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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Etiópia prende ex-governador da região de Ogaden

O governo da Etiópia deteve Ahmed Abdi Mohamed Omar, ex-governador de Ogaden, também conhecida como região somaliana, sob as acusações de graves violações dos direitos humanos e de incitar à violência étnica e religiosa, noticiou ontem o boletim de notícias Africa News.

A batalha pelo controle da região de Ogaden é um teste crucial para o primeiro-ministro Abiy Ahmed. Na chefia do governo desde abril, Ahmed tenta tomar o poder de Omer e suas milícias.

No passado, a Etiópia teve problemas para manter o controle sobre a região somaliana, o que levou ao fortalecimento das milícias. Em 12 de agosto, a Frente de Libertação Nacional de Ogaden (FLNO) declarou um cessar-fogo unilateral citando os esforços do primeiro-ministro pela reconciliação nacional.

Uma presença militar forte na conturbada região de Ogaden é importante por causa da situação de anarquia em que vive a vizinha Somália desde 1991. Mas o controle de Adis Abeba sobre a região levou à revolta dos etíopes de etnia somaliana.

A FLNO luta pela autodeterminação da região somaliana desde meados dos anos 1980s. Em resposta, o governo etíope criou a milícia Liyu. Na luta contra a guerrilha, a milícia liderada por Omar cometeu diversos crimes. Ele foi preso, mas tem muitos amigos mais poderosos.

País que mais cresce hoje no mundo, acima de 10% ao ano nos últimos anos, a Etiópia passa por uma transformação profunda. Seu ambicioso primeiro-ministro fez a paz com a Eritreia e tenta fazer o mesmo em Ogaden.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Milícia árabe-curda apoiada pelos EUA invade capital do Estado Islâmico

As Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia formada por combatentes árabes e curdos com apoio financeiro, armas e cobertura aérea dos Estados Unidos, invadiram hoje a cidade de Rakka, na Síria, declarada capital do califado proclamado há três anos pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

"Nossas forças entraram no bairro de Mechlebe, no Leste da cidade", declarou a comandante curda Rojda Felat à Agência France Presse (AFP). O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição que monitora a guerra civil na Síria, confirmou a invasão.

A Batalha de Rakka começa enquanto o Estado Islâmico ainda resiste em algumas áreas de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, cenário de uma batalha sangrenta há nove meses. Com a queda destas duas cidades, o califado proclamado em 29 de junho de 2014 pelo líder supremo Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim.

Sem um protoestado para chamar de seu no Oriente Médio, o Estado Islâmico regride a um movimento clandestino que tem no terrorismo seu principal instrumento de propaganda e ação. Os órfãos do califado são homens-bomba em potencial.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Bombardeio aéreo mata comandante do Estado Islâmico em Faluja

Um ataque da coalizão aérea liderada pelos Estados Unidos matou o comandante da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Faluja, alvo de uma ofensiva do Exército do Iraque, revelou um porta-voz militar americano.

O porta-voz do Pentágono afirmou que Maher al-Balawi foi alvejado dois dias atrás, mas não revelou o local exato.

As forças do governo do Iraque e milícia aliadas lançaram em 23 de maio de 2016, com a cobertura da Força Aérea dos EUA, uma operação para reconquistar Faluja, que está em poder do Estado Islâmico desde janeiro de 2014. A cidade foi palco de duas violentas batalhas dos EUA contra a rede terrorista Al Caeda no Iraque em 2004.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Milícia quer trocar armas por cargos na República Centro-Africana

A milícia rebelde Séléka aceita entregar as armas em troca de participação no governo da República Centro-Africana, reportou hoje a agência de notícias Bloomberg citando como fonte um comandante do grupo.

A proposta foi apresentada a repórteres em Bangui, a capital do país, por Abdoulaye Hissene, um comandante da Séléka que fugiu da cadeia em março de 2016.

Também em março, a França anunciou o fim da intervenção militar iniciada em dezembro de 2013 para conter a violência generalizada entre cristãos e muçulmanos, que ameaçava provocar uma guerra civil na RCA.

