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domingo, 3 de dezembro de 2017

Ideólogo da ditadura militar da China defende censura à Internet

Ele é o cérebro por trás do trono. Sem nunca ter sido líder regional do partido, nem prefeito, nem governador, nem ministro, um obscuro professor virou membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China, um dos sete imperadores que governam o país de fato. Em seu primeiro discurso público, Wang Huning defendeu hoje o rígido controle da informação pela ditadura militar chinesa.

Ao falar na Conferência Mundial da Internet, organizada pela Administração do Ciberespaço da China, em Wuzhen, a 120 quilômetros de Xangai, na China, defendeu cinco princípios para manter a "ordem e a segurança", suas preocupações fundamentais, na rede mundial de computadores, informou o jornal The New York Times.

Diante dos diretores-gerais da Apple, Tim Cook, e do Google Sundar Pixai, e do chinês Jack Ma, dono da maior empresa de comércio eletrônico do mundo, a chinesa Ali Baba, Wang destacou o desenvolvimento tecnológico da China e pediu mais investimentos em setores de ponta como inteligência artificial e computação quântica. O regime ditatorial quer a China na vanguarda tecnológica sem ampliar as liberdades públicas.

Conselheiro dos dois presidentes anteriores, Jiang Zemin e Hu Jintao, e do atual, Xi Jinping, Wang chegou ao Comitê Permanente aos 62 anos. Suas ideias começaram a ser conhecidas nos anos 1990s, quando ele era professor da Universidade Fudan, em Xangai, a maior e mais vibrante cidade chinesa.

Como a China é um país grande e pobre, argumenta Wang, precisa de um governo central forte para promover o desenvolvimento econômico. Sem um regime autoritário, a China não conseguiria superar o século de humilhação diante das potências ocidentais e do Japão, que começa com as Guerras do Ópio, em 1839, e vai até a vitória da Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.

Seu pensamento segue a tendência de aumento do autoritarismo sob a liderança personalista de Xi Jinping, considerado o dirigente mais forte do PC chinês depois de Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. Xi resgata o culto da personalidade de Mao, que Deng suprimiu impondo uma liderança coletiva e um limite para o exercício dos cargos mais importantes do regime, a Secretaria Geral do PC, a presidência da China e a presidência da Comissão Militar Central.

Neste domingo, Wang exaltou Xi por seu "conhecimento profundo" da governança da Internet, afirmando que as ideias do ditador chinês sobre a Internet foram "recebidas calorosamente" pela sociedade internacional, em especial o conceito de "soberania cibernética" - a expressão usada pelo regime comunista para justificar a censura rígida à rede mundial de computadores.

A China é o único país onde andei em que não pude escrever neste blog. A censura é implacável. Na visão chinesa, comum a ditaduras, cada país tem o direito de criar sua própria rede e censurar tudo, especialmente o que vem de fora, com a chamada Grande Muralha de Fogo da China (Great Firewall of China), praticamente isolando o país.

Nas regiões onde há problemas com minorias étnicas, como no Tibete e na província de Xinjiang, a rede não funciona, para impedir a articulação de oposições ao regime comunista. Na conferência, conexão de altíssima velocidade.

"A governança global do ciberespaço não tem espectadores. Somos todos participantes", argumentou o alto dirigente chinês para alegar que "todas as partes" devem ter direito a dizer como a Internet deve ser administrada.

Suas cinco propostas seguem a orientação ditada por Xi Jinping ao participar da 2ª Conferência Mundial da Internet, em dezembro de 2015:

1. Acelerar a construção da infraestrutura global da rede para aumentar a interconectividade: até 2020, a Internet deve chegar a quase todas as aldeias chinesas.

2. Construir plataforma on-line para intercâmbio cultural e promoção da comunicação mútua: a China quer exportar sua cultura mantendo o controle estatal sobre o fluxo de ideias vindas do exterior.
3. Promover o desenvolvimento inovador da economia da Internet: maior beneficiária hoje da globalização e do comércio internacional, a China quer estar na vanguarda de todos os setores, especial da economia da Internet.

4. Salvaguardar a segurança da Internet para garantir o desenvolvimento de maneira ordena: ao mesmo tempo em que se dá o direito de censurar a rede, o regime chinês quer fortalecer o combate internacional ao terrorismo e ao crime organizado via Internet.

5. Estabelecer um sistema de governança da Internet que promova equidade e justiça: a proposta é criar regras globais de administração da rede. Vindo de uma ditadura, dá para pressupor que seja para aumentar o controle da informação.

A China não quer perder o trem-bala da corrida tecnológica. Quer usar o poder econômico da Internet sem liberar o fluxo de informações para impedir a disseminação de ideias liberais e democráticas capazes de minar o poder absoluto do partido.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Xi Jinping apresenta nova liderança do Partido Comunista da China

No encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China, o cada vez mais poderoso secretário-geral do Comitê Central e presidente do país, Xi Jinping, apresentou há pouco os outros seis membros do Comitê Permanente do Politburo, o núcleo central do poder. Se eles são conhecidos popularmente como os sete imperadores, talvez na realidade agora a China tenha um só.

