Ele é o cérebro por trás do trono. Sem nunca ter sido líder regional do partido, nem prefeito, nem governador, nem ministro, um obscuro professor virou membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China, um dos sete imperadores que governam o país de fato. Em seu primeiro discurso público, Wang Huning defendeu hoje o rígido controle da informação pela ditadura militar chinesa.
Ao falar na Conferência Mundial da Internet, organizada pela Administração do Ciberespaço da China, em Wuzhen, a 120 quilômetros de Xangai, na China, defendeu cinco princípios para manter a "ordem e a segurança", suas preocupações fundamentais, na rede mundial de computadores, informou o jornal The New York Times.
Diante dos diretores-gerais da Apple, Tim Cook, e do Google Sundar Pixai, e do chinês Jack Ma, dono da maior empresa de comércio eletrônico do mundo, a chinesa Ali Baba, Wang destacou o desenvolvimento tecnológico da China e pediu mais investimentos em setores de ponta como inteligência artificial e computação quântica. O regime ditatorial quer a China na vanguarda tecnológica sem ampliar as liberdades públicas.
Conselheiro dos dois presidentes anteriores, Jiang Zemin e Hu Jintao, e do atual, Xi Jinping, Wang chegou ao Comitê Permanente aos 62 anos. Suas ideias começaram a ser conhecidas nos anos 1990s, quando ele era professor da Universidade Fudan, em Xangai, a maior e mais vibrante cidade chinesa.
Como a China é um país grande e pobre, argumenta Wang, precisa de um governo central forte para promover o desenvolvimento econômico. Sem um regime autoritário, a China não conseguiria superar o século de humilhação diante das potências ocidentais e do Japão, que começa com as Guerras do Ópio, em 1839, e vai até a vitória da Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.
Seu pensamento segue a tendência de aumento do autoritarismo sob a liderança personalista de Xi Jinping, considerado o dirigente mais forte do PC chinês depois de Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. Xi resgata o culto da personalidade de Mao, que Deng suprimiu impondo uma liderança coletiva e um limite para o exercício dos cargos mais importantes do regime, a Secretaria Geral do PC, a presidência da China e a presidência da Comissão Militar Central.
Neste domingo, Wang exaltou Xi por seu "conhecimento profundo" da governança da Internet, afirmando que as ideias do ditador chinês sobre a Internet foram "recebidas calorosamente" pela sociedade internacional, em especial o conceito de "soberania cibernética" - a expressão usada pelo regime comunista para justificar a censura rígida à rede mundial de computadores.
A China é o único país onde andei em que não pude escrever neste blog. A censura é implacável. Na visão chinesa, comum a ditaduras, cada país tem o direito de criar sua própria rede e censurar tudo, especialmente o que vem de fora, com a chamada Grande Muralha de Fogo da China (Great Firewall of China), praticamente isolando o país.
Nas regiões onde há problemas com minorias étnicas, como no Tibete e na província de Xinjiang, a rede não funciona, para impedir a articulação de oposições ao regime comunista. Na conferência, conexão de altíssima velocidade.
"A governança global do ciberespaço não tem espectadores. Somos todos participantes", argumentou o alto dirigente chinês para alegar que "todas as partes" devem ter direito a dizer como a Internet deve ser administrada.
Suas cinco propostas seguem a orientação ditada por Xi Jinping ao participar da 2ª Conferência Mundial da Internet, em dezembro de 2015:
1. Acelerar a construção da infraestrutura global da rede para aumentar a interconectividade: até 2020, a Internet deve chegar a quase todas as aldeias chinesas.
2. Construir plataforma on-line para intercâmbio cultural e promoção da comunicação mútua: a China quer exportar sua cultura mantendo o controle estatal sobre o fluxo de ideias vindas do exterior.
3. Promover o desenvolvimento inovador da economia da Internet: maior beneficiária hoje da globalização e do comércio internacional, a China quer estar na vanguarda de todos os setores, especial da economia da Internet.
4. Salvaguardar a segurança da Internet para garantir o desenvolvimento de maneira ordena: ao mesmo tempo em que se dá o direito de censurar a rede, o regime chinês quer fortalecer o combate internacional ao terrorismo e ao crime organizado via Internet.
5. Estabelecer um sistema de governança da Internet que promova equidade e justiça: a proposta é criar regras globais de administração da rede. Vindo de uma ditadura, dá para pressupor que seja para aumentar o controle da informação.
