O principal candidato derrotado na eleição presidencial da República Democrática do Congo, Martin Fayulu, supostamente vítima de uma fraude maciça, voltou ontem a Kinshasa e prometeu liderar uma onda de manifestações de protesto para derrubar o presidente Félix Tshisekedi.
"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."
Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.
Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.
A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 29 de abril de 2019
domingo, 20 de janeiro de 2019
Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi
Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.
Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.
Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.
A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.
"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".
Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.
A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".
Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.
Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.
A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.
"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".
Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.
A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Martin Fayulu contesta resultado da eleição presidencial no Congo
O candidato oposicionista Martin Fayulu declarou hoje ter vencido a eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018 na República Democrática do Congo, contestando o resultado oficial divulgado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), que deu a vitória ao também oposicionista Félix Tshisekedi. Há forte suspeita de um acordo entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila para fraudar a eleição.
Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.
A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.
A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.
Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.
A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.
A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.
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domingo, 6 de janeiro de 2019
Congo adia anúncio do resultado da eleição presidencial
As autoridades da República Democrática do Congo, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, atrasaram a divulgação do resultado da eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018, prevista para hoje. O diretor da comissão eleitoral alegou ter recebido menos da metade dos sufrágios. O anúncio oficial deve sair durante a semana.
O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.
A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.
O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome
Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.
Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.
Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.
O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.
Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.
Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.
O atraso e as inúmeras denúncias de irregularidades e manipulações do governista Partido Popular pela Reconstrução e a Democracia (PPRD) indicam uma tentativa de fraude eleitoral do grupo dominante. Isso pode deflagrar uma onda de violência, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2006 e 2011, e manchar a legitimidade do presidente eleito.
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) declarou domingo à noite que escrutinou 53% dos votos, mas não poderia divulgar resultados provisórios e reclamou de "ameaças" de diplomatas de países ocidentais, noticiou o boletim de notícias Jeune Afrique.
A poderosa conferência episcopal da Igreja Católica, o chefe da missão da União Africana, a União Europeia e o Departamento de Estado americano pressionaram a CENI a apresentar resultados de acordo com a "verdade das urnas" e a "vontade do povo congolês". A coalizão governista Frente Comum pelo Congo (FCC), majoritária na Assembleia Nacional, denunciou a "atitude partidária" da Igreja.
O presidente Joseph Kabila está entregando o cargo depois de 17 anos no poder. Herdou a chefia do país do pai, Laurent Kabila, morto durante a guerra civil congolesa, também chamada de Primeira Guerra Mundial Africana por causa do envolvimento de vários exércitos nacionais e da mortes estimadas em 5,4 milhões, em combates, por doenças ou fome
Seu pai derrubara em 1997 o ditador Joseph Mobutu, no poder desde os anos 1960s, quando o líder histórico da independência do Congo Belga, Patrice Lumumba, foi assassinado em outra guerra civil brutal.
Joseph Kabila deveria ter deixado o cargo há dois, mas adiou a eleição presidencial prevista para 27 de novembro de 2016, alegando falta de dinheiro e de condições logísticas para realizar o pleito, primeiro por um ano e depois por dois anos.
Esta eleição deveria ter sido realizada em 23 de dezembro. Foi adiada por mais uma semana depois do incêndio de 8 mil urnas eletrônicas no escritório central da CENI, em Kinshasa, a capital deste grande país do centro da África.
O candidato oficial é Emmanuel Ramazani Shadary. Os principais candidatos da oposição são Félix Tshisekedi, da União pela Democracia e o Progresso Social (UDPS), e o deputado Martin Fayulu, da Dinâmica da Oposição Política Congolesa (DO). Este último recebeu o apoio de líderes oposicionistas como o ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o ex-governador da província de Katanga Moïse Katumbi.
Se a fraude for contestada na Justiça, será uma luta contra o domínio do presidente sobre as instituições do Congo.
Uma onda de violência pode levar a sanções das potências da Europa e da América do Norte ao Congo. Será uma oportunidade para a China aumentar sua presença no país, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou o envio 80 militares dos Estados Unidos ao Gabão para uma possível intervenção no Congo se houver violência política.
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