Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Doutrina Trump quer impor suas políticas ao mundo
segunda-feira, 27 de março de 2023
Ucrânia apela à ONU por ameaça nuclear da Rússia
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Setembro é o mês do ano com menos mortes na pandemia
Com mais 637 mortes e 27.979 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019 notificados nesta quinta-feira, o Brasil chega a 21.425.777 casos confirmados e 596.800 vidas perdidas na pandemia. Setembro termina como o mês com o menor número de mortes por covid-19 do ano: 16.275.
A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 1% em duas semanas para 540, enquanto a média diária de casos novos dos últimos sete dias recuou 8% em duas semanas para 16.831.
Seis estados e o Distrito Federal apresentam tendência de alta nas mortes, mas, de acordo com o boletim epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz, 14 apresentam tendência de queda em longo prazo.
No mundo, já são 233.767.280 casos confirmados e 4.783.274 mortes. Mais de 211 milhões de pacientes se recuperaram, mas um terço apresenta sintomas de longo prazo num estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Cerca de 17,8 milhões enfrentam casos leves ou médios e 88.638 estão em estado grave.
Os Estados Unidos registraram mais 116.241 casos e 2.790 mortes nesta quinta-feira. Têm o maior número de casos confirmados (43.459.844) e de mortes (697.848). A média diária de casos novos dos últimos sete dias caiu 26% para 111.210. A média de mortes dos últimos sete dias baixou 2% para 1.927.
A Índia relatou mais 277 mortes e 26.727 casos nesta quinta-feira, 13,6% a mais infecções do que na véspera. Soma o segundo maior número de casos confirmados (33.766.707) e o terceiro de mortes (448.339), depois de EUA e Brasil.
Mais de 6,24 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo; 45,2% da população mundial tomaram ao menos uma dose, mas só 2,3% nos países pobres.
A China lidera a vacinação com 2,2 bilhões de doses aplicadas, seguida pela Índia (890,2 milhões, sendo 6,44 milhões na quinta-feira) e a União Europeia (562,5 milhões). Os EUA deram a primeira dose a 214,3 milhões de pessoas, 184,6 milhões (55,7% da população americana) completaram a vacinação e 5,2 milhões receberam a dose de reforço, num total de 404,1 milhões de doses aplicadas.
No Brasil, 146,6 milhões tomaram a primeira dose, 91,45 milhões (42,88% da população brasileira) completaram a vacinação e 882.684 receberam a dose de reforço, num total de 238,9 milhões de doses aplicadas. Meu comentário:
domingo, 15 de novembro de 2020
Acordo comercial da Ásia e do Pacífico exclui EUA
Os líderes de 15 países da Ásia e do Oceano Pacífico anunciaram hoje a conclusão do maior acordo comercial da história para reduzir em até 90% em dez anos as barreiras entre países com um terço da população e da produção mundiais, inclusive a China, o Japão e a Coreia do Sul. Até 2030, a Parceria Econômica Regional Ampla (RCEP) deve agregar US$ 200 bilhões, quase R$ 1,15 trilhão, por ano à economia mundial.
No primeiro dia de seu desgoverno, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica (TPP). O objetivo do governo Barack Obama era criar uma ordem econômica regional à qual a China teria de aderir aceitando as regras preexistentes. É mais uma herança maldita de Trump que reduz a importância dos EUA.
A RCEP aproveita os acordos de livre comércio assinados pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) - Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã - e os transforma num pacto multilateral único com a Austrália, a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia. Ficam de fora os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia e os países da América Latina que faziam parte da TPP (Chile, México e Peru).
Enquanto os EUA, sob Trump, recuaram para um nacionalismo isolacionista, a China dobra a aposta na globalização e no livre comércio,
segunda-feira, 20 de abril de 2020
China corta taxas básicas de juros pela segunda vez em 2020
Berço da pandemia do novo coronavírus, a economia da China sofreu uma queda de 6,8% no primeiro trimestre do ano em comparação com o ano anterior. O país não termina o ano com retração da economia desde 1976, ano da morte do ditador Mao Tsé-tung e do fim da Grande Revolução Cultural Proletária, que arruinou o país.
