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domingo, 23 de junho de 2019

Ditador turco perde mais uma vez eleição para prefeito de Istambul

De nada adiantou anular a eleição de 31 de março. Com 54% dos votos, o candidato da oposição, Ekrem Imamoglu, do Partido Popular Republicano (CHP) e da Aliança Nacional, venceu mais uma vez o governista Binali Yildirim, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento e da Aliança Popular, do ditador Recep Tayyip Erdogan, que está no poder na Turquia desde 2003, noticiou o jornal turco Hurriyet.

É mais um golpe na liderança de Erdogan. O AKP dominava o governo de Istambul, a maior e mais rica cidade da Turquia, desde 1994. Era uma base importante do ditador, que foi primeiro-ministro de 2003 a 2014, quando se tornou presidente com poderes reforçados.

Depois da tentativa frustrada de golpe militar em 15 de julho de 2016, em que sua vida esteve em perigo, Erdogan se tornou um ditador, a ponto de pressionar o Supremo Conselho Eleitoral a anular a eleição de 31 de março.

O CHP, um partido secularista, segue a tradição do fundador da República Turca depois da dissolução do Império Otomano, Mustafá Kemal Ataturk, que tentou separar a religião da política. Erdogan ascendeu como um islamista moderado. Durante a Primavera Árabe, a Turquia era apontada como exemplo de democracia num país muçulmano.

A oposição acusou o governo de interferir no processo eleitoral, alegando que a eleição só foi anulada por causa da derrota do AKP. Na terça-feira passada, o ditador declarou que Imamoglu poderia ser impedido de assumir a prefeitura se ganhar a eleição e não pedir desculpas ao governador da província de Ordu.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Candidato da oposição é diplomado como prefeito de Istambul

Apesar dos protestos e recursos do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Ekrem Imamoglu, do oposicionista Partido Popular Republicano (CHP), foi diplomado ontem pelo Supremo Conselho Eleitoral como prefeito eleito de Istambul, a antiga Constantinopla, maior cidade da Turquia.

Há 25 anos, o AKP governava Istambul. É um alerta para o desgaste do partido do presidente Recep Tayyip Erdogan, que assumiu poderes ditatoriais depois de uma tentativa de golpe em 2016.

A eleição para prefeito de Istambul foi uma disputa apertada. Imamoglu ganhou por 13 mil votos num eleitorado de 8 milhões. O AKP ainda contesta o resultado oficial.

domingo, 24 de junho de 2018

Turquia anuncia a reeleição do presidente Recep Tayyip Erdogan

Apesar do autoritarismo crescente desde o golpe militar fracassado de 15 de julho de 2016, com 50 mil mil presos e 160 mil expurgados de empregos públicos, o presidente Recep Tayyip Erdogan declarou vitória na eleição presidencial de hoje. Com 97,7% dos votos apurados, o Supremo Conselho Eleitoral anunciou a reeleição de Erdogan para um novo mandato de cinco anos,  com 53%. A oposição denuncia fraude.

Em segundo lugar, com 31%, ficou o social-democrata Muharrem Inge, do Partido Popular Republicano (CHP), o partido laico criado por Mustafá Kemal Ataturk, o fundador da República Turca, em 1923, depois da dissolução do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial.

A seguir, vieram Sehalattin Demirtes, do majoritariamente curdo Partido Democrático Popular (HDP), com 8%, que está preso sob a acusação de conspiração e apoio ao terrorismo, e Meral Aksener, da Aliança Nacional, a mulher mais votada, com 7,4%.

No poder desde 2003, Erdogan foi primeiro-ministro por três mandatos, o limite constitucional. Em 2014, depois de aumentar os poderes do Executivo, foi eleito presidente.

Líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamista moderado, Erdogan foi se tornando cada vez mais autoritário, aumentou a influência da religião na política e resgatou símbolos do Império Otomano, o que lhe valeu o apelido de Sultão.

O golpe de 2016 foi deflagrado em protesto contra a erosão do secularismo e da democracia, o desrespeito aos direitos humanos e a perda de credibilidade internacional do país. Erdogan atribuiu o golpe ao Movimento Gulenista, liderado por Fethullah Gülen, um clérigo turco que foi seu aliado e hoje exilado nos Estados Unidos.

