A cúpula da governista União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS) está pressionando o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, a romper com a Frente Comum para o Congo (FCC), do ex-ditador Joseph Kabila, informou ontem a revista Jeune Afrique.
Os desentendimentos dentro do UDPS ameaçam a frágil aliança por causa das divergências políticas. Uma divisão do partido reduz as chances de reeleição de Tshisekedi. Na quarta-feira, o secretário-geral da UDPS, Augustin Kabuya, organizou uma "matinê política" convocando ativistas para pressionar o presidente: "Não podemos sacrificar o povo em nome de uma aliança política."
As oposições a Igreja Católica denunciaram fraude na eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018. Ao perceber que seu candidato não tinha chances de vitória, Kabila fez aliança com Tshisekedi e armou a fraude para manter seu grupo no poder e evitar investigações sobre a corrupção generalizada.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Joseph Kabila. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joseph Kabila. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Líder da oposição volta ao Congo pedindo campanha para afastar Tshisekedi
O principal candidato derrotado na eleição presidencial da República Democrática do Congo, Martin Fayulu, supostamente vítima de uma fraude maciça, voltou ontem a Kinshasa e prometeu liderar uma onda de manifestações de protesto para derrubar o presidente Félix Tshisekedi.
"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."
Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.
Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.
A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.
"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."
Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.
Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.
A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.
Marcadores:
África,
Argélia,
Eleição presidencial,
Félix Tshisekedi,
Joseph Kabila,
Kinshasa,
Lamuka,
Martin Fayulu,
República Democrática do Congo,
Sudão
domingo, 20 de janeiro de 2019
Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi
Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.
Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.
Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.
A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.
"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".
Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.
A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".
Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.
Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.
A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.
"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".
Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.
A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".
domingo, 6 de janeiro de 2019
Congo adia anúncio do resultado da eleição presidencial
As autoridades da República Democrática do Congo, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, atrasaram a divulgação do resultado da eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018, prevista para hoje. O diretor da comissão eleitoral alegou ter recebido menos da metade dos sufrágios. O anúncio oficial deve sair durante a semana.
O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.
A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.
O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome
Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.
Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.
Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.
O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.
Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.
Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.
O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.
A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.
O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome
Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.
Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.
Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.
O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.
Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.
Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Oposição lidera pesquisa na República Democrática do Congo
O principal candidato da oposição à Presidência da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, abriu uma boa vantagem sobre seus adversários na disputa da eleição presidencial de 23 de dezembro de 2018, anunciou hoje a Rádio France International Afrique (RFI Afrique).
Como o presidente Joseph Kabila está proibido de concorrer a um terceiro mandato pela Constituição, a eleição foi adiada por dois anos. Com seu candidato, Emmanuel Ramazani Shadary, mal nas pesquisas, a expectativa é uma grande fraude eleitoral promovida por Kabila e aliados para manter o poder.
Os dois políticos mais populares do antigo Congo Belga, Moise Katumbi e Pierre Bemba, estão proibidos de concorrer. Felix Antoine Tshisekedi Tshilombo, filho do ex-primeiro-ministro Étienne Tshisekedi, líder da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), é o favorito com 36% das preferências do eleitorado.
Em segundo lugar, vem Vital Kamerhe, com 17%. O ex-ministro do Interior Ramazani Shadary está em terceiro, com 16%, seguido por Martin Fayulu e Freddy Matungulu.
A pesquisa foi realizada pelo Birô de Estudos, Pesquisas e Consultoria Internacional (BERCI) do Grupo de Estudos sobre o Congo da Universidade de Nova York. De 29 de setembro a 15 de outubro, ouviu 1.179 pessoas maiores de 18 anos nas 26 províncias do Congo.
Cerca de 76% dos entrevistados disseram ter uma "boa opinião" da oposição e 70% gostariam de ver uma candidatura única de oposição. Só 18% aprovam o presidente Kabila. Em junho, eram 21%. Mais da metade, 57%, desaprovam a candidatura de oposição.
Joseph Kabila é filho do guerrilheiro Laurent Kabila, que derrubou em 1997 o ditador sanguinário Joseph Mobutu, dando início a uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana.
Até 2002, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e epidemias causadas pelo conflito. Joseph está no poder desde que o pai foi assassinado, em janeiro de 2001.
Como o presidente Joseph Kabila está proibido de concorrer a um terceiro mandato pela Constituição, a eleição foi adiada por dois anos. Com seu candidato, Emmanuel Ramazani Shadary, mal nas pesquisas, a expectativa é uma grande fraude eleitoral promovida por Kabila e aliados para manter o poder.
Os dois políticos mais populares do antigo Congo Belga, Moise Katumbi e Pierre Bemba, estão proibidos de concorrer. Felix Antoine Tshisekedi Tshilombo, filho do ex-primeiro-ministro Étienne Tshisekedi, líder da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), é o favorito com 36% das preferências do eleitorado.
Em segundo lugar, vem Vital Kamerhe, com 17%. O ex-ministro do Interior Ramazani Shadary está em terceiro, com 16%, seguido por Martin Fayulu e Freddy Matungulu.
A pesquisa foi realizada pelo Birô de Estudos, Pesquisas e Consultoria Internacional (BERCI) do Grupo de Estudos sobre o Congo da Universidade de Nova York. De 29 de setembro a 15 de outubro, ouviu 1.179 pessoas maiores de 18 anos nas 26 províncias do Congo.
Cerca de 76% dos entrevistados disseram ter uma "boa opinião" da oposição e 70% gostariam de ver uma candidatura única de oposição. Só 18% aprovam o presidente Kabila. Em junho, eram 21%. Mais da metade, 57%, desaprovam a candidatura de oposição.