A China não quer perder o trem-bala da corrida tecnológica. Quer usar o poder econômico da Internet sem liberar o fluxo de informações para impedir a disseminação de ideias liberais e democráticas capazes de minar o poder absoluto do partido.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 3 de dezembro de 2017
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Xi Jinping apresenta nova liderança do Partido Comunista da China
No encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China, o cada vez mais poderoso secretário-geral do Comitê Central e presidente do país, Xi Jinping, apresentou há pouco os outros seis membros do Comitê Permanente do Politburo, o núcleo central do poder. Se eles são conhecidos popularmente como os sete imperadores, talvez na realidade agora a China tenha um só.
Durante o congresso do PC, Xi foi comparado a Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China em 1º de outubro de 1949, e seu pensamento foi entronizado na Constituição. É "o socialismo com características chinesas para uma nova era".
Xi e o primeiro-ministro Li Keqiang foram reeleitos como líder e vice-líder. Os outros membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China são novos.
Não foi apontado um sucessor para Xi, mais um sinal de que pode ficar além de seus dois mandatos, uma praxe introduzida em 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, pelo então líder supremo Deng Xiaoping, que mandava por trás do trono como presidente da Comissão Militar Central.
"A liderança coletiva dentro do partido existe agora só no nome e, na realidade, está morta", declarou Wu Qiang, comentarista político e ex-professor da Universidade Nova China, em Beijim. "Isto abre caminho para ele acumular mais poder nos próximos anos e ficar além de 2022".
Entre os novos membros, Li Zhansu, de 67 anos, chefe de gabinete, amigo pessoal de longa data e assessor direto de Xi. Será o terceiro ha hierarquia do partido.
Vice-primeiro-ministro, considerado reformista em economia, Wang Yang, de 62 anos, ganhou prestígio como chefe do partido na província de Guangdong (Cantão), a mais próspera da China. Quarto na hierarquia, é o responsável pelas negociações de comércio exterior com os Estados Unidos.
Outro que trabalha há muito tempo com Xi é Wang Huning, de 62 anos, o quinto na hierarquia. Ex-professor convertido em ideólogo do partido, co-autor de relatórios e discursos do dirigente máximo, dirige há 15 anos o Escritório Central de Pesquisas Políticas.
Sexto na hierarquia do PC chinês é Zhao Leji, de 60 anos, foi diretor do departamento de organização do partido, que tem hoje um número recorde de 89 milhões de membros. Como secretário do Comitê Central de Inspeção e Disciplina do partido, ele vai liderar a campanha anticorrupção usada por Xi para assumir o controle absoluto do PC. É um aliado-chave do novo imperador.
O ex-prefeito de Xangai Han Zheng, de 63 anos, conquistou prestígio ao transformar a maior cidade chinesa na capital econômica e financeira do país. Ligado ao ex-presidente Jiang Zemin, é o 7º na hierarquia do PC.
Durante o congresso do PC, Xi foi comparado a Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China em 1º de outubro de 1949, e seu pensamento foi entronizado na Constituição. É "o socialismo com características chinesas para uma nova era".
Xi e o primeiro-ministro Li Keqiang foram reeleitos como líder e vice-líder. Os outros membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China são novos.
Não foi apontado um sucessor para Xi, mais um sinal de que pode ficar além de seus dois mandatos, uma praxe introduzida em 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, pelo então líder supremo Deng Xiaoping, que mandava por trás do trono como presidente da Comissão Militar Central.
"A liderança coletiva dentro do partido existe agora só no nome e, na realidade, está morta", declarou Wu Qiang, comentarista político e ex-professor da Universidade Nova China, em Beijim. "Isto abre caminho para ele acumular mais poder nos próximos anos e ficar além de 2022".
Entre os novos membros, Li Zhansu, de 67 anos, chefe de gabinete, amigo pessoal de longa data e assessor direto de Xi. Será o terceiro ha hierarquia do partido.
Vice-primeiro-ministro, considerado reformista em economia, Wang Yang, de 62 anos, ganhou prestígio como chefe do partido na província de Guangdong (Cantão), a mais próspera da China. Quarto na hierarquia, é o responsável pelas negociações de comércio exterior com os Estados Unidos.
Outro que trabalha há muito tempo com Xi é Wang Huning, de 62 anos, o quinto na hierarquia. Ex-professor convertido em ideólogo do partido, co-autor de relatórios e discursos do dirigente máximo, dirige há 15 anos o Escritório Central de Pesquisas Políticas.
Sexto na hierarquia do PC chinês é Zhao Leji, de 60 anos, foi diretor do departamento de organização do partido, que tem hoje um número recorde de 89 milhões de membros. Como secretário do Comitê Central de Inspeção e Disciplina do partido, ele vai liderar a campanha anticorrupção usada por Xi para assumir o controle absoluto do PC. É um aliado-chave do novo imperador.
