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domingo, 3 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

COLOMBO CHEGA À JAMAICA

    Em 1494, na sua segunda viagem à América, o navegador genovês Cristóvão Colombo chega à Jamaica, que batiza como Santiago.


Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 na costa do Brasil e descreve o continente como Novo Mundo.

A segunda viagem de Colombo tem o objetivo de iniciar a colonização. Ele descobre a Jamaica e funda uma colônia em Hispaniola.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data do "descobrimento" da América pelos europeus é comemorada hoje como Dia dos Povos Indígenas. Cerca de metade morreu até 1580, num choque de civilizações, genocídio e doenças para as quais os nativos não têm defesas.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis conclui que Colombo era espanhol e judeu. 

TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considerado o primeiro e-mail indesejado (spam).

A estimativa hoje é que 160 bilhões de e-mails de spam sejam enviados todo dia, 46% do total de 347 bilhões de e-mails enviados em média a cada dia.

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chega ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de mineiros de  11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome por exigir reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política agrícola comum de subsídios do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirma.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decide sair da UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, que exigiria mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recupera até hoje e que leva ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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sábado, 3 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

COLOMBO CHEGA À JAMAICA

    Em 1494, na sua segunda viagem à América, o navegador genovês Cristóvão Colombo chega à Jamaica, que batiza como Santiago.


Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participou das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 e descreveu o continente como Novo Mundo.

A segunda viagem tem o objetivo de iniciar a colonização. Ele descobre a Jamaica e funda uma colônia em Hispaniola.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data do "descobrimento" da América pelos europeus é comemorada hoje como Dia dos Povos Indígenas. Cerca de metade morreu até 1580, num choque de civilizações e genocídio.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis concluiu que Colombo era espanhol e judeu. 

TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considera o primeiro e-mail indesejado (spam).

A estimativa hoje é que 160 bilhões de e-mails de spam sejam enviados todo dia, 46% do total de 347 bilhões de e-mails enviados em média a cada dia.

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chega ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome por exigir reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decide sair da UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, que exigiria mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recupera até hoje e que leva ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

 TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considera o primeiro e-mail indesejado (spam).

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefiou o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chegou ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganhou da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista quando líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumentou quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Crise das redes sociais ameaça futuro da liberdade na Internet

A desinformação, a censura, a manipulação e a perseguição política nas redes sociais ameaçam o futuro da liberdade de expressão na Internet, adverte um relatório divulgado ontem pela organização não governamental americana Freedom House. Pelo nono ano consecutivo, houve declínio da liberdade na rede mundial de computadores.

Dos 65 países onde a pesquisa foi realizada, em 33 houve declínio da liberdade na Internet. O recuo foi maior no Brasil, em Bangladesh, no Casaquistão e no Zimbábue. 

A revolução tecnológica gerou um autoritarismo digital. Governos autoritários vigiam os cidadãos nas redes sociais. 

Em 47 dos 65 países examinados, houve prisões por divulgar “conteúdo político, social ou religioso” que desagradou aos donos do poder. 

O mundo tem hoje 7 bilhões 742 milhões de pessoas. Quase metade, 3 bilhões e 800 milhões, tem acesso à Internet. Mas isto não as torna mais livres. Do universo da pesquisa:

• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgar conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde existe censura na rede;
• 46% vivem em países onde governos desligaram a Internet e cortaram as telecomunicações por telefone por motivos políticos; e
• 46% vivem em países onde o acesso às redes sociais é restrito temporária ou permanentemente.

A desinformação sempre foi uma arma da luta política, mas o impacto hoje é muitíssimo maior. Em 38 dos 65 países estudados, líderes políticos empregam indivíduos para formar sub-repticiamente a opinião na rede. 

Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de extrema direita coincidiu com o surgimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quando contas falsas e robôs, constata o relatório intitulado A Crise das Redes Sociais. Meu comentário:

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Liberdade está em declínio na Internet

De 65 países examinados, em 33 houve um declínio da liberdade na Internet desde junho de 2018, constatou um estudo da organização americana Freedom House. Entre os países com maior recuo citados no relatório A Crise das Redes Sociais, estão o Brasil, Bangladesh, o Casaquistão e o Zimbábue.

Com o autoritarismo digital e a vigilância aos cidadãos, em 47 dos 65 países houve prisões por "conteúdo político, religioso ou social" na rede mundial de computadores.

Dos 7,742 bilhões de seres humanos, 3,8 bilhões têm acesso à Internet.
• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgarem conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde conteúdo político, social ou religioso on-line é censurado;
• 46% vivem em países onde as autoridades desligaram a internet ou as telecomunicações por telefone por motivos políticos;
• 46% vivem em países onde o acesso às plataformas das redes sociais é temporária ou permanentemente restrito.