O líder da Séléka, Michel Djotodia, chegou a presidir o país de março de 2013 a janeiro de 2014.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Operação para retomar Mossul está em marcha

Com cobertura aérea dos Estados Unidos e aliados, o Exército do Iraque e milícias aliadas lançaram hoje uma ofensiva na província de Nínive com o objetivo de retomar Mossul, a segunda maior cidade do país, capturada em 10 de junho de 2014 pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Enquanto na Síria, o regime de Bachar Assad e milícias aliadas estão prestes a retomar Palmira, a última cidade importante a caminho de Rakka, a capital do Estado Islâmico, o Iraque prepara a reconquistar Mossul.

A operação há muito esperada está em marcha. Deve ser longa e difícil. Hoje o comando militar iraquiano anunciou a retomada de várias vilas na periferia de Makhmur, uma cidade a leste de Mossul.

Dois mil homens lutam na ofensiva contra Makhmur, muitíssimo menos do que a força necessária para reconquistar Mossul. O plano de combate preparado pelos EUA pede que as forças de segurança do Iraque mobilizem de 20 a 25 mil homens, que seriam apoiados por milicianos curdos. A Turquia, por sua vez, daria ajuda a milícias sunitas aliadas.

Pelos cálculos da empresa de consultoria e estudos estratégicos americana Stratfor, serão necessários 40 mil soldados.

Nos últimos meses, as forças do Iraque conseguiram vitórias importantes contra o Estado Islâmico na cidade de Samarra e na província de Ambar. Para retomar Mossul, terá de cercar a cidade e cortar as linhas de suprimento dos jihadistas.

O general Sean MacFarland, comandante da campanha militar dos EUA contra o Estado Islâmico, disse que os generais iraquianos não acreditam que terão condições de reconquistar Mossul antes do fim deste ano ou do início de 2017.

Apesar da perda de 20% do total de territórios que já dominou no Iraque e na Síria, o Estado Islâmico ainda é uma poderosa força de combate. Não vai entregar Mossul sem luta. A cidade é hoje a grande bastiã do sunismo, um centro de logística e de finanças do Estado Islâmico, e uma fonte de mão de obra e de voluntários do martírio.

Se perder Rakka e Mossul, o Estado Islâmico deixará de ser o protoestado que é hoje. Será reduzido mais uma vez a grupo terrorista. Terá de fazer ataques espetaculares como os de 13 de novembro de 2015 em Paris e 22 de março de 2016 em Bruxelas para manter a liderança do movimento jihadista internacional. Isso o torna ainda mais perigoso para o resto do mundo, inclusive para o Brasil, que não é alvo mas pode ser palco de atentados terroristas durante a Olimpíada do Rio de Janeiro.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Egito lança grande operação contra Estado Islâmico no Sinai

O Exército do Egito anunciou hoje o início de uma grande operação contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Província do Sinai. Pelo menos 29 milicianos e dois soldados egípcios foram mortos.

A Província do Sinai do Estado Islâmico é o ramo da milícia que atua no Egito. Com o aumento das atividades de grupos terroristas na região, os Estados Unidos estão reexaminando sua participação na Força Multinacional de Observação, em missão de paz na região desde a assinatura de um acordo entre Israel e o Egito, em 1979.

Como força de interposição entre os exércitos de dois países que tinham feito um acordo de paz, a missão não está preparada para enfrentar uma guerra permanente de grupos irregulares. Se os EUA retirarem seu contingente, provavelmente a missão de paz será abandonada.

No momento, o governo Barack Obama está em atrito com os dois países, maiores aliados americanos no Oriente Médio ao lado da Arábia Saudita.

Israel rejeita o acordo negociado entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano. Teme que ajude a República Islâmica a ganhar tempo para fabricar armas atômicas.