O ex-prefeito de Xangai Han Zheng, de 63 anos, conquistou prestígio ao transformar a maior cidade chinesa na capital econômica e financeira do país. Ligado ao ex-presidente Jiang Zemin, é o 7º na hierarquia do PC.
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Congresso do Partido Comunista da China consagra Xi Jinping
O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês começa hoje em Beijim suscitando duas questões: o líder Xi Jinping é o mais poderoso dirigente chinês desde Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China, ou Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que transformaram o país na segunda maior potência mundial, rumo ao primeiro lugar?
O todo-poderoso Xi Jinping vai deixar a chefia do partido e do governo em 2022, mantendo uma regra em vigor desde 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ou pretende ficar indefinidamente no cargo como um novo imperador?
No discurso de abertura do congresso do partido mais importante deste século, durante quase quatro horas, Xi exaltou o combate à corrupção, no plano interno, e o aumento do poderio econômico e militar do país, no plano internacional. Anunciou uma "nova era" para as relações com o mundo. E defendeu a realização do "sonho chinês", expressão que pretende transformar em marca de seu governo.
Xi Jinping falou pela primeira vez no "sonho chinês" durante visita ao Museu Nacional, em Beijim, em novembro de 2012, logo depois de ser escolhido secretário-geral do PC. Ele declarou que "os jovens devem ousar e sonhar, trabalhar assiduamente para realizar seus sonhos e contribuir para revitalizar da nação".
Os teóricos do partido definiram o "sonho chinês" como prosperidade, esforço coletivo, socialismo e glória nacional. É o nacionalismo chinês da era Xi.
Em cinco anos, o homem-forte da China apelou para o nacionalismo, centralizou poderes, combateu inimigos políticos dentro do partido e do governo com sua campanha anticorrupção, aumentou a repressão aos dissidentes e a censura na Internet, e o controle do Estado sobre a economia.
Sua visão de mundo tem o poder absoluto do partido como centro, como guia da economia, da sociedade e até do comportamento individual. A meta é garantir o papel do PC como pai, fiador e protetor perpétuo da Nova China.
O maior projeto internacional é recriar a Rota da Seda como uma via de comércio ligando a China a seu maior mercado, a União Europeia, criando oportunidades de desenvolvimento ao longo do caminho, inclusive no Grande Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas da Terra, numa diplomacia econômica.
Ao discursar para empresários no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início do ano, Xi apresentou-se como defensor do livre comércio e da abertura econômico, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota políticas protecionistas.
O recuo internacional e a incompetência de Trump tornam Xi no homem mais poderoso do mundo, como observou o revista inglesa The Economist.
Durante o 19º congresso do PC chinês, não se espera nada muito espetacular. Não se espera uma discussão sobre os problemas do país, o elevado endividamento das empresas, o excesso de capacidade instalada, a poluição, a falta de habitação, a educação e o aumento na desigualdade social. A expectativa é de consolidação do poder de Xi.
Num regime ditatorial como o chinês, as mudanças e alianças são negociadas em encontros secretos a portas fechadas. Mas as posições ideológicas se cristalizam nos congressos. Em 1982, Deng anunciava uma nova era de prosperidade com sua "economia de mercado socialista".
O congresso do partido é realizado a cada cinco anos para escolher os novos dirigentes chineses. De início, os 2.287 delegados vão eleger os 370 membros plenos e substitutos do Comitê Central do PC. Em sua primeira reunião, o novo Comitê Central vai eleger os 25 membros do Politburo, o birô político do partido.
Por fim, o Politburo deve eleger seu Comitê Permanente, os sete imperadores que governam a China, o núcleo central do poder, que vai confirmar Xi Jinping como dirigente supremo do partido e do país.
Como Xi está no fim do primeiro mandato, a seguir a praxe adotada depois do Massacre na Praça da Paz Celestial pelo líder Deng Xiaoping de que cada líder do partido e presidente da República cumpre dois mandatos de cinco anos, seu sucessor deveria ser indicado.
Quem sobe e desce no Comitê Permanente é o maior indicador da luta interna pelo poder no regime comunista. Uma questão importante é se o primeiro-ministro Li Keqiang será mantido no cargo e no Comitê Permanente. Chefe de governo, ele é encarregado principalmente da administração econômica. É considerado mais liberal do que Xi.
Outro nome a observar é o czar anticorrupção Wang Qishan. Aos 69 anos, já passou de idade de 68 anos, estabelecida por Deng Xiaoping como limite de idades para dirigentes do partido e do governo, de modo a passar a poder às novas gerações.
