Apesar dos apelos da União Africana para uma recontagem dos votos, o Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou hoje a vitória de Félix Tshisekedi na eleição presidencial de 30 de dezembro. O oposicionista Martin Fayulu se declarou vencedor.
Filho de um ex-líder da oposição, Tshisekedi, de 55 anos, sucede ao presidente Joseph Kabila, que está no poder desde a morte do pai, Laurent Kabila, assassinado em 2001 durante a guerra civil congolesa. A suspeita é que o atual presidente tenha feito um acordo com o eleito para frustrar a eleição da Fayulu.
Uma apuração paralela feita pela Igreja Católica, com fiscais nas seções eleitorais, deu a vitória a Fayulu com cerca de 60% dos votos. Pela contagem oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Tshisekedi venceu com 38,5% dos votos contra 34,8% para Fayulu e 23% para Emmanuel Ramazani Shadary, o candidato governista.
A decisão dos nove juízes não surpreendeu. Eles são considerados aliados de Kabila, que estaria preocupado em manter seus negócios e evitar investigações sobre seu governo.
"Eu me considero o único presidente legítimo da RDC", afirmou Fayulu, acusado Tshisekedi de "total cumplicidade" com um "golpe eleitoral".
Seria a primeira transição pacífica e democrática neste grande país do centro da África desde a independência da Bélgica, em 30 de junho de 1960, com uma história marcada por guerras civis brutais.
A UA suspendeu o envio de uma missão ao Congo, mas a África do Sul reconheceu a decisão da Justiça e apelou "a todas as partes para que respeitem a decisão do Tribunal Constitucional".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 20 de janeiro de 2019
Tribunal Constitucional do Congo confirma eleição de Tshisekedi
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Martin Fayulu contesta resultado da eleição presidencial no Congo
O candidato oposicionista Martin Fayulu declarou hoje ter vencido a eleição presidencial de 30 de dezembro de 2018 na República Democrática do Congo, contestando o resultado oficial divulgado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), que deu a vitória ao também oposicionista Félix Tshisekedi. Há forte suspeita de um acordo entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila para fraudar a eleição.
Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.
A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.
A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.
Por uma contagem paralela feita pela Igreja Católica, Fayulu foi o vencedor com 60% dos votos. Ele convocou seus eleitores a rejeitar o resultado oficial e prometeu recorrer amanhã ao Tribunal Constitucional.
A eleição presidencial deveria ter sido realizada no fim de 2016, quando terminou o segundo mandato de Kabila. Foi adiada por dois anos sob a alegação de falta de segurança e de estrutura. A fraude pode deflagrar uma nova onda de violência, em vez da primeira transição pacífica e democrática desde a independência do antigo Congo Belga, em 1960.
A França, a Bélgica e o Vaticano fizeram um apelo às autoridades congolesas para que reconhecem o verdadeiro resultado das urnas.
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