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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Líder da oposição volta ao Congo pedindo campanha para afastar Tshisekedi

O principal candidato derrotado na eleição presidencial da República Democrática do Congo, Martin Fayulu, supostamente vítima de uma fraude maciça, voltou ontem a Kinshasa e prometeu liderar uma onda de manifestações de protesto para derrubar o presidente Félix Tshisekedi.

"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."

Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.

Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.

A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi

Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.

Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.

Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.

A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.

"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".

Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.

A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Oposicionista Félix Tshisekedi vence eleição presidencial no Congo

Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, líder da União para a Democracia e o Progresso Social (UPDS), o maior e mais antigo partido de oposição da República Democrática do Congo, venceu a eleição presidencial de 30 de dezembro, noticiou hoje o canal de televisão France 24 citando anúncio oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI).

Pelos dados da CENI, Tshisekedi recebeu -pouco mais de 7 milhões de votos ( 38,57%) contra 6,4 milhões (34,83%) para outro oposicionista, Martin Fayulu, e 4,4 milhões (23,84%) para o governista Emmanual Ramazani Sharady. Uma apuração paralela da conferência episcopal da Igreja Católica deu a vitória a Fayulu, abrindo a possibilidade de uma contestação e de violência nas ruas.

O resultado alimenta a suspeita de um acordo espúrio entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila.

Se a vitória de Tshisekedi for confirmada e não houver uma reação violenta, será a primeira transição pacífica de governo desde que o Congo se tornou independente da Bélgica, em 1960, sob a liderança de Patrice Lumumba.

Aliado da União Soviética em plena Guerra Fria, Lumumba foi preso e assassinado no início de 1961 numa conspiração articulada pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, que levou ao poder Joseph Mobutu, ex-sargento do exército colonial belga, na Primeira Guerra Civil Congolesa (1960-64).

O presidente eleito nasceu em 13 de junho de 1963 em Kinshasa, a capital do antigo Congo Belga. É filho de Étienne Tshisekedi, que foi três vezes primeiro-ministro do ditador Joseph Mobutu, em 1991, 1992-93 e 1997, quando o país se chamava Zaire, mas também foi um dos poucos políticos a desafiar Mobutu.

A eleição presidencial foi realizada com dois anos de atraso. O mandato do presidente Joseph Kabila terminava em dezembro de 2016.

A expectativa dos analistas internacionais era de uma grande fraude eleitoral para eleger o candidato governista Sharady, especialmente depois do adiamento da divulgação dos resultados oficiais, inicialmente prevista para domingo. Com a surpreendente vitória de Tshisekedi, a suspeita permanece.

Joseph Kabila ocupava o cargo desde 2001, quando sucedeu ao pai, o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou ao lado do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara nos anos 1960s e resistiu, refugiado nas Montanhas da Lua, até derrubar Mobutu, em 1997.

A queda de Kabila deflagrou uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2003), com a participação de seis exércitos nacionais (República Democrática do Congo, República do Congo, Angola, Chade, Ruanda e Zimbábue) e centenas de grupos irregulares. Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra.

Riquíssimo em minerais, o Congo tem as maiores reservas mundiais de cobalto, 3,5 milhões de toneladas, quase três vezes mais do que a Austrália, que vem em segundo lugar. Este elemento químico é fundamental para a fabricação de baterias recarregáveis, que serão cada vez mais importante quanto mais carros elétricos entrarem em circulação.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Congo adia anúncio do resultado da eleição presidencial

As autoridades da República Democrática do Congo, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, atrasaram a divulgação do resultado da eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018, prevista para hoje. O diretor da comissão eleitoral alegou ter recebido menos da metade dos sufrágios. O anúncio oficial deve sair durante a semana.

O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.

A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.

O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome

Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.

Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.

Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.

O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.

Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.

Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.

Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.