A desinformação está em alta: "Líderes políticos empregam indivíduos para formar subrepticiamente a opinião na rede em 38 dos 65 países estudados neste relatório. (...) Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de ultradireita coincidiu com o crescimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quanto fradulentos e contas automáticas", de robôs.

É a crise das redes sociais, nome do estudo. As plataformas que prometiam abertura e liberdade de expressão estão sendo usadas para vigiar, reprimir e confundir.

"A liberdade na Internet é crescentemente ameaçada pelos instrumentos e táticas do autoritarismo digital, que se espalhou rapidamente pelo globo. Regimes repressivos, governantes eleitos com ambições autoritárias e operadores partidários inescrupulosos exploram espaços não regulamentados das plataformas das redes sociais, convertendo-as em instrumentos para a distorção da política e o controle da sociedade", advertem os autories, Adrian Shahbaz e Allie Funk.

"Embora as redes sociais tenham às vezes servido de campo nivelado para a discussão cívica, elas estão agora se inclinando perigosamente para o iliberalismo, expondo os cidadãos a uma repressão sem precedentes de suas liberdades fundamentais. Pior ainda, uma alarmante variedade de governos está instalando instrumentos avançados para identificar e monitorar usuários numa escala imensa. Como resultado desta tendência, a liberdade na Internet global caiu pelo nono ano consecutivo em 2019", afirma o relatório.

O estudo acrescenta que "as redes sociais permitem que pessoas comuns, grupos sociais e jornalistas tenham acesso a uma vasta audiência a baixo ou nenhum custo, mas também oferecem uma plataforma útil e barata para operações de influência maligna de agentes do país ou do exterior."

"Além de facilitar a disseminação de propaganda e desinformação durante campanhas eleitorais, as redes sociais permitem a coleta e a análise de vasta quantidade de dados sobre populações inteiras. A vigilância sofisticada em massa, antes possível apenas para as agências de inteligência das grandes potências, agora é acessível a ampla variedade de países", alerta a Freedom House.

"Agentes estatais e não estatais empregaram técnicas informacionais para distorcer o ambiente da mídia durante eleições em 24 países no ano passado, tornando-a de longe a tática mais popular. A Freedom House lista cinco grandes métodos de manipulação: notícias que são propagandas, notícias totalmente falsas, comentaristas pagos, robôs e o sequestro de contas reais nas redes sociais.

"Neste ano, populistas e líderes de extrema direita se tornaram não só adeptos de criar uma desinformação viral, mas também de cultivar redes que as disseminem. Algumas destas redes são explicitamente dirigidas pelo Estado ou por funcionários do partido, enquanto outras são semiautônomas, dão apoio a seus ídolos políticos e recebem em troca encorajamento e aprovação", comenta o estudo, ao tentar explicar a redução da liberdade em 2019.

"Estas redes trabalham em conjunto com personalidades da mídia e magnatas do mundo dos negócios aliados ao governo. Estas matilhas virtuais amplificam teorias conspiratórias, visões inflamatórias e memes enganosos de pequenas câmaras de eco digital para a realidade política", argumentam os autores.

"Grupos de extrema-direita podem ter mais sucesso porque - como mostram estudos - conteúdos falsos, chocantes, negativos, exagerados e emocionalmente carregados tendem a se propagar mais depressa e mais amplamente em plataformas de redes sociais do que outros tipos de conteúdo", nota o relatório, acrescentando que as autoridades eleitorais da maioria dos países não estão preparadas para controlar este tipo de campanha eleitoral.

A pesquisa indica que "governos repressivos estão adquirindo instrumentos de vigilância nas redes sociais que empregam inteligência artificial para identificar possíveis ameaças e silenciar manifestações indesejadas. Mesmo nas democracias esta vigilância em massa está se espalhando pelas agências governamentais e sendo usada para outros propósitos sem as salvaguardas adequadas.
Se a China isola sua Internet para evitar a entrada de ideias indesejáveis para o regime comunista e a Rússia marcha na mesma direção, as grandes plataformas das redes sociais estão nos Estados Unidos e "sua exploração por forças antidemocráticas é em parte produto da negligência americana", continua o relatório.

"A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 no Brasil provou ser um divisor de águas para a interferência digital nas eleições do país. Atores não identificados montaram ataques contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados, enquanto a manipulação das redes sociais atingia novos picos. Partidários de Bolsonaro e de sua coalizão de extrema direita Brasil acima de Todos, Deus acima de Tudo divulgaram rumores homofóbicos e imagens manipuladas no YouTube e no WhatsApp. No governo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação a quem se credita uma campanha sofisticada de desinformação", diz o parágrafo sobre o Brasil.