Joseph Kabila é filho do guerrilheiro Laurent Kabila, que derrubou em 1997 o ditador sanguinário Joseph Mobutu, dando início a uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana.
Até 2002, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e epidemias causadas pelo conflito. Joseph está no poder desde que o pai foi assassinado, em janeiro de 2001.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Kabila consuma golpe e manda atirar na multidão no Congo
Depois de adiar as eleições para 2018 sob o argumento de falta de dinheiro e de registro eleitoral, o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, anunciou às 23 horas de 19 de dezembro, data do fim do mandato, a formação de um novo governo, deflagrando uma onda de protestos. As forças de segurança atacaram as multidões matando pelo menos 26 pessoas, noticiou o jornal inglês The Guardian.
Dez mortes aconteceram em Lubumbashi, no Sudeste do antigo Congo Belga, onde outras 31 pessoas saíram feridas. Em Goma, no Leste do país, pelo menos 20 ativistas foram presos. No país inteiro, pelo menos 275 pessoas foram presas e 116 continuam detidas. A oposição denuncia 600 prisões.
Joseph Kabila chegou ao poder em 2001, substituindo o pai, Laurent Kabila, que foi assassinado. Foi eleito em 2006 e reeleito em 2011. Na segunda-feira, terminou seu segundo mandato e a Constituição o impede de concorrer a nova reeleição, mas o presidente não parece disposto a entregar o poder.
O ditador ignorou uma tentativa de mediação conduzida pela Igreja Católica e se antecipou ao nomear ontem um novo primeiro-ministro, Samy Badibanga, um ex-opsocionista, e um governo com 67 ministros em vez dos 47 do governo anterior para tentar atrair adversários políticos para seu lado.
Riquíssimo em recursos naturais, o Congo tem uma história trágica. Foi colonizado numa ação genocida conduzida pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, o que levou o escritor polaco-britânico Joseph Conrad a escrever o livro No Coração das Trevas.
Quando o país se tornou independente, a esquerda liderada pelo primeiro-ministro Patrice Lumumba venceu as eleições provocando uma guerra civil fomentada pelas potências ocidentais. Lumumba foi derrubado em três meses e assassinado em janeiro de 1961, num golpe liderado por Joseph-Desiré Mobutu, um ex-sargento do Exército colonial belga que se aliou ao Ocidente na Guerra Fria.
Em 1965, depois de um segundo golpe de Estado, Mobutu foi oficialmente nomeado presidente e mudou o nome do país para Zaire, que governou com mão de ferro durante 32 anos, acumulando uma fortuna pessoal estimada entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.
Com o genocídio de 800 mil pessoas na vizinha Ruanda em 1994, centenas de milhares de pessoas da etnia tútsi se refugiaram no Leste do Zaire, desestabilizando o país.
Uma nova guerra civil congolesa começou em 1996, quando Laurent Kabila deixou as Montanhas da Lua, onde estava refugiado desde o fracasso da revolução dos anos 1960s, em que o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara lutou ao lado dele, descrevendo-o como "bêbado, mulherengo e incapaz de liderar uma revolução".
Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga, traduzido como o guerreiro que não conhece derrota por causa de sua resistência e sua vontade inflexível e é todo poderoso, deixando uma trilha de fogo por onde passa de conquista, caiu em 16 de maio de 1997, mas a guerra civil estava apenas começando.
A Primeira Guerra Mundial Africana envolveu nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares, muitos ainda em atividade. De 1997 a 2002, estima-se que 5,4 milhões pessoas tenham sido mortas em combate, de fome ou doenças. O estupro como arma de guerra tornou-se endêmico.
Dez mortes aconteceram em Lubumbashi, no Sudeste do antigo Congo Belga, onde outras 31 pessoas saíram feridas. Em Goma, no Leste do país, pelo menos 20 ativistas foram presos. No país inteiro, pelo menos 275 pessoas foram presas e 116 continuam detidas. A oposição denuncia 600 prisões.
Joseph Kabila chegou ao poder em 2001, substituindo o pai, Laurent Kabila, que foi assassinado. Foi eleito em 2006 e reeleito em 2011. Na segunda-feira, terminou seu segundo mandato e a Constituição o impede de concorrer a nova reeleição, mas o presidente não parece disposto a entregar o poder.
O ditador ignorou uma tentativa de mediação conduzida pela Igreja Católica e se antecipou ao nomear ontem um novo primeiro-ministro, Samy Badibanga, um ex-opsocionista, e um governo com 67 ministros em vez dos 47 do governo anterior para tentar atrair adversários políticos para seu lado.
Riquíssimo em recursos naturais, o Congo tem uma história trágica. Foi colonizado numa ação genocida conduzida pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, o que levou o escritor polaco-britânico Joseph Conrad a escrever o livro No Coração das Trevas.
Quando o país se tornou independente, a esquerda liderada pelo primeiro-ministro Patrice Lumumba venceu as eleições provocando uma guerra civil fomentada pelas potências ocidentais. Lumumba foi derrubado em três meses e assassinado em janeiro de 1961, num golpe liderado por Joseph-Desiré Mobutu, um ex-sargento do Exército colonial belga que se aliou ao Ocidente na Guerra Fria.
Em 1965, depois de um segundo golpe de Estado, Mobutu foi oficialmente nomeado presidente e mudou o nome do país para Zaire, que governou com mão de ferro durante 32 anos, acumulando uma fortuna pessoal estimada entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.