As bolsas de valores da China e de Hong Kong começaram o pregão operando perto da estabilidade. No Japão, o índice Nikkei caiu 1,03% durante a manhã.
O preço do petróleo tipo West Texas Intermediate, do Golfo do México, padrão do mercado americano, caiu 14,4% na Ásia para US$ 15,64 por barril. O petróleo do tipo Brent, do Mar do Norte, padrão do mercado europeu, caiu 0,85% para US$ 27,84 por barril.
Na sexta-feira, a Bolsa de Nova York fechou em alta de 3% diante de notícias de o medicamento remdesivir, dos laboratórios Gilead, está conseguindo aliviar os sintomas mais graves da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Coronavírus prejudica 5 milhões de empresas no mundo inteiro
No mundo inteiro, 5 milhões de empresas podem ser prejudicadas pela epidemia, alerta um novo estudo divulgado hoje.
A maioria das bolsas da Ásia está em baixa. As perdas são de 1,15 por cento em Tóquio, 1,22 por cento em Seul, 0,2 por cento em Sídnei, na Austrália, 1 por cento em Hong Kong e 0,16 por cento em Xangai. Na contramão da tendência do mercado, a Bolsa de Shenzhen, também na China, sobe 0,33 por cento. As informações são do canal de notícias americano CNBC.
Com o alerta da Apple ao mercado de que vai faturar e lucrar menos, as ações dos fornecedores da empresa na Ásia caíram, no Japão, na Coreia do Sul, em Hong Kong e Taiwan.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
PIB do Japão cai em ritmo de 6,3% ao ano e derruba bolsas da Ásia
Os investidores estão muito preocupados com o impacto econômico da epidemia do coronavírus, que já infectou mais de 71 mil pessoas e matou mais de 1.770 pessoas. Na Austrália, a Bolsa de Sídnei perde 0,34% e, na Coreia do Sul, a Bolsa de Seul recua 0,47%.
"O mercado parece ter a expectativa de um impacto econômico curto, mas está esperando para ver", comentou John Bromhead, analista da empresa ANZ Research. As fábricas chinesas estão reabrindo depois de um feriado prolongado do Ano Novo Lunar e vai levar algum tempo para embarcar toda a carga destinada aos portos.
A movimentação durante os feriados foi a menor em muitos anos. Nesta época, os chineses visitam suas famílias.
Para conter a propagação da doença do coronavírus, as autoridades proibiram viagens e indenizaram os consumidores por 20 milhões de passagens aéreas de voos cancelados, no valor de US$ 2,9 bilhões. Só um quarto dos voos decolaram, na comparação com o ano passado.
Eram esperadas 280 milhões de viagens de trem. Só um sétimo, 40 milhões de viagens, foram realizadas. Cerca de US$ 1,6 bilhão foram devolvidos para passageiros de viagens suspensas.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
China articula acordo de livre comércio rival da Parceria Transpacífica
O presidente Barack Obama negociou a Parceria Transpacífica, um acordo de livre comércio de 12 países da orla do Oceano Pacífico.O objetivo criar uma ordem econômica regional antes que a China o fizesse. Obama queria evitar que a superpotência ascendente, hoje segunda maior economia do mundo, impusesse suas próprias regras aos países vizinhos.
Com sua obsessão de destruir tudo o que Obama fez, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica no primeiro dia de governo.
Agora, diante da expectativa de não conseguir fechar um acordo construtivo com o governo Trump, a China toca seus próprios projetos. Além da Iniciativa Um Cinturão, Uma Estrada, uma série de obras de infraestrutura, estradas e portos ao longo do antigo Caminho da Seda, que ligava o Leste da Ásia à Europa, a China negocia um acordo de livre comércio: a Parceria Econômica Regional Ampla. Meu comentário:
domingo, 21 de abril de 2019
Terroristas matam 290 pessoas e ferem outras 500 no Sri Lanka
Pelo menos 290 pessoas morreram e mais de 500 saíram feridas. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques. A polícia suspeita de extremistas muçulmanos. Prendeu 24 suspeitos.