"O futuro da liberdade na Internet depende de corrigir as redes sociais", propõem os autores. "Não há tempo a perder. Novas tecnologias como biométrica, inteligência artificial e redes de telecomunicações de quinta geração (5G) vão oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento humano, mas também apresentam, sem dúvida, uma nova série de desafios aos direitos humanos.

"São necessárias proteções fortes às liberdades democráticas para garantir que a Internet não se transforme num Cavalo de Troia da tirania e da opressão. O futuro da privacidade, da liberdade de expressão e da governança democrática está nas decisões que tomamos hoje."

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

China reorientou tráfego de dados da Internet para roubar informações

A empresa estatal de telecomunicações China Telecom redirigiu o tráfego de dados de fontes da América do Norte, do resto da Ásia e da Europa para servidores chineses num megaesquema de espionagem, revelou a empresa americana de alta tecnologia Oracle citando uma investigação do Colégio de Guerra Naval dos Estados Unidos e da Universidade de Telavive, em Israel.

Todas as informações foram enviadas depois para o destino e assim não levantar suspeitas. Há muito, os governos ocidentais temem que o regime comunista da China use suas empresas de alta tecnologia para interferir em redes estrangeiras e piratear dados de governos e empresas.

Ao passar por servidores chineses, as informações ficam disponíveis para roubo pelos serviços secretos e empresas da China.

Com a rivalidade crescente entre a China e os Estados Unidos, agravada pela guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump para reduzir um déficit comercial que chegou a US$ 375 bilhões em 2017, há uma nova guerra fria no ar e na rede mundial de computadores.

O governo Trump limitou as atividades e os investimentos de companhias chinesas de alta tecnologia como a Huawei. Um objetivo central é manter a superioridade tecnológica e a supremacia militar dos EUA.

sábado, 5 de maio de 2018

Câmara dos Lordes propõe Carta Magna para a era digital

Depois de seis meses de trabalho, a Comissão Especial para Inteligência Artificial da Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico propôs a elaboração de uma Carta Magna para regulamentar internacionalmente as grandes empresas da Internet e a inteligência artificial, informou o jornal digital americano The Huffington Post.

"Em 1215, a Inglaterra adotou a Magna Carta para impedir os reis de abusarem de seus poderes. Hoje os novos reis são as grandes empresas de alta tecnologia e, como séculos atrás, precisamos de uma carta para governá-los", escreveu o sociólogo e lorde Anthony Giddens, ex-diretor da London School of Economics e membro do comitê que estudou o assunto.

A carta estabeleceria princípios para o desenvolvimento da inteligência artificial no mundo inteiro. Os pontos principais seriam:

• Deve ser desenvolvimento para o bem comum.
• Operar de acordo com os princípios de inteligibilidade e transparência: os usuários devem ser capazes de entender facilmente os termos nos quais seus dados pessoais serão usados.
• Respeitar o direito à privacidade.
• Ser baseada em mudanças profundas na educação. O ensino exige reformas para utilizar os recursos digitais, e os estudantes devem aprender não apenas as habilidades digitais, mas também como desenvolver uma perspectiva crítica on-line.
• Nunca ter o poder autônomo para ferir, destruir ou enganar seres humanos.

Giddens entende que "a revolução digital é a força mais dinâmica hoje no mundo. Afeta tudo, das intimidades da vida cotidiana aos conflitos geopolíticos e uniu o mundo como nunca antes. Mas, ao mesmo tempo, fratura e divide. A inteligência artificial e a Internet são as duas forças gêmeas que dirigem estas mudanças."

O sociólogo vê a inteligência artificial entrando numa terceira fase. Na primeira, dos esforços de Alan Turing para decifrar os códigos secretos da Alemanha na Segunda Guerra Mundial até o fim dos anos 1980s, o domínio foi dos governos e da academia.

Na segunda fase, o mercado toma conta do processo com a ascensão das empresas do Vale do Silício, na Califórnia, com a máxima de "mova-se rapidamente e quebre coisas". As novas empresas de Internet fazem novos bilionários.

Nesta terceira fase, o ex-diretor da LSE acredita ser fundamental maior participação do Estado e do público em geral: "Por um momento, os avanços positivos das tecnologias digitais - maior conexão entre amigos ou acadêmicos, a análise de uma massa de dados sobre o código genético, a conveniência de comprar on-line - tomaram o palco principal."

