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segunda-feira, 1 de março de 2021

Ex-presidente francês é condenado por corrupção e tráfico de influência

 Um tribunal penal de Paris condenou hoje a três anos de prisão o ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy (2007-12) por corrupção e tráfico de influência ao pressionar um juiz de tribunal superior a fornecer informações sobre um escândalo em que estava envolvido. Um ano deve ser cumprido em regime fechado, mas a pena pode ser convertida em prisão domiciliar. Cabe recurso.

Sarkozy é o segundo presidente da França condenado depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O primeiro foi Jacques Chirac (1995-2007), culpado de desvio de dinheiro público e abuso de poder em 2011 num escândalo de funcionários-fantasmas da Prefeitura de Paris quando era prefeito da capital (1977-95). Chirac foi sentenciado a dois de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 2014, Sarkozy era investigado por abuso de poder econômico na campanha de 2012, quando perdeu a eleição para François Hollande. Quando seu telefone estava sob escuta autorizada pela Justiça, os investigadores descobriram dois telefones celulares registrados com o nome falso de Paul Bismuth que Sarkozy usava para falar com seu advogado, Thierry Herzog.

Durante uma conversa, o ex-presidente francês falou em oferecer um cargo de prestígio em Mônaco ao juiz Gilbert Azibert, do Tribunal de Recursos, em troca de informações sobre um inquérito que o envolvia. Azibert era advogado-geral de uma câmara cível. Não atuou diretamente, mas fez tráfico de influência para ajudar Sarkozy num "pacto da corrupção". 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ex-presidente Sarkozy é denunciado na França por corrupção

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy será processado por corrupção ativa e tráfico de influência por ter feito favores para influenciar um alto magistrado a revelar detalhes de uma investigação e assim obter uma decisão favorável num tribunal superior, revelou hoje o jornal francês Le Monde.

Sarkozy é acusado de tentar obter informações de um processo sigiloso do então ministro Gilbert Azibert, da Corte de Cassação, equivalente no sistema judiciário da França ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil.

O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e o ex-magistrado foram denunciados por corrupção ativa, tráfico de influência e violação do sigilo profissional.

Este processo é do caso Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França, dona da empresa de produtos de beleza L'Oréal. Em 2010, quando estava sendo investigada por evasão fiscal por manter dinheiro em contas secretas na Suíça, ela teria feito pagamento a membros do governo Sarkozy.

Com o telefone de Bettencourt sob escuta judicial, o então ministro do Orçamento, Éric Woerth, pediu um emprego para a mulher dele gerenciar a fortuna da dona de L'Oréal, quando movia uma campanha contra a sonegação fiscal. Bettencourt recebeu uma restituição de imposto de renda no valor de 30 milhões de euros (R$ 120 milhões pelo câmbio atual).

Um mês depois, em julho de 2010, a ex-contadora de Liliane Bettencourt, Claire Thibout revelou que a bilionária dava envelopes de dinheiro a políticos do partido conservador União por um Movimento Popular (UMP), liderado por Sarkozy. Em março de 2007, Woerth, tesoureiro do partido, teria recebido da contadora 150 mil euros para a campanha eleitoral do UMP.

Pela lei francesa, as contribuições individuais são limitadas a 6,4 mil euros. Doações acima de 150 euros precisam ser feitas em cheque com identificação clara contra do doador.

Em outubro de 2010, as redações do jornal Le Monde, da revista Le Point e da empresa jornalística digital Mediapart foram invadidas e os computadores arquivos sobre o Caso Bettencourt foram roubados. Sarkozy e Woerth foram indiciados em 2013, mas o ex-presidente foi excluído do caso em 2014

Quando abriu inquérito a respeito, o Ministério Público de Paris obteve uma autorização de escuta telefônica. Os telefonemas revelaram que Sarkozy e Herzog gozaram da cumplicidade do ministro Azibert. Em 2016, a Corte de Cassação confirmou a legalidade das gravações.