Com o genocídio de 800 mil pessoas na vizinha Ruanda em 1994, centenas de milhares de pessoas da etnia tútsi se refugiaram no Leste do Zaire, desestabilizando o país.
Uma nova guerra civil congolesa começou em 1996, quando Laurent Kabila deixou as Montanhas da Lua, onde estava refugiado desde o fracasso da revolução dos anos 1960s, em que o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara lutou ao lado dele, descrevendo-o como "bêbado, mulherengo e incapaz de liderar uma revolução".
Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga, traduzido como o guerreiro que não conhece derrota por causa de sua resistência e sua vontade inflexível e é todo poderoso, deixando uma trilha de fogo por onde passa de conquista, caiu em 16 de maio de 1997, mas a guerra civil estava apenas começando.
A Primeira Guerra Mundial Africana envolveu nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares, muitos ainda em atividade. De 1997 a 2002, estima-se que 5,4 milhões pessoas tenham sido mortas em combate, de fome ou doenças. O estupro como arma de guerra tornou-se endêmico.
Marcadores:
África,
Congo Belga,
Ditadura,
Eleições,
Goma,
Igreja Católica,
Joseph Kabila,
Laurent Kabila,
Lubumbashi,
República Democrática do Congo
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Eleição presidencial no Congo deve ser adiada para dezembro de 2018
Em mais um golpe do presidente Joseph Kabila para se perpetuar no poder, o presidente da comissão eleitoral da República Democrática do Congo declarou no fim de semana que espera que a próxima eleição presidencial, prevista para novembro deste ano, seja adiada para dezembro de 2018, noticiou a agência Reuters.
O anúncio pode deflagrar mais uma onda de violência política depois de morte de cerca de 50 pessoas em protestos e choques com as forças de segurança na capital do antigo Congo Belga, Kinshasa.
Kabila se recusa a deixar o poder, mas nega qualquer manobra, atribuindo o adiamento a problemas logísticos e orçamentários. Uma negociação multipartidária com participação da sociedade tenta chegar a um acordo sobre a data da eleição, mas a maioria da oposição boicota o diálogo que considera um pretexto para Kabila continuar no poder.
O anúncio pode deflagrar mais uma onda de violência política depois de morte de cerca de 50 pessoas em protestos e choques com as forças de segurança na capital do antigo Congo Belga, Kinshasa.
Kabila se recusa a deixar o poder, mas nega qualquer manobra, atribuindo o adiamento a problemas logísticos e orçamentários. Uma negociação multipartidária com participação da sociedade tenta chegar a um acordo sobre a data da eleição, mas a maioria da oposição boicota o diálogo que considera um pretexto para Kabila continuar no poder.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Dezenas de pessoas morrem em protestos no Congo
Dezenas de civis foram mortos em dois de choques com as forças de segurança durante protestos contra o ditador Joseph Kabila na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters citando dados da organização não governamental Human Rights Watch.
O Ministério da Informação admite 17 mortes, enquanto as oposições falam em mais de 50 pessoas. Imagens divulgadas na Internet mostraram a polícia atirando nos manifestantes e corpos estendidos no chão.
As manifestações protestam contra o adiamento das eleições previstas para novembro por suposta falta de dinheiro e um sistema de alistamento de eleitores. O segundo mandato de Joseph Kabila termina no fim deste ano, mas o Supremo Tribunal o autorizou a ficar no poder enquanto não houver uma eleição presidencial.
O Ministério da Informação admite 17 mortes, enquanto as oposições falam em mais de 50 pessoas. Imagens divulgadas na Internet mostraram a polícia atirando nos manifestantes e corpos estendidos no chão.
As manifestações protestam contra o adiamento das eleições previstas para novembro por suposta falta de dinheiro e um sistema de alistamento de eleitores. O segundo mandato de Joseph Kabila termina no fim deste ano, mas o Supremo Tribunal o autorizou a ficar no poder enquanto não houver uma eleição presidencial.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Protesto contra presidente do Congo tem dois mortos
A polícia da República Democrática do Congo entrou em choque hoje na capital, Kinshasa, e na cidade de Goma, no Leste do país, onde a polícia usou gás lacrimogênio, uma policial apedrejada e um manifestante morreram.
Os manifestantes protestavam contra a intenção do presidente Joseph Kabila de continuar no poder depois do fim de seu segundo mandato, em dezembro de 2016, noticiou a televisão pública britânica BBC.
Kabila apela para todos os meios para ficar no cargo. Tenta aprovar uma reforma constitucional para acabar com os limites à reeleição presidencial. Neste mês, obteve uma decisão favorável do Supremo Tribunal do Congo para continuar governando se não houver eleições.
Para colaborar com suas intenções, a Comissão Nacional Eleitoral divulgou estudo sobre os problemas logísticos e orçamentários para organizar as eleições previstas para novembro de 2016.
Joseph Kabila herdou o poder de seu pai, Laurent Kabila, um veterano guerrilheiro que lutou ao lado de Ernesto Che Guevara no Congo nos anos 1960s.
Em 1997, depois de ficar 30 anos refugiado nas Montanhas da Lua, no Centro da África, Laurent Kabila marchou sobre Kinshasa e derrubou o ditador Joseph Mobutu, envolvido no assassinato em 1961 do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba, um dos grandes heróis da luta anticolonialista no continente.
Mobutu estava no poder desde 1965 e tinha mudado o nome do país para Zaire. Kabila restaurou o antigo nome acrescentando a expressão "república democrática", usada pelos regimes comunistas durante a Guerra Fria.
