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domingo, 24 de junho de 2018

Turquia anuncia a reeleição do presidente Recep Tayyip Erdogan

Apesar do autoritarismo crescente desde o golpe militar fracassado de 15 de julho de 2016, com 50 mil mil presos e 160 mil expurgados de empregos públicos, o presidente Recep Tayyip Erdogan declarou vitória na eleição presidencial de hoje. Com 97,7% dos votos apurados, o Supremo Conselho Eleitoral anunciou a reeleição de Erdogan para um novo mandato de cinco anos,  com 53%. A oposição denuncia fraude.

Em segundo lugar, com 31%, ficou o social-democrata Muharrem Inge, do Partido Popular Republicano (CHP), o partido laico criado por Mustafá Kemal Ataturk, o fundador da República Turca, em 1923, depois da dissolução do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial.

A seguir, vieram Sehalattin Demirtes, do majoritariamente curdo Partido Democrático Popular (HDP), com 8%, que está preso sob a acusação de conspiração e apoio ao terrorismo, e Meral Aksener, da Aliança Nacional, a mulher mais votada, com 7,4%.

No poder desde 2003, Erdogan foi primeiro-ministro por três mandatos, o limite constitucional. Em 2014, depois de aumentar os poderes do Executivo, foi eleito presidente.

Líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamista moderado, Erdogan foi se tornando cada vez mais autoritário, aumentou a influência da religião na política e resgatou símbolos do Império Otomano, o que lhe valeu o apelido de Sultão.

O golpe de 2016 foi deflagrado em protesto contra a erosão do secularismo e da democracia, o desrespeito aos direitos humanos e a perda de credibilidade internacional do país. Erdogan atribuiu o golpe ao Movimento Gulenista, liderado por Fethullah Gülen, um clérigo turco que foi seu aliado e hoje exilado nos Estados Unidos.

Desde então, a Turquia pede a extradição de Gülen, negada pelos EUA pela falta de provas convincentes da ligação do clérigo com a conspiração. A tentativa de golpe foi um sinal da disputa de poder entre os islamistas turcos.

Numa guinada autoritária, por causa do atrito com os EUA, com cada vez menos esperança de levar a Turquia à União Europeia, Erdogan se aproximou da Rússia e do Irã, em parte por causa do apoio americano a uma milícia curda que atuou como força terrestre na guerra dos EUA e aliados contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Parlamento Europeu suspende negociações UE-Turquia

Diante da onda de repressão e perseguição política desencadeada depois da tentativa de golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, o Parlamento Europeu pediu hoje à Comissão Europeia que suspenda as negociações para a adesão da Turquia à União Europeia.

Em 15 de julho, um grupo de oficiais militares supostamente ligados ao clérigo Fetullah Gulen, asilado nos Estados Unidos, tentou derrubar o governo. Mais de 300 pessoas foram mortas e outras 2 mil feridas.

Uma onda de expurgos e prisões sacudiu o setor público, a academia e o jornalismo. Mais de 100 mil turcos perderam seus empregos sob a acusação de colaborar ou simpatizar com o golpe fracassado. Pelo menos 40 mil pessoas foram presas.

O respeito à democracia e aos direitos humanos é um ponto fundamental para fazer parte da UE.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Turquia pede oficialmente extradição de Gülen aos EUA

A Turquia encaminhou oficialmente um pedido aos Estados Unidos de extradição do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de liderar a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016.

Erdogan e seus aliados acusam Gülen, líder de um grande movimento islamista moderado e ex-aliado do presidente, de estar por trás do golpe fracassado. Os EUA admitem examinar o pedido, mas querem provas concretas de participação de Gülen na conspiração. A simples participação de membros do movimento gulenista não basta.

O pedido de extradição é enfraquecido pelo clima de caça às bruxas imposto pelo presidente na reação ao golpe. Entre prisões e expurgos, Erdogan já puniu 35 mil militares, juízes, promotores, policiais, professores e outros funcionários públicos que acusa de colaborar com o golpe.

A Europa e os EUA cobram o respeito à lei e aos princípios básicos da democracia. A comissária europeia de Relações Exteriores, Federica Mogherini, advertiu que a reintrodução da pena de morte fechará as portas da União Europeia para a Turquia.

Por outro lado, o governo turco usa a base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Incirlik para pressionar os EUA. Ela é importante na guerra aérea dos EUA contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

domingo, 17 de julho de 2016

Turquia prende 6 mil depois do golpe fracassado

O governo da Turquia prendeu pelo menos 6 mil pessoas desde o fracassado golpe militar de 15 de julho de 2016 contra o presidente Recep Tayyip Erdogan e deve haver mais, anunciou hoje o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, noticiou a televisão pública britânica BBC. O expurgo inclui altos comandantes militares e 2,7 mil juízes.

Mais de 50 militares golpistas foram detidos hoje na província de Denizli, inclusive o comandante da guarnição, general Ozhan Ozbakir.

