Mostrando postagens com marcador Kadafi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kadafi. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Estado Islâmico ataca sede da comissão eleitoral da Líbia

A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade por um ataque em que terroristas suicidas e atiradores atacaram a sede central da comissão eleitoral da Líbia, em Trípoli, a capital do país. Pelo menos 11 pessoas foram mortas e o prédio foi incendiado, noticiou hoje a agência Reuters.

O ataque é mais uma tentativa de tentar impedir a organização de eleições a serem realizadas até o fim do ano como parte do esforço das Nações Unidas para criar um governo nacional capaz de unir, estabilizar e pacificar a Síria depois de anos de anarquia.

Sete anos depois da revolução e queda da ditadura de 42 anos do coronel Muamar Kadafi, com intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, três governos provisórios disputam o poder.

A Câmara dos Deputados com sede em Tobruk e seu governo, liderado pelo primeiro-ministro Abdullah al-Thani, é o principal órgão legislativo do Acordo Político Líbio. Mas seu controle é limitado, assim como de seu aliado, o general Khalifa Hifter, comandante do autoproclamado Exército Nacional da Líbia, fundado há quatro anos.

Com quartel-general em Bengázi, no Leste do país, este exército não conseguiu avanços importante no Oeste nos últimos 12 meses.

No Oeste da Líbia, onde fica a capital, Trípoli, o poder está nas mãos do Governo do Acordo Nacional e seu conselho presidencial, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Serraj, reconhecido pela ONU como o governo oficial da Líbia. Mas o poder de fato está com as milícias de Trípoli, Zintã, Missurata e outras cidades. Elas sabem que o Exército Nacional não tem força para assumir o controle do país inteiro.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Atentado terrorista contra mesquita mata 235 pessoas no Egito

Pelo menos 235 foram mortas e outras 130 saíram feridas do pior atentado terrorista da história moderna do Egito, cometido numa mesquita da Península do Sinai. As principais suspeitas recaem sobre a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O ditador Abdel Fattah al-Sissi prometeu uma "resposta brutal".

Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado até agora, mas as características apontam para o Estado Islâmico. Os terroristas eram cerca de 30. Eles explodiram duas bombas dentro da mesquita e metralharam quem tentava fugir da mesquita da cidade Ber al-Abed, que fica a 40 quilômetros a oeste de Alarixe, a capital e maior cidade da província do Sinai do Norte.

Até ambulâncias que socorriam os feridos foram baleadas. Há cinco anos há grupos jihadistas em atividade na região. Há dois anos, o grupo Ansar Beit al Makdis passou a se chamar de Província do Sinai do Estado Islâmico.

Houve vários atentados terroristas no Sinai desde 2013, mas os principais alvos eram cristãos coptas, que são cerca de 10% da população egípcia. O mais famoso foi a derrubada de um avião da empresa russa Metrojet que ia de Charm al-Cheikh, no Egito, para São Petersburgo, na Rússia, em 31 de outubro de 2015, um mês depois do início da intervenção russa na guerra civil da Síria. Todas as 22 pessoas a bordo morreram.

No mês passado, o Estado Islâmico assaltou um banco em Alarixe e realizou dois ataque fatais. Pelo menos 16 policiais morreram num ataque a um esconderijo dos terroristas no Deserto do Saara, a sudoeste do Cairo.

Desta vez, o alvo foi mesquita era sufista, uma corrente mística do Islã que os jihadistas consideram uma versão degenerada e herética porque seus rituais têm cantos e danças.

O wahabismo, a versão ultrapuritana do islamismo pregada oficialmente e exportada pela Arábia Saudita, surgiu no século 18, quando Mohamed Wahab tentou revigorar e purificar a religião voltando a suas raízes do século 7, na época do profeta Maomé.

Seus seguidores se intitulam salafistas, de salaf (predecessores pios), as três primeiras gerações de muçulmanos, que tomam como exemplo. O salafismo é a ideologia dos terroristas muçulmanos sunitas.

