A organização não governamental de combate à corrupção Transparência Internacional condenou hoje "nos termos mais fortes possíveis o presidente Jimmy Morales por expulsar do país a Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (Cicig)" e fez um apelo à Corte Suprema guatemalteca para anular a decisão.
Desde 2012, a comissão, patrocinada pelas Nações Unidas, colabora com as autoridades da Guatemala, sendo responsável por vários processos de corrupção do mais alto nível. Seus inquérito levaram à queda do ex-presidente Otto Pérez Molina e da ex-vice-presidente Roxana Baldetti.
Morales, um humorista conservador e evangélico, um Tiritica guatemalteco, se elegeu em outubro de 2015 fazendo campanha contra os políticos e partidos tradicionais. Hoje é investigado. O Ministério da Justiça alegou que a comissão ultrapassou seu mandato em "detrimento" da soberania nacional.
No domingo, o colombiano Yilen Osorio, representante da comissão, foi detido no aeroporto da Cidade da Guatemala e impedido de entrar no país. Depois de forte pressão interna e externa, o governo autorizou sua entrada. Mas, na segunda-feira, Morales rompeu o acordo com a ONU e deu 24 horas para os funcionários da Cicig deixarem o país.
A medida foi considerada inconstitucional e repudiada pelo secretário-geral da ONU, o português António Guterres. O mandato só pode ser encerrado por determinação da ONU. A Transparência e a ONG Ação Cidadã apelaram ontem ao Tribunal Constitucional, que deu amparo aos recursos, noticiou o jornal Prensa Libre.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Guatemala expulsa comissão internacional que investigava corrupção
sábado, 3 de dezembro de 2016
Força-tarefa da Lava Jato ganha Prêmio Anticorrupção 2016
A Força-Tarefa da Operação Lava Jato recebeu hoje o Prêmio Anticorrupção 2016, concedido pela organização não governamental de combate à corrupção Transparência Internacional. A investigação sobre lavagem de dinheiro desvendou um megaescândalo de corrupção na Petrobrás e em outras empresas estatais.
Desde 2014, os procuradores federais estão na linha de frente das investigações sobre um dos maiores escândalos de corrupção no mundo inteiro. Foram mais de 240 denúncias que levaram a 118 condenações somando 1.256 anos de prisão, inclusive de membros da elite política e econômica, justifica a Transparência.
"Bilhões de dólares foram perdidos com a corrupção no Brasil. Os brasileiros estão fartos com a corrupção que está arrasando seu país. A Força-Tarefa da Operação Lava Jato está fazendo um grande trabalho para garantir que os corruptos, não importa quão poderosos sejam, sejam responsabilizados e que seja feita justiça", declarou a presidente do Comitê do Prêmio Anticorrupção da Transparência Internacional, Mercedes de Freitas.
E acrescentou: "Temos a satisfação de dar aos procuradores brasileiros da Força-Tarefa da Lava Jato o Prêmio Anticorrupção de 2016 por seu esforço incansável para acabar com a corrupção endêmica no Brasil."
Desde 2014, os procuradores federais estão na linha de frente das investigações sobre um dos maiores escândalos de corrupção no mundo inteiro. Foram mais de 240 denúncias que levaram a 118 condenações somando 1.256 anos de prisão, inclusive de membros da elite política e econômica, justifica a Transparência.
"Bilhões de dólares foram perdidos com a corrupção no Brasil. Os brasileiros estão fartos com a corrupção que está arrasando seu país. A Força-Tarefa da Operação Lava Jato está fazendo um grande trabalho para garantir que os corruptos, não importa quão poderosos sejam, sejam responsabilizados e que seja feita justiça", declarou a presidente do Comitê do Prêmio Anticorrupção da Transparência Internacional, Mercedes de Freitas.
E acrescentou: "Temos a satisfação de dar aos procuradores brasileiros da Força-Tarefa da Lava Jato o Prêmio Anticorrupção de 2016 por seu esforço incansável para acabar com a corrupção endêmica no Brasil."
