O presidente João Lourenço demitiu na segunda-feira, 23 de abril, mais de 20 oficiais, inclusive o comandante do Exército de Angola, general Geraldo Sachipengo, e o chefe do serviço de espionagem, André de Oliveira Sango, noticiou a Rádio e Televisão Portuguesa (RTP).
É mais uma medida para afastar altos funcionários corruptos da era do ex-presidente José Eduardo dos Santos (1979-2017) e reafirmar o poder do general João Lourenço, eleito pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.
Antes de ser demitido, o comandante do Exército foi citado pelo Ministério Público numa investigação sobre fraudes na obtenção de uma linha de crédito internacional de US$ 50 bilhões. Também estão envolvidos José Filomeno dos Santos, filho do ex-presidente, e Válter Filipe da Silva, ex-presidente do Banco Central de Angola.
Antigo aliado de Santos, Oliveira Santos chefiava o serviço de espionagem há mais de dez anos.
Um dos primeiros alvos da campanha anticorrupção que o novo presidente usa para consolidar o poder foi a primeira filha. Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, presidia a companhia estatal de petróleo Sonangol.
Logo foi a vez do irmão. José Filomeno dos Santos chefiava o fundo soberano de Angola. Ambos foram demitidos e estão sendo processados por escândalos de corrupção. Isabel nega tudo. José Filomeno está colaborando com a procuradoria.
Em 2012, a construtora brasileira Odebrecht financiou a campanha de reeleição de José Eduardo dos Santos, no valor de US$ 50 milhões, de acordo com os depoimentos dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura na Operação Lava Jato.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 25 de abril de 2018
Presidente de Angola demite comandante do Exército e chefe da espionagem
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Presidente de Angola muda cúpula das Forças Armadas
Em mais uma manobra para se consolidar no poder, o novo presidente de Angola, general da reserva João Lourenço, exonerou 19 generais nomeados pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, inclusive o chefe da Casa de Segurança da Presidência, e nomeou 54 oficiais generais para postos estratégicos, informou a Agência Lusa.
João Lourenço, de 62 anos, foi eleito em 23 de agosto. É o terceiro presidente da história de Angola, depois do herói da independência, Agostinho Neto (1975-79), e de seu antecessor, José Eduardo dos Santos (1979-2017), que estava no poder há mais tempo do que o recém-deposto Robert Mugabe, no Zimbábue. Ele continua liderando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência.
Desde que tomou posse, em 26 de setembro, o novo presidente mudou as direções de empresas estatais de diamantes, minerais, petróleo, comunicação social, bancos comerciais e o Banco Nacional de Angola.
A exoneração mais notória foi de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, filha do ex-presidente, da presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal de petróleo.
João Lourenço, de 62 anos, foi eleito em 23 de agosto. É o terceiro presidente da história de Angola, depois do herói da independência, Agostinho Neto (1975-79), e de seu antecessor, José Eduardo dos Santos (1979-2017), que estava no poder há mais tempo do que o recém-deposto Robert Mugabe, no Zimbábue. Ele continua liderando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência.
Desde que tomou posse, em 26 de setembro, o novo presidente mudou as direções de empresas estatais de diamantes, minerais, petróleo, comunicação social, bancos comerciais e o Banco Nacional de Angola.
A exoneração mais notória foi de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, filha do ex-presidente, da presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal de petróleo.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Mulher mais rica da África é demitida da estatal de petróleo de Angola
Sob suspeita de corrupção, a mulher mais rica da África, Isabel dos Santos, filha de 44 anos do ex-ditador angolano José Eduardo dos Santos, foi demitida ontem da presidência da companhia estatal de petróleo Sonangol pelo novo presidente de Angola, João Lourenço.
A primeira-filha acumulou uma fortuna de US$ 3,3 bilhões durante os 38 anos de governo do pai (1979-2017), herdeiro do grande herói da independência angolana, Agostinho Neto, líder do grupo guerrilheiro de esquerda Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Ao se despedir hoje dos funcionários da Sonangol, Isabel disse que "a memória é fraca" porque a empresa estava em estado de "pré-falência" quando ela assumiu a presidência e agora está bem, depois de "17 meses de mudanças tremendas".
Para o seu lugar, foi nomeado o ministro do Petróleo, Carlos Saturnino, que havia sido afastado por ela. Isabel dos Santos rejeitou uma notícia divulgada pela Agência Lusa apontando como causa da demissão o relatório de um grupo de trabalho criado por João Lourenço para examinar a situação da Sonangol. A conclusão é que havia falta de liderança e de estratégia.