A matança aumenta a pressão sobre o marechal Al-Sissi, que tomou o poder num golpe de Estado em 3 de julho de 2013, derrubando o governo da Irmandade Muçulmana e o primeiro e único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, com a promessa de erradicar o terrorismo.

Durante o governo da Irmandade Muçulmana, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino, que domina a Faixa de Gaza, aproveitou da situação para aumentar o contrabando de armas e outras mercadorias. Depois do golpe, Al-Sissi combateu os milicianos jihadistas no Sinai e isolou Gaza, ajudando Israel na guerra de 2014 contra o Hamas.

No momento, o Egito articula a reconciliação entre o Hamas e a Fatah (Luta), que controla a Autoridade Nacional Palestina. Tinha planejado abrir a fronteira entre o Egito e Gaza durante quatro dias no mês passado. Cancelou a abertura diante dos sucessivos ataques terroristas no Sinai.

"Este ato odioso, que reflete a desumanidade de quem o perpetrou, não vai passar sem uma punição firme e definitiva", afirmou o ditador, que decretou luto oficial por três e convocou o conselho de segurança nacional para preparar a resposta.

Se realmente foi o Estado Islâmico, é mais um sinal de que, com a perda do território do califado proclamado em 2014, o grupo regride a uma organização terrorista clandestino. Sem condições de lutar em campo aberto e de conquistar e manter territórios, o Estado Islâmico prova que está vivo cometendo atentados brutais, uma tendência observada pelo menos desde os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris.

No início do mês, o marechal-presidente havia advertido que os milicianos do Estado Islâmico que estão fugindo do Iraque e da Síria chegariam ao Egito através da Líbia, que vive numa situação de anarquia, sem governo estável, desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

O Egito está virando um Afeganistão, um país em guerra permanente.

NOTA: No dia seguinte, o total de mortos subiu para 305.

sábado, 3 de outubro de 2015

Estado Islâmico ataca um dos principais portos da Líbia

Milicianos ligados à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante atacou o porto de Sider, um dos principais terminais de exportação de petróleo da Líbia, noticiou ontem a televisão saudita Al Arabiya.

O Estado Islâmico tem ocupado espaço na Líbia, onde milícias e dois governos paralelos disputam o poder depois da queda da ditadura de Muamar Kadafi em 2011.

O porto estava em poder do governo internacionalmente reconhecido, mas não funcionava desde dezembro por causa do conflito interno. Este governo, com sede na cidade de Tobruk, tenta assumir o controle da Líbia, mas no momento as atenções da sociedade internacional estão voltadas para a guerra civil na Síria.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Estado Islâmico ocupa rádio na Líbia

Atiradores afiliados ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante tomaram uma rádio na cidade de Sirte, na Líbia, informou hoje a Agência France Presse (AFP), e divulgaram na Internet fotos de homens armados com fuzis de guerra Kalachnikov diante dos microfones.

Os terroristas estão lendo no ar versos do Corão e discursos do líder do grupo, Abu Baker al-Baghdadi. De acordo com um funcionário municipal, os milicianos instalaram seu quartel-general no centro da cidade.

As milícias Ansar al-Charia, que atacou o Consulado Americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, e outras afiliadas ao Amanhecer na Líbia também são atuantes na cidade, terra natal do ex-ditador Muamar Kadafi, deposto na chamada Primavera Árabe, em 2011. Desde então, a Líbia vive em estado de anarquia.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

França não está pronta para intervir na Líbia, diz Hollande

A França não vai intervir militarmente sozinha na Líbia para impedir uma guerra civil generalizada entre milícias extremistas muçulmanas e grupos armados não religiosos que disputam o poder desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, declarou o presidente François Hollande, citado pela agência de notícias oficial do Kuwait.

Na visão de Hollande, a situação na Líbia se deteriorou porque depois da intervenção militar autorizada pelas Nações Unidas para impedir que Kadafi massacrasse seu próprio povo não houve continuidade com uma missão de paz para reconstruir o país.