Se Wang for mantido no Comitê Permanente, será um sinal de que esta regra informal está quebrada. Xi, hoje com 64, poderia ir além do fim dos atuais mandatos como líder do partido, em outubro de 2022, e presidente da República, em março de 2023.
O todo-poderoso Xi Jinping vai deixar a chefia do partido e do governo em 2022, mantendo uma regra em vigor desde 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ou pretende ficar indefinidamente no cargo como um novo imperador?
No discurso de abertura do congresso do partido mais importante deste século, durante quase quatro horas, Xi exaltou o combate à corrupção, no plano interno, e o aumento do poderio econômico e militar do país, no plano internacional. Anunciou uma "nova era" para as relações com o mundo. E defendeu a realização do "sonho chinês", expressão que pretende transformar em marca de seu governo.
Xi Jinping falou pela primeira vez no "sonho chinês" durante visita ao Museu Nacional, em Beijim, em novembro de 2012, logo depois de ser escolhido secretário-geral do PC. Ele declarou que "os jovens devem ousar e sonhar, trabalhar assiduamente para realizar seus sonhos e contribuir para revitalizar da nação".
Os teóricos do partido definiram o "sonho chinês" como prosperidade, esforço coletivo, socialismo e glória nacional. É o nacionalismo chinês da era Xi.
Em cinco anos, o homem-forte da China apelou para o nacionalismo, centralizou poderes, combateu inimigos políticos dentro do partido e do governo com sua campanha anticorrupção, aumentou a repressão aos dissidentes e a censura na Internet, e o controle do Estado sobre a economia.
Sua visão de mundo tem o poder absoluto do partido como centro, como guia da economia, da sociedade e até do comportamento individual. A meta é garantir o papel do PC como pai, fiador e protetor perpétuo da Nova China.
O maior projeto internacional é recriar a Rota da Seda como uma via de comércio ligando a China a seu maior mercado, a União Europeia, criando oportunidades de desenvolvimento ao longo do caminho, inclusive no Grande Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas da Terra, numa diplomacia econômica.
Ao discursar para empresários no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início do ano, Xi apresentou-se como defensor do livre comércio e da abertura econômico, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota políticas protecionistas.
O recuo internacional e a incompetência de Trump tornam Xi no homem mais poderoso do mundo, como observou o revista inglesa The Economist.
Durante o 19º congresso do PC chinês, não se espera nada muito espetacular. Não se espera uma discussão sobre os problemas do país, o elevado endividamento das empresas, o excesso de capacidade instalada, a poluição, a falta de habitação, a educação e o aumento na desigualdade social. A expectativa é de consolidação do poder de Xi.
Num regime ditatorial como o chinês, as mudanças e alianças são negociadas em encontros secretos a portas fechadas. Mas as posições ideológicas se cristalizam nos congressos. Em 1982, Deng anunciava uma nova era de prosperidade com sua "economia de mercado socialista".
O congresso do partido é realizado a cada cinco anos para escolher os novos dirigentes chineses. De início, os 2.287 delegados vão eleger os 370 membros plenos e substitutos do Comitê Central do PC. Em sua primeira reunião, o novo Comitê Central vai eleger os 25 membros do Politburo, o birô político do partido.
Por fim, o Politburo deve eleger seu Comitê Permanente, os sete imperadores que governam a China, o núcleo central do poder, que vai confirmar Xi Jinping como dirigente supremo do partido e do país.
Como Xi está no fim do primeiro mandato, a seguir a praxe adotada depois do Massacre na Praça da Paz Celestial pelo líder Deng Xiaoping de que cada líder do partido e presidente da República cumpre dois mandatos de cinco anos, seu sucessor deveria ser indicado.
Quem sobe e desce no Comitê Permanente é o maior indicador da luta interna pelo poder no regime comunista. Uma questão importante é se o primeiro-ministro Li Keqiang será mantido no cargo e no Comitê Permanente. Chefe de governo, ele é encarregado principalmente da administração econômica. É considerado mais liberal do que Xi.
Outro nome a observar é o czar anticorrupção Wang Qishan. Aos 69 anos, já passou de idade de 68 anos, estabelecida por Deng Xiaoping como limite de idades para dirigentes do partido e do governo, de modo a passar a poder às novas gerações.
Se Wang for mantido no Comitê Permanente, será um sinal de que esta regra informal está quebrada. Xi, hoje com 64, poderia ir além do fim dos atuais mandatos como líder do partido, em outubro de 2022, e presidente da República, em março de 2023.