A Casa Branca é contra a nova lei anterrorista do Egito, imposta pelo ditador Abdel Fatah al-Sissi, que derrubou em 3 de julho de 2013 o único presidente eleito democraticamente da história do país, Mohamed Mursi.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mais de 10 mil milicianos do Estado Islâmico foram mortos, dizem EUA

Desde que os Estados Unidos entraram na guerra contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em setembro de 2014, mais de 10 mil milicianos do grupo foram mortos, afirmou hoje o subsecretário de Estado americano, Antony Blinken.

O subsecretário representou os EUA numa conferência realizada em Paris para fazer um balanço desses nove meses de aliança contra o mais feroz grupo jihadista da história. Na ocasião, o primeiro-ministro do Iraque, Heidar al-Abadi, acusou as potências regionais e mundiais de fazerem muito pouco para livrar o país da milícia terrorista.

Abadi alegou que o país é alvo da agressão de estrangeiros, que seriam hoje 58% dos milicianos do Estado Islâmico, e não tem condições de enfrentar o problema sozinho.

Por outro lado, o secretário da Defesa dos EUA, Ash Carter, acusou o Exército do Iraque de entrar em colapso e fugir da cidade de Ramadi por "falta de vontade de lutar". Com o colapso do Estado iraquiano em 2003, depois da invasão americana e da queda do ditador Saddam Hussein, o país vive em estado de anarquia.

Nessa terra sem lei, a rede terrorista Al Caeda se infiltrou. Em 2004, entrava em ação Al Caeda no Iraque, que em outubro de 2006 passou a se chamar Estado Islâmico do Iraque. Quando começou a guerra civil da Síria, em 2011, o Estado Islâmico do Iraque enviou seus representantes para lutar em aliança com Al Caeda.

Em abril de 2013, o líder da milícia, Abu Bakr al-Baghdadi, anunciou uma fusão com a Jabhat al-Nusra (Frente da Vitória) para criar o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Mas tanto o comandante da frente, Abu Mohamad al-Julani, quanto o supremo líder da Caeda, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, rejeitaram a união.

Depois de oito meses de luta, em 3 de fevereiro de 2014, Al Caeda rompeu oficialmente com o Estado Islâmico denunciando a "notória intransigência" do grupo. Agora, ambos lutam de lados diferentes na guerra civil da Síria.

No momento, o Estado Islâmico estaria apoiando a ditadura de Bachar Assad, noticiou hoje o jornal israelense Haaretz, e vendendo petróleo ao regime sírio, que sobrevive graças à milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), armada e financiada pelo Irã.

A situação no Oriente Médio é caótica demais. O Estado Islâmico é fruto do colapso de dois Estados Nacionais, Iraque e Síria, que aspiravam a uma liderança regional no Oriente Médio. É difícil imaginar alguma estabilidade na região enquanto a situação desses países não se normalizar. A julgar pela situação de dois outros Estados colapsados que até não se reergueram, o Líbano e o Afeganistão, a expectativa é sombria e sangrenta.

sábado, 4 de abril de 2015

Al Chababe ameaça Quênia com novos ataques

Dois dias depois de massacrar 148 estudantes numa ação terrorista num campus universitário na cidade de Garissa, a milícia extremista muçulmana somaliana Al Chababe (A Juventude) ameaçou hoje lançar novos ataques contra o Quênia.

Em comunicado, o grupo ligado à rede terrorista Al Caeda declarou que o ataque foi uma resposta à presença de militares quenianos na força de paz da União Africana na Somália e a supostos maus-tratos a muçulmanos no Quênia.

Desde 1991, a Somália vive em estado de anarquia. Não tem um governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, que foi aliado da União Soviética ou dos Estados Unidos em diferentes momentos da Guerra Fria e abandonado no fim do conflito.

domingo, 8 de março de 2015

Chade e Níger lançam ofensiva contra o Boko Haram

As Forças Armadas do Chade e do Níger lançaram hoje uma ofensiva aérea e terrestre contra a milícia extremista muçulmana Boko Haram no Nordeste da Nigéria, informou o canal de notícias francês France24. Ontem, a milícia jihadista declarou lealdade ao Estado Islâmico.