Também foram presos nos últimos dias o ministro do Supremo Tribunal Alparslan Altan; o comandante do 2º Exército, general Adem Huduti; o comandante do 3º Exército, general Erdal Ozturk; e o brigadeiro Akin Ozturk, ex-comandante da Força Aérea, apontado como líder do golpe..

Pelo menos 290 pessoas morreram na tentativa de golpe, sendo mais de 100 rebeldes. Erdogan acusou o clérigo dissidente Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, e pediu sua extradição. O governo americano pediu provas de seu envolvimento.

A tentativa de golpe divide ainda mais a Turquia e suas Forças Armadas no momento em que o país está envolvido nas guerras civis da Síria e do Iraque, reiniciou há um ano sua própria guerra civil com os curdos e enfrenta a ameaça terrorista do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O presidente vai aproveitar o golpe para fortalecer seu regime autoritário, dividindo e fragilizando ainda mais a Turquia.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bo Xilai é expulso do Partido Comunista da China

Depois de ser destituído da Prefeitura de Xunquim em março e de todos os cargos que tinha no Partido Comunista da China em abril, Bo Xilai foi expulso do PC e "terá de enfrentar a Justiça", informou hoje a agência oficial de notícias Nova China.

A notícia foi divulgada no dia em que foi anunciada a data de 8 de novembro para início o congresso do partido que vai oficializar a mudança para uma nova geração de líderes. Isso indica que houve um acerto entre as diferentes facções do PC para suavizar uma transição que é sempre difícil num regime fechado e poderoso - e Bo foi sacrificado.

Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte com direito a suspensão da pena pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria responsável pelos negócios internacionais do casal, no maior escândalo político em três décadas na China. Seu vice e chefe de polícia em Xunquim, Wang Lijun, pegou 15 anos de cadeia pelo mesmo crime.

Até hoje, Bo só havia sido acusado por "sérias infraçcões disciplinares". Como expoente da linha dura e por ser um principezinho, filho de um dos líderes da revolução comunista, acreditava-se que ele poderia receber punições menores e não ir para a cadeia. Mas Bo terá de responder por abuso de poder e aceitar grandes propinas, entre outros crimes, informa a agência de notícias Reuters.

"As ações de Bo Xilai tiveram repercussões graves e causaram enorme prejuízo à reputação do partido e do Estado, produzindo efeitos malignos no país e no exterior", acusa a nota distribuída pela liderança do PC, reproduzida pela agência Nova China.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

China limita expurgos para isolar caso Bo Xilai

Em ano de renovação da liderança, o presidente da China, Hu Jintao, pediu ao Partido Comunista que reduza as tensões e mostra unidade neste período de transição marcado pelo expurgo do alto dirigente Bo Xilai, que era um dos 25 membros do Politburo, o birô político do PC, e foi acusado de corrupção e abuso de poder.

Durante reunião com cerca de 200 altos funcionários num hotel de Beijim no início deste mês, Hu descreveu o pior escândalo político das últimas duas décadas na China como um "caso isolado", informa com exclusividade hoje a agência Reuters.

Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim e almejava entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores, os homens que realmente mandam no país.

No  fim do ano, o 18º Congresso do PC chinês vai escolher os nove líderes da China. Hu e o primeiro-ministro Wen Jiabao devem deixar seus cargos no início de 2013, quando o vice-presidente Xi Jinping deve ascender à posição de dirigente máximo em substituição ao atual presidente.

O ex-presidente Jiang Zemin (1993-2003), considerado um dos homens mais poderosos do regime, aconselhou Hu, informou uma das fontes da Reuters: "Jiang disse que, se temos provas consistentes de que Gu Kailai [mulher de Bo] cometeu um homicídio e que Bo Xilai também cometeu grandes erros, então tratem o caso como um incidente criminal isolado. Há muita instabilidade. A meta deve ser o sucesso do 18º Congresso do partido".

Diante do debate na sociedade chinesa suscitado pela queda espetacular de Bo, que resgatou métodos e até canções do tempo de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, Hu pediu o fim das divisões ideológicas, como se a luta intestina pelo poder entre reformistas e a velha guarda comunista não estivesse em plena efervescência.

Para combater os rumores que tomaram as redes sociais da Internet chinesa, Hu apareceu ostensivamente há uma semana ao lado do chefe da segurança interna, Zhou Yongkang, apontado como aliado de Bo.

Em março, quando Bo perdeu o cargo em Xunquim, o primeiro-ministro Wen chegou a advertir o Congresso Nacional do Povo sobre a necessidade de uma reforma política para evitar a "volta da Revolução Cultural". Isso levou analistas a concluir que os reformistas estavam em vantagem no conflito ideológico interno do PC, mas a palavra de ordem é unidade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Filho de Bo Xilai deixa apartamento nos EUA

O filho do alto dirigente do regime comunista da China Bo Xilai, que caiu em desgraça e foi expurgado no mês passado, deixou o apartamento onde morava em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, sob escolta de seguranças particulares. Seu destino é ignorado, informa o jornal The Wall St. Journal.

