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domingo, 9 de junho de 2024

Ultradireita vence na Índia mas perde maioria absoluta

 O primeiro-ministro Narendra Modi, um ultranacionalista e fundamentalista hindu acusado de perseguir muçulmanos e de fomentar a violência política e religiosa, tomou posse hoje para um terceiro mandato consecutivo de cinco anos como chefe de governo da Índia. 

Mas, nas maiores eleições de história da humanidade, seu Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês) teve votação abaixo do esperado e perdeu a maioria absoluta na Lok Sabha, a Câmara dos Deputados do país, de 543 cadeiras.

Será primeira vez que Modi vai governar sem maioria absoluta desde que era primeiro-secretário (governador) do estado de Gujarat (2001-14). O lema da campanha era "conquistar mais de 400 cadeiras", bem acima de maioria de dois terços necessária para refomar a Constituição. Perdeu 63 deputados e ficou com 240.

Na maior democracia do mundo, com quase 1 bilhão de possíveis eleitores, a grande vitória foi da democracia. Modi conseguiu maioria com o apoio de partidos da Aliança Democrática Nacional. Mas a oposição renasceu. O Partido do Congresso, que conquistou a independência do Império Britânico e dominou a política indiana na maior parte da era pós-colonial, praticamente dobrou o tamanho da bancada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros

O Banco da Reserva da Índia anunciou hoje uma redução na taxa básica de juros que cobra para emprestar dinheiro aos bancos em 0,25 ponto percentual para 6,25% ao ano. A medida visa a esquentar a economia antes das eleições parlamentares, a serem realizadas provavelmente em abril e maio.

No último orçamento antes das eleições, de US$ 390 bilhões, o primeiro-ministro Narendra Modi, incluiu cortes de impostos para a classe média e subsídio aos agricultores.

Sob a liderança de Modi, em 2014, o Partido Bharatiya Janata (Partido do Povo Indiano), nacionalista hindu, se tornou o primeiro a obter maioria no Parlamento da Índia desde 1984, acabando com uma era de coalizões.

A Índia é um dos países que mais crescem no mundo, mas ficou abaixo da média prometida por Modi: 7,5% ao ano. Durante este governo do BJP, a Índia cresceu 8,1% em 2015, 7,1% em 2016, 6,6% em 2017 e 7,3% em 2018.

O BJP é o favorito, mas pesquisas recentes animaram o Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte de sua história independente, com Jawaharlal Nehru, Indira Gandhi e Rajiv Gandhi, hoje liderado por Rahul e Priyanka Gandhi, filhos de Rajiv.

Mesmo se vencer, o BJP deve perder a maioria absoluta.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Partido nacionalista hindu vence eleições na Índia

O Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu, obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares na Índia, realizadas nas últimas cinco semanas e pode obter maioria absoluta na Lok Sabha, a câmara dos deputados do país, o que não acontecia com nenhum partido desde 1989. O ex-governador Narendra Modi será eleito primeiro-ministro quando o novo Parlamento se reunir, em 2 de junho de 2014.

O BJP é o partido do fanático que assassinou o herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e que explodiu a bomba atômica, assumindo abertamente o status de potência nuclear em maio de 1998. Ex-governador do estado de Gujarat, Modi é acusado de ter fomentado e acobertado massacres de e mil muçulmanos em 2002. Até ser apontado nas pesquisas como futuro chefe de governo da Índia, era proibido de entrar nos Estados Unidos.

Sua vitória se deve sobretudo à queda do crescimento econômico da Índia de cerca de 9% ao ano antes da crise mundial de 2008-9 para pouco menos de 5% hoje. Diante da promessa de retomada do crescimento, a Bolsa de Valores de Mumbai teve forte alta nos últimos dias. Mas Modi é um personagem divisionista e os economistas consideram suas promessas exageradas.

"A Índia é um grande navio. Será necessário tempo para mudar de direção", comentou Gunjan Bagla, diretor da empresa de consultoria californiana Amritt Ventures.

Para recuperar a indústria manufatureira, serão necessárias grandes reformas estruturais para facilitar contratações e demissões. Fazem falta uma reforma agrária para dar terras a agricultores pobres e uma do sistema de impostos que contrarie interesses estabelecidos. Numa democracia, quaisquer mudanças são mais lentas.

Se a política econômica não der resultado, há o risco de que Modi caia na tentação populista e no sectarismo, por exemplo, abraçando o programa cultural de grupos nacionalistas hindus conservadores como Rashtriya Swayamsevak Sangh. Seria desastroso.

Os liberais e a minoria muçulmana, de 170 milhões, temem um ressurgimento do autoritarismo e do nacionalismo hindu. E também os vizinhos. O governo do Partido do Congresso era acusado pela direita nacionalista de ser "frouxo" com a China e o Paquistão, os vizinhos e inimigos históricos da Índia. Com o BJP no poder, pelo menos o discurso será mais agressivo.