O novo presidente usa o combate à corrupção para se afirmar no poder, a exemplo de outros ditadores, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Todo o setor de petróleo e grandes produtores dependentes das exportações de petróleo - como Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Nigéria e Angola - sofrem com a queda nos preços internacionais do barris. De US$ 110 em junho de 2014, o preço baixou até US$ 29 e hoje está em recuperação em torno de US$ 55.
Pelo Twitter, o poeta e música Luaty Beirão, que já foi preso por lutar contra a ditadura do MPLA, ironizou a queda da primeira-filha: "Hey, irmã com uma grande mente, como se sente por ter sido demitida? Tens de te habituar agora."
Numa foto sorrindo ao lado da filha, Beirão escreveu: "Eu e minha filha ao recebermos a notícia da exoneração de Isabel de Angola. João Lourenço veio com nervo, está a sair muito bem."
A primeira-filha acumulou uma fortuna de US$ 3,3 bilhões durante os 38 anos de governo do pai (1979-2017), herdeiro do grande herói da independência angolana, Agostinho Neto, líder do grupo guerrilheiro de esquerda Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Ao se despedir hoje dos funcionários da Sonangol, Isabel disse que "a memória é fraca" porque a empresa estava em estado de "pré-falência" quando ela assumiu a presidência e agora está bem, depois de "17 meses de mudanças tremendas".
Para o seu lugar, foi nomeado o ministro do Petróleo, Carlos Saturnino, que havia sido afastado por ela. Isabel dos Santos rejeitou uma notícia divulgada pela Agência Lusa apontando como causa da demissão o relatório de um grupo de trabalho criado por João Lourenço para examinar a situação da Sonangol. A conclusão é que havia falta de liderança e de estratégia.
O novo presidente usa o combate à corrupção para se afirmar no poder, a exemplo de outros ditadores, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Todo o setor de petróleo e grandes produtores dependentes das exportações de petróleo - como Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Nigéria e Angola - sofrem com a queda nos preços internacionais do barris. De US$ 110 em junho de 2014, o preço baixou até US$ 29 e hoje está em recuperação em torno de US$ 55.
Pelo Twitter, o poeta e música Luaty Beirão, que já foi preso por lutar contra a ditadura do MPLA, ironizou a queda da primeira-filha: "Hey, irmã com uma grande mente, como se sente por ter sido demitida? Tens de te habituar agora."
Numa foto sorrindo ao lado da filha, Beirão escreveu: "Eu e minha filha ao recebermos a notícia da exoneração de Isabel de Angola. João Lourenço veio com nervo, está a sair muito bem."
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
EUA multam Halliburton por corrupção em Angola
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) multou a companhia de serviços do setor de petróleo Halliburton em US$ 29 milhões por corrupção e tráfico de influência num caso envolvendo a empresa estatal de petróleo de Angola, a Sonangol, e outra companhia angolana. O ex-vice-presidente da Halliburton Jeannot Lorenz vai pagar multa de US$ 75 mil.
De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.
A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.
Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.
Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.
O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.
A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.
Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.
No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.
Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.
"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."
De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.
A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.
Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.
Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.
O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.
A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.
Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.
No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.
Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.
"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."
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quinta-feira, 29 de junho de 2017
Oposição acusa ditadura de Angola de se eleger com dinheiro da Odebrecht
A União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita) acusou ontem o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência do país, em 1975, de receber US$ 50 milhões de dinheiro sujo da empreiteira brasileira Odebrecht nas eleições de 2012.
O escândalo foi revelado na Operação Lava Jato aqui no Brasil. A denúncia de Raul Danda, vice-presidente da Unita e candidato a vice-presidente nas eleições de agosto, se baseia nas delações premiadas dos marqueteiros do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana e Mônica Moura, indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazerem a campanha eleitoral do ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.
Em 2012, "o ex-presidente brasileiro deslocou-se a Luanda na companhia do então presidente da Odebrecht, Emilio Odebrecht. O presidente José Eduardo dos Santos manifestou-lhes o interesse em contratar o publicitário João Santana e seus interlocutores prontificaram-se em contatar e persuadir o publicitário a fazer a campanha do MPLA", afirmou o líder da Unita.