A ilusão de que não haveria problemas fez parte da euforia inicial com a revolução tecnológica: "Mas os aspectos negativos provaram ser profundos, mesmo que tomem tempo para aflorar", pondera Giddens. "Eles incluem ameaçam ao próprio tecido da nossa democracia - movimentos on-line que desafiam ou até mesmo substituem. Estão emergindo ao mesmo tempo em que há dramáticos avanços na inteligência das máquinas."

O desafio, acrescenta, é corrigir os erros preservando o dinamismo e a inovação.

A tarefa de negociar um acordo internacional para regulamentar o desenvolvimento da inteligência artificial em bases éticas é gigantesca. "As notícias falsas não são apenas um problema estrutura profundo da era digital; foram transformadas diretamente em armas pela Rússia e outros países", observa Giddens.

Como a China também tem um regime ditatorial que usa a Internet para vigiar e policiar seus cidadãos, tem a maior capacidade em supercomputadores do mundo e deve assumir a liderança tecnológica em inteligência artificial, um acordo global é ainda mais difícil.

A corrida tecnológica é a parte central do conflito geoestratégico e da luta pela liderança internacional entre os Estados Unidos e a China.

"As vantagens da revolução são enormes e remodelaram nossas vidas, em muitos aspectos para melhor. Como nas revoluções tecnológicas anteriores, as sociedades precisam encontrar uma maneira de colher os benefícios da inovação enquanto contêm seus problemas e riscos", concluiu Giddens. "Uma carta que proteja os direitos e liberdades dos cidadãos - uma Carta Magna para a era digital - é um bom começo."

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governo Trump acaba com neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos revogou uma regra básica de operação da rede mundial de computadores que obrigava os provedores de serviços a tratar todo o tráfego de dados via Internet da mesma maneira, sem dar prioridade, por exemplo, a quem estiver disposto a pagar mais. A partir de agora, poderão acelerar, retardar ou bloquear o tráfego.

É mais uma regulamentação do governo Barack Obama (2009-17) eliminada sob o presidente Donald Trump. Os republicanos afirmam que a medida vai revitalizar a economia da banda larga, beneficiando os consumidores ao oferecer mais opções e preços menores.

A votação seguiu a orientação partidária dos membros da comissão. Para o presidente da CFC, Ajit Pai, idealizador da nova regulamentação, a chave do sucesso será "a transparência - a ideia de que os consumidores saibam exatamente o que estão pagando."

Do lado de fora, ativistas que veem numa Internet neutra e aberta um instrumento poderoso da democracia e da igualdade de oportunidades protestaram. Eles alegam que a nova regulamentação tende a aumentar os preços e balcanizar a rede, criando nichos que não se comunicam.

Os grandes vencedores são empresa como AT&T, Comcast e Verizon, que poderão cobrar mais caro de usuários e empresas de maior poder aquisitivo para acelerar suas mensagens. Perdem companhias como o Google, a Amazon, o Netflix e o Facebook. Temem que os provedores cobrem tarifas elevadas ou deem prioridade a seu próprio conteúdo.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Filho de Trump trocou e-mails com WikiLeaks durante a campanha

Durante a campanha eleitoral do ano passado nos Estados Unidos, Donald Trump Jr., filho do atual presidente, trocou mensagens de correio eletrônico com a empresa especializada em vazamentos na Internet WikiLeaks, que divulgou mensagens pirateadas provavelmente pelos serviços secretos da Rússia, revelou ontem a revista The Atlantic.

Em 20 de setembro de 2016, o WikiLeaks avisou o filho do então candidato Donald Trump sobre o lançamento de um novo sítio na Internet sobre o relacionamento de seu pai com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Um comitê de ação política anti-Trump está para lançar um sítio chamado putintrump.org", alertou o WikiLeaks. O sítio de vazamentos criado pelo anarquista australiano Julian Assange alega denunciar abusos de poder de governos e empregos, mas decidiu se associar ao Kremlin e a Putin, que combatem sistematicamente a democracia ocidental.

O WikiLeaks acrescentou ter "adivinhado a senha" do sítio contra Trump e perguntou se Trump Jr. tinha algo a dizer a respeito. No dia seguinte, o filho do presidente prometeu investigar que grupo estaria por trás da jogada.

A mensagem do WikiLeaks foi repassada a altos dirigentes da campanha de Trump, como o então chefe da campanha, Steve Bannon; a gerente e chefe da comunicação social, Kellyanne Conway; o assessor e genro de Trump, Jared Kushner; e o diretor digital, Brad Parscale.

"Vocês conhecem as pessoas mencionadas e o que pode ser esta conspiração?", perguntou Trump Jr.

As mensagens fazem parte de uma série de documentos entregues pelos advogados de Trump Jr. à comissão do Congresso dos EUA que investiga um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin.