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Comitê Central do PC chinês inicia sessão para reforçar poder do líder
O Partido Comunista da China abriu ontem a 6ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central. Nos próximos quatro dias, seus 205 membros vão discutir a "governança do partido de maneira estrita".
É uma indicação de que o encontro visa a fortalecer o presidente Xi Jinping, que desde que chegou ao poder há quatro anos faz uma campanha anticorrupção para afastar adversários e consolidar sua posição.
As reuniões serão a portas fechadas. Nas próximas semanas, os sinólogos estarão atentos a pronunciamentos oficiais, rumores, promoções e demissões de funcionários. Seu grande desafio será descobrir se Xi vai conseguir se tornar o líder mais poderoso do PC chinês desde a morte do fundador da República Popular da China, Mao Tsé-tung, em 1976.
É a última sessão plenária do Comitê Central antes do próximo Congresso Nacional do Partido, realizado a cada cinco anos, em outubro de 2017. Neste congresso, serão indicados os membros do próximo Politburo, o birô político do Comitê Central e o Comitê Permanente do Politburo, os agora sete imperadores que governam o país na prática.
Começa portanto um ano de feroz disputa política interna para definir quem serão os altos dirigentes do PC nos próximos cinco anos. Desde que ascendeu à liderança do partido, em 2012, e à Presidência da China, em 2013, Xi tratou de concentrar poderes e destruir redes de patronato político de antigos líderes.
Os sinólogos vão observar se Xi vai conseguir nomear protegidos e aliados para postos-chaves do governo para superar, na prática, o modelo de liderança colegiada criado por Deng Xiaoping para evitar os excessos do maoísmo e da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de intolerância e perseguições políticas.
Uma das regras de Deng é a aposentadoria de altos funcionários do PC chinês aos 68 anos. A dúvida é se Wang Qishan, chefe da campanha anticorrupção, será mantido como membro do Comitê Permanente do Politburo depois de completar 69 anos em julho.
Se a norma for quebrada, vai alimentar a especulação sobre a permanência de Xi como secretário-geral do partido além dos dois mandatos de cinco anos como é a praxe nas últimas duas décadas e meia, sob Jiang Zemin e Hu Jintao.
Com a desaceleração do crescimento e a necessidade de reorientar a economia do investimento e da exportação para o mercado interno e o consumo, podem vir anos turbulentos à frente que vão testar o pragmatismo e a adaptabilidade do PC. Quando houver uma crise econômica grave, seu monopólio de poder será contestado.
É uma indicação de que o encontro visa a fortalecer o presidente Xi Jinping, que desde que chegou ao poder há quatro anos faz uma campanha anticorrupção para afastar adversários e consolidar sua posição.
As reuniões serão a portas fechadas. Nas próximas semanas, os sinólogos estarão atentos a pronunciamentos oficiais, rumores, promoções e demissões de funcionários. Seu grande desafio será descobrir se Xi vai conseguir se tornar o líder mais poderoso do PC chinês desde a morte do fundador da República Popular da China, Mao Tsé-tung, em 1976.
É a última sessão plenária do Comitê Central antes do próximo Congresso Nacional do Partido, realizado a cada cinco anos, em outubro de 2017. Neste congresso, serão indicados os membros do próximo Politburo, o birô político do Comitê Central e o Comitê Permanente do Politburo, os agora sete imperadores que governam o país na prática.
Começa portanto um ano de feroz disputa política interna para definir quem serão os altos dirigentes do PC nos próximos cinco anos. Desde que ascendeu à liderança do partido, em 2012, e à Presidência da China, em 2013, Xi tratou de concentrar poderes e destruir redes de patronato político de antigos líderes.
Os sinólogos vão observar se Xi vai conseguir nomear protegidos e aliados para postos-chaves do governo para superar, na prática, o modelo de liderança colegiada criado por Deng Xiaoping para evitar os excessos do maoísmo e da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de intolerância e perseguições políticas.
Uma das regras de Deng é a aposentadoria de altos funcionários do PC chinês aos 68 anos. A dúvida é se Wang Qishan, chefe da campanha anticorrupção, será mantido como membro do Comitê Permanente do Politburo depois de completar 69 anos em julho.
Se a norma for quebrada, vai alimentar a especulação sobre a permanência de Xi como secretário-geral do partido além dos dois mandatos de cinco anos como é a praxe nas últimas duas décadas e meia, sob Jiang Zemin e Hu Jintao.