Durante o congresso do PC, Xi foi comparado a Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China em 1º de outubro de 1949, e seu pensamento foi entronizado na Constituição. É "o socialismo com características chinesas para uma nova era".

Xi e o primeiro-ministro Li Keqiang foram reeleitos como líder e vice-líder. Os outros membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China são novos.

Não foi apontado um sucessor para Xi, mais um sinal de que pode ficar além de seus dois mandatos, uma praxe introduzida em 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, pelo então líder supremo Deng Xiaoping, que mandava por trás do trono como presidente da Comissão Militar Central.

"A liderança coletiva dentro do partido existe agora só no nome e, na realidade, está morta", declarou Wu Qiang, comentarista político e ex-professor da Universidade Nova China, em Beijim. "Isto abre caminho para ele acumular mais poder nos próximos anos e ficar além de 2022".

Entre os novos membros, Li Zhansu, de 67 anos, chefe de gabinete, amigo pessoal de longa data e assessor direto de Xi. Será o terceiro ha hierarquia do partido.

Vice-primeiro-ministro, considerado reformista em economia, Wang Yang, de 62 anos, ganhou prestígio como chefe do partido na província de Guangdong (Cantão), a mais próspera da China. Quarto na hierarquia, é o responsável pelas negociações de comércio exterior com os Estados Unidos.

Outro que trabalha há muito tempo com Xi é Wang Huning, de 62 anos, o quinto na hierarquia. Ex-professor convertido em ideólogo do partido, co-autor de relatórios e discursos do dirigente máximo, dirige há 15 anos o Escritório Central de Pesquisas Políticas.

Sexto na hierarquia do PC chinês é Zhao Leji, de 60 anos, foi diretor do departamento de organização do partido, que tem hoje um número recorde de 89 milhões de membros. Como secretário do Comitê Central de Inspeção e Disciplina do partido, ele vai liderar a campanha anticorrupção usada por Xi para assumir o controle absoluto do PC. É um aliado-chave do novo imperador.

O ex-prefeito de Xangai Han Zheng, de 63 anos, conquistou prestígio ao transformar a maior cidade chinesa na capital econômica e financeira do país. Ligado ao ex-presidente Jiang Zemin, é o 7º na hierarquia do PC.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Congresso do Partido Comunista da China consagra Xi Jinping

O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês começa hoje em Beijim suscitando duas questões: o líder Xi Jinping é o mais poderoso dirigente chinês desde Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China, ou Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que transformaram o país na segunda maior potência mundial, rumo ao primeiro lugar? 

O todo-poderoso Xi Jinping vai deixar a chefia do partido e do governo em 2022, mantendo uma regra em vigor desde 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ou pretende ficar indefinidamente no cargo como um novo imperador?

No discurso de abertura do congresso do partido mais importante deste século, durante quase quatro horas, Xi exaltou o combate à corrupção, no plano interno, e o aumento do poderio econômico e militar do país, no plano internacional. Anunciou uma "nova era" para as relações com o mundo. E defendeu a realização do "sonho chinês", expressão que pretende transformar em marca de seu governo.

Xi Jinping falou pela primeira vez no "sonho chinês" durante visita ao Museu Nacional, em Beijim, em novembro de 2012, logo depois de ser escolhido secretário-geral do PC. Ele declarou que "os jovens devem ousar e sonhar, trabalhar assiduamente para realizar seus sonhos e contribuir para revitalizar da nação".

Os teóricos do partido definiram o "sonho chinês" como prosperidade, esforço coletivo, socialismo e glória nacional. É o nacionalismo chinês da era Xi.

Em cinco anos, o homem-forte da China apelou para o nacionalismo, centralizou poderes, combateu inimigos políticos dentro do partido e do governo com sua campanha anticorrupção, aumentou a repressão aos dissidentes e a censura na Internet, e o controle do Estado sobre a economia.

Sua visão de mundo tem o poder absoluto do partido como centro, como guia da economia, da sociedade e até do comportamento individual. A meta é garantir o papel do PC como pai, fiador e protetor perpétuo da Nova China.

O maior projeto internacional é recriar a Rota da Seda como uma via de comércio ligando a China a seu maior mercado, a União Europeia, criando oportunidades de desenvolvimento ao longo do caminho, inclusive no Grande Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas da Terra, numa diplomacia econômica.

Ao discursar para empresários no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início do ano, Xi apresentou-se como defensor do livre comércio e da abertura econômico, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota políticas protecionistas.

O recuo internacional e a incompetência de Trump tornam Xi no homem mais poderoso do mundo, como observou o revista inglesa The Economist.

Durante o 19º congresso do PC chinês, não se espera nada muito espetacular. Não se espera uma discussão sobre os problemas do país, o elevado endividamento das empresas, o excesso de capacidade instalada, a poluição, a falta de habitação, a educação e o aumento na desigualdade social. A expectativa é de consolidação do poder de Xi.

Num regime ditatorial como o chinês, as mudanças e alianças são negociadas em encontros secretos a portas fechadas. Mas as posições ideológicas se cristalizam nos congressos. Em 1982, Deng anunciava uma nova era de prosperidade com sua "economia de mercado socialista".