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Corrupção nos emergentes inquieta Transparência Internacional
As potências econômicas emergentes, especialmente o Brasil e a Malásia, preocupam a organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, que divulgou hoje seu relatório anual sobre a percepção de corrupção no mundo, informou a Agência France Presse (AFP).
Mais de 6 bilhões de pessoas vivem em países com governos corruptos, 68% do total, que perdem US$ 1 trilhão por ano para a corrupção.
"Todos os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apontados como novas promessas da economia mundial, são preocupantes, com pontuação abaixo de 50 no nosso ranking", declarou em Berlim a diretora de pesquisas da ONG, Robin Hodess.
O Brasil caiu cinco pontos e sete posições, a maior queda. É o 76º país menos corrupto do mundo. Está atrás da África do Sul (61º), ao lado da Índia e à frente da China (83º) e da Rússia (119º).
A lista dos mais honestos é liderada por três países escandinavos: Dinamarca, Finlândia e Suécia. Os mais corruptos são a Coreia do Norte e a Somália, seguidos pelo Afeganistão e o Sudão.
Como é impossível avaliar a corrupção em termos de recursos públicos desviados, o relatório examina a percepção de corrupção por quem faz negócios nos países.
Assim, os escândalos do Mensalão e do Petrolão aumentaram a percepção de corrupção no Brasil. Tiveram "um impacto fenomenal", admite Hodess. Mas a corrupção se tornou mais visível justamente por estar sendo combatida. A expectativa é que as instituições brasileiras saiam fortalecidas.
O Brasil está na frente do México (95º), onde as instituições estão sob a ameaça da guerra do tráfico. Em várias cidades do interior do país, prefeitos foram assassinados pelo crime organizado. O traficante mais procurado do país, Joaquín El Chapo Guzmán, fugiu da prisão com ajuda de funcionários públicos e foi alvo de uma grande e custosa caçada para ser recapturado.
Mais de 6 bilhões de pessoas vivem em países com governos corruptos, 68% do total, que perdem US$ 1 trilhão por ano para a corrupção.
"Todos os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apontados como novas promessas da economia mundial, são preocupantes, com pontuação abaixo de 50 no nosso ranking", declarou em Berlim a diretora de pesquisas da ONG, Robin Hodess.
O Brasil caiu cinco pontos e sete posições, a maior queda. É o 76º país menos corrupto do mundo. Está atrás da África do Sul (61º), ao lado da Índia e à frente da China (83º) e da Rússia (119º).
A lista dos mais honestos é liderada por três países escandinavos: Dinamarca, Finlândia e Suécia. Os mais corruptos são a Coreia do Norte e a Somália, seguidos pelo Afeganistão e o Sudão.
Como é impossível avaliar a corrupção em termos de recursos públicos desviados, o relatório examina a percepção de corrupção por quem faz negócios nos países.
Assim, os escândalos do Mensalão e do Petrolão aumentaram a percepção de corrupção no Brasil. Tiveram "um impacto fenomenal", admite Hodess. Mas a corrupção se tornou mais visível justamente por estar sendo combatida. A expectativa é que as instituições brasileiras saiam fortalecidas.
O Brasil está na frente do México (95º), onde as instituições estão sob a ameaça da guerra do tráfico. Em várias cidades do interior do país, prefeitos foram assassinados pelo crime organizado. O traficante mais procurado do país, Joaquín El Chapo Guzmán, fugiu da prisão com ajuda de funcionários públicos e foi alvo de uma grande e custosa caçada para ser recapturado.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Filho do presidente controla fundo estatal em Angola
Segundo maior país produtor de petróleo da África, Angola criou um fundo soberano bilionário para acabar com a miséria. Mas, num dos países mais corruptos do mundo, a direção foi entregue a José Filomeno de Sousa dos Santos, filho do ditador que desgoverna Angola desde 1979.