Com "o custo do serviço no valor de US$ 50 milhões", a contratação só seria possível "se o publicitário aceitasse receber o dinheiro da Odebrecht." Foram fechados dois contratos: "o primeiro, de US$ 30 milhões, com a empresa do publicitário e o segundo, de US$ 20 milhões, entre a mulher do publicitário e o responsável da Odebrecht Angola".
Para Raul Danda, foi "uma ilicitude eleitoral e um atentado à independência, à unidade nacional e à democracia no país."
Depois de 38 anos no poder, Santos não é candidato à reeleição. O candidato governista é o general João Lourenço, atual ministro da Defesa. A Unita também denuncia o utilização abusiva das Forças Armadas na atual campanha.
O escândalo foi revelado na Operação Lava Jato aqui no Brasil. A denúncia de Raul Danda, vice-presidente da Unita e candidato a vice-presidente nas eleições de agosto, se baseia nas delações premiadas dos marqueteiros do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana e Mônica Moura, indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazerem a campanha eleitoral do ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.
Em 2012, "o ex-presidente brasileiro deslocou-se a Luanda na companhia do então presidente da Odebrecht, Emilio Odebrecht. O presidente José Eduardo dos Santos manifestou-lhes o interesse em contratar o publicitário João Santana e seus interlocutores prontificaram-se em contatar e persuadir o publicitário a fazer a campanha do MPLA", afirmou o líder da Unita.
Com "o custo do serviço no valor de US$ 50 milhões", a contratação só seria possível "se o publicitário aceitasse receber o dinheiro da Odebrecht." Foram fechados dois contratos: "o primeiro, de US$ 30 milhões, com a empresa do publicitário e o segundo, de US$ 20 milhões, entre a mulher do publicitário e o responsável da Odebrecht Angola".
Para Raul Danda, foi "uma ilicitude eleitoral e um atentado à independência, à unidade nacional e à democracia no país."
Depois de 38 anos no poder, Santos não é candidato à reeleição. O candidato governista é o general João Lourenço, atual ministro da Defesa. A Unita também denuncia o utilização abusiva das Forças Armadas na atual campanha.
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sexta-feira, 6 de maio de 2016
Rapper angolano Luaty Beirão inicia nova greve de fome
O rapper e ativista pela democracia Luaty Beirão, preso político condenado a cinco anos e seis meses por "atos preparatórios de rebelião e associação da malfeitores" por lutar contra a ditadura de José Eduardo dos Santos, iniciou ontem uma nova greve de fome em protesto contra sua transferência forçada para o Hospital São Paulo, em Luanda.
Luaty Beirão e outros 16 ativistas foram presos quando discutiam, em junho de 2015, um capítulo do livro Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar uma Nova Ditadura: filosofia política da libertação para Angola, do acadêmico Domingos da Cruz.
Doze dos 16 condenados, inclusive Nélson Dibango, Albano Evaristo Bingo Bingo e Luaty Beirão, rejeitaram a transferência para o hospital-prisão: "Eu não quero ir para um sítio só porque supostamente tem melhores condições para nós quando a maior parte dos reclusos vive encarcerada em condições precárias", declarou Beirão em seu perfil no Facebook, citado pelo jornal português Público.
Com a recusa, o rapper luso-angolano foi levado à força na quarta-feira da cadeia de Viana para o hospital, informaram parentes de Beirão: "Disseram-nos que ele não quer receber ninguém e que está nu. Não aceitou receber comida e está deitado no chão. Não sabemos de mais pormenores."
Em entrevista à Rede Angola, a mulher dele, Mónica Beirão, confirmou que o músico não quer falar com ninguém. O porta-voz oficial dos serviços prisionais angolanos, Menezes Cassoma, justificou a transferência alegando que os presos políticos reclamavam das condições da prisão de Viana. Não confirmou nem a nudez nem a greve de fome.
Luaty Beirão e outros 16 ativistas foram presos quando discutiam, em junho de 2015, um capítulo do livro Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar uma Nova Ditadura: filosofia política da libertação para Angola, do acadêmico Domingos da Cruz.
Doze dos 16 condenados, inclusive Nélson Dibango, Albano Evaristo Bingo Bingo e Luaty Beirão, rejeitaram a transferência para o hospital-prisão: "Eu não quero ir para um sítio só porque supostamente tem melhores condições para nós quando a maior parte dos reclusos vive encarcerada em condições precárias", declarou Beirão em seu perfil no Facebook, citado pelo jornal português Público.