A Líbia tem hoje dois governos, um reconhecido internacionalmente, que se reúne em Tobruk, e o da aliança fundamentalista Amanhecer da Líbia, que controla a capital, Trípoli.

O presidente francês entende que o conflito deve ser resolvido pela ONU. Se houver um mandato internacional da ONU para intervir, Hollande promete examinar a possibilidade de participar.

A França tem mais de 3 mil soldados em países da região como Chade, Níger, Mali, Mauritânia e República Centro-Africana, que sofrem com rebeliões muçulmanas insufladas pelo aumento do tráfico de armas e mercenários com a guerra civil líbia.

domingo, 7 de dezembro de 2014

General Hifter será nomeado comandante do Exército da Líbia

A Câmara dos Deputados da Líbia, o parlamento reconhecido internacionalmente, vai indicar nos próximos dias o general Khalifa Hifter para comandante do Exército, informou a televisão pública britânica BBC.

Desde outubro de 2014, o general Hifter coordena as forças leais ao governo provisório nos combates contra milícias islamitas na capital, Trípoli, e na segunda maior cidade do país, Bengázi. Sob pressão dos jihadistas, os deputados fugiram da capital e se reúnem na cidade de Tobruk, enquanto o velho parlamento, leal às milícias islamitas, faz sessões na capital.

Desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, a Líbia não tem um governo estável. Kadafi desinstitucionalizou o país, colocando tudo sob seu controle. Por medo de golpes militares, não tinha nem Forças Armadas organizadas.

Com uma população pequena, de apenas 6,2 milhões de habitantes, e grandes jazidas de petróleo e gás natural, a Líbia tem tudo para ser um país rico. Primeiro, precisa reconstruir o Estado Nacional.

O prolongado conflito na Líbia aumentou o tráfico de armas no Norte da África, com reflexo sobre os países do Sahel, onde aumentou o terrorismo de grupos aliados ideologicamente à rede terrorista Al Caeda, na Nigéria, no Mali, na República Centro-Africana e na Somália. Agora, aliados do Estado Islâmico do Iraque e do Levante declararam que Derna é a primeira cidade líbia a aderir ao Califado.

Na semana passada, oficiais do Pentágono, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos manifestaram preocupação com a existência de centros de treinamento do Estado Islâmico no deserto da Líbia, onde pelo menos 200 jihadistas estariam sendo preparados para a "guerra santa" contra os infiéis - todos que não comungarem com sua versão extremada do Corão Sagrado.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Governo provisório da Líbia renuncia

O governo interino da Líbia, liderado pelo primeiro-ministro Abdullah al-Thani, pediu demissão coletivamente ontem, depois que o Congresso Nacional Geral, com sede na capital, Trípoli, nomeou um governo rival dominado por islamitas.

Por causa da violência na capital, o governo provisório estava instalado no Leste da Líbia. Há três, o Congresso Nacional Geral, que desde junho tinha sido oficialmente substituído por um novo parlamento, com sede em Tobruk, apontou Omar al-Hassi para formar um governo de "salvação nacional" islamita.

Na semana passada, as Forças Aéreas do Egito e dos Emiradores Árabes Unidos bombardearam milícia extremistas muçulmanas na Líbia, onde a situação é de virtual anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, há três anos.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Egito e EAU bombardearam milícias na Líbia

Em sua luta contra o islamismo político, as Forças Aéreas do Egito e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) atacaram milícias extremistas muçulmanas na Líbia pelo menos duas vezes nos últimos oito dias, surpreendendo os Estados Unidos, revelou ontem o jornal americano The New York Times.

Como as milícias jihadistas têm o apoio do Catar e da Turquia, e as secularistas da Arábia Saudita, do Egito e dos EAU, o bombardeio ameaça criar uma guerra indireta de potências regionais em território líbio.