Depois de Isabel, também filha de José Eduardo dos Santos ser apontada como a primeira bilionária da África, Filomeno tem sua chance. Com US$ 5 bilhões de capital inicial e mais US$ 3,5 milhões por ano da renda do petróleo, ele promete modernizar a infraestrutura do país, arrasado por quatro décadas de guerra civil.
"Não acredito que não haja em Angola um indivíduo com mais capacidade técnica para gerenciar o fundo do que o filho do presidente", protestou o líder oposicionista Abel Chivukuvuku.
Também há críticas à escolha do Quantum Global Group, com sede na Suíça, para gerenciar as operações internacionais do fundo. Seu fundador, Jean-Claude Bastos de Morais, um angolano naturalizado suíço que assessora o presidente Santos.
"Como um fundo pode ser transparente quando escolhe uma empresa com estas conexões?", lamenta o ex-primeiro-ministro Marcolino Moro, que rompeu com o presidente angolano em 1996 acusando o governo de autoritarismo e corrupção.
A metade dos 18 milhões de habitantes de Angola vive na miséria. O país é o 19º mais corrupto do mundo numa lista de 176 países feita pela organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, com sede em Berlim, na Alemanha.
Nos últimos três anos, apesar do crescimento médio anual superior a 5%, Angola perdeu mais do que ganhou investimentos externos diretos, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
Depois de Isabel, também filha de José Eduardo dos Santos ser apontada como a primeira bilionária da África, Filomeno tem sua chance. Com US$ 5 bilhões de capital inicial e mais US$ 3,5 milhões por ano da renda do petróleo, ele promete modernizar a infraestrutura do país, arrasado por quatro décadas de guerra civil.
"Não acredito que não haja em Angola um indivíduo com mais capacidade técnica para gerenciar o fundo do que o filho do presidente", protestou o líder oposicionista Abel Chivukuvuku.
Também há críticas à escolha do Quantum Global Group, com sede na Suíça, para gerenciar as operações internacionais do fundo. Seu fundador, Jean-Claude Bastos de Morais, um angolano naturalizado suíço que assessora o presidente Santos.
"Como um fundo pode ser transparente quando escolhe uma empresa com estas conexões?", lamenta o ex-primeiro-ministro Marcolino Moro, que rompeu com o presidente angolano em 1996 acusando o governo de autoritarismo e corrupção.
A metade dos 18 milhões de habitantes de Angola vive na miséria. O país é o 19º mais corrupto do mundo numa lista de 176 países feita pela organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, com sede em Berlim, na Alemanha.
Nos últimos três anos, apesar do crescimento médio anual superior a 5%, Angola perdeu mais do que ganhou investimentos externos diretos, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Uma em quatro pessoas subornou alguém
• Uma em cada quatro pessoas no mundo subornou alguém no ano passado.
• Cerca de 29% admitiram ter subornado a polícia.
• Oito em dez acham os partidos políticos corruptos.
• Seis em dez acreditam que a corrupção aumentou nos últimos três anos.
As revelação são do Barômetro da Corrupção Global 2010, publicado pela Transparência Internacional, uma organização não governamental dedicada a combater a corrupção.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
EUA caem no ranking da corrupção
Os Estados Unidos, país mais rico do mundo, caíram do 19º para o 22º lugar no ranking de Transparência Internacional, uma organização não governamental com sede na Alemanha dedicada a combater a corrupção. É a primeira que não fica entre os 20 países mais honestos, por causa dos escândalos financeiros em Wall Street.
Com nota 9,3, a Dinamarca, a Nova Zelândia e Cingapura foram considerados os países menos corruptos do mundo. Os piores foram Somália, Mianmar e Afeganistão, e Iraque.
Quase 75% dos 178 examinados, inclusive o Brasil, são considerados “altamente corruptos”.
O Brasil levou nota 3,7. Subiu seis posições, mas ficou em 69º, atrás de Ruanda, Namíbia, África do Sul e Botsuana. Mesmo assim, foi o melhor entre os grandes emergentes chamados de BRIC. A China foi o 78º, a Índia o 87º e a Rússia, a pior entre as potências mundiais, em 154º.
