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terça-feira, 29 de julho de 2014

China investiga ex-ministro da Segurança por corrupção

O ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yongkang está sendo investigado por "violações disciplinares sérias", expressão usada pelo regime comunista chinês em denúncias de corrupção. Ele era membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores que governavam a China na presidência de Hu Jintao; hoje, são apenas sete.

Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.

Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.

Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.

Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Justiça da China rejeita recurso de Bo Xilai

Um tribunal de recursos da China negou hoje provimento a um recurso apresentado pelo ex-dirigente comunista Bo Xilai contra sua condenação à prisão perpétua por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito, acabando com uma carreira meteórica de estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista. Quando caiu em desgraça, ele era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, candidato ao Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que mandam na China.

Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.

Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.

Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.

Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.

Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.

Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.

Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.

Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.

Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.

Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.

Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.

Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.

Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.

No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

China denuncia Bo Xilai por corrupção e abuso de poder

O ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, centro do maior escândalo político do país nas últimas décadas, foi denunciado hoje por suborno, corrupção e abuso de poder.

Até março de 2012, Bo era estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, governador da cidade-estado de Xunquim, um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC e candidato ao Comitê Permanente, o pequeno grupo agora reduzido de nove para sete imperadores que realmente governa a China.

De um dos homens mais poderosos da superpotência ascensão, candidato à líder máximo do partido e do governo, Bo caiu rapidamente em desgraça. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada no passado pelo assassinato em novembro de 2011 de um empresário britânico envolvido nas transações internacionais do casal.

Bo Xilai e Gu Kailai viraram exemplos de uma liderança arrogante e prepotente, de abuso de poder e do estilo de vida sem limites dos altos dirigentes do partido, que se colocam acima da lei. Neste clima, é mais provável uma condenação rápida de Bo, a exemplo do que aconteceu com Gu. Serão apresentados como exemplo de que o PC está realmente interessado em moralizar a política e combater a corrupção.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ex-chefe de polícia de Bo Xilai pega 15 anos de prisão

O ex-chefe de polícia e ex-vice-prefeito de Bo Xilai na cidade e província de Xunquim, na China, Wang Lijun foi condenado por um tribunal da cidade de Chengdu a 15 anos de prisão por quatro acusações: abuso de poder, corrupção, deserção e conspiração para ocultar o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto em 13 de novembro do ano passado pela mulher de Bo, Gu Kailai, informou há pouco a agência oficial de notícias Nova China.

Depois do crime, Wang Lijun conseguiu gravar uma confissão da mulher do chefe. Quando Wang comentou o assunto com Bo, no início de fevereiro, diante da reação violenta do então alto dirigente do Partido Comunista, ele se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.

Sob pressão das autoridades chinesas, saiu e entregou as provas que tinha à polícia. Isso foi decisivo para a condenação à morte de Gu Kailai, que está com a pena suspensa temporariamente com grande chance de ser convertida em prisão perpétua.

Bo era a grande estrela em ascensão da linha dura maoísta. Como membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, era um dos 25 homens mais poderosos da China. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente do Politburo, os nove imperadores que mandam de fato no país.

Em março de 2012, ele perdeu a liderança do partido e, em abril, todos seus outros cargos, no maior escândalo político em mais de 30 anos na China, desde que a viúva de Mao Tsé-tung e os outros membros da Gangue dos Quatro foram condenados, em 1981.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Chefe de polícia de Bo Xilai vai a julgamento na China

Um dos personagens centrais do maior escândalo político dos últimos 30 anos na China começou a ser julgado hoje. Wang Lijun era vice-governador, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo Xilai na cidade-província de Xunquim. Em novembro, conspirou com a mulher do chefe para matar um empresário britânico, mas teve o cuidado de gravar uma confissão.

Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.

Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Chefe de polícia de Bo Xilai é acusado na China

O ex-chefe de polícia da cidade e da província de Xunquim sob a liderança do ex-dirigente comunista Bo Xilai, Wang Lijun, que na prática era vice-prefeito e vice-governador, foi denunciado hoje pela Justiça da China de abuso de poder, corrupção e defecção. Não foi acusado de traição, geralmente punida com a pena de morte.

Wang colaborou com a mulher de Bo, Gu Kailai, na conspiração matar o empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, mas acabou gravando uma confissão de Gu, que entregou às autoridades chinesas em fevereiro de 2012, depois de se refugiar no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.

Em março deste ano, Bo, estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, foi afastado da liderança do Partido Comunista em Xunquim por "graves violações disciplinares", mas não foi acusado de nenhum crime. Em abril, Bo perdeu todos os outros cargos.

Bo Xilai era membro do Politburo, de 25 membros, o órgão encarregado de formular as políticas do partido. Sonhava em ser elevado para o Comitê Permanente do Politburo, formado por nove líderes, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.

"Para manter a unidade do PC" neste ano difícil de escolha dos dirigentes que devem dominar a política chinesa nos próximos dez anos, "porque Bo Xilai tem apoios poderosos, o presidente Hu Jintao teria decidido tratá-lo com leveza", declarou o analista Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times.

Hu deixa no fim do ano a liderança do partido. Deve ser substituído pelo vice-presidente Xi Jinping, que no próximo ano assume também a Presidência da China. Talvez Hu mantenha a presidência da comissão militar do comitê central, que supervisiona o Exército Popular de Libertação. Era o único cargo de Deng Xiaoping, que era o dirigente máximo do país, mas formalmente não tinha nenhum outro cargo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Gu Kailai pega pelo menos 40 anos de cadeia

Gu Kailai, a mulher do ex-direigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, foi condenada à morte pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, mas teve sua pena suspensa. Em dois anos, ela deve ser comutada para prisão perpétua, mas a recomendação é de que a ré fique pelo menos 40 anos na prisão.

Seu processo foi o mais espetacular em 30 anos na China, desde que a Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-ting, Jiang Ching, foi condenada em 1981 por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

Como a regra na China é que assassinato se pune com a pena de morte, há uma onda de protestos na Internet chinesa denunciando que a elite tem direito a um tratamento especial - tudo o que o PC quer evitar com um processo em que a riqueza do casal não foi investigada.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Extorsão é apontada como causa do crime de Gu Kailai

Ao confessar sua culpa por assassinato num processo com todas as características dos processos da era de Josef Stalin na União Soviética, Gu Kailai, mulher do ex-dirigente da alta cúpula do Partido Comunista da China Bo Xilai, justificou o crime alegando que precisava proteger seu filho da extorsão e das ameaças do empresário britânico Neil Heywood.

Um dia depois, os detalhes do julgamento-relâmpago começam a vir a tona. Houve uma confissão de culpa, mas o veredito ainda não foi anunciado oficialmente.

O regime comunista chinês tenta enterrar rapidamente um escândalo que revela um pouco do seu lado obscuro e sinistro: a luta palaciana dentro do governo e do partido, um padrão de abuso de poder de quem confia na impunidade, privilégios feudais e uma riqueza pessoal incompatível com uma sociedade que ainda se apresenta como socialista.

Bo Xilai foi afastado em março da chefia do Partido Comunista na megacidade de Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, foi expurgado do Politburo do Comitê Central do PC, mas nenhum crime lhe foi imputado. A condenação de sua mulher, filha de um general do Exército Popular de Libertação, por assassinato sela o destino do casal que caiu em desgraça.

Na denúncia apresentada no tribunal da distante cidade de Hefei, na província de Anhui, os promotores sustentaram que o empresário pediu dezenas de milhões de dólares a Bo Guagua, de 24 anos, formado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e pós-graduado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Heywood chegou a prendê-lo em cárcere privado numa casa na Inglaterra e enviou emails ameaçando-o de morte.