Os manifestantes protestavam contra a intenção do presidente Joseph Kabila de continuar no poder depois do fim de seu segundo mandato, em dezembro de 2016, noticiou a televisão pública britânica BBC.
Kabila apela para todos os meios para ficar no cargo. Tenta aprovar uma reforma constitucional para acabar com os limites à reeleição presidencial. Neste mês, obteve uma decisão favorável do Supremo Tribunal do Congo para continuar governando se não houver eleições.
Para colaborar com suas intenções, a Comissão Nacional Eleitoral divulgou estudo sobre os problemas logísticos e orçamentários para organizar as eleições previstas para novembro de 2016.
Joseph Kabila herdou o poder de seu pai, Laurent Kabila, um veterano guerrilheiro que lutou ao lado de Ernesto Che Guevara no Congo nos anos 1960s.
Em 1997, depois de ficar 30 anos refugiado nas Montanhas da Lua, no Centro da África, Laurent Kabila marchou sobre Kinshasa e derrubou o ditador Joseph Mobutu, envolvido no assassinato em 1961 do líder da independência do Congo, Patrice Lumumba, um dos grandes heróis da luta anticolonialista no continente.
Mobutu estava no poder desde 1965 e tinha mudado o nome do país para Zaire. Kabila restaurou o antigo nome acrescentando a expressão "república democrática", usada pelos regimes comunistas durante a Guerra Fria.
Marcadores:
Che Guevara,
Goma,
Joseph Kabila,
Kinshasa,
Laurent Kabila,
Protesto,
Reeleição Presidencial,
Reforma Constitucional,
República Democrática do Congo
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Supremo Tribunal do Congo decide que presidente pode ficar no poder
O presidente Joseph Kabila pode se manter no cargo depois do fim do segundo mandato, em dezembro de 2016, se não houver eleição em novembro, decidiu hoje o Supremo Tribunal da República Democrática do Congo, informou a agência de notícias Reuters.
A comissão eleitoral já advertiu que terá grandes "problemas orçamentários e logísticos" para realizar a eleição.
Kabila é filho do ditador Laurent Kabila, que derrubou em 1997 o ditador Joseph Mobutu e adotou o antigo nome do país, chamado de Zaire na era Mobutu (1965-97). Está usando todos os recursos para ficar no cargo por mais um mandato, inclusive uma reforma constitucional.
Com a decisão do Supremo, Kabila pode adiar as eleições parlamentares e presidencial até o momento que considerar mais adequado para ficar no poder.
A comissão eleitoral já advertiu que terá grandes "problemas orçamentários e logísticos" para realizar a eleição.
Kabila é filho do ditador Laurent Kabila, que derrubou em 1997 o ditador Joseph Mobutu e adotou o antigo nome do país, chamado de Zaire na era Mobutu (1965-97). Está usando todos os recursos para ficar no cargo por mais um mandato, inclusive uma reforma constitucional.
Com a decisão do Supremo, Kabila pode adiar as eleições parlamentares e presidencial até o momento que considerar mais adequado para ficar no poder.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Polícia do Congo ataca manifestantes com gás lacrimogênio
A polícia da República Democrática do Congo, o antigo Congo Belga e Zaire, usou gás lacrimogênio para dispersar uma manifestação de protesto contra o presidente Joseph Kabila e sua pretensão de obter um terceiro mandato na cidade de Lubumbashi, no Sudeste do país, noticiou a Agência France Presse (AFP).
O Congo deve realizar eleições até o fim de 2016. Como a Constituição só permite uma reeleição, Kabila, no fim do segundo mandato, deve deixar o poder, mas parece decidido a fazer o contrário.
Kabila está usando todos os meios para não entregar o poder, inclusive uma reforma constitucional para autorizar um terceiro mandato. Mesmo que ele ainda não tenha declarado oficialmente a intenção de se reeleger, ninguém acredita que vá desistir.
Se Kabila conquistar um terceiro mandato, deve haver reações violentas nas províncias de Katanga, Kivu do Norte e Kivu do Sul, e talvez também na capital, Kinshasa.
Depois da queda do ditador Joseph Mobutu, derrubado em 1997 por Laurent Kabila, pai do atual presidente, o antigo Zaire foi palco da Primeira Guerra Mundial Africana, em que nove exércitos nacionais e centenas de grupos armados irregulares disputaram o poder, com um total de mortos em combate, de fome e de doenças de 5,4 milhões de pessoas.
O Congo deve realizar eleições até o fim de 2016. Como a Constituição só permite uma reeleição, Kabila, no fim do segundo mandato, deve deixar o poder, mas parece decidido a fazer o contrário.
Kabila está usando todos os meios para não entregar o poder, inclusive uma reforma constitucional para autorizar um terceiro mandato. Mesmo que ele ainda não tenha declarado oficialmente a intenção de se reeleger, ninguém acredita que vá desistir.
Se Kabila conquistar um terceiro mandato, deve haver reações violentas nas províncias de Katanga, Kivu do Norte e Kivu do Sul, e talvez também na capital, Kinshasa.
Depois da queda do ditador Joseph Mobutu, derrubado em 1997 por Laurent Kabila, pai do atual presidente, o antigo Zaire foi palco da Primeira Guerra Mundial Africana, em que nove exércitos nacionais e centenas de grupos armados irregulares disputaram o poder, com um total de mortos em combate, de fome e de doenças de 5,4 milhões de pessoas.