"Hoje de manhã bem cedo, as tropas nigerinas e chadianas iniciaram uma ofensiva contra o Boko Haram em duas frentes, na zona de Bosso e perto de Difa", declarou um alto funcionário do Níger à Agência France Presse (AFP).

Há mais de um mês, sob pressão do Boko Haram, o Níger reforçou a região de Difa com milhares de soldados. No fim de janeiro, Camarões, o Chade e o Níger atacaram posições do grupo jihadista no Lago Chade, no extremo norte da Nigéria.

No sábado, três atentados terroristas a bomba contra dois mercados públicos e um terminal rodoviário mataram pelo menos 58 pessoas e feriram outras 139 em Maiduguri, capital do estado de Borno, uma das áreas de maior atividade do Boko Haram.

Também ontem, o Exército da Nigéria anunciou a retomada de três localidades no Nordeste do país: Buni Gari e Buni Yadi, no estado de Yobe; e Marte, no estado de Borno.

A ofensiva nigeriana visa a garantir a realização das eleições de 28 de março. Teria pressionado os rebeldes jihadistas, expulsando-os dos centros urbanos, mas o ataque múltiplo em Maiduguri mostra que os terroristas mantêm seu poder de fogo.

Desde que aderiu à luta armada para impor sua versão sectária do islamismo, o Boko Haram trava uma guerra civil em que cerca de 12 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Na análise da empresa americana de análises estratégicas Stratfor, pela primeira vez o Boko Haram enfrenta uma ameaça à sua sobrevivência.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

República Democrática do Congo ataca milícia genocida de Ruanda

As Forças Armadas da República Democrática do Congo lançaram sua primeira ofensiva contra o grupo rebelde Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda, formado inicialmente pela milícia da etnia hutu responsável pelo genocídio de pelo menos 800 mil pessoas em Ruanda, em 1994, noticiou hoje o sítio World Bulletin.

O combate foi realizado perto da cidade de Uvira, na província de Kivu do Sul, junto à fronteira com o Burúndi. Mais de 5,4 milhões de pessoas foram mortas na guerra civil do Congo, de fome e de doenças causadas pelo conflito desde o genocídio em Ruanda.

A fuga dos hutus provocou um conflito com os baniamulengue do Congo, que têm a mesmo origem étnica dos tútsis, as maiores vítimas do genocídio em Ruanda. Isso levou o conflito para o grande país vizinho.

O líder rebelde Laurent Cabila, refugiado nas Montanhas da Lua desde que sua revolução apoiada pessoalmente por Che Guevara fracassara, nos anos 1960s, marchou rumo à capital, Kinshasa, e derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, na chamada Primeira Grande Guerra Mundial Africana.

Nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares travaram então uma violenta guerra. O país não foi totalmente pacificado até hoje. Com o ataque à milícia hutu, o Exército também estabelecer seu controle sobre todo o Congo, um país riquíssimo em recursos naturais que tem sido um campo de batalha praticamente desde a independência.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Israel mata comandante do Hesbolá

Um ataque de mísseis de um helicóptero do Exército de Israel contra uma caravana de veículos na Síria matou seis membros da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, o Partido de Deus, inclusive o comandante Jihad Mughnia, filho do comandante Imad Mughnia, morto em 2008 pelo serviço secreto israelense Mossad com a colaboração de vários países árabes.

Um alto funcionário de Israel acusou a milícia de estar planejando ataques contra Israel. Aliado do Irã, o Hesbolá luta ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. Ha três dias, o líder do grupo, xeque Hassan Nasrallah, denunciou os bombardeios israelenses à Síria como atos de agressão que devem respondidos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cerca de 550 alemães aderiram ao Estado Islâmico

Cerca de 550 alemães foram para o Iraque e a Síria lutar ao lado da milícia terrorista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Uns 180 já voltaram para casa, mas 60 morreram em ação e pelo menos nove se suicidaram como homens-bomba, declarou o chefe do serviço secreto interno da Alemanha ao jornal dominical Welt am Sonntag.