A reação de Gu Kailai revelou um lado sombrio de prepotência e abuso de poder da alta cúpula do governo e do PC chineses. É o exercício do poder de forma crua e brutal. Ela conspirou com o chefe de polícia do governo de seu marido na cidade e província de Xunquim, que acabou gravando sua confissão.

Em novembro, Heywood, de 41 anos, foi encontrado morto no hotel de luxo em Xunquim. No primeiro momento, sua morte foi atribuída a um ataque cardíaco causado por excesso de álcool. Agora, a defesa voltou a insistir na tese da bebedeira como verdadeira causa da morte, argumentando que a quantidade de cianeto de potássio usada era insuficiente para matar um homem do peso do britânico.

 Na manhã de hoje, Zhao Chiangcha, um estudante universitário da província de Anhui que disse ter estado no tribunal publicou um relato detalhado na rede social chinesa renren.com removido horas depois.

A maioria das informações, reporta o jornal The New York Times, foi confirmada pela agência de notícias oficial Nova China e pelo advogado Li Xiaolin, defensor de Zhang Xiaojun, um assessor de Bo e Gu que também foi processado.

Para especialistas em direito, a julgamento foi mais um teatro político previamente ensaiado do que uma tentativa de fazer justiça. O possível envolvimento de Bo jamais foi cogitado.

Pelos relatos do tribunal, Heywood morava há muitos anos na China quando conheceu Bo Guagua na Inglaterra em 2003 e se aproximou do filho do dirigente comunista na esperança de usar sua influência para fazer grandes negócios.

Quando a empreitada não deu certo, o empresário britânico teria exigido US$ 22 bilhões, cerca de 10% do que sonhava ganhar se o negócio desse certo. Heywood chegou a deter o jovem Bo numa casa na Inglaterra e mandou uma mensagem de correio eletrônico ameaçando "destruir você".

Neste momento, Gu Kailai achou que era hora de proteger seu "coelhinho", como ela chamou o filho num email. Na megacidade de Xunquim, Bo Xilai era chefe do PC; na prática, era prefeito e governador da província ao redor.

Gu pediu ajuda ao chefe de polícia de Xunquim, Wang Lijun, um subordinado de seu marido com papel importante nas campanhas de combate à corrupção lançadas por Bo Xilai, que resgatou práticas abusivas da era de Mao Tsé-tung e até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural. Houve protestos de neomaoístas em defesa de Bo Xilai, mas não no tribunal, onde ele não estava em julgamento.

Quando Wang Lijun disse que não poderia ajudar, Gu teria entrado em pânico. Ela decidiu agir por conta própria. Tentou armar um flagrante por tráfico de drogas em que a polícia de Xunquim atiraria alegando que Heywood tinha resistido à prisão - um "auto de resistência" no modelo chinês. Wang ajudou a conspirar, mas não quis executar o plano.

Talvez o envenenamento fosse uma alternativa mais discreta. Gu saiu atrás de veneno para cães e ratos. Ao todo, sete pessoas foram presas por ajudá-la a comprar a substância usada para matar Heywood.

Em 10 de novembro de 2011, prossegue a reconstituição do crime feita no tribunal, Zhang Xiaojun, um militar da reserva que tinha servido ao pai de Gu, foi a Beijim convidar o empresário britânico a visitar Xunquim. Gu revelou seus planos a Wang Lijun, o chefe de polícia, na tarde de 13 de novembro.

À noite, Gu Kailai jantou com sua vítima. Depois, pediu ao motorista que comprasse uma garrafa de uísque Royal Salute. Ela preparou o veneno e entregou tudo a Zhang, que sabia do plano e não queria participar, mas acabou concordando para não contrariar uma família tão poderosa, na descrição dos promotores.