Marcadores:
Congo Belga,
Eleição presidencial,
Joseph Kabila,
Katanga,
Kivu do Norte,
Kivu do Sul,
Lubumbashi,
reeleição,
República Democrática do Congo,
Zaire
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Senado cede à pressão popular na República Democrática do Congo
Depois de dias de protestos violentos, o Senado da República democrática do Congo derrubou hoje uma cláusula que exigia a realização de um censo nacional antes das próximas eleições, previstas para 2016. Pelo menos 42 pessoas morreram em confronto com a polícia na capital, Kinshasa nos últimos dias.
Na prática, pelo texto aprovado pela Câmara, o mandato do presidente Joseph Kabila, no poder desde a morte do pai, em 2001, seria prorrogado até a conclusão do censo e a atualização dos registros eleitorais num país enorme e sem infraestrutura de transporte unindo as diferentes regiões. A população reagiu.
Pela nova redação, a lista de eleitores registrados deve ser atualizada dentro do prazo previsto para não prejudicar a realização das eleições legislativas e presidencial. Uma comissão mista da Câmara e do Senado vai se reunir para fazer o texto final, a ser submetido a votação em sessão conjunta na próxima segunda-feira.
Na prática, pelo texto aprovado pela Câmara, o mandato do presidente Joseph Kabila, no poder desde a morte do pai, em 2001, seria prorrogado até a conclusão do censo e a atualização dos registros eleitorais num país enorme e sem infraestrutura de transporte unindo as diferentes regiões. A população reagiu.
Pela nova redação, a lista de eleitores registrados deve ser atualizada dentro do prazo previsto para não prejudicar a realização das eleições legislativas e presidencial. Uma comissão mista da Câmara e do Senado vai se reunir para fazer o texto final, a ser submetido a votação em sessão conjunta na próxima segunda-feira.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Polícia enfrenta manifestantes na República Democrática do Congo
Pelo terceiro dia seguido, a política enfrentou manifestantes que protestam contra a reforma da lei eleitoral para adiar as eleições previstas para 2016 na República Democrática do Congo, o antigo Congo Belga e ex-Zaire. O governo admite 15 mortes. A oposição fala em muito mais.
Os manifestantes fizeram barricadas de fogo com pneus e atacaram a polícia com pedradas. Em pelo menos um confronto, as forças de segurança teriam reagido com munição real.
A reforma da lei eleitoral foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de janeiro de 2015 e deve ser votada no Senado amanhã, 22 de janeiro.
Doze anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002), que envolveu exércitos de nove países e centenas de grupos irregulares, e causou mais de 5 milhões de mortes violentas, de fome ou doença, o antigo Congo Belga, um país enorme, riquíssimo em recursos mineiros, situado no coração da África, é um dos maiores exemplos de fracasso e subdesenvolvimento no continente.
"O Congo deveria ser um Brasil, um motor da África Subsaariana em energia hidrelétrica, agricultura e mineração", observa Aly-Khan Satchu, analista de investimentos na África.
Na prática, o Congo é o segundo mais país menos desenvolvido do mundo, depois do Níger. É o maior produtor mundial de cobalto e o maior da África de cobre.
O presidente Joseph Kabila está no poder desde 2001, quando morreu seu pai, Laurent Kabila, companheiro de luta da aventura africana de Che Guevara nos anos 1960s, que derrubou o ditador Joseph Mobutu em 1997.
Mobutu Sese Seko, como gostava de ser chamado, tomou o poder em meio a uma guerra civil em que foi preso e assassinado o grande herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, em 1961. A história do país, brutalmente explorado pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, no início do século, é uma tragédia atrás da outra.
Um possível candidato de oposição é Moise Katumbi, governador da rica província de Katanga e dono do clube de futebol Mazembe, que derrotou o Internacional no Mundial de Clubes em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Ex-aliado de Kabila, Katumbi é um dos homens mais populares do país e um dos representantes da elite que gostaria de se livrar da dinastia dos Kabila. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times na semana passada, ele falou como candidato: "O Congo é o elefante da África. No momento, é um elefante morto. Temos de levantar este para ir em frente."
Os manifestantes fizeram barricadas de fogo com pneus e atacaram a polícia com pedradas. Em pelo menos um confronto, as forças de segurança teriam reagido com munição real.
A reforma da lei eleitoral foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de janeiro de 2015 e deve ser votada no Senado amanhã, 22 de janeiro.
Doze anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002), que envolveu exércitos de nove países e centenas de grupos irregulares, e causou mais de 5 milhões de mortes violentas, de fome ou doença, o antigo Congo Belga, um país enorme, riquíssimo em recursos mineiros, situado no coração da África, é um dos maiores exemplos de fracasso e subdesenvolvimento no continente.
"O Congo deveria ser um Brasil, um motor da África Subsaariana em energia hidrelétrica, agricultura e mineração", observa Aly-Khan Satchu, analista de investimentos na África.
Na prática, o Congo é o segundo mais país menos desenvolvido do mundo, depois do Níger. É o maior produtor mundial de cobalto e o maior da África de cobre.
O presidente Joseph Kabila está no poder desde 2001, quando morreu seu pai, Laurent Kabila, companheiro de luta da aventura africana de Che Guevara nos anos 1960s, que derrubou o ditador Joseph Mobutu em 1997.
Mobutu Sese Seko, como gostava de ser chamado, tomou o poder em meio a uma guerra civil em que foi preso e assassinado o grande herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, em 1961. A história do país, brutalmente explorado pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, no início do século, é uma tragédia atrás da outra.
Um possível candidato de oposição é Moise Katumbi, governador da rica província de Katanga e dono do clube de futebol Mazembe, que derrotou o Internacional no Mundial de Clubes em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Ex-aliado de Kabila, Katumbi é um dos homens mais populares do país e um dos representantes da elite que gostaria de se livrar da dinastia dos Kabila. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times na semana passada, ele falou como candidato: "O Congo é o elefante da África. No momento, é um elefante morto. Temos de levantar este para ir em frente."
