As autoridades da República Democrática do Congo, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, atrasaram a divulgação do resultado da eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018, prevista para hoje. O diretor da comissão eleitoral alegou ter recebido menos da metade dos sufrágios. O anúncio oficial deve sair durante a semana.
O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.
A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.
O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome
Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.
Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.
Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.
O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.
Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.
Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Jean-Pierre Bemba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jean-Pierre Bemba. Mostrar todas as postagens
domingo, 6 de janeiro de 2019
Congo adia anúncio do resultado da eleição presidencial
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Ex-vice-presidente do Congo é julgado em Haia
O ex-vice-presidente da República Democrática do Congo Jean-Pierre Bemba negou hoje, na abertura de processo no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, responsabilidade por uma onda de violência sexual cometida por seus soldados na República Centro-Africana no início da década.
Na primeira audiência, Bemba se declarou inocente.
Mais de 700 vítimas participam do processo. Seus advogados alegam que elas continuam traumatizadas
Na primeira audiência, Bemba se declarou inocente.
Mais de 700 vítimas participam do processo. Seus advogados alegam que elas continuam traumatizadas
Assinar:
Postagens (Atom)