Em mais uma manobra para se consolidar no poder, o novo presidente de Angola, general da reserva João Lourenço, exonerou 19 generais nomeados pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, inclusive o chefe da Casa de Segurança da Presidência, e nomeou 54 oficiais generais para postos estratégicos, informou a Agência Lusa.
João Lourenço, de 62 anos, foi eleito em 23 de agosto. É o terceiro presidente da história de Angola, depois do herói da independência, Agostinho Neto (1975-79), e de seu antecessor, José Eduardo dos Santos (1979-2017), que estava no poder há mais tempo do que o recém-deposto Robert Mugabe, no Zimbábue. Ele continua liderando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência.
Desde que tomou posse, em 26 de setembro, o novo presidente mudou as direções de empresas estatais de diamantes, minerais, petróleo, comunicação social, bancos comerciais e o Banco Nacional de Angola.
A exoneração mais notória foi de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, filha do ex-presidente, da presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal de petróleo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Mulher mais rica da África é demitida da estatal de petróleo de Angola
Sob suspeita de corrupção, a mulher mais rica da África, Isabel dos Santos, filha de 44 anos do ex-ditador angolano José Eduardo dos Santos, foi demitida ontem da presidência da companhia estatal de petróleo Sonangol pelo novo presidente de Angola, João Lourenço.
A primeira-filha acumulou uma fortuna de US$ 3,3 bilhões durante os 38 anos de governo do pai (1979-2017), herdeiro do grande herói da independência angolana, Agostinho Neto, líder do grupo guerrilheiro de esquerda Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Ao se despedir hoje dos funcionários da Sonangol, Isabel disse que "a memória é fraca" porque a empresa estava em estado de "pré-falência" quando ela assumiu a presidência e agora está bem, depois de "17 meses de mudanças tremendas".
Para o seu lugar, foi nomeado o ministro do Petróleo, Carlos Saturnino, que havia sido afastado por ela. Isabel dos Santos rejeitou uma notícia divulgada pela Agência Lusa apontando como causa da demissão o relatório de um grupo de trabalho criado por João Lourenço para examinar a situação da Sonangol. A conclusão é que havia falta de liderança e de estratégia.
O novo presidente usa o combate à corrupção para se afirmar no poder, a exemplo de outros ditadores, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Todo o setor de petróleo e grandes produtores dependentes das exportações de petróleo - como Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Nigéria e Angola - sofrem com a queda nos preços internacionais do barris. De US$ 110 em junho de 2014, o preço baixou até US$ 29 e hoje está em recuperação em torno de US$ 55.
Pelo Twitter, o poeta e música Luaty Beirão, que já foi preso por lutar contra a ditadura do MPLA, ironizou a queda da primeira-filha: "Hey, irmã com uma grande mente, como se sente por ter sido demitida? Tens de te habituar agora."
Numa foto sorrindo ao lado da filha, Beirão escreveu: "Eu e minha filha ao recebermos a notícia da exoneração de Isabel de Angola. João Lourenço veio com nervo, está a sair muito bem."
A primeira-filha acumulou uma fortuna de US$ 3,3 bilhões durante os 38 anos de governo do pai (1979-2017), herdeiro do grande herói da independência angolana, Agostinho Neto, líder do grupo guerrilheiro de esquerda Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Ao se despedir hoje dos funcionários da Sonangol, Isabel disse que "a memória é fraca" porque a empresa estava em estado de "pré-falência" quando ela assumiu a presidência e agora está bem, depois de "17 meses de mudanças tremendas".
Para o seu lugar, foi nomeado o ministro do Petróleo, Carlos Saturnino, que havia sido afastado por ela. Isabel dos Santos rejeitou uma notícia divulgada pela Agência Lusa apontando como causa da demissão o relatório de um grupo de trabalho criado por João Lourenço para examinar a situação da Sonangol. A conclusão é que havia falta de liderança e de estratégia.