Na América Latina, o melhor colocado foi o Chile, em 21º lugar, um à frente dos EUA. O Uruguai também superou o Brasil.
O Brasil levou nota 3,7. Subiu seis posições, mas ficou em 69º, atrás de Ruanda, Namíbia, África do Sul e Botsuana. Mesmo assim, foi o melhor entre os grandes emergentes chamados de BRIC. A China foi o 78º, a Índia o 87º e a Rússia, a pior entre as potências mundiais, em 154º.
Na América Latina, o melhor colocado foi o Chile, em 21º lugar, um à frente dos EUA. O Uruguai também superou o Brasil.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Junta ataca manifestantes em Mianmar
Pelo menos cinco pessoas foram mortas hoje em Yangum, a maior cidade capital do país, quando a polícia atirou para dispersar os manifestantes. No nono dia de manifestações de rua contra a ditadura militar que governa o país desde 1962 e nada mais fez do que subdesenvolver o país.
Mianmar ocupa o último lugar no ranking da organização Transparência Internacional, como um dos países mais corruptos do mundo. Há uma divisão mafiosa do poder entre os generais.
Mianmar ocupa o último lugar no ranking da organização Transparência Internacional, como um dos países mais corruptos do mundo. Há uma divisão mafiosa do poder entre os generais.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Venezuela de Chávez mergulha na corrupção
A falta de controle sobre o orçamento público, a existência de orçamentos públicos paralelos, as malas de petrodólares e a obscuridade até mesmo das contas do Banco Central tornam a Venezuela o segundo país mais corrupto da América Latina, depois do Haiti, na avaliação da organização não-governamental de combate à corrupção Transparência Internacional (TI).
Na Venezuela, constata reportagem do jornal francês Le Monde, economia informal não significa apenas uma relação de trabalho precária, camelotagem ou microempresas que não se registram para não pagar impostos. Nos últimos quatro anos, Chávez multiplicou os orçamentos paralelos que se nutrem dos petrodólares da companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA), que financiou até a escola campeã do carnaval carioca do ano passado.
"O Fonden (Fundo de Desenvolvimento Nacional) é um objeto financeiro não-identificado, um OFNI, um cofre enorme cujo uso depende exclusivamente do presidente e do ministro das Finanças", observa um diplomata estrangeiro.
De um orçamento público nacional de cerca de US$ 60 bilhões, o Fonden e outros fundos semelhantes ficam com US$ 22 bilhões, admite o ministro das Finanças, Nelson Merentes.
"O Fonden não tem regras conhecidas nem a obrigação de publicar balanços", assinala o economista Fernando Vivancos. "Isso provoca corrupção". Os pagamentos de diversos programas sociais são feitos em espécie, com dinheiro vivo.
Para o jornalista Eleazar Diaz Rangel, diretor do jornal Ultimas Noticias, que apóia Chávez, "um organismo como o Fonden estimula a corrupção".
Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, "a Venezuela estava entre os países mais corruptos da América Latina, ao nível do Paraguai, da Nicarágua e do Paraguai", afirma Mercedes de Freitas, diretora da Transparência na Venezuela. "Agora, a barômetro da corrupção da TI a coloca abaixo apenas do Haiti".
"A corrupção atingiu níveis sem precedentes", declara ao Monde o ex-deputado Felipe Mujica, do Movimento ao Socialismo (MAS), que apoiou Chávez na primeira eleição, em 1998. "O favoritismo generalizado e o enriquecimento dos altos funcionários criou uma nova elite chavista. A corrupção vem da maneira de governar de Chávez. A execução do orçamento e a administração não são controlados. Ele dispõe de maneira discricionária dos recursos da PdVSA, que transformou na sua caixa preta. As reservas do Banco Central foram arbitrariamente limitadas a US$ 30 bilhões. O excedente, de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões, foi colocado à disposição do presidente".