O congresso do partido é realizado a cada cinco anos para escolher os novos dirigentes chineses. De início, os 2.287 delegados vão eleger os 370 membros plenos e substitutos do Comitê Central do PC. Em sua primeira reunião, o novo Comitê Central vai eleger os 25 membros do Politburo, o birô político do partido.

Por fim, o Politburo deve eleger seu Comitê Permanente, os sete imperadores que governam a China, o núcleo central do poder, que vai confirmar Xi Jinping como dirigente supremo do partido e do país.

Como Xi está no fim do primeiro mandato, a seguir a praxe adotada depois do Massacre na Praça da Paz Celestial pelo líder Deng Xiaoping de que cada líder do partido e presidente da República cumpre dois mandatos de cinco anos, seu sucessor deveria ser indicado.

Quem sobe e desce no Comitê Permanente é o maior indicador da luta interna pelo poder no regime comunista. Uma questão importante é se o primeiro-ministro Li Keqiang será mantido no cargo e no Comitê Permanente. Chefe de governo, ele é encarregado principalmente da administração econômica. É considerado mais liberal do que Xi.

Outro nome a observar é o czar anticorrupção Wang Qishan. Aos 69 anos, já passou de idade de 68 anos, estabelecida por Deng Xiaoping como limite de idades para dirigentes do partido e do governo, de modo a passar a poder às novas gerações.

Se Wang for mantido no Comitê Permanente, será um sinal de que esta regra informal está quebrada. Xi, hoje com 64, poderia ir além do fim dos atuais mandatos como líder do partido, em outubro de 2022, e presidente da República, em março de 2023.

domingo, 8 de outubro de 2017

Ditador Kim Jong Un nomeia irmã para o Politburo da Coreia do Norte

Num gesto que reforça a ditadura familiar, o líder Kim Jong Un nomeou sua irmã mais moça, Kim Yo Jong, para o Politburo, o escritório político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o pequeno grupo que dirige o país mais fechado do mundo. A promoção foi anunciada ontem pelo ditador numa reunião da cúpula do regime comunista, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A família Kim governa a Coreia do Norte desde o fim da ocupação japonesa da Península Coreana com a derrota do Japão para os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, em 1945. O Grande Líder Kim Il Sung comandava uma guerra de guerrilhas contra o Exército Imperial do Japão.

Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogaram a segunda bomba atômica, em Nagasaque, o ditador soviético Josef Stalin declarou guerra ao Japão. A União Soviética invadiu quatro ilhas do Norte do Japão e o Norte da Coreia, onde instalou os comunistas no poder.

Quando a divisão foi sacramentada com a criação da Coreia do Norte e da Coreia do Sul, em 1948, Kim Il Sung se tornou fundador, ditador e pai da pátria, cultuado até hoje como um deus. Os nomes oficiais dos dois países, República da Coreia (Sul) e República Popular Democrática da Coreia (Norte), não refletem a divisão do país. Ambos reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Esse impasse levou à guerra em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte invadiu o Sul. Com o apoio dos EUA, que até hoje tem um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Coreia, Seul foi reconquistada. Quando os EUA, invadiram o Norte, a China interveio e empurrou os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restabelecendo a situação anterior à guerra.

O armistício foi assinado em 27 de julho pelo Comando da ONU na Coreia, o Exército Popular da Coreia e o Exército de Voluntários da China. Mas nunca foi firmado um acordo de paz definitivo. Por isso, até hoje, a ditadura stalinista norte-coreana chama o governo de Seul de "fantoche dos EUA". É o último conflito inacabado da Guerra Fria.

Kim Il Sung governou o Norte como um ditador até sua morte, em 8 de julho de 1994, quando a URSS havia acabado e o regime começava sua chantagem atômica para barganhar ajuda em energia e alimentos para sua econômica falida. A juche (autossuficiência), a pedra fundamental da ideologia do comunismo norte-coreano, entrava em colapso.

O Grande Líder Kim Il Sung foi sucedido pelo Querido Líder Kim Jong Il, que também governou até a morte, em dezembro de 2011.

No governo do segundo Kim, por iniciativa do ex-presidente Jimmy Carter encampada pelo governo Bill Clinton, os EUA começaram a negociar o desarmamento do regime stalinista de Pionguiangue.

Essa negociação foi rompida em 2003, depois que o então presidente George W. Bush colocou a Coreia do Norte num "eixo do mal" ao lado do Iraque e do Irã - e invadiu o Iraque. A Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas de armas atômicas.

Em 2006, a Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear. O segundo foi em 2009. Ao assumir o poder meses depois da queda do ditador Muamar Kadafi, que negociara o fim de seus programas de destruição em massa, o atual ditador decidiu acelerar o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos. Desde então, houve quatro testes nucleares e só neste ano 11 testes de mísseis.

As armas atômicas são hoje a garantia de sobrevivência do regime. Kim Yo Jong foi promovida alta funcionária do partido há 3 anos. Com 30 anos, a irmã do ditador chega ao núcleo do poder no lugar de uma tia. Até agora, ela era subdiretora do Departamento de Propaganda e Agitação, responsável pela imagem pública de Kim Jong Un.

