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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sarkozy denuncia "instrumentalização política da Justiça"

Ao sair de uma detenção temporária para interrogatório num caso de espionagem eletrônica em que é acusado de "tráfico de influência" e de "violação do segredo de instrução", o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy protestou hoje contra o que chamou de "instrumentalização política da Justiça".

Em entrevista às televisões Europe 1 e TF1, Sarkozy afirmou: "Jamais cometi um ato contrário aos princípios republicanos e ao Estado de Direito."

Diante da baixíssima popularidade do presidente socialista François Hollande, que o derrotou em 2012, e do avanço da ultradireitista Frente Nacional, Sarkozy ensaia uma volta à política como líder da centro-direita.

O ex-presidente usou seu poder supostamente para obstruir a Justiça durante o processo sobre o financiamento da empresa de produtos de beleza L'Oréal, uma das maiores da França, a suas campanhas eleitorais.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sarkozy é detido para interrogatório

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi detido temporariamente nesta terça-feira para interrogatório. É a primeira vez que um ex-presidente da França é preso. Ele está no centro de um processo aberto em 26 de fevereiro de 2014 por escuta clandestina, "tráfico de influência" e "violação do segredo de instrução", ou seja, tentativa de manipular a Justiça, anunciou há pouco o jornal Le Monde.

Sarkozy chegou às 8h ao Escritório Central de Luta contra a Corrupção e Infrações Financeiras e Fiscais da Polícia Judiciária da cidade de Nanterre, na região metropolitana de Paris. A detenção é por 24 horas, podendo ser prorrogada por mais um dia.

Outros três homens foram presos e interrogados ontem sobre o mesmo caso, inclusive Thierry Herzog, advogado de Sarkozy.

Com a economia estagnada e a popularidade do presidente socialista François Hollande em recorde de baixa, a França vive uma crise de liderança. Sarkozy, derrotado na eleição presidencial de 2012, estaria planejando uma volta como líder da centro-direita. Discretamente, seus partidários protestaram contra a decisão "infamante".

terça-feira, 29 de outubro de 2013

EUA acusam Espanha e França por espionagem

O megaprograma de espionagem de ligações telefônicas que causou furor na Espanha e na França foi realizado pelos serviços secretos desses países, acusaram hoje funcionários não identificados do governo dos Estados Unidos, envolvido num escândalo de espionagem por monitorar telefonemas e usar a Internet a pretexto de coletar informações sobre terrorismo.

Na versão americana, os serviços secretos francês e espanhol coletaram os dados e os repassaram à Agência de Segurança Nacional dos EUA, com quem têm acordos de cooperação.

Em audiência no Senado, o diretor nacional de Inteligência, James Clapper, declarou não ter dúvida de que os aliados espionam os EUA.

O diretor da Agência de Segurança Nacional, general Keith Alexander, defendeu vigorosamente o programa, afirmando que "salvou milhares de vida nos EUA e no exterior". Ele negou hoje que a NSA tenha invadido os servidores e centros de dados do Google e do Yahoo, como denunciou o jornal The Washington Post.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Reação do Brasil à espionagem é ingênua e inócua

É óbvio que a megaespionagem dos Estados Unidos é ilegal e um desrespeito à soberania nacional do Brasil e de tantos outros países. Mas, entre tantas outras coisas indesejáveis, como a guerra, faz parte do sistema internacional de forma institucionalizada, ainda que clandestina, de fazer política externa pelo menos desde o cardeal de Richelieu, primeiro-ministro da França de 1624 a 1642, que articulou a golpe para a restauração da monarquia em Portugal e o fim do Domínio Espanhol, em 1640.

Todas as potências fazem isso, o que é evidente nas frequentes acusações mútuas entre EUA e China. É uma questão de poder e de capacidade tecnológica. Na ONU, por exemplo, é praxe que os cinco grandes do Conselho de Segurança espionem o gabinete do secretário-geral.

Se o Brasil está sendo espionado, é por que se tornou um país importante e é evidente que a espionagem não se limita ao combate antiterrorismo. Estende-se a outros assuntos de interesse dos EUA, como relações com países inimigos de Washington como o Irã e Cuba e, é claro, a economia.

Sem Forças Armadas poderosas nem armas nucleares, o Brasil é uma potência herbívora. Sua importância deriva do peso de sua economia. Em relação ao grupo de potências econômicas emergentes BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a maior preocupação dos EUA é que parem de usar o dólar nas ruas relações comerciais. 

São grandes questão que estão em jogo, além do terrorismo, evidentemente. Os terroristas sempre procuram os pontos mais vulneráveis. Se o Brasil  não tem problemas com terrorismo, não significa que não possa ser usado para ataques como o de militantes palestinos contra atletas de Israel na Olimpíada de Munique, na Alemanha, em 1972. Ninguém vai baixar a guarda.

Como se combate a espionagem? Com contraespionagem, mas o governo Dilma Rousseff cortou o orçamento do Ministério da Defesa, ignorando a guerra cibernética. No fundo, é disso que se trata, capacitar o país para enfrentar os desafios do futuro. 

É mais fácil discursar ao vento e fazer um discurso inócuo, sem consequências práticas como aquele sobre a Responsabilidade ao Proteger, uma resposta à intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no conflito na Líbia, repudiada por China e Rússia com o apoio do Brasil. Se o Brasil não aceita o direito de intervenção por razões humanitárias, insistindo na solução pacífica de todos os conflitos, a "responsabilidade ao proteger" perde o sentido. Afinal, ninguém está sendo protegido.

Como não há ninguém protegendo a população civil da Síria, onde mais de 100 mil pessoas foram mortas em dois anos e meio, a responsabilidade de proteger está sendo ignorada e o conceito de "responsabilidade ao proteger", como tantas ideias deste governo, não saiu do papel.