Com a desaceleração do crescimento e a necessidade de reorientar a economia do investimento e da exportação para o mercado interno e o consumo, podem vir anos turbulentos à frente que vão testar o pragmatismo e a adaptabilidade do PC. Quando houver uma crise econômica grave, seu monopólio de poder será contestado.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015
Ex-ministro da Segurança do Estado pega prisão perpétua na China
O ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang foi condenado à prisão perpétua hoje por corrupção, abuso de poder e revelação de segredos de Estado. Ele teria confessado todos os crimes e não vai recorrer, informou a agência de notícias oficial Nova China.
Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.
Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.
Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.
Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.
Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.
Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
China afasta vice-ministro da Segurança do Estado por corrupção
Mais um tigre cai na campanha anticorrupção do secretário-geral do Partido Comunista e presidente da China, Xi Jinping, para consolidar o poder. O vice-ministro da Segurança do Estado, Ma Jian, foi afastado de um painel de assessores de alto nível depois que o Partido Comunista anunciou que ele está sendo investigado por corrupção.
Ma Jian é o mais alto funcionário enquadrado por corrupção desde a condenação do ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yangkang, que foi membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, os na época nove imperadores, hoje sete, que mandam realmente na China.
O inquérito sobre suas atividades indica que deve haver uma ampla reforma do Ministério da Segurança do Estado, que reúne a polícia política e o serviço secreto. Ma seria o chefe das operações de contraespionagem.
Em Governing China (Governando a China), o professor americano Kenneth Lieberthal observa que a sociedade chinesa conseguiu criar há mais de 2 mil anos uma burocracia para governar o país, mas não conseguiu até hoje criar um sistema político capaz de administrar a transferência de poder em sua elite.
As últimas transições, de Jiang Zemin (1992-2002) para Hu Jintao (2002-12), e de Hu Jintao para Xi Jinping, foram pacíficas, mas há uma luta interna que vem à tona com os expurgos e processos de corrupção, sempre seletivos, já que o enriquecimento da cúpula chinesa além do razoável está amplamente documentado.
Xi Jinping prometeu ir atrás de todos os corruptos, "das moscas aos tigres". Pegou mais um.
Ma Jian é o mais alto funcionário enquadrado por corrupção desde a condenação do ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yangkang, que foi membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, os na época nove imperadores, hoje sete, que mandam realmente na China.
O inquérito sobre suas atividades indica que deve haver uma ampla reforma do Ministério da Segurança do Estado, que reúne a polícia política e o serviço secreto. Ma seria o chefe das operações de contraespionagem.
Em Governing China (Governando a China), o professor americano Kenneth Lieberthal observa que a sociedade chinesa conseguiu criar há mais de 2 mil anos uma burocracia para governar o país, mas não conseguiu até hoje criar um sistema político capaz de administrar a transferência de poder em sua elite.
As últimas transições, de Jiang Zemin (1992-2002) para Hu Jintao (2002-12), e de Hu Jintao para Xi Jinping, foram pacíficas, mas há uma luta interna que vem à tona com os expurgos e processos de corrupção, sempre seletivos, já que o enriquecimento da cúpula chinesa além do razoável está amplamente documentado.
Xi Jinping prometeu ir atrás de todos os corruptos, "das moscas aos tigres". Pegou mais um.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
China apresenta nova liderança do Partido Comunista
No encerramento de seu 18º Congresso, o Partido Comunista da China acaba de apresentar o novo Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, que foi reduzido de nove para sete membros. São os novos imperadores que mandam na segunda maior economia do mundo e em 1,3 bilhão de pessoas.
O vice-presidente Xi Jinping foi eleito secretário-geral do PC. Em fevereiro, deve assumir também a Presidência da República Popular da China por um mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos. Assim, a expectativa é que Xi trabalhe para consolidar o poder no primeiro mandato e deixe medidas mais ousadas para o segundo.
Seu número dois será o vice-primeiro-ministro Li Keqiang, um economista com PhD pela Universidade de Beijim que será promovido a primeiro-ministro. Será a principal autoridade econômica do governo. A economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos está em desaceleração e tenta se reorientar do comércio exterior para o mercado interno.
Os outros membros são considerados conservadores. O liberal Wang Yang não foi promovido.
Neste momento, Xi Jinping discursa. Destaca a contribuição da China para a humanidade, mas adverte que o país vive um momento crucial de seu desenvolvimento e já fracassou antes. Defende uma "nova China, voltada para o futuro e a prosperidade, em vez da velha China", uma referência à velha guarda saudosista do maoísmo.
"É preciso continuar trabalhando duro para a grandeza da nação chinesa e assim contribuir para a grandeza da humanidade", exorta o novo líder chinês, filho de um revolucionário perseguido durante a Revolução Cultural, o que o fez boa parte da juventude numa aldeia camponesa miserável.