O parentesco não é garantia de sobrevivência na ditadura de Kim Jong Un. Ele é acusado de mandar matar o irmão Kim Jong Nam, assassinado com veneno no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, e o tio Jang Song Thaek, que era considerado o segundo homem mais poderoso da Coreia do Norte até ser denunciado por traição e brutalmente executado em 2013.

Também foi promovido a membro pleno do Politburo, com direito a voto, o ministro do Exterior, Ri Yong Ho. Ele fez o pronunciamento da Coreia do Norte no mês passado na Assembleia Geral da ONU, quando chamou Donald Trump de "presidente diabólico" e o acusou de declarar guerra à Coreia do Norte.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Comitê Central do PC chinês inicia sessão para reforçar poder do líder

O Partido Comunista da China abriu ontem a 6ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central. Nos próximos quatro dias, seus 205 membros vão discutir a "governança do partido de maneira estrita". 

É uma indicação de que o encontro visa a fortalecer o presidente Xi Jinping, que desde que chegou ao poder há quatro anos faz uma campanha anticorrupção para afastar adversários e consolidar sua posição.

As reuniões serão a portas fechadas. Nas próximas semanas, os sinólogos estarão atentos a pronunciamentos oficiais, rumores, promoções e demissões de funcionários. Seu grande desafio será descobrir se Xi vai conseguir se tornar o líder mais poderoso do PC chinês desde a morte do fundador da República Popular da China, Mao Tsé-tung, em 1976.

É a última sessão plenária do Comitê Central antes do próximo Congresso Nacional do Partido, realizado a cada cinco anos, em outubro de 2017. Neste congresso, serão indicados os membros do próximo Politburo, o birô político do Comitê Central e o Comitê Permanente do Politburo, os agora sete imperadores que governam o país na prática.

Começa portanto um ano de feroz disputa política interna para definir quem serão os altos dirigentes do PC nos próximos cinco anos. Desde que ascendeu à liderança do partido, em 2012, e à Presidência da China, em 2013, Xi tratou de concentrar poderes e destruir redes de patronato político de antigos líderes.

Os sinólogos vão observar se Xi vai conseguir nomear protegidos e aliados para postos-chaves do governo para superar, na prática, o modelo de liderança colegiada criado por Deng Xiaoping para evitar os excessos do maoísmo e da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de intolerância e perseguições políticas.

Uma das regras de Deng é a aposentadoria de altos funcionários do PC chinês aos 68 anos. A dúvida é se Wang Qishan, chefe da campanha anticorrupção, será mantido como membro do Comitê Permanente do Politburo depois de completar 69 anos em julho.

Se a norma for quebrada, vai alimentar a especulação sobre a permanência de Xi como secretário-geral do partido além dos dois mandatos de cinco anos como é a praxe nas últimas duas décadas e meia, sob Jiang Zemin e Hu Jintao.

Com a desaceleração do crescimento e a necessidade de reorientar a economia do investimento e da exportação para o mercado interno e o consumo, podem vir anos turbulentos à frente que vão testar o pragmatismo e a adaptabilidade do PC. Quando houver uma crise econômica grave, seu monopólio de poder será contestado.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Partido Comunista do Vietnã reelege líder

O secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong, foi reeleito hoje para um segundo mandato de cinco anos, noticiou a agência Associated Press (AP).

Trong, de 71 anos, foi reeleito para o Politburo do Comitê Central do PC e recebeu uma segunda isenção da aposentadoria compulsória. Em seguida, foi reeleito para chefiar o partido, o mais alto cargo na hierarquia do regime comunista vietnamita.

No início da semana, o maior rival de Trong, o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung, desistiu de disputar a liderança do partido. Dung deve deixar a vida pública e Trong teria feito um acordo com os partidários do rival e deve ficar no cargo durante apenas parte do mandato.

O vice-primeiro-ministro Nguyen Xuan Phuc, também eleito para o Politburo, deve ser promovido a primeiro-ministro. O ministro da Segurança Pública, Tran Dai Quang, deve ser o próximo presidente do país, um cargo cerimonial menos importante do que a chefia do partido e do governo.

A disputa pelo poder foi descrita como um duelo entre um conservador a favor da China e um reformista pró-Estados Unidos, mas a expectativa é que não haja mudanças significativas na orientação econômica e estratégica do país.

O Vietnã enfrenta uma China cada vez mais agressiva na disputa territorial no Mar do Sul da China, onde Beijim procura petróleo em águas disputadas pelo país vizinho. Isso aproximou o Vietnã dos EUA, da Índia e do Japão numa tentativa de contrabalançar o crescente poderio militar chinês.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ex-ministro da Segurança do Estado pega prisão perpétua na China

O ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang foi condenado à prisão perpétua hoje por corrupção, abuso de poder e revelação de segredos de Estado. Ele teria confessado todos os crimes e não vai recorrer, informou a agência de notícias oficial Nova China. 

Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.

Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.

Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

China afasta vice-ministro da Segurança do Estado por corrupção

Mais um tigre cai na campanha anticorrupção do secretário-geral do Partido Comunista e presidente da China, Xi Jinping, para consolidar o poder. O vice-ministro da Segurança do Estado, Ma Jian, foi afastado de um painel de assessores de alto nível depois que o Partido Comunista anunciou que ele está sendo investigado por corrupção.

Ma Jian é o mais alto funcionário enquadrado por corrupção desde a condenação do ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yangkang, que foi membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, os na época nove imperadores, hoje sete, que mandam realmente na China.

O inquérito sobre suas atividades indica que deve haver uma ampla reforma do Ministério da Segurança do Estado, que reúne a polícia política e o serviço secreto. Ma seria o chefe das operações de contraespionagem.

Em Governing China (Governando a China), o professor americano Kenneth Lieberthal observa que a sociedade chinesa conseguiu criar há mais de 2 mil anos uma burocracia para governar o país, mas não conseguiu até hoje criar um sistema político capaz de administrar a transferência de poder em sua elite.

As últimas transições, de Jiang Zemin (1992-2002) para Hu Jintao (2002-12), e de Hu Jintao para Xi Jinping, foram pacíficas, mas há uma luta interna que vem à tona com os expurgos e processos de corrupção, sempre seletivos, já que o enriquecimento da cúpula chinesa além do razoável está amplamente documentado.

Xi Jinping prometeu ir atrás de todos os corruptos, "das moscas aos tigres". Pegou mais um.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

China expurga ex-chefe do serviço secreto por corrupção

Sob acusações de corrupção, o Partido Comunista decidiu hoje expurgar o ex-chefe dos serviços secretos e da segurança interna da China e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central Zhou Yongkang.

É a primeira vez em décadas que um dirigente da alta cúpula do regime pode ser processado criminalmente, desde o julgamento da Gangue dos Quatro, em 1981, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching. A facção foi condenada pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária

Dentro da grande campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, Zhou foi apontado como suspeito em julho de 2014. Um relatório interno do PC o denunciou por "violar a disciplina do partido", a acusação genérica contra a corrupção no discurso do regime, aceitar suborno, dilapidar ativos do Estado, revelar segredos de Estado e do partido, promoção fraudulenta de parentes e atividade pessoal "salaciosa", um eufemismo para adultério.

Sob investigação, Zhou estava em prisão domiciliar há meses. Agora, foi preso formalmente. Era aliado do ex-dirigente Bo Xilai, um neomaoista que caiu em desgraça em março de 2012, foi expurgado, preso e condenado por corrupção, abuso de poder e o assassinado do empresário britânico Neil Heywood, suposto intermediário de seus negócios sujos no exterior.

domingo, 18 de agosto de 2013

Ex-dirigente chinês Bo Xilai começa a ser julgado

Começa nesta quinta-feira o julgamento do ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, denunciado por suborno, corrupção e abuso de poder. É o mais importante processo com implicações políticas desde que a Gangue dos Quatro, da qual participava a viúva de Mao Tsé-tung, foi condenada por alta traição, em 1981.

Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.

Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.

O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

China denuncia Bo Xilai por corrupção e abuso de poder

O ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, centro do maior escândalo político do país nas últimas décadas, foi denunciado hoje por suborno, corrupção e abuso de poder.

Até março de 2012, Bo era estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, governador da cidade-estado de Xunquim, um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC e candidato ao Comitê Permanente, o pequeno grupo agora reduzido de nove para sete imperadores que realmente governa a China.

De um dos homens mais poderosos da superpotência ascensão, candidato à líder máximo do partido e do governo, Bo caiu rapidamente em desgraça. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada no passado pelo assassinato em novembro de 2011 de um empresário britânico envolvido nas transações internacionais do casal.

Bo Xilai e Gu Kailai viraram exemplos de uma liderança arrogante e prepotente, de abuso de poder e do estilo de vida sem limites dos altos dirigentes do partido, que se colocam acima da lei. Neste clima, é mais provável uma condenação rápida de Bo, a exemplo do que aconteceu com Gu. Serão apresentados como exemplo de que o PC está realmente interessado em moralizar a política e combater a corrupção.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

China apresenta nova liderança do Partido Comunista

No encerramento de seu 18º Congresso, o Partido Comunista da China acaba de apresentar o novo Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, que foi reduzido de nove para sete membros. São os novos imperadores que mandam na segunda maior economia do mundo e em 1,3 bilhão de pessoas.

Xi Jinping
O vice-presidente Xi Jinping foi eleito secretário-geral do PC. Em fevereiro, deve assumir também a Presidência da República Popular da China por um mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos. Assim, a expectativa é que Xi trabalhe para consolidar o poder no primeiro mandato e deixe medidas mais ousadas para o segundo.

Seu número dois será o vice-primeiro-ministro Li Keqiang,  um economista com PhD pela Universidade de Beijim que será promovido a primeiro-ministro. Será a principal autoridade econômica do governo. A economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos está em desaceleração e tenta se reorientar do comércio exterior para o mercado interno.

Os outros membros são considerados conservadores. O liberal Wang Yang não foi promovido.

