Num gesto que reforça a ditadura familiar, o líder Kim Jong Un nomeou sua irmã mais moça, Kim Yo Jong, para o Politburo, o escritório político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o pequeno grupo que dirige o país mais fechado do mundo. A promoção foi anunciada ontem pelo ditador numa reunião da cúpula do regime comunista, noticiou a televisão pública britânica BBC.
A família Kim governa a Coreia do Norte desde o fim da ocupação japonesa da Península Coreana com a derrota do Japão para os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, em 1945. O Grande Líder Kim Il Sung comandava uma guerra de guerrilhas contra o Exército Imperial do Japão.
Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogaram a segunda bomba atômica, em Nagasaque, o ditador soviético Josef Stalin declarou guerra ao Japão. A União Soviética invadiu quatro ilhas do Norte do Japão e o Norte da Coreia, onde instalou os comunistas no poder.
Quando a divisão foi sacramentada com a criação da Coreia do Norte e da Coreia do Sul, em 1948, Kim Il Sung se tornou fundador, ditador e pai da pátria, cultuado até hoje como um deus. Os nomes oficiais dos dois países, República da Coreia (Sul) e República Popular Democrática da Coreia (Norte), não refletem a divisão do país. Ambos reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.
Esse impasse levou à guerra em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte invadiu o Sul. Com o apoio dos EUA, que até hoje tem um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Coreia, Seul foi reconquistada. Quando os EUA, invadiram o Norte, a China interveio e empurrou os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restabelecendo a situação anterior à guerra.
O armistício foi assinado em 27 de julho pelo Comando da ONU na Coreia, o Exército Popular da Coreia e o Exército de Voluntários da China. Mas nunca foi firmado um acordo de paz definitivo. Por isso, até hoje, a ditadura stalinista norte-coreana chama o governo de Seul de "fantoche dos EUA". É o último conflito inacabado da Guerra Fria.
Kim Il Sung governou o Norte como um ditador até sua morte, em 8 de julho de 1994, quando a URSS havia acabado e o regime começava sua chantagem atômica para barganhar ajuda em energia e alimentos para sua econômica falida. A juche (autossuficiência), a pedra fundamental da ideologia do comunismo norte-coreano, entrava em colapso.
O Grande Líder Kim Il Sung foi sucedido pelo Querido Líder Kim Jong Il, que também governou até a morte, em dezembro de 2011.
No governo do segundo Kim, por iniciativa do ex-presidente Jimmy Carter encampada pelo governo Bill Clinton, os EUA começaram a negociar o desarmamento do regime stalinista de Pionguiangue.
Essa negociação foi rompida em 2003, depois que o então presidente George W. Bush colocou a Coreia do Norte num "eixo do mal" ao lado do Iraque e do Irã - e invadiu o Iraque. A Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas de armas atômicas.
Em 2006, a Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear. O segundo foi em 2009. Ao assumir o poder meses depois da queda do ditador Muamar Kadafi, que negociara o fim de seus programas de destruição em massa, o atual ditador decidiu acelerar o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos. Desde então, houve quatro testes nucleares e só neste ano 11 testes de mísseis.
As armas atômicas são hoje a garantia de sobrevivência do regime. Kim Yo Jong foi promovida alta funcionária do partido há 3 anos. Com 30 anos, a irmã do ditador chega ao núcleo do poder no lugar de uma tia. Até agora, ela era subdiretora do Departamento de Propaganda e Agitação, responsável pela imagem pública de Kim Jong Un.
O parentesco não é garantia de sobrevivência na ditadura de Kim Jong Un. Ele é acusado de mandar matar o irmão Kim Jong Nam, assassinado com veneno no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, e o tio Jang Song Thaek, que era considerado o segundo homem mais poderoso da Coreia do Norte até ser denunciado por traição e brutalmente executado em 2013.
Também foi promovido a membro pleno do Politburo, com direito a voto, o ministro do Exterior, Ri Yong Ho. Ele fez o pronunciamento da Coreia do Norte no mês passado na Assembleia Geral da ONU, quando chamou Donald Trump de "presidente diabólico" e o acusou de declarar guerra à Coreia do Norte.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Partido dos Trabalhadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Partido dos Trabalhadores. Mostrar todas as postagens
domingo, 8 de outubro de 2017
sábado, 11 de outubro de 2014
Onde está Kim Jong Un?
O mistério sobre o desaparecimento do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, se tornou mais intrigante ontem, quando o dirigente máximo do regime mais fechado do mundo não apareceu numa cerimônia em homenagem a seu pai e seu avô numa data nacional importante. Há suspeitas de golpe de Estado.
Kim não é visto em público desde 3 de setembro de 2014. Seu nome não estava na lista dos convidados do Palácio do Sol Kamsusuan para a festa dos 69 anos do Partido dos Trabalhadores da República Popular Democrática da Coreia do Norte, o nome oficial do partido comunista norte-coreano.
