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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Presidente de Angola demite comandante do Exército e chefe da espionagem

O presidente João Lourenço demitiu na segunda-feira, 23 de abril, mais de 20 oficiais, inclusive o comandante do Exército de Angola, general Geraldo Sachipengo, e o chefe do serviço de espionagem, André de Oliveira Sango, noticiou a Rádio e Televisão Portuguesa (RTP). 

É mais uma medida para afastar altos funcionários corruptos da era do ex-presidente José Eduardo dos Santos (1979-2017) e reafirmar o poder do general João Lourenço, eleito pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.

Antes de ser demitido, o comandante do Exército foi citado pelo Ministério Público numa investigação sobre fraudes na obtenção de uma linha de crédito internacional de US$ 50 bilhões. Também estão envolvidos José Filomeno dos Santos, filho do ex-presidente, e Válter Filipe da Silva, ex-presidente do Banco Central de Angola.

Antigo aliado de Santos, Oliveira Santos chefiava o serviço de espionagem há mais de dez anos.

Um dos primeiros alvos da campanha anticorrupção que o novo presidente usa para consolidar o poder foi a primeira filha. Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, presidia a companhia estatal de petróleo Sonangol.

Logo foi a vez do irmão. José Filomeno dos Santos chefiava o fundo soberano de Angola. Ambos foram demitidos e estão sendo processados por escândalos de corrupção. Isabel nega tudo. José Filomeno está colaborando com a procuradoria.

Em 2012, a construtora brasileira Odebrecht financiou a campanha de reeleição de José Eduardo dos Santos, no valor de US$ 50 milhões, de acordo com os depoimentos dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura na Operação Lava Jato.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Filho do presidente controla fundo estatal em Angola

Segundo maior país produtor de petróleo da África, Angola criou um fundo soberano bilionário para acabar com a miséria. Mas, num dos países mais corruptos do mundo, a direção foi entregue a José Filomeno de Sousa dos Santos, filho do ditador que desgoverna Angola desde 1979.

Depois de Isabel, também filha de José Eduardo dos Santos ser apontada como a primeira bilionária da África, Filomeno tem sua chance. Com US$ 5 bilhões de capital inicial e mais US$ 3,5 milhões por ano da renda do petróleo, ele promete modernizar a infraestrutura do país, arrasado por quatro décadas de guerra civil.

"Não acredito que não haja em Angola um indivíduo com mais capacidade técnica para gerenciar o fundo do que o filho do presidente", protestou o líder oposicionista Abel Chivukuvuku.

Também há críticas à escolha do Quantum Global Group, com sede na Suíça, para gerenciar as operações internacionais do fundo. Seu fundador, Jean-Claude Bastos de Morais, um angolano naturalizado suíço que assessora o presidente Santos.

"Como um fundo pode ser transparente quando escolhe uma empresa com estas conexões?", lamenta o ex-primeiro-ministro Marcolino Moro, que rompeu com o presidente angolano em 1996 acusando o governo de autoritarismo e corrupção.

A metade dos 18 milhões de habitantes de Angola vive na miséria. O país é o 19º mais corrupto do mundo numa lista de 176 países feita pela organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, com sede em Berlim, na Alemanha.

Nos últimos três anos, apesar do crescimento médio anual superior a 5%, Angola perdeu mais do que ganhou investimentos externos diretos, observa o jornal americano The Wall St. Journal.