Trump chama a investigação de uma "caça às bruxas". Depois de um encontro com Putin durante a reunião de cúpula do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), na semana passada, no Vietnã, o presidente americano voltou a dizer que acreditava na alegação do líder russo de que não houve interferência nenhuma.

No dia seguinte, Trump mudou de ideia. Sob a orientação de assessores, voltou a agir como presidente. Concordou com os serviços secretos dos EUA, que viram interferência da Rússia e investigam se houve conivência da campanha de Trump.

Antes disso, o verdadeiro Trump desabafou no Twitter: "Quando todos os odiosos e tolos lá fora vão perceber que ter um bom relacionamento com a Rússia é coisa boa, não ruim. Estão sempre fazendo um jogo político - ruim para o país. Quero resolver problemas como Coreia do Norte, Síria, Ucrânia, terrorismo, e a Rússia pode ajudar muito!"

Como de costume, Trump revela um otimismo vazio e grande ignorância das questões internacionais. Se a Rússia interveio militarmente na Ucrânia, anexou ilegalmente a península na Crimeia e iniciou uma guerra civil no Leste do país, certamente não é a solução.

Da Coreia do Norte, que era aliada da União Soviética, a Rússia se reaproximou recentemente para ajudar a sustentar o regime. Faz parte da estratégia de Putin de lutar contra a democracia e tentar erodir o poder dos EUA.

Na Síria, a Rússia apoia a ditadura de Bachar Assad e o Irã, enquanto Trump tenta isolar o regime dos aiatolás junto com a Arábia Saudita. No terrorismo, os dois países têm um inimigo comum.

Hoje, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, fez um duro ataque à guerra cibernética da Rússia contra as democracias ocidentais. A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, denunciou a divulgação de notícias falsas por meios de comunicação teleguiados pelo Kremin, como a televisão Rússia Today e a agência de notícias Sputnik.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Procurador do Missouri investiga Google por práticas desleais

Em uma nova batalha regulatória contra os gigantes da Internet, o procurador-geral do estado do Missouri, nos Estados Unidos, Josh Hawley, abriu inquérito para investigar se o Google violou leis estaduais de proteção ao consumidor e de defesa da livre concorrência contra os monopólios, abusando de seu formidável poder econômico.

O inquérito vai examinar a coleta de dados dos usuários, o uso de conteúdo de outras fontes e a suposta manipulação dos resultados de buscas para favorecer os serviços do próprio Google, anunciou o procurador-geral.

Hawley revelou que sua investigação foi motivada pela decisão das autoridades regulatórias da União Europeia de aplicar uma multa recorde de US$ 2,7 bilhões ao Google, em junho passado, pela manipulação dos resultados de buscas.

"Estamos preocupados que tenham o mesmo padrão de comportamento aqui nos EUA", declarou o procurador-geral, que já anunciou ser candidato ao Senado em 2018.

Em nota, o Google deu sua posição: "Ainda não recebemos qualquer intimação, no entanto, temos fortes proteções à privacidade dos nossos usuários e vamos continuar  operando num ambiente altamente dinâmico e competitivo."

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Rússia iniciou apoio a Trump assim que candidatura foi anunciada

Poucas semanas depois que o magnata imobiliário anunciou sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos, em 16 de junho de 2015, a Rússia começou a apoiá-lo com contas falsas no Twitter supostamente criadas por americanos, revela uma análise do jornal The Wall Street Journal.

Uma avaliação feita neste ano pelos serviços secretos dos EUA concluiu que o Kremlin tinha uma "preferência clara" pela vitória de Trump, que manifestou interesse em melhorar as relações com a Rússia, mas citava dezembro de 2015 como início da propaganda fraudulenta nas redes sociais.

Agentes de Moscou semearam a discórdia entre os americanos com notícias falsas, mensagens inflamatórias e milhares de anúncios pagos dirigidos a liberais e a conservadores. Pelo menos 159 mil mensagens apagadas do Twitter foram identificadas em investigação do Congresso como operadas pela Agência de Pesquisas na Internet do Kremlin.

O Twitter suspendeu 2.752 contas com identidade falsa.

Nos primeiros três meses da campanha de Trump, a contrainformação da Rússia se concentrou em elogiar o empresário do mercado imobiliário, enquanto atacava a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democracia, e o ex-governador Jeb Bush, considerado o favorito entre os aspirantes do Partido Republicano.

Em depoimento no Congresso na semana passada, um advogado do Twitter afirmou que a empresa leva a sério "o poder de nosso serviço de ser mal usado por um ator estrangeiro com o propósito de influenciar a eleição presidencial americana".