Neste momento, Xi Jinping discursa. Destaca a contribuição da China para a humanidade, mas adverte que o país vive um momento crucial de seu desenvolvimento e já fracassou antes. Defende uma "nova China, voltada para o futuro e a prosperidade, em vez da velha China", uma referência à velha guarda saudosista do maoísmo.

"É preciso continuar trabalhando duro para a grandeza da nação chinesa e assim contribuir para a grandeza da humanidade", exorta o novo líder chinês, filho de um revolucionário perseguido durante a Revolução Cultural, o que o fez boa parte da juventude numa aldeia camponesa miserável.

Entre suas prioridades, o novo secretário-geral citou combate à corrupção, segurança, empregos, saúde, melhores condições de habitação, um meio ambiente mais bonito. "Nossa missão é liderar todas as pessoas e o partido para liberar suas mentes e aumentar a produtividade, liberar nossa maneira de pensar para desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas que as pessoas enfrentam no dia a dia para garantir prosperidade para todos", prometeu Xi.

"Somos orgulhosos, mas cautelosos. Nosso partido serve o povo de todo o coração e como nação capturamos a atenção do mundo. Mas não podemos dormir sobre nossos louros. Estamos enfrentando vários desafios, especialmente a corrupção de membros do partido e burocratas. Há muitos problemas a serem resolvidos, como corrupção, burocratismo, falta de contato com o povo. Todo o partido deve estar vigilante", exortou o futuro presidente da China (2013-23).

O PC "precisa liderar o desenvolvimento social, mantendo contato próximo com o povo. Não há dificuldade que não possamos superar. Nossa determinação de servir o povo é ilimitada. Enquanto nos unirmos, não há nada que não possamos fazer", acrescentou, defendendo o monopólio de poder do partido.

"A China precisa conhecer melhor o mundo, e o mundo conhecer melhor a China", concluiu o novo líder do PC chinês, numa mensagem conciliadora, de busca do entendimento, que com certeza será bem recebida pelo resto do mundo.

O presidente que sai em março, Hu Jintao, é um burocrata cinzento com cabelo pintado de preto, um homem da máquina partidária. Há esperanças de que Xi Jinping, que morou no estado de Iowa por um tempo nos anos 80, e viajou bastante ao exterior seja mais aberto para o mundo no momento em que a China tem de assumir cada vez mais responsabilidades como grande potência mundial.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Chefe de polícia de Bo Xilai vai a julgamento na China

Um dos personagens centrais do maior escândalo político dos últimos 30 anos na China começou a ser julgado hoje. Wang Lijun era vice-governador, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo Xilai na cidade-província de Xunquim. Em novembro, conspirou com a mulher do chefe para matar um empresário britânico, mas teve o cuidado de gravar uma confissão.

Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.

Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mulher de Bo Xilai é denunciada por homicídio

LONDRES - Em mais um lance do mais espetacular escândalo político em décadas na China, Gu Kailai, mulher do ex-dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, foi acusada formalmente pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria um dos agentes das transações internacionais do casal, informou hoje a agência oficial Nova China.

Bo era a principal estrela da linha dura em ascensão no PC chinês. Como prefeito e governador da cidade-província de Xunquim, resgatou métodos políticos, lemas e até hinos do tempo da Revolução Cultural (1966-76). Era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do partido. Sonhava em ser eleito no fim deste ano para o Comitê Permanente do Politburo e tornar um dos chamados nove imperadores que governam a China.

Em março, ele foi afastado do governo de Xunquim. Em abril, perdeu todos os cargos que ainda tinha dentro do partido. Sua mulher foi presa por suspeita de envenenamento de Heywood.

A orientação interna do presidente Hu Jintao e do vice-presidente Xi Jinping, que deve assumir a liderança do partido no fim deste ano e a Presidência da China em 2013, é tratar a queda espetacular de Bo como um caso isolado, descartando a sugestão do primeiro-ministro Wen Jiabao de retomar a discussão sobre a reforma política.

Por mais que a China tenha se desenvolvido nas últimas décadas, a disputa pelo poder entre suas elites ainda é cruel e brutal. O escândalo também chamou a atenção da opinião pública chinesa, reprimida pela ditadura comunista, para os privilégios dos chamados principezinhos, os filhos de altos dirigentes da geração de Mao Tsé-tung, que fez a revolução.

Tanto Bo Xilai quanto Xi Jinping foram vítimas de perseguição a seus pais durante a Revolução Cultural. Mas depois que os pais foram reabilitados, ajudaram seus filhos a subir na hierarquia do partido e do governo.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Arquiteto francês é preso no caso Bo Xilai

A pedido da China, o Camboja prendeu o arquiteto francês Patrick Devillers, acusado de envolvimento com o ex-dirigente do Partido Comunista chinês Bo Xilai, um expoente da linha dura que caiu em desgraça em março de 2012 em meio a um escândalo de abuso de poder, assassinato e corrupção.

Em Paris, o Ministério do Exterior da França prometeu todo o apoio consular ao arquiteto.

Devillers era um dos dois estrangeiros ligados a Gu Kailai, esposa de Bo, presa sob suspeita de participação no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, acusado de intermediar transações internacionais ilícitas do casal.

