigraram para ficar do lado certo da fronteira.

Na Caxemira, o governador colonial, o marajá Hari Singh, optou pela Índia, apesar da maioria muçulmana, origem do conflito que se arrasta até hoje entre dois países que têm armas nucleares.

Analistas internacionais acreditam que a decisão da Índia de revogar a autonomia da Caxemira foi tomada depois da oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar o conflito. A Índia se nega internacionalizar o que considera um problema interno. Só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, sem qualquer interferência externa.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Primeiro-ministro Modi obtém grande vitória nas eleições gerais na Índia

Com a apuração encerrada,  o Partido Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi, obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares da Índia. 

Sua aliança elegeu 355 dos 543 deputados da Lok Sabha, a câmara baixa do Parlamento, e vai governar o país por mais cinco anos. A oposição liderada pelo Partido do Congresso conquistou apenas 87 cadeiras.

As maiores eleições do planeta foram realizadas durante sete dias no último mês e meio. Dois terços dos 900 milhões de eleitores inscritos, um em cada oito seres humanos, votaram. Prevaleceu o discurso nacionalista e autoritário de Modi.

O primeiro-ministro usou a segurança nacional como principal tema da campanha, especialmente depois de um atentado terrorista muçulmano na região da Caxemira atribuído a um grupo militante do Paquistão em que 49 policiais militares indianos foram mortos.

Na ocasião, Modi ordenou o bombardeio do campo de treinamento do grupo no país vizinho. O Paquistão contra-atacou e derrubou um avião de guerra da Índia, mas o primeiro-ministro aproveitou para se apresentar como o único capaz de garantir a segurança do país.

"Modi, Modi, Modi!", gritavam os partidários do primeiro-ministro na sede do partido. No discurso da vitória, ele disse: "Avançamos com humildade" e a Índia hoje é "um país governado por consenso".

Em verdade, Modi governa manipulando o nacionalismo hindu, o que tem aumentando o conflito com a minoria muçulmana, que representa mais de 10% da população total do país. Ameaça mudar a sociedade democrática que caracteriza a Índia desde a independência do Império Britânico, em 1947.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros para 6% ao ano

A uma semana do início das eleições gerais, o Banco da Reserva da Índia (BRI) reduziu ontem sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 6% ao ano e pressionou os bancos privados a repassarem o corte aos consumidores, noticiou o jornal The Economic Times.

Ao justificar a medida, o presidente do banco central, Shaktikanta Das, citou a desaceleração do crescimento, a debilidade do investimento e a redução no fluxo de crédito para pequenas e médias empresas.

Com a proximidade das eleições, a oposição deve acusar Das de fazer o jogo do primeiro-ministro Narendra Modi, que mudou o presidente do banco central na expectativa de que um crescimento mais robusto lhe garanta a reeleição. Nos Estados Unidos, o Conselho da Reserva Federal (Fed) não mexe nas taxas de juros em período eleitoral.

A estagnação da renda dos agricultores, a baixa geração de empregos e a fraqueza no investimento ameaçam a vitória do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu e conservador, parte da onda neopopulista de direita.

Modi se elegeu há cinco anos prometendo defender os valores tradicionais da Índia e acelerar o desenvolvimento econômico. Seu maior adversário é Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, filho, neto e bisneto dos primeiros-ministros Rajiv Gandhi, Indira Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Em 2014, Rahul liderou o Partido do Congresso em sua maior derrota. A bancada encolheu de 206 para 44 deputados na Lok Sabha, a Câmara do Parlamento da Índia, que tem hoje 545 cadeiras.

Nas últimas pesquisas, a Aliança Democrática Nacional, liderada pelo BJP de Modi, teve de 34% a 41% votos contra 28% a 31%  para a Aliança Progressista Unida, de Rahul, com 28% a 38% dos votos indo para partidos menores, alguns regionais. A metade das pesquisa indica que talvez nenhuma aliança consiga maioria absoluta.

A Índia é o país que mais cresce entre as dez maiores economias do mundo, mas ainda não é o suficiente para resgatar centenas de milhões de indianos que vivem na miséria.

O Escritório Central de Estatísticas reduziu de a estimativa de avanço do produto interno bruto de 7,2% para 7% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2019 por causa do baixo crescimento das exportações em janeiro e fevereiro. A meta do governo é 7,5% ao ano.

Em 2018, o PIB indiano cresceu 7,3% para um total de US$ 2,69 trilhões. É a sétima maior economia do mundo, depois de EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França, pelo ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ultrapassou a Itália e o Brasil.