Desde a queda há três anos do ditador Muamar Kadafi, que destruíra as instituições nacionais, a Líbia não tem um Exército, um Parlamento nem um governo que funcione. Milícias islamitas e secularistas lutam pelo poder.

Em junho, a milícia fundamentalista da cidade de Missurata atacou a milícia secularista da cidade de Zintan,  iniciando uma batalha pelo aeroporto de capital que destruiu a maioria dos aviões lá estacionados.

Apesar do bombardeio aéreo, no domingo, as milícias islamitas aliadas no movimento Amanhecer da Líbia anunciaram ter assumido o controle do aeroporto de Trípoli e de uma área de 100 quilômetros de raio ao redor da capital.

Os EAU divulgaram nota hoje declarando apoio aos dirigentes secularistas que venceram as eleições parlamentares. Mas os jihadistas anunciaram a intenção de formar seu próprio governo. O novo Parlamento denunciou as milícias do Amanhecer da Líbia como "grupos terroristas fora da lei".

Mais uma vez, a Líbia está à beira da guerra civil.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Câmara Municipal anuncia trégua em Trípoli

A Câmara Municipal de Trípoli, a capital da Líbia, anunciou hoje ter chegado a um acordo entre milícias rivais para um cessar-fogo de 24 horas na Batalha do Aeroporto. O maior objetivo é proteger os bombeiros que lutam contra um incêndio num depósito de combustível próximo.

Há três semanas, a milícia islamita da cidade de Missurata enfrenta um grupo armado secularista da cidade de Zintan. O conflito já se alastrou pelo país. Atingiu Bengázi, a segunda maior cidade líbia, e ameaça se transformar numa guerra civil nacional entre fundamentalistas muçulmanos e secularistas. Pelo menos cem pessoas morreram até agora.

Três anos depois da queda do ditador Muamar Kadafi, os rebeldes apoiados em 2011 pela força aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) brigam entre si. A União Europeia adverte que a Líbia está à beira da anarquia.

sábado, 22 de março de 2014

Líbia ataca milícias que ocupam terminais de petróleo

Tiros, artilharia aérea e explosões foram ouvidos hoje na cidade de Ajdábia quando o governo provisório da Líbia atacou milicianos que ocupam vários terminais petrolíferos em portos do país.

Em 12 de março de 2014, o governo deu um ultimato ao líder rebelde Ibrahim Jathran para suspender o bloqueio ou enfrentar uma ação militar.

A produção de petróleo da Líbia tem oscilado muito por causa da instabilidade política no país desde a queda do ditador Muamar Kadafi, há dois anos e meio, a fragilidade do governo central e a ação das milícias que participaram da guerra civil e até hoje não se submeteram às novas autoridades líbias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Milicianos sequestram e soltam primeiro-ministro líbio

O primeiro-ministro do governo provisório da Líbia, Ali Zeidan, foi libertado hoje depois de passar horas sequestrados por milicianos que invadiram o hotel onde ele mora em Trípoli, a capital do país.

Depois do sequestro, o Exército líbio levou os outros ministros para um lugar seguro e o governo fez uma reunião de emergência.

A ação revela a fragilidade do governo provisório e a instabilidade política da Líbia, onde milícias tribais conseguiram derrubar o ditador Muamar Kadafi há dois anos e dois meses, com o apoio de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a OTAN não invadiu a Líbia por terra, o poder ficou na mão de milícias que até hoje não entregaram as armas nem se submeteram à autoridade do governo provisório, sob a alegação de que precisam defender a revolução. Observadores internacionais já defendem o envio de uma força de paz da ONU para facilitar a transição para a democracia.

Os milicianos acusaram o primeiro-ministro de colaborar com os Estados Unidos na captura do líder terrorista Nazih Abdul-Hamed al-Rukai, mais conhecido como Abu Anas al-Libi, preso no fim de semana pelo comando Delta das Forças Armadas dos EUA, sob a acusação de organizar os atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 7 de agosto de 1998.

domingo, 5 de maio de 2013

Líbia bane ex-altos funcionários de Kadafi da vida pública

O Congresso Nacional Geral da Líbia aprovou hoje uma lei proibindo qualquer um que tenha ocupado um cargo importante durante a ditadura do coronel Muamar Kadafi de  trabalhar no novo regime.