Trump, um usuário regular do Twitter, que o usa para atacar seus adversários, acusa a denúncia de manipulação da eleição pelos russos de ser "uma farsa".

Uma conta se apresentando como de uma "mãe e esposa conservadora" acusou Bush de ser frouxo no combate à imigração ilegal. Outra acusou Jeb de não ser um verdadeiro republicano. Nos ataques a Hillary, seu tratamento em relação a jornalistas foi comparado ao de Adolf Hitler: "Heil, Hillary!"

Às vésperas da eleição de 8 de novembro de 2017, os tuítes russos apoiaram Trump contra Hillary numa razão de 30 para 1. Nos dois meses e meio antes da votação, as 2.752 contas operadas pela Agência de Pesquisa na Internet publicaram 131 mil mensagens que foram vistas 288 milhões de vezes.

O ataque cibernético do Kremlin não se limitou a elogiar Trump e atacar seus adversários, em especial Hillary. A conta Blackativist (Ativista Negro) entrou no movimento Vidas de Negros são Importantes para explorar os problemas raciais nos EUA.

Uma conta russa atribuída a Pamela Moore, supostamente uma "conservadora texana a favor de Deus e contra o racismo", chegou a ter 70 mil seguidores, inclusive o general Michael Flynn, assessor de Segurança Nacional que caiu no início do governo Trump por mentir sobre contatos com russos, e o jornalista ultraconservador Sean Hannity, da Fox News, que mais parece um canal de propaganda de Trump e do Partido Republicano.

Na propaganda russa, "Trump é um verdadeiro líder", "Só Trump pode enfrentar o Estado Islâmico", "Hillary na cadeia", "Trump presidente".

quarta-feira, 8 de março de 2017

WikiLeaks denuncia espionagem generalizada da CIA via Internet

Com a divulgação de documentos secretos pirateados, o WikiLeaks, um sítio especializado em fazer denúncias de abusos cometidos por governos e grandes empresas, acusou ontem a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos de criar instrumentos para fazer uma espionagem generalizada através de telefones, computadores e televisores conectados à rede mundial de computadores.

Antes de uma mensagem ser criptografada para circular na rede sem poder ser lida por terceiros, a agência seria capaz de pegar o conteúdo, afirma o WikiLeaks, gabando-se pelo "maior vazamento de documentos secretos da CIA".

A espionagem via TV suscitou comparações com as teletelas do livro 1984, do escritor inglês George Orwell, um mundo do futuro em que todos os cidadãos seriam espionados e controlados 24 horas por dia através dos televisores.

"O Grande Irmão zela por você", dizia a propaganda do regime ditadorial de um futuro distópico. O livro inspirou o programa de TV Big Brother. Como em país atrasado, falar línguas estrangeiras parece mais chique, a TV Globo não traduziu.

O WikiLeaks não divulgou a origem do vazamento do lote de documentos chamada de Arcada 7, mas há fortes suspeitas de que esteja em conluio com o governo da Rússia, acusado de piratear o Partido Democrata dos EUA para ajudar a candidatura do atual presidente, Donald Trump.

domingo, 10 de julho de 2016

Tráfego do Estado Islâmico no Twitter caiu 45% em dois anos

O tráfego de mensagens favoráveis à milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante diminuiu 45% em dois anos, anunciou o governo dos Estados Unidos, atribuindo a queda à estratégia de combate à propaganda de grupos jihadistas.

Nos últimos anos, o Twitter adotou uma política agressiva de cancelar as contas de partidários do extremismo muçulmano, especialmente do Estado Islâmico. A milícia que sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia do século 7, a era do profeta Maomé, usa as redes sociais do século 21 com grande habilidade para dar publicidade às atrocidades que comete e recrutar novos voluntários para o martírio.

A Internet transformou-se num campo de batalha fundamental na guerra contra o terrorismo.

Hoje, para cada mensagem favorável ao Estado Islâmico no Twitter, há em média seis negativas, informou a agência de notícias Associated Press. Em 2014, quando uma conta favorável ao Estado Islâmico era descoberta, tinha em média 1,5 mil seguidores. Agora, essa média baixou para 300.

"Estamos negando ao Estado Islâmico a possibilidade de operar na Internet sem contestação e sua presença nas redes sociais está em declínio", afirmou Michael Lumpkin, diretor do Centro de Engajamento Global, a agência do governo americano que monitora as mensagens extremistas na rede mundial de computadores.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Terrorista indicada como mulher-bomba divulgou fotos ousadas na rede

Na operação em Saint-Denis que matou o mandante da onde de terror em Paris, Abdelhamid Abaaoud, dois dias atrás, também morreu uma mulher, logo apontada como a primeira mulher-bomba da história da Europa. 