Se houver um novo ataque terrorista cometido por paquistaneses como o de 26-29 de novembro de 2008 em Mumbai, que matou mais de 160 pessoas na maior e mais rica cidade indiana, a reação contra o Paquistão num governo Modi será certamente muito mais forte.

A derrota do Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte do tempo de sua história independente, desde 1947, o pressiona a fazer uma profunda transformação para ir além da dinastia Nehru-Gandhi, que o domina até hoje.

Com mais de 1,2 bilhão de habitantes, a Índia é o segundo país mais populoso do mundo. Pelo critério de paridade do poder de compra, é considerada pelo Banco Mundial a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA e da China. Em 67 anos de independência, mantém um regime democrático que acaba de realizar com sucesso as maiores eleições da história da humanidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Índia conclui votação de maiores eleições da história

Com a votação em 41 distritos dos estados de Bengala Ocidental, Bihar e Uttar Pradesh, a Índia concluiu hoje a maior eleição da história, com mais de 800 milhões de eleitores aptos a votar. O resultado sai na sexta-feira, 16 de maio, e o novo Congresso toma posse em 2 de junho de 2014.

O favorito para ser o próximo primeiro-ministro é Narenda Modi, líder do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu. Ele enfrentou 41 candidatos na cidade de Varanase, principal foco da votação de hoje, um teste para sua popularidade.

Modi é acusado de sectarismo e de ter insuflado ou tolerado massacres de muçulmanos. Lidera as pesquisas por causa do desgaste do Partido do Congresso com a crise internacional, que reduziu o crescimento anual da economia indiana de cerca de 9% para 5%.

Durante as seis semanas de votação, nos 502 distritos que haviam votado antes, o comparecimento às urnas foi de 66%, acima do recorde de 64% registrado nas eleições de 1984 e 1985. Por causa do tamanho do eleitorado, o governo indiano distribui as eleições por nove dias de votação. Assim, pode mobilizar o Exército para garantir a segurança.

Pelo critério de paridade do poder de compra, a Índia acaba de ser considerada pelo Banco Mundial como a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Índia marca datas das eleições parlamentares

A Índia anunciou hoje as datas de suas próprias eleições parlamentares nacionais, que serão realizadas em nove dias de votação, entre 7 de abril e 12 de maio de 2014. Os resultados serão divulgados em 16 de maio.

Na maior democracia do mundo, mais de 800 milhões de eleitores estão aptos a votar em 930 mil urnas para escolher os 543 deputados da Lok Sabha (Câmara do Povo), equivalente à Câmara dos Deputados no regime parlamentarismo indiano.

O favorito é o Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu, hoje na oposição. O novo Parlamento se reúne em 31 de maio e deve eleger o líder do partido vencedor como novo primeiro-ministro.

Narendra Modi, líder do BJP, de 63 anos,  disputa o cargo com Rahul Gandhi, de 43 anos líder do Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte de sua história independente e herdeiro de uma dinastia de primeiros-ministros, o bisavô Jawaharlal Nehru, a avó Indira Gandhi e o pai Rajiv Gandhi.

Modi é acusado de sectarismo por supostamente incentivar o fundamentalismo hindu como governador do estado de Gujarat, em 2002, quando houve uma onda de massacres de muçulmanos. Pelos números oficiais, 790 muçulmanos e 254 hindus foram mortos. Os muçulmanos falam em 2 mil mortes. Até se tornar um sério candidato para governar a Índia, Modi estava proibido de entrar nos Estados Unidos.

Rahul Gandhi ainda precisa provar que é mais do que um simples herdeiro.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Primeiro-ministro da Índia abre caminho para Rahul Gandhi

Depois de quase dez anos no poder, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, anunciou hoje que vai renunciar ao cargo depois das eleições previstas para o verão de 2014 no Hemisfério Norte mesmo que o Partido do Congresso saia vencedor. Abre caminho para a ascensão à liderança de Rahul Gandhi, herdeiro político da dinastia dominante na história indiana.

Aos 81 anos, Manmohan Singh advertiu que uma vitória do líder da oposição, Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata, nacionalista hindu, será "desastrosa para o país" e destacou as "credenciais extraordinárias" de seu vice-líder.

Rahul Gandhi é filho do primeiro-ministro Rajiv Gandhi, assassinado por um terrorista tamil em 1991, e da atual líder do partido, a italiana Sonia Gandhi. É neto da primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada em 1984 por um guarda-costas da seita sikh, e bisneto de Jawaharlal Nehru, o primeiro primeiro-ministro da Índia. Não tem qualquer parentesco com o herói da independência do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma. Herdou o sobrenome Gandhi do marido da avó Indira, Feruze Gandhi.