Marcadores:
África,
Câmara,
conflito,
Joseph Kabila,
Joseph Mobutu,
Moise Katambi,
Primeira Guerra Mundial Africana,
protestos,
reforma eleitoral,
República Democrática do Congo,
Senado,
Zaire
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Governo frustra golpe na República Democrática do Congo
As forças de segurança da República Democrática do Congo derrotaram ontem uma tentativa de golpe de um pequeno grupo rebelde liderado por Paul Joseph Mukungubila, que obteve 0,35% dos votos na eleição presidencial de 2006. O golpe fracassou por falta de apoio popular e pelo apoio ao presidente Joseph Kabila dentro das Forças Armadas.
Os primeiros tiros foram disparados às 9h em Kinshasa. Homens armados ocuparam a Rádio e a Televisão Nacional do Congo para divulgar um comunicando anunciando a tomada do poder, enquanto outros rebeldes atacavam o aeroporto internacional N'Djili e o Campo Tchatchi, uma das duas grandes bases militares da capital.
Ao ocupar a RTV, cerca de 30 golpistas tomaram reféns e declararam que "Gideon Mukungubila veio libertar vocês da escravidão de Ruanda", numa referência ao apoio de Ruanda à revolução que depôs o ditador Joseph Mobutu e levou Laurent Kabila, pai do atual presidente, ao poder em 1997.
Mas os militares legalistas cortaram o sinal da transmissão antes que eles pudessem concluir a mensagem. Outros 40, de um total de cerca de 70 rebeldes, se dividiram em dois grupos de 20 para atacar o aeroporto e o quartel.
O Exército do Congo anunciou ter matado 40 rebeldes.
Os primeiros tiros foram disparados às 9h em Kinshasa. Homens armados ocuparam a Rádio e a Televisão Nacional do Congo para divulgar um comunicando anunciando a tomada do poder, enquanto outros rebeldes atacavam o aeroporto internacional N'Djili e o Campo Tchatchi, uma das duas grandes bases militares da capital.
Ao ocupar a RTV, cerca de 30 golpistas tomaram reféns e declararam que "Gideon Mukungubila veio libertar vocês da escravidão de Ruanda", numa referência ao apoio de Ruanda à revolução que depôs o ditador Joseph Mobutu e levou Laurent Kabila, pai do atual presidente, ao poder em 1997.
Mas os militares legalistas cortaram o sinal da transmissão antes que eles pudessem concluir a mensagem. Outros 40, de um total de cerca de 70 rebeldes, se dividiram em dois grupos de 20 para atacar o aeroporto e o quartel.
O Exército do Congo anunciou ter matado 40 rebeldes.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Congo propõe acordo de paz a rebeldes do M23
A República Democrática do Congo ofereceu nesta segunda-feira anistia e integração ao Exército para os rebeldes do M23, mas o líder do grupo declarou serem necessárias mais negociações.
Na rebelião, que já dura um ano, o M23 chegou a tomar a capital provincial de Goma, humilhando tanto o Exército do Congo quanto a maior força de paz das Nações Unidas em atividade. Neste período, os rebeldes se dividiram em duas facções que lutaram entre si.
Pela proposta de paz do governo, os rebeldes devem entrar suas armas à missão de paz da ONU. O M23 é formado pela etnia tútsi e tinha o apoio do governo de Ruanda. Foi criado originalmente para combater os hutus da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados na guerra civil ruandesa em 1994.
Depois de décadas de guerra civil em que se estima que mais de 5 milhões de africanos foram mortos, o presidente Joseph Kabila prometeu pacificar o Leste do Congo, até agora sem sucesso.
Kabila deve se encontrar amanhã em Luanda, a capital de Angola, com os presidentes angolano, José Eduardo dos Santos, e da África do Sul, Jacob Zuma, para avaliar a situação, antecipou a agência de notícias Reuters.
Na rebelião, que já dura um ano, o M23 chegou a tomar a capital provincial de Goma, humilhando tanto o Exército do Congo quanto a maior força de paz das Nações Unidas em atividade. Neste período, os rebeldes se dividiram em duas facções que lutaram entre si.
Pela proposta de paz do governo, os rebeldes devem entrar suas armas à missão de paz da ONU. O M23 é formado pela etnia tútsi e tinha o apoio do governo de Ruanda. Foi criado originalmente para combater os hutus da milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil tútsis e hutus moderados na guerra civil ruandesa em 1994.
Depois de décadas de guerra civil em que se estima que mais de 5 milhões de africanos foram mortos, o presidente Joseph Kabila prometeu pacificar o Leste do Congo, até agora sem sucesso.
Kabila deve se encontrar amanhã em Luanda, a capital de Angola, com os presidentes angolano, José Eduardo dos Santos, e da África do Sul, Jacob Zuma, para avaliar a situação, antecipou a agência de notícias Reuters.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Joseph Kabila é declarado vencedor no Congo
O presidente Joseph Kabila foi declarado hoje vencedor da eleição presidencial na República Democrática do Congo. Mas, em entrevista à Agência France Presse (AFP), o ex-primeiro-ministro Etinne Tshisekedi se autoproclamou "presidente legitimamente eleito".
Diante das denúncias de fraude e da rejeição do resultado pela oposição, a missão de paz das Nações Unidas tenta evitar uma explosão de violência num país marcado pela guerra, a miséria e a fome.
