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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Primeiro-ministro Modi obtém grande vitória nas eleições gerais na Índia

Com a apuração encerrada,  o Partido Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi, obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares da Índia. 

Sua aliança elegeu 355 dos 543 deputados da Lok Sabha, a câmara baixa do Parlamento, e vai governar o país por mais cinco anos. A oposição liderada pelo Partido do Congresso conquistou apenas 87 cadeiras.

As maiores eleições do planeta foram realizadas durante sete dias no último mês e meio. Dois terços dos 900 milhões de eleitores inscritos, um em cada oito seres humanos, votaram. Prevaleceu o discurso nacionalista e autoritário de Modi.

O primeiro-ministro usou a segurança nacional como principal tema da campanha, especialmente depois de um atentado terrorista muçulmano na região da Caxemira atribuído a um grupo militante do Paquistão em que 49 policiais militares indianos foram mortos.

Na ocasião, Modi ordenou o bombardeio do campo de treinamento do grupo no país vizinho. O Paquistão contra-atacou e derrubou um avião de guerra da Índia, mas o primeiro-ministro aproveitou para se apresentar como o único capaz de garantir a segurança do país.

"Modi, Modi, Modi!", gritavam os partidários do primeiro-ministro na sede do partido. No discurso da vitória, ele disse: "Avançamos com humildade" e a Índia hoje é "um país governado por consenso".

Em verdade, Modi governa manipulando o nacionalismo hindu, o que tem aumentando o conflito com a minoria muçulmana, que representa mais de 10% da população total do país. Ameaça mudar a sociedade democrática que caracteriza a Índia desde a independência do Império Britânico, em 1947.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros para 6% ao ano

A uma semana do início das eleições gerais, o Banco da Reserva da Índia (BRI) reduziu ontem sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 6% ao ano e pressionou os bancos privados a repassarem o corte aos consumidores, noticiou o jornal The Economic Times.

Ao justificar a medida, o presidente do banco central, Shaktikanta Das, citou a desaceleração do crescimento, a debilidade do investimento e a redução no fluxo de crédito para pequenas e médias empresas.

Com a proximidade das eleições, a oposição deve acusar Das de fazer o jogo do primeiro-ministro Narendra Modi, que mudou o presidente do banco central na expectativa de que um crescimento mais robusto lhe garanta a reeleição. Nos Estados Unidos, o Conselho da Reserva Federal (Fed) não mexe nas taxas de juros em período eleitoral.

A estagnação da renda dos agricultores, a baixa geração de empregos e a fraqueza no investimento ameaçam a vitória do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu e conservador, parte da onda neopopulista de direita.

Modi se elegeu há cinco anos prometendo defender os valores tradicionais da Índia e acelerar o desenvolvimento econômico. Seu maior adversário é Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, filho, neto e bisneto dos primeiros-ministros Rajiv Gandhi, Indira Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Em 2014, Rahul liderou o Partido do Congresso em sua maior derrota. A bancada encolheu de 206 para 44 deputados na Lok Sabha, a Câmara do Parlamento da Índia, que tem hoje 545 cadeiras.

Nas últimas pesquisas, a Aliança Democrática Nacional, liderada pelo BJP de Modi, teve de 34% a 41% votos contra 28% a 31%  para a Aliança Progressista Unida, de Rahul, com 28% a 38% dos votos indo para partidos menores, alguns regionais. A metade das pesquisa indica que talvez nenhuma aliança consiga maioria absoluta.

A Índia é o país que mais cresce entre as dez maiores economias do mundo, mas ainda não é o suficiente para resgatar centenas de milhões de indianos que vivem na miséria.

O Escritório Central de Estatísticas reduziu de a estimativa de avanço do produto interno bruto de 7,2% para 7% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2019 por causa do baixo crescimento das exportações em janeiro e fevereiro. A meta do governo é 7,5% ao ano.

Em 2018, o PIB indiano cresceu 7,3% para um total de US$ 2,69 trilhões. É a sétima maior economia do mundo, depois de EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França, pelo ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ultrapassou a Itália e o Brasil.

Maior democracia do mundo, com 1,34 bilhão de habitantes e cerca de 900 mil eleitores. A votação será dividida em sete dias - 11, 18, 23 e 29 de abril e 6, 12 e 19 de maio - de modo que o Exército possa se deslocar pelo país para garantir a segurança das eleições. A apuração oficial começa em 23 de maio e os resultados devem sair três dias depois.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Primeiro-ministro Narendra Modi defende liberdade religiosa na Índia

Em discurso hoje na Lok Sabha, a Câmara do Parlamento da Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata, nacionalista hindu, prometeu garantir a liberdade religiosa no país. No passado, Modi foi acusado de fomentar conflitos de hindus com muçulmanos.

"A única religião do meu governo é primeiro a Índia. O único livro religioso do meu governo é a Constituição da Índia e nossa única oração é pelo bem-estar de todos", discursou o primeiro-ministro, tentando apagar a imagem sectária do passado.

O chefe de governo da maior democracia do mundo advertiu: "Ninguém tem o direito de discriminar ninguém com base na religião. Ninguém tem o direito de fazer a lei com suas próprias mãos."

Ao apresentar a Sondagem Econômica à Lok Sabha, o ministro das Finanças, Arun Jaitley, afirmou que a economia indiana está em recuperação e vai crescer entre 8,1% e 8,5% no ano fiscal que começa em 1º de abril de 2015, superando a China como grande economia emergente que mais cresce. A expectativa é de um crescimento anual de dois dígitos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Inflação na Índia sobe para 11% ao ano

Depois de um reajuste da gasolina para compensar a alta nos preços internacionais do petróleo, a inflação anual na Índia pulou para 11%. É o maior índice de crescimento de preços em 13 anos.

Foi um "choque de dois dígitos", como definiu um canal da televisão indiana. O ministro das Finanças, Palaniappan Chidambaram, prometeu duras medidas contra a inflação, o que causou medo no mercado de aumento nos juros e derrubou a Bolsa de Valores de Mumbai em 3,45% para a cotação mais baixa do ano.

O Partido Bharatiya Janata, nacionalista hindu, de oposição, deixou claro que vai usar as crises do petróleo e dos alimentos na campanha. Exigiu a renúncia imediata do governo do primeiro-ministro Manmohan Singh, do Partido do Congresso, "para o bem da nação".