A partir das 8h45 (0h15 em Brasília), houve explosões na Igreja de Santo Antônio, em Colombo; a Igreja de São Sebastião, em Negombo; e a Igreja Zion, em Batticaloa; durante o horário de missa da manhã.
Os três hotéis de luxo atacados ficam na capital, Colombo: Shangri-La, Cinnamon Grand e Kingsbury. As outras duas explosões foram atribuídas pela polícia a terroristas em fuga. No domingo à noite, a polícia desativou uma bomba perto do Aeroporto Internacional Bandaranaike.
Dos 39 estrangeiros mortos, 25 foram identificados: oito indianos, três americanos, dois chineses, dois britânicos, dois turcos, um bengalês, um dinamarquês, um holandês, um japonês, um marroquino, um paquistanês, um polonês e um português.
Em pronunciamento oficial na televisão, o primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe condenou "os ataques covardes de hoje" e fez um apelo à população para não espalhar notícias falsas e especulativas. As autoridades ainda não determinaram a autoria.
Os atentados coordenados e simultâneos contra civis têm a marca de grupos jihadistas como a rede Al Caeda e o Estado Islâmico. O Estado Islâmico costuma reivindicar até mesmo a autoria de ações armadas que não realizou.
Há dez dias, a polícia havia recebido um alerta de que um grupo extremista muçulmano, National Thowheeth Jamaath, planejava ataques a igrejas. Até agora, era mais conhecido por vandalizar e destruir estátuas budistas.
De acordo com o Centro Internacional para Estudos sobre a Violência Extremista, o NTJ não luta pela independência ou autonomia politica. Sua guerra é religiosa para impor sua visão puritana e punir os infiéis e pescadores.
De julho de 1983 a maio de 2009, o Exército do Sri Lanka enfrentou uma rebelião armada dos Tigres pela Libertação do Ilam Tamil, uma guerra civil entre a maioria singalesa e budista e a minoria tamil e hindu.
Mais de 50 mil pessoas morreram durante a guerra civil, mas a luta era entre budistas (70%) e hindus (13%). As minorias muçulmana (10%) e cristã (7%) estavam praticamente fora da briga.
Com cerca de 22 milhões de habitantes, o Sri Lanka é considerado o terceiro país mais religioso do mundo; 99% consideram a religião um aspecto muito importante da vida.
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
China reorientou tráfego de dados da Internet para roubar informações
Todas as informações foram enviadas depois para o destino e assim não levantar suspeitas. Há muito, os governos ocidentais temem que o regime comunista da China use suas empresas de alta tecnologia para interferir em redes estrangeiras e piratear dados de governos e empresas.
Ao passar por servidores chineses, as informações ficam disponíveis para roubo pelos serviços secretos e empresas da China.
Com a rivalidade crescente entre a China e os Estados Unidos, agravada pela guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump para reduzir um déficit comercial que chegou a US$ 375 bilhões em 2017, há uma nova guerra fria no ar e na rede mundial de computadores.
O governo Trump limitou as atividades e os investimentos de companhias chinesas de alta tecnologia como a Huawei. Um objetivo central é manter a superioridade tecnológica e a supremacia militar dos EUA.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Poluição do ar mata 7 milhões de pessoas por ano no mundo
Este número de mortos supera os de mortes por diabete (1,6 milhão), tuberculose (1,4 milhão), acidentes de trânsito (1,3 milhão) e aids (1,1 milhão) somados.
A poluição do ar é "um grande fator de risco" para doenças não transmissíveis que estão na origem de 70% das mortes no mundo, acrescenta o documento da agência das Nações Unidas. É responsável por 29% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por acidentes vasculares cerebrais (AVCs), 24% das mortes por infarto e por 43% das doenças pulmonares obstrutivas, como asma, enfizema e broncopneumonias.
O maior número de mortes é registrado na Ásia sem o Oriente Médio (2 milhões), seguida pela África (1 milhão), Europa incluindo a Rússia (500 mil), o Oriente Médio (500 mil) e a América (300 mil).
"A poluição ameaça a todos nós, mas os mais pobres e mais marginalizados recebem a maior parte da carga", declarou o diretor-geral da OMS, o médico e ex-ministro etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus. "É inaceitável que 3 bilhões de pessoas - na maioria, mulheres e crianças - ainda inalem todos os dias fumaça mortal por usarem combustíveis e fogões poluentes dentro de suas próprias casas."