A proposta de criar um marco civil internacional para a Internet dentro do sistema ONU, através da União Internacional de Telecomunicações (UIT), já está sendo discutida para tirar o controle da rede dos EUA. Traz o risco de colocar a Internet sob o controle das potências do Conselho de Segurança, inclusive da China e da Rússia, que, como não são democracias, têm interesse em censurar a rede.

Se Dilma quisesse mesmo manifestar sua indignação, além de transferir uma visita de Estado que não resultaria em nenhum acordo importante, poderia ter chamado embaixador em Washington para rebaixar o nível das relações diplomáticas com os EUA e expulsado diplomatas dos EUA.

Se não fez nada disso, nem aumentou a verba do orçamento de Defesa para contraespionagem e guerra cibernática, é claro que Dilma falou para a plateia, para o Terceiro Mundo e para o eleitorado brasileiro, posando como uma mulher forte e decidida, que enfrenta o homem mais poderoso do mundo.

Outros aliados mais importantes dos EUA, como a Alemanha e a França, também foram espionados, inclusive a primeira-ministra Angela Merkel e o presidente François Hollande. Os cidadãos alemães ficaram indignados com a invasão de sua privacidade, no meio de uma campanha eleitoral.

O que fez Merkel? Deu uma resposta tecnológica. Mandou um helicóptero sobrevoar a embaixada dos EUA para tentar detectar equipamentos de escuta telefônica. Deixou claro que a Alemanha tem condições técnicas de entrar nesta guerra.

Hollande também protestou, mas está do lado dos EUA na tentativa de punir a ditadura de Bachar Assad pelo emprego de armas químicas na guerra civil da Síria. Trata o assunto como uma questão de Estado, e não como uma pinimba pessoal.

Assim caminha a Humanidade, mas Brasília só nas próximas eleições. Este é um país governado pelo marketing eleitoral.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Murdoch é declarado "inapto" para dirigir grande empresa

O bilionário australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, um dos maiores magnatas dos meios de comunicação no mundo, foi considerado "inapto" para dirigir uma grande companhia pela comissão do Parlamento Britânico que investiga o escândalo envolvendo a escuta telefônica clandestina de autoridades, celebridades e até cidadãos comuns.

No relatório, os deputados acusam o magnata e seu filho James Murdoch, vice-presidente de operações da empresa News Corporation no Reino Unido, de presidirem uma cultura de "cegueira proposital" em relação às práticas ilegais de seus repórteres e editores na busca obstinada por furos de reportagem.

A acusação deve pesar na decisão do órgão regulamentador das telecomunicações no Reino Unido sobre o controle acionário da TV SkyB, maior empresa do setor de televisão paga no país. Murdoch tem 39% das ações e pediu autorização para chegar a 100%.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bo Xilai grampeou telefone de líderes da China

Quando o presidente Hu Jintao ligou para um investigador anticorrupção que inspecionava a cidade de Xunquim em agosto de 2011, equipamentos de contraespionagem detectaram que o telefone tinha sido grampeado pela polícia local, a serviço de Bo Xilai.

Até agora, o expurgo de Bo tinha sido atribuído a um suposto neomaoísmo, com defesa da economia estatal, combate impiedoso à corrupção e um culto de personalidade com cantorias do tempo da Revolução Cultural (1966-76).

A primeira revelação do escândalo foi a morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro, inicialmente atribuída ao abuso de álcool. Neste mês, a mulher de Bo, Gu Kailai, foi presa e acusada pelo assassinato. O britânico seria o elo internacional com os negócios sujos do casal. Teria sido envenenado, mas seu corpo foi cremado. Não há provas.

A escuta telefônica clandestina de altos dirigentes, até agora só mencionada em documentos sigilosos do Partido Comunista teria sido crucial para deflagrar a destruição do Bo Xilai.

Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC, candidato a ser escolhido até o fim do ano como um dos nove membros do Comitê Permanente, os nove imperadores que governam a China.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Juiz Garzón é afastado por 11 anos na Espanha

O juiz de instrução Baltasar Garzón, que ficou famoso por mandar prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, foi condenado hoje por autorizar escutas telefônicas de conversas de suspeitos presos por corrupção e seus advogados. Ele foi afastado de suas funções por 11 anos.

Garzón é alvo de outro processo por investigar o desaparecimento de 114 mil pessoas do início da Guerra Civil Espanhola (1936-39) até 1951, no começo da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, violando uma lei de anistia aprovada em 1977.

Para o jornal The New York Times, o processo é uma reminiscência do fascismo. O escândalo político que levou à escuta telefônica envolve Partido Popular, de direita, que voltou ao poder em novembro passado por causa da crise econômica. É o herdeiro político do franquismo.

sábado, 3 de dezembro de 2011

McCartney teve telefone grampeado

Nem o ex-beatle Paul McCartney da fúria dos jornais populares britânicos e de suas ações criminosas para conseguir um furo de reportagem. Ele está convencido de que seu telefone também foi grampeado, como os de outras celebridados políticos e até da família real.

O período mais difícil para McCartney foi durante o divórcio de sua segunda mulher, Heather Mills. Até um plano de tirar férias nas ilhas Bahamas que ele não comentou publicamente foi revelado.

Como a atriz Siena Miller, o ex-beatle estava certo de que alguém do seu círculo de maior intimidade estava contando sua vida privada aos tabloides.

"Agora, tendo a não falar muito no telefone. Se deixo uma mensagem, é sobre um fato público", desabafou Paul.

A investigação sobre espionagem jornalística começou em 2006 e chegou ao Parlamento Britânico. Os jornais mais atingidos foram da News International, do magnata da mídia australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, dono de várias públicações e da TV Fox News, que apoia descaradamente o Partido Republicano, nos Estados Unidos.