Bo Xilai era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC chinês. Articulava apoio para ser eleito no fim do ano para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China, hoje o segundo país mais rico e poderoso do mundo, rumo ao primeiro lugar.

Como líder do partido e governador da cidade-província de Xunquim, Bo resgatou políticas da linha dura da era maoísta. Perseguiu empresários denunciados por corrupção e adversários políticos, sendo acusado de abuso de poder. Até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural eram entoadas.

Em março deste ano, Bo foi removido da liderança do partido em Xunquim. No mês seguinte, foi afastado também do Politburo, na queda mais espetacular de um dirigente chinês desde que o então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, foi deposto, em 1989, por se recusar a apoiar a repressão do Exército Popular de Libertação ao movimento dos estudantes pela democracia e liberdade que resultou no massacre na Praça da Paz Celestial.

Devillers foi advertido várias vezes de que corria perigo no Camboja por causa das boas relações do governo deste país com o regime comunista chinês. Sua prisão foi anunciada seis dias depois da visita a Phnom Penh, a capital cambojana, de Hu Guoqiang, membro do Comitê Permanente e Chefe da Comissão Central para Inspeções Disciplinares.

Quando Gu Kailai abriu uma empresa no Reino Unido para contratar arquitetos para realizar projetos na China, deu o mesmo endereço, em Bournemouth, usado por Devillers. Em 2006, quando ele e seu pai criaram uma companhia imobiliária em Luxemburgo, deram como endereço principal da firma um escritório de Gu em Beijim.

A China tem regras estritas para investimentos no exterior e fiscaliza de perto a participação de funcionários públicos nestes negócios, observa o jornal The New York Times.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

China limita expurgos para isolar caso Bo Xilai

Em ano de renovação da liderança, o presidente da China, Hu Jintao, pediu ao Partido Comunista que reduza as tensões e mostra unidade neste período de transição marcado pelo expurgo do alto dirigente Bo Xilai, que era um dos 25 membros do Politburo, o birô político do PC, e foi acusado de corrupção e abuso de poder.

Durante reunião com cerca de 200 altos funcionários num hotel de Beijim no início deste mês, Hu descreveu o pior escândalo político das últimas duas décadas na China como um "caso isolado", informa com exclusividade hoje a agência Reuters.

Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim e almejava entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores, os homens que realmente mandam no país.

No  fim do ano, o 18º Congresso do PC chinês vai escolher os nove líderes da China. Hu e o primeiro-ministro Wen Jiabao devem deixar seus cargos no início de 2013, quando o vice-presidente Xi Jinping deve ascender à posição de dirigente máximo em substituição ao atual presidente.

O ex-presidente Jiang Zemin (1993-2003), considerado um dos homens mais poderosos do regime, aconselhou Hu, informou uma das fontes da Reuters: "Jiang disse que, se temos provas consistentes de que Gu Kailai [mulher de Bo] cometeu um homicídio e que Bo Xilai também cometeu grandes erros, então tratem o caso como um incidente criminal isolado. Há muita instabilidade. A meta deve ser o sucesso do 18º Congresso do partido".

Diante do debate na sociedade chinesa suscitado pela queda espetacular de Bo, que resgatou métodos e até canções do tempo de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, Hu pediu o fim das divisões ideológicas, como se a luta intestina pelo poder entre reformistas e a velha guarda comunista não estivesse em plena efervescência.

Para combater os rumores que tomaram as redes sociais da Internet chinesa, Hu apareceu ostensivamente há uma semana ao lado do chefe da segurança interna, Zhou Yongkang, apontado como aliado de Bo.

Em março, quando Bo perdeu o cargo em Xunquim, o primeiro-ministro Wen chegou a advertir o Congresso Nacional do Povo sobre a necessidade de uma reforma política para evitar a "volta da Revolução Cultural". Isso levou analistas a concluir que os reformistas estavam em vantagem no conflito ideológico interno do PC, mas a palavra de ordem é unidade.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aliado de Bo deixa chefia do aparelho de segurança

O poderoso chefe do aparelho de segurança do regime comunista da China, que inclui a Polícia, a Justiça e os serviços secretos, Zhou Yongkang, caiu em desgraça, a exemplo do que aconteceu com seu aliado, o membro do Politburo Bo Xilai, expurgado em março de 2012.

Zhou faz parte do seleto Comitê Permanente do Politburo, onde Bo esperava chegar na renovação a ser realizada no fim do ano. É um dos chamados nove imperadores que realmente governam a China. Foi o maior defensor de Bo no debate interno do PC chinês que precedeu seu afastamento, primeiro da chefia do partido em Xunquim, uma grande cidade com status de província, em março, e depois do Politburo do Comitê Central, no mês passado.

No papel, afirma hoje o jornal inglês Financial Times, Zhou mantém o cargo de secretário do comitê de assuntos políticos e legislativos do partido. Na prática, o controle do aparelho de segurança do Estado passou para o ministro da Segurança Pública, Meng Zianzhu, diz o jornal, citando como fontes altos funcionários do PC e diplomatas.

A defesa obstinada de Bo teria selado a sorte de Zhou.