Desde então, a Turquia pede a extradição de Gülen, negada pelos EUA pela falta de provas convincentes da ligação do clérigo com a conspiração. A tentativa de golpe foi um sinal da disputa de poder entre os islamistas turcos.

Numa guinada autoritária, por causa do atrito com os EUA, com cada vez menos esperança de levar a Turquia à União Europeia, Erdogan se aproximou da Rússia e do Irã, em parte por causa do apoio americano a uma milícia curda que atuou como força terrestre na guerra dos EUA e aliados contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Grupo radical curdo assume autoria de atentado na Turquia

Os Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), uma dissidência do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), reivindicou hoje a autoria do atentado que matou 37 pessoas e feriu outras 125 em Ancara, a capital da Turquia, em 13 de março de 2016.

Depois do atentado, o presidente Recep Tayyip Erdogan impôs a censura sobre notícias sobre o ataque. Erdogan suspendeu em julho as negociações de paz com o PKK para tentar a popularidade depois que seu partido perdeu a maioria na Assembleia Nacional nas eleições de junho.

Deu certo. Em novembro, novas eleições restituíram a maioria ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), mas a guerra civil recomeçou.

A Turquia também entrou diretamente na guerra civil da Síria a pretexto de combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas bombardeia principalmente os guerrilheiros curdos tanto na Síria quanto no Iraque.

O objetivo de Erdogan é evitar a união do governo semiautônomo do Curdistão iraquiano com as áreas dominadas pelos curdos sírios para criar uma espécie de federação que fatalmente reivindicaria a soberania sobre as regiões de maioria curda do Sudeste da Turquia. Assim, a Turquia quer impedir a fundação do Curdistão.

Os TAK também reivindicaram a responsabilidade por um ataque semelhante com carro-bomba que matou 29 pessoas en Ankara em fevereiro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Erdogan recupera maioria absoluta na Turquia

Com uma campanha de medo e intimidação, marcada pela intervenção militar na Síria e por bombardeios aos rebeldes curdos, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), do presidente Recep Tayyip Erdogan, obteve 49% dos votos nas eleições parlamentares de ontem e terá maioria absoluta na Assembleia Nacional da Turquia.

Erdogan convocou novas eleições depois de boicotar a formação de um governo de coalizão quando o AKP, islamita moderado, perdeu a maioria nas eleições anteriores, em junho, ao receber apenas 40,9% dos votos. Mas não conseguiu a supermaioria de dois terços necessária para mudar a Constituição e instituir o presidencialismo, esvaziando o poder do primeiro-ministro.

O Partido Popular Republicano (CHP), o maior da oposição, que luta para manter o secularismo da República da Turquia, rejeitando a convergência entre religião e poder político, passou de 25% para 25,71%.

As maiores perdas foram do Partido Movimento Nacional (MHP), de ultradireita, que caiu de 16,3% para 12,1%, e o Partido Democrático Popular (HDP), esquerdista moderado e pró-curdo, que baixou de 13,1% para 10,5% mas superou a barreira de 10% para ter representação parlamentar.

Para conquistar a vitória, Erdogan apelou para o medo e a intimidação. Bombardeou os curdos, ameaçando o processo de paz. Interveio na guerra civil Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas atacou mais o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Ao mesmo tempo, negociou com a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, uma ajuda para cuidar dos refugiados da Síria e uma promessa de reabertura das negociações de adesão à União Europeia.

A economia turca permanece estagnada e o país é vulnerável a ações terroristas dos curdos, dos jihadistas e de radicais de esquerda. Erdogan é uma figura polarizadora. Cada vez mais autoritário, tenta recriar uma esfera de influência no antigo Império Otomano, dissolvido depois da Primeira Guerra Mundial, quando Mustafá Kemal Ataturk criou a república turca secularista, agora ameaçada por Erdogan.

Depois de 13 anos, para a metade do eleitorado turco, Erdogan permanece um símbolo de força e da prosperidade econômica dos últimos anos. Talvez o medo de uma longa instabilidade política sob governos de coalizão tenha atraído eleitores para o AKP, mais forte no interior do que nos centros urbanos, mais modernos e secularistas.

Com a nova maioria absoluta do AKP, a Turquia retoma um certo senso de normalidade política. A política externa não deve mudar. O envolvimento na guerra civil no Norte da Síria deve aumentar para evitar a fundação de um Curdistão independente, se proteger dos jihadistas, especialmente do Estado Islâmico, e tentar afastar definitivamente o ditador Bachar Assad do poder na Síria.