Há nove dias, Sarkozy foi indiciado em outro caso, sobre uma doação ilegal de 50 milhões euros (R$ 200 milhões) que teria recebido clandestinamente do ditador da Líbia, coronel Muamar Kadafi, para a campanha de 2007.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

EUA multam Halliburton por corrupção em Angola

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) multou a companhia de serviços do setor de petróleo Halliburton em US$ 29 milhões por corrupção e tráfico de influência num caso envolvendo a empresa estatal de petróleo de Angola, a Sonangol, e outra companhia angolana. O ex-vice-presidente da Halliburton Jeannot Lorenz vai pagar multa de US$ 75 mil.

De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.

A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.

Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.

Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.

O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.

A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.

Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.

No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.

Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.

"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Presidente da Coreia do Sul admite renunciar

Em meio a um escândalo de corrupção e tráfico de influência, com milhões protestando há um mês e meio nas ruas das grandes cidades da Coreia do Sul, a presidente Park Geun Hye admitiu hoje deixar o poder e pediu à Assembleia Nacional que encontre uma solução constitucional para a mudança de governo.

Num pronunciamento surpreendente em rede nacional de televisão, Park pediu desculpas, mas não renunciou, numa manobra para ganhar tempo, na opinião de seus acusadores. Mas deixou claro que não tem mais condições de governar o país.

"Vou entregar meu futuro ao Parlamento, inclusive uma redução do meu mandato",  declarou a presidente sul-coreana. "Se os partidos do governo e da oposição fizerem um plano para minimizar a confusão na administração pública e transferência segura do poder, vou deixar a Presidência, de acordo com os devidos procedimentos legais."

Seu discurso desestabilizou momentaneamente a oposição, que pretende iniciar um processo de impeachment na Assembleia Nacional. O julgamento político pode durar meses. Para destituir a presidente, são necessários 200 votos, dois terços do parlamento sul-coreano.

Park é acusada de favorecer uma amiga e confidente que usou a intimidade com a presidente para pedir dinheiro de grandes empresas sul-coreanas como a Samsung para seus projetos pessoais.

Se a presidente for impedida, o primeiro-ministro assume interinamente até a eleição de um novo presidente, em 60 dias.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Corrupção ameaça vitória de Morales em referendo na Bolívia

A corrupção ameaça o sonho do presidente Evo Morales de se perpetuar no poder na Bolívia eliminando as restrições à reeleição num referendo no próximo domingo, 21 de fevereiro. Uma empresa onde trabalha uma ex-namorada de Morales teria assinando contratos milionários com o governo. Mas não é o único caso.

Uma multidão de manifestantes tocou fogo ontem na Prefeitura da cidade de El Alto, onde fica o aeroporto de La Paz. Seis pessoas morreram por inalar a fumaça. A prefeita Soledad Chapeton acusou os manifestantes de destruir as provas da corrupção de seu predecessor, Edgar Patana.

Patana pertence ao Movimento ao Socialismo (MaS), partido do presidente. No primeiro ano de seu terceiro mandato depois de se reeleger em outubro de 2014 com 61% dos votos, Morales sonha desde já com o quarto, embora a próxima eleição presidencial seja em 2019.

Com 70% de apoio popular, o presidente acreditou ser um bom momento para aprovar a reeleição sem limites. Os escândalos complicaram a situação. Pela primeira vez, corre o risco de perder uma votação.

Gabriela Zapata Montaño tinha 18 anos entrou para o MaS em 2005, durante a primeira campanha
Gabriela Zapata, a mulher que ameaça Evo
eleitoral de Morales, o primeiro índio a governar a Bolívia, onde a população indígena é maioria. O caso durou dois anos e eles tiveram um filho que morreu em condições não esclarecidas. A partir daí, em 2007, o casal se afastou.

Ela trabalha hoje como gerente comercial da companhia chinesa CAMC, que assinou sete contratos com o governo boliviano no valor de US$ 576 milhões (R$ 2,317 bilhões). Evo admite a relação, mas nega o tráfico de influência.

O vice-presidente Álvaro García Linera também é objeto de um escândalo. A Universidade Autônoma do México negou que ele tenha se formado em matemática lá, revelou o jornal chileno La Tercera.