O expurgo de Bo Xilai revelou as divisões na cúpula dirigente chinesa e os métodos brutais usados na luta pelo poder. Sua mulher, Gu Kailai, foi presa sob acusação de envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood.

Para não aumentar o descontentamento popular com as práticas arbitrárias e antidemocráticas do regime, Zhou deve manter o cargo sem nenhum poder real. Ele teria inclusive feito uma autocrítica diante do Comitê Permanente, reconhecendo o erro de tentar proteger Bo.

Por trás, há o duelo entre a ala reformista representada atualmente pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, defensora de reforma políticas liberalizantes, e a velha guarda maoísta, que aproveitou a crise financeira internacional para defender o aumento do controle do Estado sobre a economia.

As quedas de Bo e Zhou são derrotas dos saudosos do maoísmo e das canções - e também dos métodos - da Revolução Cultural. Esta batalha ideológica que marca as reformas promovidas por Deng Xiaoping a partir de 1978 recomeça e está longe de terminar. Em jogo, o futuro da China, que em breve será o país mais rico do mundo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bo Xilai grampeou telefone de líderes da China

Quando o presidente Hu Jintao ligou para um investigador anticorrupção que inspecionava a cidade de Xunquim em agosto de 2011, equipamentos de contraespionagem detectaram que o telefone tinha sido grampeado pela polícia local, a serviço de Bo Xilai.

Até agora, o expurgo de Bo tinha sido atribuído a um suposto neomaoísmo, com defesa da economia estatal, combate impiedoso à corrupção e um culto de personalidade com cantorias do tempo da Revolução Cultural (1966-76).

A primeira revelação do escândalo foi a morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro, inicialmente atribuída ao abuso de álcool. Neste mês, a mulher de Bo, Gu Kailai, foi presa e acusada pelo assassinato. O britânico seria o elo internacional com os negócios sujos do casal. Teria sido envenenado, mas seu corpo foi cremado. Não há provas.

A escuta telefônica clandestina de altos dirigentes, até agora só mencionada em documentos sigilosos do Partido Comunista teria sido crucial para deflagrar a destruição do Bo Xilai.

Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC, candidato a ser escolhido até o fim do ano como um dos nove membros do Comitê Permanente, os nove imperadores que governam a China.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

China defende censura na Internet

Depois do expurgo do alto dirigente comunista Bo Xilai, uma onda de boatos de golpe de Estado se espalhou pela Internet na China, levando o regime ditatorial a censurar microblogues no estilo do Twitter, que é proibido no país. Hoje, o Diário da China defende a censura.

Bo, líder do partido na cidade e na província de Xunquim e membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, caiu em desgraça por usar métodos autoritários e perseguir empresários no combate à corrupção e por resgatar práticas da era de Mao Tsé-tung, inclusive músicas e hinos da Revolução Cultural (1966-76), o período mais conturbado da era pós-revolução.

Um dos principezinhos do regime comunista, por ser filho de um dirigente histórico do partido, Bo pretendia chegar ao Comitê Permanente do Politburo e se tornar um dos nove imperadores, o pequeno núcleo que governa a China.

Seu expurgo foi o primeiro de um alto dirigente desde a queda do secretário-geral do partido Zhao Ziyang em 1989 por ser contra o uso da força para acabar com o movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial.

Como Bo simplesmente desapareceu, os boatos pululam na Internet chinesa e a ditadura tenta sufocá-los. Afinal, a rede mundial de computadores se tornam uma das maiores armas na luta contra o autoritarismo. Seis pessoas foram presas e versões chinesas do Twitter tiradas do ar durante três dias.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Bo Xilai cai em desgraça em luta pelo poder na China

Bo Xilai, um dos expoentes da linha dura da nova geração de dirigentes da China, considerado forte candidato para integrar o Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, acaba de cair em desgraça. Ele foi afastado da liderança do PC chinês na cidade de Xunquim, que tem status de província.

Os membros do Comitê Permanente são chamados na China de "nove imperadores". Desde a morte de Deng Xiaoping, em 1997, o regime comunista chinês adotou uma direção colegiada, sem um líder supremo com o status de Deng ou Mao Tsé-tung..

Sombrio, discreto e limitado, o atual presidente e líder do partido, Hu Jintao, é um enigma que se esvazia rapidamente. Mais parece um burocrata-chefe.

Bo se tornou uma estrela ascendente ao combinar em Chingqing o combate à corrupção e o resgate da ideologia de Mao Tsé-tung. Ontem, em seu último pronunciamento como chefe de governo diante do Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro Wen Jiabao defendeu a retomada das reformas políticas para liberalizar o regime, advertindo que a alternativa seria uma volta da Revolução Cultural, o período mais traumático da história recente da China.

Em 6 de fevereiro, Wen havia criticado o líder do partido em Xunquim.

Não está claro se Bo também será afastado do Politburo, de 25 membros. Mas sua substituição por Zhang Dejiang, do mesmo grupo político, ambos são afilhados do ex-presidente Jiang Zemin, indica uma acomodação entre as diferentes facções em luta pelo poder em Beijim, observa o jornal americano The Washington Post.