Na questão migratória, a Turquia deve continuar barganhando com a UE, mas não vai impedir os migrantes de seguirem rumo à Europa. Com um governo de maioria do AKP, terá mais força nas negociações para comprar gás natural da Rússia em troca do compromisso de participar do projeto do gasoduto TurkStream.

Se o presidente Vladimir Putin não concordar, Erdogan já avisou que pode comprar gás em outro lugar. Com a volta do Ira ao mercado internacional depois do fim das sanções contra o programa nuclear, a oferta de gás e petróleo tende a aumentar.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Bomba fere 13 soldados da Turquia em região curda

Pelo menos 13 soldados da Turquia foram feridos hoje quando o comboio onde viajavam foi atingido pela explosão de uma bomba improvisada na beira da estrada na província de Mus, onde a população é majoritariamente curda, noticiou o jornal turco Hürriyet.

A maior suspeita recai sobre os guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo de extrema esquerda que luta para criar um país independente para o povo curdo.

Ao entrar na guerra contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o governo turco passou também a bombardear posições dos curdos no Norte da Síria e no Norte do Iraque. O objetivo é impedir que a unificação das áreas nos dois países vizinhos leve a uma tentativa de fundar o Curdistão, que poderia reivindicar a soberania sobre o Sudeste da Turquia, onde a maioria da população é curda.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, usa a intervenção como pretexto para tentar melhorar sua posição política. Nas eleições de 7 de junho de 2015, pela primeira vez um partido curdo superou o limite de 10% e entrou na Assembleia Nacional, tirando a maioria do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, liderado por Erdogan.

Novas eleições foram convocadas para 1º de novembro. Ao romper as negociações com o PKK e reiniciar a guerra civil com os curdos, Erdogan tenta minar a credibilidade do partido curdo moderado HDP (Partido Popular Democrático).

domingo, 7 de junho de 2015

Partido de Erdogan perde maioria absoluta na Turquia

Em um derrota pessoal do presidente Recep Tayyip Erdogan, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamita moderado, perdeu nas eleições deste domingo a maioria absoluta que tinha há 13 anos no Parlamento da Turquia , informou o jornal turco Hurriyet.

Mais de 53,7 milhões de eleitores foram às urnas. Depois de ser primeiro-ministro por três mandatos, Erdogan se elegeu presidente no ano passado. Precisa de uma maioria de dois terços para mudar a Constituição para aumentar os poderes do presidente.

Com mais de 99% das urnas apuradas, o partido do governo recebeu cerca de 40% dos votos. Isso o coloca bem à frente dos demais partidos. Mas a expectativa é que não eleja os 276 deputados necessários para ter maioria absoluta, o que lhe permitiria manter o poder dentro do atual regime parlamentarista. Deve chegar no máximo a 260.

Em segundo, ficou o Partido Popular Republicano, social-democrata e secularista, com cerca de 25% da votação total e pouco mais de 130 deputados.

O grande vitorioso foi o Partido Popular Democrático (HDP), representante da minoria curda, que ultrapassou a barreira de 10% para ter acesso ao Parlamento, elegeu 78 deputados e diminuiu consideravelmente a bancada governista.

No fim da campanha, um motorista de ônibus do partido curdo foi morto. Há dois dias, duas bombas explodiram num comício em Diarbakir, a maior cidade da região curda do Sudeste da Turquia, matando três pessoas.

Com o Parlamento dividido, será difícil formar um novo governo. O HDP rejeita qualquer possibilidade de aliança com o AKP.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Turquia bloqueia redes sociais para censurar imagens da morte de procurador

O governo da Turquia bloqueou o acesso ao Facebook, Twitter e YouTube durante oito horas para pressionar esses gigantes da Internet a tirar da rede as imagens do sequestro e assassinato do procurador Mehmet Selim Kiraz, cometido há uma semana por um grupo terrorista de esquerda, o Partido Frente Popular de Libertação, noticiou o jornal turco Hürriyet.

Uma decisão do juiz Bekir Altun, da 1ª Vara Criminal de Istambul, autorizou o governo a bloquear 166 sítios de Internet que reproduziram as fotos, a pedido do procurador-chefe do Escritório de Investigações sobre o Crime Organizado e o Terrorismo. Além das redes sociais, foram censurados meios de comunicação da Turquia.

O porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin, justificou a medida alegando que "estavam fazendo propaganda terrorista".

Quando as empresas atenderam à determinação da Justiça, na tarde desta segunda-feira, o bloqueio das redes sociais foi suspenso na Turquia, informou Tayfun Acarer, diretor da Autoridade de Tecnologias de Telecomunicações e Informação, o órgão regulador.

A Turquia vive um momento de violência antes das eleições parlamentares de 7 de junho de 2015. No sábado, o ônibus do clube de futebol Fenerbahçe foi atingido por um tiro que feriu gravemente o motorista. O campeonato nacional foi suspenso por uma semana.

O procurador investigava a atuação na polícia na morte do jovem adolescente Berkin Elvan durante os protestos contra o governo no Parque Guézi, em Istambul, em 2013.

As próximas eleições parlamentares turcas são especialmente singulares. Depois de três mandatos como primeiro-ministro, de 2003 a 2014, não podendo mais ser reeleito chefe de governo por limitação constitucional, Recep Tayyip Erdogan foi eleito presidente no ano passado. Ele quer aumentar os poderes da Presidência para continuar mandando na Turquia.

Para fazer uma reforma constitucional sozinho, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado, precisa eleger 367 dos 550 deputados da Assembleia Nacional da Turquia. Se quiser fazer a mudança por referendo, o partido do governo precisa de 330 deputados.

Já o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, do mesmo partido, precisa apenas de maioria simples, de 276 deputados, para continuar mandando no país, que vai manter o sistema parlamentarista se Erdogan não conseguir emendar a Constituição.

sábado, 12 de julho de 2014

Justiça permite candidatura de Erdogan a presidente da Turquia

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan pode concorrer à eleição presidencial de 10 de agosto de 2014 na Turquia sem se desincompatibilizar. Não precisa deixar a chefia do governo, decidiu hoje por unanimidade a Comissão Superior Eleitoral.

A comissão entendeu que Erdogan tem "o direito constitucional de concorrer à Presidência" e rejeitou 15 pedidos para obrigá-lo a deixar o cargo de primeiro-ministro.

Há onze anos no poder, ele é acusado de autoritarismo, especialmente pela oposição secularista das grandes cidades, mas seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento, considerado islamita moderado, vence todas as eleições com a força do voto conservador do interior do país.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Cerca de 50 mil turcos protestam em Istambul

Cerca de 50 mil pessoas se concentraram hoje na Avenida Halaskargazi, que leva à Praça Taksim, em Istambul, palco de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia da Turquia no ano passado. Pelo menos uma pessoa morreu.

Os protestos contra a violência policial se intensificaram ontem, depois da morte de um jovem de 15 anos feridos nove meses atrás pela explosão de uma bomba de gás lacrimogênio.

Na época, o protesto era contra a construção no Parque Guézi, uma das últimas áreas verdes do centro da maior cidade turca. As manifestações recomeçaram com a divulgação de gravações telefônicas clandestinas em que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan discute com um filho a melhor maneira de esconder dinheiro sujo da corrupção.

Hoje, depois do enterro de Berkin Elvan, a multidão queria deixar cravos na Praça Taksim em homenagem ao adolescente morto. A polícia bloqueou o acesso à praça. Um comitê de campanha do Partido da Justiça e do Desenvolvimento foi incendiado. É o partido islamita moderado liderado por Erdogan.

Em campanha para as eleições municipais de 30 de março de 2014, o primeiro-ministro ignorou a morte e os protestos. A votação está sendo vista como um plebiscito sobre o governo central.

domingo, 27 de novembro de 2011

Islamitas confirmam vitória nas eleições no Marrocos

O Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado, venceu as eleições parlamentares da sexta-feira e terá 107 dos 395 deputados do futuro parlamento, que pela primeira vez terá o direito de indicar o primeiro-ministro.

Em segundo lugar, ficou o partido Independência, do atual primeiro-ministro Abbas el-Fassi, com 60 cadeiras, seguido da Reunião Nacional dos Independentes, liderado pelo ministro das Finanças, Salahedin Mezuar, com 52.

Diante das revoltas populares no mundo árabe, o rei Mohamed VI anunciou em junho de 2011 reformas para criar uma monarquia constitucional, mas ainda tem a palavra final nas decisões mais importantes.