Entre suas prioridades, o novo secretário-geral citou combate à corrupção, segurança, empregos, saúde, melhores condições de habitação, um meio ambiente mais bonito. "Nossa missão é liderar todas as pessoas e o partido para liberar suas mentes e aumentar a produtividade, liberar nossa maneira de pensar para desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas que as pessoas enfrentam no dia a dia para garantir prosperidade para todos", prometeu Xi.
"Somos orgulhosos, mas cautelosos. Nosso partido serve o povo de todo o coração e como nação capturamos a atenção do mundo. Mas não podemos dormir sobre nossos louros. Estamos enfrentando vários desafios, especialmente a corrupção de membros do partido e burocratas. Há muitos problemas a serem resolvidos, como corrupção, burocratismo, falta de contato com o povo. Todo o partido deve estar vigilante", exortou o futuro presidente da China (2013-23).
O PC "precisa liderar o desenvolvimento social, mantendo contato próximo com o povo. Não há dificuldade que não possamos superar. Nossa determinação de servir o povo é ilimitada. Enquanto nos unirmos, não há nada que não possamos fazer", acrescentou, defendendo o monopólio de poder do partido.
"A China precisa conhecer melhor o mundo, e o mundo conhecer melhor a China", concluiu o novo líder do PC chinês, numa mensagem conciliadora, de busca do entendimento, que com certeza será bem recebida pelo resto do mundo.
O presidente que sai em março, Hu Jintao, é um burocrata cinzento com cabelo pintado de preto, um homem da máquina partidária. Há esperanças de que Xi Jinping, que morou no estado de Iowa por um tempo nos anos 80, e viajou bastante ao exterior seja mais aberto para o mundo no momento em que a China tem de assumir cada vez mais responsabilidades como grande potência mundial.
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| Xi Jinping |
Seu número dois será o vice-primeiro-ministro Li Keqiang, um economista com PhD pela Universidade de Beijim que será promovido a primeiro-ministro. Será a principal autoridade econômica do governo. A economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos está em desaceleração e tenta se reorientar do comércio exterior para o mercado interno.
Os outros membros são considerados conservadores. O liberal Wang Yang não foi promovido.
Neste momento, Xi Jinping discursa. Destaca a contribuição da China para a humanidade, mas adverte que o país vive um momento crucial de seu desenvolvimento e já fracassou antes. Defende uma "nova China, voltada para o futuro e a prosperidade, em vez da velha China", uma referência à velha guarda saudosista do maoísmo.
"É preciso continuar trabalhando duro para a grandeza da nação chinesa e assim contribuir para a grandeza da humanidade", exorta o novo líder chinês, filho de um revolucionário perseguido durante a Revolução Cultural, o que o fez boa parte da juventude numa aldeia camponesa miserável.
Entre suas prioridades, o novo secretário-geral citou combate à corrupção, segurança, empregos, saúde, melhores condições de habitação, um meio ambiente mais bonito. "Nossa missão é liderar todas as pessoas e o partido para liberar suas mentes e aumentar a produtividade, liberar nossa maneira de pensar para desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas que as pessoas enfrentam no dia a dia para garantir prosperidade para todos", prometeu Xi.
"Somos orgulhosos, mas cautelosos. Nosso partido serve o povo de todo o coração e como nação capturamos a atenção do mundo. Mas não podemos dormir sobre nossos louros. Estamos enfrentando vários desafios, especialmente a corrupção de membros do partido e burocratas. Há muitos problemas a serem resolvidos, como corrupção, burocratismo, falta de contato com o povo. Todo o partido deve estar vigilante", exortou o futuro presidente da China (2013-23).
O PC "precisa liderar o desenvolvimento social, mantendo contato próximo com o povo. Não há dificuldade que não possamos superar. Nossa determinação de servir o povo é ilimitada. Enquanto nos unirmos, não há nada que não possamos fazer", acrescentou, defendendo o monopólio de poder do partido.
"A China precisa conhecer melhor o mundo, e o mundo conhecer melhor a China", concluiu o novo líder do PC chinês, numa mensagem conciliadora, de busca do entendimento, que com certeza será bem recebida pelo resto do mundo.