É sua maior ausência desde que apareceu em público pela primeira vez em 2010. Houve boatos de que teria machucada o tornozelo e não gostaria de ser visto com uma tala de gesso para não manchar a aura de invencibilidade alimentada pelo culto da personalidade de caráter stalinista. Mas muitas vezes os regimes comunistas usaram no passado supostos problemas de saúde para justificar a queda de dirigentes que caíram em desgraça.
Kim Jong Un é líder supremo da Coreia do Norte desde dezembro de 2011, quando morreu seu pai, Kim Jong Il.
Kim não é visto em público desde 3 de setembro de 2014. Seu nome não estava na lista dos convidados do Palácio do Sol Kamsusuan para a festa dos 69 anos do Partido dos Trabalhadores da República Popular Democrática da Coreia do Norte, o nome oficial do partido comunista norte-coreano.
É sua maior ausência desde que apareceu em público pela primeira vez em 2010. Houve boatos de que teria machucada o tornozelo e não gostaria de ser visto com uma tala de gesso para não manchar a aura de invencibilidade alimentada pelo culto da personalidade de caráter stalinista. Mas muitas vezes os regimes comunistas usaram no passado supostos problemas de saúde para justificar a queda de dirigentes que caíram em desgraça.
Kim Jong Un é líder supremo da Coreia do Norte desde dezembro de 2011, quando morreu seu pai, Kim Jong Il.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Coreia do Norte promete não barganhar com arma nuclear
O ditador Kim Jong Un prometeu ontem recuperar a economia da Coreia do Norte e ao mesmo tempo ampliar o arsenal nuclear do país. As armas atômicas norte-coreanas "não são instrumento de barganha política ou econômica", declarou a agência oficial de notícias do país, citando declarações de Kim durante uma reunião plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores.
Em caso de "provocação", a Coreia do Sul ameaça dar uma "resposta violenta", com a ajuda dos Estados Unidos, que mandaram aviões de caça F-22 invisíveis aos radares inimigos de bases no Japão para participar de manobras militares conjuntas americano-sul-coreanas que vão até o fim de abril.
A advertência foi feita diretamente pela presidente linha-dura sul-coreana, Park Geun Hye, hoje de manhã, depois de uma reunião do Estado-Maior: "Devemos dar uma resposta forte e imediata sem nenhuma outra consideração política se o Norte se aventurar a fazer uma provocação contra nossa população", reportou o jornal francês Libération.
Os exercícios militares, além da adoção de novas sanções depois do terceiro teste nuclear norte-coreano, são as causas para o aumento da agressividade do discurso do regime comunista de Pionguiangue. A reunião plenária do Comitê Central foi a primeira desde 1993, informa o jornal The New York Times.
Depois de anular o cessar-fogo acertado há 60 anos no fim da Guerra da Coreia, o governo norte-coreano rompeu todos os acordos bilaterais com a Coreia do Sul e ameaçou atacar os EUA e seus aliados. No sábado, declarou estar em "estado de guerra".
Desde o colapso do comunismo e o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte faz uma chantagem atômica contra os EUA, usando seu programa nuclear para forçar uma negociação direta com Washington. Nesse período, foram anunciados 33 acordos para desarmar o programa nuclear, todos rompidos estrepitosamente pela ditadura stalinista da dinastia Kim.
Em caso de "provocação", a Coreia do Sul ameaça dar uma "resposta violenta", com a ajuda dos Estados Unidos, que mandaram aviões de caça F-22 invisíveis aos radares inimigos de bases no Japão para participar de manobras militares conjuntas americano-sul-coreanas que vão até o fim de abril.
A advertência foi feita diretamente pela presidente linha-dura sul-coreana, Park Geun Hye, hoje de manhã, depois de uma reunião do Estado-Maior: "Devemos dar uma resposta forte e imediata sem nenhuma outra consideração política se o Norte se aventurar a fazer uma provocação contra nossa população", reportou o jornal francês Libération.
Os exercícios militares, além da adoção de novas sanções depois do terceiro teste nuclear norte-coreano, são as causas para o aumento da agressividade do discurso do regime comunista de Pionguiangue. A reunião plenária do Comitê Central foi a primeira desde 1993, informa o jornal The New York Times.
Depois de anular o cessar-fogo acertado há 60 anos no fim da Guerra da Coreia, o governo norte-coreano rompeu todos os acordos bilaterais com a Coreia do Sul e ameaçou atacar os EUA e seus aliados. No sábado, declarou estar em "estado de guerra".
Desde o colapso do comunismo e o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte faz uma chantagem atômica contra os EUA, usando seu programa nuclear para forçar uma negociação direta com Washington. Nesse período, foram anunciados 33 acordos para desarmar o programa nuclear, todos rompidos estrepitosamente pela ditadura stalinista da dinastia Kim.
Assinar:
Postagens (Atom)