Neste ambiente rico em petrodólares sem controles nem oposição parlamentar - os aliados do presidente conquistaram todas as cadeiras da Assembléia Nacional nas eleições de 2005, boicotadas pela oposição -, os gastos públicos batem recordes, assim como a importação de bens de consumo de luxo.
Como piada, fala-se em Caracas na construção de um 'uisqueduto' para facilitar as importações da bebida da Escócia, ironizando a proposta chavista de fazer um gasoduto de US$ 30 bilhões ligando Venezuela-Brasil-Argentina.
"A corrupção era endêmica antes de Chávez", reconhece o ex-guerrilheiro e ex-ministro Teodoro Petkoff, hoje diretor do jornal de oposição Tal Cual. "A Venezuela é um petro-estado como a Nigéria ou a Arábia Saudita. Mas Chávez duplicou o número de ministérios, que seguido se superpõe, e multiplicou o número de órgãos públicos fora de qualquer controle. O orçamento dos programas sociais e opaco e sua execução clientelista".
Na opinião do Monde, a corrupção atinge todos escalões da máquina do Estado e todos os setores da sociedade venezuelana. Tirar um passaporte em 24 horas pode custar US$ 300 de propina. Os subornos pagos por debaixo da mesa são chamados de "sobrepreço".
Mercedes de Freitas, diretora da Transparência, ressalva que "a corrupção um traço congênito dos venezuelanos. O problema é a fraqueza das instituições. Cooperamos na prevenção com prefeituras de todas as tendências políticas. Acima delas, as portas estão fechadas. Apenas 15% dos contratos públicos são registrados. Entre eles, 95% são feitos sem licitação, sob o pretexto de urgência. As possibilidades de concussão [extorsão ou peculado cometido por funcionários público no exercício de sua função] se multiplicam."
Este mar de lama atinge diretamente a PdVSA. Pela primeira vez desde a nacionalização do petróleo em 1976, a estatal não divulga seus resultados nem balanços trimestrais, semestrais e anuais. O ministro da Energia, Rafael Ramírez, um chavista, acumula a presidência da PdVSA, que perdeu toda a autonomia depois de desafiar Chávez com uma greve no final de 2002 e início de 2003.
O vice-presidente José Vicente Rangel, outro ex-guerrilheiro, alega que "a corrupção começou com Colombo. Nunca foi tão combatida quanto hoje", afirmou, chamando as denúncias de "fogos de artifício da oposição": "Como o candidato da oposição, Manuel Rosales, governador do estado de Zulia, enriqueceu? Por que ninguém fala da corrupção no setor privado? Há muita hipocrisia nas denúncias da imprensa."
"Atacar a reputação de funcionários" pode dar até três anos de cadeia. A jornalista Ibeyise Pacheco foi condenada a nove meses por difamar um coronel. Mas, conclui Le Monde, ninguém foi condenado pela campanha anticorrupção prometida por Chávez.
Na Venezuela, constata reportagem do jornal francês Le Monde, economia informal não significa apenas uma relação de trabalho precária, camelotagem ou microempresas que não se registram para não pagar impostos. Nos últimos quatro anos, Chávez multiplicou os orçamentos paralelos que se nutrem dos petrodólares da companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA), que financiou até a escola campeã do carnaval carioca do ano passado.
"O Fonden (Fundo de Desenvolvimento Nacional) é um objeto financeiro não-identificado, um OFNI, um cofre enorme cujo uso depende exclusivamente do presidente e do ministro das Finanças", observa um diplomata estrangeiro.
De um orçamento público nacional de cerca de US$ 60 bilhões, o Fonden e outros fundos semelhantes ficam com US$ 22 bilhões, admite o ministro das Finanças, Nelson Merentes.
"O Fonden não tem regras conhecidas nem a obrigação de publicar balanços", assinala o economista Fernando Vivancos. "Isso provoca corrupção". Os pagamentos de diversos programas sociais são feitos em espécie, com dinheiro vivo.