Maior democracia do mundo, com 1,34 bilhão de habitantes e cerca de 900 mil eleitores. A votação será dividida em sete dias - 11, 18, 23 e 29 de abril e 6, 12 e 19 de maio - de modo que o Exército possa se deslocar pelo país para garantir a segurança das eleições. A apuração oficial começa em 23 de maio e os resultados devem sair três dias depois.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Atentado terrorista mata 46 policiais indianos na Caxemira

Um terrorista suicida jogou hoje um veículo utilitário esportivo carregado de explosivos contra um ônibus de um comboio de policiais na região indiana da Caxemira, reivindicada pelo Paquistão. 

Foi o pior atentado em 30 anos de rebelião de grupos muçulmanos que lutam para integrar a Caxemira ao Paquistão. Pelo menos 46 policiais morreram e outros 38 saíram feridos, noticiou o jornal indiano Hindustan Times.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar o grupo terrorista muçulmano Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, candidato à reeleição nas próximas eleições, previstas para abril e maio, condenou o atentado "abjeto" e "degradante", e advertiu que os responsáveis vão pagar "um preço alto". O Ministério do Exterior da Índia apelou ao vizinho Paquistão para "parar de apoiar terroristas".

O comboio de 78 ônibus levava 2,5 mil pessoas de Jamu para Srinagar, a capital do estado indiano de Jamu e Caxemira. O ataque contra a Força Policial Central da Reserva (CRPF, em inglês) aconteceu na localidade de Lethpora, a 30 quilômetros de Srinagar.

Ao reivindicar a autoria do atentado, o Exército de Maomé identificou o "mártir" como Adil Ahmad Dar, do distrito de Pulwana, onde ocorreu o atentado. O fato de ser da região pode indicar que o conflito se tornou mais local. Ele aderiu ao grupo terrorista no ano passado. O carro levava 350 quilos de explosivos.

"O sacrifício de nosso bravo pessoal de segurança não será em vão", afirmou o primeiro-ministro Modi. "A nação inteira está unida ombro a ombro com as famílias de nossos corajosos mártires. Que os feridos se recuperem rapidamente."

Seu maior adversário nas eleições, o líder do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, declarou no Twitter: "Estou profundamente perturbado por um ataque covarde a um comboio da CRPF em Jamu e Caxemira no qual muitos de nossos bravos homens da CRPF foram martirizados e um grande número saiu ferido, alguns gravemente."

Em plena campanha, o porta-voz do Partido do Congresso acusou Modi, alegando que o terrorismo não diminuiu durante seu governo.

O maior impacto será nas relações entre Índia e Paquistão, inimigos históricos que têm a região da Caxemira como fogo principal do conflito.

Quando a Índia se tornou independente do Império Britânico, em 1947, e foi dividida em Índia e Paquistão, os governadores das províncias tiveram o direito de optar a que país queriam pertencer. Houve uma migração em massa de 10 milhões de pessoas, a maior da história, e cerca de 1 milhão de pessoas morreram, conta a televisão pública britânica BBC.

Todos os estados de maioria muçulmana ficaram no Paquistão, menos a Caxemira, onde o marajá Hari Singh optou pela Índia, semeando um conflito histórico que se arrasta até hoje. O Paquistão exige a realização de um plebiscito sob supervisão das Nações Unidas para que a população local decida seu futuro, mas a Índia se nega a internacionalizar o conflito.

Desde a independência, os dois países já travaram três guerras, em 1947, 1965 e 1971, quando a Índia apoiou a independência do antigo Paquistão Oriental, Bengala Oriental no período imperial, hoje a República de Bengala ou Bangladesh.

Em maio de 1998, os dois países assumiram oficialmente o status de potências nucleares. Provavelmente, já tivessem a bomba atômica desde os anos 1970s. A dissuasão nuclear evitou novas guerras abertas que hoje seriam arrasadoras. Em 1999, houve um conflito armado em Kargil, um distrito da Caxemira onde soldados paquistaneses se infiltraram disfarçados de guerrilheiros, com mais de mil mortes, mas foi contido na região.

Como a Índia é mais rica e mais poderosa, o Exército do Paquistão, que governou o país durante metade de sua existência, apoia milícias extremistas muçulmanas como o Exército de Maomé. O governador de Jamu e Caxemira, Satya Pal Malik, acusou o Paquistão, argumentando que o grupo terrorista baseado no país vizinho não assumiria a responsabilidade pelo ataque sem o apoio dos militares paquistaneses.

Foi muito pior do que o ataque à cidade de Uri, na Caxemira, em 18 de setembro de 2016, atribuído ao Exército de Maomé, em que 19 soldados e quatro rebeldes morreram.

"Isto é muito maior do que Uri", observou o general Deependra Singh Hooda, ex-comandante-em-chefe do Comando Norte do Exército da Índia, responsável pela região da Caxemira.