Por volta das onze da noite, Gu levou Heywood até o exclusivo hotel Nanshan Lijing Resort, onde o empresário britânico estava hospedado na cabana 1605. Eles tomaram uísque até Heywood ficar bêbado a ponto de se deitar e pedir um copo d'água, o que para um britânico costuma exigir muitas doses de alcool.

Neste momento, Zhang chegaria com o veneno. A água que deveria saciar a sede de Heywood acabou por matá-lo. Gu espalhou drogas pelo quarto para simular a hipótese de envenenamento por álcool e drogas de farmácia. Teria abandonado a cena do crime às 23h38.

No dia seguinte, quando Gu contou o assassinato ao chefe de polícia, ele gravou a conversa. Esse relato chegou às autoridades chinesas. Foi uma das peças centrais da acusação.

O corpo de Heywood foi encontrado por funcionários do hotel em 15 de novembro. Quando a polícia chegou, Wang Lijun chefiou a investigação. Para encobrir o crime, eles coletaram provas para forjar uma perícia confirmando a versão de morte por embriaguez.

Quando Wang foi demitido por Bo Xilai, em janeiro de 2012, ele foi até o Consulado dos EUA em Chengdu e contou a história a diplomatas americanos antes de entregar a gravação com a confissão de Gu às autoridades chinesas.

Gu Kailai confessa culpa por assassinato

A mulher do ex-dirigente chinês Bo Xilai, Gu Kailai, assumiu a responsabilidade pela morte do empresário britânico Neil Heywood, envenenado com cianeto de potássio num quarto de hotel na cidade de Xunquim, onde seu marido era líder do Partido Comunista, informou hoje a agência oficial Nova China.

O julgamento político mais escandaloso em 30 anos na China durou apenas um dia. Para os que defenderam o impeachment-relâmpago do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, está aí outro exemplo de como a justiça funciona sob ditadura. Nos dois casos, o veredito estava pronto antes do julgamento.

Gu Kailai alegou ter sofrido um "colapso mental", supostamente ao ver seu filho ser ameaçado por Heywood. Ela declarou estar pronta a aceitar qualquer sentença.

Como o objetivo do regime comunista chinês é enterrar o caso o mais rapidamente possível, Gu pode ser condenada à prisão perpétua e não à morte.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

China tem maior julgamento político em décadas

O regime comunista da China dá início hoje a seu maior julgamento político desde 1981, quando a Gangue dos Quatro, à qual pertencia a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, foi condenada por atividades antipartidárias durante a Revolução Cultural (1966-76). Hoje, está no banco dos réus Gu Kailai, mulher do ex-dirigente comunista Bo Xilai, acusada de assassinar um empresário britânico.

Em nota, o tribunal informou que o julgamento está encerrado, mas ainda chegou a um veredito.

Bo era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, quando foi afastado, em março de 2012, da chefia do PC na cidade de Xunquim. Em abril, ele foi expurgado de todos os cargos que tinha no partido, onde era um dos 25 membros do Politburo.

Seu sonho era chegar ao Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China de fato, em eleições internas previstas para o fim do ano.

A queda espetacular de Bo Xilai é um dos temas mais importantes nas redes sociais chinesas, rigidamente controladas pela ditadura. Tanto ele quanto a mulher são filhos de altos dirigentes do partido, parte da aristocracia comunista.

Para abafar o julgamento, o processo corre em Hefei, uma pequena cidade do interior, distante dos grandes centros, com o objetivo de apresentar a morte de Neil Heywood como um episódio isolado, sem maior relação com a disputa de poder interna no partido e no governo. Ele seria um dos operadores das transações internacionais ilícitas do casal.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mulher de Bo Xilai é denunciada por homicídio

LONDRES - Em mais um lance do mais espetacular escândalo político em décadas na China, Gu Kailai, mulher do ex-dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, foi acusada formalmente pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria um dos agentes das transações internacionais do casal, informou hoje a agência oficial Nova China.