Para o jornalista Eleazar Diaz Rangel, diretor do jornal Ultimas Noticias, que apóia Chávez, "um organismo como o Fonden estimula a corrupção".
Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, "a Venezuela estava entre os países mais corruptos da América Latina, ao nível do Paraguai, da Nicarágua e do Paraguai", afirma Mercedes de Freitas, diretora da Transparência na Venezuela. "Agora, a barômetro da corrupção da TI a coloca abaixo apenas do Haiti".
"A corrupção atingiu níveis sem precedentes", declara ao Monde o ex-deputado Felipe Mujica, do Movimento ao Socialismo (MAS), que apoiou Chávez na primeira eleição, em 1998. "O favoritismo generalizado e o enriquecimento dos altos funcionários criou uma nova elite chavista. A corrupção vem da maneira de governar de Chávez. A execução do orçamento e a administração não são controlados. Ele dispõe de maneira discricionária dos recursos da PdVSA, que transformou na sua caixa preta. As reservas do Banco Central foram arbitrariamente limitadas a US$ 30 bilhões. O excedente, de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões, foi colocado à disposição do presidente".
Neste ambiente rico em petrodólares sem controles nem oposição parlamentar - os aliados do presidente conquistaram todas as cadeiras da Assembléia Nacional nas eleições de 2005, boicotadas pela oposição -, os gastos públicos batem recordes, assim como a importação de bens de consumo de luxo.
Como piada, fala-se em Caracas na construção de um 'uisqueduto' para facilitar as importações da bebida da Escócia, ironizando a proposta chavista de fazer um gasoduto de US$ 30 bilhões ligando Venezuela-Brasil-Argentina.
"A corrupção era endêmica antes de Chávez", reconhece o ex-guerrilheiro e ex-ministro Teodoro Petkoff, hoje diretor do jornal de oposição Tal Cual. "A Venezuela é um petro-estado como a Nigéria ou a Arábia Saudita. Mas Chávez duplicou o número de ministérios, que seguido se superpõe, e multiplicou o número de órgãos públicos fora de qualquer controle. O orçamento dos programas sociais e opaco e sua execução clientelista".
Na opinião do Monde, a corrupção atinge todos escalões da máquina do Estado e todos os setores da sociedade venezuelana. Tirar um passaporte em 24 horas pode custar US$ 300 de propina. Os subornos pagos por debaixo da mesa são chamados de "sobrepreço".
Mercedes de Freitas, diretora da Transparência, ressalva que "a corrupção um traço congênito dos venezuelanos. O problema é a fraqueza das instituições. Cooperamos na prevenção com prefeituras de todas as tendências políticas. Acima delas, as portas estão fechadas. Apenas 15% dos contratos públicos são registrados. Entre eles, 95% são feitos sem licitação, sob o pretexto de urgência. As possibilidades de concussão [extorsão ou peculado cometido por funcionários público no exercício de sua função] se multiplicam."
Este mar de lama atinge diretamente a PdVSA. Pela primeira vez desde a nacionalização do petróleo em 1976, a estatal não divulga seus resultados nem balanços trimestrais, semestrais e anuais. O ministro da Energia, Rafael Ramírez, um chavista, acumula a presidência da PdVSA, que perdeu toda a autonomia depois de desafiar Chávez com uma greve no final de 2002 e início de 2003.
O vice-presidente José Vicente Rangel, outro ex-guerrilheiro, alega que "a corrupção começou com Colombo. Nunca foi tão combatida quanto hoje", afirmou, chamando as denúncias de "fogos de artifício da oposição": "Como o candidato da oposição, Manuel Rosales, governador do estado de Zulia, enriqueceu? Por que ninguém fala da corrupção no setor privado? Há muita hipocrisia nas denúncias da imprensa."
"Atacar a reputação de funcionários" pode dar até três anos de cadeia. A jornalista Ibeyise Pacheco foi condenada a nove meses por difamar um coronel. Mas, conclui Le Monde, ninguém foi condenado pela campanha anticorrupção prometida por Chávez.
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