O presidente que sai em março, Hu Jintao, é um burocrata cinzento com cabelo pintado de preto, um homem da máquina partidária. Há esperanças de que Xi Jinping, que morou no estado de Iowa por um tempo nos anos 80, e viajou bastante ao exterior seja mais aberto para o mundo no momento em que a China tem de assumir cada vez mais responsabilidades como grande potência mundial.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Chefe de polícia de Bo Xilai vai a julgamento na China
Um dos personagens centrais do maior escândalo político dos últimos 30 anos na China começou a ser julgado hoje. Wang Lijun era vice-governador, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo Xilai na cidade-província de Xunquim. Em novembro, conspirou com a mulher do chefe para matar um empresário britânico, mas teve o cuidado de gravar uma confissão.
Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.
Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.
Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.
Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Aliado de Bo deixa chefia do aparelho de segurança
O poderoso chefe do aparelho de segurança do regime comunista da China, que inclui a Polícia, a Justiça e os serviços secretos, Zhou Yongkang, caiu em desgraça, a exemplo do que aconteceu com seu aliado, o membro do Politburo Bo Xilai, expurgado em março de 2012.
Zhou faz parte do seleto Comitê Permanente do Politburo, onde Bo esperava chegar na renovação a ser realizada no fim do ano. É um dos chamados nove imperadores que realmente governam a China. Foi o maior defensor de Bo no debate interno do PC chinês que precedeu seu afastamento, primeiro da chefia do partido em Xunquim, uma grande cidade com status de província, em março, e depois do Politburo do Comitê Central, no mês passado.
No papel, afirma hoje o jornal inglês Financial Times, Zhou mantém o cargo de secretário do comitê de assuntos políticos e legislativos do partido. Na prática, o controle do aparelho de segurança do Estado passou para o ministro da Segurança Pública, Meng Zianzhu, diz o jornal, citando como fontes altos funcionários do PC e diplomatas.
A defesa obstinada de Bo teria selado a sorte de Zhou.
O expurgo de Bo Xilai revelou as divisões na cúpula dirigente chinesa e os métodos brutais usados na luta pelo poder. Sua mulher, Gu Kailai, foi presa sob acusação de envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood.
Para não aumentar o descontentamento popular com as práticas arbitrárias e antidemocráticas do regime, Zhou deve manter o cargo sem nenhum poder real. Ele teria inclusive feito uma autocrítica diante do Comitê Permanente, reconhecendo o erro de tentar proteger Bo.
Por trás, há o duelo entre a ala reformista representada atualmente pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, defensora de reforma políticas liberalizantes, e a velha guarda maoísta, que aproveitou a crise financeira internacional para defender o aumento do controle do Estado sobre a economia.
As quedas de Bo e Zhou são derrotas dos saudosos do maoísmo e das canções - e também dos métodos - da Revolução Cultural. Esta batalha ideológica que marca as reformas promovidas por Deng Xiaoping a partir de 1978 recomeça e está longe de terminar. Em jogo, o futuro da China, que em breve será o país mais rico do mundo.
Zhou faz parte do seleto Comitê Permanente do Politburo, onde Bo esperava chegar na renovação a ser realizada no fim do ano. É um dos chamados nove imperadores que realmente governam a China. Foi o maior defensor de Bo no debate interno do PC chinês que precedeu seu afastamento, primeiro da chefia do partido em Xunquim, uma grande cidade com status de província, em março, e depois do Politburo do Comitê Central, no mês passado.
No papel, afirma hoje o jornal inglês Financial Times, Zhou mantém o cargo de secretário do comitê de assuntos políticos e legislativos do partido. Na prática, o controle do aparelho de segurança do Estado passou para o ministro da Segurança Pública, Meng Zianzhu, diz o jornal, citando como fontes altos funcionários do PC e diplomatas.
A defesa obstinada de Bo teria selado a sorte de Zhou.
O expurgo de Bo Xilai revelou as divisões na cúpula dirigente chinesa e os métodos brutais usados na luta pelo poder. Sua mulher, Gu Kailai, foi presa sob acusação de envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood.
Para não aumentar o descontentamento popular com as práticas arbitrárias e antidemocráticas do regime, Zhou deve manter o cargo sem nenhum poder real. Ele teria inclusive feito uma autocrítica diante do Comitê Permanente, reconhecendo o erro de tentar proteger Bo.
Por trás, há o duelo entre a ala reformista representada atualmente pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, defensora de reforma políticas liberalizantes, e a velha guarda maoísta, que aproveitou a crise financeira internacional para defender o aumento do controle do Estado sobre a economia.
As quedas de Bo e Zhou são derrotas dos saudosos do maoísmo e das canções - e também dos métodos - da Revolução Cultural. Esta batalha ideológica que marca as reformas promovidas por Deng Xiaoping a partir de 1978 recomeça e está longe de terminar. Em jogo, o futuro da China, que em breve será o país mais rico do mundo.
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