"Ao contrário de Uri, um grupo terrorista baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade. Vai haver uma enorme pressão sobre o Paquistão. Mas", destacou, "como um grupo baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade, Nova Déli terá de agir. A forma e o conteúdo da retaliação são prerrogativa do governo."

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro Modi preside a uma reunião de seu gabinete de segurança para decidir como será a reação oficial da Índia. O Ministério do Exterior indiano repudiou "o ataque odioso e degradante perpetrado pelo Exército de Maomé, uma organização terrorista proscrita pela ONU e vários países baseada no Paquistão e apoiada pelo Paquistão".

A declaração oficial do governo indiano pediu que o líder do grupo, Massud Azhar, tenha seu nome lançado na lista de terroristas do comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

O pior atentado em 30 anos de insurgência muçulmana na Caxemira indiana apoiada pelo Paquistão marca uma mudança de tática dos rebeldes, que geralmente faziam ataques coordenados a quartéis da Índia. Com carros-bomba, podem fazer mais ações surpreendentes com grande poder de destruição.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros

O Banco da Reserva da Índia anunciou hoje uma redução na taxa básica de juros que cobra para emprestar dinheiro aos bancos em 0,25 ponto percentual para 6,25% ao ano. A medida visa a esquentar a economia antes das eleições parlamentares, a serem realizadas provavelmente em abril e maio.

No último orçamento antes das eleições, de US$ 390 bilhões, o primeiro-ministro Narendra Modi, incluiu cortes de impostos para a classe média e subsídio aos agricultores.

Sob a liderança de Modi, em 2014, o Partido Bharatiya Janata (Partido do Povo Indiano), nacionalista hindu, se tornou o primeiro a obter maioria no Parlamento da Índia desde 1984, acabando com uma era de coalizões.

A Índia é um dos países que mais crescem no mundo, mas ficou abaixo da média prometida por Modi: 7,5% ao ano. Durante este governo do BJP, a Índia cresceu 8,1% em 2015, 7,1% em 2016, 6,6% em 2017 e 7,3% em 2018.

O BJP é o favorito, mas pesquisas recentes animaram o Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte de sua história independente, com Jawaharlal Nehru, Indira Gandhi e Rajiv Gandhi, hoje liderado por Rahul e Priyanka Gandhi, filhos de Rajiv.

Mesmo se vencer, o BJP deve perder a maioria absoluta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Índia ultrapassa França e se torna sexta maior economia mundial

Com taxas de crescimento acima de 7% ao ano desde 2009, a Índia ultrapassou a França no ano passado. É a sexta maior economia do mundo, noticiou hoje o jornal indiano The Hindustan Times, citando como fonte dados revisados do Banco Mundial sobre 2017.

Enquanto o produto interno bruto da Índia chegou a US$ 2,597 trilhões, a França ficou em US$ 2,582 trilhões. Como a Índia tem 1,354 bilhões de habitantes e a França 65 milhões, a renda média dos franceses é 20 vezes maior.

O crescimento acelerado da Índia, o maior entre as grandes economias do mundo, é importante para os planos de reeleição do primeiro-ministro Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu.

A produção industrial e o consumo pessoal foram os grandes motores da economia indiana em 2017, depois de uma desaceleração no fim de 2016, quando Modi mandou tirar de circulação as notas de maior valor, a pretexto de combater o crime.

Para este ano, a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de uma expansão de 7,4%, com alta de mais 7,8% em 2019. Como um todo, a economia mundial deve avançar 3,9% em 2018.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

China e Índia fazem encontro de cúpula dos países do futuro

Enquanto o mundo se volta para o ditador sinistro da Coreia do Norte, que trava a última batalha da Guerra Fria, outro encontro de cúpula, talvez muito mais importante, acontece discretamente. O ditador Xi Jinping recebe hoje e amanhã, em Wuhan, na China, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

"O dragão chinês e o elefante indiano não devem brigar entre si, mas dançar um com o outro", declarou no mês passado o ministro do Exterior chinês, Wang Yi, chamando a atenção para a necessidade de evitar um conflito na sua disputa fronteira no Himalaia.

Com as duas maiores populações do planeta, os únicos países com mais de 1 bilhão de habitantes estão entre os que mais crescem no mundo. Avançam para se tornar as economias dominantes do século 21 ao lado dos Estados Unidos e talvez da Europa. A rivalidade é inevitável.

Se a Índia é a maior democracia do mundo, na China, Xi acaba de consolidar um poder ditatorial sem comparação desde Mao Tsé-tung, no momento em que o país se firmar como superpotência econômica, política e militar.

No começo da Guerra Fria, os dois países da Ásia, grandes e pobres, forjaram laços no repúdio ao colonialismo ocidental, mas essa aliança frágil se rompeu em 1962, quando a China derrotou a Índia numa guerra de um mês.

