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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Congo derrota rebeldes do M23

Depois de um ano e meio, a República Democrática do Congo anunciou hoje a vitória sobre os rebeldes do grupo M23, forçados a deixar as últimas cidades que ainda controlavam no Leste do país. "Muitos combatentes estão se rendendo", declarou um porta-voz governamental. "Militarmente, o M23 está acabado".

Horas depois, o líder rebelde, Bertrand Bisinway, emitiu um comunicado ordenando seus milicianos a abandonar as armas: "O chefe do comando geral e os comandantes das principais unidades devem preparar as forças para desarmamento, desmobilização e reintegração nos termos acertados com o governo do Congo", citou a agência Reuters.

O comandante militar do M23, Sultani Makenga, deve ter fugido para Ruanda ou Uganda, países vizinhos acusados pela missão de paz das Nações Unidas, chefiada pelo general brasileiro , de apoiar a insurgência.

A rebelião do M23 começou em abril de 2012, em protesto contra a maneira como o governo congolês realizou o desarmamento de milícias previsto num acordo de paz firmado em 2009, lembra a televisão pública britânica BBC. Os rebeldes chegaram a tomar Goma, a maior cidade da região, por pouco tempo. Cerca de 800 mil pessoas fugiram de casa para escapar do conflito.

É uma guerra civil que teve origem no genocídio de Ruanda, em 1994. Quando a Frente Patriótica de Ruanda derrubou o governo da maioria hutu, em abril daquele ano, o Exército em fuga matou pelo menos 800 mil pessoas da minoria tútsi e hutus moderados.

O novo governo de Ruanda se aliou então aos baniamulengue, os tútsis do Leste do Congo, para manter os hutus à distância. Essa luta deflagrou uma guerra civil no Zaire, nome do Congo na época. Com a queda do ditador Joseph Mobutu, em 1997, o país adotou seu antigo nome, mas caiu num conflito brutal conhecido como a Primeira Guerra Mundial Africana, que deixou 5,4 milhões de mortos em combates ou de fome e doenças causadas pela guerra.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Congo propõe acordo de paz a rebeldes do M23

A República Democrática do Congo ofereceu nesta segunda-feira anistia e integração ao Exército para os rebeldes do M23, mas o líder do grupo declarou serem necessárias mais negociações.

Na rebelião, que já dura um ano, o M23 chegou a tomar a capital provincial de Goma, humilhando tanto o Exército do Congo quanto a maior força de paz das Nações Unidas em atividade. Neste período, os rebeldes se dividiram em duas facções que lutaram entre si.

Pela proposta de paz do governo, os rebeldes devem entrar suas armas à missão de paz da ONU. O M23 é formado pela etnia tútsi e tinha o apoio do governo de Ruanda. Foi criado originalmente para combater os hutus da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados na guerra civil ruandesa em 1994.

Depois de décadas de guerra civil em que se estima que mais de 5 milhões de africanos foram mortos, o presidente Joseph Kabila prometeu pacificar o Leste do Congo, até agora sem sucesso.

Kabila deve se encontrar amanhã em Luanda, a capital de Angola, com os presidentes angolano, José Eduardo dos Santos, e da África do Sul, Jacob Zuma, para avaliar a situação, antecipou a agência de notícias Reuters.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Rebeldes tomam cidade no Leste do Congo

O grupo guerrilheiro M23 anunciou hoje ter assumido o controle da cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. Aparentemente, o Exército abandonou suas posições na cidade e na fronteira com a vizinha Ruanda, mas o presidente Joseph Kabila ordenou que lute para retomar Goma.

Diante da indignação do ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, que afirmou não entender como a força de paz das Nações Unidas não impediu a tomada de Goma, o comando da missão da ONU explicou que não cabia a ele sustentar o combate depois que os soldados do Exército abandonaram a cidade.

O governo congolês acusa Ruanda e Uganda de sustentar o M23, formado principalmente pelo grupo étnico tútsi.

Goma foi a principal rota de fuga dos hutus derrotados na guerra civil em Ruanda, em 1994, inclusive os responsáveis pelo genocídio de 800 mil tútsis e hutus moderados. Como os baniamulengue do Congo são da mesma etnia tútsi, a presença do inimigo deflagrou uma guerra civil no Congo.

Em consequência, o ditador Mobutu Sese Seko foi derrubado em 1997 depois de desadministrar e roubar o país durante mais de duas décadas, acumulando uma fortuna de bilhões de dólares num dos países mais pobres do mundo.

A queda de Mobutu, ex-sargento do Exército colonial da Bélgica, deflagrou uma guerra civil generalizada envolvendo nove exércitos nacionais e dezenas de grupos rebeldes armados.

Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram nos combates, de fome ou doenças causadas pela chamada Primeira Guerra Mundial Africana. Pelo jeito, o conflito ainda não acabou.