Como outros países da Europa, a Alemanha teme que os voluntários do terrorismo cometam atentados terroristas no país ao voltar para casa ainda mais radicalizados pela violência das guerras no Oriente Médio.

Por falta de organização e infraestrutura no Ocidente, os serviços secretos consideram mais provável que os terroristas do Estado façam ataques isolados como "lobos solitários", que causam poucos danos comparados com grandes operações, mas são muito mais difíceis de evitar.

Boko Haram mata 48 pessoas perto da fronteira do Chade

A milícia terrorista muçulmana Boko Haram (Não à educação ocidental) atacou em 20 de novembro de 2014, perto de Doron Baga, um grupo de 48 mercadores da Nigéria que iam comprar peixe no vizinho Chade, informou ontem a agência de notícias Reuters. A notícia demorou a chegar porque os extremistas destruíram as torres de telefonia celular da área.

Na véspera, milicianos do Boko Haram haviam atacado a vila de Azaya Kura, matando 45 pessoas. Nos dois ataques, as vítimas foram mortas a facadas para não alertar as forças de segurança das áreas próximas. Há uma base militar com soldados da Nigéria, do Níger e do Chade em Doron Baga.

O governo nigeriano anunciou em outubro um cessar-fogo que levaria à libertação de 219 meninas raptadas em abril na cidade de Chibok, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria. Elas não foram soltas e a guerra continua.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Egito e EAU bombardearam milícias na Líbia

Em sua luta contra o islamismo político, as Forças Aéreas do Egito e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) atacaram milícias extremistas muçulmanas na Líbia pelo menos duas vezes nos últimos oito dias, surpreendendo os Estados Unidos, revelou ontem o jornal americano The New York Times.

Como as milícias jihadistas têm o apoio do Catar e da Turquia, e as secularistas da Arábia Saudita, do Egito e dos EAU, o bombardeio ameaça criar uma guerra indireta de potências regionais em território líbio.

Desde a queda há três anos do ditador Muamar Kadafi, que destruíra as instituições nacionais, a Líbia não tem um Exército, um Parlamento nem um governo que funcione. Milícias islamitas e secularistas lutam pelo poder.

Em junho, a milícia fundamentalista da cidade de Missurata atacou a milícia secularista da cidade de Zintan,  iniciando uma batalha pelo aeroporto de capital que destruiu a maioria dos aviões lá estacionados.

Apesar do bombardeio aéreo, no domingo, as milícias islamitas aliadas no movimento Amanhecer da Líbia anunciaram ter assumido o controle do aeroporto de Trípoli e de uma área de 100 quilômetros de raio ao redor da capital.

Os EAU divulgaram nota hoje declarando apoio aos dirigentes secularistas que venceram as eleições parlamentares. Mas os jihadistas anunciaram a intenção de formar seu próprio governo. O novo Parlamento denunciou as milícias do Amanhecer da Líbia como "grupos terroristas fora da lei".

Mais uma vez, a Líbia está à beira da guerra civil.

sábado, 12 de abril de 2014

Russos atacam mais uma cidade do Leste da Ucrânia

Com pistolas e fuzis Kalachnikov, pelo menos 20 milicianos financiados e armados pelo Kremlin tomaram a chefiatura de polícia de Slaviansk, no Leste da Ucrânia, a 150 quilômetros da Rússia, aprofundando a crise entre os dois países no momento em que o presidente Vladimir Putin ameaça deflagrar mais uma guerra do gás, cortando o suprimento ao país vizinho, por onde passam 15% do gás importado pela União Europeia.

Os milicianos arriaram a bandeira ucraniana, substituindo-a pela da Rússia e roubaram as armas estocadas. Moradores os ajudaram a armar barricadas antes da chegada de reforços policiais, informou a agência Reuters.

Por telefone, o ministro do Exterior da Ucrânia, Andriy Deschitsia, pediu ao colega russo, Serguei Lavrov, o "fim das provocações". Ontem, Lavrov afirmara que depois de tomar a península da Crimeia, a Rússia não tinha intenções de anexar outras regiões ucranianas.