Bo Guagua com o pai
Bo Guagua faz pós-graduação na John Fitzgerald Kennedy School of Government, a faculdade de ciências políticas da Universidade de Harvard, a mais prestigiada do mundo, onde deveria se formar neste ano.

Com a queda do pai e a prisão da mãe, Gu Kailai, acusada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, o jovem Bo enfrenta um futuro difícil na China.

A Universidade de Harvard não comentou, alegando que sua política de privacidade a impede de falar sobre a situação particular de alunos. A polícia de Cambridge disse não ter nenhuma ordem de prisão contra o jovem Bo.

O jornal inglês The Daily Telegraph, citado pelo jornal taiwanês China Times, noticia que ele pode pedir asilo aos EUA. Seria mais um escândalo, em meio à queda mais espetacular de um membro do Politburo, da cúpula do Partido Comunista, de um dos 25 homens mais poderosos da China, desde que Zhao Ziyang foi destituído da Secretaria Geral do partido por não concordar com o uso da força contra os estudantes acampados na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Bo Xilai é suspenso de todas funções na China

O ex-líder do Partido Comunista da China na cidade-província de Xunquim Bo Xilai foi suspenso de todas as suas funções e sua mulher foi presa para interrogatório dentro da investigação sobre a morte do empresário britânico Neil Heywood, noticiou hoje a mídia estatal chinesa.

Em declaração de uma linha, o regime comunista anunciou o afastamento de Bo do Politburo por "suspeita de sérias violações da disciplina". Sua mulher, Gu Kailai, e um servidor da família foram presos pela morte de Heywood, que seria a conexão internacional dos negócios do casal.

Bo era um dos 25 membros do Politburo do PC. Caiu em desgraça por resgatar políticas maoístas, como defender as empresas estatais, resgatar as canções extremistas da Revolução Cultural (1966-76) e perseguir ilegalmente suspeitos de corrupção. Estrela em ascensão da linha dura, era candidato ao Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam o país de fato. Desde que caiu da liderança do PC em Xunquim, era esperado que saísse também do Politburo.

Gu Kailai e Bo Xilai
É o primeiro expurgo na cúpula do regime comunista chinês desde que Zhao Ziyang foi afastado da Secretaria Geral do partido por se opor ao uso da força na Praça da Paz Celestial, em 1989. Sua autobiografia publicada depois da morte, Prisioneiro do Estado, é depoimento interessante sobre o processo de decisão do PC chinês. Zhao morreu em prisão domiciliar em 2005.

O expurgo de Bo provocou uma onda de boatos de golpe de Estado na Internet chinesa. Várias versões locais do Twitter foram bloqueadas por alguns dias e pelo menos seis pessoas foram presas.

Por isso, o primeiro-ministro Wen Jiabao, que era assessor de Zhao e aparece com ele na foto com os estudantes na praça, acenou com o fantasma da Revolução Cultural (1966-76) durante a recente reunião anual do Congresso Nacional do Povo. Wen defendeu a retomada nas reformas políticas como único antídoto contra uma nova onda de extremismo como a do fim da era de Mao Tsé-tung.

Desta vez, ganharam os reformistas. A crise nos países ricos fortaleceu a linha dura e os defensores de uma economia estatal. O liberalismo econômico perdeu prestígio, e isso está sendo usado na luta interna pelo poder na China, que ainda segue o modelo comunista da rede de intrigas.


A queda de um dos principezinhos, os altos dirigentes filhos de heróis da revolução, e a prisão de sua mulher, filha de um general do Exército Popular de Libertação, deflagraram "ondas de choque" na cúpula do regime comunista chinês, comentou o jornal britânico Financial Times.

Ano eleitoral na China é assim.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

China defende censura na Internet

Depois do expurgo do alto dirigente comunista Bo Xilai, uma onda de boatos de golpe de Estado se espalhou pela Internet na China, levando o regime ditatorial a censurar microblogues no estilo do Twitter, que é proibido no país. Hoje, o Diário da China defende a censura.

Bo, líder do partido na cidade e na província de Xunquim e membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, caiu em desgraça por usar métodos autoritários e perseguir empresários no combate à corrupção e por resgatar práticas da era de Mao Tsé-tung, inclusive músicas e hinos da Revolução Cultural (1966-76), o período mais conturbado da era pós-revolução.

Um dos principezinhos do regime comunista, por ser filho de um dirigente histórico do partido, Bo pretendia chegar ao Comitê Permanente do Politburo e se tornar um dos nove imperadores, o pequeno núcleo que governa a China.

Seu expurgo foi o primeiro de um alto dirigente desde a queda do secretário-geral do partido Zhao Ziyang em 1989 por ser contra o uso da força para acabar com o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial.

Como Bo simplesmente desapareceu, os boatos pululam na Internet chinesa e a ditadura tenta sufocá-los. Afinal, a rede mundial de computadores se tornam uma das maiores armas na luta contra o autoritarismo. Seis pessoas foram presas e versões chinesas do Twitter tiradas do ar durante três dias.