A Lei de Isolamento foi foco de um grande debate na Líbia, onde as várias milícias que ajudaram a derrubar o ditador competem por influência no governo.

domingo, 28 de abril de 2013

Milicianos cercam Ministério do Exterior da Líbia

Com pelo menos 20 picapes, algumas armadas com baterias antiaéreas, fuzis AK-47 e rifles com mira telescópica, mais de 200 milicianos cercaram hoje o Ministério do Exterior da Líbia, em Trípoli, para exigir que os funcionários da ditadura de Muamar Kadafi, deposto e morto em 2011, sejam proibidos da trabalhar no novo regime, noticiou a rede árabe de telejornalismo Al Jazira.

Os milicianos bloquearam ruas próximas e desviaram o trânsito. Na era pós-Kadafi, a Líbia tem um governo central fraco que luta para controlar as milícias que ajudaram a derrubar o ditador e agora querem impor sua própria lei.

sábado, 20 de outubro de 2012

Ex-ministro da informação de Kadafi é preso

O último ministro de Informação da ditadura do coronel Muamar Kadafi, Moussa Ibrahim, foi preso hoje  pelo governo em Tarhuna, a 65 quilômetros ao sul da capital da Líbia.

"Moussa Ibrahim foi preso por forças governamentais e está sendo trazido para Trípoli para interrogatório", declarou o escritório do primeiro-ministro em nota oficial.

A revolução que acabou com 42 anos de ditadura de Kadafi foi a mais sangrenta da Primavera Árabe depois da guerra civil na Síria, que teria matado 34 mil pessoas desde 15 de março de 2011, pelos cálculos da oposição. Pelo menos 28 mil pessoas estariam desaparecidas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Kadafi morreu sendo caçado como um cachorro louco

Um dos grandes personagens da Guerra Fria, o coronel Muamar Kadafi desafiou o Ocidente, financiou o terrorismo e chegou a ser chamado de "cachorro louco" pelo presidente americano Ronald Reagan. Ele morreu como um cão, revela agora o relato mais completo de sua morte publicado até hoje.

O ditador fugiu da capital com dois filhos em 28 de agosto de 2011, três dias antes de completar 42 anos de um reinado absolutista na Líbia. Depois de meses de ofensiva, Trípoli caía em poder dos rebeldes.

Em menos de 24 horas de fuga, seu filho Khamis morreu, talvez num bombardeio aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Seu provável sucessor, Seif al-Islam, conseguiu escapar para Bani Walid, onde seria preso em novembro, conta o jornal The Washington Post, citando como fonte um relatório da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).

Depois de quatro décadas, o poder do clã se dissolvia rapidamente. O Post admite que a reportagem se baseia em depoimentos da milícia que matou Kadafi e de um assessor que o acompanhava e sobreviveu ao ataque final - o que torna impossível confirmar os detalhes. Mas afirma ser o relato mais completo até agora dos últimos dias da vida de um personagem da História do Século 20.

Kadafi chegou a Sirte, sua terra natal, uma cidade de 75 mil habitantes, observa o jornal americano, com um grupo de guarda-costas e um oficial do serviço secreto chamado Mansur Dhao. Hospedou-se num apartamento no centro. Lá o coronel em fuga recebeu o chefe do servico secreto, Abdullah Senussi, e o filho Mutassim Kadafi para discutir a guerra que estavam perdendo.

Mutassim, notório por sua crueldade, comandava a defesa de Sirte. Foi várias vezes discutir a situação com o pai.

Quando os rebeldes intensificaram o bombardeio, Kadafi deixou o centro e se refugiou num bairro do oeste de Sirte. O ditador que mandou bilhões de dólares do petróleo líbio para contas no exterior e seus guarda-costas invadiam casas abandonadas para procurar comida. Como o sistema de abastecimento de água também fora destruído, tinham sede.