A crise começou em novembro de 2013, quando o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, cedeu às pressões de Moscou e abandonou as negociações de um acordo de associação com a UE. Em protesto, manifestantes a favor da aproximação com a Europa tomaram a Praça da Independência e enfrentaram a tropa de choque, que matou centenas de pessoas.

Sob pressão, Yanukovich fugiu do país, foi para a Rússia e pediu uma intervenção militar ao Kremlin sob o pretexto de proteger as populações étnica e culturalmente russas. Putin não precisava do sinal de seu vassalo para atacar.

No fim de fevereiro, milicianos russos tomaram a assembleia regional da Crimeia e, sob a mira de fuzis Kalachnikov, instalaram no poder um governo-fantoche pró-Rússia liderado por um mafioso aliado do Kremlin que convocou um plebiscito realizado em 16 de março para a Crimeia sair da Ucrânia e ser anexada à Rússia.

Com a alegação de que o governo provisório da Ucrânia é ilegal, fruto de um "golpe de Estado", Putin rompeu o Memorando de Budapeste, assinado em 1994 para que a Rússia ficasse com todas as armas nucleares da extinta União Soviética.

Os EUA e a UE reagiram impondo sanções a políticos e empresários russos e ucranianos responsáveis pela anexação da Crimeia. Não basta para parar o homem-forte do Kremlin, que vive um breve momento de glória em seus delírios de grandeza de restaurar o poder imperial soviético.

A estratégia russa é clara: boicotar as eleições convocadas para 25 de maio e qualquer tentativa da Ucrânia de entrar para a UE.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Marinha dos EUA toma petroleiro da Coreia do Norte

O comando de elite SEALs, da Marinha dos Estados Unidos, o mesmo que matou Ossama ben Laden, tomou num navio cargueiro da Coreia do Norte abastecido ilegalmente com petróleo vendido por uma milícia separatista da Líbia, noticia o jornal The New York Times. A milícia assumiu o controle de um terminal petrolífero no Leste do país em julho de 2013 para exigir uma fatia maior da renda do petróleo, principal riqueza líbia.

Quando o petroleiro escapou do cerco apesar de ter sido atingido, caiu o primeiro-ministro interino Ali Zeidan e o regime comunista norte-coreano negou que o navio tivesse autorização oficial para comprar petróleo na Líbia.

A pedido dos governos da Líbia e de Chipre, a tropa de elite americana abordou o cargueiro Glória da Manhã na madrugada de hoje em águas internacionais. O objetivo é evitar que os rebeldes continuem vendendo gasolina ilegalmente.

Em Bengázi, a segunda maior cidade líbia, um carro-bomba explodiu diante de um quartel matando pelo menos cinco soldados e ferindo outras 14 pessoas, informa a televisão pública britânica BBC.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Líbia intercepta navio-tanque norte-coreano

As forças do governo da Líbia interceptaram hoje um navio cargueiro da Coreia do Norte que comprou petróleo ilegalmente de uma milícia separatista no Leste do país, anunciou o jornal líbio editado em inglês Libya Herald.

O petroleiro estaria sendo escoltado até o porto de Missurata.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

UE classifica milícia do Hesbolá como terrorista

Por unanimidade, o Conselho de Ministros do Exterior da União Europeia declarou hoje que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) é uma organização terrorista por considerá-la responsável por um ataque terrorista contra um ônibus de turistas israelenses no ano passado, na Bulgária.

A partir de agora, nenhum cidadão europeu poderá contribuir legalmente para o Hesbolá e as autoridades europeias não poderão manter contatos oficiais com a organização. O Conselho Judaico do Reino Unido pediu que a classificação seja estendida ao partido político do grupo.

Em Israel, a ministra da Justiça, Tzipi Livni, encarregada das negociações de paz com os palestinos, saudou a medida: "Finalmente, depois de anos de discussões e deliberações, eles fracassaram na tentativa de se apresentar como um partido político legítmimo."