Quando a China fez seu primeiro teste nuclear, em 1964, a Índia decidiu iniciar um programa nuclear. Testou sua primeira bomba atômica em 1974. Com ajuda da China, o vizinho e inimigo histórico Paquistão fez o mesmo em 1975. Em maio de 1998, Índia e Paquistão assumiram seu status de potências nucleares.

A China tem um cordão de pérolas ao redor da Índia, países aliados onde tem bases militares ou direito de usar portos: Paquistão, Bangladesh, Mianmar, Sri Lanka e Ilhas Maldivas. Por sua vez, a Índia tem alianças com o Japão e o Vietnã, além de uma parceria estratégica um tanto indefinida com os EUA.

A expansão chinesa naval e por terra, com a Iniciativa um Cinturão, uma Estrada, o Novo Caminho da Seda, seduzindo os países da Ásia Central com grandes investimentos em infraestrutura, é um desafio a mais para a Índia.

Na semana passada, a Força Aérea da Índia concluiu treinamento para uma guerra nuclear nas fronteiras com a China e o Paquistão, onde o armistício deixou uma linha de controle de 4.057 quilômetros, como há não uma fronteira definida e aceita.

A Índia protesta contra o corredor econômico China-Paquistão, uma série de estradas, usinas elétricas, parques industriais e zonas econômicas especiais que incluem a Caxemira em poder do Paquistão, que a Índia reivindica como parte de seu território. O Paquistão reivindica a realização de um plebiscito, na Caxemira indiana, para incorporá-la, uma vez que a maioria da população é muçulmana.

Outro problema é o refúgio que a Índia dá ao 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, o líder espiritual do budismo tibetano ou lamaísmo, desde que ele fugiu do Tibete, parte da China, em 1959, depois do fracasso de uma revolta contra o regime comunista, que conquistara militarmente o Tibete em 1951.

O Tibete era parte do Império Chinês desde o século 13, mas havia se tornado independente em 1912, quando Sun Yat-sen proclamou a República da China. Um dos objetivos centrais da revolução comunista liderada por Mao, vitoriosa em 1949, era restaurar a "integridade territorial" da China, invadida e humilhada pelas potências ocidentais desde a Primeira Guerra do Ópio (1839-42) e pelo Japão em 1931 e 1937.

Em 2017, China e Índia estiveram de prontidão frente a frente em Planalto de Doklam, uma região do reino do Butão, um protetorado indiano com uma disputa de fronteiras com a China. Quando o regime comunista chinês decidiu ampliar uma estrada, em junho, o Exército Real do Butão pediu ajuda a Nova Déli.

O impasse durou dois e meio. Acabou antes da reunião de cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) marcada para setembro de 2017 na China. Modi ameaçava boicotar o encontro. Revelaria a inutilidade do grupo, se dois países estivessem à beira da guerra.

Agora, Xi quer a presença de Modi na reunião de Organização de Cooperação de Xangai (China, Russia, Casaquistão, Paquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão), uma associação de regimes autoritários liderada por Beijim. E conta com a Índia para defender a globalização e combater o protecionismo dos EUA de Donald Trump.

No fim do encontro, os dois líderes prometeram manter "a paz e a tranquilidade" na fronteira em disputa, fortalecer a "comunicação estratégica" e "resolver todas as nossas diferenças através de discussões pacífica", declarou o ministro do Exterior indiano, Vijay Gokhale.

Xi e Modi trocaram amabilidades e sorriram para as câmeras, mas a rivalidade geopolítica, os conflitos de fronteira e as diferenças ideológicas vão impedir a dança do dragão e o elefante enquanto os dois disputam poder a influência política no Oceano Índico.

domingo, 19 de março de 2017

Fundamentalista hindu vai governar estado mais populoso da Índia

O partido nacionalista hindu que governa a Índia indicou o clérigo fundamentalista Yogi Adityanath para governador do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país, com 220 milhões de habitantes, noticiou o jornal The New York Times.

A Índia tem uma minoria de 180 milhões de muçulmanos. Eles são cerca de 20% dos moradores de Uttar Pradesh, um estado do tamanho de São Paulo com uma população maior do que o Brasil.

Adityanath faz parte da ala mais radical do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), quer transformar a Índia numa nação hindu. Ele é a favor da construção de um templo em Ayodhya, no local onde teria nascido o deus Rama. O problema é que havia uma mesquita no lugar, demolida por hindus fanáticos em 6 de dezembro de 1992.

Sua indicação é resultado da ampla vitória obtida pelo BJP, do primeiro-ministro Narendra Modi, nas recentes eleições estaduais em Uttar Pradesh. Além de reforçar a ideia de que Modi está mais preocupado com o nacionalismo hindu do que com a democracia, a nomeação sugere que o chefe de governo atribui a vitória aos eleitorado hindu radical de direita.