A OMS recomenda um limite anual de 10 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros.
"Várias megalópoles do mundo inteiro, como Nova Déli, Beijim, Xangai, Lima e a Cidade do México, ultrapassam mais de cinco vezes este limite", comentou a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, a médica espanhola María Neira.
Para coordenar os esforços dos países na luta contra esse "assassino invisível", a OMS vai realizar de 30 de outubro a 1º de novembro, em Genebra, na Suíça, a 1ª Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Trump mostra disposição para negociar com a Coreia do Norte
Em uma Coreia do Sul dividida, onde é extremamente impopular por aumentar o risco de uma nova guerra da Coreia, Trump deixou as ameaças de lado. Na primeira escala, no Japão, havia dito que "a paciência estratégica com a Coreia do Norte acabou".
Hoje, adotou um tom conciliatório: "Faz sentido para a Coreia do Norte vir para a mesa e fazer um acordo que seja bom para o povo norte-coreano e para o mundo", declarou o presidente americano na entrevista coletiva em Seul, ao lado do presidente sul-coreano Moon Jae In.
Trump não deixou de citar a forte presença militar dos Estados Unidos na região, com três grupos navais liderados por porta-aviões e um submarino nuclear perto da Península Coreana: "Esperamos por Deus nunca ter se usá-los".
Depois de testes de armas nucleares e mísseis, Trump ameaçou responder com "fogo e fúria" às provocações do ditador Kim Jong Un, que chama de Pequeno Fogueteiro. Agora, lembrou que ele está "ameaçando milhões e milhões de pessoas desnecessariamente".
Um dos principais objetivos da viagem à Ásia é alistar os países da região, especialmente a China e a Rússia, na luta pela desnuclearização da Coreia do Norte, cortando as relações econômicas com a ditadura stalinista de Pionguiangue.
domingo, 5 de novembro de 2017
Trump chega à Asia para discutir China, Coreia do Norte e comércio
Na base aérea de Yokota, Trump discursou para militares dos Estados Unidos estacionados no Japão e repetiu que está pronto para uma possível guerra com a Coreia do Norte, sem citá-la: "Junto com nossos aliados, os guerreiros americanos estão preparados para defender nossa nação com toda a gama de nossas capacidades sem igual."
Trump renovou a ameaça: "Dominamos o céu, dominamos os mares, dominamos a terra e o espaço. Ninguém - nenhum ditador, regime ou nação - deve subestimar jamais a determinação dos EUA. De vez em quando, no passado, eles nos subestimaram. Não foi agradável para eles, foi?"
Além do Japão, Trump vai à Coreia do Sul, à China, ao Vietnã, onde participa da reunião de cúpula do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico (APEC), e às Filipinas para outros dois encontros regionais.
A viagem tem três objetivos, esclareceu o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, general Herbert McMaster: promover a abertura e a liberdade na região do Índico e do Pacífico, aumentar a prosperidade dos EUA através de um comércio justo e "fortalecer a determinação internacional de desnuclearizar a Coreia do Norte".
Durante o voo, a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump tentou mais uma vez se mostrar mais forte e mais linha dura do que seus antecessores: "Foram 25 anos de total fraqueza, então estamos fazendo uma abordagem muito diferente."
O Japão apoia a estratégia do governo Trump de impor sanções ao regime comunista norte-coreano, mas teme que o tiroteio verbal se transforme numa guerra real, que seria arrasadora com as armas nucleares que a Coreia do Norte testou nos últimos anos.
Para o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, as provocações norte-coreanas, com mísseis passando sobre o Japão, passaram do limite. Depois de sua recente vitória eleitoral, Abe prepara uma mudança da Constituição pacifista imposta pelos EUA no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1947, que proíbe o Japão de projetar sua força militar no exterior.
Há resistência interna, mas o país quer plena capacidade de se defender. Na era Donald Trump, aumenta a dúvida se os EUA vão defender seus aliados. A falta de unidade estratégica tende a levar cada país a buscar sua própria solução, seja desenvolvendo armas nucleares ou negociando diretamente com Pionguiangue.