Hasna Ait Boulahcen foi de cowgirl a terrorista suicida, afirmou o jornal português Observador. Mas a polícia francesa mudou a versão e diz agora que o suicida era um homem.

Durante o cerco, Hasna Ait Boulahcen, de 26 anos, prima de Abaaoud, tentou se passar por uma pessoa sequestrada para atrair os policiais para uma cilada:

- Ajudem-me! Ajudem-me! - disse ela.

- Onde está teu namorado? - perguntou a polícia.

- Ele não é meu namorado - respondeu Hasna.

Vendo que a farsa não estava dando resultado, ela teria detonado o colete de explosivos que trazia sob a roupa. A descoberta de um terceiro corpo nos destroços do apartamento levou à mudança da versão oficial das autoridades francesas. O terrorista suicida era um homem

Expressiva e cheia de vida, mas "um tanto ignorante", como foi descrita pelos vizinhos, Hasna tinha fama de rebelde. Bebia álcool e gostava de usar chapéus de vaqueiro. Era conhecida como cowgirl. Divulgou nas redes sociais imagens em que tomava banhos de espuma, hábitos incompatíveis com o puritanismo exacerbado dos extremistas muçulmano.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

UE acusa Google de abuso de poder econômico

Depois de cinco anos de investigações, a comissária europeia para livre concorrência, a dinamarquesa Margrete Vestager, notificou hoje a megaempresa de informática americana Google por abusar de sua posição dominante no mercado comum europeu, onde é responsável por 90% das buscas na Internet, para favorecer seu serviço de compras e de comparação de preços.

"A empresa dá uma vantagem injusta a seu próprio serviço de comparação de preços, em violação das regras da União Europeia em matéria de pesquisas, abusando assim de sua posição dominante", declarou a comissária. Desta maneira, os usuários do Google "não veem necessariamente os resultados mais pertinentes em resposta a suas pesquisas".

Mais de 30 empresas de setor, entre elas a Microsoft, que disputa o mercado de buscas com o Bing, denunciaram o Google por abuso de poder econômico.

A partir da notificação, o Google tem dois meses para apresentar uma defesa prévia. Esse prazo pode ser prorrogado por um mês. A comissão ainda pode convocar diretores do Google para depor numa audiência antes de tomar sua decisão, esperada até o fim do ano.

Se for condenado, o Google poderá ser multado em até 10% do seu faturamento no mundo inteiro, que foi de US$ 66 bilhões em 2014, com lucro de US$ 14 bilhões.

A UE pode ainda impor sanções "corretivas" para obrigar o Google a alterar seu sistema de buscas para "separar radicalmente os resultados patrocinados dos outros resultados de uma pesquisa". E até exigir o desmantelamento da empresa por concorrência desleal.

Em novembro de 2014, os deputados do Parlamento Europeu aprovaram simbolicamente uma divisão do Google para separar o mecanismo de busca das outras atividades comerciais do grupo. Isso é improvável.

Outra investigação será aberta pela Comissão europeia, órgão executivo da UE, sobre possíveis infrações à lei antimonopólio pelo sistema operacional Android, usado em tabuletas e telefones inteligentes.

No início do século, a Microsoft foi multada em mais de 2 bilhões de euros por concorrência desleal e abuso do poder de mercado com o sistema operacional Windows.

Há várias ações na Europa contra abusos de empresas americanas de tecnologia da informação, da proibição das atividades do Uber em países como a França e da imposição de impostos sobre operações do Google na Alemanha e na Espanha a investigações sobre a possível ajuda governamental ilegal à Apple na Irlanda e ao Facebook em Luxemburgo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Turquia bloqueia redes sociais para censurar imagens da morte de procurador

O governo da Turquia bloqueou o acesso ao Facebook, Twitter e YouTube durante oito horas para pressionar esses gigantes da Internet a tirar da rede as imagens do sequestro e assassinato do procurador Mehmet Selim Kiraz, cometido há uma semana por um grupo terrorista de esquerda, o Partido Frente Popular de Libertação, noticiou o jornal turco Hürriyet.

Uma decisão do juiz Bekir Altun, da 1ª Vara Criminal de Istambul, autorizou o governo a bloquear 166 sítios de Internet que reproduziram as fotos, a pedido do procurador-chefe do Escritório de Investigações sobre o Crime Organizado e o Terrorismo. Além das redes sociais, foram censurados meios de comunicação da Turquia.

O porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin, justificou a medida alegando que "estavam fazendo propaganda terrorista".