Com a recusa, o rapper luso-angolano foi levado à força na quarta-feira da cadeia de Viana para o hospital, informaram parentes de Beirão: "Disseram-nos que ele não quer receber ninguém e que está nu. Não aceitou receber comida e está deitado no chão. Não sabemos de mais pormenores."
Em entrevista à Rede Angola, a mulher dele, Mónica Beirão, confirmou que o músico não quer falar com ninguém. O porta-voz oficial dos serviços prisionais angolanos, Menezes Cassoma, justificou a transferência alegando que os presos políticos reclamavam das condições da prisão de Viana. Não confirmou nem a nudez nem a greve de fome.
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quarta-feira, 30 de março de 2016
UE protesta ante condenação de presos políticos em Angola
A União Europeia protestou ontem, repudiando a condenação de 17 presos políticos angolanos a penas de dois anos e três meses a oito anos e seis meses, e manifestou a esperança de que sejam absolvido em tribunais superiores. Entre eles, está o músico e poeta luso-angolano Luaty Beirão.
Em nota, os países-membros da UE observam que o processo "suscita reservas a respeito das garantias constitucionais e do princípio da proporcionalidade. A UE espera que os mecanismo legais de recurso disponíveis ofereçam aquelas garantias, de acordo com os direitos e os princípios consagrados na Constituição de Angola."
Os diplomatas dos países europeus foram sistematicamente barrados no Tribunal Provincial de Luanda, onde o processo correu, de 16 de novembro de 2015 a 28 de março de 2016, responsabilizando os réus por "pertencerem a uma organização de malfeitores" e conspirarem para derrubar o ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.
Em nota, os países-membros da UE observam que o processo "suscita reservas a respeito das garantias constitucionais e do princípio da proporcionalidade. A UE espera que os mecanismo legais de recurso disponíveis ofereçam aquelas garantias, de acordo com os direitos e os princípios consagrados na Constituição de Angola."
Os diplomatas dos países europeus foram sistematicamente barrados no Tribunal Provincial de Luanda, onde o processo correu, de 16 de novembro de 2015 a 28 de março de 2016, responsabilizando os réus por "pertencerem a uma organização de malfeitores" e conspirarem para derrubar o ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.
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Tribunal de Angola condena presos políticos a até oito anos de prisão
O Tribunal Provincial de Luanda condenou na segunda-feira 17 presos políticos angolanos a penas de dois anos e três meses a oito anos e meio de prisão em regime fechado. Eles foram considerados culpados de conspirar para derrubar o ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, por formar um grupo para lutar pela democracia.
A maior pena foi para o professor Domingos da Cruz: oito anos e seis meses de reclusão. O músico e poeta luso-angolano Luaty Beirão pegou cinco anos e seis meses de cadeia.
Durante o processo político, Luaty Beirão, o "herói insolente", na visão do jornal português Expresso, fez uma greve de fome de 36 dias em protesto contra sua prisão.
Nuno Sala, Sedrik de Carvalho, Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Gouveia, Fernando António Tomás Nicola, Mbamza Hamza, Osvaldo Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango, Hitler Gomes Hata e José Gomes Hata foram sentenciados a quatro anos e seis meses de prisão.
Rosa Conde Jeremias Benedito pegaram dois anos e três meses.
Os advogados de defesa vão recorrer, sem grande esperança, a não ser que haja uma mobilização internacional de protesto contra um julgamento político.
O grupo foi acusado de conspirar para derrubar o governo porque foi encontrado em seu poder uma tradução de um livro, um manual escrito pelo ativista Gene Sharp chamado Da Ditadura à Democracia: uma estrutura conceitual para a libertação. A outra prova é uma lista de nomes de um futuro governo de união nacional que o grupo nega ter elaborado.
A maior pena foi para o professor Domingos da Cruz: oito anos e seis meses de reclusão. O músico e poeta luso-angolano Luaty Beirão pegou cinco anos e seis meses de cadeia.
Durante o processo político, Luaty Beirão, o "herói insolente", na visão do jornal português Expresso, fez uma greve de fome de 36 dias em protesto contra sua prisão.
Nuno Sala, Sedrik de Carvalho, Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Gouveia, Fernando António Tomás Nicola, Mbamza Hamza, Osvaldo Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango, Hitler Gomes Hata e José Gomes Hata foram sentenciados a quatro anos e seis meses de prisão.
Rosa Conde Jeremias Benedito pegaram dois anos e três meses.
Os advogados de defesa vão recorrer, sem grande esperança, a não ser que haja uma mobilização internacional de protesto contra um julgamento político.