Seus críticos argumentam que chegou a hora de se livrar de dinastias e eleger líderes populares e não herdeiros dos país da pátria.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Inflação na Índia sobe para 11% ao ano

Depois de um reajuste da gasolina para compensar a alta nos preços internacionais do petróleo, a inflação anual na Índia pulou para 11%. É o maior índice de crescimento de preços em 13 anos.

Foi um "choque de dois dígitos", como definiu um canal da televisão indiana. O ministro das Finanças, Palaniappan Chidambaram, prometeu duras medidas contra a inflação, o que causou medo no mercado de aumento nos juros e derrubou a Bolsa de Valores de Mumbai em 3,45% para a cotação mais baixa do ano.

O Partido Bharatiya Janata, nacionalista hindu, de oposição, deixou claro que vai usar as crises do petróleo e dos alimentos na campanha. Exigiu a renúncia imediata do governo do primeiro-ministro Manmohan Singh, do Partido do Congresso, "para o bem da nação".

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Acordo nuclear EUA-Índia está perto do colapso

Diante da atitude das oposições nos dois países, o acordo nuclear acertado entre os Estados Unidos e a Índia em 2005 está à beira do colapso. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, avisou o presidente George Walker Bush que não tem condições de obter a aprovação do parlamento num futuro próximo.

A maior dificuldade vem da esquerda. Os partidos comunistas que fazem parte da coalizão liderada pelo Partido do Congresso acusam o governo de se aproximar demais dos EUA.

Houve quem pensasse que Singh usaria o momento para convocar eleições antecipadas. Mas, no fim de semana, ele manifestou interesse em preservar a coligação governista.

Leia mais no jornal The Washington Post.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Abertura nuclear levará a eleições na Índia

A Índia deve iniciar em breve negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para abrir seu programa nuclear a inspeção internacional e cumprir um acordo assinado com os Estados Unidos. Mas isto deve provocar uma ruptura entre o Partido do Congresso e os comunistas, que se opõem à medida, a queda do governo de coalizão e a realização de eleições antecipadas.

Os partidos comunistas que integram a Aliança Progressista Unida, liderada pelo Partido do Congresso, de Sonia Gandhi e do primeiro-ministro Manmohan Singh, advertiram que haverá "sérias conseqüências" se o acordo de salvaguardas assinado com os EUA for aplicado. Mas o diretor-geral da AIEA, Mohamed el Baradei, chegou ontem à noite a Nova Déli para acertar detalhes das inspeções.

No domingo, Sonia Gandhi, a viúva do primeiro-ministro Rajiv Gandhi, atacou a esquerda como reacionária por se opor ao acordo nuclear firmado com o governo George Walker Bush, que pretende vê-lo totalmente implementado até o final de 2008: "Não são inimigos apenas do Partido do Congresso. São inimigos da paz e do desenvolvimento. Precisamos nos dar as mãos para lhes dar a resposta adequada".

Ela parece tranqüila porque o Partido Bharatiya Janata (BJP), o maior da oposição, nacionalista hindu, está em crise. Acaba de escolher o ex-vice-primeiro-ministro L.K. Advani, de 80 anos, como novo líder.

A esquerda alega que a Índia está abrindo mão de sua "política externa independente". Desde a independência, em 1947, rejeita todos os acordos e tratados que considera injustos, inclusive o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que criou países nucleares e não-nucleares. Durante a Guerra Fria, manteve o não-alinhamento.

Depois da derrota para a China, num conflito de fronteiras, em 1962, a Índia começou a desenvolver armas atômicas, passando a considerar seriamente a necessidade da dissuasão nuclear. Explodiu sua primeira bomba em 1974, no governo Indira Gandhi, mãe de Rajiv, mas só assumiu o status de potência nuclear sob o BJP, em 1998.

Apesar dos protestos iniciais do governo Bill Clinton, logo os EUA passaram a dar à Índia o reconhecimento de potência nuclear, aliada em potencial para conter a China. Bush negociou o acordo que está sendo implementado agora, que de modo algum afeta ou reduz a capacidade nuclear indiana. Precisa ser ratificado pelo Congresso dos EUA para permitir cooperação e negócios na área de tecnologia nuclear para fins pacíficos.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Índia está longe de ser país desenvolvido

A Índia ainda está longe de ser um país desenvolvido, especialmente por causa dos problemas agrícolas e das deficiências em infra-estrutura, alertou no domingo o primeiro-ministro Manmohan Singh.

Com uma taxa anualizada de 9,2% no terceiro trimestre deste ano, o crescimento da Índia hoje é o segundo maior do mundo, atrás apenas da China. Mas agricultura, que sustenta dois terços dos 1,1 milhão de indianos, não cresce mais do que 2% ao ano, em média, há mais de 10 anos.

Cerca de 300 milhões de indianos ainda vivem com menos de um dólar por dia, relembrou no fim de novembro Sonia Gandhi, viúva do primeiro-ministro Rajiv Gandhi e presidente do Partido do Congresso, que está no poder.