Quando as empresas atenderam à determinação da Justiça, na tarde desta segunda-feira, o bloqueio das redes sociais foi suspenso na Turquia, informou Tayfun Acarer, diretor da Autoridade de Tecnologias de Telecomunicações e Informação, o órgão regulador.

A Turquia vive um momento de violência antes das eleições parlamentares de 7 de junho de 2015. No sábado, o ônibus do clube de futebol Fenerbahçe foi atingido por um tiro que feriu gravemente o motorista. O campeonato nacional foi suspenso por uma semana.

O procurador investigava a atuação na polícia na morte do jovem adolescente Berkin Elvan durante os protestos contra o governo no Parque Guézi, em Istambul, em 2013.

As próximas eleições parlamentares turcas são especialmente singulares. Depois de três mandatos como primeiro-ministro, de 2003 a 2014, não podendo mais ser reeleito chefe de governo por limitação constitucional, Recep Tayyip Erdogan foi eleito presidente no ano passado. Ele quer aumentar os poderes da Presidência para continuar mandando na Turquia.

Para fazer uma reforma constitucional sozinho, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado, precisa eleger 367 dos 550 deputados da Assembleia Nacional da Turquia. Se quiser fazer a mudança por referendo, o partido do governo precisa de 330 deputados.

Já o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, do mesmo partido, precisa apenas de maioria simples, de 276 deputados, para continuar mandando no país, que vai manter o sistema parlamentarista se Erdogan não conseguir emendar a Constituição.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Exército do Iraque anuncia reconquista da província de Saladino

As forças de segurança do Iraque expulsaram a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante não só da cidade de Tikrit, mas de toda a província de Saladino, afirmou o general Abdul Wahab al-Saadi, citado pela agência de notícias curda Shafaq News.

Depois de quase um mês, a Batalha de Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, chegou ao fim ontem, de acordo com as autoridades iraquianas. Hoje as redes de telefonia celular e a Internet foram restauradas.

É mais uma derrota do Estado Islâmico, que está em recuo no Iraque sob intenso bombardeio dos Estados Unidos e aliados, coordenadas com as operações do Exército do Iraque, guerrilheiros curdos, milícias xiitas e milícias tribais locais sunitas.

Na Síria, o grupo tomou ontem o campo de refugiados palestinos de Yarmouk, na periferia da capital, Damasco, mas foi expulso hoje por uma ação conjunta do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e de rebeldes sírios aliados.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Órgão regulador dos EUA aprova neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos aprovou hoje novas regras para garantir a neutralidade da Internet e regular e rede mundial de computadores como um serviço público, bloqueando as iniciativas para dar acesso mais rápido a quem pagar mais.

Como a votação se deu com base na orientação partidária, com os republicanos votando contra, há expectativa de que a regulamentação seja desafiada no Congresso e nos tribunais pelas companhias telefônicas e de televisão por assinatura.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Filme sobre espionagem dos EUA leva Oscar de documentário

Citizen Four (Cidadão Quatro) era o nome de guerra de Edward Snowden, o funcionário subcontratado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) que revelou um megaprograma de espionagem eletrônica via telefonia e Internet de pessoas do mundo inteiro. É o nome do documentário ganhador do Oscar de 2015 na categoria.

Acusado de traição nos EUA por revelar segredos de Estado, Snowden se refugiou em Hong Kong e depois pediu asilo à Rússia. O prêmio foi recebido pela diretora Laura Poitras e pelo jornalista Glenn Greenwald, parceiros na divulgação do trabalho de Snowden.

"As revelações de Snowden desvendam não apenas uma ameaça à privacidade, mas à democracia em si", declarou Laura Poitras. "Muito obrigado, Edward Snowden, e todos os sopradores de apito!"

Snowden mostrou que os EUA estavam espionando seus próprios cidadãos e gente do mundo inteiro, usando para isso as grandes empresas de tecnologia da informação americanas: Apple, Facebook, Google, Microsoft, Twitter.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

EUA aliviam restrições econômicas a Cuba

Os departamentos do Comércio e do Tesouro dos Estados Unidos adotaram hoje uma série de medidas que entram em vigor amanhã dentro do reatamento de relações com Cuba anunciado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro.

A partir de amanhã, os americanos podem viajar a Cuba para visitar a família ou com objetivos culturais ou religiosos sem necessidade de permissão especial do governo dos EUA. Nos outros casos, as restrições ou turismo estão mantidas por enquanto.

Cada cidadão americano poderá enviar até US$ 8 mil por ano a Cuba, quatro vezes mais do que o limite atual. Também poderá usar cartões de crédito na ilha.

As novas regras ainda autorizam empresas americanas a exportar equipamentos de telecomunicações e oferecer serviços de Internet em Cuba.