O novo presidente usa o combate à corrupção para se afirmar no poder, a exemplo de outros ditadores, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Todo o setor de petróleo e grandes produtores dependentes das exportações de petróleo - como Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Nigéria e Angola - sofrem com a queda nos preços internacionais do barris. De US$ 110 em junho de 2014, o preço baixou até US$ 29 e hoje está em recuperação em torno de US$ 55.
Pelo Twitter, o poeta e música Luaty Beirão, que já foi preso por lutar contra a ditadura do MPLA, ironizou a queda da primeira-filha: "Hey, irmã com uma grande mente, como se sente por ter sido demitida? Tens de te habituar agora."
Numa foto sorrindo ao lado da filha, Beirão escreveu: "Eu e minha filha ao recebermos a notícia da exoneração de Isabel de Angola. João Lourenço veio com nervo, está a sair muito bem."
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
EUA multam Halliburton por corrupção em Angola
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) multou a companhia de serviços do setor de petróleo Halliburton em US$ 29 milhões por corrupção e tráfico de influência num caso envolvendo a empresa estatal de petróleo de Angola, a Sonangol, e outra companhia angolana. O ex-vice-presidente da Halliburton Jeannot Lorenz vai pagar multa de US$ 75 mil.
De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.
A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.
Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.
Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.
O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.
A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.
Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.
No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.
Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.
"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."
De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.
A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.
Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.
Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.
O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.
A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.
Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.
No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.
Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.
"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."
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sexta-feira, 11 de março de 2016
José Eduardo dos Santos promete deixar o poder em Angola em 2018
O presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, anunciou hoje que vai deixar o poder no fim do atual mandato, em 2018, noticiou a agência Reuters.
Santos não explicou as razões de sua aposentadoria. As atenções se voltam para as eleições parlamentares angolanas de 2017. O líder do partido vitorioso deve ser o próximo presidente do país.
Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), governa o país. Santos substituiu o líder histórico do partido, Agostinho Neto, que morreu em 1979.
A revolta de grupos anticomunistas contra a ditadura do MPLA provocou uma guerra civil que só terminou em 2002, com intervenções da África do Sul e de Cuba, na época aliada da União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia, Angola transformou-se numa cleptocracia. Isabel dos Santos, filha do presidente, é a mulher mais rica da África, com fortuna pessoal de US$ 4 bilhões.
O marqueteiro João Santana, que fez as últimas campanhas eleitorais de Lula e Dilma, ganhou US$ 50 milhões para fazer a última campanha de José Eduardo dos Santos. A Operação Lava Jato suspeita que a construtora Odebrecht, uma das líderes do cartel da corrupção na Petrobrás, tenha pago parte desse dinheiro.
Segundo maior produtor de petróleo da África, depois da Nigéria, e 16º maior do mundo, Angola sofre com a queda de mais de 70% nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014.
Santos não explicou as razões de sua aposentadoria. As atenções se voltam para as eleições parlamentares angolanas de 2017. O líder do partido vitorioso deve ser o próximo presidente do país.
Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), governa o país. Santos substituiu o líder histórico do partido, Agostinho Neto, que morreu em 1979.
A revolta de grupos anticomunistas contra a ditadura do MPLA provocou uma guerra civil que só terminou em 2002, com intervenções da África do Sul e de Cuba, na época aliada da União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia, Angola transformou-se numa cleptocracia. Isabel dos Santos, filha do presidente, é a mulher mais rica da África, com fortuna pessoal de US$ 4 bilhões.
O marqueteiro João Santana, que fez as últimas campanhas eleitorais de Lula e Dilma, ganhou US$ 50 milhões para fazer a última campanha de José Eduardo dos Santos. A Operação Lava Jato suspeita que a construtora Odebrecht, uma das líderes do cartel da corrupção na Petrobrás, tenha pago parte desse dinheiro.
Segundo maior produtor de petróleo da África, depois da Nigéria, e 16º maior do mundo, Angola sofre com a queda de mais de 70% nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014.
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