A China e a Coreia do Sul querem fazer os EUA negociar com a ditadura de Pionguiangue. Assim, o desafio inicial de Trump é unir os aliados para falar com uma voz única com a China e a Coreia do Norte. O presidente americano insiste em que o regime comunista chinês deveria enquadrar o ditador Kim Jong Un e obrigá-lo a abrir mão dos mísseis e das bombas atômicas.
Talvez a China não possa pela arrogância e imprevisibilidade de Kim. Não quer que a situação saia de controle, deflagrando uma guerra na sua fronteira. Mas talvez não queira fazer o jogo dos EUA. Deixar o inimigo na dúvida e na incerteza é uma antiga lição de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, o grande clássico da estratégia chinesa.
A Coreia do Norte é uma carta na manga da China para negociações com os EUA. Os generais avisaram Trump que um ataque preventivo causaria uma guerra com um milhão de mortes ou mais. A opção militar não é uma opção racional e Kim Jong Un sabe disso. Blefa o tempo todo, mas sabe que não pode atacar. Seria o fim do regime.
Na Coreia do Sul, Trump vai encontrar Moon Jae In um presidente que acusou de querer "apaziguar" a Coreia do Norte. Liberal, Moon se elegeu depois do impeachment da presidente conservadora Park Geun Hye com uma proposta de retomar o diálogo com o Norte, enquanto Trump prefere claramente uma estratégia de confrontação.
Como um dos primeiros atos de seu governo, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), um acordo de liberalização comercial negociado longamente pelo governo Obama, de interesse do Japão. Também incluía Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã. O objetivo era impor as regras do jogo antes que a China faça isso.
A Coreia do Sul não aderiu à TPP, mas também exige a renegociação de um acordo comercial entre os dois países. Mais de cem manifestações de protesto contra sua presença estão previstas.
Na China, Trump terá a segunda tarefa mais árdua da viagem, depois desnuclearização da Coreia do Norte, esta totalmente inexequível: eliminar o saldo comercial favorável à China no comércio bilateral, de US$ 347 bilhões em 2016 e US$ 274 bilhões de janeiro a setembro de 2017.
Por sua falta de experiência e conhecimento das relações internacionais, o presidente acredita que pode usar a questão norte-coreana na negociação comercial. Trump tem uma visão do mundo de homem de negócios. Tenta diminuir e desvalorizar quem está do outro lado na presunção de que cada negociação é uma batalha com vencedores e vencidos, sem dar a devida importância, por exemplo, a alianças internacionais.
Quando discursar na reunião de cúpula da APEC no Vietnã, Trump vai defender a posição americana de um mundo livre e aberto na Ásia, na região rebatizada como Indo-Pacífico. No meio, estão as disputas territoriais chinesas com os vizinhos, inclusive as Filipinas e o Vietnã, no Mar do Sul da China.
O ditador Xi Jinping deixou claro no 19º Congresso do Partido Comunista, encerrado na semana passada, que como superpotência em ascensão a China está disposta a usar a força para garantir suas ambições territoriais.
Conter a China é outro item praticamente impossível da agenda de Trump, mas é o que está implícito no novo conceito geopolítico do Indo-Pacífico, aliando a Índia ao projeto.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
China propõe plano de paz a Israel e palestinos
A proposta de paz chinesa foi elaborada depois da visita à Beijim do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Seus quatro pontos são:
• avançar rumo a uma solução com dois estados com base nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, com Jerusalém Oriental como capital do Estado palestino;
• aplicar "o conceito de uma segurança comum, ampla, cooperativa e sustentável", acabar imediatamente com a ampliação das colônias judaicas, tomar medidas imediatas para prevenir a violência contra civis e reiniciar as conversações de paz;
• coordenar os esforços internacional para por em prática "medidas conjuntas de promoção da paz";
• promover a paz através da cooperação e do desenvolvimento de Israel e dos palestinos.