A UE resistia às pressões dos Estados Unidos para enquadrar o Hesbolá como terrorista por medo de que ajudasse a desestabilizar o Líbano, onde a milícia faz parte da coalizão de governo. Um dos países que relutavam era a Alemanha.

Antes da votação, o ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, admitiu que o ataque contra o balneário búlgaro de Burgas, no Mar Negro, em que cinco turistas israelenses morreram era a prova que faltava: "Temos de responder a isso, e a resposta é colocar o braço militar do Hesbolá na lista negra".

Na capital libanesa, o deputado Walid Sukarieh repudiou a decisão, acusando a Europa de "abandonar sua independência" para apoiar uma posição dos EUA: "O Hesbolá não realiza ataques terroristas nem na Europa nem fora da Europa. É um movimento de resistência que luta para liberar terras ocupadas pelo inimigo israelense".

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Irã e Hesbolá montam rede para Síria pos-Assad

Para defender seus interesses na Síria mesmo que o ditador aliado Bachar Assad caia, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbola (Partido de Deus) estão armando uma rede de milícias. Por enquanto, elas atuam como aliadas do atual governo.

Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos citou um agente iraniano para afirmar que a república islâmica está apoiando pelo menos 50 mil milicianos na guerra civil síria. "É uma grande operação", comentou. "A intenção imediata é sustentar o regime de Assad até o fim. Mas é importante para o Irã e o Hesbolá terem uma força confiável na Síria pós-Assad".

A revolta popular contra Assad completa dois anos em 15 de março sem qualquer perspectiva de solução da guerra civil em que degenerou. Assad controla cada vez menos território, mas os rebeldes não têm a força necessária para lhe dar um golpe final.

Na semana passada, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, revelou que o presidente Barack Obama não quis armar os rebeldes, contrariando a posição de outros membros do governo americano.

Com mais de 60 mil mortes reconhecidas pelas Nações Unidas, a violência brutal fragmentou a Síria. Será muito difícil reconciliar e reintegrar o país.

A maior parte dos rebeldes vem da maioria sunita, o que não significa que tenham unidade. Uma grande força armada é formada por extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda.

Os curdos, que têm suas próprias milícias, controlam grandes áreas e querem autonomia. A maioria dos cristãos apoia Assad temendo a islamização do país. Cerca de 700 mil drusos, que seguem sua própria versão do xiismo, tendem cada vez mais para o lado dos rebeldes. Já os alauítas, que formam o núcleo central do regime, permanecem leais a Assad.

"A Síria está se desintegrando como nação, a exemplo do que aconteceu com o Líbano nos anos 70 e depois com o Iraque", declarou ao jornal The New York Times Paul Salem, diretor do Centro de Oriente Médio da Fundação Carnagie para a Paz Internacional, com sede em Beirute, no Líbano.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Islamitas compram jovens no Norte do Máli

Com sua riqueza ostensiva, fruto da pilhagem, as milícias da rede terrorista al Caeda no Magrebe Islâmico que tomaram o Norte do Máli há seis meses estão recrutando jovens, enquanto o país espera a intervenção militar de uma força pan-africana para se reunificar.

Em 22 de março de 2012, um grupo de oficiais do Exército deu um golpe e derrubou o presidente Amadou Traoré, que estava no poder desde 8 de junho de 2002. Com os caos político na capital, Bamako, as milícias extremistas muçulmanas do deserto tomaram Gao, uma das principais cidades do Norte do país.

Logo o Movimento Nacional de Libertação de Azawade desabou. No seu vácuo, entrou o Movimento pela Unidade e Jihad na África Ocidental (MUJAO), um grupo salafista que tem se dedicado à destruição de mesquitas e mausoléus sufistas no Norte do Máli.

Hoje o MUJAO, uma dissidência da ACMI, paga um salário-base de 114 euros por mês, entre outras vantagens. "O MUJAO é tão rico", observou um veterano. "Dá comida a seus combatentes, os paga regularmente e financia até mesmo seus casamentos com grandes somas. Os jovens não têm como resistir", reporta o jornal Courrier International.

A vida no Sahel não é nada fácil.