Durante suas últimas semanas, "Kadafi passou a maior parte do tempo rezando e lendo o Corão", disse Dhao, o oficial de segurança.

Acuado, o coronel mudava de esconderijo a cada quatro ou cinco dias. Usava um telefone de satélite para falar com alguém que tivesse acesso à televisão e pudesse lhe dar informações sobre a guerra civil. Mas já não tinha mais influência sobre os acontecimentos.

À medida que o cerco se fechava e as condições de vida nos refúgios ficava pior, "Kadafi foi ficando mais e mais furioso. Ficava furioso principalmente pela falta de eletricidade, de comunicações e de uma televisão. Quando íamos falar com ele, perguntava sempre: 'Por que não há eletricidade? Por que não há água?'".

No fim, o bairro onde Kadafi se escondia foi transformado num enclave do que restava de seu governo, cercado por milícias que transformaram o hospital local num hospital de campanha. Mas a concentração de kadafistas atraiu a atenção dos rebeldes.

Em 19 de outubro de 2011, Mutassim apresentou ao pai um plano de fuga. Eles teriam de furar o cerco rebelde. À noite, os guarda-costas carregaram um comboio de 50 veículos, inclusive picapes com lançadores de mísseis e metralhadoras armadas na caçamba.

O plano era partir entre 3h30 e 4h da madrugada. Mas a preparação do comboio só ficou pronta as 8h, quando os rebeldes já tinham retomado suas posições e o sol iluminava a vastidão do deserto no Norte da África.

Não ficou claro por que Muamar e Mutassim Kadafi decidiram levar adiante o plano, observa o Washington Post. Talvez achassem que não poderiam esperar pela próxima noite, talvez não quisessem perder o impulso de fugir, talvez fosse desespero. Mas a fuga totalmente errada selou o destino do coronel.

Eles saíram pela costa na direção oeste, passando por bairros arrasados pela guerra civil. Logo os rebeldes iniciaram a perseguição ao comboio, que tomou uma estrada rumo ao sul. Em seguida, um míssil caiu perto do carro de Kadafi. O impacto foi tão forte que acionou os airbags.

 Kadafi e sua turma voltaram a uma zona urbana onde ficaram encurralados ao dar de frente com uma milícia da cidade de Missurata, alvo de um cerco e bombardeio de semanas pelas forças kadafistas, inclusive com bombas de fragmentação que a tornaram "num inferno", na visão dos rebeldes.

Ao atacar de frente os rebeldes, o comboio chamou a atenção da Força Aérea da OTAN, que interveio militarmente com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para proteger a população civil e não para mudar o regime nem para matar o coronel Kadafi - o que provocou críticas e dificulta uma intervenção na Síria.

Os caças-bombardeiros da OTAN jogaram duas bombas de 500 libras (227 kg) guiadas a lêiser  no comboio, provocando uma série de explosões de munição que dividiram o grupo que levava Kadafi.

O coronel, Mutassim, o ministro da Defesa e um grupo de guarda-costas tentaram se esconder numa casa abandonada. "Encontramos Muamar lá, com um elmo e um colete a prova de bala. Ele tinha um revólver na cintura e carregava uma arma automática na mão", contou o filho do ministro da Defesa, descrevendo a luta desesperada para proteger o líder.

Mutassim formou um grupo de uns dez homens para tentar furar o cerco. "Vou abrir uma saída", disse ao pai no último diálogo entre os dois. Foi preso em seguida e morto horas depois.

Quando a casa começou a ser bombardeada, Kadafi e o que restava de seu grupo saíram correndo mais uma vez. "Havia uma série de blocos de concreto para alguma obra. Nós nos escondemos ali, junto com os guarda-costas e algumas famílias", lembrou o filho do ministro da Defesa.