Diante das denúncias de fraude e da rejeição do resultado pela oposição, a missão de paz das Nações Unidas tenta evitar uma explosão de violência num país marcado pela guerra, a miséria e a fome.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
ONU tenta evitar mais violência eleitoral no Congo
A missão de paz das Nações Unidas e a comissão eleitoral da República Democrática do Congo tentam mediar um acordo entre governo e oposição para evitar uma explosão de violência quando for anunciado o resultado oficial da eleição presidencial neste país do coração da África.
Com 90% dos votos apurados, o presidente Joseph Kabila lidera com 49% contra 33% para o ex-primeiro-ministro Etienne Tshisekedi. A oposição já visou que não vai aceitar esse resultado. O anúncio oficial está previsto para 17h de hoje, pelo horário de Brasília.
Diante da ameaça de violência, a maior parte da capital está deserta, com muitas lojas e quiosques fechado e pouca gente circulando. A polícia de choque entrou em confronto com partidários de Tshisekedi, que exige a divulgação do resultado urna por urna.
Pelos cálculos da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório ou Vigília dos Direitos Humanos), ao menos 18 pessoas foram mortas e mais de cem feridos. Atribui a maioria das mortes a soldados da guarda presidencial que estariam atirando indiscriminadamente contra os manifestantes.
Além da eleição presidencial, os congoleses estão escolhendo 500 parlamentares entre 18 mil candidatos, informa a TV pública britânica BBC.
Com 90% dos votos apurados, o presidente Joseph Kabila lidera com 49% contra 33% para o ex-primeiro-ministro Etienne Tshisekedi. A oposição já visou que não vai aceitar esse resultado. O anúncio oficial está previsto para 17h de hoje, pelo horário de Brasília.
Diante da ameaça de violência, a maior parte da capital está deserta, com muitas lojas e quiosques fechado e pouca gente circulando. A polícia de choque entrou em confronto com partidários de Tshisekedi, que exige a divulgação do resultado urna por urna.
Pelos cálculos da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório ou Vigília dos Direitos Humanos), ao menos 18 pessoas foram mortas e mais de cem feridos. Atribui a maioria das mortes a soldados da guarda presidencial que estariam atirando indiscriminadamente contra os manifestantes.
Além da eleição presidencial, os congoleses estão escolhendo 500 parlamentares entre 18 mil candidatos, informa a TV pública britânica BBC.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Kabila lidera apuração no Congo
Em meio a denúncias de fraude, com dois terços dos votos da eleição na República Democrática do Congo computados, o presidente Joseph Kabila lidera a apuração com 46%, seguido do ex-primeiro-ministro Etienne Tshisekedi com 36%. A oposição ameaça não aceitar o resultado.
Cerca de 3 mil pessoas fugiram da capital do país, Kinshasa, desde domingo para escapar da violência, informa a TV pública britânica BBC.
É a segunda eleição presidencial no antigo Congo Belga desde o fim da Primeira Guerra Mundial Africana (1998-2003), em que se estima que mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças provocadas pelo conflito.
Vários grupos armados irregulares ainda atuam no Leste do país, uma vez e meio maior do que o estado do Amazonas.
Cerca de 3 mil pessoas fugiram da capital do país, Kinshasa, desde domingo para escapar da violência, informa a TV pública britânica BBC.
É a segunda eleição presidencial no antigo Congo Belga desde o fim da Primeira Guerra Mundial Africana (1998-2003), em que se estima que mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças provocadas pelo conflito.
Vários grupos armados irregulares ainda atuam no Leste do país, uma vez e meio maior do que o estado do Amazonas.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
ONU e UE exigem trégua no Coração das Trevas
As Nações Unidas e a União Européia exigiram hoje um cessar-fogo imediato no Leste da República Democrática do Congo, na região dos Grandes Lagos da África. Só a maior força de paz das Nações Unidas hoje, com 17 mil soldados, impede a queda da cidade Goma.
Os rebeldes de uma milícia da etnia tútsi cercaram hoje Goma, capital da província de Kivu do Norte. A maioria da população local é da etnia hutu, inimiga histórica dos tútsis, que foram massacrados no genocídio na vizinha Ruanda, onde 800 mil pessoas foram mortas em 1994.
Naquela época, o Exército hutu derrotado em Ruanda e a milícia Interahamwe (os que se juntam para atacar), responsáveis pelo genocídio, se misturaram com a população civil e fugiram para o Leste do Congo, que na época se chamava Zaire.
Lá, os hutus entraram em conflito com o povo baniamulengue, que também é da etnia tútsi e teve o apoio do novo governo de Ruanda, chefiado pelo coronel Paul Kagame, da Frente Patriótica de Ruanda (FPR), que tomou o poder em abril de 1994, provocando o genocídio, cometido pelo governo derrotado e seus asseclas.
Em 1996, o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara ao lado de Ernesto Che Guevara nos anos 60, saiu do seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, para entrar na guerra.
Che Guevara o considerava Kabila "bêbado" e "mulherengo", e portanto incapaz de liderar uma revolução. Mas Kabila atravessou o país - que vai da Região dos Grandes Lagos até o Oceano Atlântico, para onde tem uma saída estreita - e derrubou no ano seguinte o ditador Joseph Désiré Mobutu (1965-97).
No início da 1ª Guerra Civil Congolesa, em 1960, Mobutu liderou um golpe apoiado pela agência de espionagem americana CIA (Agência Central de Informações) contra o primeiro-ministro Patrice Lumumba, um líder democrático e popular que pedira ajuda militar à União Soviética. Lumumba foi assassinado em janeiro de 1961 e Mobutu tomou o poder em 1965.