O grupo foi acusado de conspirar para derrubar o governo porque foi encontrado em seu poder uma tradução de um livro, um manual escrito pelo ativista Gene Sharp chamado Da Ditadura à Democracia: uma estrutura conceitual para a libertação. A outra prova é uma lista de nomes de um futuro governo de união nacional que o grupo nega ter elaborado.
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sexta-feira, 11 de março de 2016
José Eduardo dos Santos promete deixar o poder em Angola em 2018
O presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, anunciou hoje que vai deixar o poder no fim do atual mandato, em 2018, noticiou a agência Reuters.
Santos não explicou as razões de sua aposentadoria. As atenções se voltam para as eleições parlamentares angolanas de 2017. O líder do partido vitorioso deve ser o próximo presidente do país.
Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), governa o país. Santos substituiu o líder histórico do partido, Agostinho Neto, que morreu em 1979.
A revolta de grupos anticomunistas contra a ditadura do MPLA provocou uma guerra civil que só terminou em 2002, com intervenções da África do Sul e de Cuba, na época aliada da União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia, Angola transformou-se numa cleptocracia. Isabel dos Santos, filha do presidente, é a mulher mais rica da África, com fortuna pessoal de US$ 4 bilhões.
O marqueteiro João Santana, que fez as últimas campanhas eleitorais de Lula e Dilma, ganhou US$ 50 milhões para fazer a última campanha de José Eduardo dos Santos. A Operação Lava Jato suspeita que a construtora Odebrecht, uma das líderes do cartel da corrupção na Petrobrás, tenha pago parte desse dinheiro.
Segundo maior produtor de petróleo da África, depois da Nigéria, e 16º maior do mundo, Angola sofre com a queda de mais de 70% nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014.
Santos não explicou as razões de sua aposentadoria. As atenções se voltam para as eleições parlamentares angolanas de 2017. O líder do partido vitorioso deve ser o próximo presidente do país.
Desde a independência de Portugal, em 1975, o mesmo partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), governa o país. Santos substituiu o líder histórico do partido, Agostinho Neto, que morreu em 1979.
A revolta de grupos anticomunistas contra a ditadura do MPLA provocou uma guerra civil que só terminou em 2002, com intervenções da África do Sul e de Cuba, na época aliada da União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia, Angola transformou-se numa cleptocracia. Isabel dos Santos, filha do presidente, é a mulher mais rica da África, com fortuna pessoal de US$ 4 bilhões.
O marqueteiro João Santana, que fez as últimas campanhas eleitorais de Lula e Dilma, ganhou US$ 50 milhões para fazer a última campanha de José Eduardo dos Santos. A Operação Lava Jato suspeita que a construtora Odebrecht, uma das líderes do cartel da corrupção na Petrobrás, tenha pago parte desse dinheiro.
Segundo maior produtor de petróleo da África, depois da Nigéria, e 16º maior do mundo, Angola sofre com a queda de mais de 70% nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Congo propõe acordo de paz a rebeldes do M23
A República Democrática do Congo ofereceu nesta segunda-feira anistia e integração ao Exército para os rebeldes do M23, mas o líder do grupo declarou serem necessárias mais negociações.
Na rebelião, que já dura um ano, o M23 chegou a tomar a capital provincial de Goma, humilhando tanto o Exército do Congo quanto a maior força de paz das Nações Unidas em atividade. Neste período, os rebeldes se dividiram em duas facções que lutaram entre si.
Pela proposta de paz do governo, os rebeldes devem entrar suas armas à missão de paz da ONU. O M23 é formado pela etnia tútsi e tinha o apoio do governo de Ruanda. Foi criado originalmente para combater os hutus da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados na guerra civil ruandesa em 1994.
Depois de décadas de guerra civil em que se estima que mais de 5 milhões de africanos foram mortos, o presidente Joseph Kabila prometeu pacificar o Leste do Congo, até agora sem sucesso.
Kabila deve se encontrar amanhã em Luanda, a capital de Angola, com os presidentes angolano, José Eduardo dos Santos, e da África do Sul, Jacob Zuma, para avaliar a situação, antecipou a agência de notícias Reuters.
Na rebelião, que já dura um ano, o M23 chegou a tomar a capital provincial de Goma, humilhando tanto o Exército do Congo quanto a maior força de paz das Nações Unidas em atividade. Neste período, os rebeldes se dividiram em duas facções que lutaram entre si.