Em mais um erro, Kadafi e mais dez decidiram correr em campo aberto até uma tubulação de concreto que havia debaixo de uma estrada. Ali, se esconderam. Quando saíram, foram logo vistos pelos rebeldes, relataram testemunhas citadas pelo Human Rights Watch.

Aí começou a batalha final. Os seguranças de Kadafi jogaram várias granadas de mão. Uma bateu numa parede de cimento armado e caiu perto do coronel. Quando um guarda-costas se abaixou para afastá-la, ela explodiu, arrancando seu braço. O coronel e o ministro da Defesa foram feridos.

"Corri na direção do meu pai e perguntei se ele estava bem, mas ele não respondeu. Vi Muamar sangrando", ferido na cabeça, recorda o filho do ministro da Defesa. O esquema de segurança do ditador entrou em colapso.

Os rebeldes desceram da estrada e finalmente pegaram o ex-homem-forte da Líbia. Confuso e abalado, Kadafi foi cercado por uma multidão que o humilhou, o espancou e puxou seu cabelo. Um miliciano o empalou enfiando-lhe uma baioneta no ânus.

"Foi uma cena violenta", reconheceu um comandante rebelde em depoimento ao Human Rights Watch.  "Ele foi colocado na cabine de uma picape que tentou levá-lo, mas caiu. Sabemos que deveria haver um julgamento, mas não pudemos controlar todo o mundo, algumas pessoas se descontrolaram".

O golpe fatal ainda é mistério. No vídeo de celular que horas depois circulava pelo mundo via Internet, pela descrição da ONU, "o corpo de Kadafi seminu e aparentemente sem vida é colocado numa ambulância, o que sugere que ele poderia ter sido morto no local da captura", antes de ser levado para Missurata.

Quem matou talvez nunca se saiba. O coronel tinha vários ferimentos. É possível que mais de um fosse mortal.

"Alguns milicianos de Bengázi alegaram ter matado Kadafi numa discussão com rebeldes de Missurata sobre para onde levariam o ditador, mas essas alegações não foram confirmadas", pondera o Human Rights Watch.

Muamar Kadafi, Mutassim e o ministro da Defesa foram enterrados pelo governo provisório em local não revelado para evitar que se torne um lugar de peregrinação dos órfãos do cachorro louco da política internacional.

sábado, 28 de julho de 2012

Romney culpa Obama por conflitos no Oriente Médio

LONDRES - Os conflitos da Primavera Árabe poderiam ter sido evitados se a "agenda de liberdade" do presidente George W. Bush não tivesse sido cancelada pelo governo Barack Obama, afirmou o candidato da oposição à Presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney.

Em entrevista a um jornal de Israel, na viagem ao exterior para se apresentar como estadista, depois de cometer duas gafes no Reino Unido, Romney afirmou: "O presidente Bush pressionou Hosni Mubarak rumo a uma postura mais democrática, mas o presidente Obama abandonou a agenda de liberdade e hoje estamos vendo um redemoinho de tumultos no Oriente Médio em parte porque essas nações não abraçaram as reformas que poderiam ter mudado o curso da história de uma maneira pacífica".

Ao repetir uma série de clichês, Romney mostra mais uma vez seu despreparo. Os únicos presidente americanos que conseguiram negociar acordos no Oriente Médio foram os democratas Jimmy Carter, entre Israel e o Egito, e Bill Clinton, entre Israel e a Jordânia.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o governo Bush adotou uma política de "mudança de regime", partindo da análise de que o terrorismo era a resposta política de sociedades onde era impossível lutar pelo poder pacificamente. Isso levou à invasão do Iraque, mas, diante da forte reação negativa no mundo árabe, os EUA nunca fizeram maior pressão sobre seus maiores aliados árabes, Egito e Arábia Saudita.

Obama recuou para uma atitude de não interferência, dizendo caber aos árabes decidir questões como regime político. Mas dificilmente ditadores como Muamar Kadafi, na Líbia, e Bachar Assad, na Síria, aceitassem pressões dos EUA.