O representante chinês afirmou que Israel e a Palestina são parceiros importantes no projeto do Novo Caminho da Seda, uma série de obras de infraestrutura para com portos, rodoviais e ferrovias na Ásia, na África e na Europa.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Animal recordista de velocidade em terra está ameaçado de extinção
No mundo selvagem, guepardos são bons caçadores por causa da velocidade, mas são leves. Com pouco peso, muitas vezes perdem a caça, por exemplo, para bandos de hienas.
Em estado selvagem, o guepardo se concentra hoje em alguns países do Sul da África. Na Ásia, praticamente desapareceu. Há 50 guepardos no Irã.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Rebeldes de Mianmar atacam perto da fronteira com a China
A ofensiva é uma ação combinada de vários grupos rebeldes de base étnica: o Exército Nacional de Libertação Taang, o Exército Independente Kachin, o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar e o Exército Arakã.
De acordo com um porta-voz do Exército Nacional de Libertação Taang, a ofensiva rebelde é uma resposta a operações militares recentes nos estados de Chã, Kachin e Raquine. Pelo menos 900 civis fugiram das regiões conflagradas. Alguns atravessaram a fronteira com a China.
Por outro lado, o Exército Popular de Libertação da China entrou em alerta máxima, noticiou a agência Reuters.
Alguns exércitos rebeldes controlam regiões ricas em recursos naturais e resistem em ceder o poder ao governo central de Mianmar.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Navio-tanque da Malásia é sequestrado na Indonésia
O valor da carga a bordo do do navio-tanque Vier Harmoni foi estimado em US$ 392 mil (R$ 1,257 milhão).
Com o rápido desenvolvimento da Ásia, o Sudeste Asiático tornou-se uma das principais rotas do comércio internacional. O Estreito de Málaca é uma região muito perigosa por causa dos piratas, embora nos últimos anos as regiões mais problemas tenham sido as costas da Nigéria, no Golfo da Guiné, e da Somália, no Oceano Índico.
sábado, 16 de julho de 2016
Turquia prende 754 militares golpistas
Pelo menos 60 pessoas morreram e 150 saíram feridas dos combates entre os militares golpistas e as forças legalistas, a maioria na capital, Ancara.
Cerca de 50 soldados que haviam tomado a Ponte do Bósforo se renderam depois de matar três civis e disparar jatos d'água contra a polícia.
Depois de ficar horas desaparecido, o presidente Erdogan reapareceu no aeroporto de Istambul, que chegou a ser tomado pelos golpistas, e prometeu processar e punir os responsáveis.
Os tanques rebeldes chegaram a bombardear a Assembleia Nacional e a cercar o palácio presidencial, em Ancara, mas foram atacados por caças-bombardeiros da Força Aérea leais ao governo.
A Força Aérea também derrubou um helicóptero usado por golpistas. Pelo menos 17 policiais de forças especiais foram mortos pelos militares rebeldes, assim como três civis que desafiaram o bloqueio de uma das pontes que ligam a Europa à Ásia.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Libra cai 6,84% com primeiros resultados a favor de saída da UE
Em Londres e na Escócia, é ampla a maioria a favor da ficar na UE. Mas no resto da Inglaterra e no País de Gales, a saída da UE vence, derrubando as bolsas de valores da Ásia. Como acontece nos momentos de crise, o ouro está em alta.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Filipinas detêm barcos pesqueiros da China
Os barcos apreendidos estavam perto de ilhas próximas à grande ilha de Luzón numa região do Mar do Sul da China reivindicada pelo regime comunista chinês. Foram escoltados até o porto de Basco, onde as tripulações foram interrogadas.
"A presunção neste tipo de casos é que iriam pescar ilegalmente", declarou o diretor do Escritório de Recursos Pesqueiros e Aquáticos das Filipinas, Asis Perez. Pela lei filipina, a pesca ilegal pode ser punida com multas de até US$ 1 milhão.
Com a industrialização e o crescimento populacional, o consumo de pescado cresce na Ásia, aumentando a disputa por águas territoriais e recursos pesqueiros. O governo chinês se considera dono de quase todo o Mar do Sul da China, que disputa com Brunei, as Filipinas, a Malásia, o Vietnã e Taiwan.
As Filipinas recorreram à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda. A decisão é esperada em meados deste ano, mas a China já avisou que não vai aceitá-la.