Bo era a principal estrela da linha dura em ascensão no PC chinês. Como prefeito e governador da cidade-província de Xunquim, resgatou métodos políticos, lemas e até hinos do tempo da Revolução Cultural (1966-76). Era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do partido. Sonhava em ser eleito no fim deste ano para o Comitê Permanente do Politburo e tornar um dos chamados nove imperadores que governam a China.

Em março, ele foi afastado do governo de Xunquim. Em abril, perdeu todos os cargos que ainda tinha dentro do partido. Sua mulher foi presa por suspeita de envenenamento de Heywood.

A orientação interna do presidente Hu Jintao e do vice-presidente Xi Jinping, que deve assumir a liderança do partido no fim deste ano e a Presidência da China em 2013, é tratar a queda espetacular de Bo como um caso isolado, descartando a sugestão do primeiro-ministro Wen Jiabao de retomar a discussão sobre a reforma política.

Por mais que a China tenha se desenvolvido nas últimas décadas, a disputa pelo poder entre suas elites ainda é cruel e brutal. O escândalo também chamou a atenção da opinião pública chinesa, reprimida pela ditadura comunista, para os privilégios dos chamados principezinhos, os filhos de altos dirigentes da geração de Mao Tsé-tung, que fez a revolução.

Tanto Bo Xilai quanto Xi Jinping foram vítimas de perseguição a seus pais durante a Revolução Cultural. Mas depois que os pais foram reabilitados, ajudaram seus filhos a subir na hierarquia do partido e do governo.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Arquiteto francês é preso no caso Bo Xilai

A pedido da China, o Camboja prendeu o arquiteto francês Patrick Devillers, acusado de envolvimento com o ex-dirigente do Partido Comunista chinês Bo Xilai, um expoente da linha dura que caiu em desgraça em março de 2012 em meio a um escândalo de abuso de poder, assassinato e corrupção.

Em Paris, o Ministério do Exterior da França prometeu todo o apoio consular ao arquiteto.

Devillers era um dos dois estrangeiros ligados a Gu Kailai, esposa de Bo, presa sob suspeita de participação no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, acusado de intermediar transações internacionais ilícitas do casal.

Bo Xilai era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC chinês. Articulava apoio para ser eleito no fim do ano para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China, hoje o segundo país mais rico e poderoso do mundo, rumo ao primeiro lugar.

Como líder do partido e governador da cidade-província de Xunquim, Bo resgatou políticas da linha dura da era maoísta. Perseguiu empresários denunciados por corrupção e adversários políticos, sendo acusado de abuso de poder. Até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural eram entoadas.

Em março deste ano, Bo foi removido da liderança do partido em Xunquim. No mês seguinte, foi afastado também do Politburo, na queda mais espetacular de um dirigente chinês desde que o então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, foi deposto, em 1989, por se recusar a apoiar a repressão do Exército Popular de Libertação ao movimento dos estudantes pela democracia e liberdade que resultou no massacre na Praça da Paz Celestial.

Devillers foi advertido várias vezes de que corria perigo no Camboja por causa das boas relações do governo deste país com o regime comunista chinês. Sua prisão foi anunciada seis dias depois da visita a Phnom Penh, a capital cambojana, de Hu Guoqiang, membro do Comitê Permanente e Chefe da Comissão Central para Inspeções Disciplinares.

Quando Gu Kailai abriu uma empresa no Reino Unido para contratar arquitetos para realizar projetos na China, deu o mesmo endereço, em Bournemouth, usado por Devillers. Em 2006, quando ele e seu pai criaram uma companhia imobiliária em Luxemburgo, deram como endereço principal da firma um escritório de Gu em Beijim.

A China tem regras estritas para investimentos no exterior e fiscaliza de perto a participação de funcionários públicos nestes negócios, observa o jornal The New York Times.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

EUA negaram asilo a chefe de polícia de Bo Xilai

A queda espetacular do dirigente comunista Bo Xilai, num escândalo de assassinato e corrupção atinge até o presidente dos Estados Unidos. Barack Obama está sendo acusado pela oposição porque o chefe de polícia da cidade de Xunquim se refugiou num consulado americano, mas teve seu pedido de asilo negado.