Pela proposta de paz do governo, os rebeldes devem entrar suas armas à missão de paz da ONU. O M23 é formado pela etnia tútsi e tinha o apoio do governo de Ruanda. Foi criado originalmente para combater os hutus da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados na guerra civil ruandesa em 1994.
Depois de décadas de guerra civil em que se estima que mais de 5 milhões de africanos foram mortos, o presidente Joseph Kabila prometeu pacificar o Leste do Congo, até agora sem sucesso.
Kabila deve se encontrar amanhã em Luanda, a capital de Angola, com os presidentes angolano, José Eduardo dos Santos, e da África do Sul, Jacob Zuma, para avaliar a situação, antecipou a agência de notícias Reuters.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Filho do presidente controla fundo estatal em Angola
Segundo maior país produtor de petróleo da África, Angola criou um fundo soberano bilionário para acabar com a miséria. Mas, num dos países mais corruptos do mundo, a direção foi entregue a José Filomeno de Sousa dos Santos, filho do ditador que desgoverna Angola desde 1979.
Depois de Isabel, também filha de José Eduardo dos Santos ser apontada como a primeira bilionária da África, Filomeno tem sua chance. Com US$ 5 bilhões de capital inicial e mais US$ 3,5 milhões por ano da renda do petróleo, ele promete modernizar a infraestrutura do país, arrasado por quatro décadas de guerra civil.
"Não acredito que não haja em Angola um indivíduo com mais capacidade técnica para gerenciar o fundo do que o filho do presidente", protestou o líder oposicionista Abel Chivukuvuku.
Também há críticas à escolha do Quantum Global Group, com sede na Suíça, para gerenciar as operações internacionais do fundo. Seu fundador, Jean-Claude Bastos de Morais, um angolano naturalizado suíço que assessora o presidente Santos.
"Como um fundo pode ser transparente quando escolhe uma empresa com estas conexões?", lamenta o ex-primeiro-ministro Marcolino Moro, que rompeu com o presidente angolano em 1996 acusando o governo de autoritarismo e corrupção.
A metade dos 18 milhões de habitantes de Angola vive na miséria. O país é o 19º mais corrupto do mundo numa lista de 176 países feita pela organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, com sede em Berlim, na Alemanha.
Nos últimos três anos, apesar do crescimento médio anual superior a 5%, Angola perdeu mais do que ganhou investimentos externos diretos, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
Depois de Isabel, também filha de José Eduardo dos Santos ser apontada como a primeira bilionária da África, Filomeno tem sua chance. Com US$ 5 bilhões de capital inicial e mais US$ 3,5 milhões por ano da renda do petróleo, ele promete modernizar a infraestrutura do país, arrasado por quatro décadas de guerra civil.
"Não acredito que não haja em Angola um indivíduo com mais capacidade técnica para gerenciar o fundo do que o filho do presidente", protestou o líder oposicionista Abel Chivukuvuku.
Também há críticas à escolha do Quantum Global Group, com sede na Suíça, para gerenciar as operações internacionais do fundo. Seu fundador, Jean-Claude Bastos de Morais, um angolano naturalizado suíço que assessora o presidente Santos.
"Como um fundo pode ser transparente quando escolhe uma empresa com estas conexões?", lamenta o ex-primeiro-ministro Marcolino Moro, que rompeu com o presidente angolano em 1996 acusando o governo de autoritarismo e corrupção.
A metade dos 18 milhões de habitantes de Angola vive na miséria. O país é o 19º mais corrupto do mundo numa lista de 176 países feita pela organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, com sede em Berlim, na Alemanha.
Nos últimos três anos, apesar do crescimento médio anual superior a 5%, Angola perdeu mais do que ganhou investimentos externos diretos, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
domingo, 20 de setembro de 2009
Eduardo dos Santos governa Angola há 30 anos
Desde a morte de Omar Bongo, do Gabão, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, é o governante africano há mais tempo no poder depois do coronel Muamar Kadafi, ditador da Líbia desde 1º de setembro de 1969.
Santos manda em Angola desde a morte de Agostinho Neto, o herói da independência nacional, em 1979. Ao contrário do espalhafatoso dirigente líbio, é discreto e não dá entrevistas a jornalistas estrangeiros.
Leia mais na BBC.
Santos manda em Angola desde a morte de Agostinho Neto, o herói da independência nacional, em 1979. Ao contrário do espalhafatoso dirigente líbio, é discreto e não dá entrevistas a jornalistas estrangeiros.
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