Romney ainda não apresentou uma proposta concreta sobre o que fazer na Síria, onde ocorre o conflito mais violento hoje no mundo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Aliança liberal e secular vence eleições na Líbia

LONDRES - O resultado final das primeiras eleições nacionais realizadas na Líbia em quase 60 anos confirmou a vitória da Aliança das Forças Nacionais, liberal e secular, liderada pelo ex-ministro Mahmoud Jibril, um economista graduado nos Estados Unidos.

A AFN elegeu 39 dos 80 deputados escolhidos através de listas partidárias, com grande vantagem sobre a Irmandade Muçulmana, que terá 17 cadeiras. Outros 120 deputados serão eleitos como independentes, informa a televisão pública britânica BBC.

Ao comentar a vitória, Jibril apelou mais uma vez pela formação de um governo de união nacional para reconstruir a Líbia depois de 42 anos da ditadura personalista do coronel Muamar Kadafi, que destruiu as instituições do país.

O Parlamento eleito deve formar um governo e redigir uma nova Constituição. Quando ela for aprovada, haverá novas eleições legislativas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Primeiro-ministro interino quer união nacional na Líbia

Ao contrário do que aconteceu na Tunísia e no Egito, os primeiros resultados das eleições parlamentares realizadas no sábado na Líbia dão vantagem aos liberais contra os partidos religiosos muçulmanos. O primeiro-ministro do governo provisório formado depois da queda do ditador Muamar Kadafi, Mahmoud Jibril, líder da Associação das Forças Nacionais, defendeu a formação de uma união nacional.

As primeiras eleições livres desde 1954 são o início de um processo de construção da democracia na Líbia, cujas instituições foram arrasadas por 42 anos de ditadura de Kadafi. Apesar de alguns atos de violência, os observadores internacionais consideraram as eleições limpas e livres.

"É notável que quase todos os líbios puderam votar sem medo e intimidação", declarou o chefe da missão da União Europeia, Alexander Graf Lambsdorff. Pelo menos duas pessoas foram mortas. Houve casos de roubo e incêndio de urnas, mas, na sua opinião, "não colocam em questão a integridade das eleições como um todo".

Quase 1,8 milhão dos 2,8 milhões de eleitores inscritos participaram, uma participação de cerca de 65%. Das 200 cadeiras da Assembleia Nacional, 80 serão ocupadas por deputados eleitos pelos partidos e as outras 120, por candidatos independentes.

O novo Parlamento deve eleger um primeiro-ministro, formar um governo, redigir uma nova Constituição e preparar eleições legislativas a serem realizadas sob o novo ordenamento jurídico, informa a agência de notícias Reuters.

sábado, 7 de julho de 2012

Líbia vota nas primeiras eleições pós- Kadafi

A Líbia votou hoje em eleições destinadas a dar legitimidade às novas autoridades do país, que têm o desafio formidável de desarmar as milícias que derrubaram no ano passado o ditador Muamar Kadafi, que estava no poder desde 1969, e de reconstruir as instituições arrasadas por décadas de uma ditadura personalista.

Nas primeiras eleições competitivas desde 1954, os líbios devem eleger um Parlamento para formar um governo e redigir uma nova Constituição.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tunísia extradita ex-primeiro-ministro da Líbia

A Tunísia extraditou ontem o último primeiro-ministro da ditadura de Muamar Kadafi na Líbia, Baghdadi Ali al-Mahmoudi, sem o consentimento do presidente tunisiano, Moncef Marzouki, que considerou o procedimento ilegal.

No início do ano, o líder da Tunísia admitiu concordar com a extradição, se o processo na Líbia tivesse todas as garantias legais. Em maio, disse ter mudado de ideia. Mahmoudi foi levado de helicóptero para a Síria no domingo.

Em nota citada pela TV pública britânica BBC, a Presidência declarou que a extradição "ameaça a imagem da Tunísia no mundo, fazendo-o parecer um Estado que não está comprometido com o respeito aos elementos de um julgamento justo".