Antes dos escândalos, Morales prometia ganhar com 70% dos votos. Na semana passada, uma pesquisa do instituto Mori deu empate em 40%. Mas numa pesquisa rápida do diário Página Siete depois das alegações de corrupção o não liderava com 47% contra 28% do sim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

França investiga contas de campanha do ex-presidente Sarkozy

O ex-presidente Nicolas Sarzoky será investigado por financiamento ilegal de sua campanha à Presidência da França em 2007 com foco em notas falsas emitidas pela agência de comunicação Bygmalion para esconder o estouro do limite legal de gastos, anunciou ontem o procurador da República em Paris François Molins.

Sarkozy pretende concorrer à eleição primária do partido de centro-direita Os Republicanos no segundo semestre deste ano para tentar voltar à Presidência em 2017. Antes, terá de dar explicações ao juiz de instrução Serge Tournaire.

A Justiça examina se houve fraude nas contas da campanha para esconder uma explosão do limite de despesas previsto em lei, de 22,5 milhões de euros, equivalentes hoje a US$ 25 milhões, quase R$ 100 milhões.

Enquanto o advogado do ex-presidente admite uma "infração formal", Sarkozy insiste que nenhum fato o liga ao Caso Bygmalion. Treze pessoas responsáveis pela campanha foram denunciadas.

O ex-presidente já estava sendo investigado por corrupção e tráfico de influência em outro caso por tentar obter através de um alto magistrado informações sigilosas sobre um processo que corria em segrego de justiça.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sarkozy é detido para interrogatório

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi detido temporariamente nesta terça-feira para interrogatório. É a primeira vez que um ex-presidente da França é preso. Ele está no centro de um processo aberto em 26 de fevereiro de 2014 por escuta clandestina, "tráfico de influência" e "violação do segredo de instrução", ou seja, tentativa de manipular a Justiça, anunciou há pouco o jornal Le Monde.

Sarkozy chegou às 8h ao Escritório Central de Luta contra a Corrupção e Infrações Financeiras e Fiscais da Polícia Judiciária da cidade de Nanterre, na região metropolitana de Paris. A detenção é por 24 horas, podendo ser prorrogada por mais um dia.

Outros três homens foram presos e interrogados ontem sobre o mesmo caso, inclusive Thierry Herzog, advogado de Sarkozy.

Com a economia estagnada e a popularidade do presidente socialista François Hollande em recorde de baixa, a França vive uma crise de liderança. Sarkozy, derrotado na eleição presidencial de 2012, estaria planejando uma volta como líder da centro-direita. Discretamente, seus partidários protestaram contra a decisão "infamante".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Caso Bo revela privilégios de 'principezinhos' chineses

O regime comunista da China apresenta a fortuna acumulada pelo ex-dirigente Bo Xilai como prova da corrupção e abuso de poder que levaram à sua queda espetacular em março, em meio a um escândalo que inclui o assassinato do empresário britânico Neil Heywood. Mas o enriquecimento das famílias dos altos dirigentes é mais norma do que exceção na chamada "economia de mercado socialista".

Quando a empresa de Hollywood DreamWorks Animation fechou um contrato de US$ 330 milhões para criar um estúdio de produção de desenhos animados em Xangai, não revelou que um dos seus principais sócios chineses é Jiang Mianheng, filho do ex-presidente e ex-secretário-geral do partido Jiang Zemin, um dos homens mais poderosos da China depois da morte de Deng Xiaoping.

Jiang Mianheng não é sócio só da DreamWorks. Tem negócios com a Microsoft e a Nokia, além de participações em empresas e projetos de telecomunicações, semicondutores e construção civil.

Outro exemplo: Wen Yungson, filho do primeiro-ministro Wen Jiabao, um reformista que cobrou maior reforma política durante a última sessão anual do Congresso Nacional do Povo, dirige uma empresa estatal que se apresenta como a maior operadora de satélites de telecomunicações na Ásia.

"Sempre que surge uma oportunidade de lucro na economia, eles estão na frente da fila", observa o sinólogo Minxin Pei, professor do Claremont McKenna College, na Califórnia, citado pelo jornal The New York Times.