O governo da Turquia bloqueou o acesso ao Facebook, Twitter e YouTube durante oito horas para pressionar esses gigantes da Internet a tirar da rede as imagens do sequestro e assassinato do procurador Mehmet Selim Kiraz, cometido há uma semana por um grupo terrorista de esquerda, o Partido Frente Popular de Libertação, noticiou o jornal turco Hürriyet.
Uma decisão do juiz Bekir Altun, da 1ª Vara Criminal de Istambul, autorizou o governo a bloquear 166 sítios de Internet que reproduziram as fotos, a pedido do procurador-chefe do Escritório de Investigações sobre o Crime Organizado e o Terrorismo. Além das redes sociais, foram censurados meios de comunicação da Turquia.
O porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin, justificou a medida alegando que "estavam fazendo propaganda terrorista".
Quando as empresas atenderam à determinação da Justiça, na tarde desta segunda-feira, o bloqueio das redes sociais foi suspenso na Turquia, informou Tayfun Acarer, diretor da Autoridade de Tecnologias de Telecomunicações e Informação, o órgão regulador.
A Turquia vive um momento de violência antes das eleições parlamentares de 7 de junho de 2015. No sábado, o ônibus do clube de futebol Fenerbahçe foi atingido por um tiro que feriu gravemente o motorista. O campeonato nacional foi suspenso por uma semana.
O procurador investigava a atuação na polícia na morte do jovem adolescente Berkin Elvan durante os protestos contra o governo no Parque Guézi, em Istambul, em 2013.
As próximas eleições parlamentares turcas são especialmente singulares. Depois de três mandatos como primeiro-ministro, de 2003 a 2014, não podendo mais ser reeleito chefe de governo por limitação constitucional, Recep Tayyip Erdogan foi eleito presidente no ano passado. Ele quer aumentar os poderes da Presidência para continuar mandando na Turquia.
Para fazer uma reforma constitucional sozinho, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado, precisa eleger 367 dos 550 deputados da Assembleia Nacional da Turquia. Se quiser fazer a mudança por referendo, o partido do governo precisa de 330 deputados.
Já o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, do mesmo partido, precisa apenas de maioria simples, de 276 deputados, para continuar mandando no país, que vai manter o sistema parlamentarista se Erdogan não conseguir emendar a Constituição.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Partido Frente Popular de Libertação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Partido Frente Popular de Libertação. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Turquia bloqueia redes sociais para censurar imagens da morte de procurador
Marcadores:
Bloqueio,
Censura,
da,
Facebook,
Homicídio,
imagem,
Internet,
Mehmet Selim Kiraz,
Partido da Justiça e do Desenvolvimento,
Partido Frente Popular de Libertação,
procurador,
Sequestro,
Turquia,
Twitter,
YouTube
terça-feira, 31 de março de 2015
Procurador morre em sequestro em tribunal da Turquia
Dois suspeitos de pertencer a um grupo armado de extrema esquerda e um procurador tomado como refém morreram hoje quando as forças de segurança da Turquia atacaram um tribunal em Istambul, a maior cidade do país, noticiou o jornal turco Hurriyet. Os sequestradores morreram no local e o procurador Mehmet Selim Kiraz, no hospital.
Os rebeldes do Partido Frente Popular de Libertação divulgaram uma foto do procurador sob a mira de um revólver. Como além de tiros houve explosões no assalto da polícia de choque, acredita-se que os agentes tenham usado explosivos.
"Negociamos durante seis horas", alegou o chefe de polícia de Istambul, Selami Altinok. "As forças de segurança entraram em ação depois de serem ouvidos tiros enquanto os terroristas negociavam por telefone."
O presidente Recep Tayyip Erdogan elogiou as forças de segurança e disse que o procurador foi baleado cinco vezes, três delas na cabeça. Kiraz estava encarregado do processo sobre a morte de Berkin Elvan, um dos ativistas que ocuparam o Parque Guézi, em 2013, para defender uma das últimas áreas verdes do centro da cidade.
A organização de extrema esquerda exigia uma confissão pública dos oficiais suspeitos da morte de Elvan, seu julgamento num "tribunal popular" e a libertação de todos os presos nas manifestações de protestos e em memória do jovem morto.
Os rebeldes do Partido Frente Popular de Libertação divulgaram uma foto do procurador sob a mira de um revólver. Como além de tiros houve explosões no assalto da polícia de choque, acredita-se que os agentes tenham usado explosivos.
"Negociamos durante seis horas", alegou o chefe de polícia de Istambul, Selami Altinok. "As forças de segurança entraram em ação depois de serem ouvidos tiros enquanto os terroristas negociavam por telefone."
O presidente Recep Tayyip Erdogan elogiou as forças de segurança e disse que o procurador foi baleado cinco vezes, três delas na cabeça. Kiraz estava encarregado do processo sobre a morte de Berkin Elvan, um dos ativistas que ocuparam o Parque Guézi, em 2013, para defender uma das últimas áreas verdes do centro da cidade.
A organização de extrema esquerda exigia uma confissão pública dos oficiais suspeitos da morte de Elvan, seu julgamento num "tribunal popular" e a libertação de todos os presos nas manifestações de protestos e em memória do jovem morto.
Marcadores:
extrema esquerda,
Mehmet Selim Kiraz,
Parque Guézi,
Partido Frente Popular de Libertação,
Recep Tayyip Erdogan,
Sequestro,
Terrorismo,
Turquia
Assinar:
Postagens (Atom)