Com uma política de africanização, mudou o nome do país para Zaire e o da capital para Kinshasa em vez de Leopoldville, que homenageava um dos tiranos que destruíram esse imenso país, conhecido no período colonial como Congo Belga.
A colonização belga sob o rei Leopoldo II foi especialmente cruel, como descreve o escritor Joseph Conrad em O Coração das Trevas, livro que inspirou o cineasta Francis Ford Coppola a fazer Apocalipse Now, talvez o melhor filme sobre a Guerra do Vietnã, e o título acima.
Com imensos recursos naturais o Congo sempre foi vítima de predadores interessados em suas riquezas minerais: ouro, diamantes, nióbio, zinco, estanho, cobre, cobalto e manganês.
Em 1998, depois da queda de Mobutu, começa uma guerra civil pelas riquezas do país que envolveu oito países africanos e centenas de grupos armados irregulares como o do general Nkunda. É a chamada Primeira Guerra Mundial Africana. O total de mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra é estimado em 5,4 milhões.
O Congo é vítima de uma anarquia que vem da cruel colonização belga e prossegue sob Mobutu. Nenhuma das tiranias criou uma infra-estrutura capaz de integrar o país e dar um sentido de nação a tribos isoladas geográfica, linguística e culturalmente.
Agora, cerca de 45 mil pessoas fugiram de Goma, enquanto soldados do Exécito congolês em fuga saquearam a cidade. As imagens lembram o êxodo de Ruanda em 1994.
O líder rebelde, o general congolês renegado Laurent Nkunda, declarou um cessar-fogo. Não houve bombardeio à cidade, mas a trégua não é totalmente respeitada.
Nkunda acusa a Frente Democrática pela Libertação de Ruanda de ser formada pelos responsáveis pelo genocídio e de ser uma ameaça para os tútsis congoleses. Ele só aceita negociar com o presidente Joseph Kabila.
Os rebeldes de uma milícia da etnia tútsi cercaram hoje Goma, capital da província de Kivu do Norte. A maioria da população local é da etnia hutu, inimiga histórica dos tútsis, que foram massacrados no genocídio na vizinha Ruanda, onde 800 mil pessoas foram mortas em 1994.
Naquela época, o Exército hutu derrotado em Ruanda e a milícia Interahamwe (os que se juntam para atacar), responsáveis pelo genocídio, se misturaram com a população civil e fugiram para o Leste do Congo, que na época se chamava Zaire.
Lá, os hutus entraram em conflito com o povo baniamulengue, que também é da etnia tútsi e teve o apoio do novo governo de Ruanda, chefiado pelo coronel Paul Kagame, da Frente Patriótica de Ruanda (FPR), que tomou o poder em abril de 1994, provocando o genocídio, cometido pelo governo derrotado e seus asseclas.
Em 1996, o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara ao lado de Ernesto Che Guevara nos anos 60, saiu do seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, para entrar na guerra.
Che Guevara o considerava Kabila "bêbado" e "mulherengo", e portanto incapaz de liderar uma revolução. Mas Kabila atravessou o país - que vai da Região dos Grandes Lagos até o Oceano Atlântico, para onde tem uma saída estreita - e derrubou no ano seguinte o ditador Joseph Désiré Mobutu (1965-97).
No início da 1ª Guerra Civil Congolesa, em 1960, Mobutu liderou um golpe apoiado pela agência de espionagem americana CIA (Agência Central de Informações) contra o primeiro-ministro Patrice Lumumba, um líder democrático e popular que pedira ajuda militar à União Soviética. Lumumba foi assassinado em janeiro de 1961 e Mobutu tomou o poder em 1965.
Com uma política de africanização, mudou o nome do país para Zaire e o da capital para Kinshasa em vez de Leopoldville, que homenageava um dos tiranos que destruíram esse imenso país, conhecido no período colonial como Congo Belga.
A colonização belga sob o rei Leopoldo II foi especialmente cruel, como descreve o escritor Joseph Conrad em O Coração das Trevas, livro que inspirou o cineasta Francis Ford Coppola a fazer Apocalipse Now, talvez o melhor filme sobre a Guerra do Vietnã, e o título acima.
Com imensos recursos naturais o Congo sempre foi vítima de predadores interessados em suas riquezas minerais: ouro, diamantes, nióbio, zinco, estanho, cobre, cobalto e manganês.
Em 1998, depois da queda de Mobutu, começa uma guerra civil pelas riquezas do país que envolveu oito países africanos e centenas de grupos armados irregulares como o do general Nkunda. É a chamada Primeira Guerra Mundial Africana. O total de mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra é estimado em 5,4 milhões.
O Congo é vítima de uma anarquia que vem da cruel colonização belga e prossegue sob Mobutu. Nenhuma das tiranias criou uma infra-estrutura capaz de integrar o país e dar um sentido de nação a tribos isoladas geográfica, linguística e culturalmente.
Agora, cerca de 45 mil pessoas fugiram de Goma, enquanto soldados do Exécito congolês em fuga saquearam a cidade. As imagens lembram o êxodo de Ruanda em 1994.
O líder rebelde, o general congolês renegado Laurent Nkunda, declarou um cessar-fogo. Não houve bombardeio à cidade, mas a trégua não é totalmente respeitada.
Nkunda acusa a Frente Democrática pela Libertação de Ruanda de ser formada pelos responsáveis pelo genocídio e de ser uma ameaça para os tútsis congoleses. Ele só aceita negociar com o presidente Joseph Kabila.
Assinar:
Postagens (Atom)