Depois da morte do empresário britânico Neil Heywood, envenenado em novembro num hotel, supostamente a mando da mulher de Bo, Gu Kailai, o império do casal começou a desmoronar.

Em 6 de fevereiro de 2012, temendo por sua vida, Wang Lijun, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo, se refugiou no no Consulado Americano em Chengdu. A polícia chinesa rapidamente cercou o prédio e pressionou os diplomatas dos EUA a entregá-lo.

Trinta e seis horas depois, um alto funcionário de um ministério vindo especialmente de Beijim furou o cerco da polícia de Bo e levou Wang para a capital. Ao lhe negar asilo, os EUA o entregaram às autoridades centrais da China, que agora o acusam de tentar passar segredos de Estado aos americanos.

Se for denunciado por traição, Wang Lijun pode ser condenado a morte, informa o jornal The New York Times.

Os republicanos argumentam que Wang poderia passar detalhes sobre a luta pelo poder na China, onde até o fim do ano serão indicados o novo líder do Partido Comunista e presidente do país, ao que tudo indica Xi Jinping, um novo primeiro-ministro e os outros sete membros do Comite Permanente do Politburo do Comitê Central. É uma renovação da liderança que gera instabilidade maior num regime fechado.

A tentativa de pedir asilo aconteceu uma semana antes da visita do vice-presidente e provável futuro presidente Xi Jinping aos EUA.

Acima de tudo, a desgraça de Bo Xilai revelou as entranhas do regime comunista chinês numa trama de abuso de poder, favoritismo, corrupção e assassinato.

Quando Heywood morreu, Bo tentou encobrir o crime, descrito inicialmente como morte por embriaguez. O caso só veio à tona porque criou uma oportunidade para tirar a estrela em ascensão da linha dura da luta pelo poder na China.

Mais do que exceção, essa é a norma dentro do regime comunista chinês. Sem transparência, liberdade de expressão e regras claras para disputar o poder, as crises da transição serão sempre inevitáveis, colocando em dúvida a legitimidade do Partido Comunista para governar a segunda maior potência capitalista do mundo rumo ao primeiro lugar.

A questão é até quando a nova elite econômica e a classe média ascendente vão tolerar um sistema intrinsecamente corrupto que só investiga e desmascara seus líderes quando eles perdem o poder.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Filho de Bo Xilai deixa apartamento nos EUA

O filho do alto dirigente do regime comunista da China Bo Xilai, que caiu em desgraça e foi expurgado no mês passado, deixou o apartamento onde morava em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, sob escolta de seguranças particulares. Seu destino é ignorado, informa o jornal The Wall St. Journal.

Bo Guagua com o pai
Bo Guagua faz pós-graduação na John Fitzgerald Kennedy School of Government, a faculdade de ciências políticas da Universidade de Harvard, a mais prestigiada do mundo, onde deveria se formar neste ano.

Com a queda do pai e a prisão da mãe, Gu Kailai, acusada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, o jovem Bo enfrenta um futuro difícil na China.

A Universidade de Harvard não comentou, alegando que sua política de privacidade a impede de falar sobre a situação particular de alunos. A polícia de Cambridge disse não ter nenhuma ordem de prisão contra o jovem Bo.

O jornal inglês The Daily Telegraph, citado pelo jornal taiwanês China Times, noticia que ele pode pedir asilo aos EUA. Seria mais um escândalo, em meio à queda mais espetacular de um membro do Politburo, da cúpula do Partido Comunista, de um dos 25 homens mais poderosos da China, desde que Zhao Ziyang foi destituído da Secretaria Geral do partido por não concordar com o uso da força contra os estudantes acampados na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989.